ESTADOS DE ALMA (2)
A guerrilha desencadeada nesta semana em torno das eleições presidenciais foi elucidativa: o regime está esgotado, os partidos mostraram-se incapazes de enquadrar soluções e foram positivamente arrastados pelos acontecimentos. Não surgiram novos candidatos credíveis, apostados em provocar mudanças. Os dois candidatos que se perfilam são defensores do regime tal como ele existe e, infelizmente, parece-me que vamos ter umas eleições presidenciais com política a menos e emoção a mais. Mário Soares vai apostar na radicalização e na emoção para procurar garantir a manutenção do seu regime, da República que ele moldou e do Partido que construíu. Cavaco Silva, mais uma vez, deixou perder a marcação da agenda e a iniciativa política com a sua teimosia em prolongar tabus além do suportável – há dez anos esta falta de jeito foi em parte responsável pelo turbilhão que o levou à derrota.
A nossa História recente mostra bem o carácter errático e ferozmente partidário das intervenções presidenciais, todas no sentido de proteger a tribo e não de ajudar a encontrar um desígnio para o País. A figura e funções do Presidente da República, tais como existem, já não inspiram confiança. Uma das regras básicas, que podemos considerar como teorema seguro, provado por estes 31 anos que levamos de democracia, é que os interesses partidários estão sempre acima do interesse nacional e que, muitas vezes, os interesses dos responsáveis máximos dos partidos estão acima de tudo o resto. A política deixou de ser a já de si cínica arte do possível, para ser a arte do engano. Os mais recentes actos eleitorais em Portugal estão repletos de provas disso: promessas não cumpridas, garantias desmentidas. A demagogia instalou-se e faz parte dos métodos de acção de todos os quadrantes políticos.
É cada vez mais evidente que um dos factores mais imobilistas e com maiores responsabilidades na incapacidade de funcionamento do sistema vem da ausência de uma reforma profunda na Administração Pública. A função pública vale votos demais para poder ser tocada. A incapacidade em a reformar está directamente ligada à incapacidade em governar o país e em provocar mudanças estruturais. Enquanto não se mudar a administração pública a despesa dificilmente diminuirá e o país não conseguirá progredir. Este ano teremos eleições autárquicas, o que é um outro mundo acrescido de clientelismo, o da administração local e todos os seus anexos. Os autarcas gostam de se considerar os alicerces do regime, mas um estudo cuidado à realidade da gestão autárquica a nível nacional mostraria muito desperdício, muita obra feita para as feiras de vaidades pessoais dos presidentes de câmaras, provavelmente pouca obra social e demasiadas rotundas e construção civil. Os autarcas – salvo raras e honrosas excepções - transformaram-se em loteadores, são sobretudo o apoio estratégico de construtores civis e especuladores imobiliários. O retrato desenfreado da nova construção no país é prova disso mesmo. Confunde-se desenvolvimento com construção – é a expressão da política do betão a nível autárquico. Em 35 anos o número de habitações em Portugal mais que duplicou. Teoricamente temos uma casa para cada duas pessoas e preferimos demolir e construir, a recuperar e conservar. O resultado está à vista na paisagem e não é bonito de se ver.
Nas autarquias os serviços prestados aos cidadãos são chocantemente maus e caros. A burocracia é maior que na administração central, a ineficácia é gigantesca, o tráfico de influências e as alianças espúrias são correntes e as suspeitas de corrupção persistem. Não acredito na bondade dos políticos nem dos aspirantes a políticos. As obras públicas e as decisões urbanísticas são em grande parte o pagamento das campanhas eleitorais.
E, agora digam-me: com um quadro destes acham que os partidos e o sistema político, tal como hoje existem, podem alterar alguma coisa? Cada vez mais a intervenção cívica apenas faz sentido fora dos partidos – e frequentemente contra eles. E por este andar a participação cívica faz mais sentido fora do quadro das eleições.
O que vou escrevendo, entre o Weekend do Jornal de Negócios e os Pensamentos Ociosos no SAPO. E mais umas coisas avulsas...
julho 30, 2005
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ESTADOS DE ALMA (2)
A guerrilha desencadeada nesta semana em torno das eleições presidenciais foi elucidativa: o regime está esgotado, os partidos mostraram-se incapazes de enquadrar soluções e foram positivamente arrastados pelos acontecimentos. Não surgiram novos candidatos credíveis, apostados em provocar mudanças. Os dois candidatos que se perfilam são defensores do regime tal como ele existe e, infelizmente, parece-me que vamos ter umas eleições presidenciais com política a menos e emoção a mais. Mário Soares vai apostar na radicalização e na emoção para procurar garantir a manutenção do seu regime, da República que ele moldou e do Partido que construíu. Cavaco Silva, mais uma vez, deixou perder a marcação da agenda e a iniciativa política com a sua teimosia em prolongar tabus além do suportável – há dez anos esta falta de jeito foi em parte responsável pelo turbilhão que o levou à derrota.
