O NOVO CICLO
Aconteça o que acontecer, vai começar um novo ciclo. É bom que o sistema encontre formas de se renovar, de alterar políticas e até protagonistas. Aquilo a que estamos a começar a assistir pode ser importante para ver como o sistema político pode evoluir, como o processo de tomada de decisões e de mudança pode sair fora de padrões standards.
Se Durão Barroso fôr para Bruxelas e Pedro Santana Lopes fôr indicado para Primeiro Ministro, Portugal fica a ganhar duplamente: ganha maior prestígio internacional e possibilita-se um refrescamento significativo de toda a política interna.
O que é mais engraçado é como muitos dos que diziam ser necessária uma remodelação temem agora que, em vez de umas poucas mudanças, surja agora uma remodelação profunda.
E é muito engraçado ver como há tanta gente que, enchendo a boca de Constituição no dia-a-dia, tem tendência em alturas de crise de não se lembrar como o regime funciona. O sol quando nasce é para todos.
O que vou escrevendo, entre o Weekend do Jornal de Negócios e os Pensamentos Ociosos no SAPO. E mais umas coisas avulsas...
junho 26, 2004
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O NOVO CICLO
Aconteça o que acontecer, vai começar um novo ciclo. É bom que o sistema encontre formas de se renovar, de alterar políticas e até protagonistas. Aquilo a que estamos a começar a assistir pode ser importante para ver como o sistema político pode evoluir, como o processo de tomada de decisões e de mudança pode sair fora de padrões standards.
Se Durão Barroso fôr para Bruxelas e Pedro Santana Lopes fôr indicado para Primeiro Ministro, Portugal fica a ganhar duplamente: ganha maior prestígio internacional e possibilita-se um refrescamento significativo de toda a política interna.
O que é mais engraçado é como muitos dos que diziam ser necessária uma remodelação temem agora que, em vez de umas poucas mudanças, surja agora uma remodelação profunda.
E é muito engraçado ver como há tanta gente que, enchendo a boca de Constituição no dia-a-dia, tem tendência em alturas de crise de não se lembrar como o regime funciona. O sol quando nasce é para todos.
Aconteça o que acontecer, vai começar um novo ciclo. É bom que o sistema encontre formas de se renovar, de alterar políticas e até protagonistas. Aquilo a que estamos a começar a assistir pode ser importante para ver como o sistema político pode evoluir, como o processo de tomada de decisões e de mudança pode sair fora de padrões standards.
Se Durão Barroso fôr para Bruxelas e Pedro Santana Lopes fôr indicado para Primeiro Ministro, Portugal fica a ganhar duplamente: ganha maior prestígio internacional e possibilita-se um refrescamento significativo de toda a política interna.
O que é mais engraçado é como muitos dos que diziam ser necessária uma remodelação temem agora que, em vez de umas poucas mudanças, surja agora uma remodelação profunda.
E é muito engraçado ver como há tanta gente que, enchendo a boca de Constituição no dia-a-dia, tem tendência em alturas de crise de não se lembrar como o regime funciona. O sol quando nasce é para todos.
DELÍRIO
Uma espreitadela ao blog de Pacheco Pereira mostra como a raiva pessoal provoca cegueira e facilita estádios de delírio. Embora se perceba que as prolongadas ausências do país dificultam a abordagem de temas nacionais, não se entende como Pacheco Pereira defende a paralisação do país (nomeação de eventual novo primeiro-ministro apenas após congresso do PSD, quer dizer pelo menos daqui a várias semanas), como insinua que uma manifestação que anda a ser convocada por sms por quem tem extensas listas telefónicas de pessoas próximas da esquerda possa vir de outro sítio.
Este truque da insinuação é coisa antiga na política - mas de tanto escrever e investigar a vida de Cunhal e do PC, Pacheco deve ter absorvido alguns dos seus hábitos.
Uma espreitadela ao blog de Pacheco Pereira mostra como a raiva pessoal provoca cegueira e facilita estádios de delírio. Embora se perceba que as prolongadas ausências do país dificultam a abordagem de temas nacionais, não se entende como Pacheco Pereira defende a paralisação do país (nomeação de eventual novo primeiro-ministro apenas após congresso do PSD, quer dizer pelo menos daqui a várias semanas), como insinua que uma manifestação que anda a ser convocada por sms por quem tem extensas listas telefónicas de pessoas próximas da esquerda possa vir de outro sítio.
Este truque da insinuação é coisa antiga na política - mas de tanto escrever e investigar a vida de Cunhal e do PC, Pacheco deve ter absorvido alguns dos seus hábitos.
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DELÍRIO
Uma espreitadela ao blog de Pacheco Pereira mostra como a raiva pessoal provoca cegueira e facilita estádios de delírio. Embora se perceba que as prolongadas ausências do país dificultam a abordagem de temas nacionais, não se entende como Pacheco Pereira defende a paralisação do país (nomeação de eventual novo primeiro-ministro apenas após congresso do PSD, quer dizer pelo menos daqui a várias semanas), como insinua que uma manifestação que anda a ser convocada por sms por quem tem extensas listas telefónicas de pessoas próximas da esquerda possa vir de outro sítio.
Este truque da insinuação é coisa antiga na política - mas de tanto escrever e investigar a vida de Cunhal e do PC, Pacheco deve ter absorvido alguns dos seus hábitos.
Uma espreitadela ao blog de Pacheco Pereira mostra como a raiva pessoal provoca cegueira e facilita estádios de delírio. Embora se perceba que as prolongadas ausências do país dificultam a abordagem de temas nacionais, não se entende como Pacheco Pereira defende a paralisação do país (nomeação de eventual novo primeiro-ministro apenas após congresso do PSD, quer dizer pelo menos daqui a várias semanas), como insinua que uma manifestação que anda a ser convocada por sms por quem tem extensas listas telefónicas de pessoas próximas da esquerda possa vir de outro sítio.
