maio 07, 2006

LUCROS – A Time Warner anunciou um aumento de lucros de 60 por cento no primeiro trimestre deste ano (o seu melhor de sempre), a Bertelsmann duplicou os lucros obtidos no período homólogo do ano passado e a BSkyB (operador de televisão de satélite britânico) anunciou que este período foi o mais lucrativo da história da companhia. Nem tudo são más notícias.


DEVORAR – A nova edição da revista «Atlântico», até agora a melhor desta nova série. A reter, em vésperas de Congresso do CDS, um muito interessante artigo de Pedro Ferraz da Costa sobre o partido, uma lúcida análise de Rui Ramos sobre «Um Cavaco Desconhecido», as peripécias do périplo africano do Primeiro-Ministro em «Como Esquiar em Angola», Carla Hilário Quevedo (a autora do blog «Bomba Inteligente») a braços com as polémicas em torno do mais recente livro de Margarida Rebelo Pinto e uma nova coluna, «O Engraxador», dedicada por Fernando Sobral à «Cinderella da política cultural da esquerda», Isabel Pires de Lima. Muita e divertida leitura para o fim de semana.


ESPERAR – A partir de 16 de Setembro vai haver um novo jornal semanário nas bancas, aos sábados. Chama-se «Sol» e será dirigido por António José Saraiva, Director do «Expresso» até ao fim do ano passado. Saraiva fez quarta-feira uma minuciosa apresentação do novo jornal e mostrou que nestes meses ele e a sua equipa fizeram bem o trabalho de casa. O projecto aponta para um jornal politicamente influente com mais características populares que é hábito neste tipo de imprensa, e quer ser assumidamente especulativo e interventivo. O «Sol» (logótipo muito bem conseguido de Pedro Proença) tem um grafismo entre o «back to basics» e detalhes interessantes da utilização da cor. A sua revista, «Tabu», promete ser uma boa surpresa. Sob o lema «Um Jornal Como Nunca Se Viu», o «Sol» vai de certeza dar muita dor de cabeça aos responsáveis do já conturbado mundo editorial português.


DESCOBRIR – Um novo magazine sobre artes plásticas, exclusivamente disponível na Internet, ArteCapital, está desde hoje disponível em www.artecapital.net . Dedicado fundamentalmente à arte moderna e contemporânea, a nova publicação on-line permitirá «ver» algumas das exposições patentes em galerias e museus e a ideia é de um conhecido coleccionador e galerista, Victor Pinto da Fonseca.


OUVIR – Serge Gainsbourg (1928-1991) foi uma das poucas personalidades marcantes na cultura popular francesa do século passado. Poeta, cantor, compositor, actor e realizador, Serge Gainsbourg viveu no início da sua carreira das influências de Boris Vian. Ganhou a notoriedade em 1968 graças a «Je T’Aime, Moi Non Plus» - a primeira versão era com Brigitte Bardot, que proibiu a sua edição e foi substituída em todos os sentido por uma jovem inglesa que tinha dado nas vistas numa cena de nu no filme «Blow Up» de Antonioni, Jane Birkin. A partir daí Gainsbourg tornou-se ainda mais radical nas suas provocações: queimou uma nota de 500 francos em directo num programa de televisão, gravou uma versão reggae da Marselhesa e fez-se fotografar quase nu ao lado da sua filha de 14 anos para o vídeo de «Lemon Incest». Escândalos à parte, Gainsbourg foi de facto um grande escritor de canções e «Monsieur Gainsbourg Revisited» é uma homenagem à sua obra. Nesta edição Jane Birkin coloca-se ao lado dos Franz Ferdinand para uma versão de «Sorry Angel», Cat Power e Karen Elson levam a provocação mais longe em «Je T’aime , Moi Non Plus», os Portishead cantam «Un Jour Comme Un Autre», Michael Stipe interpreta «L’Hotel», Tricky atira-se a «Goodbye Emmanuelle», Marianne Faithfull junta-se a Sly & Robbie para «Lola Rastaquore», os Placebo cantam «Ballade de Melody Nelson» e Carla Bruni retoma a tradição com «Cês Petits Riens». O disco, já devem ter percebido a esta hora, é mesmo imperdível. «Monsieur Gainsbourg Revisited», edição e distribuição Universal Music.


SABOREAR – No restaurante do novo Hotel «Aviz», não se come –saboreia-se. O cuidado posto na escolha de ingredientes, na confecção e no empratamento é grande, e as doses são fartas. Há clássicos que vêm do velho «Aviz» (como o Bacalhau à Gomes de Sá), há influências de mentores do projecto (bife raspado à Monjardino), a cozinha portuguesa impera nos pratos do dia, que vêm acompanhados por boas sugestões de vinhos. A sala é muito confortável, o serviço é primoroso, a conta é pesada, mas o prazer é bastante. Reservas pelo telefone 210 402 104, Rua Duque de Palmela 32, ao Marquês do Pombal.


Back To Basics - «Os políticos deviam ler ficção científica em vez de se meterem em cóboiadas e casos de polícia» - Arthur C. Clarke.

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LUCROS – A Time Warner anunciou um aumento de lucros de 60 por cento no primeiro trimestre deste ano (o seu melhor de sempre), a Bertelsmann duplicou os lucros obtidos no período homólogo do ano passado e a BSkyB (operador de televisão de satélite britânico) anunciou que este período foi o mais lucrativo da história da companhia. Nem tudo são más notícias.


DEVORAR – A nova edição da revista «Atlântico», até agora a melhor desta nova série. A reter, em vésperas de Congresso do CDS, um muito interessante artigo de Pedro Ferraz da Costa sobre o partido, uma lúcida análise de Rui Ramos sobre «Um Cavaco Desconhecido», as peripécias do périplo africano do Primeiro-Ministro em «Como Esquiar em Angola», Carla Hilário Quevedo (a autora do blog «Bomba Inteligente») a braços com as polémicas em torno do mais recente livro de Margarida Rebelo Pinto e uma nova coluna, «O Engraxador», dedicada por Fernando Sobral à «Cinderella da política cultural da esquerda», Isabel Pires de Lima. Muita e divertida leitura para o fim de semana.


ESPERAR – A partir de 16 de Setembro vai haver um novo jornal semanário nas bancas, aos sábados. Chama-se «Sol» e será dirigido por António José Saraiva, Director do «Expresso» até ao fim do ano passado. Saraiva fez quarta-feira uma minuciosa apresentação do novo jornal e mostrou que nestes meses ele e a sua equipa fizeram bem o trabalho de casa. O projecto aponta para um jornal politicamente influente com mais características populares que é hábito neste tipo de imprensa, e quer ser assumidamente especulativo e interventivo. O «Sol» (logótipo muito bem conseguido de Pedro Proença) tem um grafismo entre o «back to basics» e detalhes interessantes da utilização da cor. A sua revista, «Tabu», promete ser uma boa surpresa. Sob o lema «Um Jornal Como Nunca Se Viu», o «Sol» vai de certeza dar muita dor de cabeça aos responsáveis do já conturbado mundo editorial português.


DESCOBRIR – Um novo magazine sobre artes plásticas, exclusivamente disponível na Internet, ArteCapital, está desde hoje disponível em www.artecapital.net . Dedicado fundamentalmente à arte moderna e contemporânea, a nova publicação on-line permitirá «ver» algumas das exposições patentes em galerias e museus e a ideia é de um conhecido coleccionador e galerista, Victor Pinto da Fonseca.


