setembro 11, 2012

UMA SEXTA FEIRA NEGRA

Benjamim Franklin foi um dos fundadores dos Estados Unidos e uma das suas citações mais conhecidas reza mais ou menos assim: “na vida tudo é incerto, menos a morte e os impostos”. Sexta-feira passada o Primeiro Ministro português veio relembrar isto da pior forma possível numa intervenção cheia de pontos mal esclarecidos. E depois do discurso do novo imposto partiu para um concerto de Paulo de Carvalho onde esteve de cara alegre, a entoar o refrão de algumas cantigas. Para rematar, foi ao Facebook dizer ter pena das opções que tinha de tomar. Poucas coisas me espantam – mas estas deixaram-me perplexo. Nesse dia Passos Coelho divorciou-se do país.


 


Nada disto faz sentido. Até o Partido Popular, que se gabava de não aceitar mais impostos, se conformou e sucumbiu – argumentando que se trataria de uma taxa. Bagão Felix, histórico do PP e ex-Ministro das Finanças no anterior Governo de coligação, foi claro a criticar a medida: “É um verdadeiro imposto. Deixou de ser uma contribuição social para ser um imposto único”. Foi uma das muitas vozes do PSD e do PP que criticaram o rumo escolhido.


 


Os atos mostram um Governo de políticos que escolhem sempre o caminho mais simples. Como o sistema de controlo nos impostos e segurança social, criado para verificar as contribuições do trabalho, é o único que funciona, é utilizado à exaustão pelo Estado para aumentar receitas – porque é mais fácil que cortar as gorduras do Estado.


 


O melhor resumo da situação é de Fortunato Frederico, que lidera o grupo de calçado Kyaia, que faz a marca Fly London: “Estas medidas não têm pés nem cabeça. As empresas precisam é de trabalhar. Não me adianta nada que desçam a taxa social única para as empresas, se as pessoas não tem dinheiro para me comprar sapatos”.


 


(Publicado no "Metro" de 11 de Setembro)