MICRO-CAUSAS:
PODE O GOVERNO SFF COLOCAR EM LINHA OS ESTUDOS SOBRE O AEROPORTO DA OTA PARA QUE NA SOCIEDADE PORTUGUESA SE VALORIZE MAIS A “BUSCA DE SOLUÇÕES” EM DETRIMENTO DA “ESPECULAÇÃO”?
"Respeito muito os signatários, mas há sociedades que valorizam mais a especulação e a análise, enquanto outras valorizam mais a busca de soluções."
(Manuel Pinho, Diário Económico, 28-07-07)
Será que os senhores ministros (Primeiro, Economia, Obras Públicas) podem ao menos explicar quais as razões porque os estudos, alguns estudos, parte dos estudos, os estudos que foram relevantes para a tomada de decisão, não podem ser divulgados? Partindo do príncipio que existem.
O que vou escrevendo, entre o Weekend do Jornal de Negócios e os Pensamentos Ociosos no SAPO. E mais umas coisas avulsas...
agosto 07, 2005
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MICRO-CAUSAS:
PODE O GOVERNO SFF COLOCAR EM LINHA OS ESTUDOS SOBRE O AEROPORTO DA OTA PARA QUE NA SOCIEDADE PORTUGUESA SE VALORIZE MAIS A “BUSCA DE SOLUÇÕES” EM DETRIMENTO DA “ESPECULAÇÃO”?
"Respeito muito os signatários, mas há sociedades que valorizam mais a especulação e a análise, enquanto outras valorizam mais a busca de soluções."
(Manuel Pinho, Diário Económico, 28-07-07)
Será que os senhores ministros (Primeiro, Economia, Obras Públicas) podem ao menos explicar quais as razões porque os estudos, alguns estudos, parte dos estudos, os estudos que foram relevantes para a tomada de decisão, não podem ser divulgados? Partindo do príncipio que existem.
PODE O GOVERNO SFF COLOCAR EM LINHA OS ESTUDOS SOBRE O AEROPORTO DA OTA PARA QUE NA SOCIEDADE PORTUGUESA SE VALORIZE MAIS A “BUSCA DE SOLUÇÕES” EM DETRIMENTO DA “ESPECULAÇÃO”?
"Respeito muito os signatários, mas há sociedades que valorizam mais a especulação e a análise, enquanto outras valorizam mais a busca de soluções."
(Manuel Pinho, Diário Económico, 28-07-07)
Será que os senhores ministros (Primeiro, Economia, Obras Públicas) podem ao menos explicar quais as razões porque os estudos, alguns estudos, parte dos estudos, os estudos que foram relevantes para a tomada de decisão, não podem ser divulgados? Partindo do príncipio que existem.
SINAIS
Aumentam os sinais de que a ocupação de espaço por razões políticas vai intensificar-se. Na semana passada recebi dois telefonemas a perguntar se já sabia quem me ía substituir. Os telefonemas eram de jornalistas que estavam a preparar uma notícia com base numa informação que alguém lhes tinha soprado. Chama-se a isto preparar o terreno e é um golpe velho como o mundo. A coisa acelera portanto. Pois fiquemos a assistir, avisados que estamos.
Aumentam os sinais de que a ocupação de espaço por razões políticas vai intensificar-se. Na semana passada recebi dois telefonemas a perguntar se já sabia quem me ía substituir. Os telefonemas eram de jornalistas que estavam a preparar uma notícia com base numa informação que alguém lhes tinha soprado. Chama-se a isto preparar o terreno e é um golpe velho como o mundo. A coisa acelera portanto. Pois fiquemos a assistir, avisados que estamos.
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SINAIS
Aumentam os sinais de que a ocupação de espaço por razões políticas vai intensificar-se. Na semana passada recebi dois telefonemas a perguntar se já sabia quem me ía substituir. Os telefonemas eram de jornalistas que estavam a preparar uma notícia com base numa informação que alguém lhes tinha soprado. Chama-se a isto preparar o terreno e é um golpe velho como o mundo. A coisa acelera portanto. Pois fiquemos a assistir, avisados que estamos.
Aumentam os sinais de que a ocupação de espaço por razões políticas vai intensificar-se. Na semana passada recebi dois telefonemas a perguntar se já sabia quem me ía substituir. Os telefonemas eram de jornalistas que estavam a preparar uma notícia com base numa informação que alguém lhes tinha soprado. Chama-se a isto preparar o terreno e é um golpe velho como o mundo. A coisa acelera portanto. Pois fiquemos a assistir, avisados que estamos.
O ALGARVE
Tenho uma noção utilitária do Algarve. Gosto de praias com pouca gente. Nunca vou para lá em Agosto. Não gosto de filas nem de esperar muito tempo. Tudo isto é incompatível com o Algarve em Agosto.
Vamos pois por partes. Supermercados. Não se deixem iludir pela proximidade e comparem preços. Dos que visitei os Alisuper são, em média, os mais caros de todos. Se tiverem um Modelo ou um Lidl por perto fiquem a saber que não há diferenças sensíveis em relação a Lisboa. Os Jafers não são maus e de preço médio, mas onde vale a pena ir é ao magnífico Apolónia, em Almancil. Tem produtos únicos a preço aceitável, produtos vulgares a preços normais e uma garrafeira de excepção a preços razoáveis. No Algarve dificilmente se conjuga tão bem preço com qualidade como ali. Se estiverem perto de Quarteira (não torçam o nariz, não vale a pena), nas quartas feiras de manhã visitem o mercado de produtos locais. De requeijão a fruta fresca apanham de tudo. A bons preços e de excelente qualidade.
Passemos aos bares de praia. Eu, da praia, tenho uma noção estranha. Não gosto muito de sol nem escaldões, mas uma boa barraquinha de comes e bebes fazia-me percorrer o areal. Gosto dos fins de tarde na praia, e tenho saudades dos bares menos bonitos mas com melhor serviço e qualidade, que por ali estavam no areal antes de existirem só as construções estereotipadas de madeira. Peguemos o caso da zona de Vilamoura. Dantes, na D. Fernanda, a meio da praia da Falésia, praticavam-se preços exorbitantes mas o serviço era magnífico e a qualidade irrepreensível. Todos os anos a D. Fernanda migrava de Lisboa, de Campo de Ourique para Vilamoura, e ali nos deliciava com belos petiscos. As normas comunitárias e a legislação restaurativa vigente acabaram com a barraquinha da D. Fernanda e criaram muitos pré-fabricados de madeira nórdica no areal da Falésia. Em todos se come péssimo, na maioria o serviço é inexistente. Se isto fosse em Espanha, dizia-me um amigo meu, com uma localização destas, teríamos tapas, simpatia e «cachondeo». Assim só temos demoras e falta de escolha. As sanduíches são miseráveis, o pão é de refugo, a imaginação é nula. Nem salada de polvo, nem conquilhas, nem presunto, nem pimentos recheados, nem anchova, nem nada. Tristeza. Pacotes com meia dúzia de pistachios a um euro, distribuídos numa máquina é o que resta. Imperiais a dois euros. Gelados Olá a preços alterados, muito para cima, em relação à tabela. Simpatia, nicles. Os restaurantes de praia em Vilamoura estão a ficar como o resto do país: quanto menos gente a pagar, mais os preços (ou os impostos) aumentam. No fim tudo acaba falido.
