agosto 14, 2003

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POESIA DE SAUDADE



Dá paz ao ardor

De quem te deseja.

Contenta o amor

E faz dom de ti,

amos, sorri,

Quando a boca beija.

Me disse na hora:

«Pecar me refreia.»

Respondi-lhe:

«Ora! Não é coisa feia.»



Estas palavras são de Al - Mu'tamid, que viveu entre 1040 e 1091, durante o domínio Árabe. Poeta e guerreiro, foi Rei de Sevilha e a sua «Evocação de Silves» é irresistível:

Saúda, por mim, Abg Bakr,

Os queridos lugares de Silves

E diz-me se deles a saudade

É tão grande quanto a minha.

Saúda o palácio dos Balcões

Da parte de quem nunca os esqueceu.

Morada de leões e de gazelas

Salas e sombras onde eu

Doce refúgio encontrava

Entre ancas opulentas

E tão estreitas cinturas!

Mulheres níveas e morenas

Atravessavam-me a alma

Como brancas espadas

E lanças escuras.

Ai quantas noites fiquei,

Lá no remanso do rio,

Nos jogos do amor

Com a da pulseira curva

Igual aos meandros da água

Enquanto o tempo passava..

E me servia de vinho:

O vinho do seu olhar

Às vezes o do seu copo

E outras vezes o da boca.

Tangia cordas de alaúde

E eis que eu estremecia

Como se estivesse ouvindo

Tendões de colos cortados.

Mas retirava o seu manto

Grácil detalhe mostrando:

Era ramo de salgueiro

Que abria o seu botão

Para ostentar a flor.