OUVIR – Serge Gainsbourg (1928-1991) foi uma das poucas personalidades marcantes na cultura popular francesa do século passado. Poeta, cantor, compositor, actor e realizador, Serge Gainsbourg viveu no início da sua carreira das influências de Boris Vian. Ganhou a notoriedade em 1968 graças a «Je T’Aime, Moi Non Plus» - a primeira versão era com Brigitte Bardot, que proibiu a sua edição e foi substituída em todos os sentido por uma jovem inglesa que tinha dado nas vistas numa cena de nu no filme «Blow Up» de Antonioni, Jane Birkin. A partir daí Gainsbourg tornou-se ainda mais radical nas suas provocações: queimou uma nota de 500 francos em directo num programa de televisão, gravou uma versão reggae da Marselhesa e fez-se fotografar quase nu ao lado da sua filha de 14 anos para o vídeo de «Lemon Incest». Escândalos à parte, Gainsbourg foi de facto um grande escritor de canções e «Monsieur Gainsbourg Revisited» é uma homenagem à sua obra. Nesta edição Jane Birkin coloca-se ao lado dos Franz Ferdinand para uma versão de «Sorry Angel», Cat Power e Karen Elson levam a provocação mais longe em «Je T’aime , Moi Non Plus», os Portishead cantam «Un Jour Comme Un Autre», Michael Stipe interpreta «L’Hotel», Tricky atira-se a «Goodbye Emmanuelle», Marianne Faithfull junta-se a Sly & Robbie para «Lola Rastaquore», os Placebo cantam «Ballade de Melody Nelson» e Carla Bruni retoma a tradição com «Cês Petits Riens». O disco, já devem ter percebido a esta hora, é mesmo imperdível. «Monsieur Gainsbourg Revisited», edição e distribuição Universal Music.


SABOREAR – No restaurante do novo Hotel «Aviz», não se come –saboreia-se. O cuidado posto na escolha de ingredientes, na confecção e no empratamento é grande, e as doses são fartas. Há clássicos que vêm do velho «Aviz» (como o Bacalhau à Gomes de Sá), há influências de mentores do projecto (bife raspado à Monjardino), a cozinha portuguesa impera nos pratos do dia, que vêm acompanhados por boas sugestões de vinhos. A sala é muito confortável, o serviço é primoroso, a conta é pesada, mas o prazer é bastante. Reservas pelo telefone 210 402 104, Rua Duque de Palmela 32, ao Marquês do Pombal.


Back To Basics - «Os políticos deviam ler ficção científica em vez de se meterem em cóboiadas e casos de polícia» - Arthur C. Clarke.

maio 02, 2006

ANOTAR - Al Gore reinventou-se e na semana passada foi o orador convidado de uma plateia que juntou as estrelas de Silicon Valley, como os líderes da Apple, Yahoo e Google, entre outros. Num discurso apaixonado de hora e meia, Gore espantou a audiência com a forma como expôs a sua cruzada contra o aquecimento global do planeta. O seu objectivo era conseguir convencer os cérebros de Silicon Valley de que é fundamental descobrir soluções técnicas sólidas para combater o aquecimento global, numa espécia de aliança entre a ecologia, a tecnologia e o capitalismo. Além de estar num autêntico road-show mundial com este discurso, baseado num powerpoint que se está a tornar num mito, Gore e esta sua cruzada são o tema central de um documentário que foi uma das estrelas do Festval de Sundance e que vai ser distribuído agora pela Paramount, «An Inconvenient Truth». Gore – que cedo se deixou de carpir a derrota na campanha presidencial – conseguiu dar completamente a volta à sua actividade e é hoje em dia conselheiro de empresas como a Apple e a Google, impulsionador de um canal de televisão baseado na cidadania, a Current TV e está a concluir um novo livro que será editado ainda este ano.


DESCOBRIR - A revista norte-americana «Wired» detecta esta semana o surgimento de um novo grupo social, os «eco-estetas» e define-os assim: o telhado das suas casas está forrado a painéis solares, na garagem têm um carro com motor híbrido, nos armários têm apenas roupa feita a partir de algodão cultivado segundo os princípios orgânicos da agricultura biológica. O que é facto é que nos Estados Unidos são já um grupo de consumidores significativo, que estão a chamar a atenção, constituindo um mercado que ganha dimensão e que procura cada vez mais produtos que estejam associados à protecção do meio ambiente.


LER - A melhor ideia dos últimos tempos nasceu esta semana no jornal espanhol «El Pais». Trata-se de um novo jornal, autónomo, de distribuição gratuita, o «24 Horas», que tem a particularidade de não ser impresso. É de facto um jornal virtual, que existe apenas na Internet, que tem actualizações constantes, e que pode ser descarregado e impresso para se ler com calma à hora do almoço ou num copo de fim de tarde - «o primeiro jornal gratuito actualizado permanentemente», como anuncia o «El Pais». Este autêntico ovo de Colombo pode ainda por cima ser personalizado: cada leitor define o seu próprio perfil e pode pedir mais artigos relacionados com desporto, ou tecnologias, ou política internacional, ou cultura, ou sociedade. O jornal é feito a partir de artigos do «El Pais», pela redacção do diário madrileno. A distribuição fica facilitada à partida por ser baseada num dos sites mais visitados de Espanha (e da Europa), e a impressão deixa de ser um custo central para ser disseminada pelos leitores que fazem download do ficheiro PDF que se obtém fazendo o download do «24 Horas». O «24 Horas» é patrocinado em exclusivo pela transportadora aérea Iberia. O registo é gratuito, fundamental para se fazer a personalização da edição, mas toda a gente, mesmo os não registados, podem fazer o download. Todas as informações em www.elpais.es .


OUVIR - Sou um fã de canções inspiradas por blues e pelo jazz e, confesso, sou um fã da obra de Harold Arlen, um dos grandes compositores da música popular norte americana, que morreu em 1986. São suas canções como «Over The Rainbow», «One More For The Road», «Come Rain Or Come Shine», «It’s Only A Paper Moon» ou «Stormy Weather». Pois bem, Toots Thielemans, um grande músico de jazz belga que se tornou conhecido pela forma única como toca a harmónica, teve a ideia de juntar algumas das mais marcantes vozes do jazz contemporâneo, fazer novos arranjos das canções de Arlen e juntar tudo num só disco – que apropriadamente se chama «One More For The Road». Ali estão vozes como Jamie Cullum, Till Bronner, Madeleine Peyroux, Silje Nergaard e a grande Oleta Adams que se atira a «Stormy Weather». Um grande disco, CD Verve, distribuído por Universal Music.


EXPERIMENTAR – Os novos vinhos da enóloga Filipa Pato, filha de Luís Pato, «Ensaios». Tanto o branco como o tinto merecem atenção e têm uma belíssima relação qualidade/preço.


BACK TO BASICS – «Ao longo dos anos fui percebendo que um homem inútil é uma vergonha, dois são um escritório de advogados e três ou mais são um parlamento» - John Adams.