A nossa História recente mostra bem o carácter errático e ferozmente partidário das intervenções presidenciais, todas no sentido de proteger a tribo e não de ajudar a encontrar um desígnio para o País. A figura e funções do Presidente da República, tais como existem, já não inspiram confiança. Uma das regras básicas, que podemos considerar como teorema seguro, provado por estes 31 anos que levamos de democracia, é que os interesses partidários estão sempre acima do interesse nacional e que, muitas vezes, os interesses dos responsáveis máximos dos partidos estão acima de tudo o resto. A política deixou de ser a já de si cínica arte do possível, para ser a arte do engano. Os mais recentes actos eleitorais em Portugal estão repletos de provas disso: promessas não cumpridas, garantias desmentidas. A demagogia instalou-se e faz parte dos métodos de acção de todos os quadrantes políticos.
É cada vez mais evidente que um dos factores mais imobilistas e com maiores responsabilidades na incapacidade de funcionamento do sistema vem da ausência de uma reforma profunda na Administração Pública. A função pública vale votos demais para poder ser tocada. A incapacidade em a reformar está directamente ligada à incapacidade em governar o país e em provocar mudanças estruturais. Enquanto não se mudar a administração pública a despesa dificilmente diminuirá e o país não conseguirá progredir. Este ano teremos eleições autárquicas, o que é um outro mundo acrescido de clientelismo, o da administração local e todos os seus anexos. Os autarcas gostam de se considerar os alicerces do regime, mas um estudo cuidado à realidade da gestão autárquica a nível nacional mostraria muito desperdício, muita obra feita para as feiras de vaidades pessoais dos presidentes de câmaras, provavelmente pouca obra social e demasiadas rotundas e construção civil. Os autarcas – salvo raras e honrosas excepções - transformaram-se em loteadores, são sobretudo o apoio estratégico de construtores civis e especuladores imobiliários. O retrato desenfreado da nova construção no país é prova disso mesmo. Confunde-se desenvolvimento com construção – é a expressão da política do betão a nível autárquico. Em 35 anos o número de habitações em Portugal mais que duplicou. Teoricamente temos uma casa para cada duas pessoas e preferimos demolir e construir, a recuperar e conservar. O resultado está à vista na paisagem e não é bonito de se ver.
Nas autarquias os serviços prestados aos cidadãos são chocantemente maus e caros. A burocracia é maior que na administração central, a ineficácia é gigantesca, o tráfico de influências e as alianças espúrias são correntes e as suspeitas de corrupção persistem. Não acredito na bondade dos políticos nem dos aspirantes a políticos. As obras públicas e as decisões urbanísticas são em grande parte o pagamento das campanhas eleitorais.
E, agora digam-me: com um quadro destes acham que os partidos e o sistema político, tal como hoje existem, podem alterar alguma coisa? Cada vez mais a intervenção cívica apenas faz sentido fora dos partidos – e frequentemente contra eles. E por este andar a participação cívica faz mais sentido fora do quadro das eleições.
A guerrilha desencadeada nesta semana em torno das eleições presidenciais foi elucidativa: o regime está esgotado, os partidos mostraram-se incapazes de enquadrar soluções e foram positivamente arrastados pelos acontecimentos. Não surgiram novos candidatos credíveis, apostados em provocar mudanças. Os dois candidatos que se perfilam são defensores do regime tal como ele existe e, infelizmente, parece-me que vamos ter umas eleições presidenciais com política a menos e emoção a mais. Mário Soares vai apostar na radicalização e na emoção para procurar garantir a manutenção do seu regime, da República que ele moldou e do Partido que construíu. Cavaco Silva, mais uma vez, deixou perder a marcação da agenda e a iniciativa política com a sua teimosia em prolongar tabus além do suportável – há dez anos esta falta de jeito foi em parte responsável pelo turbilhão que o levou à derrota.
A nossa História recente mostra bem o carácter errático e ferozmente partidário das intervenções presidenciais, todas no sentido de proteger a tribo e não de ajudar a encontrar um desígnio para o País. A figura e funções do Presidente da República, tais como existem, já não inspiram confiança. Uma das regras básicas, que podemos considerar como teorema seguro, provado por estes 31 anos que levamos de democracia, é que os interesses partidários estão sempre acima do interesse nacional e que, muitas vezes, os interesses dos responsáveis máximos dos partidos estão acima de tudo o resto. A política deixou de ser a já de si cínica arte do possível, para ser a arte do engano. Os mais recentes actos eleitorais em Portugal estão repletos de provas disso: promessas não cumpridas, garantias desmentidas. A demagogia instalou-se e faz parte dos métodos de acção de todos os quadrantes políticos.
É cada vez mais evidente que um dos factores mais imobilistas e com maiores responsabilidades na incapacidade de funcionamento do sistema vem da ausência de uma reforma profunda na Administração Pública. A função pública vale votos demais para poder ser tocada. A incapacidade em a reformar está directamente ligada à incapacidade em governar o país e em provocar mudanças estruturais. Enquanto não se mudar a administração pública a despesa dificilmente diminuirá e o país não conseguirá progredir. Este ano teremos eleições autárquicas, o que é um outro mundo acrescido de clientelismo, o da administração local e todos os seus anexos. Os autarcas gostam de se considerar os alicerces do regime, mas um estudo cuidado à realidade da gestão autárquica a nível nacional mostraria muito desperdício, muita obra feita para as feiras de vaidades pessoais dos presidentes de câmaras, provavelmente pouca obra social e demasiadas rotundas e construção civil. Os autarcas – salvo raras e honrosas excepções - transformaram-se em loteadores, são sobretudo o apoio estratégico de construtores civis e especuladores imobiliários. O retrato desenfreado da nova construção no país é prova disso mesmo. Confunde-se desenvolvimento com construção – é a expressão da política do betão a nível autárquico. Em 35 anos o número de habitações em Portugal mais que duplicou. Teoricamente temos uma casa para cada duas pessoas e preferimos demolir e construir, a recuperar e conservar. O resultado está à vista na paisagem e não é bonito de se ver.
