A Praça do Comércio, vulgo Terreiro do Paço, tem, faixas de circulação incluídas, 175 metros por 200 metros, ou seja, uma área total de 35.000 m2. Isto inclui a zona central da estátua e todo o espaço disponível. Se considerarmos que a área média ocupada por uma pessoa em pé é de 0,40m2, na referida área total caberão cerca de 87.500 pessoas.
Não estou a contar com a área destinada a palcos, sistemas de apoio ou zonas de circulação. Vamos admitir que tendo em conta a zona da estátua e a zona de um palco e instalações de apoio, a praça completamente “à cunha”, levará cerca de 80.000 pessoas.
O novo secretário-geral da CGTP, no final da manifestação do passado sábado, anunciou, orgulhoso, que tinha juntado a maior manifestação das últimas décadas, levando ao Terreiro do paço 300.000 pessoas, mais do triplo do que seria possível acolher naquele espaço.
Não consigo descortinar como isto é possível – tanto mais que a Praça, estando cheia, não estava propriamente à cunha. Portanto não é preciso ser um génio da matemática para se perceber que Arménio Carlos mentiu objectivamente – já que também não me pareceu que os manifestantes estivessem às camadas sobrepostas, uns em cima dos outros.
É uma evidência que esteve muita gente, é uma evidência que existe um grande descontentamento pela austeridade. Mas é também uma evidência que esta mentira numérica revela muito sobre o carácter do novo líder da CGTP. Para ele, como se viu, o tamanho conta – e vale tudo para conseguir ostentar o tamanho que lhe parece conveniente.
Infelizmente, já se sabe, quem mente sobre o tamanho, mais tarde ou mais cedo acaba a ser gozado. Já agora: fazer estratégias baseadas em números que são falsos nunca deu bom resultado.
(Publicado no diário Metro de 14 de Fevereiro)