(Publicado no Record de dia 22 de Juno)
Confesso que sou um fã de policiais – mesmo aqueles que têm um bocadito de futebol pelo meio, como os do Francisco José Viegas. Gosto de mistérios, de tentar adivinhar os culpados, de perceber a lógica das investigações. Pensando bem no assunto o futebol é um mundo de mistério – o próprio jogo é um mistério muitas vezes: porque é que uma equipa joga semanas a fio tão mal e, depois, de repente, dá uma cabazada ao adversário? Mistério!
Este Mundial, no caso português, está fértil em mistérios. Primeiro foi o Nani, que veio recambiado para Lisboa, com prazo de recuperação anunciado de uma semana, sem nunca se saber exactamente o que teve. A semana já lá vai e pouco se sabe mais do assunto – é certo que a vitória contra a Coreia faz esquecer muita coisa, mas lá que eu gostava de ver este mistério resolvido, gostava.
Outro mistério é o da lesão saltitante em parte incerta que atingiu Deco poucos dias depois de ter feito declarações que punham em causa Carlos Queiroz. O que eu sei é que primeiro a lesão era na anca direita, depois na anca esquerda e no fim parece que é na coxa. Não é preciso ser perito em anatomia para distinguir uma anca de uma coxa – e não estou a falar de bailarinas.
Feitas as contas a prestação da selecção até ao momento cifra-se em um empate, uma vitória e dois mistérios. Eu se fosse a Gilberto Madail encomendava aos Black Eyed Peas uma canção chamada «I’ve Got A Mistery»