Nas autarquias os serviços prestados aos cidadãos são chocantemente maus e caros. A burocracia é maior que na administração central, a ineficácia é gigantesca, o tráfico de influências e as alianças espúrias são correntes e as suspeitas de corrupção persistem. Não acredito na bondade dos políticos nem dos aspirantes a políticos. As obras públicas e as decisões urbanísticas são em grande parte o pagamento das campanhas eleitorais.
E, agora digam-me: com um quadro destes acham que os partidos e o sistema político, tal como hoje existem, podem alterar alguma coisa? Cada vez mais a intervenção cívica apenas faz sentido fora dos partidos – e frequentemente contra eles. E por este andar a participação cívica faz mais sentido fora do quadro das eleições.
CARTA A UMA AMIGA NA PATAGÓNIA
(publicada esta semana em «O Independente»)
Bem sei que estás aí há pouco tempo, mas quando chegares, nem vais acreditar no que se passou, desde que partiste há quinze dias. Vamos por partes: o Ministro das Finanças resolveu escrever um artigo a dizer que os grandes investimentos públicos tinham que ser muito bem avaliados e estudados. No dia a seguir o Ministro dos Negócios Estrangeiros (o Freitas, lembras-te?) criticou-o e pôs-se a jeito para ser candidato a Presidente da República pelo PS. Sócrates, no início da semana, disse que era muito cedo para se falar em presidenciais. Jorge Coelho apareceu rápido a garantir que o Governo estava coeso. No dia a seguir o Ministro das Finanças pediu a exoneração (queixou-se de cansaço…), e os jornais escreviam que o Primeiro Ministro lhe disse que, ou se demitia, ou era demitido. Como vez, mais coeso que isto não há.
Sexta-feira soube-se que os espanhóis do «El País» tinham chegado a acordo para comprar a Media Capital, depois de terem sido postos de lado na Lusomundo pela PT. E vê lá tu a coincidência: foi esse o dia escolhido pela Autoridade da Concorrência para dar luz verde à compra da Lusomundo pela Controlinveste. Ele há dias em que tudo corre bem a toda a gente, não achas?
Mas o melhor foram os jornais de sábado: o «Expresso» e o «Diário de Notícias» garantiam que Soares ía ser candidato; o «Público» jurava por Manuel Alegre; e, no «Correio da Manhã», Emídio Rangel defendia que o candidato do PS devia ser Jorge Coelho. Quando o fim-de-semana acabou José Sócrates já achava que era tempo de falar de presidenciais e apoiou a candidatura de Soares, logo depois de Jorge Coelho e logo antes de Silva Pereira darem a sua benção ao tema. A única coisa que não mudou foi o tabu de Cavaco. Continua caladinho, mas a mandar recados. É um estilo. O país não mudou. Os partidos não mudaram. Os políticos continuam os mesmos. Mas a idade da reforma aumentou. É oficial.
(publicada esta semana em «O Independente»)
Bem sei que estás aí há pouco tempo, mas quando chegares, nem vais acreditar no que se passou, desde que partiste há quinze dias. Vamos por partes: o Ministro das Finanças resolveu escrever um artigo a dizer que os grandes investimentos públicos tinham que ser muito bem avaliados e estudados. No dia a seguir o Ministro dos Negócios Estrangeiros (o Freitas, lembras-te?) criticou-o e pôs-se a jeito para ser candidato a Presidente da República pelo PS. Sócrates, no início da semana, disse que era muito cedo para se falar em presidenciais. Jorge Coelho apareceu rápido a garantir que o Governo estava coeso. No dia a seguir o Ministro das Finanças pediu a exoneração (queixou-se de cansaço…), e os jornais escreviam que o Primeiro Ministro lhe disse que, ou se demitia, ou era demitido. Como vez, mais coeso que isto não há.
Sexta-feira soube-se que os espanhóis do «El País» tinham chegado a acordo para comprar a Media Capital, depois de terem sido postos de lado na Lusomundo pela PT. E vê lá tu a coincidência: foi esse o dia escolhido pela Autoridade da Concorrência para dar luz verde à compra da Lusomundo pela Controlinveste. Ele há dias em que tudo corre bem a toda a gente, não achas?
Mas o melhor foram os jornais de sábado: o «Expresso» e o «Diário de Notícias» garantiam que Soares ía ser candidato; o «Público» jurava por Manuel Alegre; e, no «Correio da Manhã», Emídio Rangel defendia que o candidato do PS devia ser Jorge Coelho. Quando o fim-de-semana acabou José Sócrates já achava que era tempo de falar de presidenciais e apoiou a candidatura de Soares, logo depois de Jorge Coelho e logo antes de Silva Pereira darem a sua benção ao tema. A única coisa que não mudou foi o tabu de Cavaco. Continua caladinho, mas a mandar recados. É um estilo. O país não mudou. Os partidos não mudaram. Os políticos continuam os mesmos. Mas a idade da reforma aumentou. É oficial.