Este truque da insinuação é coisa antiga na política - mas de tanto escrever e investigar a vida de Cunhal e do PC, Pacheco deve ter absorvido alguns dos seus hábitos.
SÓ PARA AVIVAR MEMÓRIAS
Começou o habitual rosário de dislates a propósito de Lisboa.
Convém recordar algumas coisas para quem diz que nada se fez ou para quem só gosta de falar do que ainda não está acabado.
Então vamos a isso:
- Encerramento do Bairro Alto e Alfama ao trânsito. Há quantos anos se falava disso? Quem fez?
- Recuperação dos prédios degradados em zonas históricas da cidade. Quem tratou do que já está à vista, a começar em S. Bento e a acabar em Alfama?
- Devolução de Monsanto à cidade, criação de novos espaços, animação cultural, novos equipamentos. Quem fez?
- Lançamento de projectos estruturantes em relação ao trânsito da cidade, como o túnel cujas obras foram forçadas a parar num processo mais nebuloso.
- Política social de apoio à terceira idade, aos mais novos, criação de espaços desportivos em bairros sociais?
- Sistema de transportes dentro de bairros para os munícipes. Quem fez?
-Lançamento e abertura de novos parques de estacionamento como o da Praça de Londres. Quem fez?
- Criação da Loja do Munícipe e de serviços como o Alerta para resolver os problemas das ruas de Lisboa. Quem fez?
O rol podia ser maior, podia incluir os projectos do novo edifício dos arquivos, a forma como os serviços da câmara funcionam melhor, a maneira como os jardins estão mais limpos, a maior rapidez na obtenção de licenças para obras. Quem fez tudo isto?
Dizer que nada está feito é a coisa mais fácil do mundo. Para os que tanto falam em populismo, vale a pena dizer que falsificar a verdade é a maior forma de populismo e dedegradação do sistema.
Começou o habitual rosário de dislates a propósito de Lisboa.
Convém recordar algumas coisas para quem diz que nada se fez ou para quem só gosta de falar do que ainda não está acabado.
Então vamos a isso:
- Encerramento do Bairro Alto e Alfama ao trânsito. Há quantos anos se falava disso? Quem fez?
- Recuperação dos prédios degradados em zonas históricas da cidade. Quem tratou do que já está à vista, a começar em S. Bento e a acabar em Alfama?
- Devolução de Monsanto à cidade, criação de novos espaços, animação cultural, novos equipamentos. Quem fez?
- Lançamento de projectos estruturantes em relação ao trânsito da cidade, como o túnel cujas obras foram forçadas a parar num processo mais nebuloso.
- Política social de apoio à terceira idade, aos mais novos, criação de espaços desportivos em bairros sociais?
- Sistema de transportes dentro de bairros para os munícipes. Quem fez?
-Lançamento e abertura de novos parques de estacionamento como o da Praça de Londres. Quem fez?
- Criação da Loja do Munícipe e de serviços como o Alerta para resolver os problemas das ruas de Lisboa. Quem fez?
O rol podia ser maior, podia incluir os projectos do novo edifício dos arquivos, a forma como os serviços da câmara funcionam melhor, a maneira como os jardins estão mais limpos, a maior rapidez na obtenção de licenças para obras. Quem fez tudo isto?
Dizer que nada está feito é a coisa mais fácil do mundo. Para os que tanto falam em populismo, vale a pena dizer que falsificar a verdade é a maior forma de populismo e dedegradação do sistema.
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SÓ PARA AVIVAR MEMÓRIAS
Começou o habitual rosário de dislates a propósito de Lisboa.
Convém recordar algumas coisas para quem diz que nada se fez ou para quem só gosta de falar do que ainda não está acabado.
Então vamos a isso:
- Encerramento do Bairro Alto e Alfama ao trânsito. Há quantos anos se falava disso? Quem fez?
- Recuperação dos prédios degradados em zonas históricas da cidade. Quem tratou do que já está à vista, a começar em S. Bento e a acabar em Alfama?
- Devolução de Monsanto à cidade, criação de novos espaços, animação cultural, novos equipamentos. Quem fez?
- Lançamento de projectos estruturantes em relação ao trânsito da cidade, como o túnel cujas obras foram forçadas a parar num processo mais nebuloso.
- Política social de apoio à terceira idade, aos mais novos, criação de espaços desportivos em bairros sociais?
- Sistema de transportes dentro de bairros para os munícipes. Quem fez?
-Lançamento e abertura de novos parques de estacionamento como o da Praça de Londres. Quem fez?
- Criação da Loja do Munícipe e de serviços como o Alerta para resolver os problemas das ruas de Lisboa. Quem fez?
O rol podia ser maior, podia incluir os projectos do novo edifício dos arquivos, a forma como os serviços da câmara funcionam melhor, a maneira como os jardins estão mais limpos, a maior rapidez na obtenção de licenças para obras. Quem fez tudo isto?
Dizer que nada está feito é a coisa mais fácil do mundo. Para os que tanto falam em populismo, vale a pena dizer que falsificar a verdade é a maior forma de populismo e dedegradação do sistema.
Começou o habitual rosário de dislates a propósito de Lisboa.
Convém recordar algumas coisas para quem diz que nada se fez ou para quem só gosta de falar do que ainda não está acabado.
Então vamos a isso:
- Encerramento do Bairro Alto e Alfama ao trânsito. Há quantos anos se falava disso? Quem fez?
