A ROSA
Não conheço a Eva Ruivo. Gostava de a conhecer. Querem saber porquê?
Nasceu em Lisboa, em 1963. Publicou um livro, em 1994, chamado «Rosa de Jericó»
Reparem:
«Perdoa, não é a falta do dinheiro
essa extravagância, nem o apetite
inconsolável de azul, voraz, sim,
gulosa do teu sexo quando a tensão
mo permite rasgo de mim
a pele o nervo a gruta os versos.
Anoto as árvores que caem, obsessiva,
debaixo do rodado de automóveis
dei-te tudo, possessiva, e fiquei
sem folhas, mas ri, atapetando
a traça dorida de teus passos
mordidos pela época e pelo trânsito.
*
Confesso: às vezes somente
a voz da tua pele apela
às verdades dormentes
ou opressas debaixo
da máquina do pensamento,
mas eu não te deixo.
Confesso: qualquer vestido
modesto de elementar singeleza
sublinhará a face sem adereços
da tua infanta, a silhueta
escondida será uma adivinha,
minha aura velada de leveza.
Confesso: nesta hora ébria
de contigo regressar à perdida
infância que resguarda
a inocência da desconfiança...
faz-me uma festa, fala comigo:
saudades eu tenho, de chorar.»
Roubei o poema do blog do Rui
O que vou escrevendo, entre o Weekend do Jornal de Negócios e os Pensamentos Ociosos no SAPO. E mais umas coisas avulsas...
julho 20, 2003
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A ROSA
Não conheço a Eva Ruivo. Gostava de a conhecer. Querem saber porquê?
Nasceu em Lisboa, em 1963. Publicou um livro, em 1994, chamado «Rosa de Jericó»
Reparem:
«Perdoa, não é a falta do dinheiro
essa extravagância, nem o apetite
inconsolável de azul, voraz, sim,
gulosa do teu sexo quando a tensão
mo permite rasgo de mim
a pele o nervo a gruta os versos.
Anoto as árvores que caem, obsessiva,
debaixo do rodado de automóveis
dei-te tudo, possessiva, e fiquei
sem folhas, mas ri, atapetando
a traça dorida de teus passos
mordidos pela época e pelo trânsito.
*
Confesso: às vezes somente
a voz da tua pele apela
às verdades dormentes
ou opressas debaixo
da máquina do pensamento,
mas eu não te deixo.
Confesso: qualquer vestido
modesto de elementar singeleza
sublinhará a face sem adereços
da tua infanta, a silhueta
escondida será uma adivinha,
minha aura velada de leveza.
Confesso: nesta hora ébria
de contigo regressar à perdida
infância que resguarda
a inocência da desconfiança...
faz-me uma festa, fala comigo:
saudades eu tenho, de chorar.»
Roubei o poema do blog do Rui
Não conheço a Eva Ruivo. Gostava de a conhecer. Querem saber porquê?
Nasceu em Lisboa, em 1963. Publicou um livro, em 1994, chamado «Rosa de Jericó»
Reparem:
«Perdoa, não é a falta do dinheiro
essa extravagância, nem o apetite
inconsolável de azul, voraz, sim,
gulosa do teu sexo quando a tensão
mo permite rasgo de mim
a pele o nervo a gruta os versos.
Anoto as árvores que caem, obsessiva,
debaixo do rodado de automóveis
dei-te tudo, possessiva, e fiquei
sem folhas, mas ri, atapetando
a traça dorida de teus passos
mordidos pela época e pelo trânsito.
*
Confesso: às vezes somente
a voz da tua pele apela
às verdades dormentes
ou opressas debaixo
da máquina do pensamento,
mas eu não te deixo.
Confesso: qualquer vestido
modesto de elementar singeleza
sublinhará a face sem adereços
da tua infanta, a silhueta
escondida será uma adivinha,
minha aura velada de leveza.
Confesso: nesta hora ébria
de contigo regressar à perdida
infância que resguarda
a inocência da desconfiança...
faz-me uma festa, fala comigo:
saudades eu tenho, de chorar.»