Passemos agora aos outros restaurantes.
Começo por uma homenagem à Índia. Fica em Escanxinas, na estrada entre Quarteira e Almancil, chama-se muito apropriadamente Índia, tem uma bela esplanada deliciosa nestas noites cálidas. A comida é Tandoori (e muito estimável), o serviço é bom, os preços são médios. A garrafeira é mediana, mas bem escolhida. O telefone é o 289395756.
Em matéria de comida francesa um dos meus favoritos é o Couleurs de France, em Almancil. É uma casa isolada, onde se chega depois de passar o Apolónia, em direcção à 125, virando à esquerda logo antes do início do viaduto. Tem mesas ao ar livre e uma sala simpática. A comida é deliciosa – sim, excepcional - e o serviço é muito bom. Os preços são altos sem serem exagerados. O telefone é o 289 399 515.
Um outro género, igualmente francês, é o que este ano é proposto pelo Jardim do Vale. Em termos de comida e de serviço compete com a proposta anterior, mas as mesas ao ar livre estão num delicioso jardim com árvores de frutos, que é verdadeiramente um prazer. Fica na estrada de Almacil para Loulé, um pouco à frente do restaurante de Henrique Leis. O telefone é o 289 393 444.
Passemos agora, a bem dos contrastes e do bom senso, para Quarteira. Aí designo o Casa D’Ana. Fica na Rua 25 de Abril, telefone 289 31 64 71 . Comida portuguesa, fica tudo dito. Serviço simpático, só abre para jantar. Ali perto, em Loulé, na Rua Maria Campina, fica A Moagem. Está fechado aos domingos e nos outros dias vale sempre a pena lá ir. O dono é de Estremoz e ali pode pedir uma das mais extraordinárias entradas: coxas de rã – não torça o nariz e experimente que não se arrepende. O xarém com o milho algarvio anda ao lado das migas do pão alentejano nas mais heréticas e deliciosas combinações, entre o linguado e o bacalhau. É decididamente um dos locais a reter este ano, esperemos que não se estrague em Agosto – a prova de fogo.
Tenho uma noção utilitária do Algarve. Gosto de praias com pouca gente. Nunca vou para lá em Agosto. Não gosto de filas nem de esperar muito tempo. Tudo isto é incompatível com o Algarve em Agosto.
Vamos pois por partes. Supermercados. Não se deixem iludir pela proximidade e comparem preços. Dos que visitei os Alisuper são, em média, os mais caros de todos. Se tiverem um Modelo ou um Lidl por perto fiquem a saber que não há diferenças sensíveis em relação a Lisboa. Os Jafers não são maus e de preço médio, mas onde vale a pena ir é ao magnífico Apolónia, em Almancil. Tem produtos únicos a preço aceitável, produtos vulgares a preços normais e uma garrafeira de excepção a preços razoáveis. No Algarve dificilmente se conjuga tão bem preço com qualidade como ali. Se estiverem perto de Quarteira (não torçam o nariz, não vale a pena), nas quartas feiras de manhã visitem o mercado de produtos locais. De requeijão a fruta fresca apanham de tudo. A bons preços e de excelente qualidade.
Passemos aos bares de praia. Eu, da praia, tenho uma noção estranha. Não gosto muito de sol nem escaldões, mas uma boa barraquinha de comes e bebes fazia-me percorrer o areal. Gosto dos fins de tarde na praia, e tenho saudades dos bares menos bonitos mas com melhor serviço e qualidade, que por ali estavam no areal antes de existirem só as construções estereotipadas de madeira. Peguemos o caso da zona de Vilamoura. Dantes, na D. Fernanda, a meio da praia da Falésia, praticavam-se preços exorbitantes mas o serviço era magnífico e a qualidade irrepreensível. Todos os anos a D. Fernanda migrava de Lisboa, de Campo de Ourique para Vilamoura, e ali nos deliciava com belos petiscos. As normas comunitárias e a legislação restaurativa vigente acabaram com a barraquinha da D. Fernanda e criaram muitos pré-fabricados de madeira nórdica no areal da Falésia. Em todos se come péssimo, na maioria o serviço é inexistente. Se isto fosse em Espanha, dizia-me um amigo meu, com uma localização destas, teríamos tapas, simpatia e «cachondeo». Assim só temos demoras e falta de escolha. As sanduíches são miseráveis, o pão é de refugo, a imaginação é nula. Nem salada de polvo, nem conquilhas, nem presunto, nem pimentos recheados, nem anchova, nem nada. Tristeza. Pacotes com meia dúzia de pistachios a um euro, distribuídos numa máquina é o que resta. Imperiais a dois euros. Gelados Olá a preços alterados, muito para cima, em relação à tabela. Simpatia, nicles. Os restaurantes de praia em Vilamoura estão a ficar como o resto do país: quanto menos gente a pagar, mais os preços (ou os impostos) aumentam. No fim tudo acaba falido.
Passemos agora aos outros restaurantes.
Começo por uma homenagem à Índia. Fica em Escanxinas, na estrada entre Quarteira e Almancil, chama-se muito apropriadamente Índia, tem uma bela esplanada deliciosa nestas noites cálidas. A comida é Tandoori (e muito estimável), o serviço é bom, os preços são médios. A garrafeira é mediana, mas bem escolhida. O telefone é o 289395756.
Em matéria de comida francesa um dos meus favoritos é o Couleurs de France, em Almancil. É uma casa isolada, onde se chega depois de passar o Apolónia, em direcção à 125, virando à esquerda logo antes do início do viaduto. Tem mesas ao ar livre e uma sala simpática. A comida é deliciosa – sim, excepcional - e o serviço é muito bom. Os preços são altos sem serem exagerados. O telefone é o 289 399 515.
Um outro género, igualmente francês, é o que este ano é proposto pelo Jardim do Vale. Em termos de comida e de serviço compete com a proposta anterior, mas as mesas ao ar livre estão num delicioso jardim com árvores de frutos, que é verdadeiramente um prazer. Fica na estrada de Almacil para Loulé, um pouco à frente do restaurante de Henrique Leis. O telefone é o 289 393 444.
Passemos agora, a bem dos contrastes e do bom senso, para Quarteira. Aí designo o Casa D’Ana. Fica na Rua 25 de Abril, telefone 289 31 64 71 . Comida portuguesa, fica tudo dito. Serviço simpático, só abre para jantar. Ali perto, em Loulé, na Rua Maria Campina, fica A Moagem. Está fechado aos domingos e nos outros dias vale sempre a pena lá ir. O dono é de Estremoz e ali pode pedir uma das mais extraordinárias entradas: coxas de rã – não torça o nariz e experimente que não se arrepende. O xarém com o milho algarvio anda ao lado das migas do pão alentejano nas mais heréticas e deliciosas combinações, entre o linguado e o bacalhau. É decididamente um dos locais a reter este ano, esperemos que não se estrague em Agosto – a prova de fogo.