- Recuperação dos prédios degradados em zonas históricas da cidade. Quem tratou do que já está à vista, a começar em S. Bento e a acabar em Alfama?
- Devolução de Monsanto à cidade, criação de novos espaços, animação cultural, novos equipamentos. Quem fez?
- Lançamento de projectos estruturantes em relação ao trânsito da cidade, como o túnel cujas obras foram forçadas a parar num processo mais nebuloso.
- Política social de apoio à terceira idade, aos mais novos, criação de espaços desportivos em bairros sociais?
- Sistema de transportes dentro de bairros para os munícipes. Quem fez?
-Lançamento e abertura de novos parques de estacionamento como o da Praça de Londres. Quem fez?
- Criação da Loja do Munícipe e de serviços como o Alerta para resolver os problemas das ruas de Lisboa. Quem fez?
O rol podia ser maior, podia incluir os projectos do novo edifício dos arquivos, a forma como os serviços da câmara funcionam melhor, a maneira como os jardins estão mais limpos, a maior rapidez na obtenção de licenças para obras. Quem fez tudo isto?
Dizer que nada está feito é a coisa mais fácil do mundo. Para os que tanto falam em populismo, vale a pena dizer que falsificar a verdade é a maior forma de populismo e dedegradação do sistema.
O DESAFIO DE UMA GERAÇÃO (da edição de ontem do «Jornal de Negócios»)
QUANDO A DIREITA deixa criar angústias várias sobre as expectativas das pessoas em relação ao seu bem-estar , está a entregar a bandeira do social à esquerda. Basta olharmos para a nossa História recente para vermos como esse é dos mais importantes argumentos políticos. Conjugar um modelo de desenvolvimento, com um panorama de estabilidade política e conseguir fazer tudo isto conseguindo efectivamente melhorar a vida do dia-adia das pessoas é o maior desafio político que se coloca à sociedade e aos partidos.
O QUOTIDIANO é o factor inconsciente na hora do voto. As pessoas que trabalham por conta de outrem, a maioria do eleitorado, sabe que não protagoniza evasão fiscal : paga impostos, directos e indirectos, que regra geral considera elevados e muitas vezes não vê retorno para o investimento que por essa via faz no Estado. Queixa-se das dificuldades de emprego, dos cuidados de saúde, do estado da justiça, da instabilidade da educação. A verdade é que o modelo de Estado em que cresceram lhes está a flahar e isto é um dos maiores problemas que enfrentamos. Em Portugal qualquer política e qualquer reforma começa por trazer complicações às classes médias, na verdade traz dificuldades mais depressa que benefícios e esse é um dos grandes factores de instabilidade política e social. Reflectir sobre isto é fundamental.
NÃO HÁ GRANDES DIFERENÇAS entre o PSD e o PS a não ser de estilo. De facto, na esmagadora maioria dos assuntos do dia-a-dia, nacional ou internacional, há nuances mas não há divergências gritantes. Muitas vezes é na forma de concretizar conceitos que surgem divergências. E há, é claro, estilos diferentes, a começar pela gestão das finanças públicas.
O ROTATIVISMO de finais do século XIX está outra vez em grande força entre nós no início do século XXI. Em comum existe uma decadência do funcionamento da sociedade, uma crise evidente do modelo de Estado, coisas que por si só contribuerm para a instabilidade de objectivos e de projectos, para a variação de políticas, a paralisação das sociedades, a frustração dos cidadãos.
REFORMULAR O PAPEL DO ESTADO é a ideia chave defendida numa curiosa entrevista ao «El País», entre nós publicada pela «Visão», dada pelo filósofo francês Pierre Rosanvallon. As suas observações sobre as mudanças ocorridas no sistema político e partidário (por exemplo: «falou-se muito do final do comunismo, mas não reflectimos o suficiente sobre o final do modelo social-democrata») são certeiras.
A DECADÊNCIA das sociedades decorre da impotência na resolução dos principais problemas que a atravessam, diz o filósofo e, sublinha, cito: «como não sabemos lidar com o reformismo, esperamos a chegada do Apocalipse para podermos fazer as mudanças...Não temos uma cultura de Reforma, temos é uma cultura de Revolução que continua muito presente...Daí que seja necessário representar a decadência para se poder fazer uma simulação da revolução que, na realidade, não é mais que reformas minúsculas».
AS CAUSAS COMUNS são um catalisador da participação social, são (elas sim) um efectivo dinamizador da auto-estima, da mobilização dos cidadãos, do funcionamento da sociedade. Todos temos que pensar mais no que podemos fazer para melhorar as coisas. O sentido do voto, seja ele qual fôr, é sempre esse. O regime democrático pressupõe historicamente a expectativa de uma evolução nos padrões de vida. Ninguém gosta de governar para criar dificuldades à vida dos governados. E, no entanto, isso às vezes acontece.
A CRISE DO ESTADO PROVIDÊNCIA é a origem de muitas mini crises do nosso dia-a-dia e é o pano de fundo que está sempre presente em qualquer análise da realidade. As pessoas querem saber coisas concretas sobre o seu bem-estar presente e futuro e acham tudo o resto temas secundários. Por isso mesmo a nossa maior urgência é conseguir estudar a fundo as transformações que ocorreram, todas as mudanças que ainda estamos a viver, para conseguirmos criar um novo modelo de sociedade que funcione. Que seja efectivo e solidário. No fundo é este o desafio de uma geração.
