Gosto muito de percorrer um museu, descobrir-lhe os recantos, guardar na memória as salas e as obras que elas acolhem. A alguns regresso volta e meia, para matar saudades do que lá vi e para fazer novas descobertas. Mas nem sempre fui assim: em miúdo resistia-lhes, com o tempo fui-lhes ganhando o gosto, da mesma maneira que fui descobrindo, ao longo da vida, novos sabores e novas sensações. Hoje visito-os mais devagar, aos novos e aos que já conheço. Nestes, que me são familiares, vou à procura de uma sala onde espero rever uma obra que me encantou. e depois fico a olhá-la. Se houver um desses bancos de museu a meio da sala sento-me lá um bocado a deixar-me invadir pela imagem do que fui ver. Outra coisa que gosto de fazer é olhar para outros visitantes do museu e ficar a espreitar a maneira como eles percorrem o espaço - onde param, onde aceleram o passo, medir a distância a que olham para as obras expostas. E gosto de ir descobrindo pormenores dos edifícios que acolhem os museus, os recantos, as escadarias, a maneira como as luzes estão colocadas e, claro as suas lojas e o que lá está exposto, desde postais a blocos, cartazes, lápis ou canetas, catálogos e livros. Não saio de um museu sem visitar a loja respectiva. e muitas vezes procuro janelas de onde possa ver o que está do lado de fora do edifício. Num museu as janelas podem ser raras porque são concorrentes das obras expostas. dei com esta janela no novo Muzeu, de Braga, Estava numa sala quando a vislumbrei lá ao fundo. Fui vê-la mais de perto, descobrir o que tinha para me mostrar. E foi assim que fiquei a ver Braga pela janela de um museu.