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CARTA A UMA AMIGA NA PATAGÓNIA
(publicada esta semana em «O Independente»)
Bem sei que estás aí há pouco tempo, mas quando chegares, nem vais acreditar no que se passou, desde que partiste há quinze dias. Vamos por partes: o Ministro das Finanças resolveu escrever um artigo a dizer que os grandes investimentos públicos tinham que ser muito bem avaliados e estudados. No dia a seguir o Ministro dos Negócios Estrangeiros (o Freitas, lembras-te?) criticou-o e pôs-se a jeito para ser candidato a Presidente da República pelo PS. Sócrates, no início da semana, disse que era muito cedo para se falar em presidenciais. Jorge Coelho apareceu rápido a garantir que o Governo estava coeso. No dia a seguir o Ministro das Finanças pediu a exoneração (queixou-se de cansaço…), e os jornais escreviam que o Primeiro Ministro lhe disse que, ou se demitia, ou era demitido. Como vez, mais coeso que isto não há.
Sexta-feira soube-se que os espanhóis do «El País» tinham chegado a acordo para comprar a Media Capital, depois de terem sido postos de lado na Lusomundo pela PT. E vê lá tu a coincidência: foi esse o dia escolhido pela Autoridade da Concorrência para dar luz verde à compra da Lusomundo pela Controlinveste. Ele há dias em que tudo corre bem a toda a gente, não achas?
Mas o melhor foram os jornais de sábado: o «Expresso» e o «Diário de Notícias» garantiam que Soares ía ser candidato; o «Público» jurava por Manuel Alegre; e, no «Correio da Manhã», Emídio Rangel defendia que o candidato do PS devia ser Jorge Coelho. Quando o fim-de-semana acabou José Sócrates já achava que era tempo de falar de presidenciais e apoiou a candidatura de Soares, logo depois de Jorge Coelho e logo antes de Silva Pereira darem a sua benção ao tema. A única coisa que não mudou foi o tabu de Cavaco. Continua caladinho, mas a mandar recados. É um estilo. O país não mudou. Os partidos não mudaram. Os políticos continuam os mesmos. Mas a idade da reforma aumentou. É oficial.
(publicada esta semana em «O Independente»)
Bem sei que estás aí há pouco tempo, mas quando chegares, nem vais acreditar no que se passou, desde que partiste há quinze dias. Vamos por partes: o Ministro das Finanças resolveu escrever um artigo a dizer que os grandes investimentos públicos tinham que ser muito bem avaliados e estudados. No dia a seguir o Ministro dos Negócios Estrangeiros (o Freitas, lembras-te?) criticou-o e pôs-se a jeito para ser candidato a Presidente da República pelo PS. Sócrates, no início da semana, disse que era muito cedo para se falar em presidenciais. Jorge Coelho apareceu rápido a garantir que o Governo estava coeso. No dia a seguir o Ministro das Finanças pediu a exoneração (queixou-se de cansaço…), e os jornais escreviam que o Primeiro Ministro lhe disse que, ou se demitia, ou era demitido. Como vez, mais coeso que isto não há.
Sexta-feira soube-se que os espanhóis do «El País» tinham chegado a acordo para comprar a Media Capital, depois de terem sido postos de lado na Lusomundo pela PT. E vê lá tu a coincidência: foi esse o dia escolhido pela Autoridade da Concorrência para dar luz verde à compra da Lusomundo pela Controlinveste. Ele há dias em que tudo corre bem a toda a gente, não achas?
Mas o melhor foram os jornais de sábado: o «Expresso» e o «Diário de Notícias» garantiam que Soares ía ser candidato; o «Público» jurava por Manuel Alegre; e, no «Correio da Manhã», Emídio Rangel defendia que o candidato do PS devia ser Jorge Coelho. Quando o fim-de-semana acabou José Sócrates já achava que era tempo de falar de presidenciais e apoiou a candidatura de Soares, logo depois de Jorge Coelho e logo antes de Silva Pereira darem a sua benção ao tema. A única coisa que não mudou foi o tabu de Cavaco. Continua caladinho, mas a mandar recados. É um estilo. O país não mudou. Os partidos não mudaram. Os políticos continuam os mesmos. Mas a idade da reforma aumentou. É oficial.
julho 29, 2005
MAIS ESCLARECIMENTO
Cito, com gosto, o Abrupto:
MICRO-CAUSAS:
PODE O GOVERNO SFF COLOCAR EM LINHA OS ESTUDOS SOBRE O AEROPORTO DA OTA PARA QUE NA SOCIEDADE PORTUGUESA SE VALORIZE MAIS A “BUSCA DE SOLUÇÕES” EM DETRIMENTO DA “ESPECULAÇÃO”?
No Bloguítica.no Blasfémias , no Ciberjus , no Von Freud , na Grande Loja do Queijo Limiano, também se apoia esta divulgação. A causa é micro, mas é mais que justa e não pode ser considerada "contra" o governo. Bem pelo contrário, se o fizer, e podermos perceber melhor como se formou a decisão do governo nos seus aspectos técnicos, este sai reforçado.