QUANDO A DIREITA deixa criar angústias várias sobre as expectativas das pessoas em relação ao seu bem-estar , está a entregar a bandeira do social à esquerda. Basta olharmos para a nossa História recente para vermos como esse é dos mais importantes argumentos políticos. Conjugar um modelo de desenvolvimento, com um panorama de estabilidade política e conseguir fazer tudo isto conseguindo efectivamente melhorar a vida do dia-adia das pessoas é o maior desafio político que se coloca à sociedade e aos partidos.
O QUOTIDIANO é o factor inconsciente na hora do voto. As pessoas que trabalham por conta de outrem, a maioria do eleitorado, sabe que não protagoniza evasão fiscal : paga impostos, directos e indirectos, que regra geral considera elevados e muitas vezes não vê retorno para o investimento que por essa via faz no Estado. Queixa-se das dificuldades de emprego, dos cuidados de saúde, do estado da justiça, da instabilidade da educação. A verdade é que o modelo de Estado em que cresceram lhes está a flahar e isto é um dos maiores problemas que enfrentamos. Em Portugal qualquer política e qualquer reforma começa por trazer complicações às classes médias, na verdade traz dificuldades mais depressa que benefícios e esse é um dos grandes factores de instabilidade política e social. Reflectir sobre isto é fundamental.
NÃO HÁ GRANDES DIFERENÇAS entre o PSD e o PS a não ser de estilo. De facto, na esmagadora maioria dos assuntos do dia-a-dia, nacional ou internacional, há nuances mas não há divergências gritantes. Muitas vezes é na forma de concretizar conceitos que surgem divergências. E há, é claro, estilos diferentes, a começar pela gestão das finanças públicas.
O ROTATIVISMO de finais do século XIX está outra vez em grande força entre nós no início do século XXI. Em comum existe uma decadência do funcionamento da sociedade, uma crise evidente do modelo de Estado, coisas que por si só contribuerm para a instabilidade de objectivos e de projectos, para a variação de políticas, a paralisação das sociedades, a frustração dos cidadãos.
REFORMULAR O PAPEL DO ESTADO é a ideia chave defendida numa curiosa entrevista ao «El País», entre nós publicada pela «Visão», dada pelo filósofo francês Pierre Rosanvallon. As suas observações sobre as mudanças ocorridas no sistema político e partidário (por exemplo: «falou-se muito do final do comunismo, mas não reflectimos o suficiente sobre o final do modelo social-democrata») são certeiras.
A DECADÊNCIA das sociedades decorre da impotência na resolução dos principais problemas que a atravessam, diz o filósofo e, sublinha, cito: «como não sabemos lidar com o reformismo, esperamos a chegada do Apocalipse para podermos fazer as mudanças...Não temos uma cultura de Reforma, temos é uma cultura de Revolução que continua muito presente...Daí que seja necessário representar a decadência para se poder fazer uma simulação da revolução que, na realidade, não é mais que reformas minúsculas».
AS CAUSAS COMUNS são um catalisador da participação social, são (elas sim) um efectivo dinamizador da auto-estima, da mobilização dos cidadãos, do funcionamento da sociedade. Todos temos que pensar mais no que podemos fazer para melhorar as coisas. O sentido do voto, seja ele qual fôr, é sempre esse. O regime democrático pressupõe historicamente a expectativa de uma evolução nos padrões de vida. Ninguém gosta de governar para criar dificuldades à vida dos governados. E, no entanto, isso às vezes acontece.
A CRISE DO ESTADO PROVIDÊNCIA é a origem de muitas mini crises do nosso dia-a-dia e é o pano de fundo que está sempre presente em qualquer análise da realidade. As pessoas querem saber coisas concretas sobre o seu bem-estar presente e futuro e acham tudo o resto temas secundários. Por isso mesmo a nossa maior urgência é conseguir estudar a fundo as transformações que ocorreram, todas as mudanças que ainda estamos a viver, para conseguirmos criar um novo modelo de sociedade que funcione. Que seja efectivo e solidário. No fundo é este o desafio de uma geração.
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O DESAFIO DE UMA GERAÇÃO (da edição de ontem do «Jornal de Negócios»)
QUANDO A DIREITA deixa criar angústias várias sobre as expectativas das pessoas em relação ao seu bem-estar , está a entregar a bandeira do social à esquerda. Basta olharmos para a nossa História recente para vermos como esse é dos mais importantes argumentos políticos. Conjugar um modelo de desenvolvimento, com um panorama de estabilidade política e conseguir fazer tudo isto conseguindo efectivamente melhorar a vida do dia-adia das pessoas é o maior desafio político que se coloca à sociedade e aos partidos.
O QUOTIDIANO é o factor inconsciente na hora do voto. As pessoas que trabalham por conta de outrem, a maioria do eleitorado, sabe que não protagoniza evasão fiscal : paga impostos, directos e indirectos, que regra geral considera elevados e muitas vezes não vê retorno para o investimento que por essa via faz no Estado. Queixa-se das dificuldades de emprego, dos cuidados de saúde, do estado da justiça, da instabilidade da educação. A verdade é que o modelo de Estado em que cresceram lhes está a flahar e isto é um dos maiores problemas que enfrentamos. Em Portugal qualquer política e qualquer reforma começa por trazer complicações às classes médias, na verdade traz dificuldades mais depressa que benefícios e esse é um dos grandes factores de instabilidade política e social. Reflectir sobre isto é fundamental.
NÃO HÁ GRANDES DIFERENÇAS entre o PSD e o PS a não ser de estilo. De facto, na esmagadora maioria dos assuntos do dia-a-dia, nacional ou internacional, há nuances mas não há divergências gritantes. Muitas vezes é na forma de concretizar conceitos que surgem divergências. E há, é claro, estilos diferentes, a começar pela gestão das finanças públicas.
