dezembro 03, 2013

SOMOS CADA VEZ MENOS

Esta semana foi divulgado um estudo que indica que Portugal perde habitantes a um ritmo crescente e tudo indica que, quando acabar a intervenção da troika, teremos uma população menor e mais envelhecida do que aquela que tínhamos quando a crise começou. O aumento da emigração e a quebra da natalidade, em conjunto, colocam Portugal numa situação pior que qualquer outro dos países intervencionados.




Os efeitos da crise e as perspectivas nebulosas quanto ao futuro adiam decisões dos casais novos sobre mais filhos – o que quer dizer que daqui a duas décadas teremos um problema: menos novas famílias constituídas, diminuição do consumo, com, consequências que atingem vários sectores da economia.


 


Por outro lado a saída de muitos jovens que vão procurar trabalho no estrangeiro tem um reflexo directo no envelhecimento da população, o que reduz ainda mais a taxa de natalidade e agrava a situação.


 


Vários especialistas consideram, por outro lado, que o aumento da emigração dos jovens mais qualificados significa também que iremos ter menores condições de desenvolver sectores competitivos da economia. No jornal “Público” de ontem vários especialistas coincidiam no diagnóstico: “A perda de população tira ao país potencialidades de crescimento a prazo”. Porquê? – “Na prática, o que acontece é que com menos população, especialmente se a que saíu estava entre a que tinha mais qualificações, a capacidade do país para ser mais produtivo, competitivo e inovador pode perder-se durante um período muito longo de tempo.”


 


Esta situação de perca de população é um efeito colateral, mas directo, das medidas tomadas na sequência do descalabro a que se chegou. O descalabro da primeira década deste século vai deixar marcas numa geração inteira.