O Ministro da Economia, que acompanha a blogosfera, tem aqui uma oportunidade para concretizar um dos aspectos desejáveis do "plano tecnológico": uma melhor democracia, mais esclarecida, usando as possibilidades de audiência, acessibilidade e livre análise da rede.
12:43 (JPP)
MICRO-CAUSAS:
PODE O GOVERNO SFF COLOCAR EM LINHA OS ESTUDOS SOBRE O AEROPORTO DA OTA PARA QUE NA SOCIEDADE PORTUGUESA SE VALORIZE MAIS A “BUSCA DE SOLUÇÕES” EM DETRIMENTO DA “ESPECULAÇÃO”?
"Respeito muito os signatários, mas há sociedades que valorizam mais a especulação e a análise, enquanto outras valorizam mais a busca de soluções." (Manuel Pinho, Diário Económico, 28-07-07)
Todos nós ficaríamos mais informados e poderíamos discutir melhor, aceitando inclusive as razões do governo para tão vultuoso e controverso investimento. Não há nada a temer pois não? Não há segredos de estado, pois não? Não há razões para não se conhecerem, pois não? Até já deviam estar na rede. Eles devem estar feitos em suporte digital, é suposto. Por isso, ainda hoje podem ficar em linha, ou este fim-de-semana. Não há razões para demora.
Sugiro também, para no governo se ouvir melhor, que outros blogues e mesmo os meios de comunicação social possam todos os dias repetir a pergunta, o pedido, até ele ter a única resposta razoável. SFF.
Cito, com gosto, o Abrupto:
MICRO-CAUSAS:
PODE O GOVERNO SFF COLOCAR EM LINHA OS ESTUDOS SOBRE O AEROPORTO DA OTA PARA QUE NA SOCIEDADE PORTUGUESA SE VALORIZE MAIS A “BUSCA DE SOLUÇÕES” EM DETRIMENTO DA “ESPECULAÇÃO”?
No Bloguítica.no Blasfémias , no Ciberjus , no Von Freud , na Grande Loja do Queijo Limiano, também se apoia esta divulgação. A causa é micro, mas é mais que justa e não pode ser considerada "contra" o governo. Bem pelo contrário, se o fizer, e podermos perceber melhor como se formou a decisão do governo nos seus aspectos técnicos, este sai reforçado.
O Ministro da Economia, que acompanha a blogosfera, tem aqui uma oportunidade para concretizar um dos aspectos desejáveis do "plano tecnológico": uma melhor democracia, mais esclarecida, usando as possibilidades de audiência, acessibilidade e livre análise da rede.
12:43 (JPP)
MICRO-CAUSAS:
PODE O GOVERNO SFF COLOCAR EM LINHA OS ESTUDOS SOBRE O AEROPORTO DA OTA PARA QUE NA SOCIEDADE PORTUGUESA SE VALORIZE MAIS A “BUSCA DE SOLUÇÕES” EM DETRIMENTO DA “ESPECULAÇÃO”?
"Respeito muito os signatários, mas há sociedades que valorizam mais a especulação e a análise, enquanto outras valorizam mais a busca de soluções." (Manuel Pinho, Diário Económico, 28-07-07)
Todos nós ficaríamos mais informados e poderíamos discutir melhor, aceitando inclusive as razões do governo para tão vultuoso e controverso investimento. Não há nada a temer pois não? Não há segredos de estado, pois não? Não há razões para não se conhecerem, pois não? Até já deviam estar na rede. Eles devem estar feitos em suporte digital, é suposto. Por isso, ainda hoje podem ficar em linha, ou este fim-de-semana. Não há razões para demora.
Sugiro também, para no governo se ouvir melhor, que outros blogues e mesmo os meios de comunicação social possam todos os dias repetir a pergunta, o pedido, até ele ter a única resposta razoável. SFF.
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MAIS ESCLARECIMENTO
Cito, com gosto, o Abrupto:
MICRO-CAUSAS:
PODE O GOVERNO SFF COLOCAR EM LINHA OS ESTUDOS SOBRE O AEROPORTO DA OTA PARA QUE NA SOCIEDADE PORTUGUESA SE VALORIZE MAIS A “BUSCA DE SOLUÇÕES” EM DETRIMENTO DA “ESPECULAÇÃO”?
No Bloguítica.no Blasfémias , no Ciberjus , no Von Freud , na Grande Loja do Queijo Limiano, também se apoia esta divulgação. A causa é micro, mas é mais que justa e não pode ser considerada "contra" o governo. Bem pelo contrário, se o fizer, e podermos perceber melhor como se formou a decisão do governo nos seus aspectos técnicos, este sai reforçado.
O Ministro da Economia, que acompanha a blogosfera, tem aqui uma oportunidade para concretizar um dos aspectos desejáveis do "plano tecnológico": uma melhor democracia, mais esclarecida, usando as possibilidades de audiência, acessibilidade e livre análise da rede.