O ROTATIVISMO de finais do século XIX está outra vez em grande força entre nós no início do século XXI. Em comum existe uma decadência do funcionamento da sociedade, uma crise evidente do modelo de Estado, coisas que por si só contribuerm para a instabilidade de objectivos e de projectos, para a variação de políticas, a paralisação das sociedades, a frustração dos cidadãos.
REFORMULAR O PAPEL DO ESTADO é a ideia chave defendida numa curiosa entrevista ao «El País», entre nós publicada pela «Visão», dada pelo filósofo francês Pierre Rosanvallon. As suas observações sobre as mudanças ocorridas no sistema político e partidário (por exemplo: «falou-se muito do final do comunismo, mas não reflectimos o suficiente sobre o final do modelo social-democrata») são certeiras.
A DECADÊNCIA das sociedades decorre da impotência na resolução dos principais problemas que a atravessam, diz o filósofo e, sublinha, cito: «como não sabemos lidar com o reformismo, esperamos a chegada do Apocalipse para podermos fazer as mudanças...Não temos uma cultura de Reforma, temos é uma cultura de Revolução que continua muito presente...Daí que seja necessário representar a decadência para se poder fazer uma simulação da revolução que, na realidade, não é mais que reformas minúsculas».
AS CAUSAS COMUNS são um catalisador da participação social, são (elas sim) um efectivo dinamizador da auto-estima, da mobilização dos cidadãos, do funcionamento da sociedade. Todos temos que pensar mais no que podemos fazer para melhorar as coisas. O sentido do voto, seja ele qual fôr, é sempre esse. O regime democrático pressupõe historicamente a expectativa de uma evolução nos padrões de vida. Ninguém gosta de governar para criar dificuldades à vida dos governados. E, no entanto, isso às vezes acontece.
A CRISE DO ESTADO PROVIDÊNCIA é a origem de muitas mini crises do nosso dia-a-dia e é o pano de fundo que está sempre presente em qualquer análise da realidade. As pessoas querem saber coisas concretas sobre o seu bem-estar presente e futuro e acham tudo o resto temas secundários. Por isso mesmo a nossa maior urgência é conseguir estudar a fundo as transformações que ocorreram, todas as mudanças que ainda estamos a viver, para conseguirmos criar um novo modelo de sociedade que funcione. Que seja efectivo e solidário. No fundo é este o desafio de uma geração.
QUANDO A DIREITA deixa criar angústias várias sobre as expectativas das pessoas em relação ao seu bem-estar , está a entregar a bandeira do social à esquerda. Basta olharmos para a nossa História recente para vermos como esse é dos mais importantes argumentos políticos. Conjugar um modelo de desenvolvimento, com um panorama de estabilidade política e conseguir fazer tudo isto conseguindo efectivamente melhorar a vida do dia-adia das pessoas é o maior desafio político que se coloca à sociedade e aos partidos.
O QUOTIDIANO é o factor inconsciente na hora do voto. As pessoas que trabalham por conta de outrem, a maioria do eleitorado, sabe que não protagoniza evasão fiscal : paga impostos, directos e indirectos, que regra geral considera elevados e muitas vezes não vê retorno para o investimento que por essa via faz no Estado. Queixa-se das dificuldades de emprego, dos cuidados de saúde, do estado da justiça, da instabilidade da educação. A verdade é que o modelo de Estado em que cresceram lhes está a flahar e isto é um dos maiores problemas que enfrentamos. Em Portugal qualquer política e qualquer reforma começa por trazer complicações às classes médias, na verdade traz dificuldades mais depressa que benefícios e esse é um dos grandes factores de instabilidade política e social. Reflectir sobre isto é fundamental.
NÃO HÁ GRANDES DIFERENÇAS entre o PSD e o PS a não ser de estilo. De facto, na esmagadora maioria dos assuntos do dia-a-dia, nacional ou internacional, há nuances mas não há divergências gritantes. Muitas vezes é na forma de concretizar conceitos que surgem divergências. E há, é claro, estilos diferentes, a começar pela gestão das finanças públicas.
O ROTATIVISMO de finais do século XIX está outra vez em grande força entre nós no início do século XXI. Em comum existe uma decadência do funcionamento da sociedade, uma crise evidente do modelo de Estado, coisas que por si só contribuerm para a instabilidade de objectivos e de projectos, para a variação de políticas, a paralisação das sociedades, a frustração dos cidadãos.
REFORMULAR O PAPEL DO ESTADO é a ideia chave defendida numa curiosa entrevista ao «El País», entre nós publicada pela «Visão», dada pelo filósofo francês Pierre Rosanvallon. As suas observações sobre as mudanças ocorridas no sistema político e partidário (por exemplo: «falou-se muito do final do comunismo, mas não reflectimos o suficiente sobre o final do modelo social-democrata») são certeiras.
A DECADÊNCIA das sociedades decorre da impotência na resolução dos principais problemas que a atravessam, diz o filósofo e, sublinha, cito: «como não sabemos lidar com o reformismo, esperamos a chegada do Apocalipse para podermos fazer as mudanças...Não temos uma cultura de Reforma, temos é uma cultura de Revolução que continua muito presente...Daí que seja necessário representar a decadência para se poder fazer uma simulação da revolução que, na realidade, não é mais que reformas minúsculas».
AS CAUSAS COMUNS são um catalisador da participação social, são (elas sim) um efectivo dinamizador da auto-estima, da mobilização dos cidadãos, do funcionamento da sociedade. Todos temos que pensar mais no que podemos fazer para melhorar as coisas. O sentido do voto, seja ele qual fôr, é sempre esse. O regime democrático pressupõe historicamente a expectativa de uma evolução nos padrões de vida. Ninguém gosta de governar para criar dificuldades à vida dos governados. E, no entanto, isso às vezes acontece.
