julho 20, 2010

QUAL CRISE? - UM GOVERNO EM CRISE

(Publicado no diário Metro de 20 de Julho)


 


José Sócrates gosta de se iludir a si próprio e de iludir os outros: não se cansa de dizer alto e bom som que «o país precisa de tudo menos de uma crise política», mesmo quando ela está à sua frente. O grande problema é que os seus Ministros não acreditam no seu conselho e fazem tudo, mas mesmo tudo, para tornar a crise evidente.


Querem ver o que é sinal de crise? Enquanto o Ministro das Finanças se esforça para ver onde reduz a despesa, a Ministra da Cultura vem dizer que José Sócrates a deixa gastar sem fazer cortes; Mariano Gago, Ministro do Ensino Superior, garante que o Primeiro Ministro lhe prometeu não fazer passar as Universidades por apertos orçamentais; a Ministra do Trabalho anunciou por sua conta e risco que a Função Pública teria aumentos iguais à inflação; e o Ministro das Obras Públicas tornou-se o maior trapalhão do executivo, desdizendo-se a toda a hora sobre o romance das portagens e os grandes investimentos. Quando a coisa aperta todos eles se viram para o mesmo sítio – o Ministro das Finanças que se arranje para resolver o problema.


Nas últimas semanas tornou-se evidente que há duas políticas financeiras no Governo – a que o Ministro das Finanças explica a Bruxelas e aos mercados internacionais; e a que o Primeiro Ministro atribui aos seus Ministros, rateando promessas e mais promessas sem cuidar como as cumprir.


A realidade é que vivemos numa crise política que passa pelo facto de o Governo actual ter sido eleito com um programa que é o oposto daquele que está a colocar em prática. Os eleitores não votaram nestas políticas, votaram em promessas que foram já abandonada. José Sócrates foi eleito porque mentiu prometendo o que não podia cumprir, e fez isso porque está agarrado ao poder, que quer manter a todo o custo, mesmo chefiando um Governo cujos Ministros estão em roda livre e completamente desorientados. Na realidade este Governo deixou de ter legitimidade eleitoral. Ao PS resta convencer José Sócrates que o melhor será sair, precisamente em nome de resolver a crise política que se instalou.