agosto 16, 2003

SERVIÇOS DE INFORMAÇÃO
A capa da edição desta semana da «Spectator» é sobre a degradação dos serviços secretos britânicos. O seu autor, Nigel West, afirma que os trabalhistas estão a utilizar os serviços de informação com fins políticos e, fazendo um paralelo com este tipo de comportamento baseado na velha tradição soviética, West afirma que desta forma o Reino Unido fica consideravelmente mais inseguro.




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SERVIÇOS DE INFORMAÇÃO

A capa da edição desta semana da «Spectator» é sobre a degradação dos serviços secretos britânicos. O seu autor, Nigel West, afirma que os trabalhistas estão a utilizar os serviços de informação com fins políticos e, fazendo um paralelo com este tipo de comportamento baseado na velha tradição soviética, West afirma que desta forma o Reino Unido fica consideravelmente mais inseguro.









APAGÃO
Em solidariedade com o apagão nova-iorquino resolvi desligar o computador 24 horas.
Não, não insandeci, mas como li tantas evocações de apagões antigos, acabei por enjoar. Confesso que não me senti muito receptivo a notícias sobre este apagão. Não me impressionou muito tão pouco. Houve uma falha de energia, grandota é certo. Imaginei-me noutras coisas: se fosse por cá? Lembram-se da cegonha que pôs meio país às escuras? O Dr. Ferro, se o apagão americano atacasse em Portugal, havia de pedir a cabeça do Primeiro Ministro, da nova administração da EDP e de 2/3 dos Ministros. O Dr. Carvalhas havia de sair das suas praias de Tavira a dizer que assim se provava como a política reaccionária do Governo era perigosa para a independência energética do país, o Dr. Monteiro queixar-se-ìa das ofensivas do capital estrangeiro sobre a EDP e da falta de uma estratégia energética de Bruxelas, o que, já se sabe, trama supinamente os estados membros. As televisões haviam de ser inundadas por especialistas de porra nenhuma a perorarem sobre o assunto. Ou seja, transformar-se-ia um incidente num facto politicamente relevante. Percebem porque é que eu digo que muito do que se faz por aí é desinformação e manipulação? Repararam como os media americanos trataram do assunto? Como Mayor reagiu?

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APAGÃO

Em solidariedade com o apagão nova-iorquino resolvi desligar o computador 24 horas.

Não, não insandeci, mas como li tantas evocações de apagões antigos, acabei por enjoar. Confesso que não me senti muito receptivo a notícias sobre este apagão. Não me impressionou muito tão pouco. Houve uma falha de energia, grandota é certo. Imaginei-me noutras coisas: se fosse por cá? Lembram-se da cegonha que pôs meio país às escuras? O Dr. Ferro, se o apagão americano atacasse em Portugal, havia de pedir a cabeça do Primeiro Ministro, da nova administração da EDP e de 2/3 dos Ministros. O Dr. Carvalhas havia de sair das suas praias de Tavira a dizer que assim se provava como a política reaccionária do Governo era perigosa para a independência energética do país, o Dr. Monteiro queixar-se-ìa das ofensivas do capital estrangeiro sobre a EDP e da falta de uma estratégia energética de Bruxelas, o que, já se sabe, trama supinamente os estados membros. As televisões haviam de ser inundadas por especialistas de porra nenhuma a perorarem sobre o assunto. Ou seja, transformar-se-ia um incidente num facto politicamente relevante. Percebem porque é que eu digo que muito do que se faz por aí é desinformação e manipulação? Repararam como os media americanos trataram do assunto? Como Mayor reagiu?

agosto 14, 2003

UM AMIGO
Morreu o Zé Matos Cristovão. Jornalista e homem de mil ofícios era amigo do seu amigo. Amigo como poucos. Bem disposto e sempre saudavelmente excessivo abraçava ideias e desafios como abraçava aqueles de quem gostava. Nos últimos anos pôs mãos a fazer aquilo que sempre tinha querido: um restaurante, um bar, uma mesa para os amigos. Há pouco tempo tinha conseguido concretizar mais alguns sonhos. Da última vez que falei com ele estava mesmo contente. Ainda bem que estava assim quando foi ali dar esta volta. Um abraço Zé.

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UM AMIGO

Morreu o Zé Matos Cristovão. Jornalista e homem de mil ofícios era amigo do seu amigo. Amigo como poucos. Bem disposto e sempre saudavelmente excessivo abraçava ideias e desafios como abraçava aqueles de quem gostava. Nos últimos anos pôs mãos a fazer aquilo que sempre tinha querido: um restaurante, um bar, uma mesa para os amigos. Há pouco tempo tinha conseguido concretizar mais alguns sonhos. Da última vez que falei com ele estava mesmo contente. Ainda bem que estava assim quando foi ali dar esta volta. Um abraço Zé.
POESIA DE SAUDADE

Dá paz ao ardor
De quem te deseja.
Contenta o amor
E faz dom de ti,
amos, sorri,
Quando a boca beija.
Me disse na hora:
«Pecar me refreia.»
Respondi-lhe:
«Ora! Não é coisa feia.»

Estas palavras são de Al - Mu'tamid, que viveu entre 1040 e 1091, durante o domínio Árabe. Poeta e guerreiro, foi Rei de Sevilha e a sua «Evocação de Silves» é irresistível:
Saúda, por mim, Abg Bakr,
Os queridos lugares de Silves
E diz-me se deles a saudade
É tão grande quanto a minha.
Saúda o palácio dos Balcões
Da parte de quem nunca os esqueceu.
Morada de leões e de gazelas
Salas e sombras onde eu
Doce refúgio encontrava
Entre ancas opulentas
E tão estreitas cinturas!
Mulheres níveas e morenas
Atravessavam-me a alma
Como brancas espadas
E lanças escuras.
Ai quantas noites fiquei,
Lá no remanso do rio,
Nos jogos do amor
Com a da pulseira curva
Igual aos meandros da água
Enquanto o tempo passava..
E me servia de vinho:
O vinho do seu olhar
Às vezes o do seu copo
E outras vezes o da boca.
Tangia cordas de alaúde
E eis que eu estremecia
Como se estivesse ouvindo
Tendões de colos cortados.
Mas retirava o seu manto
Grácil detalhe mostrando:
Era ramo de salgueiro
Que abria o seu botão
Para ostentar a flor.


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POESIA DE SAUDADE



Dá paz ao ardor

De quem te deseja.

Contenta o amor

E faz dom de ti,

amos, sorri,

Quando a boca beija.

Me disse na hora:

«Pecar me refreia.»

Respondi-lhe:

«Ora! Não é coisa feia.»



Estas palavras são de Al - Mu'tamid, que viveu entre 1040 e 1091, durante o domínio Árabe. Poeta e guerreiro, foi Rei de Sevilha e a sua «Evocação de Silves» é irresistível:

Saúda, por mim, Abg Bakr,

Os queridos lugares de Silves

E diz-me se deles a saudade

É tão grande quanto a minha.

Saúda o palácio dos Balcões

Da parte de quem nunca os esqueceu.

Morada de leões e de gazelas

Salas e sombras onde eu

Doce refúgio encontrava

Entre ancas opulentas

E tão estreitas cinturas!

Mulheres níveas e morenas

Atravessavam-me a alma

Como brancas espadas

E lanças escuras.