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ANOTAR - Al Gore reinventou-se e na semana passada foi o orador convidado de uma plateia que juntou as estrelas de Silicon Valley, como os líderes da Apple, Yahoo e Google, entre outros. Num discurso apaixonado de hora e meia, Gore espantou a audiência com a forma como expôs a sua cruzada contra o aquecimento global do planeta. O seu objectivo era conseguir convencer os cérebros de Silicon Valley de que é fundamental descobrir soluções técnicas sólidas para combater o aquecimento global, numa espécia de aliança entre a ecologia, a tecnologia e o capitalismo. Além de estar num autêntico road-show mundial com este discurso, baseado num powerpoint que se está a tornar num mito, Gore e esta sua cruzada são o tema central de um documentário que foi uma das estrelas do Festval de Sundance e que vai ser distribuído agora pela Paramount, «An Inconvenient Truth». Gore – que cedo se deixou de carpir a derrota na campanha presidencial – conseguiu dar completamente a volta à sua actividade e é hoje em dia conselheiro de empresas como a Apple e a Google, impulsionador de um canal de televisão baseado na cidadania, a Current TV e está a concluir um novo livro que será editado ainda este ano.


DESCOBRIR - A revista norte-americana «Wired» detecta esta semana o surgimento de um novo grupo social, os «eco-estetas» e define-os assim: o telhado das suas casas está forrado a painéis solares, na garagem têm um carro com motor híbrido, nos armários têm apenas roupa feita a partir de algodão cultivado segundo os princípios orgânicos da agricultura biológica. O que é facto é que nos Estados Unidos são já um grupo de consumidores significativo, que estão a chamar a atenção, constituindo um mercado que ganha dimensão e que procura cada vez mais produtos que estejam associados à protecção do meio ambiente.


LER - A melhor ideia dos últimos tempos nasceu esta semana no jornal espanhol «El Pais». Trata-se de um novo jornal, autónomo, de distribuição gratuita, o «24 Horas», que tem a particularidade de não ser impresso. É de facto um jornal virtual, que existe apenas na Internet, que tem actualizações constantes, e que pode ser descarregado e impresso para se ler com calma à hora do almoço ou num copo de fim de tarde - «o primeiro jornal gratuito actualizado permanentemente», como anuncia o «El Pais». Este autêntico ovo de Colombo pode ainda por cima ser personalizado: cada leitor define o seu próprio perfil e pode pedir mais artigos relacionados com desporto, ou tecnologias, ou política internacional, ou cultura, ou sociedade. O jornal é feito a partir de artigos do «El Pais», pela redacção do diário madrileno. A distribuição fica facilitada à partida por ser baseada num dos sites mais visitados de Espanha (e da Europa), e a impressão deixa de ser um custo central para ser disseminada pelos leitores que fazem download do ficheiro PDF que se obtém fazendo o download do «24 Horas». O «24 Horas» é patrocinado em exclusivo pela transportadora aérea Iberia. O registo é gratuito, fundamental para se fazer a personalização da edição, mas toda a gente, mesmo os não registados, podem fazer o download. Todas as informações em www.elpais.es .


OUVIR - Sou um fã de canções inspiradas por blues e pelo jazz e, confesso, sou um fã da obra de Harold Arlen, um dos grandes compositores da música popular norte americana, que morreu em 1986. São suas canções como «Over The Rainbow», «One More For The Road», «Come Rain Or Come Shine», «It’s Only A Paper Moon» ou «Stormy Weather». Pois bem, Toots Thielemans, um grande músico de jazz belga que se tornou conhecido pela forma única como toca a harmónica, teve a ideia de juntar algumas das mais marcantes vozes do jazz contemporâneo, fazer novos arranjos das canções de Arlen e juntar tudo num só disco – que apropriadamente se chama «One More For The Road». Ali estão vozes como Jamie Cullum, Till Bronner, Madeleine Peyroux, Silje Nergaard e a grande Oleta Adams que se atira a «Stormy Weather». Um grande disco, CD Verve, distribuído por Universal Music.


EXPERIMENTAR – Os novos vinhos da enóloga Filipa Pato, filha de Luís Pato, «Ensaios». Tanto o branco como o tinto merecem atenção e têm uma belíssima relação qualidade/preço.


BACK TO BASICS – «Ao longo dos anos fui percebendo que um homem inútil é uma vergonha, dois são um escritório de advogados e três ou mais são um parlamento» - John Adams.

abril 23, 2006

OS POLÍTICOS


Laxismo, demagogia e tráfico de influências são as principais características dos políticos portugueses e o Parlamento é o espelho de todos os seus vícios. Na semana passada o laxismo ficou à vista, com o escandaloso número de ausências em ante-véspera de um feriado. Mas mais sério ainda é a demagogia que varre todas as bancadas e que se traduz, hoje em dia, numa acção governativa feita de muitas palavras e de poucas acções e numa oposição que notoriamente não sabe sequer porque defende hoje uma coisa e amanhã outra.

Porventura o mais grave de tudo é o permanente tráfico de influências, que une adversários políticos e que se passeia impunemente pelos corredores da Assembleia da República e dos ministérios. Já se tornou lugar comum ver líderes e figuras proeminentes de escritórios de advogados especializados em direito comercial, misturando os interesses dos seus clientes com o cargo para que foram eleitos. Numa teia de incompatibilidades aparentemente muito rígida, os juristas – tradicionalmente o grupo profissional de onde provém a maioria dos deputados – conseguiu excepcionar e arranjar artimanhas para que impunemente pudessem continuar em dois ofícios que não são bem complementares: defender o interesse público dos cidadãos eleitores e defender os interesses comerciais de clientes. Os exemplos são numerosos, basta folhear jornais e ver quem representa quem, quem está na assembleia e lidera sociedades de advogados. Tem-se a sensação de que, para muitos, a passagem pela Assembleia e pela política é apenas um meio para atingir fins estritamente pessoais. A concubinagem entre parlamentares e interesses particulares tem aumentado e é uma maldição que, verdade seja dita, assola particularmente o centralão que nos governa. O Parlamento deixou há muito de ser uma referência. Passou a ser um expediente.

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OS POLÍTICOS


Laxismo, demagogia e tráfico de influências são as principais características dos políticos portugueses e o Parlamento é o espelho de todos os seus vícios. Na semana passada o laxismo ficou à vista, com o escandaloso número de ausências em ante-véspera de um feriado. Mas mais sério ainda é a demagogia que varre todas as bancadas e que se traduz, hoje em dia, numa acção governativa feita de muitas palavras e de poucas acções e numa oposição que notoriamente não sabe sequer porque defende hoje uma coisa e amanhã outra.

