DE VOLTA
Ano novo, vida nova. Este blog volta a ter presença regular. Os tempos não estão para menos. Há que desabafar. Até já.
O que vou escrevendo, entre o Weekend do Jornal de Negócios e os Pensamentos Ociosos no SAPO. E mais umas coisas avulsas...
janeiro 02, 2005
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DE VOLTA
Ano novo, vida nova. Este blog volta a ter presença regular. Os tempos não estão para menos. Há que desabafar. Até já.
Ano novo, vida nova. Este blog volta a ter presença regular. Os tempos não estão para menos. Há que desabafar. Até já.
janeiro 01, 2005
SE...
Se 2004 não existisse, tinha que ser inventado. Se esse ano não tivesse sido assim, nunca teríamos percebido uma série de coisas. Se esse ano não tivesse sido assim, nunca teríamos uma ideia clara dos comportamentos possíveis deste Presidente da República. Se esse ano não tivesse sido assim, nunca perceberíamos o ponto a que a intolerância e o preconceito podem chegar. Se esse ano não tivesse sido assim, nunca teríamos visto como uma série de pessoas actuam. Se esse ano não tivesse sido assim, nunca teríamos assistido ao desenrolar de uma conspiração. Se esse ano não tivesse sido assim, nunca teríamos sido testemunhas de como os erros são amplificados. Se esse ano não tivesse sido assim, nunca perceberíamos o que é a resistência às reformas. Se esse ano não tivesse sido assim, nunca veríamos tantas máscaras caírem em tão pouco tempo. Se esse ano não tivesse sido assim, nunca teríamos assistido ao campeonato nacional de tiros nos pés que tem novas provas todos os dias. Se esse ano não tivesse sido assim, não teríamos assistido ao primado da especulação sobre a notícia.
Vamos ver como vai ser este novo ano. Vamos ver como as coisas se vão passar. Vamos ver como a campanha eleitoral vai decorrer. Vamos ver a que ponto se vai chegar. Vamos ver como se desenrolam as reacções ao que se vai passar. Vamos ver que papéis desempenham os personagens que este ano fizeram furor. Vamos ver que decisões tomam os que tiverem que interpretar o voto dos eleitores. Vamos ver. Se acham que este ano foi complicado, preparem-se para o que se segue.
Se 2004 não existisse, tinha que ser inventado. Se esse ano não tivesse sido assim, nunca teríamos percebido uma série de coisas. Se esse ano não tivesse sido assim, nunca teríamos uma ideia clara dos comportamentos possíveis deste Presidente da República. Se esse ano não tivesse sido assim, nunca perceberíamos o ponto a que a intolerância e o preconceito podem chegar. Se esse ano não tivesse sido assim, nunca teríamos visto como uma série de pessoas actuam. Se esse ano não tivesse sido assim, nunca teríamos assistido ao desenrolar de uma conspiração. Se esse ano não tivesse sido assim, nunca teríamos sido testemunhas de como os erros são amplificados. Se esse ano não tivesse sido assim, nunca perceberíamos o que é a resistência às reformas. Se esse ano não tivesse sido assim, nunca veríamos tantas máscaras caírem em tão pouco tempo. Se esse ano não tivesse sido assim, nunca teríamos assistido ao campeonato nacional de tiros nos pés que tem novas provas todos os dias. Se esse ano não tivesse sido assim, não teríamos assistido ao primado da especulação sobre a notícia.
Vamos ver como vai ser este novo ano. Vamos ver como as coisas se vão passar. Vamos ver como a campanha eleitoral vai decorrer. Vamos ver a que ponto se vai chegar. Vamos ver como se desenrolam as reacções ao que se vai passar. Vamos ver que papéis desempenham os personagens que este ano fizeram furor. Vamos ver que decisões tomam os que tiverem que interpretar o voto dos eleitores. Vamos ver. Se acham que este ano foi complicado, preparem-se para o que se segue.
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SE...
Se 2004 não existisse, tinha que ser inventado. Se esse ano não tivesse sido assim, nunca teríamos percebido uma série de coisas. Se esse ano não tivesse sido assim, nunca teríamos uma ideia clara dos comportamentos possíveis deste Presidente da República. Se esse ano não tivesse sido assim, nunca perceberíamos o ponto a que a intolerância e o preconceito podem chegar. Se esse ano não tivesse sido assim, nunca teríamos visto como uma série de pessoas actuam. Se esse ano não tivesse sido assim, nunca teríamos assistido ao desenrolar de uma conspiração. Se esse ano não tivesse sido assim, nunca teríamos sido testemunhas de como os erros são amplificados. Se esse ano não tivesse sido assim, nunca perceberíamos o que é a resistência às reformas. Se esse ano não tivesse sido assim, nunca veríamos tantas máscaras caírem em tão pouco tempo. Se esse ano não tivesse sido assim, nunca teríamos assistido ao campeonato nacional de tiros nos pés que tem novas provas todos os dias. Se esse ano não tivesse sido assim, não teríamos assistido ao primado da especulação sobre a notícia.
Vamos ver como vai ser este novo ano. Vamos ver como as coisas se vão passar. Vamos ver como a campanha eleitoral vai decorrer. Vamos ver a que ponto se vai chegar. Vamos ver como se desenrolam as reacções ao que se vai passar. Vamos ver que papéis desempenham os personagens que este ano fizeram furor. Vamos ver que decisões tomam os que tiverem que interpretar o voto dos eleitores. Vamos ver. Se acham que este ano foi complicado, preparem-se para o que se segue.
Se 2004 não existisse, tinha que ser inventado. Se esse ano não tivesse sido assim, nunca teríamos percebido uma série de coisas. Se esse ano não tivesse sido assim, nunca teríamos uma ideia clara dos comportamentos possíveis deste Presidente da República. Se esse ano não tivesse sido assim, nunca perceberíamos o ponto a que a intolerância e o preconceito podem chegar. Se esse ano não tivesse sido assim, nunca teríamos visto como uma série de pessoas actuam. Se esse ano não tivesse sido assim, nunca teríamos assistido ao desenrolar de uma conspiração. Se esse ano não tivesse sido assim, nunca teríamos sido testemunhas de como os erros são amplificados. Se esse ano não tivesse sido assim, nunca perceberíamos o que é a resistência às reformas. Se esse ano não tivesse sido assim, nunca veríamos tantas máscaras caírem em tão pouco tempo. Se esse ano não tivesse sido assim, nunca teríamos assistido ao campeonato nacional de tiros nos pés que tem novas provas todos os dias. Se esse ano não tivesse sido assim, não teríamos assistido ao primado da especulação sobre a notícia.
Vamos ver como vai ser este novo ano. Vamos ver como as coisas se vão passar. Vamos ver como a campanha eleitoral vai decorrer. Vamos ver a que ponto se vai chegar. Vamos ver como se desenrolam as reacções ao que se vai passar. Vamos ver que papéis desempenham os personagens que este ano fizeram furor. Vamos ver que decisões tomam os que tiverem que interpretar o voto dos eleitores. Vamos ver. Se acham que este ano foi complicado, preparem-se para o que se segue.
dezembro 25, 2004
EXEMPLAR – O Governo espanhol consagrou 30 milhões de euros às comemorações do quarto centenário da publicação de «Don Quixote de la Mancha», de Miguel Cervantes, que se assinalam em Janeiro. Entretanto a obra tornou-se num dos livros mais vendidos deste Natal, ao lado de êxitos como o novo romance de Gabriel Garcia Marquez. É assim que se mantém viva uma língua. E se impõe uma presença cultural no mundo.
NORMALIDADE - Gosto de pessoas com defeitos. Detesto pessoas com a mania que são perfeitas. Gosto de pessoas que de vez em quando se enganam. Detesto os infalíveis. Gosto de pessoas que não têm medo do que gostam na vida. Detesto as pessoas que escondem aquilo de que gostam.
BOLADAS - O belo mundo do Futebol já começou a dar um arzinho da sua graça eleitoral. Pressurosos, alguns políticos abriram os braços à dedicação ao bem público manifestada por tais figuras – veja-se a reverente atitude do PS face à vontade manifestada de Pinto da Costa em animar as autárquicas no Porto. E veja-se a forma como para seus sucessores no FCP se puseram logo em bicos dos pés Luís Filipe Menezes e Fernando Gomes. A promiscuidade entre futebol e política continua viçosa. O totonegócio é o menor dos males; o pior é o votonegócio.
TIROTEIO - Com o aproximar das eleições abriu o campeonato nacional de tiros nos pés. Achavam que as confusões vinham só de dentro do PSD? Então reparem na colecção fornecida esta semana do lado do PS com a co-incineração e a revisão constitucional, a propósito do referendo Europeu.
SUGESTÕES – Em período natalício vale a pena pensar nalgumas prendinhas. Para o Presidente da República o ideal é uma edição comentada da Constituição, dá sempre jeito; para o líder do PSD um colete à prova de facadas vem a calhar, mas com a proliferação de facas dentro do seu partido o melhor é um de protecção reforçada; para o líder do PS um frasco de sais de frutos para aliviar tantos jantares e a indigestão da co-incineração.
PERGUNTA DA SEMANA – Recordam-se do que se passava neste rincão à beira-mar plantado há três anos?
BACK TO BASICS – Numa disputa nada se pode dar por certo e garantido – vejam o Oliveirense.
PERFUME DA SEMANA – o cheiro do poder.
COMIDINHA – Uma bela e apetitosa nova loja em Campo de Ourique, a Gourmet Glamour, na Rua Ferreira Borges. Concilia coisas triviais com chocolates Godiva, cervejas importadas, bons vinhos, congelados invulgares, vegetais de cultura biológica, sushi pronto a levar para casa e empadas que fazem lembrar a Vóvó Donalda. Aberto todos os dias das nove às nove.
IMPERDÍVEL –A sucessão de grandes exposições em Madrid: Gauguin no Museu Thyssen; «O Retrato Espanhol» no renovado e exemplar Museu do Prado; e Antoni Tápies no Reina Sofia. Eu sei que a inveja é coisa feia, mas não consigo deixar de ter um bocadito de inveja de quem vive numa cidade assim.
NORMALIDADE - Gosto de pessoas com defeitos. Detesto pessoas com a mania que são perfeitas. Gosto de pessoas que de vez em quando se enganam. Detesto os infalíveis. Gosto de pessoas que não têm medo do que gostam na vida. Detesto as pessoas que escondem aquilo de que gostam.
BOLADAS - O belo mundo do Futebol já começou a dar um arzinho da sua graça eleitoral. Pressurosos, alguns políticos abriram os braços à dedicação ao bem público manifestada por tais figuras – veja-se a reverente atitude do PS face à vontade manifestada de Pinto da Costa em animar as autárquicas no Porto. E veja-se a forma como para seus sucessores no FCP se puseram logo em bicos dos pés Luís Filipe Menezes e Fernando Gomes. A promiscuidade entre futebol e política continua viçosa. O totonegócio é o menor dos males; o pior é o votonegócio.
TIROTEIO - Com o aproximar das eleições abriu o campeonato nacional de tiros nos pés. Achavam que as confusões vinham só de dentro do PSD? Então reparem na colecção fornecida esta semana do lado do PS com a co-incineração e a revisão constitucional, a propósito do referendo Europeu.
SUGESTÕES – Em período natalício vale a pena pensar nalgumas prendinhas. Para o Presidente da República o ideal é uma edição comentada da Constituição, dá sempre jeito; para o líder do PSD um colete à prova de facadas vem a calhar, mas com a proliferação de facas dentro do seu partido o melhor é um de protecção reforçada; para o líder do PS um frasco de sais de frutos para aliviar tantos jantares e a indigestão da co-incineração.