12:43 (JPP)
MICRO-CAUSAS:
PODE O GOVERNO SFF COLOCAR EM LINHA OS ESTUDOS SOBRE O AEROPORTO DA OTA PARA QUE NA SOCIEDADE PORTUGUESA SE VALORIZE MAIS A “BUSCA DE SOLUÇÕES” EM DETRIMENTO DA “ESPECULAÇÃO”?
"Respeito muito os signatários, mas há sociedades que valorizam mais a especulação e a análise, enquanto outras valorizam mais a busca de soluções." (Manuel Pinho, Diário Económico, 28-07-07)
Todos nós ficaríamos mais informados e poderíamos discutir melhor, aceitando inclusive as razões do governo para tão vultuoso e controverso investimento. Não há nada a temer pois não? Não há segredos de estado, pois não? Não há razões para não se conhecerem, pois não? Até já deviam estar na rede. Eles devem estar feitos em suporte digital, é suposto. Por isso, ainda hoje podem ficar em linha, ou este fim-de-semana. Não há razões para demora.
Sugiro também, para no governo se ouvir melhor, que outros blogues e mesmo os meios de comunicação social possam todos os dias repetir a pergunta, o pedido, até ele ter a única resposta razoável. SFF.
Cito, com gosto, o Abrupto:
MICRO-CAUSAS:
PODE O GOVERNO SFF COLOCAR EM LINHA OS ESTUDOS SOBRE O AEROPORTO DA OTA PARA QUE NA SOCIEDADE PORTUGUESA SE VALORIZE MAIS A “BUSCA DE SOLUÇÕES” EM DETRIMENTO DA “ESPECULAÇÃO”?
No Bloguítica.no Blasfémias , no Ciberjus , no Von Freud , na Grande Loja do Queijo Limiano, também se apoia esta divulgação. A causa é micro, mas é mais que justa e não pode ser considerada "contra" o governo. Bem pelo contrário, se o fizer, e podermos perceber melhor como se formou a decisão do governo nos seus aspectos técnicos, este sai reforçado.
O Ministro da Economia, que acompanha a blogosfera, tem aqui uma oportunidade para concretizar um dos aspectos desejáveis do "plano tecnológico": uma melhor democracia, mais esclarecida, usando as possibilidades de audiência, acessibilidade e livre análise da rede.
12:43 (JPP)
MICRO-CAUSAS:
PODE O GOVERNO SFF COLOCAR EM LINHA OS ESTUDOS SOBRE O AEROPORTO DA OTA PARA QUE NA SOCIEDADE PORTUGUESA SE VALORIZE MAIS A “BUSCA DE SOLUÇÕES” EM DETRIMENTO DA “ESPECULAÇÃO”?
"Respeito muito os signatários, mas há sociedades que valorizam mais a especulação e a análise, enquanto outras valorizam mais a busca de soluções." (Manuel Pinho, Diário Económico, 28-07-07)
Todos nós ficaríamos mais informados e poderíamos discutir melhor, aceitando inclusive as razões do governo para tão vultuoso e controverso investimento. Não há nada a temer pois não? Não há segredos de estado, pois não? Não há razões para não se conhecerem, pois não? Até já deviam estar na rede. Eles devem estar feitos em suporte digital, é suposto. Por isso, ainda hoje podem ficar em linha, ou este fim-de-semana. Não há razões para demora.
Sugiro também, para no governo se ouvir melhor, que outros blogues e mesmo os meios de comunicação social possam todos os dias repetir a pergunta, o pedido, até ele ter a única resposta razoável. SFF.
QUINZE DIAS
As minhas habituais duas semanas de férias estão a terminar. Quando vim para o Algarve tínhamos uma realidade no país. Agora aproximamo-nos do irreal. Faz um ano que Durão assumiu o comando da Comissão Europeia. Já viram o estado a que o país chegou? Já pensaram em tudo o que aconteceu? Em todas as contradições que se evidenciaram? Quem diria há um ano que as coisas levariam este rumo...
As minhas habituais duas semanas de férias estão a terminar. Quando vim para o Algarve tínhamos uma realidade no país. Agora aproximamo-nos do irreal. Faz um ano que Durão assumiu o comando da Comissão Europeia. Já viram o estado a que o país chegou? Já pensaram em tudo o que aconteceu? Em todas as contradições que se evidenciaram? Quem diria há um ano que as coisas levariam este rumo...
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QUINZE DIAS
As minhas habituais duas semanas de férias estão a terminar. Quando vim para o Algarve tínhamos uma realidade no país. Agora aproximamo-nos do irreal. Faz um ano que Durão assumiu o comando da Comissão Europeia. Já viram o estado a que o país chegou? Já pensaram em tudo o que aconteceu? Em todas as contradições que se evidenciaram? Quem diria há um ano que as coisas levariam este rumo...
As minhas habituais duas semanas de férias estão a terminar. Quando vim para o Algarve tínhamos uma realidade no país. Agora aproximamo-nos do irreal. Faz um ano que Durão assumiu o comando da Comissão Europeia. Já viram o estado a que o país chegou? Já pensaram em tudo o que aconteceu? Em todas as contradições que se evidenciaram? Quem diria há um ano que as coisas levariam este rumo...
julho 28, 2005
PARADOXO
Os dois maiores partidos ficaram reféns dos seus ex-líderes para traçarem uma estratégia presidencial. E o mais cómico é que Soares se auto-impôs e obrigou o secretário-geral do PS a piruetas, enquanto Cavaco continua a deixar Marques Mendes na mais completa escuridão. É má vontade minha ou isto está tudo avariado?
