maio 29, 2026

MUDAM-SE OS TEMPOS....

 

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MUNDO NOVO - Não é novidade para ninguém que os hábitos de consumo de televisão estão a mudar de forma cada vez mais acelerada. Hoje em dia a competição do aparelho tradicional de televisão está espalhada por todo o lado - computadores, smartphones, tablets, até algumas consolas de jogos. A velha imagem de uma sala com uma televisão à volta da qual toda a família se reunia à noite deixou de existir. Agora, numa família, muitas vezes cada membro tem o seu próprio ecrã. É frequente que uma pessoa esteja até a seguir dois ecrãs em simultâneo, por exemplo o da televisão e o de um tablet. Tudo isto tem efeitos devastadores nas audiências dos canais tradicionais. Os valores médios do share de audiências deste ano, até agora, dão uma ideia da situação: os quatro canais de sinal aberto (RTP1, RTP2, SIC e TVI), em conjunto, cativaram 39,4% da audiência. Os outros 60% estão divididos entre o conjunto dos canais de cabo (cerca de 39%) e as plataformas de streaming (cerca de 21%). Nestas há um protagonista que ganha cada vez maior presença, e não é a Netflix. Trata-se do You Tube, por vezes considerado uma rede social, mas que na verdade é um grande ecrã de múltiplos conteúdos, desde filmes clássicos e documentários, passando por canais de orgãos de comunicação, alguns portugueses. Em Portugal o YouTube tem 7,49 milhões de utilizadores regulares, posicionando-se como um dos principais meios de consumo de vídeo, muitas vezes superando a TV convencional . Com estes 7,49 milhões de utilizadores, o YouTube supera o Facebook, que tem 6,20 milhões, e a plataforma é vista por muitos como a "nova televisão", com os utilizadores a passarem muito tempo a assistir a vídeos de tecnologia, automóveis,  jogos e entretenimento. Em termos globais o YouTube conta com cerca de 60 canais com mais de um milhão de subscritores e mais de 700 canais com mais de 100 mil. A tendência não é só portuguesa - por exemplo em França um estudo recente indica que metade da população residente em França liga-se ao YouTube pelo menos uma vez por semana. 

 

SEMANADA - Nos primeiros três meses do ano as autoridades policiais fizeram quase 800 detenções por violência doméstica; a PSP apreendeu 99 armas, entre janeiro e março, em contexto de violência doméstica e destas, 38 eram de fogo e 30 eram armas brancas; no ano passado mais de 1200 doentes com pulseira amarela abandonaram os serviços de urgência dos hospitais devido ao tempo de espera para o atendimento; em Portugal há quase 270 mil trabalhadores com pelo menos dois empregos em simultâneo; três em cada dez comboios portugueses registam atrasos nos horários; em Portugal quase 70% das pessoas não utilizam transportes públicos; em 2025 Portugal cresceu no consumo de vinho, atingindo cerca de 560 milhões de litros; quase quatro meses depois das tempestades na região Centro ainda há 26 estradas cortadas, há ainda 7500 clientes sem serviços fixos de telecomunicações; a poucas semanas do verão perto de um terço do território do continente (30,6%) está classificado nas categorias de áreas de alta e muito alta perigosidade de incêndio rural, na zona Centro a percentagem sobre para 50,5% do território e no Norte é de 50,2%; uma sondagem recente indica que 66% dos portugueses não estão satisfeitos com a acção do Governo.

 

O ARCO DA VELHA - O Presidente da Assembleia da República tem 31 cargos que pediu para serem ocultados no seu registo de interesses na Entidade para a Transparência, grande parte deles no exercício de funções em órgãos sociais de empresas.

 

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UMA PINTURA DIFERENTE  - Manuel João Vieira é um homem de vários instrumentos: canta, toca, fundou os Ena Pá 2000 e Irmãos Catita, vestiu várias vezes as roupagens de Candidato Vieira (como nas recentes presidenciais) e é um artista plástico com muitos anos de trabalho no desenho, pintura e escultura. Desenvolveu uma carreira própria multifacetada desde os anos 80, tendo sido um dos fundadores do Movimento Homeostético, em 1983, com Ivo, Xana, Fernando Brito, Pedro Proença e Pedro Portugal. Agora, até 7 de Setembro,  tem uma exposição retrospectiva no MAAT, intitulada “A Ilha Púrpura: notas e paisagens”. João Pinharanda, que foi o curador desta exposição, faz notar que “a pintura é uma das áreas onde a sua presença alcança maior significado”. “As suas telas - salienta - surgem povoadas de figuras, símbolos e soluções de composição que usam termos da cultura greco-romana e citam os últimos séculos de história da pintura ocidental”. Pinharanda sublinha ainda que a  pintura de Manuel João Vieira  é “provocadora na técnica e no colorido” e a sua obra atrai “pela densa figuração e pelas composições inesperadas, muitas vezes humorística e paródica” e frequentemente irónica e melancólica. As suas pinturas, muitas vezes de grande dimensão, são habitadas por seres bizarros e coloridos inesperados muitas vezes evocando a água “como elemento unificador através de navios, marinheiros, sereias, riachos, lagos e mares”. Com várias dezenas de obras, esta visão de conjunto da obra de Manuel João Vieira permite também compreender melhor a sua forma de estar na vida, sempre como um performer, seja nas artes plásticas, na música ou até na política.