Roubei o poema do blog do Rui
julho 19, 2003
É BOM ASSIM
Gosto das coisas que acabam em bem. Gosto muito dos meus amigos que me dão a alegria de viver a diferença. Por isso mesmo gostei de ver que o «DNA», depois de iniciada a polémica blogs/imprensa, publica agora a página «Bloguices», com um roteiro varíável da blogosfera, espécie de guia de entrada a este universo, que o excerto abaixo extraído do Aviz tão bem relata.
E já que estamos no «DNA», nesta edição recomenda-se vivamente a entrevista que Anabela Mota Ribeiro fez ao publicitário e agitador (é sempre isto que ele, sobretudo, me pareceu) Pedro Bidarra.
Gosto das coisas que acabam em bem. Gosto muito dos meus amigos que me dão a alegria de viver a diferença. Por isso mesmo gostei de ver que o «DNA», depois de iniciada a polémica blogs/imprensa, publica agora a página «Bloguices», com um roteiro varíável da blogosfera, espécie de guia de entrada a este universo, que o excerto abaixo extraído do Aviz tão bem relata.
E já que estamos no «DNA», nesta edição recomenda-se vivamente a entrevista que Anabela Mota Ribeiro fez ao publicitário e agitador (é sempre isto que ele, sobretudo, me pareceu) Pedro Bidarra.
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É BOM ASSIM
Gosto das coisas que acabam em bem. Gosto muito dos meus amigos que me dão a alegria de viver a diferença. Por isso mesmo gostei de ver que o «DNA», depois de iniciada a polémica blogs/imprensa, publica agora a página «Bloguices», com um roteiro varíável da blogosfera, espécie de guia de entrada a este universo, que o excerto abaixo extraído do Aviz tão bem relata.
E já que estamos no «DNA», nesta edição recomenda-se vivamente a entrevista que Anabela Mota Ribeiro fez ao publicitário e agitador (é sempre isto que ele, sobretudo, me pareceu) Pedro Bidarra.
Gosto das coisas que acabam em bem. Gosto muito dos meus amigos que me dão a alegria de viver a diferença. Por isso mesmo gostei de ver que o «DNA», depois de iniciada a polémica blogs/imprensa, publica agora a página «Bloguices», com um roteiro varíável da blogosfera, espécie de guia de entrada a este universo, que o excerto abaixo extraído do Aviz tão bem relata.
E já que estamos no «DNA», nesta edição recomenda-se vivamente a entrevista que Anabela Mota Ribeiro fez ao publicitário e agitador (é sempre isto que ele, sobretudo, me pareceu) Pedro Bidarra.
A SABEDORIA DE AVIZ
«Há nos blogs uma fragilidade muito evidente: são coisas que se escrevem porque sim, porque apetece naquele momento, porque nos lembramos, porque alguém falou disso, porque a ventania vem do lado do mar, porque o pó se levantou no meio do deserto em frases curtas, em textos longos, ou porque começou a chover no domingo. Essa fragilidade é um bem porque podemos discutir com ela — ou comover-nos. Ah, mas claro que a comoção é um perigo, tal como a pieguice, a lamechice, o horror aos outros, sim, claro que é. Mas pior do que isso vão ser os blogs dos deputados quando o parlamento publicar o livro de estilo (será como o código de conduta do Expresso?). ». Estas sábias palavras vêm da planície, de
Aviz e merecem ser lidas e relidas. Obrigado Francisco.
«Há nos blogs uma fragilidade muito evidente: são coisas que se escrevem porque sim, porque apetece naquele momento, porque nos lembramos, porque alguém falou disso, porque a ventania vem do lado do mar, porque o pó se levantou no meio do deserto em frases curtas, em textos longos, ou porque começou a chover no domingo. Essa fragilidade é um bem porque podemos discutir com ela — ou comover-nos. Ah, mas claro que a comoção é um perigo, tal como a pieguice, a lamechice, o horror aos outros, sim, claro que é. Mas pior do que isso vão ser os blogs dos deputados quando o parlamento publicar o livro de estilo (será como o código de conduta do Expresso?). ». Estas sábias palavras vêm da planície, de
Aviz e merecem ser lidas e relidas. Obrigado Francisco.