Porventura o mais grave de tudo é o permanente tráfico de influências, que une adversários políticos e que se passeia impunemente pelos corredores da Assembleia da República e dos ministérios. Já se tornou lugar comum ver líderes e figuras proeminentes de escritórios de advogados especializados em direito comercial, misturando os interesses dos seus clientes com o cargo para que foram eleitos. Numa teia de incompatibilidades aparentemente muito rígida, os juristas – tradicionalmente o grupo profissional de onde provém a maioria dos deputados – conseguiu excepcionar e arranjar artimanhas para que impunemente pudessem continuar em dois ofícios que não são bem complementares: defender o interesse público dos cidadãos eleitores e defender os interesses comerciais de clientes. Os exemplos são numerosos, basta folhear jornais e ver quem representa quem, quem está na assembleia e lidera sociedades de advogados. Tem-se a sensação de que, para muitos, a passagem pela Assembleia e pela política é apenas um meio para atingir fins estritamente pessoais. A concubinagem entre parlamentares e interesses particulares tem aumentado e é uma maldição que, verdade seja dita, assola particularmente o centralão que nos governa. O Parlamento deixou há muito de ser uma referência. Passou a ser um expediente.
NOVIDADE – A Time Warner e Michael Eisner, o ex-Presidente da Disney, estão entre os novos accionistas da Veoh Networks, uma companhia que, nas palavras de Eisner, vai revolucionar a televisão ao desenvolver uma tecnologia que aproveita a Internet para permitir que cada entidade, seja um cidadão sozinho ou uma companhia de media, possa criar o seu próprio canal de televisão. No passado, diz Eisner, distribuir programas de televisão exigia uma enorme infraestrutura de distribuição e a Veoh vai possibilitar que qualquer pessoa com uma ligação à Internet possa receber e distribuir programas com a melhor qualidade de imagem e som. A Veoh permite a distribuição de televisão de alta definição e agiliza a interactividade entre o emissor e o receptor. Ou muito me engano ou aqui está uma coisa a seguir com atenção.


VER – «Em Foco - Fotógrafos Portugueses do Pós-guerra», a exposição de fotografias, comissariada por Miguel Amado e que reúne obras de 12 fotógrafos portugueses que começaram a sua actividade nos anos 40. Integram a belíssima colecção do escritório de advogados PLMJ (ver, a propósito, o livro baseado nesta colecção editado pela Assírio & Alvim). Destaque para Fernando Lemos, António Sena da Silva, Augusto Cabrita, Eduardo Gageiro, Vítor Palla e Gérard Castello Lopes. A não perder no Museu da Cidade, Campo Grande, Lisboa, até 28 de Maio.


OUVIR – O piano é dos instrumentos que mais me fascinam e Mário Laginha é dos pianistas que mais gosto de ouvir – no caso dele vale a pena também usar a palavra «ver» - porque é muito bonito vê-lo a tocar, perceber como ele sente fisicamente a música. Hoje em dia é relativamente raro existir a oportunidade de se poder ouvir Mário Laginha a solo e este disco vem resolver esse problema. Ele sozinho com o seu piano e a sua música, 12 temas próprios, íntimos mas intensos. Este é daqueles discos que apetece ouvir vezes sem fim, companhia perfeita para qualquer noite em que o pensamento está com vontade de fugir. A gravação foi feita em Dezembro de 2005 no Teatro Micaelense, em Ponta Delgada. «Canções & Fugas», Mário Laginha, editado e distribuído por Universal Music Portugal.


LER – Santi Santamaria é um dos cozinheiros que nos últimos anos mais se tem destacado pela forma como trabalha com base nas tradições gastronómicas da Catalunha. Em 1981 inaugurou perto de Barcelona, em Sant Celoni, no Parque Natural de Montseny, o restaurante que lhe deu nome e que ainda hoje é uma referência, o Can Fabes, e em 1990 lançou o restaurante Santceloni (Hotel Hesperia, Paseo de la Castellana 57, Madrid), em ambos os casos sendo de imediato distinguido pelos Guias Michelin, que na edição de 2005 consideraram o Can Fabes como o melhor restaurante de Espanha. Desde 2001tem escrito com regularidade para o jornal «La Vanguardia», de Barcelona. Algumas das suas melhores crónicas foram agora reunidas em livro e mostram uma forma diferente de escrever sobre cozinha e a arte da mesa. Em textos curtos (duas páginas cada) abordam-se, de uma forma singular e divertida, temas que vão desde a forma de escolher vinhos até à comida dos aviões, passando por almoços de negócios. De certa forma as crónicas de costumes cruzam-se com sugestões gastronómicas e com dicas para receitas e formas de trabalhar determinados ingredientes. Perfeitamente delicioso, no verdadeiro sentido da palavra. «Palabra de Cocinero», de Santi Santamaria, ediciones Península, 288 páginas.


COMER – Existe por vezes ainda algum preconceito contra os restaurantes dos hotéis, mas esse é, cada vez mais, um juízo injustificado. No Hotel D. Pedro Lisboa existe um dos restaurantes italianos que vale a pena conhecer, o Il Gattopardo – nome retirado do filme emblemático de Visconti. Cozinha italiana muito elaborada, riquíssima em sabores, feita com delicadeza e saber. As massas frescas são belíssimas, as propostas do chefe são boas recomendações. Aberto todos os dias ao almoço e jantar, nos dias bons disfrute da esplanada no terraço. Av. Eng. Duarte Pacheco 24, reservas pelo telefone 21 389 66 00.


AGENDA – Dia 28, no Grande Auditório da Culturgest, a cantora peruana Susana Baca, vencedora de um Grammy, apresenta o seu disco mais recente, «Traversias».


O MELHOR DA SEMANA – A Festa da Música, hoje, amanhã e depois, no CCB, o destaque vai para a Europa barroca.


O PIOR DA SEMANA – O Parlamento, os políticos, as mentiras do deficit, este mundo de faz de conta.


BACK TO BASICS – 90 por cento dos políticos são responsáveis pela má reputação que atinge os outros 10 por cento, Henry Kissinger

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NOVIDADE – A Time Warner e Michael Eisner, o ex-Presidente da Disney, estão entre os novos accionistas da Veoh Networks, uma companhia que, nas palavras de Eisner, vai revolucionar a televisão ao desenvolver uma tecnologia que aproveita a Internet para permitir que cada entidade, seja um cidadão sozinho ou uma companhia de media, possa criar o seu próprio canal de televisão. No passado, diz Eisner, distribuir programas de televisão exigia uma enorme infraestrutura de distribuição e a Veoh vai possibilitar que qualquer pessoa com uma ligação à Internet possa receber e distribuir programas com a melhor qualidade de imagem e som. A Veoh permite a distribuição de televisão de alta definição e agiliza a interactividade entre o emissor e o receptor. Ou muito me engano ou aqui está uma coisa a seguir com atenção.


VER – «Em Foco - Fotógrafos Portugueses do Pós-guerra», a exposição de fotografias, comissariada por Miguel Amado e que reúne obras de 12 fotógrafos portugueses que começaram a sua actividade nos anos 40. Integram a belíssima colecção do escritório de advogados PLMJ (ver, a propósito, o livro baseado nesta colecção editado pela Assírio & Alvim). Destaque para Fernando Lemos, António Sena da Silva, Augusto Cabrita, Eduardo Gageiro, Vítor Palla e Gérard Castello Lopes. A não perder no Museu da Cidade, Campo Grande, Lisboa, até 28 de Maio.


OUVIR – O piano é dos instrumentos que mais me fascinam e Mário Laginha é dos pianistas que mais gosto de ouvir – no caso dele vale a pena também usar a palavra «ver» - porque é muito bonito vê-lo a tocar, perceber como ele sente fisicamente a música. Hoje em dia é relativamente raro existir a oportunidade de se poder ouvir Mário Laginha a solo e este disco vem resolver esse problema. Ele sozinho com o seu piano e a sua música, 12 temas próprios, íntimos mas intensos. Este é daqueles discos que apetece ouvir vezes sem fim, companhia perfeita para qualquer noite em que o pensamento está com vontade de fugir. A gravação foi feita em Dezembro de 2005 no Teatro Micaelense, em Ponta Delgada. «Canções & Fugas», Mário Laginha, editado e distribuído por Universal Music Portugal.