Ai quantas noites fiquei,

Lá no remanso do rio,

Nos jogos do amor

Com a da pulseira curva

Igual aos meandros da água

Enquanto o tempo passava..

E me servia de vinho:

O vinho do seu olhar

Às vezes o do seu copo

E outras vezes o da boca.

Tangia cordas de alaúde

E eis que eu estremecia

Como se estivesse ouvindo

Tendões de colos cortados.

Mas retirava o seu manto

Grácil detalhe mostrando:

Era ramo de salgueiro

Que abria o seu botão

Para ostentar a flor.





RECOMENDAÇÕES
Fim de semana alongado, deve ser bom para aproveitar os últimos momentos de tranquilidade em Lisboa, antes de ser invadida pelo regresso das Férias. Vou a Alfama passear nas ruas sem trânsito, a ver se consigo comer uns petiscos na «Parreirinha» e se tenho a sorte de Argentina Santos lá estar a cantar. E vou reler as «Fábulas» de La Fontaine, numa bela edição da Ambar, quer-me parecer que ainda me vão ser muito úteis nos próximos tempos.
(extraído da versão impressa d'A Esquina, na edição de hoje do «Jornal de Negócios»)

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RECOMENDAÇÕES

Fim de semana alongado, deve ser bom para aproveitar os últimos momentos de tranquilidade em Lisboa, antes de ser invadida pelo regresso das Férias. Vou a Alfama passear nas ruas sem trânsito, a ver se consigo comer uns petiscos na «Parreirinha» e se tenho a sorte de Argentina Santos lá estar a cantar. E vou reler as «Fábulas» de La Fontaine, numa bela edição da Ambar, quer-me parecer que ainda me vão ser muito úteis nos próximos tempos.

(extraído da versão impressa d'A Esquina, na edição de hoje do «Jornal de Negócios»)

DECLARAÇÃO
Vi-te, em ti.

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DECLARAÇÃO

Vi-te, em ti.

agosto 13, 2003

UM MODELO
O Observatório da Imprensa brasileiro é um modelo de constante acompanhamento do que se passa nos media em geral, com informações, artigos históricos, análises e, claro, logo à cabeça, nestes dias, uma avaliação do que poderá ser o futuro do império Globo depois da morte de Roberto Marinho, acompanhada de uma lúcida biografia do jornalista.

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UM MODELO

O Observatório da Imprensa brasileiro é um modelo de constante acompanhamento do que se passa nos media em geral, com informações, artigos históricos, análises e, claro, logo à cabeça, nestes dias, uma avaliação do que poderá ser o futuro do império Globo depois da morte de Roberto Marinho, acompanhada de uma lúcida biografia do jornalista.

OBSERVAR
A propósito da morte de Marie Trintignant o
Observatório da Imprensa brasileiro publica uma análise muito interessante do comportamento dos media franceses face à situação. Faz falta por cá reflectir sobre a forma como os media acompanham os assuntos - é certo que nalguns blogs se tem falado disso, mas devia haver uma reflexão mais sistematizada, pública e aberta sobre o assunto. Ajudava-nos a todos: a quem trabalha no sector e a quem o consome.

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OBSERVAR

A propósito da morte de Marie Trintignant o

Observatório da Imprensa brasileiro publica uma análise muito interessante do comportamento dos media franceses face à situação. Faz falta por cá reflectir sobre a forma como os media acompanham os assuntos - é certo que nalguns blogs se tem falado disso, mas devia haver uma reflexão mais sistematizada, pública e aberta sobre o assunto. Ajudava-nos a todos: a quem trabalha no sector e a quem o consome.

MORDOMIAS
O No Mínimo tem um artigo delicioso que fala de uma situação mesmo engraçada: No Brasil o sindicato dos servidores do Congresso anuncia que vai denunciar ao Tribunal de Contas a ilegitimidade da contratação de 9.122 assessores parlamentares para os gabinetes privativos de 513 deputados.

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MORDOMIAS

O No Mínimo tem um artigo delicioso que fala de uma situação mesmo engraçada: No Brasil o sindicato dos servidores do Congresso anuncia que vai denunciar ao Tribunal de Contas a ilegitimidade da contratação de 9.122 assessores parlamentares para os gabinetes privativos de 513 deputados.

VOTAÇÕES ELECTRÓNICAS
Para ficar a par da forma como está a evoluir a implantação de sistemas de voto electrónico nos Estados Unidos para os próximnos actos eleitorais e para saber quais as principais questões de segurança que se colocam, espreitem este artigo da Wired.

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VOTAÇÕES ELECTRÓNICAS

Para ficar a par da forma como está a evoluir a implantação de sistemas de voto electrónico nos Estados Unidos para os próximnos actos eleitorais e para saber quais as principais questões de segurança que se colocam, espreitem este artigo da Wired.
ULTRALEVES ECOLÓGICOS
Os ultra-leves, aquelas pequenas máquinas voadoras que todos os anos nos atormentam o juízo sobrevoando as praias com o ruído de um motor a dois tempos de escape livre, afinal têm uma utilidade ecológica. A revista «The Economist» explica como podem ser utilizados para acção de vigilância sobre zonas protegidas para monitorização constante de conservação dos eco-sistemas. Vale a pena dar uma vista de olhos na secção de Science & Technology da revista: também podem descobrir como foi construído um robot capaz de andar sobre a água.

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ULTRALEVES ECOLÓGICOS

Os ultra-leves, aquelas pequenas máquinas voadoras que todos os anos nos atormentam o juízo sobrevoando as praias com o ruído de um motor a dois tempos de escape livre, afinal têm uma utilidade ecológica. A revista «The Economist» explica como podem ser utilizados para acção de vigilância sobre zonas protegidas para monitorização constante de conservação dos eco-sistemas. Vale a pena dar uma vista de olhos na secção de Science & Technology da revista: também podem descobrir como foi construído um robot capaz de andar sobre a água.
VIAGENS
Por razões que nunca entendi há quem goste de passar as férias no meio da pobreza e da miséria. As hordas de consumidores de Cuba e do Brasil são um bom exemplo de diversão à custa de enormes desigualdades - que a maioria dos utilizadores critica fortemente a nível doméstico. Estas ideias excursionistas sempre me perturbaram um pouco e por via de regra não as pratico. A minha querida revista Spectator resolveu escrever (bem) sobre o assunto.

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VIAGENS

Por razões que nunca entendi há quem goste de passar as férias no meio da pobreza e da miséria. As hordas de consumidores de Cuba e do Brasil são um bom exemplo de diversão à custa de enormes desigualdades - que a maioria dos utilizadores critica fortemente a nível doméstico. Estas ideias excursionistas sempre me perturbaram um pouco e por via de regra não as pratico. A minha querida revista Spectator resolveu escrever (bem) sobre o assunto.

agosto 12, 2003

SKY DÁ FINALMENTE LUCROS
A BSkyB anunciou um lucro recorde de três mil milhões de libras para o seu primeiro ano de resultados positivos desde que se iniciou na aventura digital há cinco anos - é uma boa notícia para o mundo dos media, o primeiro sinal sério de viabilidade de uma operação de televisão digital por satélite. Pormenores aqui.

