julho 14, 2010

UMA MINISTRA INCAPAZ

(Publicado no diário Metro de dia 13 de Julho)


 


A senhora Ministra da Cultura anunciou no final da semana passada que é incompetente para afastar dirigentes do seu Ministério, preferindo que eles se demitam. Isto parece-vos estranho? Eu também acho que é um pouco bizarro, mas a realidade é que a Ministra fez um comunicado onde está escrito, preto no branco: « A Ministra da Cultura confirma o pedido de demissão do Director-Geral das Artes. O Ministério da Cultura manifesta a sua grande satisfação por esta decisão, que vem permitir finalmente que a DGArtes se liberte de constrangimentos vários que têm vindo a dificultar a sua acção.»


 


Este comunicado mostra bem o estado a que se chegou na área da Cultura: uma Ministra incapaz de governar o seu próprio Ministério, que prefere deixar apodrecer uma situação a intervir, e que ao longo de meses vai deliberadamente agravando o funcionamento de um sector na esperança de que alguém se farte e resolva sair daquela casa – que foi exactamente o que acabou por acontecer.


 


Independentemente do fraco retrato que dá de si própria e da sua capacidade de decisão e de acção, o comunicado é mais grave – porque lança suspeitas, graves, sobre uma pessoa séria – Jorge Barreto Xavier, o citado Director Geral das Artes que se fartou e foi embora. E é exactamente o carácter rasca de todo o comunicado, que pode ser lido no site do Ministério da Cultura, que traça o melhor retrato do que é a actuação do Ministério da Cultura sob a gestão Gabriela Canavilhas – uma casa onde se diz hoje uma coisa e amanhã outra, apenas capaz de funcionar por impulsos externos, sem linha estratégica nem programa de acção.


 


O balanço do consulado Sócrates em matéria de Cultura é verdadeiramente desastroso – decisões de impulso, mal pensadas, falta do mínimo de coerência, inexistência de qualquer linha programática, cedência a gostos e modas, instabilidade no sector, negócios pouco claros na relação entre o Estado e grandes coleccionadores, obras faraónicas e polémicas, como o novo Museu dos Coches, desperdiçando o parco dinheiro que cronicamente existe na área da Cultura.