LER – Santi Santamaria é um dos cozinheiros que nos últimos anos mais se tem destacado pela forma como trabalha com base nas tradições gastronómicas da Catalunha. Em 1981 inaugurou perto de Barcelona, em Sant Celoni, no Parque Natural de Montseny, o restaurante que lhe deu nome e que ainda hoje é uma referência, o Can Fabes, e em 1990 lançou o restaurante Santceloni (Hotel Hesperia, Paseo de la Castellana 57, Madrid), em ambos os casos sendo de imediato distinguido pelos Guias Michelin, que na edição de 2005 consideraram o Can Fabes como o melhor restaurante de Espanha. Desde 2001tem escrito com regularidade para o jornal «La Vanguardia», de Barcelona. Algumas das suas melhores crónicas foram agora reunidas em livro e mostram uma forma diferente de escrever sobre cozinha e a arte da mesa. Em textos curtos (duas páginas cada) abordam-se, de uma forma singular e divertida, temas que vão desde a forma de escolher vinhos até à comida dos aviões, passando por almoços de negócios. De certa forma as crónicas de costumes cruzam-se com sugestões gastronómicas e com dicas para receitas e formas de trabalhar determinados ingredientes. Perfeitamente delicioso, no verdadeiro sentido da palavra. «Palabra de Cocinero», de Santi Santamaria, ediciones Península, 288 páginas.


COMER – Existe por vezes ainda algum preconceito contra os restaurantes dos hotéis, mas esse é, cada vez mais, um juízo injustificado. No Hotel D. Pedro Lisboa existe um dos restaurantes italianos que vale a pena conhecer, o Il Gattopardo – nome retirado do filme emblemático de Visconti. Cozinha italiana muito elaborada, riquíssima em sabores, feita com delicadeza e saber. As massas frescas são belíssimas, as propostas do chefe são boas recomendações. Aberto todos os dias ao almoço e jantar, nos dias bons disfrute da esplanada no terraço. Av. Eng. Duarte Pacheco 24, reservas pelo telefone 21 389 66 00.


AGENDA – Dia 28, no Grande Auditório da Culturgest, a cantora peruana Susana Baca, vencedora de um Grammy, apresenta o seu disco mais recente, «Traversias».


O MELHOR DA SEMANA – A Festa da Música, hoje, amanhã e depois, no CCB, o destaque vai para a Europa barroca.


O PIOR DA SEMANA – O Parlamento, os políticos, as mentiras do deficit, este mundo de faz de conta.


BACK TO BASICS – 90 por cento dos políticos são responsáveis pela má reputação que atinge os outros 10 por cento, Henry Kissinger

abril 19, 2006

SINAL DOS TEMPOS – A Academia das Artes e Ciências de Televisão, dos Estados Unidos, decidiu criar este ano uma nova categoria dos prémios Emmy, dedicada a programas produzidos expressamente para plataformas móveis, telemóveis de banda larga, iPods, PDA’s e outros suportes de imagem não tradicionais. A MTV tornou-se entretanto o maior fornecedor mundial de conteúdos para telemóveis, tendo já atingido o número de 1 milhão de downloads mensais. Tenham uma ideia do negócio: em termos mundiais estima-se que os jovens gastem 16 mil milhões de dólares em música gravada por ano, quase nada comparado com os 106 mil milhões que o mesmo segmento gasta em comunicações móveis sob todas as formas.

PROGRAMA – Ir nas noites de terça feira à Casa da Morna e deixar-se conquistar por quem estiver de serviço nesse dia a cantar. Semanalmente, às terças, pelas 23h30, depois do jantar ou no meio de um copo, pode assistir a vozes africanas pouco conhecidas – algumas vezes acompanhadas em palco por Tito Paris, o homem da casa. É o jantar-concerto, uma ocasião para boas descobertas. A muqueca de camarão é muito boa, o ambiente é simpático, em cima há um bar, em baixo o restaurante, o palco fica no meio. Nas paredes há sempre uma exposição de obras de artistas africanos. Todos os dias também há música ao vivo e pode-se sempre jantar de segunda a sábado. Casa da Morna, Rua Rodrigues Faria nº21, www.casadamorna.com , tel. 213 646 399.

OUVIR - Muito divertido o novo CD de Elvis Costello, mais uma vez a mostrar a sua atracção pelo jazz . «My Flame Burns Blue» é uma gravação efectuada na edição de Julho de 2004 do North Sea Jazz Festival e Costello surge acompanhado de um grupo de excelentes músicos, cheios de swing, a que deu o nome de Metrópole Orkest. A maior parte dos temas são do próprio Elvis Costello, mas existem versões suas para originais de Charles Mingus, Billy Strayhorn, Burt Bacharach e Dave Bartholomew. Como bónus há um CD extra, com a suite «Il Sogno», a pessoalíssima visão de Costello para um bailado sobre uma obra de Shakespeare, «Midsummer Night’s Dream», aqui com a participação da London Symphony Orchestra. CD Deustche Grammophon, distribuído por Universal Music.

LER – Edward Bernays foi um dos percursores das relações públicas e da comunicação de massas. A sua carreira começou como agente de imprensa na Broadway e desenvolveu-se na grande fábrica da propaganda a favor da participação norte-americana na I Grande Guerra, o Comité Para a Informação Pública. Com os ensinamentos adquiridos funda no pós-guerra a sua própria agência e mantém-se independente até ao fim da vida, evitando sempre propostas de fusões e aquisições que lhe foram feitas. Entre os seus clientes estiveram a General Electric, a Procter & Gamble, a Dodge Motors, a General Motors e a United Fruit, por exemplo. «Propaganda», o seu segundo livro, editado originalmente em 1928, mantém-se estranhamente actual e a sua recente edição em Portugal (da Mareantes Editora) é uma boa ocasião para descobrir a sua obra – tanto mais que o prefácio escrito por Luís Paixão Martins é em si próprio um belíssimo resumo de algumas das facetas mais importantes da actuação de um consultor de comunicação e relações públicas.

PRENDA DE PÁSCOA - Karl Richter foi dos nomes que mais contribuíu para a divulgação da música antiga e as suas interpretações de Bach são históricas. Richter, que morreu com 55 anos em 1981, era um maestro de rara sensibilidade e um organista e cravista virtuoso. «The Legacy Of Karl Richter» é um documentário de 76 minutos que traça a história do grande músico e mostra momentos de algumas das suas actuações mais expressivas (incluindo a derradeira, em 12 de Fevereiro de 1981, três dias antes da sua morte). Este trabalho, inédito, é lançado no ano em que Richter comemoraria 80 anos e inclui entrevistas e testemunhos com contemporâneos seus que ajudam a enquadrar a sua vida e obra. DVD Deustche Grammophon, distribuído por Universal Music.

O PIOR DA SEMANA – Supremo Tribunal de Justiça considerou como lícitos os correctivos corporais dados a crianças deficientes num lar em Setúbal.

O MELHOR DA SEMANA – O site www.omeuecoponto.pt da Sociedade Ponto Verde, que explica onde se podem encontrar e como se devem utilizar os ecopontos e fazer a separação do lixo doméstico.