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SKY DÁ FINALMENTE LUCROS

A BSkyB anunciou um lucro recorde de três mil milhões de libras para o seu primeiro ano de resultados positivos desde que se iniciou na aventura digital há cinco anos - é uma boa notícia para o mundo dos media, o primeiro sinal sério de viabilidade de uma operação de televisão digital por satélite. Pormenores aqui.
HIPOCONDRÍACOS
Nos Estados Unidos a frenética obsessão dos hipocondríacos custa 20 milhões de dolares por ano ao sistema de saúde. A New Yorker tem um belíssimo artigo sobre o assunto. Excerto:The interaction between the hypochondriac and the physician, subverts everything that a doctor is taught about how to communicate with patients. Expressing concern only reinforces the hypochondriac’s sense that something is awry. Marshalling the considerable technological resources of modern medicine, by ordering sophisticated blood tests and high-resolution M.R.I. scans, still falls short of providing reassurance. . Leiam o resto, que vale a pena.

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HIPOCONDRÍACOS

Nos Estados Unidos a frenética obsessão dos hipocondríacos custa 20 milhões de dolares por ano ao sistema de saúde. A New Yorker tem um belíssimo artigo sobre o assunto. Excerto:The interaction between the hypochondriac and the physician, subverts everything that a doctor is taught about how to communicate with patients. Expressing concern only reinforces the hypochondriac’s sense that something is awry. Marshalling the considerable technological resources of modern medicine, by ordering sophisticated blood tests and high-resolution M.R.I. scans, still falls short of providing reassurance. . Leiam o resto, que vale a pena.
ENCOLHIMENTO
Quando a cultura dos humanos finalmente começou a produzir arte e tecnologia já os nossos cérebros estavam a encolher. E, apesar de tudo, a raça humana lá conseguiu chegar à lua. O resultado de investigações recentes sobre o desenvolvimento do cérebero humano e sobre as suas relações com o saber e a descoberta podem ser lidas
aqui.

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ENCOLHIMENTO

Quando a cultura dos humanos finalmente começou a produzir arte e tecnologia já os nossos cérebros estavam a encolher. E, apesar de tudo, a raça humana lá conseguiu chegar à lua. O resultado de investigações recentes sobre o desenvolvimento do cérebero humano e sobre as suas relações com o saber e a descoberta podem ser lidas

aqui.
A CIÊNCIA DOS INCÊNDIOS
Investigações recentes trazem algumas explicações adicionais sobre situações que favorecem a ocorrência de incêndios, nomeadamente o papel que algumas espécies invasivas que proliferam descontroladamente têm para que algumas regiões fiquem autênticos barris de pólvora. Espreitem este artigo da Scientific American.

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A CIÊNCIA DOS INCÊNDIOS

Investigações recentes trazem algumas explicações adicionais sobre situações que favorecem a ocorrência de incêndios, nomeadamente o papel que algumas espécies invasivas que proliferam descontroladamente têm para que algumas regiões fiquem autênticos barris de pólvora. Espreitem este artigo da Scientific American.

agosto 11, 2003

QUEREM IR AO MÓNACO?
Que tal um rochedo para fim de férias? - o pretexto é bom, uma das maiores exposições de sempre sobre a vida e obra de Andy Warhol está no Mónaco, no Grimaldi Fórum, com o nome «Super Warhol», até final deste mês. Podem ler tudo sobre a mostra no Libération.

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QUEREM IR AO MÓNACO?

Que tal um rochedo para fim de férias? - o pretexto é bom, uma das maiores exposições de sempre sobre a vida e obra de Andy Warhol está no Mónaco, no Grimaldi Fórum, com o nome «Super Warhol», até final deste mês. Podem ler tudo sobre a mostra no Libération.
BLUES
There’s only one way for a young man to learn true blues: from older men. This sort of teacher-student relationship is rather common today, or at least it has been since the blues gained such popularity with the seemingly ever-fickle young white audience. One of the most popular of the young blues men is Paul Butterfield. But Butterfield is old hand at the blues, having drunk from the deep well on Chicago’s South Side several years ago. This spring, he and guitarist Michael Bloomfield were reunited with one of their main teachers – singer/guitarist Muddy Waters and pianist Otis Spann. The reunion took place in the Ter-Mar Recording Studio at Chess Records, and for three nights, a rather remarkable recording session rolled from one artistic peak to another. Following the last night, Butterfield, Waters, and, later, Spann discussed the session and the ways they learned the blues. What follows is an edited version of that conversation with Don DeMichael. . Para ler a entrevista, que me deixa cheio de água na boca para o disco que se espara aconteça rápido, podem ir à Down Beat.

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BLUES

There’s only one way for a young man to learn true blues: from older men. This sort of teacher-student relationship is rather common today, or at least it has been since the blues gained such popularity with the seemingly ever-fickle young white audience. One of the most popular of the young blues men is Paul Butterfield. But Butterfield is old hand at the blues, having drunk from the deep well on Chicago’s South Side several years ago. This spring, he and guitarist Michael Bloomfield were reunited with one of their main teachers – singer/guitarist Muddy Waters and pianist Otis Spann. The reunion took place in the Ter-Mar Recording Studio at Chess Records, and for three nights, a rather remarkable recording session rolled from one artistic peak to another. Following the last night, Butterfield, Waters, and, later, Spann discussed the session and the ways they learned the blues. What follows is an edited version of that conversation with Don DeMichael. . Para ler a entrevista, que me deixa cheio de água na boca para o disco que se espara aconteça rápido, podem ir à Down Beat.
OS NOVOS TEMPOS NO NEW YORK TIMES
Quais os efeitos pós-Jayson Blair na relação do «New York Times» com os seus leitores e com as suas fontes? Um interessante artigo da Columbia Journalism Review aborda o assunto e levanta algumas questões. E fala com uma série de pessoas que foram vítimas das práticas de Blair e que reflectem sobre a reacção que tiveram e o efeito que isso eteve nas suas actividades.

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OS NOVOS TEMPOS NO NEW YORK TIMES

Quais os efeitos pós-Jayson Blair na relação do «New York Times» com os seus leitores e com as suas fontes? Um interessante artigo da Columbia Journalism Review aborda o assunto e levanta algumas questões. E fala com uma série de pessoas que foram vítimas das práticas de Blair e que reflectem sobre a reacção que tiveram e o efeito que isso eteve nas suas actividades.
BRINCADEIRAS
A nova geração de jogos para computador têm grandes orçamentos de desenvolvimento, bons guiões, muitas vezes são melhores que os filmes nos quais se foram basear. Quem o diz, num artigo muito bem informado, é a Wired.

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BRINCADEIRAS

A nova geração de jogos para computador têm grandes orçamentos de desenvolvimento, bons guiões, muitas vezes são melhores que os filmes nos quais se foram basear. Quem o diz, num artigo muito bem informado, é a Wired.
CADERNOS
Parece que a referência à marca de cadernos que se usa para tomar notas está na moda na blogosfera. Passo a esclarecer que há anos tomo notas sempre nos mesmos cadernos, uns de capa preta, formato A5, fabricados pela Ambar sob a referência cad 2512. A papelaria Fernandes também, tem uns iguais. Ora utilizo com folhas lisas, ora quadriculadas. Não vejo razão para mudar. Nem mesmo os moleskins.