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O ALGARVE
Tenho uma noção utilitária do Algarve. Gosto de praias com pouca gente. Nunca vou para lá em Agosto. Não gosto de filas nem de esperar muito tempo. Tudo isto é incompatível com o Algarve em Agosto.
Vamos pois por partes. Supermercados. Não se deixem iludir pela proximidade e comparem preços. Dos que visitei os Alisuper são, em média, os mais caros de todos. Se tiverem um Modelo ou um Lidl por perto fiquem a saber que não há diferenças sensíveis em relação a Lisboa. Os Jafers não são maus e de preço médio, mas onde vale a pena ir é ao magnífico Apolónia, em Almancil. Tem produtos únicos a preço aceitável, produtos vulgares a preços normais e uma garrafeira de excepção a preços razoáveis. No Algarve dificilmente se conjuga tão bem preço com qualidade como ali. Se estiverem perto de Quarteira (não torçam o nariz, não vale a pena), nas quartas feiras de manhã visitem o mercado de produtos locais. De requeijão a fruta fresca apanham de tudo. A bons preços e de excelente qualidade.
Passemos aos bares de praia. Eu, da praia, tenho uma noção estranha. Não gosto muito de sol nem escaldões, mas uma boa barraquinha de comes e bebes fazia-me percorrer o areal. Gosto dos fins de tarde na praia, e tenho saudades dos bares menos bonitos mas com melhor serviço e qualidade, que por ali estavam no areal antes de existirem só as construções estereotipadas de madeira. Peguemos o caso da zona de Vilamoura. Dantes, na D. Fernanda, a meio da praia da Falésia, praticavam-se preços exorbitantes mas o serviço era magnífico e a qualidade irrepreensível. Todos os anos a D. Fernanda migrava de Lisboa, de Campo de Ourique para Vilamoura, e ali nos deliciava com belos petiscos. As normas comunitárias e a legislação restaurativa vigente acabaram com a barraquinha da D. Fernanda e criaram muitos pré-fabricados de madeira nórdica no areal da Falésia. Em todos se come péssimo, na maioria o serviço é inexistente. Se isto fosse em Espanha, dizia-me um amigo meu, com uma localização destas, teríamos tapas, simpatia e «cachondeo». Assim só temos demoras e falta de escolha. As sanduíches são miseráveis, o pão é de refugo, a imaginação é nula. Nem salada de polvo, nem conquilhas, nem presunto, nem pimentos recheados, nem anchova, nem nada. Tristeza. Pacotes com meia dúzia de pistachios a um euro, distribuídos numa máquina é o que resta. Imperiais a dois euros. Gelados Olá a preços alterados, muito para cima, em relação à tabela. Simpatia, nicles. Os restaurantes de praia em Vilamoura estão a ficar como o resto do país: quanto menos gente a pagar, mais os preços (ou os impostos) aumentam. No fim tudo acaba falido.
Passemos agora aos outros restaurantes.
Começo por uma homenagem à Índia. Fica em Escanxinas, na estrada entre Quarteira e Almancil, chama-se muito apropriadamente Índia, tem uma bela esplanada deliciosa nestas noites cálidas. A comida é Tandoori (e muito estimável), o serviço é bom, os preços são médios. A garrafeira é mediana, mas bem escolhida. O telefone é o 289395756.
Em matéria de comida francesa um dos meus favoritos é o Couleurs de France, em Almancil. É uma casa isolada, onde se chega depois de passar o Apolónia, em direcção à 125, virando à esquerda logo antes do início do viaduto. Tem mesas ao ar livre e uma sala simpática. A comida é deliciosa – sim, excepcional - e o serviço é muito bom. Os preços são altos sem serem exagerados. O telefone é o 289 399 515.
Um outro género, igualmente francês, é o que este ano é proposto pelo Jardim do Vale. Em termos de comida e de serviço compete com a proposta anterior, mas as mesas ao ar livre estão num delicioso jardim com árvores de frutos, que é verdadeiramente um prazer. Fica na estrada de Almacil para Loulé, um pouco à frente do restaurante de Henrique Leis. O telefone é o 289 393 444.
Passemos agora, a bem dos contrastes e do bom senso, para Quarteira. Aí designo o Casa D’Ana. Fica na Rua 25 de Abril, telefone 289 31 64 71 . Comida portuguesa, fica tudo dito. Serviço simpático, só abre para jantar. Ali perto, em Loulé, na Rua Maria Campina, fica A Moagem. Está fechado aos domingos e nos outros dias vale sempre a pena lá ir. O dono é de Estremoz e ali pode pedir uma das mais extraordinárias entradas: coxas de rã – não torça o nariz e experimente que não se arrepende. O xarém com o milho algarvio anda ao lado das migas do pão alentejano nas mais heréticas e deliciosas combinações, entre o linguado e o bacalhau. É decididamente um dos locais a reter este ano, esperemos que não se estrague em Agosto – a prova de fogo.
Tenho uma noção utilitária do Algarve. Gosto de praias com pouca gente. Nunca vou para lá em Agosto. Não gosto de filas nem de esperar muito tempo. Tudo isto é incompatível com o Algarve em Agosto.
Vamos pois por partes. Supermercados. Não se deixem iludir pela proximidade e comparem preços. Dos que visitei os Alisuper são, em média, os mais caros de todos. Se tiverem um Modelo ou um Lidl por perto fiquem a saber que não há diferenças sensíveis em relação a Lisboa. Os Jafers não são maus e de preço médio, mas onde vale a pena ir é ao magnífico Apolónia, em Almancil. Tem produtos únicos a preço aceitável, produtos vulgares a preços normais e uma garrafeira de excepção a preços razoáveis. No Algarve dificilmente se conjuga tão bem preço com qualidade como ali. Se estiverem perto de Quarteira (não torçam o nariz, não vale a pena), nas quartas feiras de manhã visitem o mercado de produtos locais. De requeijão a fruta fresca apanham de tudo. A bons preços e de excelente qualidade.