PERGUNTA DA SEMANA – Recordam-se do que se passava neste rincão à beira-mar plantado há três anos?
BACK TO BASICS – Numa disputa nada se pode dar por certo e garantido – vejam o Oliveirense.
PERFUME DA SEMANA – o cheiro do poder.
COMIDINHA – Uma bela e apetitosa nova loja em Campo de Ourique, a Gourmet Glamour, na Rua Ferreira Borges. Concilia coisas triviais com chocolates Godiva, cervejas importadas, bons vinhos, congelados invulgares, vegetais de cultura biológica, sushi pronto a levar para casa e empadas que fazem lembrar a Vóvó Donalda. Aberto todos os dias das nove às nove.
IMPERDÍVEL –A sucessão de grandes exposições em Madrid: Gauguin no Museu Thyssen; «O Retrato Espanhol» no renovado e exemplar Museu do Prado; e Antoni Tápies no Reina Sofia. Eu sei que a inveja é coisa feia, mas não consigo deixar de ter um bocadito de inveja de quem vive numa cidade assim.
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EXEMPLAR – O Governo espanhol consagrou 30 milhões de euros às comemorações do quarto centenário da publicação de «Don Quixote de la Mancha», de Miguel Cervantes, que se assinalam em Janeiro. Entretanto a obra tornou-se num dos livros mais vendidos deste Natal, ao lado de êxitos como o novo romance de Gabriel Garcia Marquez. É assim que se mantém viva uma língua. E se impõe uma presença cultural no mundo.
NORMALIDADE - Gosto de pessoas com defeitos. Detesto pessoas com a mania que são perfeitas. Gosto de pessoas que de vez em quando se enganam. Detesto os infalíveis. Gosto de pessoas que não têm medo do que gostam na vida. Detesto as pessoas que escondem aquilo de que gostam.
BOLADAS - O belo mundo do Futebol já começou a dar um arzinho da sua graça eleitoral. Pressurosos, alguns políticos abriram os braços à dedicação ao bem público manifestada por tais figuras – veja-se a reverente atitude do PS face à vontade manifestada de Pinto da Costa em animar as autárquicas no Porto. E veja-se a forma como para seus sucessores no FCP se puseram logo em bicos dos pés Luís Filipe Menezes e Fernando Gomes. A promiscuidade entre futebol e política continua viçosa. O totonegócio é o menor dos males; o pior é o votonegócio.
TIROTEIO - Com o aproximar das eleições abriu o campeonato nacional de tiros nos pés. Achavam que as confusões vinham só de dentro do PSD? Então reparem na colecção fornecida esta semana do lado do PS com a co-incineração e a revisão constitucional, a propósito do referendo Europeu.
SUGESTÕES – Em período natalício vale a pena pensar nalgumas prendinhas. Para o Presidente da República o ideal é uma edição comentada da Constituição, dá sempre jeito; para o líder do PSD um colete à prova de facadas vem a calhar, mas com a proliferação de facas dentro do seu partido o melhor é um de protecção reforçada; para o líder do PS um frasco de sais de frutos para aliviar tantos jantares e a indigestão da co-incineração.
PERGUNTA DA SEMANA – Recordam-se do que se passava neste rincão à beira-mar plantado há três anos?
BACK TO BASICS – Numa disputa nada se pode dar por certo e garantido – vejam o Oliveirense.
PERFUME DA SEMANA – o cheiro do poder.
COMIDINHA – Uma bela e apetitosa nova loja em Campo de Ourique, a Gourmet Glamour, na Rua Ferreira Borges. Concilia coisas triviais com chocolates Godiva, cervejas importadas, bons vinhos, congelados invulgares, vegetais de cultura biológica, sushi pronto a levar para casa e empadas que fazem lembrar a Vóvó Donalda. Aberto todos os dias das nove às nove.
IMPERDÍVEL –A sucessão de grandes exposições em Madrid: Gauguin no Museu Thyssen; «O Retrato Espanhol» no renovado e exemplar Museu do Prado; e Antoni Tápies no Reina Sofia. Eu sei que a inveja é coisa feia, mas não consigo deixar de ter um bocadito de inveja de quem vive numa cidade assim.
NORMALIDADE - Gosto de pessoas com defeitos. Detesto pessoas com a mania que são perfeitas. Gosto de pessoas que de vez em quando se enganam. Detesto os infalíveis. Gosto de pessoas que não têm medo do que gostam na vida. Detesto as pessoas que escondem aquilo de que gostam.
BOLADAS - O belo mundo do Futebol já começou a dar um arzinho da sua graça eleitoral. Pressurosos, alguns políticos abriram os braços à dedicação ao bem público manifestada por tais figuras – veja-se a reverente atitude do PS face à vontade manifestada de Pinto da Costa em animar as autárquicas no Porto. E veja-se a forma como para seus sucessores no FCP se puseram logo em bicos dos pés Luís Filipe Menezes e Fernando Gomes. A promiscuidade entre futebol e política continua viçosa. O totonegócio é o menor dos males; o pior é o votonegócio.
TIROTEIO - Com o aproximar das eleições abriu o campeonato nacional de tiros nos pés. Achavam que as confusões vinham só de dentro do PSD? Então reparem na colecção fornecida esta semana do lado do PS com a co-incineração e a revisão constitucional, a propósito do referendo Europeu.
SUGESTÕES – Em período natalício vale a pena pensar nalgumas prendinhas. Para o Presidente da República o ideal é uma edição comentada da Constituição, dá sempre jeito; para o líder do PSD um colete à prova de facadas vem a calhar, mas com a proliferação de facas dentro do seu partido o melhor é um de protecção reforçada; para o líder do PS um frasco de sais de frutos para aliviar tantos jantares e a indigestão da co-incineração.
PERGUNTA DA SEMANA – Recordam-se do que se passava neste rincão à beira-mar plantado há três anos?
BACK TO BASICS – Numa disputa nada se pode dar por certo e garantido – vejam o Oliveirense.
PERFUME DA SEMANA – o cheiro do poder.
COMIDINHA – Uma bela e apetitosa nova loja em Campo de Ourique, a Gourmet Glamour, na Rua Ferreira Borges. Concilia coisas triviais com chocolates Godiva, cervejas importadas, bons vinhos, congelados invulgares, vegetais de cultura biológica, sushi pronto a levar para casa e empadas que fazem lembrar a Vóvó Donalda. Aberto todos os dias das nove às nove.
IMPERDÍVEL –A sucessão de grandes exposições em Madrid: Gauguin no Museu Thyssen; «O Retrato Espanhol» no renovado e exemplar Museu do Prado; e Antoni Tápies no Reina Sofia. Eu sei que a inveja é coisa feia, mas não consigo deixar de ter um bocadito de inveja de quem vive numa cidade assim.
dezembro 20, 2004
A Cultura, agora?
Nos últimos meses a discussão sobre políticas reduziu-se quase exclusivamente às questões orçamentais. As discussões em volta das políticas económicas e fiscais monopolizou as atenções. Entre as políticas que deixaram de ser debatidas está a política cultural. Já repararam que deixou de haver debate sobre esta questão? Nos temas enunciados como eixos centrais do Fórum Novas Fronteiras o tema «cultura» não consta. De facto, não admira: para quê fazer oposição a uma política cultural que, de tão discreta, se tornou invisível?
A discussão entre políticas culturais costuma pôr em confronto uma política mais virada para a conservação do património, versus uma outra mais virada para a criação contemporânea. É uma falsa discussão, a própria cultura vive do balanço entre a tradição e a invenção.
Ligada à política cultural está a política da língua e não é demais referir que, hoje em dia, este assunto passa essencialmente pela existência de produção audiovisual e multimedia que garanta a sobrevivência da nossa língua e cultura em ecrans de televisão ou de computador. E passa também pela divulgação internacional da nossa capacidade criativa e da nossa tradição, como base para a afirmação de uma imagem externa do país que seja consonante com os objectivos do desenvolvimento económico.
Tudo isto – verdades básicas universalmente aceites – tem a ver com mantermos o nosso lugar no Mundo. Mas, se ninguém considerar o assunto importante, o tema da política cultural continuará eternamente arrumado como uma mania de uns intelectuais e artistas, confinado a um ghetto, mais ou menos subsidiado, mas sem reflexo na sociedade. É assim, infelizmente, que tem sido. E não devia ser – por isso é que vale a pena, agora, falar de Cultura.
Nos últimos meses a discussão sobre políticas reduziu-se quase exclusivamente às questões orçamentais. As discussões em volta das políticas económicas e fiscais monopolizou as atenções. Entre as políticas que deixaram de ser debatidas está a política cultural. Já repararam que deixou de haver debate sobre esta questão? Nos temas enunciados como eixos centrais do Fórum Novas Fronteiras o tema «cultura» não consta. De facto, não admira: para quê fazer oposição a uma política cultural que, de tão discreta, se tornou invisível?
A discussão entre políticas culturais costuma pôr em confronto uma política mais virada para a conservação do património, versus uma outra mais virada para a criação contemporânea. É uma falsa discussão, a própria cultura vive do balanço entre a tradição e a invenção.
Ligada à política cultural está a política da língua e não é demais referir que, hoje em dia, este assunto passa essencialmente pela existência de produção audiovisual e multimedia que garanta a sobrevivência da nossa língua e cultura em ecrans de televisão ou de computador. E passa também pela divulgação internacional da nossa capacidade criativa e da nossa tradição, como base para a afirmação de uma imagem externa do país que seja consonante com os objectivos do desenvolvimento económico.
Tudo isto – verdades básicas universalmente aceites – tem a ver com mantermos o nosso lugar no Mundo. Mas, se ninguém considerar o assunto importante, o tema da política cultural continuará eternamente arrumado como uma mania de uns intelectuais e artistas, confinado a um ghetto, mais ou menos subsidiado, mas sem reflexo na sociedade. É assim, infelizmente, que tem sido. E não devia ser – por isso é que vale a pena, agora, falar de Cultura.
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A Cultura, agora?
Nos últimos meses a discussão sobre políticas reduziu-se quase exclusivamente às questões orçamentais. As discussões em volta das políticas económicas e fiscais monopolizou as atenções. Entre as políticas que deixaram de ser debatidas está a política cultural. Já repararam que deixou de haver debate sobre esta questão? Nos temas enunciados como eixos centrais do Fórum Novas Fronteiras o tema «cultura» não consta. De facto, não admira: para quê fazer oposição a uma política cultural que, de tão discreta, se tornou invisível?
A discussão entre políticas culturais costuma pôr em confronto uma política mais virada para a conservação do património, versus uma outra mais virada para a criação contemporânea. É uma falsa discussão, a própria cultura vive do balanço entre a tradição e a invenção.
Ligada à política cultural está a política da língua e não é demais referir que, hoje em dia, este assunto passa essencialmente pela existência de produção audiovisual e multimedia que garanta a sobrevivência da nossa língua e cultura em ecrans de televisão ou de computador. E passa também pela divulgação internacional da nossa capacidade criativa e da nossa tradição, como base para a afirmação de uma imagem externa do país que seja consonante com os objectivos do desenvolvimento económico.
Tudo isto – verdades básicas universalmente aceites – tem a ver com mantermos o nosso lugar no Mundo. Mas, se ninguém considerar o assunto importante, o tema da política cultural continuará eternamente arrumado como uma mania de uns intelectuais e artistas, confinado a um ghetto, mais ou menos subsidiado, mas sem reflexo na sociedade. É assim, infelizmente, que tem sido. E não devia ser – por isso é que vale a pena, agora, falar de Cultura.