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CADERNOS

Parece que a referência à marca de cadernos que se usa para tomar notas está na moda na blogosfera. Passo a esclarecer que há anos tomo notas sempre nos mesmos cadernos, uns de capa preta, formato A5, fabricados pela Ambar sob a referência cad 2512. A papelaria Fernandes também, tem uns iguais. Ora utilizo com folhas lisas, ora quadriculadas. Não vejo razão para mudar. Nem mesmo os moleskins.
INTERNACIONAL
Ontem, Domingo, os telejornais das três estações generalistas já íam para lá da hora de duração (continuo a achar isto espantoso) e ainda não tinham tido uma notícia de internacional - minto, a SIC passava umas coisas em rodapé. Ora digam lá, se não queremos saber para nada do que se passa no resto do mundo como havemos nós de avançar?

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INTERNACIONAL

Ontem, Domingo, os telejornais das três estações generalistas já íam para lá da hora de duração (continuo a achar isto espantoso) e ainda não tinham tido uma notícia de internacional - minto, a SIC passava umas coisas em rodapé. Ora digam lá, se não queremos saber para nada do que se passa no resto do mundo como havemos nós de avançar?

agosto 09, 2003

NOTÍCIAS DE PRIMEIRA PÀGINA:
No «Expresso»: «Protecção Civil ignorou alertas»; «Portugal perde força em Bruxelas»;
No Público: «Relação levou dez dias a enviar recurso de Pedroso para o TC», «Comissária Europeia promete acesso ao fundo de solideriedade»;
No «Diário de Notícias»:«Colpaso ameaça combate a fogos». «Maioria dos processos de abuso sexual não chegam a julgamento»
No «Correio da Manhã»: (processo Casa pia) «Machadada na Acusação»; (Incêncios) «Prejuízos sobem a mil milhões»
No «El Pais» Duas notícias de Espanha, uma do Iraque e outra da África do Sul
No «Le Monde»: Uma notícia francesa, uma do Iraque, outra da África do Sul e outra dos Estados Unidos;
No »La Vanguardia»: Três notícias de Espanha, uma de Itália, outra do Iraque.
Percebem o que quero dizer com isto de sermos especialistas em olhar para o umbigo?

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NOTÍCIAS DE PRIMEIRA PÀGINA:

No «Expresso»: «Protecção Civil ignorou alertas»; «Portugal perde força em Bruxelas»;

No Público: «Relação levou dez dias a enviar recurso de Pedroso para o TC», «Comissária Europeia promete acesso ao fundo de solideriedade»;

No «Diário de Notícias»:«Colpaso ameaça combate a fogos». «Maioria dos processos de abuso sexual não chegam a julgamento»

No «Correio da Manhã»: (processo Casa pia) «Machadada na Acusação»; (Incêncios) «Prejuízos sobem a mil milhões»

No «El Pais» Duas notícias de Espanha, uma do Iraque e outra da África do Sul

No «Le Monde»: Uma notícia francesa, uma do Iraque, outra da África do Sul e outra dos Estados Unidos;

No »La Vanguardia»: Três notícias de Espanha, uma de Itália, outra do Iraque.

Percebem o que quero dizer com isto de sermos especialistas em olhar para o umbigo?
NOTICIÁRIO
Uma das coisas que sempre me irritou um pouco é o facto de a generalidade dos media portugueses se contentarem com o que se passa aqui no rectângulo, e, de preferência, com o que acontece em Lisboa e no Porto. Açores e Madeira em geral ficam relegados para calamidades ou arraial político e o interior do país lá surge em momento de desgraça, como nesta leva de incêndios. Dos países africanos de língua portuguesa apenas se sabe de alguma coisa quando há mortes ou golpe de estado. Do resto do mundo, apenas atentados terroristas e catástrofes naturais nos chegam. Essa coisa muito elementar que devia ser a essência do jornalismo - que é reportar, contar o que acontece - deixou de surgir, por via de regra. Aparentemente o critério é o mesmo de uma boa rubrica humorística: «O Homem Que Mordeu O Cão»: ou seja, só interessa o insólito, o invulgar, o não natural, a má notícia, a desgraça. Já repararam que hoje em dia nos nossos media não existe lugar para boas notícias? Esta perversão da realidade, este afastamento de tantos temas e assuntos, leva a que a tendência provinciana latente em Portugal (pelo menos desde o tempo em que Eça de Queiroz a caracterizou) prossiga galopante. Fechados no rectângulo, desinteressamo-nos do que se passa no quotidiano dos outros países, das descobertas, das investigações, das criações. Sobressaltamo-nos com os dramas, somos indiferentes à vida. Um pouco estranho, não é?

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NOTICIÁRIO

Uma das coisas que sempre me irritou um pouco é o facto de a generalidade dos media portugueses se contentarem com o que se passa aqui no rectângulo, e, de preferência, com o que acontece em Lisboa e no Porto. Açores e Madeira em geral ficam relegados para calamidades ou arraial político e o interior do país lá surge em momento de desgraça, como nesta leva de incêndios. Dos países africanos de língua portuguesa apenas se sabe de alguma coisa quando há mortes ou golpe de estado. Do resto do mundo, apenas atentados terroristas e catástrofes naturais nos chegam. Essa coisa muito elementar que devia ser a essência do jornalismo - que é reportar, contar o que acontece - deixou de surgir, por via de regra. Aparentemente o critério é o mesmo de uma boa rubrica humorística: «O Homem Que Mordeu O Cão»: ou seja, só interessa o insólito, o invulgar, o não natural, a má notícia, a desgraça. Já repararam que hoje em dia nos nossos media não existe lugar para boas notícias? Esta perversão da realidade, este afastamento de tantos temas e assuntos, leva a que a tendência provinciana latente em Portugal (pelo menos desde o tempo em que Eça de Queiroz a caracterizou) prossiga galopante. Fechados no rectângulo, desinteressamo-nos do que se passa no quotidiano dos outros países, das descobertas, das investigações, das criações. Sobressaltamo-nos com os dramas, somos indiferentes à vida. Um pouco estranho, não é?

agosto 08, 2003

EXPRESSÕES QUE ME IRRITAM
Há sempre quem não tendo nada para dizer opte por utilizar inutilidades verbais que não servem para nada a não ser para não ficar calado - que no entanto é o melhor estado natural do ser humano.
Exemplos:
- A sério?
- Jura!
- Parece impossível

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EXPRESSÕES QUE ME IRRITAM

Há sempre quem não tendo nada para dizer opte por utilizar inutilidades verbais que não servem para nada a não ser para não ficar calado - que no entanto é o melhor estado natural do ser humano.

Exemplos:

- A sério?

- Jura!

- Parece impossível

O OUTRO FLAGELO
Todos os anos há dois flagelos que assolam o país: os fogos no Verão e o chavascal da caça no Outono. Hoje de manhã já ouvi representantes dos bandos armados que se deslocam pelo país a partir da abertura da caça a protestar contra o anúncio da intenção do Governo em, por causa da devastação florestal e do habitat natural causada pelos incêndios, criar algumas limitações e restrições ao tiroteio. Não é extraordinário?