A CRISE DO ESTADO PROVIDÊNCIA é a origem de muitas mini crises do nosso dia-a-dia e é o pano de fundo que está sempre presente em qualquer análise da realidade. As pessoas querem saber coisas concretas sobre o seu bem-estar presente e futuro e acham tudo o resto temas secundários. Por isso mesmo a nossa maior urgência é conseguir estudar a fundo as transformações que ocorreram, todas as mudanças que ainda estamos a viver, para conseguirmos criar um novo modelo de sociedade que funcione. Que seja efectivo e solidário. No fundo é este o desafio de uma geração.
maio 17, 2004
maio 14, 2004
FOTOS DO MIRROR ERAM FALSAS - EDITOR DESPEDIDO
Piers Morgan foi demitido de editor do «Daily Mirror» depois de se ter provado serem falsas as imagens publicadas pelo jornal como sendo de soldados britânicos e torturem prisionairos iraquianos. A BBC News sublinha que o jornal apresentou desculpas públicas ao batalhão acusado. Excerto: The newspaper released a statement saying: "The Daily Mirror published in good faith photographs which it absolutely believed were genuine images of British soldiers abusing an Iraqi prisoner.
"However there is now sufficient evidence to suggest that these pictures are fakes and that the Daily Mirror has been the subject of a calculated and malicious hoax.
"The Daily Mirror therefore apologises unreservedly for publishing the pictures and deeply regrets the reputational damage done to the QLR and the Army in Iraq.
"The paper will continue to cooperate fully with the investigation.
"The board of Trinity Mirror has decided that it would be inappropriate for Piers Morgan to continue in his role as editor of the Daily Mirror and he will therefore be stepping down with immediate effect."
Piers Morgan foi demitido de editor do «Daily Mirror» depois de se ter provado serem falsas as imagens publicadas pelo jornal como sendo de soldados britânicos e torturem prisionairos iraquianos. A BBC News sublinha que o jornal apresentou desculpas públicas ao batalhão acusado. Excerto: The newspaper released a statement saying: "The Daily Mirror published in good faith photographs which it absolutely believed were genuine images of British soldiers abusing an Iraqi prisoner.
"However there is now sufficient evidence to suggest that these pictures are fakes and that the Daily Mirror has been the subject of a calculated and malicious hoax.
"The Daily Mirror therefore apologises unreservedly for publishing the pictures and deeply regrets the reputational damage done to the QLR and the Army in Iraq.
"The paper will continue to cooperate fully with the investigation.
"The board of Trinity Mirror has decided that it would be inappropriate for Piers Morgan to continue in his role as editor of the Daily Mirror and he will therefore be stepping down with immediate effect."
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FOTOS DO MIRROR ERAM FALSAS - EDITOR DESPEDIDO
Piers Morgan foi demitido de editor do «Daily Mirror» depois de se ter provado serem falsas as imagens publicadas pelo jornal como sendo de soldados britânicos e torturem prisionairos iraquianos. A BBC News sublinha que o jornal apresentou desculpas públicas ao batalhão acusado. Excerto: The newspaper released a statement saying: "The Daily Mirror published in good faith photographs which it absolutely believed were genuine images of British soldiers abusing an Iraqi prisoner.
"However there is now sufficient evidence to suggest that these pictures are fakes and that the Daily Mirror has been the subject of a calculated and malicious hoax.
"The Daily Mirror therefore apologises unreservedly for publishing the pictures and deeply regrets the reputational damage done to the QLR and the Army in Iraq.
"The paper will continue to cooperate fully with the investigation.
"The board of Trinity Mirror has decided that it would be inappropriate for Piers Morgan to continue in his role as editor of the Daily Mirror and he will therefore be stepping down with immediate effect."
Piers Morgan foi demitido de editor do «Daily Mirror» depois de se ter provado serem falsas as imagens publicadas pelo jornal como sendo de soldados britânicos e torturem prisionairos iraquianos. A BBC News sublinha que o jornal apresentou desculpas públicas ao batalhão acusado. Excerto: The newspaper released a statement saying: "The Daily Mirror published in good faith photographs which it absolutely believed were genuine images of British soldiers abusing an Iraqi prisoner.
"However there is now sufficient evidence to suggest that these pictures are fakes and that the Daily Mirror has been the subject of a calculated and malicious hoax.
"The Daily Mirror therefore apologises unreservedly for publishing the pictures and deeply regrets the reputational damage done to the QLR and the Army in Iraq.
"The paper will continue to cooperate fully with the investigation.
"The board of Trinity Mirror has decided that it would be inappropriate for Piers Morgan to continue in his role as editor of the Daily Mirror and he will therefore be stepping down with immediate effect."
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A DIFERENÇA
Existem três coisas que fazem toda a diferença num restaurante: o serviço, a qualidade e novidade da cozinha, e a conversa que a companhia proporciona. Às vezes nem me lembro das duas primeiras. Ainda há surpresas.
Existem três coisas que fazem toda a diferença num restaurante: o serviço, a qualidade e novidade da cozinha, e a conversa que a companhia proporciona. Às vezes nem me lembro das duas primeiras. Ainda há surpresas.