Passemos aos bares de praia. Eu, da praia, tenho uma noção estranha. Não gosto muito de sol nem escaldões, mas uma boa barraquinha de comes e bebes fazia-me percorrer o areal. Gosto dos fins de tarde na praia, e tenho saudades dos bares menos bonitos mas com melhor serviço e qualidade, que por ali estavam no areal antes de existirem só as construções estereotipadas de madeira. Peguemos o caso da zona de Vilamoura. Dantes, na D. Fernanda, a meio da praia da Falésia, praticavam-se preços exorbitantes mas o serviço era magnífico e a qualidade irrepreensível. Todos os anos a D. Fernanda migrava de Lisboa, de Campo de Ourique para Vilamoura, e ali nos deliciava com belos petiscos. As normas comunitárias e a legislação restaurativa vigente acabaram com a barraquinha da D. Fernanda e criaram muitos pré-fabricados de madeira nórdica no areal da Falésia. Em todos se come péssimo, na maioria o serviço é inexistente. Se isto fosse em Espanha, dizia-me um amigo meu, com uma localização destas, teríamos tapas, simpatia e «cachondeo». Assim só temos demoras e falta de escolha. As sanduíches são miseráveis, o pão é de refugo, a imaginação é nula. Nem salada de polvo, nem conquilhas, nem presunto, nem pimentos recheados, nem anchova, nem nada. Tristeza. Pacotes com meia dúzia de pistachios a um euro, distribuídos numa máquina é o que resta. Imperiais a dois euros. Gelados Olá a preços alterados, muito para cima, em relação à tabela. Simpatia, nicles. Os restaurantes de praia em Vilamoura estão a ficar como o resto do país: quanto menos gente a pagar, mais os preços (ou os impostos) aumentam. No fim tudo acaba falido.
Passemos agora aos outros restaurantes.
Começo por uma homenagem à Índia. Fica em Escanxinas, na estrada entre Quarteira e Almancil, chama-se muito apropriadamente Índia, tem uma bela esplanada deliciosa nestas noites cálidas. A comida é Tandoori (e muito estimável), o serviço é bom, os preços são médios. A garrafeira é mediana, mas bem escolhida. O telefone é o 289395756.
Em matéria de comida francesa um dos meus favoritos é o Couleurs de France, em Almancil. É uma casa isolada, onde se chega depois de passar o Apolónia, em direcção à 125, virando à esquerda logo antes do início do viaduto. Tem mesas ao ar livre e uma sala simpática. A comida é deliciosa – sim, excepcional - e o serviço é muito bom. Os preços são altos sem serem exagerados. O telefone é o 289 399 515.
Um outro género, igualmente francês, é o que este ano é proposto pelo Jardim do Vale. Em termos de comida e de serviço compete com a proposta anterior, mas as mesas ao ar livre estão num delicioso jardim com árvores de frutos, que é verdadeiramente um prazer. Fica na estrada de Almacil para Loulé, um pouco à frente do restaurante de Henrique Leis. O telefone é o 289 393 444.
Passemos agora, a bem dos contrastes e do bom senso, para Quarteira. Aí designo o Casa D’Ana. Fica na Rua 25 de Abril, telefone 289 31 64 71 . Comida portuguesa, fica tudo dito. Serviço simpático, só abre para jantar. Ali perto, em Loulé, na Rua Maria Campina, fica A Moagem. Está fechado aos domingos e nos outros dias vale sempre a pena lá ir. O dono é de Estremoz e ali pode pedir uma das mais extraordinárias entradas: coxas de rã – não torça o nariz e experimente que não se arrepende. O xarém com o milho algarvio anda ao lado das migas do pão alentejano nas mais heréticas e deliciosas combinações, entre o linguado e o bacalhau. É decididamente um dos locais a reter este ano, esperemos que não se estrague em Agosto – a prova de fogo.
agosto 04, 2005
agosto 02, 2005
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NA MESMA FASE
Quem não muda mesmo é Marques Mendes. Era o último a poder vir protestar contra o que aconteceu na CGD.
Quem não muda mesmo é Marques Mendes. Era o último a poder vir protestar contra o que aconteceu na CGD.
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COMEÇOU A SEGUNDA FASE
Título de hoje do «Diário Económico»:
Administração da CGD cai por falta de confiança
Quatro dos novos administradores são próximos ou filiados no PS.
Título de hoje do «Diário Económico»:
Administração da CGD cai por falta de confiança
Quatro dos novos administradores são próximos ou filiados no PS.
PERGUNTAR, SEMPRE, COMO NO
ABRUPTO
MICRO-CAUSAS:
PODE O GOVERNO SFF COLOCAR EM LINHA OS ESTUDOS SOBRE O AEROPORTO DA OTA PARA QUE NA SOCIEDADE PORTUGUESA SE VALORIZE MAIS A “BUSCA DE SOLUÇÕES” EM DETRIMENTO DA “ESPECULAÇÃO”?
"Respeito muito os signatários, mas há sociedades que valorizam mais a especulação e a análise, enquanto outras valorizam mais a busca de soluções."
(Manuel Pinho, Diário Económico, 28-07-07)
Será que os senhores ministros (Primeiro, Economia, Obras Públicas) podem ao menos explicar quais as razões porque os estudos, alguns estudos, parte dos estudos, os estudos que foram relevantes para a tomada de decisão, não podem ser divulgados? Partindo do príncipio que existem.
Vamos acompanhar a página do Ministério da Economia e Inovação onde aliás há um formulário de reclamações, e cujas últimas entradas são a Nota à Comunicação Social com a resposta da Direcção-Geral de Geologia e Energia ao comunicado da Quercus e a Nota à Comunicação Social relativa à actividade de fiscalização desenvolvida pela IGAE - Inspecção-Geral das Actividades Económicas, no mês de Junho de 2005. Haverá com certeza informações mais úteis para todos para disponibilizar na página.
ABRUPTO
MICRO-CAUSAS:
PODE O GOVERNO SFF COLOCAR EM LINHA OS ESTUDOS SOBRE O AEROPORTO DA OTA PARA QUE NA SOCIEDADE PORTUGUESA SE VALORIZE MAIS A “BUSCA DE SOLUÇÕES” EM DETRIMENTO DA “ESPECULAÇÃO”?
"Respeito muito os signatários, mas há sociedades que valorizam mais a especulação e a análise, enquanto outras valorizam mais a busca de soluções."
(Manuel Pinho, Diário Económico, 28-07-07)
Será que os senhores ministros (Primeiro, Economia, Obras Públicas) podem ao menos explicar quais as razões porque os estudos, alguns estudos, parte dos estudos, os estudos que foram relevantes para a tomada de decisão, não podem ser divulgados? Partindo do príncipio que existem.
Vamos acompanhar a página do Ministério da Economia e Inovação onde aliás há um formulário de reclamações, e cujas últimas entradas são a Nota à Comunicação Social com a resposta da Direcção-Geral de Geologia e Energia ao comunicado da Quercus e a Nota à Comunicação Social relativa à actividade de fiscalização desenvolvida pela IGAE - Inspecção-Geral das Actividades Económicas, no mês de Junho de 2005. Haverá com certeza informações mais úteis para todos para disponibilizar na página.
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PERGUNTAR, SEMPRE, COMO NO
ABRUPTO
MICRO-CAUSAS:
PODE O GOVERNO SFF COLOCAR EM LINHA OS ESTUDOS SOBRE O AEROPORTO DA OTA PARA QUE NA SOCIEDADE PORTUGUESA SE VALORIZE MAIS A “BUSCA DE SOLUÇÕES” EM DETRIMENTO DA “ESPECULAÇÃO”?