BACK TO BASICS – Um bom esboço vale mais que um longo discurso, Napoleão.

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SINAL DOS TEMPOS – A Academia das Artes e Ciências de Televisão, dos Estados Unidos, decidiu criar este ano uma nova categoria dos prémios Emmy, dedicada a programas produzidos expressamente para plataformas móveis, telemóveis de banda larga, iPods, PDA’s e outros suportes de imagem não tradicionais. A MTV tornou-se entretanto o maior fornecedor mundial de conteúdos para telemóveis, tendo já atingido o número de 1 milhão de downloads mensais. Tenham uma ideia do negócio: em termos mundiais estima-se que os jovens gastem 16 mil milhões de dólares em música gravada por ano, quase nada comparado com os 106 mil milhões que o mesmo segmento gasta em comunicações móveis sob todas as formas.

PROGRAMA – Ir nas noites de terça feira à Casa da Morna e deixar-se conquistar por quem estiver de serviço nesse dia a cantar. Semanalmente, às terças, pelas 23h30, depois do jantar ou no meio de um copo, pode assistir a vozes africanas pouco conhecidas – algumas vezes acompanhadas em palco por Tito Paris, o homem da casa. É o jantar-concerto, uma ocasião para boas descobertas. A muqueca de camarão é muito boa, o ambiente é simpático, em cima há um bar, em baixo o restaurante, o palco fica no meio. Nas paredes há sempre uma exposição de obras de artistas africanos. Todos os dias também há música ao vivo e pode-se sempre jantar de segunda a sábado. Casa da Morna, Rua Rodrigues Faria nº21, www.casadamorna.com , tel. 213 646 399.

OUVIR - Muito divertido o novo CD de Elvis Costello, mais uma vez a mostrar a sua atracção pelo jazz . «My Flame Burns Blue» é uma gravação efectuada na edição de Julho de 2004 do North Sea Jazz Festival e Costello surge acompanhado de um grupo de excelentes músicos, cheios de swing, a que deu o nome de Metrópole Orkest. A maior parte dos temas são do próprio Elvis Costello, mas existem versões suas para originais de Charles Mingus, Billy Strayhorn, Burt Bacharach e Dave Bartholomew. Como bónus há um CD extra, com a suite «Il Sogno», a pessoalíssima visão de Costello para um bailado sobre uma obra de Shakespeare, «Midsummer Night’s Dream», aqui com a participação da London Symphony Orchestra. CD Deustche Grammophon, distribuído por Universal Music.

LER – Edward Bernays foi um dos percursores das relações públicas e da comunicação de massas. A sua carreira começou como agente de imprensa na Broadway e desenvolveu-se na grande fábrica da propaganda a favor da participação norte-americana na I Grande Guerra, o Comité Para a Informação Pública. Com os ensinamentos adquiridos funda no pós-guerra a sua própria agência e mantém-se independente até ao fim da vida, evitando sempre propostas de fusões e aquisições que lhe foram feitas. Entre os seus clientes estiveram a General Electric, a Procter & Gamble, a Dodge Motors, a General Motors e a United Fruit, por exemplo. «Propaganda», o seu segundo livro, editado originalmente em 1928, mantém-se estranhamente actual e a sua recente edição em Portugal (da Mareantes Editora) é uma boa ocasião para descobrir a sua obra – tanto mais que o prefácio escrito por Luís Paixão Martins é em si próprio um belíssimo resumo de algumas das facetas mais importantes da actuação de um consultor de comunicação e relações públicas.

PRENDA DE PÁSCOA - Karl Richter foi dos nomes que mais contribuíu para a divulgação da música antiga e as suas interpretações de Bach são históricas. Richter, que morreu com 55 anos em 1981, era um maestro de rara sensibilidade e um organista e cravista virtuoso. «The Legacy Of Karl Richter» é um documentário de 76 minutos que traça a história do grande músico e mostra momentos de algumas das suas actuações mais expressivas (incluindo a derradeira, em 12 de Fevereiro de 1981, três dias antes da sua morte). Este trabalho, inédito, é lançado no ano em que Richter comemoraria 80 anos e inclui entrevistas e testemunhos com contemporâneos seus que ajudam a enquadrar a sua vida e obra. DVD Deustche Grammophon, distribuído por Universal Music.

O PIOR DA SEMANA – Supremo Tribunal de Justiça considerou como lícitos os correctivos corporais dados a crianças deficientes num lar em Setúbal.

O MELHOR DA SEMANA – O site www.omeuecoponto.pt da Sociedade Ponto Verde, que explica onde se podem encontrar e como se devem utilizar os ecopontos e fazer a separação do lixo doméstico.

BACK TO BASICS – Um bom esboço vale mais que um longo discurso, Napoleão.
FALTA DE COMPARÊNCIA


Parece que no PSD vai haver um candidato único à liderança do partido, apesar de todos os dias se avolumarem as críticas à forma como as coisas correm. No PP as coisas andam lá perto, pelo menos em termos de alternativas credíveis a Ribeiro e Castro. Um correspondente estrangeiro poderia resumir assim a situação política portuguesa para os seus leitores, algures num país distante: Em Portugal os dois principais partidos da oposição abdicaram de se opôr com veemência ao Governo do Engenheiro Sócrates: do lado do PSD Marques Mendes é acusado de ser um líder fraco mas não aparece ninguém a querer o seu lugar, e no PP a oposição tem-se resumido a graçolas e trocadilhos sobre as reformas anunciadas pelo executivo.

Fora de brincadeiras, a situação prenuncia que – caso o Governo consiga concretizar e implementar a maioria das medidas que anunciou e não se fique só pelas palavras e a propaganda – a coisa vá ser difícil para os partidos à direita do PS.

Na realidade a dificuldade começa aí mesmo, no posicionamento. Com Sócrates a deslocar o PS cada vez mais para o centro, a direita sente-se encurralada – até porque, em Portugal, ela tem sido sempre preguiçosa a definir uma ideologia, uma estratégia e uma táctica. Há 30 anos a sua linha de fronteira era combater a revolução e há 15 fazer as privatizações. Fora isso não se lhe conhecem grandes rasgos teóricos, embora se lhe conheçam muitos tiques populistas. Se os partidos à direita do PS não fizerem o trabalho de casa, não reinventarem a cidadania e não conseguirem ter um programa próprio estruturado, quer-me parecer que o eng. Sócrates, ou os seus sucessores, irão ganhar os próximos actos eleitorais por falta de comparência do adversário.


(de O Independente)

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FALTA DE COMPARÊNCIA


Parece que no PSD vai haver um candidato único à liderança do partido, apesar de todos os dias se avolumarem as críticas à forma como as coisas correm. No PP as coisas andam lá perto, pelo menos em termos de alternativas credíveis a Ribeiro e Castro. Um correspondente estrangeiro poderia resumir assim a situação política portuguesa para os seus leitores, algures num país distante: Em Portugal os dois principais partidos da oposição abdicaram de se opôr com veemência ao Governo do Engenheiro Sócrates: do lado do PSD Marques Mendes é acusado de ser um líder fraco mas não aparece ninguém a querer o seu lugar, e no PP a oposição tem-se resumido a graçolas e trocadilhos sobre as reformas anunciadas pelo executivo.