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O OUTRO FLAGELO

Todos os anos há dois flagelos que assolam o país: os fogos no Verão e o chavascal da caça no Outono. Hoje de manhã já ouvi representantes dos bandos armados que se deslocam pelo país a partir da abertura da caça a protestar contra o anúncio da intenção do Governo em, por causa da devastação florestal e do habitat natural causada pelos incêndios, criar algumas limitações e restrições ao tiroteio. Não é extraordinário?
HOJE, EM PAPEL
Hoje a Esquina tem a sua versão impressa e regressou às suas
RECOMENDAÇÕES:
Para hoje: Exposição comemorativa dos 150 anos do selo de correio em Portugal, na Biblioteca Nacional;
Para amanhã: As Máquinas de Leonardo (da Vinci), Palácio Nacional de Sintra;
Para depois de amanhã: O que me apetecia mesmo era apanhar fresco. Será possível?
Para sempre: Um clássico de Wes Montgomery, descoberto a bom preço na FNAC, «Tequila», com arranjos de Claus Ogerman, uma gravação original de 1966, numa cuidada edição que mostra todo o talento da guitarra de Montgomery a revisitar temas de origens diversas – desde tradicionais populares ao jazz.

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HOJE, EM PAPEL

Hoje a Esquina tem a sua versão impressa e regressou às suas

RECOMENDAÇÕES:

Para hoje: Exposição comemorativa dos 150 anos do selo de correio em Portugal, na Biblioteca Nacional;

Para amanhã: As Máquinas de Leonardo (da Vinci), Palácio Nacional de Sintra;

Para depois de amanhã: O que me apetecia mesmo era apanhar fresco. Será possível?

Para sempre: Um clássico de Wes Montgomery, descoberto a bom preço na FNAC, «Tequila», com arranjos de Claus Ogerman, uma gravação original de 1966, numa cuidada edição que mostra todo o talento da guitarra de Montgomery a revisitar temas de origens diversas – desde tradicionais populares ao jazz.

agosto 07, 2003

CALOR
Ora aqui está um artigo como deve ser, com um belo mapa sobre as temperaturas em diferentes países da Europa e com acertadas opiniões de um médico sobre a reacção do corpo humano à canícula. que deve andar por aí até sábado. Detalhes no Libération e um outro artigo do mesmo jornal sobre as causas e efeitos da onda de calor em França pode ser lido aqui.

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CALOR

Ora aqui está um artigo como deve ser, com um belo mapa sobre as temperaturas em diferentes países da Europa e com acertadas opiniões de um médico sobre a reacção do corpo humano à canícula. que deve andar por aí até sábado. Detalhes no Libération e um outro artigo do mesmo jornal sobre as causas e efeitos da onda de calor em França pode ser lido aqui.
SEXO, RELIGIÃO E POLÍTICA
A nomeação de Gene Robinson, um homossexual assumido, como bispo da Igreja Anglicana, vem colocar na ordem do dia a relação entre uma postura cada vez mais tolerante das sociedades avançadas para com os homossexuais, em contraste com a oposição dos sectores mais conservadores, e nomeadamente dos católicos, á existência de padres gay e ao casamento entre pessoas do mesmo sexo. O artigo que o
The Economist publicou sobre o assunto é uma das análises mais lúcidas e honestas da situação, que passa pela existência (abafada) de escândalos sexuais na Igreja Católica, e em geral pelos contrastes entre as anunciadas públicas virtudes e os vícios privados.

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SEXO, RELIGIÃO E POLÍTICA

A nomeação de Gene Robinson, um homossexual assumido, como bispo da Igreja Anglicana, vem colocar na ordem do dia a relação entre uma postura cada vez mais tolerante das sociedades avançadas para com os homossexuais, em contraste com a oposição dos sectores mais conservadores, e nomeadamente dos católicos, á existência de padres gay e ao casamento entre pessoas do mesmo sexo. O artigo que o

The Economist publicou sobre o assunto é uma das análises mais lúcidas e honestas da situação, que passa pela existência (abafada) de escândalos sexuais na Igreja Católica, e em geral pelos contrastes entre as anunciadas públicas virtudes e os vícios privados.

TOMA!
3-1. Para começar...
50 mil. Extasiados. Emoção a rodos na inauguração do Alvalade XXI. Com muito futebol dos ‘leões’ e uma vitória para a história de 3-1 sobre o Manchester. Quando Luís Filipe fez o 1-0 foi o delírio. Com o ‘bis’ de João Pinto foi a verdadeira loucura. Merecida
in «Noite de Golos Faz História», Correio da Manhã

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TOMA!

3-1. Para começar...

50 mil. Extasiados. Emoção a rodos na inauguração do Alvalade XXI. Com muito futebol dos ‘leões’ e uma vitória para a história de 3-1 sobre o Manchester. Quando Luís Filipe fez o 1-0 foi o delírio. Com o ‘bis’ de João Pinto foi a verdadeira loucura. Merecida

in «Noite de Golos Faz História», Correio da Manhã
POLÍTICA
A todos os interessados nas possibilidades da democracia electrónica recomendo vivamente uma visita ao E-Democrcy.US, um site feito para refelctir o que nesta matéria existe em relação às eleições presidenciais norte-americanas de 2004, com links abundantes e informações interessantes.

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POLÍTICA

A todos os interessados nas possibilidades da democracia electrónica recomendo vivamente uma visita ao E-Democrcy.US, um site feito para refelctir o que nesta matéria existe em relação às eleições presidenciais norte-americanas de 2004, com links abundantes e informações interessantes.
PARA COMEÇAR O DIA
Que tal um poema? De Silvia Plath? - Assim:
Papoilas em julho

Pequenas papoilas, pequenas chamas infernais,
sois inofensivas?

Estremeceis. Não posso tocar-vos.
Ponho as minhas mãos por entre as chamas. Mas nada
queima.

E fico exausta quando vos vejo
estremecer assim, pregueadas e rubras como a pele da
boca.

Uma boca há pouco ensanguentada.
Pequenas orlas de sangue!

Há nela um fumo que não consigo tocar.
Onde está o vosso ópio, as vossas cápsulas nauseabundas?

Se eu pudesse esvair-me em sangue ou dormir!...
Se a minha boca conseguisse desposar uma tal ferida!

Ou os vossos licores me penetrassem, nesta cápsula de
vidro,
trazendo-me a acalmia e o silêncio.

Mas sem cor. Sem nenhuma cor.



O seu a seu dono: a inspiração e o «copy» vêm do Poesia E Prosa

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PARA COMEÇAR O DIA

Que tal um poema? De Silvia Plath? - Assim:

Papoilas em julho



Pequenas papoilas, pequenas chamas infernais,

sois inofensivas?



Estremeceis. Não posso tocar-vos.

Ponho as minhas mãos por entre as chamas. Mas nada

queima.



E fico exausta quando vos vejo

estremecer assim, pregueadas e rubras como a pele da

boca.



Uma boca há pouco ensanguentada.

Pequenas orlas de sangue!



Há nela um fumo que não consigo tocar.

Onde está o vosso ópio, as vossas cápsulas nauseabundas?



Se eu pudesse esvair-me em sangue ou dormir!...

Se a minha boca conseguisse desposar uma tal ferida!



Ou os vossos licores me penetrassem, nesta cápsula de

vidro,

trazendo-me a acalmia e o silêncio.



Mas sem cor. Sem nenhuma cor.