"Respeito muito os signatários, mas há sociedades que valorizam mais a especulação e a análise, enquanto outras valorizam mais a busca de soluções."
(Manuel Pinho, Diário Económico, 28-07-07)
Será que os senhores ministros (Primeiro, Economia, Obras Públicas) podem ao menos explicar quais as razões porque os estudos, alguns estudos, parte dos estudos, os estudos que foram relevantes para a tomada de decisão, não podem ser divulgados? Partindo do príncipio que existem.
Vamos acompanhar a página do Ministério da Economia e Inovação onde aliás há um formulário de reclamações, e cujas últimas entradas são a Nota à Comunicação Social com a resposta da Direcção-Geral de Geologia e Energia ao comunicado da Quercus e a Nota à Comunicação Social relativa à actividade de fiscalização desenvolvida pela IGAE - Inspecção-Geral das Actividades Económicas, no mês de Junho de 2005. Haverá com certeza informações mais úteis para todos para disponibilizar na página.
ABRUPTO
MICRO-CAUSAS:
PODE O GOVERNO SFF COLOCAR EM LINHA OS ESTUDOS SOBRE O AEROPORTO DA OTA PARA QUE NA SOCIEDADE PORTUGUESA SE VALORIZE MAIS A “BUSCA DE SOLUÇÕES” EM DETRIMENTO DA “ESPECULAÇÃO”?
"Respeito muito os signatários, mas há sociedades que valorizam mais a especulação e a análise, enquanto outras valorizam mais a busca de soluções."
(Manuel Pinho, Diário Económico, 28-07-07)
Será que os senhores ministros (Primeiro, Economia, Obras Públicas) podem ao menos explicar quais as razões porque os estudos, alguns estudos, parte dos estudos, os estudos que foram relevantes para a tomada de decisão, não podem ser divulgados? Partindo do príncipio que existem.
Vamos acompanhar a página do Ministério da Economia e Inovação onde aliás há um formulário de reclamações, e cujas últimas entradas são a Nota à Comunicação Social com a resposta da Direcção-Geral de Geologia e Energia ao comunicado da Quercus e a Nota à Comunicação Social relativa à actividade de fiscalização desenvolvida pela IGAE - Inspecção-Geral das Actividades Económicas, no mês de Junho de 2005. Haverá com certeza informações mais úteis para todos para disponibilizar na página.
julho 31, 2005
ABERTURA OFICIAL
A Silly Season teve a sua abertura oficial com a edição desta semana da «Única», o magazine do «Expresso» que virou revista de humor. Além das primeiras páginas de «O Inevitável» (uma cópia má do «Inimigo Público»), agora as entrevistas seguem o mesmo ritmo. E, tal como o primeiro caderno desse jornal, são belos exemplos daquilo que me ensinaram a chamar frete jornalístico.
A Silly Season teve a sua abertura oficial com a edição desta semana da «Única», o magazine do «Expresso» que virou revista de humor. Além das primeiras páginas de «O Inevitável» (uma cópia má do «Inimigo Público»), agora as entrevistas seguem o mesmo ritmo. E, tal como o primeiro caderno desse jornal, são belos exemplos daquilo que me ensinaram a chamar frete jornalístico.
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ABERTURA OFICIAL
A Silly Season teve a sua abertura oficial com a edição desta semana da «Única», o magazine do «Expresso» que virou revista de humor. Além das primeiras páginas de «O Inevitável» (uma cópia má do «Inimigo Público»), agora as entrevistas seguem o mesmo ritmo. E, tal como o primeiro caderno desse jornal, são belos exemplos daquilo que me ensinaram a chamar frete jornalístico.
A Silly Season teve a sua abertura oficial com a edição desta semana da «Única», o magazine do «Expresso» que virou revista de humor. Além das primeiras páginas de «O Inevitável» (uma cópia má do «Inimigo Público»), agora as entrevistas seguem o mesmo ritmo. E, tal como o primeiro caderno desse jornal, são belos exemplos daquilo que me ensinaram a chamar frete jornalístico.
julho 30, 2005
ESTADOS DE ALMA (2)
A guerrilha desencadeada nesta semana em torno das eleições presidenciais foi elucidativa: o regime está esgotado, os partidos mostraram-se incapazes de enquadrar soluções e foram positivamente arrastados pelos acontecimentos. Não surgiram novos candidatos credíveis, apostados em provocar mudanças. Os dois candidatos que se perfilam são defensores do regime tal como ele existe e, infelizmente, parece-me que vamos ter umas eleições presidenciais com política a menos e emoção a mais. Mário Soares vai apostar na radicalização e na emoção para procurar garantir a manutenção do seu regime, da República que ele moldou e do Partido que construíu. Cavaco Silva, mais uma vez, deixou perder a marcação da agenda e a iniciativa política com a sua teimosia em prolongar tabus além do suportável – há dez anos esta falta de jeito foi em parte responsável pelo turbilhão que o levou à derrota.
A nossa História recente mostra bem o carácter errático e ferozmente partidário das intervenções presidenciais, todas no sentido de proteger a tribo e não de ajudar a encontrar um desígnio para o País. A figura e funções do Presidente da República, tais como existem, já não inspiram confiança. Uma das regras básicas, que podemos considerar como teorema seguro, provado por estes 31 anos que levamos de democracia, é que os interesses partidários estão sempre acima do interesse nacional e que, muitas vezes, os interesses dos responsáveis máximos dos partidos estão acima de tudo o resto. A política deixou de ser a já de si cínica arte do possível, para ser a arte do engano. Os mais recentes actos eleitorais em Portugal estão repletos de provas disso: promessas não cumpridas, garantias desmentidas. A demagogia instalou-se e faz parte dos métodos de acção de todos os quadrantes políticos.
É cada vez mais evidente que um dos factores mais imobilistas e com maiores responsabilidades na incapacidade de funcionamento do sistema vem da ausência de uma reforma profunda na Administração Pública. A função pública vale votos demais para poder ser tocada. A incapacidade em a reformar está directamente ligada à incapacidade em governar o país e em provocar mudanças estruturais. Enquanto não se mudar a administração pública a despesa dificilmente diminuirá e o país não conseguirá progredir. Este ano teremos eleições autárquicas, o que é um outro mundo acrescido de clientelismo, o da administração local e todos os seus anexos. Os autarcas gostam de se considerar os alicerces do regime, mas um estudo cuidado à realidade da gestão autárquica a nível nacional mostraria muito desperdício, muita obra feita para as feiras de vaidades pessoais dos presidentes de câmaras, provavelmente pouca obra social e demasiadas rotundas e construção civil. Os autarcas – salvo raras e honrosas excepções - transformaram-se em loteadores, são sobretudo o apoio estratégico de construtores civis e especuladores imobiliários. O retrato desenfreado da nova construção no país é prova disso mesmo. Confunde-se desenvolvimento com construção – é a expressão da política do betão a nível autárquico. Em 35 anos o número de habitações em Portugal mais que duplicou. Teoricamente temos uma casa para cada duas pessoas e preferimos demolir e construir, a recuperar e conservar. O resultado está à vista na paisagem e não é bonito de se ver.