Os dois maiores partidos ficaram reféns dos seus ex-líderes para traçarem uma estratégia presidencial. E o mais cómico é que Soares se auto-impôs e obrigou o secretário-geral do PS a piruetas, enquanto Cavaco continua a deixar Marques Mendes na mais completa escuridão. É má vontade minha ou isto está tudo avariado?
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PARADOXO
Os dois maiores partidos ficaram reféns dos seus ex-líderes para traçarem uma estratégia presidencial. E o mais cómico é que Soares se auto-impôs e obrigou o secretário-geral do PS a piruetas, enquanto Cavaco continua a deixar Marques Mendes na mais completa escuridão. É má vontade minha ou isto está tudo avariado?
Os dois maiores partidos ficaram reféns dos seus ex-líderes para traçarem uma estratégia presidencial. E o mais cómico é que Soares se auto-impôs e obrigou o secretário-geral do PS a piruetas, enquanto Cavaco continua a deixar Marques Mendes na mais completa escuridão. É má vontade minha ou isto está tudo avariado?
julho 26, 2005
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PRESIDENCIAIS
Estão a ver o que é mesmo preocupante? - os mesmos que já falharam antes são os únicos a querer concorrer. O sistema esgotou-se.
Estão a ver o que é mesmo preocupante? - os mesmos que já falharam antes são os únicos a querer concorrer. O sistema esgotou-se.
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VÍCIO
Há vinte anos que todos os governos só fazem o mais fácil: aumentar receitas. Quanto ao resto, quem vier a seguir, que feche a porta.
Há vinte anos que todos os governos só fazem o mais fácil: aumentar receitas. Quanto ao resto, quem vier a seguir, que feche a porta.
COMÉDIA
Voz amiga relatou-me que, na semana passada, o PSD indicou Nuno da Câmara Pereira para falar sobre a nova Lei de protecção da música portuguesa na rádio. A voz amiga, por acaso da indústria discográfica, disse-me que se não tivesse sido cómico teria sido trágico. Porque é que o PSD faz figuras destas, a colocar gente desqualificada a falar - perguntaram-me. Que não sei, também não percebo, respondi eu.
Voz amiga relatou-me que, na semana passada, o PSD indicou Nuno da Câmara Pereira para falar sobre a nova Lei de protecção da música portuguesa na rádio. A voz amiga, por acaso da indústria discográfica, disse-me que se não tivesse sido cómico teria sido trágico. Porque é que o PSD faz figuras destas, a colocar gente desqualificada a falar - perguntaram-me. Que não sei, também não percebo, respondi eu.
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COMÉDIA
Voz amiga relatou-me que, na semana passada, o PSD indicou Nuno da Câmara Pereira para falar sobre a nova Lei de protecção da música portuguesa na rádio. A voz amiga, por acaso da indústria discográfica, disse-me que se não tivesse sido cómico teria sido trágico. Porque é que o PSD faz figuras destas, a colocar gente desqualificada a falar - perguntaram-me. Que não sei, também não percebo, respondi eu.
Voz amiga relatou-me que, na semana passada, o PSD indicou Nuno da Câmara Pereira para falar sobre a nova Lei de protecção da música portuguesa na rádio. A voz amiga, por acaso da indústria discográfica, disse-me que se não tivesse sido cómico teria sido trágico. Porque é que o PSD faz figuras destas, a colocar gente desqualificada a falar - perguntaram-me. Que não sei, também não percebo, respondi eu.
julho 25, 2005
ESTADOS DE ALMA (1)
As férias são sempre um bom momento para colocar ordem nas ideias e fazer o balanço do que anda à nossa volta. Gosto muito pouco do que vejo. Como tantos outros cidadãos sinto desencanto pela maneira como, ano após ano, o país não muda nem evolui. Na realidade Portugal não está melhor e não é de agora. A persistência na política do betão, a prevalência dos interesses das grandes construtoras – em parte devido à opacidade do sistema de financiamento partidário – e a falta de uma estratégia de desenvolvimento credível e sustentada são paradigmas dos nossos últimos 20 anos. A abundância de dinheiros comunitários criou, durante algum tempo, a ideia de que tudo ía bem. Mas o choque com a realidade começou a aparecer a par do alargamento da União e do cumprimento das regras financeiras da Comunidade Europeia.
Faço parte de uma geração que acreditou que podia contribuir para mudar o país. Em 1976 tive o primeiro choque e o primeiro grande desencanto. Durante anos não quis saber da política e dediquei-me a trabalhar em coisas de que gostava: a fotografia (por onde comecei nos jornais), o jornalismo, a música. Por sorte consegui durante muito tempo que tudo se completasse e funcionasse em conjunto. Na agência noticiosa aprendi a ser parco nas palavras, a evitar adjectivos e a prezar o rigor acima de tudo. Nos jornais aprendi o conceito da edição, nas revistas aproveitei o que sabia de fotografia para as soluções gráficas. Mais tarde fiz parte de equipas que criaram do zero jornais e revistas, alguns – orgulho-me disso – fizeram história na imprensa portuguesa.