Nos últimos meses a discussão sobre políticas reduziu-se quase exclusivamente às questões orçamentais. As discussões em volta das políticas económicas e fiscais monopolizou as atenções. Entre as políticas que deixaram de ser debatidas está a política cultural. Já repararam que deixou de haver debate sobre esta questão? Nos temas enunciados como eixos centrais do Fórum Novas Fronteiras o tema «cultura» não consta. De facto, não admira: para quê fazer oposição a uma política cultural que, de tão discreta, se tornou invisível?
A discussão entre políticas culturais costuma pôr em confronto uma política mais virada para a conservação do património, versus uma outra mais virada para a criação contemporânea. É uma falsa discussão, a própria cultura vive do balanço entre a tradição e a invenção.
Ligada à política cultural está a política da língua e não é demais referir que, hoje em dia, este assunto passa essencialmente pela existência de produção audiovisual e multimedia que garanta a sobrevivência da nossa língua e cultura em ecrans de televisão ou de computador. E passa também pela divulgação internacional da nossa capacidade criativa e da nossa tradição, como base para a afirmação de uma imagem externa do país que seja consonante com os objectivos do desenvolvimento económico.
Tudo isto – verdades básicas universalmente aceites – tem a ver com mantermos o nosso lugar no Mundo. Mas, se ninguém considerar o assunto importante, o tema da política cultural continuará eternamente arrumado como uma mania de uns intelectuais e artistas, confinado a um ghetto, mais ou menos subsidiado, mas sem reflexo na sociedade. É assim, infelizmente, que tem sido. E não devia ser – por isso é que vale a pena, agora, falar de Cultura.
PRÉ-NATAL
PERFUME – Uma antiga marca de água de colónia espanhola, muito contrabandeada na raia fronteiriça nos idos anos 60, a Tabu, está a planear um regresso em força ao mercado português assente numa agressiva campanha de publicidade que utiliza a imagem de alguns dos principais políticos portugueses, da esquerda à direita, sob o slogan «Eu tenho um Tabu».
QUEIJO – A grande dúvida do momento é saber, caso seja o PS o partido mais votado, qual a qualidade do queijo que escolherá para garantir votos na Assembleia da República. Decorre um estudo de mercado entre aderentes ao Bloco de Esquerda sobre a qualidade do queijo que mais apreciam, embora tudo indica que o Roquefort seja o preferido – o que já está a causar alguns embaraços entre os socialistas. Do lado do PCP a escolha é conhecida: Serpa genuíno. Entre as cosmopolitas misturas e odores do Roquefort ou a genuidade dos produtos rurais alentejanos, a contenda promete.
COMPROMISSO – Os dirigentes do Compromisso Portugal fizeram uma ronda entre partidos a fazer passar a mensagem: « não me comprometa!». Depois deste périplo começou a circular que está em estudo a alteração da designação deste grupo de pressão de empresários e uma das hipóteses em cima da mesa é «Super Heróis». Outra é «Sempre Escuteiros».
DÚVIDA – Bagão Félix chegou ao Governo carregando a capa do homem eficaz, com ideias e bom-senso. A sua passagem pelas Finanças levanta algumas dúvidas sobre a sua verdadeira natureza – ainda para mais depois do recente estrondo em torno da operação de lease-back dos imóveis do Estado e da confusão com os responsáveis de organismos que os ocupam. A menos que tudo isto não seja mais do que reflexos da desorientação criada entre os benfiquistas depois da derrota frente ao Belenenses: se ser Ministro das Finanças já custa, sê-lo com um Benfica destes no pensamento é ainda mais difícil.
SITES – Se experimentarem dar uma volta pelas páginas da net dos principais partidos verão que apesar do muito palavreado sobre democracia on line, a coisa está preta. Mesmo assim o PS é o que se salva mais, já com a campanha a correr. O do PSD pouco passa de um boletim interno com discursos e comunicados de imprensa. O do PCP é totalmente desinteressante sem nada de novo e do Bloco de Esquerda é o mais careta de todos em termos gráficos e de conteúdo. O do PP limita-se a dizer «volte em breve» desde há uns meses.
CONSTATAÇÃO DA SEMANA – A Esfinge nada disse.
PERGUNTA DA SEMANA – Afinal como deve o Presidente interpretar os resultados das eleições?
BACK TO BASICS – Tentar agradar a toda a gente é meio caminho andado para a derrota.
COMIDINHA – Os almoços no Speakeasy, o bar de jazz da Rocha do Conde de óbidos. Reservas pelo 213 909 166. Boa música de fundo, boa comida portuguesa, do bacalhau com grão ao cozido. Garrafeira curta mas boa.
IMPERDÍVEL –A edição deste mês da revista «Egoísta», capa amarela, com lápis de côr anexos, é inteiramente dedicada às crianças. E é uma excelente prenda para qualquer adulto passar uma noite a ver fotografias e desenhos e a ler magníficos textos.
PERFUME – Uma antiga marca de água de colónia espanhola, muito contrabandeada na raia fronteiriça nos idos anos 60, a Tabu, está a planear um regresso em força ao mercado português assente numa agressiva campanha de publicidade que utiliza a imagem de alguns dos principais políticos portugueses, da esquerda à direita, sob o slogan «Eu tenho um Tabu».
QUEIJO – A grande dúvida do momento é saber, caso seja o PS o partido mais votado, qual a qualidade do queijo que escolherá para garantir votos na Assembleia da República. Decorre um estudo de mercado entre aderentes ao Bloco de Esquerda sobre a qualidade do queijo que mais apreciam, embora tudo indica que o Roquefort seja o preferido – o que já está a causar alguns embaraços entre os socialistas. Do lado do PCP a escolha é conhecida: Serpa genuíno. Entre as cosmopolitas misturas e odores do Roquefort ou a genuidade dos produtos rurais alentejanos, a contenda promete.
COMPROMISSO – Os dirigentes do Compromisso Portugal fizeram uma ronda entre partidos a fazer passar a mensagem: « não me comprometa!». Depois deste périplo começou a circular que está em estudo a alteração da designação deste grupo de pressão de empresários e uma das hipóteses em cima da mesa é «Super Heróis». Outra é «Sempre Escuteiros».
DÚVIDA – Bagão Félix chegou ao Governo carregando a capa do homem eficaz, com ideias e bom-senso. A sua passagem pelas Finanças levanta algumas dúvidas sobre a sua verdadeira natureza – ainda para mais depois do recente estrondo em torno da operação de lease-back dos imóveis do Estado e da confusão com os responsáveis de organismos que os ocupam. A menos que tudo isto não seja mais do que reflexos da desorientação criada entre os benfiquistas depois da derrota frente ao Belenenses: se ser Ministro das Finanças já custa, sê-lo com um Benfica destes no pensamento é ainda mais difícil.
SITES – Se experimentarem dar uma volta pelas páginas da net dos principais partidos verão que apesar do muito palavreado sobre democracia on line, a coisa está preta. Mesmo assim o PS é o que se salva mais, já com a campanha a correr. O do PSD pouco passa de um boletim interno com discursos e comunicados de imprensa. O do PCP é totalmente desinteressante sem nada de novo e do Bloco de Esquerda é o mais careta de todos em termos gráficos e de conteúdo. O do PP limita-se a dizer «volte em breve» desde há uns meses.
CONSTATAÇÃO DA SEMANA – A Esfinge nada disse.
PERGUNTA DA SEMANA – Afinal como deve o Presidente interpretar os resultados das eleições?
BACK TO BASICS – Tentar agradar a toda a gente é meio caminho andado para a derrota.
COMIDINHA – Os almoços no Speakeasy, o bar de jazz da Rocha do Conde de óbidos. Reservas pelo 213 909 166. Boa música de fundo, boa comida portuguesa, do bacalhau com grão ao cozido. Garrafeira curta mas boa.
IMPERDÍVEL –A edição deste mês da revista «Egoísta», capa amarela, com lápis de côr anexos, é inteiramente dedicada às crianças. E é uma excelente prenda para qualquer adulto passar uma noite a ver fotografias e desenhos e a ler magníficos textos.
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PRÉ-NATAL
PERFUME – Uma antiga marca de água de colónia espanhola, muito contrabandeada na raia fronteiriça nos idos anos 60, a Tabu, está a planear um regresso em força ao mercado português assente numa agressiva campanha de publicidade que utiliza a imagem de alguns dos principais políticos portugueses, da esquerda à direita, sob o slogan «Eu tenho um Tabu».
QUEIJO – A grande dúvida do momento é saber, caso seja o PS o partido mais votado, qual a qualidade do queijo que escolherá para garantir votos na Assembleia da República. Decorre um estudo de mercado entre aderentes ao Bloco de Esquerda sobre a qualidade do queijo que mais apreciam, embora tudo indica que o Roquefort seja o preferido – o que já está a causar alguns embaraços entre os socialistas. Do lado do PCP a escolha é conhecida: Serpa genuíno. Entre as cosmopolitas misturas e odores do Roquefort ou a genuidade dos produtos rurais alentejanos, a contenda promete.
COMPROMISSO – Os dirigentes do Compromisso Portugal fizeram uma ronda entre partidos a fazer passar a mensagem: « não me comprometa!». Depois deste périplo começou a circular que está em estudo a alteração da designação deste grupo de pressão de empresários e uma das hipóteses em cima da mesa é «Super Heróis». Outra é «Sempre Escuteiros».
DÚVIDA – Bagão Félix chegou ao Governo carregando a capa do homem eficaz, com ideias e bom-senso. A sua passagem pelas Finanças levanta algumas dúvidas sobre a sua verdadeira natureza – ainda para mais depois do recente estrondo em torno da operação de lease-back dos imóveis do Estado e da confusão com os responsáveis de organismos que os ocupam. A menos que tudo isto não seja mais do que reflexos da desorientação criada entre os benfiquistas depois da derrota frente ao Belenenses: se ser Ministro das Finanças já custa, sê-lo com um Benfica destes no pensamento é ainda mais difícil.
SITES – Se experimentarem dar uma volta pelas páginas da net dos principais partidos verão que apesar do muito palavreado sobre democracia on line, a coisa está preta. Mesmo assim o PS é o que se salva mais, já com a campanha a correr. O do PSD pouco passa de um boletim interno com discursos e comunicados de imprensa. O do PCP é totalmente desinteressante sem nada de novo e do Bloco de Esquerda é o mais careta de todos em termos gráficos e de conteúdo. O do PP limita-se a dizer «volte em breve» desde há uns meses.
CONSTATAÇÃO DA SEMANA – A Esfinge nada disse.
PERGUNTA DA SEMANA – Afinal como deve o Presidente interpretar os resultados das eleições?
BACK TO BASICS – Tentar agradar a toda a gente é meio caminho andado para a derrota.
COMIDINHA – Os almoços no Speakeasy, o bar de jazz da Rocha do Conde de óbidos. Reservas pelo 213 909 166. Boa música de fundo, boa comida portuguesa, do bacalhau com grão ao cozido. Garrafeira curta mas boa.
IMPERDÍVEL –A edição deste mês da revista «Egoísta», capa amarela, com lápis de côr anexos, é inteiramente dedicada às crianças. E é uma excelente prenda para qualquer adulto passar uma noite a ver fotografias e desenhos e a ler magníficos textos.
PERFUME – Uma antiga marca de água de colónia espanhola, muito contrabandeada na raia fronteiriça nos idos anos 60, a Tabu, está a planear um regresso em força ao mercado português assente numa agressiva campanha de publicidade que utiliza a imagem de alguns dos principais políticos portugueses, da esquerda à direita, sob o slogan «Eu tenho um Tabu».
QUEIJO – A grande dúvida do momento é saber, caso seja o PS o partido mais votado, qual a qualidade do queijo que escolherá para garantir votos na Assembleia da República. Decorre um estudo de mercado entre aderentes ao Bloco de Esquerda sobre a qualidade do queijo que mais apreciam, embora tudo indica que o Roquefort seja o preferido – o que já está a causar alguns embaraços entre os socialistas. Do lado do PCP a escolha é conhecida: Serpa genuíno. Entre as cosmopolitas misturas e odores do Roquefort ou a genuidade dos produtos rurais alentejanos, a contenda promete.
COMPROMISSO – Os dirigentes do Compromisso Portugal fizeram uma ronda entre partidos a fazer passar a mensagem: « não me comprometa!». Depois deste périplo começou a circular que está em estudo a alteração da designação deste grupo de pressão de empresários e uma das hipóteses em cima da mesa é «Super Heróis». Outra é «Sempre Escuteiros».
DÚVIDA – Bagão Félix chegou ao Governo carregando a capa do homem eficaz, com ideias e bom-senso. A sua passagem pelas Finanças levanta algumas dúvidas sobre a sua verdadeira natureza – ainda para mais depois do recente estrondo em torno da operação de lease-back dos imóveis do Estado e da confusão com os responsáveis de organismos que os ocupam. A menos que tudo isto não seja mais do que reflexos da desorientação criada entre os benfiquistas depois da derrota frente ao Belenenses: se ser Ministro das Finanças já custa, sê-lo com um Benfica destes no pensamento é ainda mais difícil.
SITES – Se experimentarem dar uma volta pelas páginas da net dos principais partidos verão que apesar do muito palavreado sobre democracia on line, a coisa está preta. Mesmo assim o PS é o que se salva mais, já com a campanha a correr. O do PSD pouco passa de um boletim interno com discursos e comunicados de imprensa. O do PCP é totalmente desinteressante sem nada de novo e do Bloco de Esquerda é o mais careta de todos em termos gráficos e de conteúdo. O do PP limita-se a dizer «volte em breve» desde há uns meses.
CONSTATAÇÃO DA SEMANA – A Esfinge nada disse.
PERGUNTA DA SEMANA – Afinal como deve o Presidente interpretar os resultados das eleições?
BACK TO BASICS – Tentar agradar a toda a gente é meio caminho andado para a derrota.
COMIDINHA – Os almoços no Speakeasy, o bar de jazz da Rocha do Conde de óbidos. Reservas pelo 213 909 166. Boa música de fundo, boa comida portuguesa, do bacalhau com grão ao cozido. Garrafeira curta mas boa.
IMPERDÍVEL –A edição deste mês da revista «Egoísta», capa amarela, com lápis de côr anexos, é inteiramente dedicada às crianças. E é uma excelente prenda para qualquer adulto passar uma noite a ver fotografias e desenhos e a ler magníficos textos.
dezembro 13, 2004
O REGIME MUDOU
NOVIDADE – No meio da crise o Presidente da República vem defender o reforço de poderes presidenciais, nomeadamente na nomeação das entidades reguladoras. Isto sucede dias depois de anunciar ir dissolver a Assembleia da República, o que quer dizer eliminar a actual maioria parlamentar. Quer-me parecer que estamos perante uma crise constitucional. O regime mudou e o presidencialismo está de volta.
DATAS – O chefe da casa civil do Palácio de Belém fez uma declaração a dizer que o Presidente da República comunicou na terça-feira dia 30 os fundamentos da dissolução ao Primeiro Ministro, em resposta a uma afirmação do Primeiro Ministro de que, segunda-feira dia 29, o Presidente da República não lhe tinha dito que não iria dissolver o Parlamento. Que se passou de um dia para o outro? E porquê uma resposta destas que não esclarece nada?
DESPREZO – Não resisto a citar um dos mais divertidos blogs, o
www.jaquinzinhos.blogspot.com , que quinta-feira teve esta tirada: «O Presidente da República começa hoje as audições aos partidos políticos e reunirá amanhã o Conselho de Estado. O objectivo destas audições é o aconselhamento do Presidente para que este tome uma decisão já previamente anunciada. Ou seja, os líderes dos partidos e os conselheiros de Estado vão ser ouvidos para fazer figura de meninos de côro. Vão à benzedura (...) e qualquer conselheiro de Estado com um mínimo de respeito por si próprio nem poria lá os pés. O papá já decidiu, está decidido».
BACK TO BASICS – As maiores mentiras são ditas em silêncio (George Bernard Shaw).
A PERGUNTA DA SEMANA – Que segredo tem a Esfinge para revelar?
ESCUTAS – O CD «Ulisses» da fadista Cristina Branco, uma das melhores surpresas dos últimos meses. Destaque para as versões de «A Case Of You» de Joni Mitchell, de «Liberté» de Paul Éluard, e da «Gaivota» de Alexandre O’Neill e Alain Oulman.
SUGESTÃO – Jazz para as noites - experimentem ir beber um copo e ouvir mais boa música ao «Onda Jazz», na Rua do Arco de Jesus 7, a Alfama.
EXEMPLO – Vicent Todoli foi de Serralves para a Tate Modern em Londres e adivinhem qual é a grande exposição que lá está? Se pensarem em fotografia e disserem Robert Frank acertaram. A exposição chama-se «Storylines» e inclui, para além das fotografias os filmes do autor do exemplar ensaio fotográfico «The Americans». Se forem a Londres vale a pena vê-la até 23 de Janeiro.
COMIDINHA- O espaço é fantástico, vale a pena descobrir o restaurante «Alecrim às Flores», Travessa do Alecrim nº4 (21 322 53 68), onde Diogo Siqueira está agora a comandar as operações depois de ter feito a fama da «Doca do Espanhol».
NOVIDADE – No meio da crise o Presidente da República vem defender o reforço de poderes presidenciais, nomeadamente na nomeação das entidades reguladoras. Isto sucede dias depois de anunciar ir dissolver a Assembleia da República, o que quer dizer eliminar a actual maioria parlamentar. Quer-me parecer que estamos perante uma crise constitucional. O regime mudou e o presidencialismo está de volta.
DATAS – O chefe da casa civil do Palácio de Belém fez uma declaração a dizer que o Presidente da República comunicou na terça-feira dia 30 os fundamentos da dissolução ao Primeiro Ministro, em resposta a uma afirmação do Primeiro Ministro de que, segunda-feira dia 29, o Presidente da República não lhe tinha dito que não iria dissolver o Parlamento. Que se passou de um dia para o outro? E porquê uma resposta destas que não esclarece nada?
DESPREZO – Não resisto a citar um dos mais divertidos blogs, o
www.jaquinzinhos.blogspot.com , que quinta-feira teve esta tirada: «O Presidente da República começa hoje as audições aos partidos políticos e reunirá amanhã o Conselho de Estado. O objectivo destas audições é o aconselhamento do Presidente para que este tome uma decisão já previamente anunciada. Ou seja, os líderes dos partidos e os conselheiros de Estado vão ser ouvidos para fazer figura de meninos de côro. Vão à benzedura (...) e qualquer conselheiro de Estado com um mínimo de respeito por si próprio nem poria lá os pés. O papá já decidiu, está decidido».
BACK TO BASICS – As maiores mentiras são ditas em silêncio (George Bernard Shaw).
A PERGUNTA DA SEMANA – Que segredo tem a Esfinge para revelar?
ESCUTAS – O CD «Ulisses» da fadista Cristina Branco, uma das melhores surpresas dos últimos meses. Destaque para as versões de «A Case Of You» de Joni Mitchell, de «Liberté» de Paul Éluard, e da «Gaivota» de Alexandre O’Neill e Alain Oulman.
SUGESTÃO – Jazz para as noites - experimentem ir beber um copo e ouvir mais boa música ao «Onda Jazz», na Rua do Arco de Jesus 7, a Alfama.
EXEMPLO – Vicent Todoli foi de Serralves para a Tate Modern em Londres e adivinhem qual é a grande exposição que lá está? Se pensarem em fotografia e disserem Robert Frank acertaram. A exposição chama-se «Storylines» e inclui, para além das fotografias os filmes do autor do exemplar ensaio fotográfico «The Americans». Se forem a Londres vale a pena vê-la até 23 de Janeiro.
COMIDINHA- O espaço é fantástico, vale a pena descobrir o restaurante «Alecrim às Flores», Travessa do Alecrim nº4 (21 322 53 68), onde Diogo Siqueira está agora a comandar as operações depois de ter feito a fama da «Doca do Espanhol».
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O REGIME MUDOU
NOVIDADE – No meio da crise o Presidente da República vem defender o reforço de poderes presidenciais, nomeadamente na nomeação das entidades reguladoras. Isto sucede dias depois de anunciar ir dissolver a Assembleia da República, o que quer dizer eliminar a actual maioria parlamentar. Quer-me parecer que estamos perante uma crise constitucional. O regime mudou e o presidencialismo está de volta.
DATAS – O chefe da casa civil do Palácio de Belém fez uma declaração a dizer que o Presidente da República comunicou na terça-feira dia 30 os fundamentos da dissolução ao Primeiro Ministro, em resposta a uma afirmação do Primeiro Ministro de que, segunda-feira dia 29, o Presidente da República não lhe tinha dito que não iria dissolver o Parlamento. Que se passou de um dia para o outro? E porquê uma resposta destas que não esclarece nada?
DESPREZO – Não resisto a citar um dos mais divertidos blogs, o
www.jaquinzinhos.blogspot.com , que quinta-feira teve esta tirada: «O Presidente da República começa hoje as audições aos partidos políticos e reunirá amanhã o Conselho de Estado. O objectivo destas audições é o aconselhamento do Presidente para que este tome uma decisão já previamente anunciada. Ou seja, os líderes dos partidos e os conselheiros de Estado vão ser ouvidos para fazer figura de meninos de côro. Vão à benzedura (...) e qualquer conselheiro de Estado com um mínimo de respeito por si próprio nem poria lá os pés. O papá já decidiu, está decidido».
BACK TO BASICS – As maiores mentiras são ditas em silêncio (George Bernard Shaw).
A PERGUNTA DA SEMANA – Que segredo tem a Esfinge para revelar?
ESCUTAS – O CD «Ulisses» da fadista Cristina Branco, uma das melhores surpresas dos últimos meses. Destaque para as versões de «A Case Of You» de Joni Mitchell, de «Liberté» de Paul Éluard, e da «Gaivota» de Alexandre O’Neill e Alain Oulman.
SUGESTÃO – Jazz para as noites - experimentem ir beber um copo e ouvir mais boa música ao «Onda Jazz», na Rua do Arco de Jesus 7, a Alfama.
EXEMPLO – Vicent Todoli foi de Serralves para a Tate Modern em Londres e adivinhem qual é a grande exposição que lá está? Se pensarem em fotografia e disserem Robert Frank acertaram. A exposição chama-se «Storylines» e inclui, para além das fotografias os filmes do autor do exemplar ensaio fotográfico «The Americans». Se forem a Londres vale a pena vê-la até 23 de Janeiro.
COMIDINHA- O espaço é fantástico, vale a pena descobrir o restaurante «Alecrim às Flores», Travessa do Alecrim nº4 (21 322 53 68), onde Diogo Siqueira está agora a comandar as operações depois de ter feito a fama da «Doca do Espanhol».
NOVIDADE – No meio da crise o Presidente da República vem defender o reforço de poderes presidenciais, nomeadamente na nomeação das entidades reguladoras. Isto sucede dias depois de anunciar ir dissolver a Assembleia da República, o que quer dizer eliminar a actual maioria parlamentar. Quer-me parecer que estamos perante uma crise constitucional. O regime mudou e o presidencialismo está de volta.
DATAS – O chefe da casa civil do Palácio de Belém fez uma declaração a dizer que o Presidente da República comunicou na terça-feira dia 30 os fundamentos da dissolução ao Primeiro Ministro, em resposta a uma afirmação do Primeiro Ministro de que, segunda-feira dia 29, o Presidente da República não lhe tinha dito que não iria dissolver o Parlamento. Que se passou de um dia para o outro? E porquê uma resposta destas que não esclarece nada?
DESPREZO – Não resisto a citar um dos mais divertidos blogs, o
www.jaquinzinhos.blogspot.com , que quinta-feira teve esta tirada: «O Presidente da República começa hoje as audições aos partidos políticos e reunirá amanhã o Conselho de Estado. O objectivo destas audições é o aconselhamento do Presidente para que este tome uma decisão já previamente anunciada. Ou seja, os líderes dos partidos e os conselheiros de Estado vão ser ouvidos para fazer figura de meninos de côro. Vão à benzedura (...) e qualquer conselheiro de Estado com um mínimo de respeito por si próprio nem poria lá os pés. O papá já decidiu, está decidido».
BACK TO BASICS – As maiores mentiras são ditas em silêncio (George Bernard Shaw).
A PERGUNTA DA SEMANA – Que segredo tem a Esfinge para revelar?
ESCUTAS – O CD «Ulisses» da fadista Cristina Branco, uma das melhores surpresas dos últimos meses. Destaque para as versões de «A Case Of You» de Joni Mitchell, de «Liberté» de Paul Éluard, e da «Gaivota» de Alexandre O’Neill e Alain Oulman.
SUGESTÃO – Jazz para as noites - experimentem ir beber um copo e ouvir mais boa música ao «Onda Jazz», na Rua do Arco de Jesus 7, a Alfama.
EXEMPLO – Vicent Todoli foi de Serralves para a Tate Modern em Londres e adivinhem qual é a grande exposição que lá está? Se pensarem em fotografia e disserem Robert Frank acertaram. A exposição chama-se «Storylines» e inclui, para além das fotografias os filmes do autor do exemplar ensaio fotográfico «The Americans». Se forem a Londres vale a pena vê-la até 23 de Janeiro.
COMIDINHA- O espaço é fantástico, vale a pena descobrir o restaurante «Alecrim às Flores», Travessa do Alecrim nº4 (21 322 53 68), onde Diogo Siqueira está agora a comandar as operações depois de ter feito a fama da «Doca do Espanhol».
dezembro 05, 2004
IMATURIDADE
As últimas semanas evidenciam as fragilidades e imaturidades da nossa democracia – a forma como o país e as instituições não conseguem lidar com o que é usual em tantos países da Europa: a mudança de Primeiro-Ministro a meio de um mandato, sem recurso a eleições, desde que permaneça intocada a maioria parlamentar que o sustenta. Esta necessidade de ir a votos fora dos ciclos previstos pela Constituição é uma fraqueza que cria instabilidade e, em última análise, mina a democracia em vez de a fortalecer.
A decisão agora tomada culmina um longo processo de desgaste, onde se juntaram no mesmo caldeirão notáveis de todos os sectores – o dr. Soares até o papão de um golpe de estado militar agitou. O resultado de todo o sururu está à vista: esta é a dissolução mais exclusivamente política de todas as dissoluções pós-25 de Abril - foi decidida sem alteração da base parlamentar de apoio do Governo, é bom que se sublinhe, já que esse foi o principal argumento utilizado pelo Presidente da República, há quatro meses, para dar posse a Santana Lopes; e, ainda por cima, o Presidente deseja salvaguardar a aprovação do Orçamento de Estado – na realidade o mais atacado ponto da acção política do Governo, o que torna tudo ainda mais confuso.
Neste momento já sabemos que em quatro anos o país terá quatro governos e esta instabilidade é o facto que marcará na História, pelas más razões, o último mandato do dr. Sampaio.
O maior risco que existe nesta decisão é que das próximas eleições não saia uma maioria clara. Tendo agora dissolvido o Parlamento, o Presidente não o poderá voltar a fazer, devido aos prazos previstos na Constituição, o que manteria a instabilidade.
No ponto em que as coisas estavam, a grande vantagem da dissolução é provocar a separação das águas e a clarificação. Vamos pois a votos - pelo menos é certo que depois de eleições o argumento da pretensa falta de legitimidade não pode mais voltar a ser utilizado e será certamente mais fácil governar. À partida numas eleições todos podem vencer – não seria a primeira vez que as sondagens eram desmentidas pelo voto.
As últimas semanas evidenciam as fragilidades e imaturidades da nossa democracia – a forma como o país e as instituições não conseguem lidar com o que é usual em tantos países da Europa: a mudança de Primeiro-Ministro a meio de um mandato, sem recurso a eleições, desde que permaneça intocada a maioria parlamentar que o sustenta. Esta necessidade de ir a votos fora dos ciclos previstos pela Constituição é uma fraqueza que cria instabilidade e, em última análise, mina a democracia em vez de a fortalecer.
A decisão agora tomada culmina um longo processo de desgaste, onde se juntaram no mesmo caldeirão notáveis de todos os sectores – o dr. Soares até o papão de um golpe de estado militar agitou. O resultado de todo o sururu está à vista: esta é a dissolução mais exclusivamente política de todas as dissoluções pós-25 de Abril - foi decidida sem alteração da base parlamentar de apoio do Governo, é bom que se sublinhe, já que esse foi o principal argumento utilizado pelo Presidente da República, há quatro meses, para dar posse a Santana Lopes; e, ainda por cima, o Presidente deseja salvaguardar a aprovação do Orçamento de Estado – na realidade o mais atacado ponto da acção política do Governo, o que torna tudo ainda mais confuso.
Neste momento já sabemos que em quatro anos o país terá quatro governos e esta instabilidade é o facto que marcará na História, pelas más razões, o último mandato do dr. Sampaio.
O maior risco que existe nesta decisão é que das próximas eleições não saia uma maioria clara. Tendo agora dissolvido o Parlamento, o Presidente não o poderá voltar a fazer, devido aos prazos previstos na Constituição, o que manteria a instabilidade.
No ponto em que as coisas estavam, a grande vantagem da dissolução é provocar a separação das águas e a clarificação. Vamos pois a votos - pelo menos é certo que depois de eleições o argumento da pretensa falta de legitimidade não pode mais voltar a ser utilizado e será certamente mais fácil governar. À partida numas eleições todos podem vencer – não seria a primeira vez que as sondagens eram desmentidas pelo voto.
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IMATURIDADE
As últimas semanas evidenciam as fragilidades e imaturidades da nossa democracia – a forma como o país e as instituições não conseguem lidar com o que é usual em tantos países da Europa: a mudança de Primeiro-Ministro a meio de um mandato, sem recurso a eleições, desde que permaneça intocada a maioria parlamentar que o sustenta. Esta necessidade de ir a votos fora dos ciclos previstos pela Constituição é uma fraqueza que cria instabilidade e, em última análise, mina a democracia em vez de a fortalecer.
A decisão agora tomada culmina um longo processo de desgaste, onde se juntaram no mesmo caldeirão notáveis de todos os sectores – o dr. Soares até o papão de um golpe de estado militar agitou. O resultado de todo o sururu está à vista: esta é a dissolução mais exclusivamente política de todas as dissoluções pós-25 de Abril - foi decidida sem alteração da base parlamentar de apoio do Governo, é bom que se sublinhe, já que esse foi o principal argumento utilizado pelo Presidente da República, há quatro meses, para dar posse a Santana Lopes; e, ainda por cima, o Presidente deseja salvaguardar a aprovação do Orçamento de Estado – na realidade o mais atacado ponto da acção política do Governo, o que torna tudo ainda mais confuso.
Neste momento já sabemos que em quatro anos o país terá quatro governos e esta instabilidade é o facto que marcará na História, pelas más razões, o último mandato do dr. Sampaio.
O maior risco que existe nesta decisão é que das próximas eleições não saia uma maioria clara. Tendo agora dissolvido o Parlamento, o Presidente não o poderá voltar a fazer, devido aos prazos previstos na Constituição, o que manteria a instabilidade.
No ponto em que as coisas estavam, a grande vantagem da dissolução é provocar a separação das águas e a clarificação. Vamos pois a votos - pelo menos é certo que depois de eleições o argumento da pretensa falta de legitimidade não pode mais voltar a ser utilizado e será certamente mais fácil governar. À partida numas eleições todos podem vencer – não seria a primeira vez que as sondagens eram desmentidas pelo voto.
As últimas semanas evidenciam as fragilidades e imaturidades da nossa democracia – a forma como o país e as instituições não conseguem lidar com o que é usual em tantos países da Europa: a mudança de Primeiro-Ministro a meio de um mandato, sem recurso a eleições, desde que permaneça intocada a maioria parlamentar que o sustenta. Esta necessidade de ir a votos fora dos ciclos previstos pela Constituição é uma fraqueza que cria instabilidade e, em última análise, mina a democracia em vez de a fortalecer.
A decisão agora tomada culmina um longo processo de desgaste, onde se juntaram no mesmo caldeirão notáveis de todos os sectores – o dr. Soares até o papão de um golpe de estado militar agitou. O resultado de todo o sururu está à vista: esta é a dissolução mais exclusivamente política de todas as dissoluções pós-25 de Abril - foi decidida sem alteração da base parlamentar de apoio do Governo, é bom que se sublinhe, já que esse foi o principal argumento utilizado pelo Presidente da República, há quatro meses, para dar posse a Santana Lopes; e, ainda por cima, o Presidente deseja salvaguardar a aprovação do Orçamento de Estado – na realidade o mais atacado ponto da acção política do Governo, o que torna tudo ainda mais confuso.
Neste momento já sabemos que em quatro anos o país terá quatro governos e esta instabilidade é o facto que marcará na História, pelas más razões, o último mandato do dr. Sampaio.
O maior risco que existe nesta decisão é que das próximas eleições não saia uma maioria clara. Tendo agora dissolvido o Parlamento, o Presidente não o poderá voltar a fazer, devido aos prazos previstos na Constituição, o que manteria a instabilidade.
No ponto em que as coisas estavam, a grande vantagem da dissolução é provocar a separação das águas e a clarificação. Vamos pois a votos - pelo menos é certo que depois de eleições o argumento da pretensa falta de legitimidade não pode mais voltar a ser utilizado e será certamente mais fácil governar. À partida numas eleições todos podem vencer – não seria a primeira vez que as sondagens eram desmentidas pelo voto.
NOTAS DA CRISE
CURIOSO – Repararam nos apelos ao regresso do Bloco Central, à constituição de governos de iniciativa presidencial, que apareceram de repente na imprensa vindo de insuspeitos empresários?
ELEIÇÕES – E se do próximo acto eleitoral não sair uma maioria clara que proporcione um Governo estável? Reza a Constituição que nos primeiros seis meses de vida um Governo não pode ser demitido pelo Presidente e nos seis seguintes Sampaio já terá chegado à fase do mandato em que não pode dissolver a Assembleia. Num cenário de maioria pouco clara a crise promete arrastar-se até meados de 2006.
POR ACASO – Na verdade a degradação da classe política e do sistema político não é só de agora – vem de há muito, muito tempo. Por exemplo, do tempo das manobras do «Grupo da Sueca», do tempo do orçamento do queijo Limiano... Os males do país não são nada recentes.
