O DESAFIO DE UMA GERAÇÃO (da edição de ontem do «Jornal de Negócios»)
QUANDO A DIREITA deixa criar angústias várias sobre as expectativas das pessoas em relação ao seu bem-estar , está a entregar a bandeira do social à esquerda. Basta olharmos para a nossa História recente para vermos como esse é dos mais importantes argumentos políticos. Conjugar um modelo de desenvolvimento, com um panorama de estabilidade política e conseguir fazer tudo isto conseguindo efectivamente melhorar a vida do dia-adia das pessoas é o maior desafio político que se coloca à sociedade e aos partidos.
O QUOTIDIANO é o factor inconsciente na hora do voto. As pessoas que trabalham por conta de outrem, a maioria do eleitorado, sabe que não protagoniza evasão fiscal : paga impostos, directos e indirectos, que regra geral considera elevados e muitas vezes não vê retorno para o investimento que por essa via faz no Estado. Queixa-se das dificuldades de emprego, dos cuidados de saúde, do estado da justiça, da instabilidade da educação. A verdade é que o modelo de Estado em que cresceram lhes está a flahar e isto é um dos maiores problemas que enfrentamos. Em Portugal qualquer política e qualquer reforma começa por trazer complicações às classes médias, na verdade traz dificuldades mais depressa que benefícios e esse é um dos grandes factores de instabilidade política e social. Reflectir sobre isto é fundamental.
NÃO HÁ GRANDES DIFERENÇAS entre o PSD e o PS a não ser de estilo. De facto, na esmagadora maioria dos assuntos do dia-a-dia, nacional ou internacional, há nuances mas não há divergências gritantes. Muitas vezes é na forma de concretizar conceitos que surgem divergências. E há, é claro, estilos diferentes, a começar pela gestão das finanças públicas.
O ROTATIVISMO de finais do século XIX está outra vez em grande força entre nós no início do século XXI. Em comum existe uma decadência do funcionamento da sociedade, uma crise evidente do modelo de Estado, coisas que por si só contribuerm para a instabilidade de objectivos e de projectos, para a variação de políticas, a paralisação das sociedades, a frustração dos cidadãos.
REFORMULAR O PAPEL DO ESTADO é a ideia chave defendida numa curiosa entrevista ao «El País», entre nós publicada pela «Visão», dada pelo filósofo francês Pierre Rosanvallon. As suas observações sobre as mudanças ocorridas no sistema político e partidário (por exemplo: «falou-se muito do final do comunismo, mas não reflectimos o suficiente sobre o final do modelo social-democrata») são certeiras.
A DECADÊNCIA das sociedades decorre da impotência na resolução dos principais problemas que a atravessam, diz o filósofo e, sublinha, cito: «como não sabemos lidar com o reformismo, esperamos a chegada do Apocalipse para podermos fazer as mudanças...Não temos uma cultura de Reforma, temos é uma cultura de Revolução que continua muito presente...Daí que seja necessário representar a decadência para se poder fazer uma simulação da revolução que, na realidade, não é mais que reformas minúsculas».
AS CAUSAS COMUNS são um catalisador da participação social, são (elas sim) um efectivo dinamizador da auto-estima, da mobilização dos cidadãos, do funcionamento da sociedade. Todos temos que pensar mais no que podemos fazer para melhorar as coisas. O sentido do voto, seja ele qual fôr, é sempre esse. O regime democrático pressupõe historicamente a expectativa de uma evolução nos padrões de vida. Ninguém gosta de governar para criar dificuldades à vida dos governados. E, no entanto, isso às vezes acontece.
A CRISE DO ESTADO PROVIDÊNCIA é a origem de muitas mini crises do nosso dia-a-dia e é o pano de fundo que está sempre presente em qualquer análise da realidade. As pessoas querem saber coisas concretas sobre o seu bem-estar presente e futuro e acham tudo o resto temas secundários. Por isso mesmo a nossa maior urgência é conseguir estudar a fundo as transformações que ocorreram, todas as mudanças que ainda estamos a viver, para conseguirmos criar um novo modelo de sociedade que funcione. Que seja efectivo e solidário. No fundo é este o desafio de uma geração.