 

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ROTEIRO - Na Fundação Arpad Szenes - Vieira da Silva abriu mais uma exposição da série que tem juntado obras  de Szenes e Vieira que fazem parte do acervo do Museu, aqui acompanhadas por Lourdes Castro, em diálogo com artistas contemporâneos, como Carlos Noronha Feio, João Paulo Feliciano, Mariana Caló e Francisco Queimadela e Sara & André. Na imagem está “Le Bosquet”, um óleo datado de 1956 de Arpad Szenes. Bem diferente é a exposição que abriu na semana passada no MUDE e que até 30 de Agosto permite ver a colecção de autocolantes políticos e sindicais da Ephemera, desde 1974 até aos dias de hoje. São centenas de peças que mostram, emblematicamente as lutas, os protestos, os slogans e as campanhas eleitorais ao longo destes anos. E por fim, declarando desde já que vou falar em causa própria, tenho uma exposição de fotografia que fiz, sob o título “Um Piano”, que retrata o fundamental papel das mãos na criação da música. Na Galeria Diferença até 20 de Junho, onde também poderão ver uma exposição de pintura e cerâmica, “Resiliente Transitions” de Franka Struys e Vânia Gonçalves, com curadoria de Frederica Elena (Rua de São Filipe Néri 42).

 

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BANDA SONORA - Quando Miles Davis, com 31 anos e após um período de inatividade provocado por uma cirurgia, chegou a Paris, em finais de 1957, o então jovem realizador Louis Malle convidou-o a fazer a banda sonora para a sua primeira longa-metragem, “Ascenseur pour l’Échafaud”, um policial à volta de um assassínio cometido por um casal de amantes que matou o marido da mulher, interpretada por Jeanne Moreau, que aparece na capa do disco. Nos dias 4 e 5 de Dezembro Miles Davis e quatro músicos que reuniu para os concertos parisienses, gravaram os 27 temas do disco, na maior parte dos casos de improviso, enquanto olhavam para a projecção do filme. Miles, no trompete, foi acompanhado por Barney Wilen no saxofone tenor, René Urtreger no piano, Pierre Michelot no contrabaixo e Kenny Clarke na bateria. Agora, 70 anos depois e para assinalar o centenário de Miles Davis, a banda sonora do filme foi remasterizada e editada de novo, em LP e CD, como novos textos e fotografias nos formatos físicos. Ao longo de mais de uma hora podemos ouvir a música que Miles faz para acompanhar as cenas do filme, das mais calmas às mais agitadas, num exercício de improviso que só um talento como o seu conseguiria. Disponível nas plataformas de streaming.

 

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MEMÓRIAS - “Trabalho de Casa” é um dos mais divertidos e viciantes livros que me passou pelas mãos este ano. É um álbum de memórias do seu autor, Geoff Dyer, sobre a forma como passou os anos 60 e 70, a sua vida numa família da classe trabalhadora da Inglaterra dos anos 60, o que descobriu e viveu enquanto estudava em Oxford. Por aqui passam a cultura pop que desabrochava, a forma como lhe nasceu a paixão pela literatura e a época de mudanças sociais, e políticas que marcou a sua geração, os confrontos e as relações fugazes nos corredores da universidade, os concertos rock. Geoff Dyer é autor de vários romances e  considerado um dos mais originais escritores de não-ficção contemporâneos, escrevendo sobre jazz, fotografia, cinema, literatura ou viagem. Este “Trabalhos de Casa foi escrito entre 2023 e 2025,  é uma bem humorada crónica desses tempos e não resisto a citar o que, já no final um dos personagens diz ao autor, falando sobre outra pessoa: “ele era tão forreta! Não te dava um abcesso nem que tivesse a boca cheia deles”. Muito boa tradução de Bruno Vieira Amaral e Susana Almeida, edição Quetzal.

 

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MESA DE CABECEIRA - Esta semana trago dois livros bem actuais e que nos podem ajudar a compreender melhor o mundo em que vivemos. O primeiro é “História da China Antiga e Imperial”, de Damien Chaussende, onde o autor traça, em oito capítulos ordenados cronologicamente, a longa história da China, desde o nascimento da escrita por volta de 1200 a. C. até à queda do império sino‑manchu dos Qing em 1912, ajudando a compreender uma cultura rica e exuberante, destacando numerosas curiosidades e figuras históricas, assim como as grandes obras que constituem a bagagem cultural comum da China dos dias de hoje. Uma edição Guerra & Paz. O outro livro é ”História Concisa dos EUA”, de Don Watson, e percorre o percurso do país desde a declaração de independência ao MAGA, relatando 250 anos de convulsões, conquistas e recuos. Nesta época em que os dois países travam uma disputa cada vez mais acesa pela liderança mundial estes dois livros ajudam-nos a perceber o que são e como evoluíram. Edição Casa das Letras

 

ALMANAQUE - Este é o fim de semana da ARCO. Até Domingo, na Cordoaria, 470 artistas, 83 galerias de 17 países participam na grande feira de arte de Lisboa. Uma oportunidade imperdível de tomar o pulso à arte contemporânea e à actividade de artistas, galeristas e colecionadores.

 

DIXIT - A verdade é que este governo minoritário, sem vontade de aliança ou coligação, se condena a si próprio na sofreguidão de chegar à maioria absoluta. Não através de negociações às claras com partidos e parceiros. Mas sim, por intermédio de crises sucessivas que pretendem demonstrar que são as oposições as responsáveis pela incompetência do Governo” - António Barreto, no Público.

 

BACK TO BASICS - A maior parte das pessoas que pede uma crítica sobre o seu trabalho está à espera de elogios - W. Somerset Vaughan



A ESQUINA DO RIO É PUBLICADA SEMANALMENTE, ÀS SEXTAS, NO SUPLEMENTO WEEKEND DO JORNAL DE  NEGÓCIOS