Fora de brincadeiras, a situação prenuncia que – caso o Governo consiga concretizar e implementar a maioria das medidas que anunciou e não se fique só pelas palavras e a propaganda – a coisa vá ser difícil para os partidos à direita do PS.

Na realidade a dificuldade começa aí mesmo, no posicionamento. Com Sócrates a deslocar o PS cada vez mais para o centro, a direita sente-se encurralada – até porque, em Portugal, ela tem sido sempre preguiçosa a definir uma ideologia, uma estratégia e uma táctica. Há 30 anos a sua linha de fronteira era combater a revolução e há 15 fazer as privatizações. Fora isso não se lhe conhecem grandes rasgos teóricos, embora se lhe conheçam muitos tiques populistas. Se os partidos à direita do PS não fizerem o trabalho de casa, não reinventarem a cidadania e não conseguirem ter um programa próprio estruturado, quer-me parecer que o eng. Sócrates, ou os seus sucessores, irão ganhar os próximos actos eleitorais por falta de comparência do adversário.


(de O Independente)

abril 09, 2006

VENTO – Suporto a chuva, o frio (pelo menos o nosso) não me incomoda muito. Mas o vento dá cabo de mim. Não gosto do som do vento e muito menos de o sentir na pele. Faz-me dor de cabeça. Estes dias têm sido terríveis. A única vantagem visível deste vento é que os cheiros dos jasmins da Primavera parecem circular mais este ano.


FIM – O «Blitz» morreu, viva o «Blitz». Quando há 22 anos fundei e dirigi o jornal «Blitz» tive uma das mais gratificantes experiências da minha vida, podendo trabalhar em formatos gráficos com poucas regras e muita descoberta, subvertendo as regras tradicionais da escrita e apostando em imagens que eram aproximações diferentes à fotografia. Jornais assim têm ciclos de vida curtos e o «Blitz» teve um ciclo longo, felizmente partilhado por muita gente que ao longo dos anos lá colaborou. Às vezes apetece-me repetir o desafio e encontrar outra forma de o fazer, voltando a conjugar o grafismo, a fotografia e o texto, as minhas recorrentes paixões. Há três pessoas que não têm sido referidas nesta história e manda a justiça que se diga que foram elas que viabilizaram o projecto, dando-lhe meios para se fazer e permitindo todas as experiências – a Administração da CEIG na época: João Tito de Morais, Francisco Calheiros e José Lobato


PAPEL – Isto anda tudo ligado: nos Estados Unidos a editora Hachette Filipacchi suspendeu a publicação da revista «Elle Girl» em papel, mas decidiu continuá-la na Web e com conteúdos desenhados para plataformas móveis. Isto acontece num ano em que a revista teve um aumento de 46,1% nas páginas de publicidades vendidas e em que a circulação paga subiu 17,9% para um total de 601.000 exemplares por edição. Jack Kliger, o Presidente do grupo editorial sublinha que decidiu a mudança, apesar da boa performance da revista segundo os indicadores de referência, porque acredita que este tipo de projecto deve ser reorientado estrategicamente para formatos wireless e dispôs-se mesmo a reforçar os meios investidos na produção da revista.


FICÇÃO – Mão amiga fez-me chegar a edição da belíssima revista de Domingo do «El Pais» da semana passada. No artigo da última página o escritor Javier Marias propõe aos editores de jornais, revistas e outros media em geral que criem o cargo de «Detector de Ficções» , para acabar de vez com relatos falsos, notícias inventadas, fretes avulsos, «para pôr fim à venda de gato por lebre», tão frequente nos media de hoje em dia. Se o cargo fosse criado havia por aí muito jornal em que o respectivo titular não teria mãos a medir.


VER – Três propostas diferentes: a exposição XX, que assinala os 26 anos dos Encontros de Fotografia, no Centro de Artes Visuais de Coimbra; desenhos (não de arquitectura) do arquitecto Álvaro Siza na Galeria João Esteves de Oliveira, ao Chiado; e os trabalhos em grafite, tinta da china e acrílico de Diogo Pimentão na Fundação Carmona e Costa, na Rua Soeiro Pereira Gomes em Lisboa.


AGENDA – Serralves inaugura hoje as exposições de Pedro Morais e uma (quase) retropectiva de António Dacosta. Ficam até ao início de Julho.


LER – A edição de Março da revista «Egoísta», com as cidades como tema de fundo. Textos (entre outros) de Filipa Melo, António Mega Ferreira e Hugo Gonçalves, fotos (entre outros) de Amy Yoes, João Vilhena e Helmut Newton. Patrícia Reis edita a revista que Mário Assis Ferreira felizmente continua a viabilizar.


OUVIR – O concerto para piano nº1 de Brahms, com o pianista Krystian Zimerman e a Filarmónica de Berlim dirigida por Simon Rattle. Uma gravação fora de série fruto de um dinâmico encontro criativo. Edição Deustche Grammophon, distribuição Universal Music.


SÍTIO – Cerveja de fim de tarde no bar irlandês Hennessy’s, ao Cais do Sodré. Ampla escolha de cervejas, bom gin tónico.


O MELHOR DA SEMANA – Finalmente, arroz de bacalhau com coentros. Simples.


O PIOR DA SEMANA – O desastrado folhetim da Judiciária, em que o Ministro Alberto Costa resolveu desempenhar o papel de elefante em loja de porcelana. Quem tem falta de jeito não se devia meter na política, digo eu.

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VENTO – Suporto a chuva, o frio (pelo menos o nosso) não me incomoda muito. Mas o vento dá cabo de mim. Não gosto do som do vento e muito menos de o sentir na pele. Faz-me dor de cabeça. Estes dias têm sido terríveis. A única vantagem visível deste vento é que os cheiros dos jasmins da Primavera parecem circular mais este ano.


FIM – O «Blitz» morreu, viva o «Blitz». Quando há 22 anos fundei e dirigi o jornal «Blitz» tive uma das mais gratificantes experiências da minha vida, podendo trabalhar em formatos gráficos com poucas regras e muita descoberta, subvertendo as regras tradicionais da escrita e apostando em imagens que eram aproximações diferentes à fotografia. Jornais assim têm ciclos de vida curtos e o «Blitz» teve um ciclo longo, felizmente partilhado por muita gente que ao longo dos anos lá colaborou. Às vezes apetece-me repetir o desafio e encontrar outra forma de o fazer, voltando a conjugar o grafismo, a fotografia e o texto, as minhas recorrentes paixões. Há três pessoas que não têm sido referidas nesta história e manda a justiça que se diga que foram elas que viabilizaram o projecto, dando-lhe meios para se fazer e permitindo todas as experiências – a Administração da CEIG na época: João Tito de Morais, Francisco Calheiros e José Lobato


PAPEL – Isto anda tudo ligado: nos Estados Unidos a editora Hachette Filipacchi suspendeu a publicação da revista «Elle Girl» em papel, mas decidiu continuá-la na Web e com conteúdos desenhados para plataformas móveis. Isto acontece num ano em que a revista teve um aumento de 46,1% nas páginas de publicidades vendidas e em que a circulação paga subiu 17,9% para um total de 601.000 exemplares por edição. Jack Kliger, o Presidente do grupo editorial sublinha que decidiu a mudança, apesar da boa performance da revista segundo os indicadores de referência, porque acredita que este tipo de projecto deve ser reorientado estrategicamente para formatos wireless e dispôs-se mesmo a reforçar os meios investidos na produção da revista.