O que vou escrevendo, entre o Weekend do Jornal de Negócios e os Pensamentos Ociosos no SAPO. E mais umas coisas avulsas...
junho 26, 2004
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O DESAFIO DE UMA GERAÇÃO (da edição de ontem do «Jornal de Negócios»)
QUANDO A DIREITA deixa criar angústias várias sobre as expectativas das pessoas em relação ao seu bem-estar , está a entregar a bandeira do social à esquerda. Basta olharmos para a nossa História recente para vermos como esse é dos mais importantes argumentos políticos. Conjugar um modelo de desenvolvimento, com um panorama de estabilidade política e conseguir fazer tudo isto conseguindo efectivamente melhorar a vida do dia-adia das pessoas é o maior desafio político que se coloca à sociedade e aos partidos.
O QUOTIDIANO é o factor inconsciente na hora do voto. As pessoas que trabalham por conta de outrem, a maioria do eleitorado, sabe que não protagoniza evasão fiscal : paga impostos, directos e indirectos, que regra geral considera elevados e muitas vezes não vê retorno para o investimento que por essa via faz no Estado. Queixa-se das dificuldades de emprego, dos cuidados de saúde, do estado da justiça, da instabilidade da educação. A verdade é que o modelo de Estado em que cresceram lhes está a flahar e isto é um dos maiores problemas que enfrentamos. Em Portugal qualquer política e qualquer reforma começa por trazer complicações às classes médias, na verdade traz dificuldades mais depressa que benefícios e esse é um dos grandes factores de instabilidade política e social. Reflectir sobre isto é fundamental.
NÃO HÁ GRANDES DIFERENÇAS entre o PSD e o PS a não ser de estilo. De facto, na esmagadora maioria dos assuntos do dia-a-dia, nacional ou internacional, há nuances mas não há divergências gritantes. Muitas vezes é na forma de concretizar conceitos que surgem divergências. E há, é claro, estilos diferentes, a começar pela gestão das finanças públicas.
O ROTATIVISMO de finais do século XIX está outra vez em grande força entre nós no início do século XXI. Em comum existe uma decadência do funcionamento da sociedade, uma crise evidente do modelo de Estado, coisas que por si só contribuerm para a instabilidade de objectivos e de projectos, para a variação de políticas, a paralisação das sociedades, a frustração dos cidadãos.
REFORMULAR O PAPEL DO ESTADO é a ideia chave defendida numa curiosa entrevista ao «El País», entre nós publicada pela «Visão», dada pelo filósofo francês Pierre Rosanvallon. As suas observações sobre as mudanças ocorridas no sistema político e partidário (por exemplo: «falou-se muito do final do comunismo, mas não reflectimos o suficiente sobre o final do modelo social-democrata») são certeiras.
A DECADÊNCIA das sociedades decorre da impotência na resolução dos principais problemas que a atravessam, diz o filósofo e, sublinha, cito: «como não sabemos lidar com o reformismo, esperamos a chegada do Apocalipse para podermos fazer as mudanças...Não temos uma cultura de Reforma, temos é uma cultura de Revolução que continua muito presente...Daí que seja necessário representar a decadência para se poder fazer uma simulação da revolução que, na realidade, não é mais que reformas minúsculas».
AS CAUSAS COMUNS são um catalisador da participação social, são (elas sim) um efectivo dinamizador da auto-estima, da mobilização dos cidadãos, do funcionamento da sociedade. Todos temos que pensar mais no que podemos fazer para melhorar as coisas. O sentido do voto, seja ele qual fôr, é sempre esse. O regime democrático pressupõe historicamente a expectativa de uma evolução nos padrões de vida. Ninguém gosta de governar para criar dificuldades à vida dos governados. E, no entanto, isso às vezes acontece.
A CRISE DO ESTADO PROVIDÊNCIA é a origem de muitas mini crises do nosso dia-a-dia e é o pano de fundo que está sempre presente em qualquer análise da realidade. As pessoas querem saber coisas concretas sobre o seu bem-estar presente e futuro e acham tudo o resto temas secundários. Por isso mesmo a nossa maior urgência é conseguir estudar a fundo as transformações que ocorreram, todas as mudanças que ainda estamos a viver, para conseguirmos criar um novo modelo de sociedade que funcione. Que seja efectivo e solidário. No fundo é este o desafio de uma geração.
QUANDO A DIREITA deixa criar angústias várias sobre as expectativas das pessoas em relação ao seu bem-estar , está a entregar a bandeira do social à esquerda. Basta olharmos para a nossa História recente para vermos como esse é dos mais importantes argumentos políticos. Conjugar um modelo de desenvolvimento, com um panorama de estabilidade política e conseguir fazer tudo isto conseguindo efectivamente melhorar a vida do dia-adia das pessoas é o maior desafio político que se coloca à sociedade e aos partidos.
