maio 22, 2026

UM ESTADO INEFICAZ E ABUSADOR

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O PESADELO DO ESTADO - O deputado Carlos Guimarães Pinto tem levantado várias vezes uma questão a que ninguém no Governo responde: porque é que o Estado pede recorrentemente aos cidadãos informação sobre esses mesmos cidadãos, quando o próprio Estado a possui? Há dias percebi a extensão do pesadelo. Recebi no dia 14 de Maio uma carta registada do Instituto da Conservação da Natureza, datada originalmente de 19 de Março. A carta pretende a minha autorização para a ocupação de uma parcela de um terreno que herdei, e está há muito devidamente registado em meu nome, para a instalação de uma faixa de gestão de combustível que possa auxiliar, se necessário, no combate a incêndios florestais. A carta vem acompanhada de indicações sobre a propriedade, respectivos dados cadastrais e um mapa que explica a faixa  que vai ocupar, sensivelmente um terço do terreno em causa. Propõe uma indemnização pelo estabelecimento dessa faixa, num programa financiado pelo PRR, que já se sabe, está atrasado e perto do final do prazo de execução. Lendo o legalês da carta percebe-se que o Secretário de Estado da Conservação da Natureza despachou a declaração de utilidade pública dessa faixa de terreno a 30 de Dezembro do ano passado. Quase três meses depois escreveram a carta que me chegou quase cinco meses após o referido despacho. Assim não admira que se esgotem os prazos e o PRR esteja atrasado. Enquanto os serviços tiveram quase cinco meses para me fazer chegar a informação, dão-me quinze dias para aceitar ou contestar e para, e esta é a parte engraçada, nesse prazo enviar o meu nome completo, o número do Cartão de Cidadão, anexar com carácter obrigatório e urgente a Caderneta Predial do terreno em causa emitida pelas Finanças e a Certidão Permanente Predial emitida pelo Instituto dos Registos e Notariado. Nos dois casos são indicadas as respectivas matrizes e descritivos que o Estado, e em especial o Instituto de Conservação da Natureza e das Florestas, bem conhece, já que os identifica com rigor, com mapa e tudo. Eu lá me oriento no mundo digital do Estado, mas as pessoas que vivem no interior, com mais idade, como vão fazer isto? E já nem menciono o facto de a Certidão Permanente Predial ter custos, receita que obviamente se destina à máquina do Estado. Para colocar a cereja em cima do bolo, a carta deste tão funcional organismo do Estado foi enviada para uma morada que já nem é a minha há mais de um ano, alteração que na altura foi devidamente comunicada e registada. Portanto o Estado tem os prazos que entende, demora o tempo que quer, manda uma carta com exigências para uma morada errada, dá-me um prazo apertado para responder, obriga-me a despesa e a gastar tempo, e mete umas ameaças veladas no meio do legalês. Muita razão tem o deputado Carlos Guimarães Pinto. O Estado abusa, é prepotente,  e desrespeita os cidadãos e quer que sejam eles a fazer o que o Estado não faz.

 

SEMANADA - Um estudo recente indica que faltam 14.000 enfermeiros no SNS; em 2025 Portugal recusou a entrada no país a 2135 pessoas, todas em aeroportos; em dez anos os alunos com necessidades específicas aumentaram 29% e são agora quase 100 mil; no primeiro trimestre deste ano nasceram 21.101 bebés, mais 3,2% do que no mesmo período do ano passado, e foi atingido também o valor mais alto nos últimos 14 anos; segundo o INE há, em Portugal, quase 1,9 milhões de pessoas empregadas com ensino superior, mais de um terço (35%) de todo o emprego no país; é também o maior segmento, ultrapassando os 1,79 mil milhões que têm ensino secundário ou pós-secundário (formação profissional especializada) e os 1,6 mil milhões que não têm mais do que o terceiro ciclo; as famílias portuguesas gastam mais do dobro da média da União Europeia com o ensino superior dos filhos; menos de 5% dos contratados por grandes empresas têm mais de 50 anos; profissionais acima dos 55 anos representam actualmente 28,8% dos desempregados há mais de um ano; os portugueses gastam 600 mil euros por dia nas injecções de emagrecimento, em 2025 foram vendidos mais de um milhão de embalagens e este ano a média é de 2300 embalagens por dia; mais de 200 narcolanchas foram apreendidas em seis anos pelas autoridades portuguesas; as queixas por fraude digital cresceram 45% em 2025; José Sócrates exige 205 mil euros de indemnização por lentidão da justiça; Portugal é o país da UE com maior número de famílias com um filho único.

 

O ARCO DA VELHA - Há cinco anos foi denunciado o desaparecimento de mais de 200 armas do Laboratório de Polícia Científica da Polícia Judiciária e ao fim deste tempo continua sem se saber onde anda esse armamento e quem o desviou.