ESQUINA NO JORNAL
Como hoje é sexta, «A Esquina» está no «Jornal de Negócios». Excertos:LIVROS – Tal como noutros países, «O Código Da Vinci», de Dan Brown, está no primeiro lugar dos livros mais vendidos em Portugal. A obra, entre outras coisas, debruça-se sobre a influência (muitas vezes escondida) de algumas sociedades secretas no mundo contemporâneo. É uma influência, como se poderá verificar no livro, apesar de ser uma obra de ficção, perfeitamente transversal. A força destas organizações em Portugal é também enorme – desde orgãos de poder (do central às maiores autarquias), passando pela banca ou pelos media. O pior é que é uma influência que se faz de forma camuflada, em nome de princípios sempre semi-escondidos, com objectivos as mais das vezes incompreensíveis fora do contexto do proveito próprio. Criadas, em tempos, para defender uma ideia ou garantir a possibilidade de se pensar livremente, a maioria destas sociedades acabou por se tornar numa cadeia de mecanismos de pressão e de limitação do livre pensamento (através da imposição de dogmas ou fidelidades), desenvolvendo entidades fortes, com uma enorme vantagem prática sobre outras formas de organização, nomeadamente os partidos: desde o início souberam o que era funcionar em rêde, conciliando influência com poder. A grande questão é que são núcleos externos à sociedade, fugindo ao seu controlo. Tornaram-se lobbies instrumentais para muita gente, já longe de qualquer ideial. É, no fundo, também, um entrave ao livre pensamento.
DISCOS – Uma consulta à lista dos discos mais vendidos em Portugal nas últimas semanas mostra na lista do «top ten» nomes como Diana Krall, José Mário Branco, Elis Regina, Norah Jones ou Caetano Veloso, já para não falar em Russell Watson. Que tem isto de especial, sendo estes seis exemplos nomes de referência? Será que o povo começou a comprar boa música e que o top passou a ter uma relação de qualidade (apesar de no caso do mais recente disco de Caetano e do de Watson isso ser mais que discutível...)?. Penso bem que a lista mostra outra coisa – os mais novos quase desertaram das discotecas - na lista apenas Anastasia, Evanescense e Black Eyed Peas reflectem o padrão de consumo típico de música de há três anos atrás. Ou seja, o que se torna evidente é que os adolescentes passaram a ir buscar a sua música à Internet, saindo das discotecas, e apenas os mais velhos (provavelmente por dificuldades no manuseamento da tecnologia) continuam a comprar discos em quantidade. O facto é que há uns anos atrás quase não se vendiam discos para público acima dos 35 anos, e que agora surgiu uma nova geração de artistas, muito baseada no soft jazz, que redespertou de para a compra de discos um público que não tinha esse hábito de consumo. Como sempre tem acontecido isto há-de ter consequências a outro nível – desde as play list das rádios até à própria programação de música na televisão. Aqui está uma coisa interessante de seguir.
Como hoje é sexta, «A Esquina» está no «Jornal de Negócios». Excertos:LIVROS – Tal como noutros países, «O Código Da Vinci», de Dan Brown, está no primeiro lugar dos livros mais vendidos em Portugal. A obra, entre outras coisas, debruça-se sobre a influência (muitas vezes escondida) de algumas sociedades secretas no mundo contemporâneo. É uma influência, como se poderá verificar no livro, apesar de ser uma obra de ficção, perfeitamente transversal. A força destas organizações em Portugal é também enorme – desde orgãos de poder (do central às maiores autarquias), passando pela banca ou pelos media. O pior é que é uma influência que se faz de forma camuflada, em nome de princípios sempre semi-escondidos, com objectivos as mais das vezes incompreensíveis fora do contexto do proveito próprio. Criadas, em tempos, para defender uma ideia ou garantir a possibilidade de se pensar livremente, a maioria destas sociedades acabou por se tornar numa cadeia de mecanismos de pressão e de limitação do livre pensamento (através da imposição de dogmas ou fidelidades), desenvolvendo entidades fortes, com uma enorme vantagem prática sobre outras formas de organização, nomeadamente os partidos: desde o início souberam o que era funcionar em rêde, conciliando influência com poder. A grande questão é que são núcleos externos à sociedade, fugindo ao seu controlo. Tornaram-se lobbies instrumentais para muita gente, já longe de qualquer ideial. É, no fundo, também, um entrave ao livre pensamento.
DISCOS – Uma consulta à lista dos discos mais vendidos em Portugal nas últimas semanas mostra na lista do «top ten» nomes como Diana Krall, José Mário Branco, Elis Regina, Norah Jones ou Caetano Veloso, já para não falar em Russell Watson. Que tem isto de especial, sendo estes seis exemplos nomes de referência? Será que o povo começou a comprar boa música e que o top passou a ter uma relação de qualidade (apesar de no caso do mais recente disco de Caetano e do de Watson isso ser mais que discutível...)?. Penso bem que a lista mostra outra coisa – os mais novos quase desertaram das discotecas - na lista apenas Anastasia, Evanescense e Black Eyed Peas reflectem o padrão de consumo típico de música de há três anos atrás. Ou seja, o que se torna evidente é que os adolescentes passaram a ir buscar a sua música à Internet, saindo das discotecas, e apenas os mais velhos (provavelmente por dificuldades no manuseamento da tecnologia) continuam a comprar discos em quantidade. O facto é que há uns anos atrás quase não se vendiam discos para público acima dos 35 anos, e que agora surgiu uma nova geração de artistas, muito baseada no soft jazz, que redespertou de para a compra de discos um público que não tinha esse hábito de consumo. Como sempre tem acontecido isto há-de ter consequências a outro nível – desde as play list das rádios até à própria programação de música na televisão. Aqui está uma coisa interessante de seguir.