O seu a seu dono: a inspiração e o «copy» vêm do Poesia E Prosa

agosto 06, 2003

ALTURA
Tenho cerca de um metro e noventa. Nem imaginam a série de dificuldades práticas que isto coloca. Muitas vezes, desde lojas de roupa a cadeiras de salas de espectáculos, sinto-me descriminado. Agora saíu nos Estados Unidos uma revista para pessoas altas. Chama-se, claro, Tall e a capa do primeiro número mostra um rapaz do meu tamanho, Donald Sutherland. A revista fala dos problemas das pessoas altas, dá conselhos, mostra o valor económico deste mercado, digamos, de gigantes. A Slate fez um divertido artigo de apresentação da revista cujo lema é
because life may be short, but we're not.

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ALTURA

Tenho cerca de um metro e noventa. Nem imaginam a série de dificuldades práticas que isto coloca. Muitas vezes, desde lojas de roupa a cadeiras de salas de espectáculos, sinto-me descriminado. Agora saíu nos Estados Unidos uma revista para pessoas altas. Chama-se, claro, Tall e a capa do primeiro número mostra um rapaz do meu tamanho, Donald Sutherland. A revista fala dos problemas das pessoas altas, dá conselhos, mostra o valor económico deste mercado, digamos, de gigantes. A Slate fez um divertido artigo de apresentação da revista cujo lema é

because life may be short, but we're not.
BLOG PRESIDENCIAL
O candidato presidencial norte-americano Howard Dean tem um blog que um dos especialistas da mátéria, Howard Glaser (já aqui citado várias vezes) aponta como exemplo num artigo da Online Journalism Review. Glaser diz que o blog do político tem poucas contribuições pessoais do próprio candidato, mas encontra-lhe numerosas virtualidades.
Uma pesquisa no Google, diz Glaser, mostra o impacto de Dean nos media: 4340 referências, já sem contar com as capas das edições desta semana da «Time» e da «Newsweek». Como Glaser diz: A recurrent theme is that Dean's staff has unleashed the power of the Internet, raising millions of dollars through online drives, organizing real-world meetings of thousands of supporters through MeetUp.com, and keeping everyone updated through the "official blog." But wait, there's more. There's a photo gallery, a video repository called Dean TV, and even a wireless news update service. Not too shabby for a guy who admitted to CNN that "I kind of missed the Internet boom."

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BLOG PRESIDENCIAL

O candidato presidencial norte-americano Howard Dean tem um blog que um dos especialistas da mátéria, Howard Glaser (já aqui citado várias vezes) aponta como exemplo num artigo da Online Journalism Review. Glaser diz que o blog do político tem poucas contribuições pessoais do próprio candidato, mas encontra-lhe numerosas virtualidades.

Uma pesquisa no Google, diz Glaser, mostra o impacto de Dean nos media: 4340 referências, já sem contar com as capas das edições desta semana da «Time» e da «Newsweek». Como Glaser diz: A recurrent theme is that Dean's staff has unleashed the power of the Internet, raising millions of dollars through online drives, organizing real-world meetings of thousands of supporters through MeetUp.com, and keeping everyone updated through the "official blog." But wait, there's more. There's a photo gallery, a video repository called Dean TV, and even a wireless news update service. Not too shabby for a guy who admitted to CNN that "I kind of missed the Internet boom."

POLÉMICA
As novas regras da FCC (Federal Communications Commission) estão no centro de uma polémica. Muita gente afirma que a reforma privilegia os gigantes dos media. A Columbia Journalism Review tem um belo artigo sobre o assunto.

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POLÉMICA

As novas regras da FCC (Federal Communications Commission) estão no centro de uma polémica. Muita gente afirma que a reforma privilegia os gigantes dos media. A Columbia Journalism Review tem um belo artigo sobre o assunto.
PORTÁTEIS
Uma das preocupações dos estudantes norte-americanos é poderem ter computadores portáteis suficientemente em conta para serem uma ferramenta básica de trabalho. A designação «laptop» foi quase abandonada pela maior parte das marcas, que agora lhes chama «notebooks». A Wired compara preços e características técnicas e mostra como no mercado norte-americano se pode comprar uma boa máquina por menos de 1000 dolares.

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PORTÁTEIS

Uma das preocupações dos estudantes norte-americanos é poderem ter computadores portáteis suficientemente em conta para serem uma ferramenta básica de trabalho. A designação «laptop» foi quase abandonada pela maior parte das marcas, que agora lhes chama «notebooks». A Wired compara preços e características técnicas e mostra como no mercado norte-americano se pode comprar uma boa máquina por menos de 1000 dolares.

agosto 05, 2003

ANÚNCIO DA SUA MORTE
Cito o Abrupto:
«Texto do anúncio da sua própria morte feito por João Pulido Valente:

"Eu, João Pulido Valente, informo os meus Amigos que morri hoje, 4 de Agosto de 2003, de manhãzinha. Convivi com Ideias, mulheres, tabaco e álcool. Contraí cadeia, sífilis, cancro e ressacas. Não estou arrependido. Julgo ter pago o preço justo por ter vivido. Quando eu morrer não quero choro nem velas, quero uma fita amarela, gravada com o nome dela: Liberdade."

Ainda há homens assim. »

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ANÚNCIO DA SUA MORTE

Cito o Abrupto:

«Texto do anúncio da sua própria morte feito por João Pulido Valente:



"Eu, João Pulido Valente, informo os meus Amigos que morri hoje, 4 de Agosto de 2003, de manhãzinha. Convivi com Ideias, mulheres, tabaco e álcool. Contraí cadeia, sífilis, cancro e ressacas. Não estou arrependido. Julgo ter pago o preço justo por ter vivido. Quando eu morrer não quero choro nem velas, quero uma fita amarela, gravada com o nome dela: Liberdade."



Ainda há homens assim. »

NOVO IDIOMA
O que é o Hinglish? Leiam aqui.

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NOVO IDIOMA

O que é o Hinglish? Leiam aqui.
CAPACIDADE POLÍTICA
«Os Certos Também Erram» é um belo artigo de Marcos Sá Corrêa sobre o exercício do poder, que pode ser integralmente lido em no mínimo. Não resisto a um excerto que tão bem se adapta a tantos políticos: Qualquer pessoa que já tenha sentado numa mesa de reunião sabe quantas idéias boas são propostas por gente bem intencionada que não poderiam de maneira alguma ser executadas, porque a proposta consistia apenas de resultados, não de meios para chegar lá. Depois de participar de um governo local, o escritor Bernard Shaw orçou em cinco por cento da humanidade os seres humanos dotados de aptidão política.
Mas ninguém pode ser um verdadeiro político e ao mesmo tempo, incapaz de tocar uma administração. Administrar é manter a ordem numa situação que continuamente tende à desordem. Dirigindo qualquer organização, tanto as pessoas quanto as idéias têm que ser repostas em seus lugares dia após dia. Senão, idéias que poderiam funcionar não funcionarão.

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CAPACIDADE POLÍTICA

«Os Certos Também Erram» é um belo artigo de Marcos Sá Corrêa sobre o exercício do poder, que pode ser integralmente lido em no mínimo. Não resisto a um excerto que tão bem se adapta a tantos políticos: Qualquer pessoa que já tenha sentado numa mesa de reunião sabe quantas idéias boas são propostas por gente bem intencionada que não poderiam de maneira alguma ser executadas, porque a proposta consistia apenas de resultados, não de meios para chegar lá. Depois de participar de um governo local, o escritor Bernard Shaw orçou em cinco por cento da humanidade os seres humanos dotados de aptidão política.

Mas ninguém pode ser um verdadeiro político e ao mesmo tempo, incapaz de tocar uma administração. Administrar é manter a ordem numa situação que continuamente tende à desordem. Dirigindo qualquer organização, tanto as pessoas quanto as idéias têm que ser repostas em seus lugares dia após dia. Senão, idéias que poderiam funcionar não funcionarão.

Testemunho
Pode um telemóvel com câmara fotográfica servir de testemunha de um crime? Parece que sim e o primeiro caso já aconteceu. A história toda vem relatada aqui e cita uma notícia da Associated Press.

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Testemunho

Pode um telemóvel com câmara fotográfica servir de testemunha de um crime? Parece que sim e o primeiro caso já aconteceu. A história toda vem relatada aqui e cita uma notícia da Associated Press.
SEMPRE O MESMO TARGET
A procura por públicos jovens para os media é o eldorado dos tempos modernos. Agora responsáveis por websites de medias tradicionais também descobriram que sem leitores jovens o seu futuro é negro. Bastava terem pensado nos seus media originais para percebrem isso, mas paciência. Aqui fica o relatório.

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SEMPRE O MESMO TARGET

A procura por públicos jovens para os media é o eldorado dos tempos modernos. Agora responsáveis por websites de medias tradicionais também descobriram que sem leitores jovens o seu futuro é negro. Bastava terem pensado nos seus media originais para percebrem isso, mas paciência. Aqui fica o relatório.
VOTO ELECTRÓNICO
Os riscos e vantagens de máquinas que permitam o voto electrónico através de sistemas simples (ecrãs sensíveis ao toque em assembleias de voto) está a ser avaliada pelo Congresso norte-americano. A história é da Wired.

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VOTO ELECTRÓNICO

Os riscos e vantagens de máquinas que permitam o voto electrónico através de sistemas simples (ecrãs sensíveis ao toque em assembleias de voto) está a ser avaliada pelo Congresso norte-americano. A história é da Wired.

agosto 04, 2003

MONTEIRO
Tenho a vaga sensação de que a oposição ao Governo se resume ao Dr. Monteiro. A propósito dos incêndios foi o único político extra-coligação que apareceu nas televisões. Os outros coibiram-se por pudor de criticar, por medo de se solidarizar, ou preferiram ficar no recato do mar?

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MONTEIRO

Tenho a vaga sensação de que a oposição ao Governo se resume ao Dr. Monteiro. A propósito dos incêndios foi o único político extra-coligação que apareceu nas televisões. Os outros coibiram-se por pudor de criticar, por medo de se solidarizar, ou preferiram ficar no recato do mar?
O MONÓLOGO
A conversa do Professor Marcelo Rebelo de Sousa aos Domingos na TVI está cada vez mais perto de um monólogo. Já se sabe que tudo é preparado e combinado, que o apresentador do telejornal só está ali para dar as deixas e criar uma ilusão de conversa - mas a verdade é que sobretudo nas últimas semanas tudo se parece cada vez mais com um longo e monótono monólogo, mais destinado a ajustar questões pessoais do que a comentar e elucidar quem quer que seja sobre a actualidade. O espaço da entrevista transformou-se numa espécie de «speaker's corner» pessoal onde o Professor arenga o que lhe apetece, exerce o seu costumeiro hábito de salpicar o ecrã com as maldades que lhe dão prazer, não hesita em distorcer as coisas ao jeito dos seus desejos para que a oratória lhe saia mais arrebatada. Aquilo que começou por ser um ponto interessante a seguir em matéria de comentário está aos poucos a tornar-se num enfadonho a cabotino momento de televisão.

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O MONÓLOGO

A conversa do Professor Marcelo Rebelo de Sousa aos Domingos na TVI está cada vez mais perto de um monólogo. Já se sabe que tudo é preparado e combinado, que o apresentador do telejornal só está ali para dar as deixas e criar uma ilusão de conversa - mas a verdade é que sobretudo nas últimas semanas tudo se parece cada vez mais com um longo e monótono monólogo, mais destinado a ajustar questões pessoais do que a comentar e elucidar quem quer que seja sobre a actualidade. O espaço da entrevista transformou-se numa espécie de «speaker's corner» pessoal onde o Professor arenga o que lhe apetece, exerce o seu costumeiro hábito de salpicar o ecrã com as maldades que lhe dão prazer, não hesita em distorcer as coisas ao jeito dos seus desejos para que a oratória lhe saia mais arrebatada. Aquilo que começou por ser um ponto interessante a seguir em matéria de comentário está aos poucos a tornar-se num enfadonho a cabotino momento de televisão.
MAIS UMA REVISTA QUE EU LEIO
Todos os meses tenho encontro certo com a «Grande Reportagem». Desta vez o que ma atraíu foi o texto de João Pombeiro sobre o escritor norte-americano John dos Passos. Depois, um discreto artigo sobre três nomes de referência nos blogs: Andrew Sullivan, Eugene Volokh e Glenn Reynolds. Finalmente um oportuno artigo de Peter Strandberg que ajuda a perceber o que se está a passar na Libéria. Agora, as fotos: magnífica a da capa, uma imagem de forcados na arena, extraída da reportagem de Pedro Loureiro. E o bom portfolio «American Dream», de António Sá, nome a reter nestas coisas de fotografia.

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MAIS UMA REVISTA QUE EU LEIO

Todos os meses tenho encontro certo com a «Grande Reportagem». Desta vez o que ma atraíu foi o texto de João Pombeiro sobre o escritor norte-americano John dos Passos. Depois, um discreto artigo sobre três nomes de referência nos blogs: Andrew Sullivan, Eugene Volokh e Glenn Reynolds. Finalmente um oportuno artigo de Peter Strandberg que ajuda a perceber o que se está a passar na Libéria. Agora, as fotos: magnífica a da capa, uma imagem de forcados na arena, extraída da reportagem de Pedro Loureiro. E o bom portfolio «American Dream», de António Sá, nome a reter nestas coisas de fotografia.
AS REVISTAS QUE EU LEIO
Cada vez gosto mais da «Newsweek». Em relação aos newsmagazines, confesso que tenho fases, ciclos - uns tempos gosto mais da «Time», outros, como já acontece de há uns seis meses para cá, gosto mais da «Newsweek». Acho-a mais sintética, mais diversificada, com maior atenção a questões como o entretenimento e as artes, com um enfoque maior no porquê das coisas. No último número a reportagem sobre os últimos dias da vida dos filhos de Saddam é um exemplo de bom jornalismo.

