(PUBLICADO NO DIÁRIO METRO DE DIA 9)
Um recente estudo, de Augusto Mateus, sobre a área da cultura e entretenimento mostra que hoje em dia o peso económico das indústrias criativas já é maior, por exemplo, que o dos têxteis. A Ministra da Cultura, numas declarações a propósito do estudo, meteu os pés pelas mãos e embrulhou-se toda para explicar, meio engasgada, que o estudo abrangia um universo muito lato que ía até ao que designou por música pimba, que não é mais que a música popular. Na realidade a vantagem deste estudo é que partiu para a análise do sector sem ideias feitas e com espírito aberto, adoptando aliás o enquadramento do sector que é utilizado em todo o mundo e que abrange, além das áreas habituais, a industria discográfica, os espectáculos, o audiovisual (cinema e televisão), os jogos de computador ou a publicidade, por exemplo. Analisando as coisas nesta perspectiva, que é a que corresponde à realidade, cedo se torna evidente que o que interessa para desenvolver este sector é canalizar para lá mais investimentos em vez de a preocupação estar centrada apenas em subsídios pontuais. Ou seja, do ponto de vista de criação de postos de trabalho é importante fomentar a actividade nestas áreas, nomeadamente no audiovisual e no digital, assim como criar esquemas financeiros que fomentem, à semelhança de outros países, a compra de obras a jovens artistas plásticos. Desculpem por puxar a brasa ao audiovisual – uma língua e uma cultura que não estejam presentes de forma consistente na produção para digital, televisão e cinema estão condenadas ao progressivo desaparecimento no mundo actual. Por isso, o Fundo de Investimento para o Cinema e o Audiovisual, lançado há uns anos, era uma ideia importante. Infelizmente, soube-se esta semana, o Governo e o Ministério da Cultura não cumpriram os seus compromissos e estão a provocar a paralisia de empresas de produção, o despedimento de técnicos e a asfixia do sector. Ou seja, na prática o Governo faz o contrário daquilo que o estudo que encomendou aconselha.