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A SABEDORIA DE AVIZ
«Há nos blogs uma fragilidade muito evidente: são coisas que se escrevem porque sim, porque apetece naquele momento, porque nos lembramos, porque alguém falou disso, porque a ventania vem do lado do mar, porque o pó se levantou no meio do deserto em frases curtas, em textos longos, ou porque começou a chover no domingo. Essa fragilidade é um bem porque podemos discutir com ela — ou comover-nos. Ah, mas claro que a comoção é um perigo, tal como a pieguice, a lamechice, o horror aos outros, sim, claro que é. Mas pior do que isso vão ser os blogs dos deputados quando o parlamento publicar o livro de estilo (será como o código de conduta do Expresso?). ». Estas sábias palavras vêm da planície, de
Aviz e merecem ser lidas e relidas. Obrigado Francisco.
«Há nos blogs uma fragilidade muito evidente: são coisas que se escrevem porque sim, porque apetece naquele momento, porque nos lembramos, porque alguém falou disso, porque a ventania vem do lado do mar, porque o pó se levantou no meio do deserto em frases curtas, em textos longos, ou porque começou a chover no domingo. Essa fragilidade é um bem porque podemos discutir com ela — ou comover-nos. Ah, mas claro que a comoção é um perigo, tal como a pieguice, a lamechice, o horror aos outros, sim, claro que é. Mas pior do que isso vão ser os blogs dos deputados quando o parlamento publicar o livro de estilo (será como o código de conduta do Expresso?). ». Estas sábias palavras vêm da planície, de
Aviz e merecem ser lidas e relidas. Obrigado Francisco.
INCRÍVEL 3
Em qualquer jornal que comece a ler dou com o romance policial do Verão: a troca de piropos entre Pinto da Costa e a sua ex-mulher, Filomena. O caso foi iniciado no «Expresso» da mesma semana em que publicou o já célebre «Código de Conduta», mas agora percorre alegremente toda a imprensa. Não haverá mais nada do que relatar os insultos e agressões do dirigente portista?
Em qualquer jornal que comece a ler dou com o romance policial do Verão: a troca de piropos entre Pinto da Costa e a sua ex-mulher, Filomena. O caso foi iniciado no «Expresso» da mesma semana em que publicou o já célebre «Código de Conduta», mas agora percorre alegremente toda a imprensa. Não haverá mais nada do que relatar os insultos e agressões do dirigente portista?
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INCRÍVEL 3
Em qualquer jornal que comece a ler dou com o romance policial do Verão: a troca de piropos entre Pinto da Costa e a sua ex-mulher, Filomena. O caso foi iniciado no «Expresso» da mesma semana em que publicou o já célebre «Código de Conduta», mas agora percorre alegremente toda a imprensa. Não haverá mais nada do que relatar os insultos e agressões do dirigente portista?
Em qualquer jornal que comece a ler dou com o romance policial do Verão: a troca de piropos entre Pinto da Costa e a sua ex-mulher, Filomena. O caso foi iniciado no «Expresso» da mesma semana em que publicou o já célebre «Código de Conduta», mas agora percorre alegremente toda a imprensa. Não haverá mais nada do que relatar os insultos e agressões do dirigente portista?
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INCRÍVEL 2
O «Expresso» de hoje publica o boletim de férias da classe política, nas páginas 14 e 15, sob o título «Férias de tanga». É preciso ler para acreditar como a coscuvlhice serve para encher duas páginas.
O «Expresso» de hoje publica o boletim de férias da classe política, nas páginas 14 e 15, sob o título «Férias de tanga». É preciso ler para acreditar como a coscuvlhice serve para encher duas páginas.
INCRÍVEL 1
Estou sentado no terraço a folhear jornais. Por ser o primeiro dia de férias trouxe na molhada de papel o «Semanário». Já nem sabia que existia. Qualquer semelhança entre um jornal e aquela publicação é pura coincidência. Na capa há desde recados a campanhas, passando por especulações e suposições - que lá foram sendo impressas. Nem percebo quel o sentido disto: só deve ser mesmo lido nos gabinetes de ministérios e direcções-gerais e deve haver quem pense que é boa maneira de fazer chegar recados a alguém conseguir publicar alguma coisa no jornal. Já tinha reparado, desde há uns anos, que há muitos políticos (desde que estejam em posição de serem considerados «boas fontes») que usam esse método: descaem-se com uma afirmação, na altura apenas um desejo ou uma intenção, para que alguém a publique como verídica e se consiga, eventualmente, que o desejo se transforme em realidade porque alguém achou que já estava assim decidido. Também já reparei que alguns ministros telecomandam a governação de outros ministérios com farto recurso a este método. O maior especialista nessa prática, no entanto, não está neste Governo - estava no anterior. Aceitam-se apostas sobre o seu nome.
Estou sentado no terraço a folhear jornais. Por ser o primeiro dia de férias trouxe na molhada de papel o «Semanário». Já nem sabia que existia. Qualquer semelhança entre um jornal e aquela publicação é pura coincidência. Na capa há desde recados a campanhas, passando por especulações e suposições - que lá foram sendo impressas. Nem percebo quel o sentido disto: só deve ser mesmo lido nos gabinetes de ministérios e direcções-gerais e deve haver quem pense que é boa maneira de fazer chegar recados a alguém conseguir publicar alguma coisa no jornal. Já tinha reparado, desde há uns anos, que há muitos políticos (desde que estejam em posição de serem considerados «boas fontes») que usam esse método: descaem-se com uma afirmação, na altura apenas um desejo ou uma intenção, para que alguém a publique como verídica e se consiga, eventualmente, que o desejo se transforme em realidade porque alguém achou que já estava assim decidido. Também já reparei que alguns ministros telecomandam a governação de outros ministérios com farto recurso a este método. O maior especialista nessa prática, no entanto, não está neste Governo - estava no anterior. Aceitam-se apostas sobre o seu nome.
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INCRÍVEL 1
Estou sentado no terraço a folhear jornais. Por ser o primeiro dia de férias trouxe na molhada de papel o «Semanário». Já nem sabia que existia. Qualquer semelhança entre um jornal e aquela publicação é pura coincidência. Na capa há desde recados a campanhas, passando por especulações e suposições - que lá foram sendo impressas. Nem percebo quel o sentido disto: só deve ser mesmo lido nos gabinetes de ministérios e direcções-gerais e deve haver quem pense que é boa maneira de fazer chegar recados a alguém conseguir publicar alguma coisa no jornal. Já tinha reparado, desde há uns anos, que há muitos políticos (desde que estejam em posição de serem considerados «boas fontes») que usam esse método: descaem-se com uma afirmação, na altura apenas um desejo ou uma intenção, para que alguém a publique como verídica e se consiga, eventualmente, que o desejo se transforme em realidade porque alguém achou que já estava assim decidido. Também já reparei que alguns ministros telecomandam a governação de outros ministérios com farto recurso a este método. O maior especialista nessa prática, no entanto, não está neste Governo - estava no anterior. Aceitam-se apostas sobre o seu nome.
Estou sentado no terraço a folhear jornais. Por ser o primeiro dia de férias trouxe na molhada de papel o «Semanário». Já nem sabia que existia. Qualquer semelhança entre um jornal e aquela publicação é pura coincidência. Na capa há desde recados a campanhas, passando por especulações e suposições - que lá foram sendo impressas. Nem percebo quel o sentido disto: só deve ser mesmo lido nos gabinetes de ministérios e direcções-gerais e deve haver quem pense que é boa maneira de fazer chegar recados a alguém conseguir publicar alguma coisa no jornal. Já tinha reparado, desde há uns anos, que há muitos políticos (desde que estejam em posição de serem considerados «boas fontes») que usam esse método: descaem-se com uma afirmação, na altura apenas um desejo ou uma intenção, para que alguém a publique como verídica e se consiga, eventualmente, que o desejo se transforme em realidade porque alguém achou que já estava assim decidido. Também já reparei que alguns ministros telecomandam a governação de outros ministérios com farto recurso a este método. O maior especialista nessa prática, no entanto, não está neste Governo - estava no anterior. Aceitam-se apostas sobre o seu nome.
julho 18, 2003
VIVA D. QUIXOTE
O sempre atento editor Nelson de Matos, da Dom Quixote, referindo-se ao meu post sobre o livro «O Segredo de Joe Gould», por Joseph Mitchell, sublinha que ele «está publicado em Portugal há mais de 2 anos.Digo-o em protecção da edição portuguesa que não é tão "bera" quanto alguns a "pintam"». Boa. Vou já à procura. Estão a ver para que servem os blogs? Sempre se vai descobrindo mais qualquer coisa.
O sempre atento editor Nelson de Matos, da Dom Quixote, referindo-se ao meu post sobre o livro «O Segredo de Joe Gould», por Joseph Mitchell, sublinha que ele «está publicado em Portugal há mais de 2 anos.Digo-o em protecção da edição portuguesa que não é tão "bera" quanto alguns a "pintam"». Boa. Vou já à procura. Estão a ver para que servem os blogs? Sempre se vai descobrindo mais qualquer coisa.
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VIVA D. QUIXOTE
O sempre atento editor Nelson de Matos, da Dom Quixote, referindo-se ao meu post sobre o livro «O Segredo de Joe Gould», por Joseph Mitchell, sublinha que ele «está publicado em Portugal há mais de 2 anos.Digo-o em protecção da edição portuguesa que não é tão "bera" quanto alguns a "pintam"». Boa. Vou já à procura. Estão a ver para que servem os blogs? Sempre se vai descobrindo mais qualquer coisa.
O sempre atento editor Nelson de Matos, da Dom Quixote, referindo-se ao meu post sobre o livro «O Segredo de Joe Gould», por Joseph Mitchell, sublinha que ele «está publicado em Portugal há mais de 2 anos.Digo-o em protecção da edição portuguesa que não é tão "bera" quanto alguns a "pintam"». Boa. Vou já à procura. Estão a ver para que servem os blogs? Sempre se vai descobrindo mais qualquer coisa.
HOJE A ESQUINA ESTÁ NAS BANCAS
Já se sabe, sexta-feira é dia da edição impressa da ESQUINA, nas páginas do «Jornal de Negócios». Na coluna de hoje dediquei-me à polémica sobre o que estou a fazer hoje em dia: organizar uma mais próxima colaboração entre o serviço público de televisão e a sociedade.
Excertos:
«...A ideia que me agrada no conceito de abertura de um canal de televisão à sociedade é, fundamentalmente, a de viver um desafio da comunicação: conseguir novos intervenientes, novas mensagens, mais proximidade, menos exclusão. Alguns dirão que é uma utopia irrealizável. Eu acho que é um desafio possível. E acho que muita gente que se afirma contra o projecto, se tivesse sido autora da ideia, a estaria a defender com unhas e dentes. Mas isto faz parte do cinismo do costume.
...
Na minha opinião grande parte do panorama mediático português é ocupado pelos mesmos protagonistas: os mesmos políticos, os mesmos sindicalistas, os mesmos autarcas, os mesmos especialistas, os mesmos artistas, os mesmos clubes, os mesmos dirigentes. Este grupo de protagonistas, a que eu costumo chamar em jeito de brincadeira «os cromos do costume», funciona em círculo fechado com o auxílio dos próprios media. São sempre os mesmos que se comentam uns aos outros (e esta é uma das grandes limitações democráticas daquela estranha forma de jornalismo que chega a privilegiar a reacção à própria notícia), e a agenda noticiosa é dominada por eles, não tanto pela importância de facto do que fazem, mas pela relação perversa de cumplicidade que estabeleceram com os media.
...
Acontece que, há anos, ouço gente de valor e de mérito a queixar-se de que tem coisas interessantes a dizer e que não consegue ter acesso a nenhum local onde seja relevante dizê-las. Resolver esta questão do acesso, sair fora do universo dos «cromos do costume» - ou seja, ir sempre descobrindo novos cromos, é parte do que me interessa fazer – e é um dos conceitos fundadores do projecto de abertura do novo canal 2.
Um processo destes não se faz por decreto – mas a nova Lei da Televisão aprovada esta semana na Assembleia da República, apesar de mais tímida do que eu desejaria, permite começar a trabalhar nesse sentido. Um processo destes tem que ser constante: não se abre no dia 5 e fecha no dia 20, como os saldos. Não é uma excepção, é uma regra que exige ter atenção, procurar constantemente quem pode te alguma coisa interessante a dizer em prol da sociedade, quem pode ajudar. A abertura à sociedade não é uma inauguração, é um método de trabalho. Um método de trabalho que há muito anda esquecido de bastantes media.»