SEBASTIANISMO – Uma das piores coisas da sociedade portuguesa é o constante remeter de soluções para um qualquer apelo messiânico. Em cada crise aparece um «desejado», o mito do regresso d’El Rei D. Sebastião continua a ser um dos expedientes mais utilizados como definição de estratégia política em Portugal. Na sociedade e dentro dos partidos. Mudar esta maneira de funcionar devia ser uma prioridade nacional.
REFORMAS – Da Lei das Rendas ao Código da Estrada, passando pelas portagens nas SCUDs, tudo vai ficar agora em águas de bacalhau. A dissolução afecta bem mais do que só o Parlamento e o Governo.
MISTÉRIO- Para além das aparências como se chegou aqui? Que coincidências se somaram, que vozes conversaram, que diálogos se travaram longe do público, como surgiram artigos e cartas, como se precipitaram crises? Há semanas que nas redacções dos media corriam rumores de que em Belém se estudavam os cenários para a dissolução do Parlamento.
BACK TO BASICS – Não é só a competência que conta, são também as ideias políticas que devem ser avaliadas.
A PERGUNTA DA SEMANA – Que quereria Marcelo Rebelo de Sousa dizer quando afirmou, há duas semanas, que o seu futuro seria conhecido em meados de Dezembro?
LEITURAS – Desde que o Presidente da República anunciou a intenção de dissolução a blogosfera tem sido o local ideal para medir sensibilidades e avaliar as ideias e os rumores. Blogs de leitura indispensável: www.ablasfemia.blogspot.com, www.causa-nossa.blogspot.com, www.aviz.blogspot.com, www.bloguitica.blogspot.com, www.abrupto.blogspot.com, www.oacidental.blogspot.com , www.aba-da-causa.blogspot.com, www.jaquinzinhos.blogspot.com.
SUGESTÃO – No Palácio de Belém e no Palácio de S.Bento o disco que todos deviam ouvir é «How To Dismantle An Atomic Bomb» dos U2 . A música é boa e pelo menos o título pode estimular o pensamento – já se viu que andam necessitados de estímulos.
CURIOSO – Repararam nos apelos ao regresso do Bloco Central, à constituição de governos de iniciativa presidencial, que apareceram de repente na imprensa vindo de insuspeitos empresários?
ELEIÇÕES – E se do próximo acto eleitoral não sair uma maioria clara que proporcione um Governo estável? Reza a Constituição que nos primeiros seis meses de vida um Governo não pode ser demitido pelo Presidente e nos seis seguintes Sampaio já terá chegado à fase do mandato em que não pode dissolver a Assembleia. Num cenário de maioria pouco clara a crise promete arrastar-se até meados de 2006.
POR ACASO – Na verdade a degradação da classe política e do sistema político não é só de agora – vem de há muito, muito tempo. Por exemplo, do tempo das manobras do «Grupo da Sueca», do tempo do orçamento do queijo Limiano... Os males do país não são nada recentes.
SEBASTIANISMO – Uma das piores coisas da sociedade portuguesa é o constante remeter de soluções para um qualquer apelo messiânico. Em cada crise aparece um «desejado», o mito do regresso d’El Rei D. Sebastião continua a ser um dos expedientes mais utilizados como definição de estratégia política em Portugal. Na sociedade e dentro dos partidos. Mudar esta maneira de funcionar devia ser uma prioridade nacional.
REFORMAS – Da Lei das Rendas ao Código da Estrada, passando pelas portagens nas SCUDs, tudo vai ficar agora em águas de bacalhau. A dissolução afecta bem mais do que só o Parlamento e o Governo.
MISTÉRIO- Para além das aparências como se chegou aqui? Que coincidências se somaram, que vozes conversaram, que diálogos se travaram longe do público, como surgiram artigos e cartas, como se precipitaram crises? Há semanas que nas redacções dos media corriam rumores de que em Belém se estudavam os cenários para a dissolução do Parlamento.
BACK TO BASICS – Não é só a competência que conta, são também as ideias políticas que devem ser avaliadas.
A PERGUNTA DA SEMANA – Que quereria Marcelo Rebelo de Sousa dizer quando afirmou, há duas semanas, que o seu futuro seria conhecido em meados de Dezembro?
LEITURAS – Desde que o Presidente da República anunciou a intenção de dissolução a blogosfera tem sido o local ideal para medir sensibilidades e avaliar as ideias e os rumores. Blogs de leitura indispensável: www.ablasfemia.blogspot.com, www.causa-nossa.blogspot.com, www.aviz.blogspot.com, www.bloguitica.blogspot.com, www.abrupto.blogspot.com, www.oacidental.blogspot.com , www.aba-da-causa.blogspot.com, www.jaquinzinhos.blogspot.com.
SUGESTÃO – No Palácio de Belém e no Palácio de S.Bento o disco que todos deviam ouvir é «How To Dismantle An Atomic Bomb» dos U2 . A música é boa e pelo menos o título pode estimular o pensamento – já se viu que andam necessitados de estímulos.
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NOTAS DA CRISE
CURIOSO – Repararam nos apelos ao regresso do Bloco Central, à constituição de governos de iniciativa presidencial, que apareceram de repente na imprensa vindo de insuspeitos empresários?
ELEIÇÕES – E se do próximo acto eleitoral não sair uma maioria clara que proporcione um Governo estável? Reza a Constituição que nos primeiros seis meses de vida um Governo não pode ser demitido pelo Presidente e nos seis seguintes Sampaio já terá chegado à fase do mandato em que não pode dissolver a Assembleia. Num cenário de maioria pouco clara a crise promete arrastar-se até meados de 2006.
POR ACASO – Na verdade a degradação da classe política e do sistema político não é só de agora – vem de há muito, muito tempo. Por exemplo, do tempo das manobras do «Grupo da Sueca», do tempo do orçamento do queijo Limiano... Os males do país não são nada recentes.
SEBASTIANISMO – Uma das piores coisas da sociedade portuguesa é o constante remeter de soluções para um qualquer apelo messiânico. Em cada crise aparece um «desejado», o mito do regresso d’El Rei D. Sebastião continua a ser um dos expedientes mais utilizados como definição de estratégia política em Portugal. Na sociedade e dentro dos partidos. Mudar esta maneira de funcionar devia ser uma prioridade nacional.
REFORMAS – Da Lei das Rendas ao Código da Estrada, passando pelas portagens nas SCUDs, tudo vai ficar agora em águas de bacalhau. A dissolução afecta bem mais do que só o Parlamento e o Governo.
MISTÉRIO- Para além das aparências como se chegou aqui? Que coincidências se somaram, que vozes conversaram, que diálogos se travaram longe do público, como surgiram artigos e cartas, como se precipitaram crises? Há semanas que nas redacções dos media corriam rumores de que em Belém se estudavam os cenários para a dissolução do Parlamento.
BACK TO BASICS – Não é só a competência que conta, são também as ideias políticas que devem ser avaliadas.
A PERGUNTA DA SEMANA – Que quereria Marcelo Rebelo de Sousa dizer quando afirmou, há duas semanas, que o seu futuro seria conhecido em meados de Dezembro?
LEITURAS – Desde que o Presidente da República anunciou a intenção de dissolução a blogosfera tem sido o local ideal para medir sensibilidades e avaliar as ideias e os rumores. Blogs de leitura indispensável: www.ablasfemia.blogspot.com, www.causa-nossa.blogspot.com, www.aviz.blogspot.com, www.bloguitica.blogspot.com, www.abrupto.blogspot.com, www.oacidental.blogspot.com , www.aba-da-causa.blogspot.com, www.jaquinzinhos.blogspot.com.
SUGESTÃO – No Palácio de Belém e no Palácio de S.Bento o disco que todos deviam ouvir é «How To Dismantle An Atomic Bomb» dos U2 . A música é boa e pelo menos o título pode estimular o pensamento – já se viu que andam necessitados de estímulos.
CURIOSO – Repararam nos apelos ao regresso do Bloco Central, à constituição de governos de iniciativa presidencial, que apareceram de repente na imprensa vindo de insuspeitos empresários?
ELEIÇÕES – E se do próximo acto eleitoral não sair uma maioria clara que proporcione um Governo estável? Reza a Constituição que nos primeiros seis meses de vida um Governo não pode ser demitido pelo Presidente e nos seis seguintes Sampaio já terá chegado à fase do mandato em que não pode dissolver a Assembleia. Num cenário de maioria pouco clara a crise promete arrastar-se até meados de 2006.
POR ACASO – Na verdade a degradação da classe política e do sistema político não é só de agora – vem de há muito, muito tempo. Por exemplo, do tempo das manobras do «Grupo da Sueca», do tempo do orçamento do queijo Limiano... Os males do país não são nada recentes.
SEBASTIANISMO – Uma das piores coisas da sociedade portuguesa é o constante remeter de soluções para um qualquer apelo messiânico. Em cada crise aparece um «desejado», o mito do regresso d’El Rei D. Sebastião continua a ser um dos expedientes mais utilizados como definição de estratégia política em Portugal. Na sociedade e dentro dos partidos. Mudar esta maneira de funcionar devia ser uma prioridade nacional.
REFORMAS – Da Lei das Rendas ao Código da Estrada, passando pelas portagens nas SCUDs, tudo vai ficar agora em águas de bacalhau. A dissolução afecta bem mais do que só o Parlamento e o Governo.
MISTÉRIO- Para além das aparências como se chegou aqui? Que coincidências se somaram, que vozes conversaram, que diálogos se travaram longe do público, como surgiram artigos e cartas, como se precipitaram crises? Há semanas que nas redacções dos media corriam rumores de que em Belém se estudavam os cenários para a dissolução do Parlamento.
BACK TO BASICS – Não é só a competência que conta, são também as ideias políticas que devem ser avaliadas.
A PERGUNTA DA SEMANA – Que quereria Marcelo Rebelo de Sousa dizer quando afirmou, há duas semanas, que o seu futuro seria conhecido em meados de Dezembro?
LEITURAS – Desde que o Presidente da República anunciou a intenção de dissolução a blogosfera tem sido o local ideal para medir sensibilidades e avaliar as ideias e os rumores. Blogs de leitura indispensável: www.ablasfemia.blogspot.com, www.causa-nossa.blogspot.com, www.aviz.blogspot.com, www.bloguitica.blogspot.com, www.abrupto.blogspot.com, www.oacidental.blogspot.com , www.aba-da-causa.blogspot.com, www.jaquinzinhos.blogspot.com.
SUGESTÃO – No Palácio de Belém e no Palácio de S.Bento o disco que todos deviam ouvir é «How To Dismantle An Atomic Bomb» dos U2 . A música é boa e pelo menos o título pode estimular o pensamento – já se viu que andam necessitados de estímulos.
novembro 28, 2004
O TÚNEL
ACÇÃO CÍVICA – Não me cansarei de dizer como acho que a participação cívica dos cidadãos não se esgota nos partidos e, muito provavelmente, é mais importante fora deles do que dentro. Mas tal como dentro dos partidos, na sociedade civil, volta e meia aparecem uns «chico espertos» a querer ganhar fama à custa dos outros. O caso do túnel do Marquês é um bom exemplo disto e deve fazer-nos reflectir. Se o advogado José Sá Fernandes pretendesse de facto contribuir para melhorar alguma coisa tinha mais formas de actuar possíveis do que ter encravado a vida a milhares de pessoas durante mais de seis meses. A sua apetência de se travestir de Robin Hood dos dias de hoje incorre num erro básico: trabalha para si próprio e para a comunicação, não pensa um segundo que seja como as suas acções podem afectar os outros. Ele argumentará que faz isto a bem da sociedade, mas os efeitos práticos são o que são. O preconceito político é mau conselheiro e aparentemente é isso, junto com o impacto mediático que muito preza, que faz mover o advogado.