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AS REVISTAS QUE EU LEIO

Cada vez gosto mais da «Newsweek». Em relação aos newsmagazines, confesso que tenho fases, ciclos - uns tempos gosto mais da «Time», outros, como já acontece de há uns seis meses para cá, gosto mais da «Newsweek». Acho-a mais sintética, mais diversificada, com maior atenção a questões como o entretenimento e as artes, com um enfoque maior no porquê das coisas. No último número a reportagem sobre os últimos dias da vida dos filhos de Saddam é um exemplo de bom jornalismo.

agosto 03, 2003

DE UNS PARA OS OUTROS
Não resisto a citar: E é assim tão grave se andarmos aqui a escrever uns para os outros, na «blogosfera», essa «ondulação estival»? Para quem se há-de escrever? Para quem cá anda, para quem aparece, para quem pisca o olho e diz «ontem li o teu texto» ou para quem vem às escondidas, para quem telefona, para quem se importa. «Escrevem uns para os outros.» Não me lixem. Claro que escrevemos uns para os outros. Claro que escrevemos para os outros. E, dado que o mundo é como é, escreve-se sobre política, sobre incêndios florestais, sobre Salinger, sobre música, sobre comida, sobre charutos, sobre o que passa, sobre os outros. . Isto tudo ( e uns parágrafos mais, bem deliciosos, vêm a propósito da coluna de Eduardo Prado Coelho sobre os blogs, já por aqui mencionada. Tudo pode ser lido no Aviz.

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DE UNS PARA OS OUTROS

Não resisto a citar: E é assim tão grave se andarmos aqui a escrever uns para os outros, na «blogosfera», essa «ondulação estival»? Para quem se há-de escrever? Para quem cá anda, para quem aparece, para quem pisca o olho e diz «ontem li o teu texto» ou para quem vem às escondidas, para quem telefona, para quem se importa. «Escrevem uns para os outros.» Não me lixem. Claro que escrevemos uns para os outros. Claro que escrevemos para os outros. E, dado que o mundo é como é, escreve-se sobre política, sobre incêndios florestais, sobre Salinger, sobre música, sobre comida, sobre charutos, sobre o que passa, sobre os outros. . Isto tudo ( e uns parágrafos mais, bem deliciosos, vêm a propósito da coluna de Eduardo Prado Coelho sobre os blogs, já por aqui mencionada. Tudo pode ser lido no Aviz.
A COISA PROMETE
Alberto Gonçalves, que só conheço pelo que escrevia no «Correio da Manhã», tem um blog que promete: Homem A Dias. Para já o que escreveu sobre o estado da opinião em Portugal merece elogio e citação: Salvo excepções, não temos comentadores, temos mensageiros, que passam recados nas páginas dedicadas ao efeito, exaltando compinchas, zurzindo desafectos. Nem vale a pena mencionar o espartilho partidário: Lisboa é pequena e provinciana (o Porto é pior), os restaurantes de jeito escasseiam e os bares em voga, por definição, são poucos. Toda a gente se roça mútua e publicamente aqui e ali. Antipatiza-se com uns, simpatiza-se com os restantes, não importa: o resultado é uma enviesada desgraça. Lembro-me de um «vulto» da crónica nacional a quem apetecia desancar Paulo Portas, mas que não o fazia «por ser amigo dele». A fidelidade ao amigo ficou-lhe bem; a profissão nem tanto.
À semelhança do IRS dos políticos, aos cronistas deveria ser exigida e tornada pública a declaração anual de relações pessoais. Ao menos perceberíamos de quem se fala quando se fala da «grande promessa que o parlamento revelou» ou desse «ministro emocionalmente débil, tendencialmente autoritário e um acabado cabrão». Ou sim, ou sopas. Os blogues, Deus os guarde, começaram pelo «sim», mas alguns já arrastam a colher para as «sopas». É a arte de ser português.
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A COISA PROMETE

Alberto Gonçalves, que só conheço pelo que escrevia no «Correio da Manhã», tem um blog que promete: Homem A Dias. Para já o que escreveu sobre o estado da opinião em Portugal merece elogio e citação: Salvo excepções, não temos comentadores, temos mensageiros, que passam recados nas páginas dedicadas ao efeito, exaltando compinchas, zurzindo desafectos. Nem vale a pena mencionar o espartilho partidário: Lisboa é pequena e provinciana (o Porto é pior), os restaurantes de jeito escasseiam e os bares em voga, por definição, são poucos. Toda a gente se roça mútua e publicamente aqui e ali. Antipatiza-se com uns, simpatiza-se com os restantes, não importa: o resultado é uma enviesada desgraça. Lembro-me de um «vulto» da crónica nacional a quem apetecia desancar Paulo Portas, mas que não o fazia «por ser amigo dele». A fidelidade ao amigo ficou-lhe bem; a profissão nem tanto.

À semelhança do IRS dos políticos, aos cronistas deveria ser exigida e tornada pública a declaração anual de relações pessoais. Ao menos perceberíamos de quem se fala quando se fala da «grande promessa que o parlamento revelou» ou desse «ministro emocionalmente débil, tendencialmente autoritário e um acabado cabrão». Ou sim, ou sopas. Os blogues, Deus os guarde, começaram pelo «sim», mas alguns já arrastam a colher para as «sopas». É a arte de ser português.

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SPECTATOR
Tenho pena de não existir por cá nada que se pareça, de perto ou de longe, com a revista semanal britânica The Spectator. E tenho ainda mais pena que ninguém em Portugal edite um resumo do que se passou durante a semana como o que a revista publica sempre sob a designação Portrait Of The Week cuja leitura não me canso de recomendar como exemplo do que é uma síntese informativa impecavelmente bem feita, objectiva mas com sentido crítico, factual mas com ironia. O que prova que o bom jornalismo não é chato. O mau jornalismo é que aborrece.

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SPECTATOR

Tenho pena de não existir por cá nada que se pareça, de perto ou de longe, com a revista semanal britânica The Spectator. E tenho ainda mais pena que ninguém em Portugal edite um resumo do que se passou durante a semana como o que a revista publica sempre sob a designação Portrait Of The Week cuja leitura não me canso de recomendar como exemplo do que é uma síntese informativa impecavelmente bem feita, objectiva mas com sentido crítico, factual mas com ironia. O que prova que o bom jornalismo não é chato. O mau jornalismo é que aborrece.

POIS...
Como era de prever o desejo de protagonismo do Dr. Soares foi bem compreendido pela generalidade dos media, que lhe fizeram o favor de espalhar aos quatro ventos a sua doutrina. Não sei se já repararam mas só aqui é que o pessoal ainda vai na treta de dar atenção ao que dizem os ex-titulares de cargos públicos (é claro que só aqui, também, é que eles têm a lata e o descaramento de intervir sistematicamente na actualidade política quando teroricamente não desempenham nenhum cargo relevante para que tal aconteça). Vêem isto a passar-se em mais algum lado? Um ex-Presidente em Portugal tem mais eco que um Presidente em exercício ou um Governo em funções. Isto é estranho ou sou eu que estou a ver mal as coisas?

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POIS...

Como era de prever o desejo de protagonismo do Dr. Soares foi bem compreendido pela generalidade dos media, que lhe fizeram o favor de espalhar aos quatro ventos a sua doutrina. Não sei se já repararam mas só aqui é que o pessoal ainda vai na treta de dar atenção ao que dizem os ex-titulares de cargos públicos (é claro que só aqui, também, é que eles têm a lata e o descaramento de intervir sistematicamente na actualidade política quando teroricamente não desempenham nenhum cargo relevante para que tal aconteça). Vêem isto a passar-se em mais algum lado? Um ex-Presidente em Portugal tem mais eco que um Presidente em exercício ou um Governo em funções. Isto é estranho ou sou eu que estou a ver mal as coisas?