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Como hoje é sexta, «A Esquina» está no «Jornal de Negócios». Excertos:LIVROS – Tal como noutros países, «O Código Da Vinci», de Dan Brown, está no primeiro lugar dos livros mais vendidos em Portugal. A obra, entre outras coisas, debruça-se sobre a influência (muitas vezes escondida) de algumas sociedades secretas no mundo contemporâneo. É uma influência, como se poderá verificar no livro, apesar de ser uma obra de ficção, perfeitamente transversal. A força destas organizações em Portugal é também enorme – desde orgãos de poder (do central às maiores autarquias), passando pela banca ou pelos media. O pior é que é uma influência que se faz de forma camuflada, em nome de princípios sempre semi-escondidos, com objectivos as mais das vezes incompreensíveis fora do contexto do proveito próprio. Criadas, em tempos, para defender uma ideia ou garantir a possibilidade de se pensar livremente, a maioria destas sociedades acabou por se tornar numa cadeia de mecanismos de pressão e de limitação do livre pensamento (através da imposição de dogmas ou fidelidades), desenvolvendo entidades fortes, com uma enorme vantagem prática sobre outras formas de organização, nomeadamente os partidos: desde o início souberam o que era funcionar em rêde, conciliando influência com poder. A grande questão é que são núcleos externos à sociedade, fugindo ao seu controlo. Tornaram-se lobbies instrumentais para muita gente, já longe de qualquer ideial. É, no fundo, também, um entrave ao livre pensamento.
DISCOS – Uma consulta à lista dos discos mais vendidos em Portugal nas últimas semanas mostra na lista do «top ten» nomes como Diana Krall, José Mário Branco, Elis Regina, Norah Jones ou Caetano Veloso, já para não falar em Russell Watson. Que tem isto de especial, sendo estes seis exemplos nomes de referência? Será que o povo começou a comprar boa música e que o top passou a ter uma relação de qualidade (apesar de no caso do mais recente disco de Caetano e do de Watson isso ser mais que discutível...)?. Penso bem que a lista mostra outra coisa – os mais novos quase desertaram das discotecas - na lista apenas Anastasia, Evanescense e Black Eyed Peas reflectem o padrão de consumo típico de música de há três anos atrás. Ou seja, o que se torna evidente é que os adolescentes passaram a ir buscar a sua música à Internet, saindo das discotecas, e apenas os mais velhos (provavelmente por dificuldades no manuseamento da tecnologia) continuam a comprar discos em quantidade. O facto é que há uns anos atrás quase não se vendiam discos para público acima dos 35 anos, e que agora surgiu uma nova geração de artistas, muito baseada no soft jazz, que redespertou de para a compra de discos um público que não tinha esse hábito de consumo. Como sempre tem acontecido isto há-de ter consequências a outro nível – desde as play list das rádios até à própria programação de música na televisão. Aqui está uma coisa interessante de seguir.
Como hoje é sexta, «A Esquina» está no «Jornal de Negócios». Excertos:LIVROS – Tal como noutros países, «O Código Da Vinci», de Dan Brown, está no primeiro lugar dos livros mais vendidos em Portugal. A obra, entre outras coisas, debruça-se sobre a influência (muitas vezes escondida) de algumas sociedades secretas no mundo contemporâneo. É uma influência, como se poderá verificar no livro, apesar de ser uma obra de ficção, perfeitamente transversal. A força destas organizações em Portugal é também enorme – desde orgãos de poder (do central às maiores autarquias), passando pela banca ou pelos media. O pior é que é uma influência que se faz de forma camuflada, em nome de princípios sempre semi-escondidos, com objectivos as mais das vezes incompreensíveis fora do contexto do proveito próprio. Criadas, em tempos, para defender uma ideia ou garantir a possibilidade de se pensar livremente, a maioria destas sociedades acabou por se tornar numa cadeia de mecanismos de pressão e de limitação do livre pensamento (através da imposição de dogmas ou fidelidades), desenvolvendo entidades fortes, com uma enorme vantagem prática sobre outras formas de organização, nomeadamente os partidos: desde o início souberam o que era funcionar em rêde, conciliando influência com poder. A grande questão é que são núcleos externos à sociedade, fugindo ao seu controlo. Tornaram-se lobbies instrumentais para muita gente, já longe de qualquer ideial. É, no fundo, também, um entrave ao livre pensamento.
DISCOS – Uma consulta à lista dos discos mais vendidos em Portugal nas últimas semanas mostra na lista do «top ten» nomes como Diana Krall, José Mário Branco, Elis Regina, Norah Jones ou Caetano Veloso, já para não falar em Russell Watson. Que tem isto de especial, sendo estes seis exemplos nomes de referência? Será que o povo começou a comprar boa música e que o top passou a ter uma relação de qualidade (apesar de no caso do mais recente disco de Caetano e do de Watson isso ser mais que discutível...)?. Penso bem que a lista mostra outra coisa – os mais novos quase desertaram das discotecas - na lista apenas Anastasia, Evanescense e Black Eyed Peas reflectem o padrão de consumo típico de música de há três anos atrás. Ou seja, o que se torna evidente é que os adolescentes passaram a ir buscar a sua música à Internet, saindo das discotecas, e apenas os mais velhos (provavelmente por dificuldades no manuseamento da tecnologia) continuam a comprar discos em quantidade. O facto é que há uns anos atrás quase não se vendiam discos para público acima dos 35 anos, e que agora surgiu uma nova geração de artistas, muito baseada no soft jazz, que redespertou de para a compra de discos um público que não tinha esse hábito de consumo. Como sempre tem acontecido isto há-de ter consequências a outro nível – desde as play list das rádios até à própria programação de música na televisão. Aqui está uma coisa interessante de seguir.
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