O QUOTIDIANO é o factor inconsciente na hora do voto. As pessoas que trabalham por conta de outrem, a maioria do eleitorado, sabe que não protagoniza evasão fiscal : paga impostos, directos e indirectos, que regra geral considera elevados e muitas vezes não vê retorno para o investimento que por essa via faz no Estado. Queixa-se das dificuldades de emprego, dos cuidados de saúde, do estado da justiça, da instabilidade da educação. A verdade é que o modelo de Estado em que cresceram lhes está a flahar e isto é um dos maiores problemas que enfrentamos. Em Portugal qualquer política e qualquer reforma começa por trazer complicações às classes médias, na verdade traz dificuldades mais depressa que benefícios e esse é um dos grandes factores de instabilidade política e social. Reflectir sobre isto é fundamental.
NÃO HÁ GRANDES DIFERENÇAS entre o PSD e o PS a não ser de estilo. De facto, na esmagadora maioria dos assuntos do dia-a-dia, nacional ou internacional, há nuances mas não há divergências gritantes. Muitas vezes é na forma de concretizar conceitos que surgem divergências. E há, é claro, estilos diferentes, a começar pela gestão das finanças públicas.
O ROTATIVISMO de finais do século XIX está outra vez em grande força entre nós no início do século XXI. Em comum existe uma decadência do funcionamento da sociedade, uma crise evidente do modelo de Estado, coisas que por si só contribuerm para a instabilidade de objectivos e de projectos, para a variação de políticas, a paralisação das sociedades, a frustração dos cidadãos.
REFORMULAR O PAPEL DO ESTADO é a ideia chave defendida numa curiosa entrevista ao «El País», entre nós publicada pela «Visão», dada pelo filósofo francês Pierre Rosanvallon. As suas observações sobre as mudanças ocorridas no sistema político e partidário (por exemplo: «falou-se muito do final do comunismo, mas não reflectimos o suficiente sobre o final do modelo social-democrata») são certeiras.
A DECADÊNCIA das sociedades decorre da impotência na resolução dos principais problemas que a atravessam, diz o filósofo e, sublinha, cito: «como não sabemos lidar com o reformismo, esperamos a chegada do Apocalipse para podermos fazer as mudanças...Não temos uma cultura de Reforma, temos é uma cultura de Revolução que continua muito presente...Daí que seja necessário representar a decadência para se poder fazer uma simulação da revolução que, na realidade, não é mais que reformas minúsculas».
AS CAUSAS COMUNS são um catalisador da participação social, são (elas sim) um efectivo dinamizador da auto-estima, da mobilização dos cidadãos, do funcionamento da sociedade. Todos temos que pensar mais no que podemos fazer para melhorar as coisas. O sentido do voto, seja ele qual fôr, é sempre esse. O regime democrático pressupõe historicamente a expectativa de uma evolução nos padrões de vida. Ninguém gosta de governar para criar dificuldades à vida dos governados. E, no entanto, isso às vezes acontece.
A CRISE DO ESTADO PROVIDÊNCIA é a origem de muitas mini crises do nosso dia-a-dia e é o pano de fundo que está sempre presente em qualquer análise da realidade. As pessoas querem saber coisas concretas sobre o seu bem-estar presente e futuro e acham tudo o resto temas secundários. Por isso mesmo a nossa maior urgência é conseguir estudar a fundo as transformações que ocorreram, todas as mudanças que ainda estamos a viver, para conseguirmos criar um novo modelo de sociedade que funcione. Que seja efectivo e solidário. No fundo é este o desafio de uma geração.
maio 17, 2004
maio 14, 2004
FOTOS DO MIRROR ERAM FALSAS - EDITOR DESPEDIDO
Piers Morgan foi demitido de editor do «Daily Mirror» depois de se ter provado serem falsas as imagens publicadas pelo jornal como sendo de soldados britânicos e torturem prisionairos iraquianos. A BBC News sublinha que o jornal apresentou desculpas públicas ao batalhão acusado. Excerto: The newspaper released a statement saying: "The Daily Mirror published in good faith photographs which it absolutely believed were genuine images of British soldiers abusing an Iraqi prisoner.
"However there is now sufficient evidence to suggest that these pictures are fakes and that the Daily Mirror has been the subject of a calculated and malicious hoax.