Nas autarquias os serviços prestados aos cidadãos são chocantemente maus e caros. A burocracia é maior que na administração central, a ineficácia é gigantesca, o tráfico de influências e as alianças espúrias são correntes e as suspeitas de corrupção persistem. Não acredito na bondade dos políticos nem dos aspirantes a políticos. As obras públicas e as decisões urbanísticas são em grande parte o pagamento das campanhas eleitorais.
E, agora digam-me: com um quadro destes acham que os partidos e o sistema político, tal como hoje existem, podem alterar alguma coisa? Cada vez mais a intervenção cívica apenas faz sentido fora dos partidos – e frequentemente contra eles. E por este andar a participação cívica faz mais sentido fora do quadro das eleições.
A guerrilha desencadeada nesta semana em torno das eleições presidenciais foi elucidativa: o regime está esgotado, os partidos mostraram-se incapazes de enquadrar soluções e foram positivamente arrastados pelos acontecimentos. Não surgiram novos candidatos credíveis, apostados em provocar mudanças. Os dois candidatos que se perfilam são defensores do regime tal como ele existe e, infelizmente, parece-me que vamos ter umas eleições presidenciais com política a menos e emoção a mais. Mário Soares vai apostar na radicalização e na emoção para procurar garantir a manutenção do seu regime, da República que ele moldou e do Partido que construíu. Cavaco Silva, mais uma vez, deixou perder a marcação da agenda e a iniciativa política com a sua teimosia em prolongar tabus além do suportável – há dez anos esta falta de jeito foi em parte responsável pelo turbilhão que o levou à derrota.
A nossa História recente mostra bem o carácter errático e ferozmente partidário das intervenções presidenciais, todas no sentido de proteger a tribo e não de ajudar a encontrar um desígnio para o País. A figura e funções do Presidente da República, tais como existem, já não inspiram confiança. Uma das regras básicas, que podemos considerar como teorema seguro, provado por estes 31 anos que levamos de democracia, é que os interesses partidários estão sempre acima do interesse nacional e que, muitas vezes, os interesses dos responsáveis máximos dos partidos estão acima de tudo o resto. A política deixou de ser a já de si cínica arte do possível, para ser a arte do engano. Os mais recentes actos eleitorais em Portugal estão repletos de provas disso: promessas não cumpridas, garantias desmentidas. A demagogia instalou-se e faz parte dos métodos de acção de todos os quadrantes políticos.
É cada vez mais evidente que um dos factores mais imobilistas e com maiores responsabilidades na incapacidade de funcionamento do sistema vem da ausência de uma reforma profunda na Administração Pública. A função pública vale votos demais para poder ser tocada. A incapacidade em a reformar está directamente ligada à incapacidade em governar o país e em provocar mudanças estruturais. Enquanto não se mudar a administração pública a despesa dificilmente diminuirá e o país não conseguirá progredir. Este ano teremos eleições autárquicas, o que é um outro mundo acrescido de clientelismo, o da administração local e todos os seus anexos. Os autarcas gostam de se considerar os alicerces do regime, mas um estudo cuidado à realidade da gestão autárquica a nível nacional mostraria muito desperdício, muita obra feita para as feiras de vaidades pessoais dos presidentes de câmaras, provavelmente pouca obra social e demasiadas rotundas e construção civil. Os autarcas – salvo raras e honrosas excepções - transformaram-se em loteadores, são sobretudo o apoio estratégico de construtores civis e especuladores imobiliários. O retrato desenfreado da nova construção no país é prova disso mesmo. Confunde-se desenvolvimento com construção – é a expressão da política do betão a nível autárquico. Em 35 anos o número de habitações em Portugal mais que duplicou. Teoricamente temos uma casa para cada duas pessoas e preferimos demolir e construir, a recuperar e conservar. O resultado está à vista na paisagem e não é bonito de se ver.
Nas autarquias os serviços prestados aos cidadãos são chocantemente maus e caros. A burocracia é maior que na administração central, a ineficácia é gigantesca, o tráfico de influências e as alianças espúrias são correntes e as suspeitas de corrupção persistem. Não acredito na bondade dos políticos nem dos aspirantes a políticos. As obras públicas e as decisões urbanísticas são em grande parte o pagamento das campanhas eleitorais.
E, agora digam-me: com um quadro destes acham que os partidos e o sistema político, tal como hoje existem, podem alterar alguma coisa? Cada vez mais a intervenção cívica apenas faz sentido fora dos partidos – e frequentemente contra eles. E por este andar a participação cívica faz mais sentido fora do quadro das eleições.
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ESTADOS DE ALMA (2)
A guerrilha desencadeada nesta semana em torno das eleições presidenciais foi elucidativa: o regime está esgotado, os partidos mostraram-se incapazes de enquadrar soluções e foram positivamente arrastados pelos acontecimentos. Não surgiram novos candidatos credíveis, apostados em provocar mudanças. Os dois candidatos que se perfilam são defensores do regime tal como ele existe e, infelizmente, parece-me que vamos ter umas eleições presidenciais com política a menos e emoção a mais. Mário Soares vai apostar na radicalização e na emoção para procurar garantir a manutenção do seu regime, da República que ele moldou e do Partido que construíu. Cavaco Silva, mais uma vez, deixou perder a marcação da agenda e a iniciativa política com a sua teimosia em prolongar tabus além do suportável – há dez anos esta falta de jeito foi em parte responsável pelo turbilhão que o levou à derrota.
A nossa História recente mostra bem o carácter errático e ferozmente partidário das intervenções presidenciais, todas no sentido de proteger a tribo e não de ajudar a encontrar um desígnio para o País. A figura e funções do Presidente da República, tais como existem, já não inspiram confiança. Uma das regras básicas, que podemos considerar como teorema seguro, provado por estes 31 anos que levamos de democracia, é que os interesses partidários estão sempre acima do interesse nacional e que, muitas vezes, os interesses dos responsáveis máximos dos partidos estão acima de tudo o resto. A política deixou de ser a já de si cínica arte do possível, para ser a arte do engano. Os mais recentes actos eleitorais em Portugal estão repletos de provas disso: promessas não cumpridas, garantias desmentidas. A demagogia instalou-se e faz parte dos métodos de acção de todos os quadrantes políticos.