IMAGINAÇÃO - Com aquela maneira desprendida que tinha de falar das coisas, Albert Einstein dizia que «a imaginação é mais importante do que o conhecimento». Fora do contexto a frase parece deslocada, mas de facto é a imaginação que pode levar à descoberta e à criação de novo conhecimento. O processo de criação vive da imaginação, da capacidade de ver para além do que se sabe, de surpreender. Uma sociedade que aposta sobretudo na conservação e que vai desprezando a criação está a desproteger o futuro, está a comprometer o património das próximas gerações. Nestes tempos que correm vivemos demasiado de coisas efémeras e corriqueiras, e mesmo as políticas culturais, nacionais ou locais, têm uma estranha tendência a privilegiar o previsível e o desinteressante – alguma razão há-de haver para que em tantos domínios se esteja a reduzir a existência de coisas novas e interessantes. Quando a imaginação não é fomentada, estimulada, vai definhando. Acaba congelada.
DAR – Um interessante artigo na «Spectator» desta semana apela ao Governo inglês que introduza benefícios fiscais que permitam voltar a tornar interessante contribuir para a sociedade, financiar instituições culturais, benefícios que estimulem o simples acto de dar. O artigo tem origem na constatação de que muitas obras de arte importantes estão a fugir do país, em grande parte por falta de estimulos para que as pessoas possam contibuir para a sua aquisição e sejam recompesadas por isso. O que o artigo defende é que através das contribuições individuais ou colectivas instituições como os museus poderão adquirir novas peças, desenvolver colecções: «A criação e a manutenção de colecções públicas de arte deve ser um motivo de orgulho nacional, já para não falar de uma fonte de entretenimento e de prazer para os cidadãos», sublinha a revista, conhecida pelo seu posicionamento liberal e a favor da economia de mercado.
JULGAMENTO – A avaliar pelos primeiros momentos teme-se o pior da forma como os media vão seguir o julgamento do processo Casa Pia. Os directos intermináveis, os comentários a encher o tempo, a procura das reacções populares, a falta de rigôr, de síntese, de distanciamento marcaram a primeira manhã. É certo que o que se vai passar no Tribunal da Boa-Hora é um teste ao sistema judicial português e ao funcionamento da justiça; mas é também um sério teste para os media e para os jornalistas.
BACK TO BASICS – Citando Otto Von Bismarck: «A política é a arte do possível»
O MELHOR DA SEMANA – A decisão judicial que permite reiniciar as obras do Túnel das Amoreiras;
O PIOR DA SEMANA – A reacção do advogado José Sá Fernandes à referida decisão, considerando que fez «bom trabalho» ao provocar a paragem da obra durante meses.
A PERGUNTA DA SEMANA – Quem paga os prejuízos causados pela paragem da obra ? Ninguém é responsabilizado por todos os enormes transtornos causados?
RESTAURANTE – Café Três, Tivoli Fórum
LEITURA – O livro «Cruz das Almas», de Patrícia Reis.
TENTAÇÃO – A galeria VPF Cream Arte, na Rua da Boavista 84, 2º, ao Cais do Sodré, em
Lisboa. Um novo conceito na arte contemporânea.
SUGESTÃO – Festival Super 8, uma projecção de curtas metragens em Super 8, dia 27 às 21h30 no Fórum Roma.
ACÇÃO CÍVICA – Não me cansarei de dizer como acho que a participação cívica dos cidadãos não se esgota nos partidos e, muito provavelmente, é mais importante fora deles do que dentro. Mas tal como dentro dos partidos, na sociedade civil, volta e meia aparecem uns «chico espertos» a querer ganhar fama à custa dos outros. O caso do túnel do Marquês é um bom exemplo disto e deve fazer-nos reflectir. Se o advogado José Sá Fernandes pretendesse de facto contribuir para melhorar alguma coisa tinha mais formas de actuar possíveis do que ter encravado a vida a milhares de pessoas durante mais de seis meses. A sua apetência de se travestir de Robin Hood dos dias de hoje incorre num erro básico: trabalha para si próprio e para a comunicação, não pensa um segundo que seja como as suas acções podem afectar os outros. Ele argumentará que faz isto a bem da sociedade, mas os efeitos práticos são o que são. O preconceito político é mau conselheiro e aparentemente é isso, junto com o impacto mediático que muito preza, que faz mover o advogado.
IMAGINAÇÃO - Com aquela maneira desprendida que tinha de falar das coisas, Albert Einstein dizia que «a imaginação é mais importante do que o conhecimento». Fora do contexto a frase parece deslocada, mas de facto é a imaginação que pode levar à descoberta e à criação de novo conhecimento. O processo de criação vive da imaginação, da capacidade de ver para além do que se sabe, de surpreender. Uma sociedade que aposta sobretudo na conservação e que vai desprezando a criação está a desproteger o futuro, está a comprometer o património das próximas gerações. Nestes tempos que correm vivemos demasiado de coisas efémeras e corriqueiras, e mesmo as políticas culturais, nacionais ou locais, têm uma estranha tendência a privilegiar o previsível e o desinteressante – alguma razão há-de haver para que em tantos domínios se esteja a reduzir a existência de coisas novas e interessantes. Quando a imaginação não é fomentada, estimulada, vai definhando. Acaba congelada.
DAR – Um interessante artigo na «Spectator» desta semana apela ao Governo inglês que introduza benefícios fiscais que permitam voltar a tornar interessante contribuir para a sociedade, financiar instituições culturais, benefícios que estimulem o simples acto de dar. O artigo tem origem na constatação de que muitas obras de arte importantes estão a fugir do país, em grande parte por falta de estimulos para que as pessoas possam contibuir para a sua aquisição e sejam recompesadas por isso. O que o artigo defende é que através das contribuições individuais ou colectivas instituições como os museus poderão adquirir novas peças, desenvolver colecções: «A criação e a manutenção de colecções públicas de arte deve ser um motivo de orgulho nacional, já para não falar de uma fonte de entretenimento e de prazer para os cidadãos», sublinha a revista, conhecida pelo seu posicionamento liberal e a favor da economia de mercado.
JULGAMENTO – A avaliar pelos primeiros momentos teme-se o pior da forma como os media vão seguir o julgamento do processo Casa Pia. Os directos intermináveis, os comentários a encher o tempo, a procura das reacções populares, a falta de rigôr, de síntese, de distanciamento marcaram a primeira manhã. É certo que o que se vai passar no Tribunal da Boa-Hora é um teste ao sistema judicial português e ao funcionamento da justiça; mas é também um sério teste para os media e para os jornalistas.
BACK TO BASICS – Citando Otto Von Bismarck: «A política é a arte do possível»
O MELHOR DA SEMANA – A decisão judicial que permite reiniciar as obras do Túnel das Amoreiras;
O PIOR DA SEMANA – A reacção do advogado José Sá Fernandes à referida decisão, considerando que fez «bom trabalho» ao provocar a paragem da obra durante meses.
A PERGUNTA DA SEMANA – Quem paga os prejuízos causados pela paragem da obra ? Ninguém é responsabilizado por todos os enormes transtornos causados?
RESTAURANTE – Café Três, Tivoli Fórum
LEITURA – O livro «Cruz das Almas», de Patrícia Reis.
TENTAÇÃO – A galeria VPF Cream Arte, na Rua da Boavista 84, 2º, ao Cais do Sodré, em
Lisboa. Um novo conceito na arte contemporânea.
SUGESTÃO – Festival Super 8, uma projecção de curtas metragens em Super 8, dia 27 às 21h30 no Fórum Roma.
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O TÚNEL
ACÇÃO CÍVICA – Não me cansarei de dizer como acho que a participação cívica dos cidadãos não se esgota nos partidos e, muito provavelmente, é mais importante fora deles do que dentro. Mas tal como dentro dos partidos, na sociedade civil, volta e meia aparecem uns «chico espertos» a querer ganhar fama à custa dos outros. O caso do túnel do Marquês é um bom exemplo disto e deve fazer-nos reflectir. Se o advogado José Sá Fernandes pretendesse de facto contribuir para melhorar alguma coisa tinha mais formas de actuar possíveis do que ter encravado a vida a milhares de pessoas durante mais de seis meses. A sua apetência de se travestir de Robin Hood dos dias de hoje incorre num erro básico: trabalha para si próprio e para a comunicação, não pensa um segundo que seja como as suas acções podem afectar os outros. Ele argumentará que faz isto a bem da sociedade, mas os efeitos práticos são o que são. O preconceito político é mau conselheiro e aparentemente é isso, junto com o impacto mediático que muito preza, que faz mover o advogado.
IMAGINAÇÃO - Com aquela maneira desprendida que tinha de falar das coisas, Albert Einstein dizia que «a imaginação é mais importante do que o conhecimento». Fora do contexto a frase parece deslocada, mas de facto é a imaginação que pode levar à descoberta e à criação de novo conhecimento. O processo de criação vive da imaginação, da capacidade de ver para além do que se sabe, de surpreender. Uma sociedade que aposta sobretudo na conservação e que vai desprezando a criação está a desproteger o futuro, está a comprometer o património das próximas gerações. Nestes tempos que correm vivemos demasiado de coisas efémeras e corriqueiras, e mesmo as políticas culturais, nacionais ou locais, têm uma estranha tendência a privilegiar o previsível e o desinteressante – alguma razão há-de haver para que em tantos domínios se esteja a reduzir a existência de coisas novas e interessantes. Quando a imaginação não é fomentada, estimulada, vai definhando. Acaba congelada.
DAR – Um interessante artigo na «Spectator» desta semana apela ao Governo inglês que introduza benefícios fiscais que permitam voltar a tornar interessante contribuir para a sociedade, financiar instituições culturais, benefícios que estimulem o simples acto de dar. O artigo tem origem na constatação de que muitas obras de arte importantes estão a fugir do país, em grande parte por falta de estimulos para que as pessoas possam contibuir para a sua aquisição e sejam recompesadas por isso. O que o artigo defende é que através das contribuições individuais ou colectivas instituições como os museus poderão adquirir novas peças, desenvolver colecções: «A criação e a manutenção de colecções públicas de arte deve ser um motivo de orgulho nacional, já para não falar de uma fonte de entretenimento e de prazer para os cidadãos», sublinha a revista, conhecida pelo seu posicionamento liberal e a favor da economia de mercado.
JULGAMENTO – A avaliar pelos primeiros momentos teme-se o pior da forma como os media vão seguir o julgamento do processo Casa Pia. Os directos intermináveis, os comentários a encher o tempo, a procura das reacções populares, a falta de rigôr, de síntese, de distanciamento marcaram a primeira manhã. É certo que o que se vai passar no Tribunal da Boa-Hora é um teste ao sistema judicial português e ao funcionamento da justiça; mas é também um sério teste para os media e para os jornalistas.
BACK TO BASICS – Citando Otto Von Bismarck: «A política é a arte do possível»
O MELHOR DA SEMANA – A decisão judicial que permite reiniciar as obras do Túnel das Amoreiras;
O PIOR DA SEMANA – A reacção do advogado José Sá Fernandes à referida decisão, considerando que fez «bom trabalho» ao provocar a paragem da obra durante meses.
A PERGUNTA DA SEMANA – Quem paga os prejuízos causados pela paragem da obra ? Ninguém é responsabilizado por todos os enormes transtornos causados?