"The Daily Mirror therefore apologises unreservedly for publishing the pictures and deeply regrets the reputational damage done to the QLR and the Army in Iraq.
"The paper will continue to cooperate fully with the investigation.
"The board of Trinity Mirror has decided that it would be inappropriate for Piers Morgan to continue in his role as editor of the Daily Mirror and he will therefore be stepping down with immediate effect."
Piers Morgan foi demitido de editor do «Daily Mirror» depois de se ter provado serem falsas as imagens publicadas pelo jornal como sendo de soldados britânicos e torturem prisionairos iraquianos. A BBC News sublinha que o jornal apresentou desculpas públicas ao batalhão acusado. Excerto: The newspaper released a statement saying: "The Daily Mirror published in good faith photographs which it absolutely believed were genuine images of British soldiers abusing an Iraqi prisoner.
"However there is now sufficient evidence to suggest that these pictures are fakes and that the Daily Mirror has been the subject of a calculated and malicious hoax.
"The Daily Mirror therefore apologises unreservedly for publishing the pictures and deeply regrets the reputational damage done to the QLR and the Army in Iraq.
"The paper will continue to cooperate fully with the investigation.
"The board of Trinity Mirror has decided that it would be inappropriate for Piers Morgan to continue in his role as editor of the Daily Mirror and he will therefore be stepping down with immediate effect."
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FOTOS DO MIRROR ERAM FALSAS - EDITOR DESPEDIDO
Piers Morgan foi demitido de editor do «Daily Mirror» depois de se ter provado serem falsas as imagens publicadas pelo jornal como sendo de soldados britânicos e torturem prisionairos iraquianos. A BBC News sublinha que o jornal apresentou desculpas públicas ao batalhão acusado. Excerto: The newspaper released a statement saying: "The Daily Mirror published in good faith photographs which it absolutely believed were genuine images of British soldiers abusing an Iraqi prisoner.
"However there is now sufficient evidence to suggest that these pictures are fakes and that the Daily Mirror has been the subject of a calculated and malicious hoax.
"The Daily Mirror therefore apologises unreservedly for publishing the pictures and deeply regrets the reputational damage done to the QLR and the Army in Iraq.
"The paper will continue to cooperate fully with the investigation.
"The board of Trinity Mirror has decided that it would be inappropriate for Piers Morgan to continue in his role as editor of the Daily Mirror and he will therefore be stepping down with immediate effect."
Piers Morgan foi demitido de editor do «Daily Mirror» depois de se ter provado serem falsas as imagens publicadas pelo jornal como sendo de soldados britânicos e torturem prisionairos iraquianos. A BBC News sublinha que o jornal apresentou desculpas públicas ao batalhão acusado. Excerto: The newspaper released a statement saying: "The Daily Mirror published in good faith photographs which it absolutely believed were genuine images of British soldiers abusing an Iraqi prisoner.
"However there is now sufficient evidence to suggest that these pictures are fakes and that the Daily Mirror has been the subject of a calculated and malicious hoax.
"The Daily Mirror therefore apologises unreservedly for publishing the pictures and deeply regrets the reputational damage done to the QLR and the Army in Iraq.
"The paper will continue to cooperate fully with the investigation.
"The board of Trinity Mirror has decided that it would be inappropriate for Piers Morgan to continue in his role as editor of the Daily Mirror and he will therefore be stepping down with immediate effect."
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A DIFERENÇA
Existem três coisas que fazem toda a diferença num restaurante: o serviço, a qualidade e novidade da cozinha, e a conversa que a companhia proporciona. Às vezes nem me lembro das duas primeiras. Ainda há surpresas.
Existem três coisas que fazem toda a diferença num restaurante: o serviço, a qualidade e novidade da cozinha, e a conversa que a companhia proporciona. Às vezes nem me lembro das duas primeiras. Ainda há surpresas.
ESQUINA NO JORNAL
Como hoje é sexta, «A Esquina» está no «Jornal de Negócios». Excertos:LIVROS – Tal como noutros países, «O Código Da Vinci», de Dan Brown, está no primeiro lugar dos livros mais vendidos em Portugal. A obra, entre outras coisas, debruça-se sobre a influência (muitas vezes escondida) de algumas sociedades secretas no mundo contemporâneo. É uma influência, como se poderá verificar no livro, apesar de ser uma obra de ficção, perfeitamente transversal. A força destas organizações em Portugal é também enorme – desde orgãos de poder (do central às maiores autarquias), passando pela banca ou pelos media. O pior é que é uma influência que se faz de forma camuflada, em nome de princípios sempre semi-escondidos, com objectivos as mais das vezes incompreensíveis fora do contexto do proveito próprio. Criadas, em tempos, para defender uma ideia ou garantir a possibilidade de se pensar livremente, a maioria destas sociedades acabou por se tornar numa cadeia de mecanismos de pressão e de limitação do livre pensamento (através da imposição de dogmas ou fidelidades), desenvolvendo entidades fortes, com uma enorme vantagem prática sobre outras formas de organização, nomeadamente os partidos: desde o início souberam o que era funcionar em rêde, conciliando influência com poder. A grande questão é que são núcleos externos à sociedade, fugindo ao seu controlo. Tornaram-se lobbies instrumentais para muita gente, já longe de qualquer ideial. É, no fundo, também, um entrave ao livre pensamento.
DISCOS – Uma consulta à lista dos discos mais vendidos em Portugal nas últimas semanas mostra na lista do «top ten» nomes como Diana Krall, José Mário Branco, Elis Regina, Norah Jones ou Caetano Veloso, já para não falar em Russell Watson. Que tem isto de especial, sendo estes seis exemplos nomes de referência? Será que o povo começou a comprar boa música e que o top passou a ter uma relação de qualidade (apesar de no caso do mais recente disco de Caetano e do de Watson isso ser mais que discutível...)?. Penso bem que a lista mostra outra coisa – os mais novos quase desertaram das discotecas - na lista apenas Anastasia, Evanescense e Black Eyed Peas reflectem o padrão de consumo típico de música de há três anos atrás. Ou seja, o que se torna evidente é que os adolescentes passaram a ir buscar a sua música à Internet, saindo das discotecas, e apenas os mais velhos (provavelmente por dificuldades no manuseamento da tecnologia) continuam a comprar discos em quantidade. O facto é que há uns anos atrás quase não se vendiam discos para público acima dos 35 anos, e que agora surgiu uma nova geração de artistas, muito baseada no soft jazz, que redespertou de para a compra de discos um público que não tinha esse hábito de consumo. Como sempre tem acontecido isto há-de ter consequências a outro nível – desde as play list das rádios até à própria programação de música na televisão. Aqui está uma coisa interessante de seguir.
Como hoje é sexta, «A Esquina» está no «Jornal de Negócios». Excertos:LIVROS – Tal como noutros países, «O Código Da Vinci», de Dan Brown, está no primeiro lugar dos livros mais vendidos em Portugal. A obra, entre outras coisas, debruça-se sobre a influência (muitas vezes escondida) de algumas sociedades secretas no mundo contemporâneo. É uma influência, como se poderá verificar no livro, apesar de ser uma obra de ficção, perfeitamente transversal. A força destas organizações em Portugal é também enorme – desde orgãos de poder (do central às maiores autarquias), passando pela banca ou pelos media. O pior é que é uma influência que se faz de forma camuflada, em nome de princípios sempre semi-escondidos, com objectivos as mais das vezes incompreensíveis fora do contexto do proveito próprio. Criadas, em tempos, para defender uma ideia ou garantir a possibilidade de se pensar livremente, a maioria destas sociedades acabou por se tornar numa cadeia de mecanismos de pressão e de limitação do livre pensamento (através da imposição de dogmas ou fidelidades), desenvolvendo entidades fortes, com uma enorme vantagem prática sobre outras formas de organização, nomeadamente os partidos: desde o início souberam o que era funcionar em rêde, conciliando influência com poder. A grande questão é que são núcleos externos à sociedade, fugindo ao seu controlo. Tornaram-se lobbies instrumentais para muita gente, já longe de qualquer ideial. É, no fundo, também, um entrave ao livre pensamento.
