dezembro 18, 2013

SOBRA A INDIGNAÇÃO

Há semanas em que falta assunto. Esta é uma delas. Não sei do que hei-de falar, sobre que tema escrever. Não vou falar da tragédia que aconteceu durante o fim-de-semana na Praia do Meco. Olho já sem espanto para as notícias que revelam adjudicações dúbias e que envolvem figuras destacadas do PSD Porto. Fico quase sem reação quando leio que o Director demitido da PSP na sequência da invasão da escadaria do Parlamento vai para oficial de ligação da embaixada portuguesa em Paris, com a diplomática remuneração correspondente. Sorrio quando ouço Sócrates comentar o défice português e a política de austeridade. Sorrio ainda mais quando percebo que o retrato que os Gato Fedorento fizeram do país, e que só vi no YouTube, consegue ter graça no meio de toda esta desgraça – e interrogo-me sobre o porquê de terem sido tão criticados. Constato que enquanto Passos Coelho teoriza sobre a não necessidade de um acordo com o PS, o seu parceiro de coligação, Paulo Portas, afirma ser pecado não negociar com os socialistas. Passeio nas ruas de Lisboa e continuo a desesperar, num Domingo à tarde, com o que António Costa fez à Avenida da Liberdade e interrogo-me se os engarrafamentos contínuos não geram enorme poluição. Fico desanimado quando olho à volta e fico a apreciar o que se diz e o que se passa. Não ouço uma ideia transformadora vinda de quem manda – na cidade ou no país. O poder vicia e rotina-se – e quando isso acontece perde razão de ser. Eu, contrariado, começo a encolher os ombros. Já pouco me espanta, mesmo quando muito me indigna.


 


(Publicado no diário Metro de  17 de Dezembro)