
Como se sente um piano assim, sozinho, num palco? É sempre bonito, já se sabe que o piano é um dos mais belos instrumentos musicais, ainda por cima com uma sonoridade fantástica. São 88 teclas. Por mais bonito que seja, o piano precisa do aconchego das mãos do pianista para poder viver, precisa de ser tocado para existir. Sem mãos a percorrer as suas teclas é como se estivesse adormecido num sono profundo, sem sinais vitais. Em cima de um palco, o piano tem uma presença incontornável. Dá nas vistas quer esteja sozinho, quer acompanhado pelas estantes e lugares dos músicos de uma orquestra. Numa casa o piano é um sinal de que ali vive alguém que gosta de música. Não é um bibelot, nunca está ali por acaso. É uma afirmação, uma declaração. Quem toca piano sabe que ele precisa de ser acarinhado com frequência, até para que as mãos de quem o toca não fiquem enferrujadas e se percam no meio das teclas brancas e pretas.Uma coisa fascinante nos instrumentos musicais é a sua capacidade de adaptação a vários géneros, da música erudita à música pop, passando pelo jazz. Isso acontece com instrumentos de cordas, com instrumentos de sopro e também com o piano, que na realidade é uma espécie de todo o terreno para percorrer todos os caminhos da música. Fico tão deliciado a ouvir as Gymnopédies de Erik Satie, como Blueberry Hill de Fats Domino ou Waltz For Debby de Bill Evans. A música nunca é a mesma, o piano é o seu perfeito elo de ligação.
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