DISCOS – Uma consulta à lista dos discos mais vendidos em Portugal nas últimas semanas mostra na lista do «top ten» nomes como Diana Krall, José Mário Branco, Elis Regina, Norah Jones ou Caetano Veloso, já para não falar em Russell Watson. Que tem isto de especial, sendo estes seis exemplos nomes de referência? Será que o povo começou a comprar boa música e que o top passou a ter uma relação de qualidade (apesar de no caso do mais recente disco de Caetano e do de Watson isso ser mais que discutível...)?. Penso bem que a lista mostra outra coisa – os mais novos quase desertaram das discotecas - na lista apenas Anastasia, Evanescense e Black Eyed Peas reflectem o padrão de consumo típico de música de há três anos atrás. Ou seja, o que se torna evidente é que os adolescentes passaram a ir buscar a sua música à Internet, saindo das discotecas, e apenas os mais velhos (provavelmente por dificuldades no manuseamento da tecnologia) continuam a comprar discos em quantidade. O facto é que há uns anos atrás quase não se vendiam discos para público acima dos 35 anos, e que agora surgiu uma nova geração de artistas, muito baseada no soft jazz, que redespertou de para a compra de discos um público que não tinha esse hábito de consumo. Como sempre tem acontecido isto há-de ter consequências a outro nível – desde as play list das rádios até à própria programação de música na televisão. Aqui está uma coisa interessante de seguir.
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ESQUINA NO JORNAL
Como hoje é sexta, «A Esquina» está no «Jornal de Negócios». Excertos:LIVROS – Tal como noutros países, «O Código Da Vinci», de Dan Brown, está no primeiro lugar dos livros mais vendidos em Portugal. A obra, entre outras coisas, debruça-se sobre a influência (muitas vezes escondida) de algumas sociedades secretas no mundo contemporâneo. É uma influência, como se poderá verificar no livro, apesar de ser uma obra de ficção, perfeitamente transversal. A força destas organizações em Portugal é também enorme – desde orgãos de poder (do central às maiores autarquias), passando pela banca ou pelos media. O pior é que é uma influência que se faz de forma camuflada, em nome de princípios sempre semi-escondidos, com objectivos as mais das vezes incompreensíveis fora do contexto do proveito próprio. Criadas, em tempos, para defender uma ideia ou garantir a possibilidade de se pensar livremente, a maioria destas sociedades acabou por se tornar numa cadeia de mecanismos de pressão e de limitação do livre pensamento (através da imposição de dogmas ou fidelidades), desenvolvendo entidades fortes, com uma enorme vantagem prática sobre outras formas de organização, nomeadamente os partidos: desde o início souberam o que era funcionar em rêde, conciliando influência com poder. A grande questão é que são núcleos externos à sociedade, fugindo ao seu controlo. Tornaram-se lobbies instrumentais para muita gente, já longe de qualquer ideial. É, no fundo, também, um entrave ao livre pensamento.
DISCOS – Uma consulta à lista dos discos mais vendidos em Portugal nas últimas semanas mostra na lista do «top ten» nomes como Diana Krall, José Mário Branco, Elis Regina, Norah Jones ou Caetano Veloso, já para não falar em Russell Watson. Que tem isto de especial, sendo estes seis exemplos nomes de referência? Será que o povo começou a comprar boa música e que o top passou a ter uma relação de qualidade (apesar de no caso do mais recente disco de Caetano e do de Watson isso ser mais que discutível...)?. Penso bem que a lista mostra outra coisa – os mais novos quase desertaram das discotecas - na lista apenas Anastasia, Evanescense e Black Eyed Peas reflectem o padrão de consumo típico de música de há três anos atrás. Ou seja, o que se torna evidente é que os adolescentes passaram a ir buscar a sua música à Internet, saindo das discotecas, e apenas os mais velhos (provavelmente por dificuldades no manuseamento da tecnologia) continuam a comprar discos em quantidade. O facto é que há uns anos atrás quase não se vendiam discos para público acima dos 35 anos, e que agora surgiu uma nova geração de artistas, muito baseada no soft jazz, que redespertou de para a compra de discos um público que não tinha esse hábito de consumo. Como sempre tem acontecido isto há-de ter consequências a outro nível – desde as play list das rádios até à própria programação de música na televisão. Aqui está uma coisa interessante de seguir.