Há quinze anos atrás acreditei (voltei a acreditar) que podia haver outra forma de fazer política, que a intervenção de cada um de nós, nas coisas que melhor sabe fazer, podia ser importante para melhorar a sociedade. Dediquei-me a projectos – muitos deles públicos. Aprendi muito nestes anos. Vi a política mais por dentro, percebi a natureza de palavras e acções. Tornei-me progressivamente mais desconfiado. Sei hoje que a mentira – mesmo quando se jura a verdade – é uma constante da política e de políticos. Habituei-me a analisar os dirigentes partidários e os responsáveis de Governos e, salvo raríssimas excepções, constatei que só pensavam neles, nos seus interesses particulares e no poder – ou poderes – que tinham. São seres isolados e egoístas, frios e calculistas. Frequentemente são falsos. Raramente são idealistas apaixonados e desinteressados – hoje em dia já nem se preocupam em usar essas vestes.
Hoje é claro que os partidos não existem para lutar pelo bem comum, mas sim pelo poder de satisfazer as clientelas que asseguram a sua manutenção. Tirando questões conjunturais não vejo diferenças substantivas entre Jorge Coelho e Marques Mendes – por alguma razão o país anda há anos a oscilar entre PS e PSD e não passa da cepa torta. Os partidos portugueses têm um instinto de sobrevivência que se sobrepõe sempre aos princípios que invocam como cartilha.
Provavelmente a minha geração perdeu o desafio de fazer um país novo. Cabe à geração seguinte fazê-lo e não há muito tempo a perder. As notícias mais recentes são preocupantes. Os partidos e os governos não toleram vozes independentes. O que aconteceu nesta semana – e que foi o quadro condensado e acelerado dos seis meses anteriores – mostra como as máquinas partidárias e os grupos de pressão se sobrepõem à razão e à ética.
Sei que este é um texto pessimista: não acredito na capacidade de reforma do sistema político nem dos partidos e constato que os novos políticos que volta e meia entram em cena, na maior parte dos casos, trazem ainda mais vícios que os anteriores. Os que escapam a esta regra duram pouco tempo – deles se diz que não têm sensibilidade política.
A sensibilidade política, caríssimos leitores, é o que de pior existe, é a desculpa para malfeitorias várias e para o estado catastrófico em que nos encontramos. Cada vez mais acredito que sensibilidade política é exactamente aquilo de que não precisamos.
As férias são sempre um bom momento para colocar ordem nas ideias e fazer o balanço do que anda à nossa volta. Gosto muito pouco do que vejo. Como tantos outros cidadãos sinto desencanto pela maneira como, ano após ano, o país não muda nem evolui. Na realidade Portugal não está melhor e não é de agora. A persistência na política do betão, a prevalência dos interesses das grandes construtoras – em parte devido à opacidade do sistema de financiamento partidário – e a falta de uma estratégia de desenvolvimento credível e sustentada são paradigmas dos nossos últimos 20 anos. A abundância de dinheiros comunitários criou, durante algum tempo, a ideia de que tudo ía bem. Mas o choque com a realidade começou a aparecer a par do alargamento da União e do cumprimento das regras financeiras da Comunidade Europeia.
Faço parte de uma geração que acreditou que podia contribuir para mudar o país. Em 1976 tive o primeiro choque e o primeiro grande desencanto. Durante anos não quis saber da política e dediquei-me a trabalhar em coisas de que gostava: a fotografia (por onde comecei nos jornais), o jornalismo, a música. Por sorte consegui durante muito tempo que tudo se completasse e funcionasse em conjunto. Na agência noticiosa aprendi a ser parco nas palavras, a evitar adjectivos e a prezar o rigor acima de tudo. Nos jornais aprendi o conceito da edição, nas revistas aproveitei o que sabia de fotografia para as soluções gráficas. Mais tarde fiz parte de equipas que criaram do zero jornais e revistas, alguns – orgulho-me disso – fizeram história na imprensa portuguesa.
Há quinze anos atrás acreditei (voltei a acreditar) que podia haver outra forma de fazer política, que a intervenção de cada um de nós, nas coisas que melhor sabe fazer, podia ser importante para melhorar a sociedade. Dediquei-me a projectos – muitos deles públicos. Aprendi muito nestes anos. Vi a política mais por dentro, percebi a natureza de palavras e acções. Tornei-me progressivamente mais desconfiado. Sei hoje que a mentira – mesmo quando se jura a verdade – é uma constante da política e de políticos. Habituei-me a analisar os dirigentes partidários e os responsáveis de Governos e, salvo raríssimas excepções, constatei que só pensavam neles, nos seus interesses particulares e no poder – ou poderes – que tinham. São seres isolados e egoístas, frios e calculistas. Frequentemente são falsos. Raramente são idealistas apaixonados e desinteressados – hoje em dia já nem se preocupam em usar essas vestes.
Hoje é claro que os partidos não existem para lutar pelo bem comum, mas sim pelo poder de satisfazer as clientelas que asseguram a sua manutenção. Tirando questões conjunturais não vejo diferenças substantivas entre Jorge Coelho e Marques Mendes – por alguma razão o país anda há anos a oscilar entre PS e PSD e não passa da cepa torta. