Para o ano as autarquias irão a votos, lá para o fim do ano. Mas mesmo a esta distância é engraçado ver como já existem movimentações diversas.
Parte destas movimentações nasce da necessidade de substituir presidentes de Câmara que estão no fim do seu terceiro mandato e outras partem das oposições que querem desafiar nos votos quem detém o poder.
No caso dos autarcas que não poderão renovar mandato está a criar-se um curioso fenómeno, de substituições antecipadas, para de certa forma designar o sucessor e permitir que ele tenha um tempo de treino e aquecimento antes das eleições, para que os eleitores já possam conhecer o seu estilo e forma de actuar.
Mas noutros casos desenha-se um vazio de poder, com muita gente a assobiar para o lado a pensar que para o fim do ano o actual presidente já não estará lá. É a prática bem portuguesa de não fazer ondas até se perceber de que lado vai soprar o vento. Em termos práticos muitas autarquias vão viver uma situação de semi-paralisia durante meses.
Nas principais cidades as disputas eleitorais vão ser duras: Lisboa e Porto vão estar no centro das atenções – mas na realidade mais de metade dos presidentes de câmara (161 dos 308) vai ter que ser substituída por atingirem o número máximo dos mandatos.
Numa eleição de proximidade, em que a figura do candidato é muito importante, como acontece nas autarquias, esta situação vai inevitavelmente produzir mudanças no mapa político.
Muita gente já não votava num partido, mas numa pessoa. Se a pessoa sai, em que sentido se mantém o voto? – no sucessor designado pelo partido, ou noutro candidato que mereça mais confiança pessoal?