Como hoje é sexta, «A Esquina» está no «Jornal de Negócios». Excertos:LIVROS – Tal como noutros países, «O Código Da Vinci», de Dan Brown, está no primeiro lugar dos livros mais vendidos em Portugal. A obra, entre outras coisas, debruça-se sobre a influência (muitas vezes escondida) de algumas sociedades secretas no mundo contemporâneo. É uma influência, como se poderá verificar no livro, apesar de ser uma obra de ficção, perfeitamente transversal. A força destas organizações em Portugal é também enorme – desde orgãos de poder (do central às maiores autarquias), passando pela banca ou pelos media. O pior é que é uma influência que se faz de forma camuflada, em nome de princípios sempre semi-escondidos, com objectivos as mais das vezes incompreensíveis fora do contexto do proveito próprio. Criadas, em tempos, para defender uma ideia ou garantir a possibilidade de se pensar livremente, a maioria destas sociedades acabou por se tornar numa cadeia de mecanismos de pressão e de limitação do livre pensamento (através da imposição de dogmas ou fidelidades), desenvolvendo entidades fortes, com uma enorme vantagem prática sobre outras formas de organização, nomeadamente os partidos: desde o início souberam o que era funcionar em rêde, conciliando influência com poder. A grande questão é que são núcleos externos à sociedade, fugindo ao seu controlo. Tornaram-se lobbies instrumentais para muita gente, já longe de qualquer ideial. É, no fundo, também, um entrave ao livre pensamento.
DISCOS – Uma consulta à lista dos discos mais vendidos em Portugal nas últimas semanas mostra na lista do «top ten» nomes como Diana Krall, José Mário Branco, Elis Regina, Norah Jones ou Caetano Veloso, já para não falar em Russell Watson. Que tem isto de especial, sendo estes seis exemplos nomes de referência? Será que o povo começou a comprar boa música e que o top passou a ter uma relação de qualidade (apesar de no caso do mais recente disco de Caetano e do de Watson isso ser mais que discutível...)?. Penso bem que a lista mostra outra coisa – os mais novos quase desertaram das discotecas - na lista apenas Anastasia, Evanescense e Black Eyed Peas reflectem o padrão de consumo típico de música de há três anos atrás. Ou seja, o que se torna evidente é que os adolescentes passaram a ir buscar a sua música à Internet, saindo das discotecas, e apenas os mais velhos (provavelmente por dificuldades no manuseamento da tecnologia) continuam a comprar discos em quantidade. O facto é que há uns anos atrás quase não se vendiam discos para público acima dos 35 anos, e que agora surgiu uma nova geração de artistas, muito baseada no soft jazz, que redespertou de para a compra de discos um público que não tinha esse hábito de consumo. Como sempre tem acontecido isto há-de ter consequências a outro nível – desde as play list das rádios até à própria programação de música na televisão. Aqui está uma coisa interessante de seguir.
maio 13, 2004
BLOGS COMO FORMA DE COMUNICAÇÃO
Espreitem este artigo da Online Journalism Review sobre a importância dos Blogs como forma de comunicação nos tempos que correm. Excerto:Are Weblogs a passing fad or a revolutionary new form of communication and publishing? That's still an open question, but the presence of blogs in the academic environment makes it more likely that they'll survive and thrive in the long term.
Educational types aren't just using blogs to teach or spread their research. They are turning their research lens on Weblogs themselves, whether the context is within schools of law, journalism, communication or library science. Alex Halavais studied the group dynamic at Slashdot and the way bloggers followed the news. Kaye Trammell studied the political content of celebrity blogs. Jill Walker is studying timestamps on blogs and our modern obsession with time. And Cori Dauber both studies blogs and writes a feisty one.
Though these academic researchers and many others work within different departments at different universities, they are all what I call "blogologists" -- people who are studying the dynamic of blogs and trying to understand how they fit into our society. Not all of their research is related to journalism, because they see blogs as a much larger phenomenon that is changing our modes of communication and group thought. In fact, many of them downplay the effects bloggers have had on the media and discount the idea that bloggers are creating a new New Journalism.
Espreitem este artigo da Online Journalism Review sobre a importância dos Blogs como forma de comunicação nos tempos que correm. Excerto:Are Weblogs a passing fad or a revolutionary new form of communication and publishing? That's still an open question, but the presence of blogs in the academic environment makes it more likely that they'll survive and thrive in the long term.
Educational types aren't just using blogs to teach or spread their research. They are turning their research lens on Weblogs themselves, whether the context is within schools of law, journalism, communication or library science. Alex Halavais studied the group dynamic at Slashdot and the way bloggers followed the news. Kaye Trammell studied the political content of celebrity blogs. Jill Walker is studying timestamps on blogs and our modern obsession with time. And Cori Dauber both studies blogs and writes a feisty one.
Though these academic researchers and many others work within different departments at different universities, they are all what I call "blogologists" -- people who are studying the dynamic of blogs and trying to understand how they fit into our society. Not all of their research is related to journalism, because they see blogs as a much larger phenomenon that is changing our modes of communication and group thought. In fact, many of them downplay the effects bloggers have had on the media and discount the idea that bloggers are creating a new New Journalism.