FICÇÃO – Mão amiga fez-me chegar a edição da belíssima revista de Domingo do «El Pais» da semana passada. No artigo da última página o escritor Javier Marias propõe aos editores de jornais, revistas e outros media em geral que criem o cargo de «Detector de Ficções» , para acabar de vez com relatos falsos, notícias inventadas, fretes avulsos, «para pôr fim à venda de gato por lebre», tão frequente nos media de hoje em dia. Se o cargo fosse criado havia por aí muito jornal em que o respectivo titular não teria mãos a medir.


VER – Três propostas diferentes: a exposição XX, que assinala os 26 anos dos Encontros de Fotografia, no Centro de Artes Visuais de Coimbra; desenhos (não de arquitectura) do arquitecto Álvaro Siza na Galeria João Esteves de Oliveira, ao Chiado; e os trabalhos em grafite, tinta da china e acrílico de Diogo Pimentão na Fundação Carmona e Costa, na Rua Soeiro Pereira Gomes em Lisboa.


AGENDA – Serralves inaugura hoje as exposições de Pedro Morais e uma (quase) retropectiva de António Dacosta. Ficam até ao início de Julho.


LER – A edição de Março da revista «Egoísta», com as cidades como tema de fundo. Textos (entre outros) de Filipa Melo, António Mega Ferreira e Hugo Gonçalves, fotos (entre outros) de Amy Yoes, João Vilhena e Helmut Newton. Patrícia Reis edita a revista que Mário Assis Ferreira felizmente continua a viabilizar.


OUVIR – O concerto para piano nº1 de Brahms, com o pianista Krystian Zimerman e a Filarmónica de Berlim dirigida por Simon Rattle. Uma gravação fora de série fruto de um dinâmico encontro criativo. Edição Deustche Grammophon, distribuição Universal Music.


SÍTIO – Cerveja de fim de tarde no bar irlandês Hennessy’s, ao Cais do Sodré. Ampla escolha de cervejas, bom gin tónico.


O MELHOR DA SEMANA – Finalmente, arroz de bacalhau com coentros. Simples.


O PIOR DA SEMANA – O desastrado folhetim da Judiciária, em que o Ministro Alberto Costa resolveu desempenhar o papel de elefante em loja de porcelana. Quem tem falta de jeito não se devia meter na política, digo eu.
UM MINISTRO CONTRA LISBOA


Em qualquer boa história há sempre os bons e os maus. Na semana passada confirmou-se como os papéis se distribuem dentro do Governo. Há Ministros que servem para lançar sarilhos, são os maus da fita; e há o Primeiro-Ministro, sempre apaziguador, que sem contrariar ninguém vai lançando água na fervura, mesmo quando se fica com a impressão de que poderá ter sido ele a levantar a intensidade da chama.

Um caso particularmente interessante de terrorismo institucional é dado pelo Ministro Mário Lino, que utiliza as Obras Públicas como património de acção política. Na semana passada veio marcar a agenda de Lisboa, com a questão das obras do Metropolitano na envolvente do Túnel do Marquês. Na prática o que Mário Lino fez foi condicionar e achincalhar o Presidente da Câmara de Lisboa, dizendo-lhe que não é ele quem manda na cidade, e impondo que é o Ministro quem decide o calendário de obras e inaugurações.

O estranho disto tudo é que o Presidente da Câmara tenha ficado no silêncio absoluto, submisso, sem reacção e, sobretudo, sem vir dizer claro e em bom português o que acha das interferências do Senhor Ministro.

O peso político ganha-se e constrói-se, a autoridade conquista-se, a luta política não é uma dança de salão nem um grupo excursionista. Quando a capital de um país é descriminada e abusada por ser de cor política diferente do Governo convém que haja alguém que fale grosso para um Ministro que continua a ser o responsável por ter o Terreiro do Paço esventrado há anos – e suspeita-se que o plano para o Marquês do Pombal seja o mesmo. No fundo o plano de acção do Ministério das Obras Públicas é o a-b-c do terrorismo: lançar o caos na cidade.

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UM MINISTRO CONTRA LISBOA


Em qualquer boa história há sempre os bons e os maus. Na semana passada confirmou-se como os papéis se distribuem dentro do Governo. Há Ministros que servem para lançar sarilhos, são os maus da fita; e há o Primeiro-Ministro, sempre apaziguador, que sem contrariar ninguém vai lançando água na fervura, mesmo quando se fica com a impressão de que poderá ter sido ele a levantar a intensidade da chama.

Um caso particularmente interessante de terrorismo institucional é dado pelo Ministro Mário Lino, que utiliza as Obras Públicas como património de acção política. Na semana passada veio marcar a agenda de Lisboa, com a questão das obras do Metropolitano na envolvente do Túnel do Marquês. Na prática o que Mário Lino fez foi condicionar e achincalhar o Presidente da Câmara de Lisboa, dizendo-lhe que não é ele quem manda na cidade, e impondo que é o Ministro quem decide o calendário de obras e inaugurações.

O estranho disto tudo é que o Presidente da Câmara tenha ficado no silêncio absoluto, submisso, sem reacção e, sobretudo, sem vir dizer claro e em bom português o que acha das interferências do Senhor Ministro.

O peso político ganha-se e constrói-se, a autoridade conquista-se, a luta política não é uma dança de salão nem um grupo excursionista. Quando a capital de um país é descriminada e abusada por ser de cor política diferente do Governo convém que haja alguém que fale grosso para um Ministro que continua a ser o responsável por ter o Terreiro do Paço esventrado há anos – e suspeita-se que o plano para o Marquês do Pombal seja o mesmo. No fundo o plano de acção do Ministério das Obras Públicas é o a-b-c do terrorismo: lançar o caos na cidade.

abril 04, 2006

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KITSCH
Quase tão kitsch como Alberto Costa está a ser o Maxim na Praça da Alegria - a sua aproximação a José Cid imita o que fez Vitorino há uns anos com Tony de Matos. Será Manuel João Vieira o novo Vitorino Salomé?
KITSCH
Quase tão kitsch como Alberto Costa está a ser o Maxim na Praça da Alegria - a sua aproximação a José Cid imita o que fez Vitorino há uns anos com Tony de Matos. Será Manuel João Vieira o novo Vitorino Salomé?
O DEMAGOGO
Decidiamente Alberto Costa é o mais demagógico e um dos mais ineficazes Ministros do actual Governo. O recente incidente da Judiciária e as suas declarações revanchistas definem o seu carácter. E o boneco não é bonito de se ver. Uma pouca-vergonha, é o que é - basta olhar para o que disse sobre a necessidade de modernizar a gestão orçamental da Judiciária e que se resume a isto: fazer omoletas em ovos. Um autêntico pilha-galinhas...

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O DEMAGOGO
Decidiamente Alberto Costa é o mais demagógico e um dos mais ineficazes Ministros do actual Governo. O recente incidente da Judiciária e as suas declarações revanchistas definem o seu carácter. E o boneco não é bonito de se ver. Uma pouca-vergonha, é o que é - basta olhar para o que disse sobre a necessidade de modernizar a gestão orçamental da Judiciária e que se resume a isto: fazer omoletas em ovos. Um autêntico pilha-galinhas...