RESTAURANTE – Café Três, Tivoli Fórum
LEITURA – O livro «Cruz das Almas», de Patrícia Reis.
TENTAÇÃO – A galeria VPF Cream Arte, na Rua da Boavista 84, 2º, ao Cais do Sodré, em
Lisboa. Um novo conceito na arte contemporânea.
SUGESTÃO – Festival Super 8, uma projecção de curtas metragens em Super 8, dia 27 às 21h30 no Fórum Roma.
ACÇÃO CÍVICA – Não me cansarei de dizer como acho que a participação cívica dos cidadãos não se esgota nos partidos e, muito provavelmente, é mais importante fora deles do que dentro. Mas tal como dentro dos partidos, na sociedade civil, volta e meia aparecem uns «chico espertos» a querer ganhar fama à custa dos outros. O caso do túnel do Marquês é um bom exemplo disto e deve fazer-nos reflectir. Se o advogado José Sá Fernandes pretendesse de facto contribuir para melhorar alguma coisa tinha mais formas de actuar possíveis do que ter encravado a vida a milhares de pessoas durante mais de seis meses. A sua apetência de se travestir de Robin Hood dos dias de hoje incorre num erro básico: trabalha para si próprio e para a comunicação, não pensa um segundo que seja como as suas acções podem afectar os outros. Ele argumentará que faz isto a bem da sociedade, mas os efeitos práticos são o que são. O preconceito político é mau conselheiro e aparentemente é isso, junto com o impacto mediático que muito preza, que faz mover o advogado.
IMAGINAÇÃO - Com aquela maneira desprendida que tinha de falar das coisas, Albert Einstein dizia que «a imaginação é mais importante do que o conhecimento». Fora do contexto a frase parece deslocada, mas de facto é a imaginação que pode levar à descoberta e à criação de novo conhecimento. O processo de criação vive da imaginação, da capacidade de ver para além do que se sabe, de surpreender. Uma sociedade que aposta sobretudo na conservação e que vai desprezando a criação está a desproteger o futuro, está a comprometer o património das próximas gerações. Nestes tempos que correm vivemos demasiado de coisas efémeras e corriqueiras, e mesmo as políticas culturais, nacionais ou locais, têm uma estranha tendência a privilegiar o previsível e o desinteressante – alguma razão há-de haver para que em tantos domínios se esteja a reduzir a existência de coisas novas e interessantes. Quando a imaginação não é fomentada, estimulada, vai definhando. Acaba congelada.
DAR – Um interessante artigo na «Spectator» desta semana apela ao Governo inglês que introduza benefícios fiscais que permitam voltar a tornar interessante contribuir para a sociedade, financiar instituições culturais, benefícios que estimulem o simples acto de dar. O artigo tem origem na constatação de que muitas obras de arte importantes estão a fugir do país, em grande parte por falta de estimulos para que as pessoas possam contibuir para a sua aquisição e sejam recompesadas por isso. O que o artigo defende é que através das contribuições individuais ou colectivas instituições como os museus poderão adquirir novas peças, desenvolver colecções: «A criação e a manutenção de colecções públicas de arte deve ser um motivo de orgulho nacional, já para não falar de uma fonte de entretenimento e de prazer para os cidadãos», sublinha a revista, conhecida pelo seu posicionamento liberal e a favor da economia de mercado.
JULGAMENTO – A avaliar pelos primeiros momentos teme-se o pior da forma como os media vão seguir o julgamento do processo Casa Pia. Os directos intermináveis, os comentários a encher o tempo, a procura das reacções populares, a falta de rigôr, de síntese, de distanciamento marcaram a primeira manhã. É certo que o que se vai passar no Tribunal da Boa-Hora é um teste ao sistema judicial português e ao funcionamento da justiça; mas é também um sério teste para os media e para os jornalistas.
BACK TO BASICS – Citando Otto Von Bismarck: «A política é a arte do possível»
O MELHOR DA SEMANA – A decisão judicial que permite reiniciar as obras do Túnel das Amoreiras;
O PIOR DA SEMANA – A reacção do advogado José Sá Fernandes à referida decisão, considerando que fez «bom trabalho» ao provocar a paragem da obra durante meses.
A PERGUNTA DA SEMANA – Quem paga os prejuízos causados pela paragem da obra ? Ninguém é responsabilizado por todos os enormes transtornos causados?
RESTAURANTE – Café Três, Tivoli Fórum
LEITURA – O livro «Cruz das Almas», de Patrícia Reis.
TENTAÇÃO – A galeria VPF Cream Arte, na Rua da Boavista 84, 2º, ao Cais do Sodré, em
Lisboa. Um novo conceito na arte contemporânea.
SUGESTÃO – Festival Super 8, uma projecção de curtas metragens em Super 8, dia 27 às 21h30 no Fórum Roma.
novembro 22, 2004
UMA VIDA A DOIS
Os três discursos de Pedro Santana Lopes foram o melhor do Congresso do PSD mas também foram, quase, a única coisa. De facto Pedro Santana Lopes aproveitou o Congresso para falar ao país e pelo meio resolveu pormenores internos de organização do pessoal político. Não conseguiu, no entanto, evitar que a imagem que saíu do Congresso fosse a das reticências à continuação da coligação com o PP.
A força dos discursos de Pedro Santana Lopes mostrou, em contraste, as fraquezas do Congresso e, também, do partido. A única divergência palpável centra-se na política de alianças do PSD, ou seja, na coligação com o PP. Na realidade, neste congresso, ficou-se com a sensação de que uma parte audível do PSD preferiria soluções tipo «queijo limiano», do que alianças estáveis e negociadas que permitam traçar estratégias de médio-longo prazo.
Tenho para mim que esta dificuldade de aceitação de coligações tem origem no vazio ideológico em que o PSD foi mergulhando ao longo dos anos (e que no caso do PP, por exemplo, é muito menos sensível). Na inexistência de referências ideológicas claras, na ausência de inovação e discussão políticas, sem noção clara do lugar que quer ocupar no espectro político (centro? centro-esquerda? centro-direita?) o PSD teme, inconscientemente, ser subalternizado, perder espaço próprio.
Habituado desde há décadas a gerir conjunturas, o PSD tem enorme sentido táctico mas dificuldade em encontrar rumo estratégico e em inovar. Daí nascem muitos dos seus incómodos actuais. Viver a dois é um exercício de permanente imaginação e um desafio constante. Acontece que, se a direita quiser cumprir o seu programa e concretizar reformas, é forçoso manter esta união de facto. Sob pena de a pensão de alimentos ser caríssima.
Os três discursos de Pedro Santana Lopes foram o melhor do Congresso do PSD mas também foram, quase, a única coisa. De facto Pedro Santana Lopes aproveitou o Congresso para falar ao país e pelo meio resolveu pormenores internos de organização do pessoal político. Não conseguiu, no entanto, evitar que a imagem que saíu do Congresso fosse a das reticências à continuação da coligação com o PP.
A força dos discursos de Pedro Santana Lopes mostrou, em contraste, as fraquezas do Congresso e, também, do partido. A única divergência palpável centra-se na política de alianças do PSD, ou seja, na coligação com o PP. Na realidade, neste congresso, ficou-se com a sensação de que uma parte audível do PSD preferiria soluções tipo «queijo limiano», do que alianças estáveis e negociadas que permitam traçar estratégias de médio-longo prazo.
Tenho para mim que esta dificuldade de aceitação de coligações tem origem no vazio ideológico em que o PSD foi mergulhando ao longo dos anos (e que no caso do PP, por exemplo, é muito menos sensível). Na inexistência de referências ideológicas claras, na ausência de inovação e discussão políticas, sem noção clara do lugar que quer ocupar no espectro político (centro? centro-esquerda? centro-direita?) o PSD teme, inconscientemente, ser subalternizado, perder espaço próprio.
Habituado desde há décadas a gerir conjunturas, o PSD tem enorme sentido táctico mas dificuldade em encontrar rumo estratégico e em inovar. Daí nascem muitos dos seus incómodos actuais. Viver a dois é um exercício de permanente imaginação e um desafio constante. Acontece que, se a direita quiser cumprir o seu programa e concretizar reformas, é forçoso manter esta união de facto. Sob pena de a pensão de alimentos ser caríssima.
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UMA VIDA A DOIS
Os três discursos de Pedro Santana Lopes foram o melhor do Congresso do PSD mas também foram, quase, a única coisa. De facto Pedro Santana Lopes aproveitou o Congresso para falar ao país e pelo meio resolveu pormenores internos de organização do pessoal político. Não conseguiu, no entanto, evitar que a imagem que saíu do Congresso fosse a das reticências à continuação da coligação com o PP.
A força dos discursos de Pedro Santana Lopes mostrou, em contraste, as fraquezas do Congresso e, também, do partido. A única divergência palpável centra-se na política de alianças do PSD, ou seja, na coligação com o PP. Na realidade, neste congresso, ficou-se com a sensação de que uma parte audível do PSD preferiria soluções tipo «queijo limiano», do que alianças estáveis e negociadas que permitam traçar estratégias de médio-longo prazo.
Tenho para mim que esta dificuldade de aceitação de coligações tem origem no vazio ideológico em que o PSD foi mergulhando ao longo dos anos (e que no caso do PP, por exemplo, é muito menos sensível). Na inexistência de referências ideológicas claras, na ausência de inovação e discussão políticas, sem noção clara do lugar que quer ocupar no espectro político (centro? centro-esquerda? centro-direita?) o PSD teme, inconscientemente, ser subalternizado, perder espaço próprio.
Habituado desde há décadas a gerir conjunturas, o PSD tem enorme sentido táctico mas dificuldade em encontrar rumo estratégico e em inovar. Daí nascem muitos dos seus incómodos actuais. Viver a dois é um exercício de permanente imaginação e um desafio constante. Acontece que, se a direita quiser cumprir o seu programa e concretizar reformas, é forçoso manter esta união de facto. Sob pena de a pensão de alimentos ser caríssima.
Os três discursos de Pedro Santana Lopes foram o melhor do Congresso do PSD mas também foram, quase, a única coisa. De facto Pedro Santana Lopes aproveitou o Congresso para falar ao país e pelo meio resolveu pormenores internos de organização do pessoal político. Não conseguiu, no entanto, evitar que a imagem que saíu do Congresso fosse a das reticências à continuação da coligação com o PP.
A força dos discursos de Pedro Santana Lopes mostrou, em contraste, as fraquezas do Congresso e, também, do partido. A única divergência palpável centra-se na política de alianças do PSD, ou seja, na coligação com o PP. Na realidade, neste congresso, ficou-se com a sensação de que uma parte audível do PSD preferiria soluções tipo «queijo limiano», do que alianças estáveis e negociadas que permitam traçar estratégias de médio-longo prazo.
Tenho para mim que esta dificuldade de aceitação de coligações tem origem no vazio ideológico em que o PSD foi mergulhando ao longo dos anos (e que no caso do PP, por exemplo, é muito menos sensível). Na inexistência de referências ideológicas claras, na ausência de inovação e discussão políticas, sem noção clara do lugar que quer ocupar no espectro político (centro? centro-esquerda? centro-direita?) o PSD teme, inconscientemente, ser subalternizado, perder espaço próprio.
Habituado desde há décadas a gerir conjunturas, o PSD tem enorme sentido táctico mas dificuldade em encontrar rumo estratégico e em inovar. Daí nascem muitos dos seus incómodos actuais. Viver a dois é um exercício de permanente imaginação e um desafio constante. Acontece que, se a direita quiser cumprir o seu programa e concretizar reformas, é forçoso manter esta união de facto. Sob pena de a pensão de alimentos ser caríssima.
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