julho 20, 2003

Untitled

A ROSA



Não conheço a Eva Ruivo. Gostava de a conhecer. Querem saber porquê?

Nasceu em Lisboa, em 1963. Publicou um livro, em 1994, chamado «Rosa de Jericó»

Reparem:



«Perdoa, não é a falta do dinheiro

essa extravagância, nem o apetite

inconsolável de azul, voraz, sim,

gulosa do teu sexo quando a tensão

mo permite rasgo de mim

a pele o nervo a gruta os versos.



Anoto as árvores que caem, obsessiva,

debaixo do rodado de automóveis

dei-te tudo, possessiva, e fiquei

sem folhas, mas ri, atapetando

a traça dorida de teus passos

mordidos pela época e pelo trânsito.



*



Confesso: às vezes somente

a voz da tua pele apela

às verdades dormentes

ou opressas debaixo

da máquina do pensamento,

mas eu não te deixo.



Confesso: qualquer vestido

modesto de elementar singeleza

sublinhará a face sem adereços

da tua infanta, a silhueta

escondida será uma adivinha,

minha aura velada de leveza.



Confesso: nesta hora ébria

de contigo regressar à perdida

infância que resguarda

a inocência da desconfiança...

faz-me uma festa, fala comigo:

saudades eu tenho, de chorar.»



Roubei o poema do blog do Rui