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BLOGS COMO FORMA DE COMUNICAÇÃO
Espreitem este artigo da Online Journalism Review sobre a importância dos Blogs como forma de comunicação nos tempos que correm. Excerto:Are Weblogs a passing fad or a revolutionary new form of communication and publishing? That's still an open question, but the presence of blogs in the academic environment makes it more likely that they'll survive and thrive in the long term.
Educational types aren't just using blogs to teach or spread their research. They are turning their research lens on Weblogs themselves, whether the context is within schools of law, journalism, communication or library science. Alex Halavais studied the group dynamic at Slashdot and the way bloggers followed the news. Kaye Trammell studied the political content of celebrity blogs. Jill Walker is studying timestamps on blogs and our modern obsession with time. And Cori Dauber both studies blogs and writes a feisty one.
Though these academic researchers and many others work within different departments at different universities, they are all what I call "blogologists" -- people who are studying the dynamic of blogs and trying to understand how they fit into our society. Not all of their research is related to journalism, because they see blogs as a much larger phenomenon that is changing our modes of communication and group thought. In fact, many of them downplay the effects bloggers have had on the media and discount the idea that bloggers are creating a new New Journalism.
Espreitem este artigo da Online Journalism Review sobre a importância dos Blogs como forma de comunicação nos tempos que correm. Excerto:Are Weblogs a passing fad or a revolutionary new form of communication and publishing? That's still an open question, but the presence of blogs in the academic environment makes it more likely that they'll survive and thrive in the long term.
Educational types aren't just using blogs to teach or spread their research. They are turning their research lens on Weblogs themselves, whether the context is within schools of law, journalism, communication or library science. Alex Halavais studied the group dynamic at Slashdot and the way bloggers followed the news. Kaye Trammell studied the political content of celebrity blogs. Jill Walker is studying timestamps on blogs and our modern obsession with time. And Cori Dauber both studies blogs and writes a feisty one.
Though these academic researchers and many others work within different departments at different universities, they are all what I call "blogologists" -- people who are studying the dynamic of blogs and trying to understand how they fit into our society. Not all of their research is related to journalism, because they see blogs as a much larger phenomenon that is changing our modes of communication and group thought. In fact, many of them downplay the effects bloggers have had on the media and discount the idea that bloggers are creating a new New Journalism.
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A VOZ
A voz não é sempre igual. Há uma voz ao vivo, de circunstãncia. Há uma voz ao vivo, mais pessoal, mais próxima. Há uma voz ao telefone. Há uma voz ao acordar. Há uma voz ao fim do dia. Adoro ouvir a evolução da voz. E adoro ser surpreendido por uma voz.
A voz não é sempre igual. Há uma voz ao vivo, de circunstãncia. Há uma voz ao vivo, mais pessoal, mais próxima. Há uma voz ao telefone. Há uma voz ao acordar. Há uma voz ao fim do dia. Adoro ouvir a evolução da voz. E adoro ser surpreendido por uma voz.
COISAS QUE IRRITAM
A falta de indicações claras de direcções um pouco por todo o país, dentro das vilas e cidades. E, sobretudo, a dificuldae em descobrir, na generalidade das cidades e vilas (a começar por Lisboa) o nome das ruas. Aquelas placas nas esquinas dos prédios, em lugar incerto nas mais das vezes, são um desespero total.
A falta de indicações claras de direcções um pouco por todo o país, dentro das vilas e cidades. E, sobretudo, a dificuldae em descobrir, na generalidade das cidades e vilas (a começar por Lisboa) o nome das ruas. Aquelas placas nas esquinas dos prédios, em lugar incerto nas mais das vezes, são um desespero total.
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COISAS QUE IRRITAM
A falta de indicações claras de direcções um pouco por todo o país, dentro das vilas e cidades. E, sobretudo, a dificuldae em descobrir, na generalidade das cidades e vilas (a começar por Lisboa) o nome das ruas. Aquelas placas nas esquinas dos prédios, em lugar incerto nas mais das vezes, são um desespero total.
A falta de indicações claras de direcções um pouco por todo o país, dentro das vilas e cidades. E, sobretudo, a dificuldae em descobrir, na generalidade das cidades e vilas (a começar por Lisboa) o nome das ruas. Aquelas placas nas esquinas dos prédios, em lugar incerto nas mais das vezes, são um desespero total.
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