Já se sabe, sexta-feira é dia da edição impressa da ESQUINA, nas páginas do «Jornal de Negócios». Na coluna de hoje dediquei-me à polémica sobre o que estou a fazer hoje em dia: organizar uma mais próxima colaboração entre o serviço público de televisão e a sociedade.
Excertos:
«...A ideia que me agrada no conceito de abertura de um canal de televisão à sociedade é, fundamentalmente, a de viver um desafio da comunicação: conseguir novos intervenientes, novas mensagens, mais proximidade, menos exclusão. Alguns dirão que é uma utopia irrealizável. Eu acho que é um desafio possível. E acho que muita gente que se afirma contra o projecto, se tivesse sido autora da ideia, a estaria a defender com unhas e dentes. Mas isto faz parte do cinismo do costume.
...
Na minha opinião grande parte do panorama mediático português é ocupado pelos mesmos protagonistas: os mesmos políticos, os mesmos sindicalistas, os mesmos autarcas, os mesmos especialistas, os mesmos artistas, os mesmos clubes, os mesmos dirigentes. Este grupo de protagonistas, a que eu costumo chamar em jeito de brincadeira «os cromos do costume», funciona em círculo fechado com o auxílio dos próprios media. São sempre os mesmos que se comentam uns aos outros (e esta é uma das grandes limitações democráticas daquela estranha forma de jornalismo que chega a privilegiar a reacção à própria notícia), e a agenda noticiosa é dominada por eles, não tanto pela importância de facto do que fazem, mas pela relação perversa de cumplicidade que estabeleceram com os media.
...
Acontece que, há anos, ouço gente de valor e de mérito a queixar-se de que tem coisas interessantes a dizer e que não consegue ter acesso a nenhum local onde seja relevante dizê-las. Resolver esta questão do acesso, sair fora do universo dos «cromos do costume» - ou seja, ir sempre descobrindo novos cromos, é parte do que me interessa fazer – e é um dos conceitos fundadores do projecto de abertura do novo canal 2.
Um processo destes não se faz por decreto – mas a nova Lei da Televisão aprovada esta semana na Assembleia da República, apesar de mais tímida do que eu desejaria, permite começar a trabalhar nesse sentido. Um processo destes tem que ser constante: não se abre no dia 5 e fecha no dia 20, como os saldos. Não é uma excepção, é uma regra que exige ter atenção, procurar constantemente quem pode te alguma coisa interessante a dizer em prol da sociedade, quem pode ajudar. A abertura à sociedade não é uma inauguração, é um método de trabalho. Um método de trabalho que há muito anda esquecido de bastantes media.»
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HOJE A ESQUINA ESTÁ NAS BANCAS
Já se sabe, sexta-feira é dia da edição impressa da ESQUINA, nas páginas do «Jornal de Negócios». Na coluna de hoje dediquei-me à polémica sobre o que estou a fazer hoje em dia: organizar uma mais próxima colaboração entre o serviço público de televisão e a sociedade.
Excertos:
«...A ideia que me agrada no conceito de abertura de um canal de televisão à sociedade é, fundamentalmente, a de viver um desafio da comunicação: conseguir novos intervenientes, novas mensagens, mais proximidade, menos exclusão. Alguns dirão que é uma utopia irrealizável. Eu acho que é um desafio possível. E acho que muita gente que se afirma contra o projecto, se tivesse sido autora da ideia, a estaria a defender com unhas e dentes. Mas isto faz parte do cinismo do costume.
...
Na minha opinião grande parte do panorama mediático português é ocupado pelos mesmos protagonistas: os mesmos políticos, os mesmos sindicalistas, os mesmos autarcas, os mesmos especialistas, os mesmos artistas, os mesmos clubes, os mesmos dirigentes. Este grupo de protagonistas, a que eu costumo chamar em jeito de brincadeira «os cromos do costume», funciona em círculo fechado com o auxílio dos próprios media. São sempre os mesmos que se comentam uns aos outros (e esta é uma das grandes limitações democráticas daquela estranha forma de jornalismo que chega a privilegiar a reacção à própria notícia), e a agenda noticiosa é dominada por eles, não tanto pela importância de facto do que fazem, mas pela relação perversa de cumplicidade que estabeleceram com os media.