 

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O APOCALIPSE  - Para assinalar os 20 anos da sua existência, a editora Guerra & Paz fez uma edição completamente nova de “O Apocalipse” de Albrecht Dürer, em que as gravuras foram comentadas por Agustina-Bessa Luís. A primeira edição do texto de Agustina, ainda da Guimarães Editores, era de 1986 e encontra-se há muito esgotada. Esta é uma edição especial, de capa dura e grande formato, com 128 páginas, onde pela primeira vez em Portugal as gravuras foram impressas a cores. São acompanhadas pelo texto que Agustina escreveu sobre o “Apocalipse cum figuris” de Dürer, um conjunto de imagens em que pulsa o assombro e a angústia, perante o turbilhão dos conflitos e quando o temor da invasão otomana da Europa e da consequente devastação e catástrofe eram medos primordiais. Trata-se de uma obra que volta a ganhar actualidade nestes tempos conturbados. Mónica Baldaque, filha da escritora, sublinha que o texto “se divide em quinze capítulos, e cada gravura é comentada por Agustina, contextualizando a época e os seus intervenientes, revelando um conhecimento profundo da História e da Alma. É impressionante o número de grandes textos lidos e anotados por Agustina, em que estuda as épocas que em todos os aspectos influem para o aparecimento desta linguagem de fábula.” . Edição Guerra & Paz

 

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 DO CORPO À PAISAGEM - Na Galeria Municipal de Matosinhos Cristina Ataíde apresenta até 12 de Julho uma grande exposição retrospectiva do seu trabalho, com 58 obras de pintura, desenho e escultura feitas entre 1994 e 2026 (na imagem) sob o título “Corpos Paisagem, variações em vermelho”. Com curadoria de Miguel von Hafe Pérez a exposição desenrola-se ao longo das três grandes salas da Galeria e distingue-se pela cor vermelha que marca a maior parte da obra da artista nos vários materiais que utiliza. Em toda  a exposição há uma acentuada relação entre o apelo à salvaguarda da natureza e a permanente mutação da paisagem e dos corpos. O curador sublinha que “ao longo da sua carreira, Cristina Ataíde construíu uma linguagem própria que articula escultura, desenho, instalação e acção”. E prossegue: “A matéria – seja pedra, madeira, tecido ou pigmento – nunca surge como elemento neutro; pelo contrário, é portadora de memória, de tempo e de uma relação íntima com o corpo que a manipula. Neste sentido, o corpo não é representação, mas vivência projetada no espaço, deixando vestígios, marcas e tensões que configuram uma paisagem subjetiva: o corpo enquanto território sensível e a paisagem enquanto extensão desse mesmo corpo. Na obra de Ataíde, não existe uma separação clara entre interior e exterior, entre sujeito e mundo. Cada peça parece operar como um limiar, um lugar de passagem onde a experiência física se transforma em linguagem plástica.”

 

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ROTEIRO - “Uma exposição clássica, de fotografia quase de viagem e de paisagem” - assim define Nuno Cera a sua nova mostra, “Anatomia do deserto”, (na imagem), que mostra dez fotografias no norte do Chile e na travessia dos Andes até à Argentina, apresentada na Galeria Miguel Nabinho até 27 de Junho (Rua Tenente Ferreira Durão 18, Lisboa). No Centro de Arte Moderna da Fundação Gulbenkian a artista italiana Rosa Barba apresenta “Desenhar Vocabulários”, uma instalação composta por 25 obras, algumas delas inéditas que ocupa a Nave do CAM. Em paralelo, no Mezanino, são mostradas obras da Coleção do CAM, escolhidas pela artista, de alguma forma relacionadas com o seu processo criativo. No espaço do Bairro Alto Hotel, no Chiado, em Lisboa (Rua do Alecrim 109), a galeria portuense Nuno Centeno apresenta “Névoa Vermelha da Noite”, uma exposição de trabalhos de Maria Capelo. A Pequena Galeria (Avenida 24 de Julho 4) apresenta até 14 de Junho a exposição de fotografia Adaequatio, de Vasco Grilo. Na Galeria Sá da Costa ( Rua Serpa Pinto 19) Catarina Gentil e Paulo Brighenti apresentam até 14 de Junho a exposição  “Peso dos Olhos, Peso dos Ossos". Na Casa da Imprensa (Rua da Horta Seca 20), o fotojornalista Marques Valentim apresenta até 26 de Junho “Memórias de Uma Revolução”, um conjunto de imagens inéditas captadas entre 11 de Março e 25 de Novembro de 1975.

 

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FLAMENCO - O guitarrista e compositor Yerái Cortés, um dos mais importantes músicos de flamenco actuais, nascido em Alicante em 1995,  tem novo disco, “Popular”. Em 13 faixas, Cortés mostra uma abordagem moderna ao flamenco, pontualmente influenciada pelo jazz. No disco, Cortés que escreveu música e palavras de todos os temas, optou por entregar o canto a um um coro composto por oito bailarinas e palmeadoras, criando o som de um coro colectivo que simula o ambiente festivo de uma festa popular e que Cortés inclui nas suas actuações ao vivo. O disco, que tem muito de autobiográfico é uma evocação de amores perdidos e é apresentado pelo músico como “uma carta para o coração de Tania”, aqui referindo-se a outra grande voz do novo flamenco, La Tania, com quem manteve uma relação. O disco está disponível nas plataformas de streaming.



ALMANAQUE - A XXIX Edição do festival PHotoESPAÑA2026 decorre até 13 de Setembro, tem por tema “Volver a imaginar” e está dedicada à criatividade fotográfica, à experimentação e à exploração dos limites da imagem. O programa das numerosas exposições em diversos espaços de Madrid pode ser facilmente consultado online em www.phae.es

 

DIXIT - “Trata-se, isso sim, no contexto de um sistema político e de um Parlamento estruturalmente fragmentados, de apelar a um espírito mínimo de compromisso que nos salve de uma paralisia doentia (…) Trata-se, no fundo, de pedir a PSD e PS que não nos tratem como garotos e que sejam capazes de olhar para além da pequena chicana partidária.” - Pedro Norton, no Público.

 

BACK TO BASICS - "O problema de Portugal não é a falta de dinheiro, é a falta de vergonha” - Medina Carreira

 

A ESQUINA DO RIO É PUBLICADA SEMANALMENTE, ÀS SEXTAS, NO SUPLEMENTO WEEKEND DO JORNAL DE  NEGÓCIOS