É cada vez mais evidente que um dos factores mais imobilistas e com maiores responsabilidades na incapacidade de funcionamento do sistema vem da ausência de uma reforma profunda na Administração Pública. A função pública vale votos demais para poder ser tocada. A incapacidade em a reformar está directamente ligada à incapacidade em governar o país e em provocar mudanças estruturais. Enquanto não se mudar a administração pública a despesa dificilmente diminuirá e o país não conseguirá progredir. Este ano teremos eleições autárquicas, o que é um outro mundo acrescido de clientelismo, o da administração local e todos os seus anexos. Os autarcas gostam de se considerar os alicerces do regime, mas um estudo cuidado à realidade da gestão autárquica a nível nacional mostraria muito desperdício, muita obra feita para as feiras de vaidades pessoais dos presidentes de câmaras, provavelmente pouca obra social e demasiadas rotundas e construção civil. Os autarcas – salvo raras e honrosas excepções - transformaram-se em loteadores, são sobretudo o apoio estratégico de construtores civis e especuladores imobiliários. O retrato desenfreado da nova construção no país é prova disso mesmo. Confunde-se desenvolvimento com construção – é a expressão da política do betão a nível autárquico. Em 35 anos o número de habitações em Portugal mais que duplicou. Teoricamente temos uma casa para cada duas pessoas e preferimos demolir e construir, a recuperar e conservar. O resultado está à vista na paisagem e não é bonito de se ver.
Nas autarquias os serviços prestados aos cidadãos são chocantemente maus e caros. A burocracia é maior que na administração central, a ineficácia é gigantesca, o tráfico de influências e as alianças espúrias são correntes e as suspeitas de corrupção persistem. Não acredito na bondade dos políticos nem dos aspirantes a políticos. As obras públicas e as decisões urbanísticas são em grande parte o pagamento das campanhas eleitorais.
E, agora digam-me: com um quadro destes acham que os partidos e o sistema político, tal como hoje existem, podem alterar alguma coisa? Cada vez mais a intervenção cívica apenas faz sentido fora dos partidos – e frequentemente contra eles. E por este andar a participação cívica faz mais sentido fora do quadro das eleições.
A guerrilha desencadeada nesta semana em torno das eleições presidenciais foi elucidativa: o regime está esgotado, os partidos mostraram-se incapazes de enquadrar soluções e foram positivamente arrastados pelos acontecimentos. Não surgiram novos candidatos credíveis, apostados em provocar mudanças. Os dois candidatos que se perfilam são defensores do regime tal como ele existe e, infelizmente, parece-me que vamos ter umas eleições presidenciais com política a menos e emoção a mais. Mário Soares vai apostar na radicalização e na emoção para procurar garantir a manutenção do seu regime, da República que ele moldou e do Partido que construíu. Cavaco Silva, mais uma vez, deixou perder a marcação da agenda e a iniciativa política com a sua teimosia em prolongar tabus além do suportável – há dez anos esta falta de jeito foi em parte responsável pelo turbilhão que o levou à derrota.
A nossa História recente mostra bem o carácter errático e ferozmente partidário das intervenções presidenciais, todas no sentido de proteger a tribo e não de ajudar a encontrar um desígnio para o País. A figura e funções do Presidente da República, tais como existem, já não inspiram confiança. Uma das regras básicas, que podemos considerar como teorema seguro, provado por estes 31 anos que levamos de democracia, é que os interesses partidários estão sempre acima do interesse nacional e que, muitas vezes, os interesses dos responsáveis máximos dos partidos estão acima de tudo o resto. A política deixou de ser a já de si cínica arte do possível, para ser a arte do engano. Os mais recentes actos eleitorais em Portugal estão repletos de provas disso: promessas não cumpridas, garantias desmentidas. A demagogia instalou-se e faz parte dos métodos de acção de todos os quadrantes políticos.
É cada vez mais evidente que um dos factores mais imobilistas e com maiores responsabilidades na incapacidade de funcionamento do sistema vem da ausência de uma reforma profunda na Administração Pública. A função pública vale votos demais para poder ser tocada. A incapacidade em a reformar está directamente ligada à incapacidade em governar o país e em provocar mudanças estruturais. Enquanto não se mudar a administração pública a despesa dificilmente diminuirá e o país não conseguirá progredir. Este ano teremos eleições autárquicas, o que é um outro mundo acrescido de clientelismo, o da administração local e todos os seus anexos. Os autarcas gostam de se considerar os alicerces do regime, mas um estudo cuidado à realidade da gestão autárquica a nível nacional mostraria muito desperdício, muita obra feita para as feiras de vaidades pessoais dos presidentes de câmaras, provavelmente pouca obra social e demasiadas rotundas e construção civil. Os autarcas – salvo raras e honrosas excepções - transformaram-se em loteadores, são sobretudo o apoio estratégico de construtores civis e especuladores imobiliários. O retrato desenfreado da nova construção no país é prova disso mesmo. Confunde-se desenvolvimento com construção – é a expressão da política do betão a nível autárquico. Em 35 anos o número de habitações em Portugal mais que duplicou. Teoricamente temos uma casa para cada duas pessoas e preferimos demolir e construir, a recuperar e conservar. O resultado está à vista na paisagem e não é bonito de se ver.
Nas autarquias os serviços prestados aos cidadãos são chocantemente maus e caros. A burocracia é maior que na administração central, a ineficácia é gigantesca, o tráfico de influências e as alianças espúrias são correntes e as suspeitas de corrupção persistem. Não acredito na bondade dos políticos nem dos aspirantes a políticos. As obras públicas e as decisões urbanísticas são em grande parte o pagamento das campanhas eleitorais.
E, agora digam-me: com um quadro destes acham que os partidos e o sistema político, tal como hoje existem, podem alterar alguma coisa? Cada vez mais a intervenção cívica apenas faz sentido fora dos partidos – e frequentemente contra eles. E por este andar a participação cívica faz mais sentido fora do quadro das eleições.
CARTA A UMA AMIGA NA PATAGÓNIA
(publicada esta semana em «O Independente»)
Bem sei que estás aí há pouco tempo, mas quando chegares, nem vais acreditar no que se passou, desde que partiste há quinze dias. Vamos por partes: o Ministro das Finanças resolveu escrever um artigo a dizer que os grandes investimentos públicos tinham que ser muito bem avaliados e estudados. No dia a seguir o Ministro dos Negócios Estrangeiros (o Freitas, lembras-te?) criticou-o e pôs-se a jeito para ser candidato a Presidente da República pelo PS. Sócrates, no início da semana, disse que era muito cedo para se falar em presidenciais. Jorge Coelho apareceu rápido a garantir que o Governo estava coeso. No dia a seguir o Ministro das Finanças pediu a exoneração (queixou-se de cansaço…), e os jornais escreviam que o Primeiro Ministro lhe disse que, ou se demitia, ou era demitido. Como vez, mais coeso que isto não há.
Sexta-feira soube-se que os espanhóis do «El País» tinham chegado a acordo para comprar a Media Capital, depois de terem sido postos de lado na Lusomundo pela PT. E vê lá tu a coincidência: foi esse o dia escolhido pela Autoridade da Concorrência para dar luz verde à compra da Lusomundo pela Controlinveste. Ele há dias em que tudo corre bem a toda a gente, não achas?