...
Acontece que, há anos, ouço gente de valor e de mérito a queixar-se de que tem coisas interessantes a dizer e que não consegue ter acesso a nenhum local onde seja relevante dizê-las. Resolver esta questão do acesso, sair fora do universo dos «cromos do costume» - ou seja, ir sempre descobrindo novos cromos, é parte do que me interessa fazer – e é um dos conceitos fundadores do projecto de abertura do novo canal 2.
Um processo destes não se faz por decreto – mas a nova Lei da Televisão aprovada esta semana na Assembleia da República, apesar de mais tímida do que eu desejaria, permite começar a trabalhar nesse sentido. Um processo destes tem que ser constante: não se abre no dia 5 e fecha no dia 20, como os saldos. Não é uma excepção, é uma regra que exige ter atenção, procurar constantemente quem pode te alguma coisa interessante a dizer em prol da sociedade, quem pode ajudar. A abertura à sociedade não é uma inauguração, é um método de trabalho. Um método de trabalho que há muito anda esquecido de bastantes media.»
Já se sabe, sexta-feira é dia da edição impressa da ESQUINA, nas páginas do «Jornal de Negócios». Na coluna de hoje dediquei-me à polémica sobre o que estou a fazer hoje em dia: organizar uma mais próxima colaboração entre o serviço público de televisão e a sociedade.
Excertos:
«...A ideia que me agrada no conceito de abertura de um canal de televisão à sociedade é, fundamentalmente, a de viver um desafio da comunicação: conseguir novos intervenientes, novas mensagens, mais proximidade, menos exclusão. Alguns dirão que é uma utopia irrealizável. Eu acho que é um desafio possível. E acho que muita gente que se afirma contra o projecto, se tivesse sido autora da ideia, a estaria a defender com unhas e dentes. Mas isto faz parte do cinismo do costume.
...
Na minha opinião grande parte do panorama mediático português é ocupado pelos mesmos protagonistas: os mesmos políticos, os mesmos sindicalistas, os mesmos autarcas, os mesmos especialistas, os mesmos artistas, os mesmos clubes, os mesmos dirigentes. Este grupo de protagonistas, a que eu costumo chamar em jeito de brincadeira «os cromos do costume», funciona em círculo fechado com o auxílio dos próprios media. São sempre os mesmos que se comentam uns aos outros (e esta é uma das grandes limitações democráticas daquela estranha forma de jornalismo que chega a privilegiar a reacção à própria notícia), e a agenda noticiosa é dominada por eles, não tanto pela importância de facto do que fazem, mas pela relação perversa de cumplicidade que estabeleceram com os media.
...
Acontece que, há anos, ouço gente de valor e de mérito a queixar-se de que tem coisas interessantes a dizer e que não consegue ter acesso a nenhum local onde seja relevante dizê-las. Resolver esta questão do acesso, sair fora do universo dos «cromos do costume» - ou seja, ir sempre descobrindo novos cromos, é parte do que me interessa fazer – e é um dos conceitos fundadores do projecto de abertura do novo canal 2.
Um processo destes não se faz por decreto – mas a nova Lei da Televisão aprovada esta semana na Assembleia da República, apesar de mais tímida do que eu desejaria, permite começar a trabalhar nesse sentido. Um processo destes tem que ser constante: não se abre no dia 5 e fecha no dia 20, como os saldos. Não é uma excepção, é uma regra que exige ter atenção, procurar constantemente quem pode te alguma coisa interessante a dizer em prol da sociedade, quem pode ajudar. A abertura à sociedade não é uma inauguração, é um método de trabalho. Um método de trabalho que há muito anda esquecido de bastantes media.»
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TU
Vens de noite, no sonho
(citação de um poema de Ana Marques Gastão que vi no poesias e prosas)
Vens de noite, no sonho
(citação de um poema de Ana Marques Gastão que vi no poesias e prosas)
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