Mas o melhor foram os jornais de sábado: o «Expresso» e o «Diário de Notícias» garantiam que Soares ía ser candidato; o «Público» jurava por Manuel Alegre; e, no «Correio da Manhã», Emídio Rangel defendia que o candidato do PS devia ser Jorge Coelho. Quando o fim-de-semana acabou José Sócrates já achava que era tempo de falar de presidenciais e apoiou a candidatura de Soares, logo depois de Jorge Coelho e logo antes de Silva Pereira darem a sua benção ao tema. A única coisa que não mudou foi o tabu de Cavaco. Continua caladinho, mas a mandar recados. É um estilo. O país não mudou. Os partidos não mudaram. Os políticos continuam os mesmos. Mas a idade da reforma aumentou. É oficial.
(publicada esta semana em «O Independente»)
Bem sei que estás aí há pouco tempo, mas quando chegares, nem vais acreditar no que se passou, desde que partiste há quinze dias. Vamos por partes: o Ministro das Finanças resolveu escrever um artigo a dizer que os grandes investimentos públicos tinham que ser muito bem avaliados e estudados. No dia a seguir o Ministro dos Negócios Estrangeiros (o Freitas, lembras-te?) criticou-o e pôs-se a jeito para ser candidato a Presidente da República pelo PS. Sócrates, no início da semana, disse que era muito cedo para se falar em presidenciais. Jorge Coelho apareceu rápido a garantir que o Governo estava coeso. No dia a seguir o Ministro das Finanças pediu a exoneração (queixou-se de cansaço…), e os jornais escreviam que o Primeiro Ministro lhe disse que, ou se demitia, ou era demitido. Como vez, mais coeso que isto não há.
Sexta-feira soube-se que os espanhóis do «El País» tinham chegado a acordo para comprar a Media Capital, depois de terem sido postos de lado na Lusomundo pela PT. E vê lá tu a coincidência: foi esse o dia escolhido pela Autoridade da Concorrência para dar luz verde à compra da Lusomundo pela Controlinveste. Ele há dias em que tudo corre bem a toda a gente, não achas?
Mas o melhor foram os jornais de sábado: o «Expresso» e o «Diário de Notícias» garantiam que Soares ía ser candidato; o «Público» jurava por Manuel Alegre; e, no «Correio da Manhã», Emídio Rangel defendia que o candidato do PS devia ser Jorge Coelho. Quando o fim-de-semana acabou José Sócrates já achava que era tempo de falar de presidenciais e apoiou a candidatura de Soares, logo depois de Jorge Coelho e logo antes de Silva Pereira darem a sua benção ao tema. A única coisa que não mudou foi o tabu de Cavaco. Continua caladinho, mas a mandar recados. É um estilo. O país não mudou. Os partidos não mudaram. Os políticos continuam os mesmos. Mas a idade da reforma aumentou. É oficial.
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CARTA A UMA AMIGA NA PATAGÓNIA
(publicada esta semana em «O Independente»)
Bem sei que estás aí há pouco tempo, mas quando chegares, nem vais acreditar no que se passou, desde que partiste há quinze dias. Vamos por partes: o Ministro das Finanças resolveu escrever um artigo a dizer que os grandes investimentos públicos tinham que ser muito bem avaliados e estudados. No dia a seguir o Ministro dos Negócios Estrangeiros (o Freitas, lembras-te?) criticou-o e pôs-se a jeito para ser candidato a Presidente da República pelo PS. Sócrates, no início da semana, disse que era muito cedo para se falar em presidenciais. Jorge Coelho apareceu rápido a garantir que o Governo estava coeso. No dia a seguir o Ministro das Finanças pediu a exoneração (queixou-se de cansaço…), e os jornais escreviam que o Primeiro Ministro lhe disse que, ou se demitia, ou era demitido. Como vez, mais coeso que isto não há.
Sexta-feira soube-se que os espanhóis do «El País» tinham chegado a acordo para comprar a Media Capital, depois de terem sido postos de lado na Lusomundo pela PT. E vê lá tu a coincidência: foi esse o dia escolhido pela Autoridade da Concorrência para dar luz verde à compra da Lusomundo pela Controlinveste. Ele há dias em que tudo corre bem a toda a gente, não achas?
Mas o melhor foram os jornais de sábado: o «Expresso» e o «Diário de Notícias» garantiam que Soares ía ser candidato; o «Público» jurava por Manuel Alegre; e, no «Correio da Manhã», Emídio Rangel defendia que o candidato do PS devia ser Jorge Coelho. Quando o fim-de-semana acabou José Sócrates já achava que era tempo de falar de presidenciais e apoiou a candidatura de Soares, logo depois de Jorge Coelho e logo antes de Silva Pereira darem a sua benção ao tema. A única coisa que não mudou foi o tabu de Cavaco. Continua caladinho, mas a mandar recados. É um estilo. O país não mudou. Os partidos não mudaram. Os políticos continuam os mesmos. Mas a idade da reforma aumentou. É oficial.
(publicada esta semana em «O Independente»)
Bem sei que estás aí há pouco tempo, mas quando chegares, nem vais acreditar no que se passou, desde que partiste há quinze dias. Vamos por partes: o Ministro das Finanças resolveu escrever um artigo a dizer que os grandes investimentos públicos tinham que ser muito bem avaliados e estudados. No dia a seguir o Ministro dos Negócios Estrangeiros (o Freitas, lembras-te?) criticou-o e pôs-se a jeito para ser candidato a Presidente da República pelo PS. Sócrates, no início da semana, disse que era muito cedo para se falar em presidenciais. Jorge Coelho apareceu rápido a garantir que o Governo estava coeso. No dia a seguir o Ministro das Finanças pediu a exoneração (queixou-se de cansaço…), e os jornais escreviam que o Primeiro Ministro lhe disse que, ou se demitia, ou era demitido. Como vez, mais coeso que isto não há.
Sexta-feira soube-se que os espanhóis do «El País» tinham chegado a acordo para comprar a Media Capital, depois de terem sido postos de lado na Lusomundo pela PT. E vê lá tu a coincidência: foi esse o dia escolhido pela Autoridade da Concorrência para dar luz verde à compra da Lusomundo pela Controlinveste. Ele há dias em que tudo corre bem a toda a gente, não achas?
Mas o melhor foram os jornais de sábado: o «Expresso» e o «Diário de Notícias» garantiam que Soares ía ser candidato; o «Público» jurava por Manuel Alegre; e, no «Correio da Manhã», Emídio Rangel defendia que o candidato do PS devia ser Jorge Coelho. Quando o fim-de-semana acabou José Sócrates já achava que era tempo de falar de presidenciais e apoiou a candidatura de Soares, logo depois de Jorge Coelho e logo antes de Silva Pereira darem a sua benção ao tema. A única coisa que não mudou foi o tabu de Cavaco. Continua caladinho, mas a mandar recados. É um estilo. O país não mudou. Os partidos não mudaram. Os políticos continuam os mesmos. Mas a idade da reforma aumentou. É oficial.
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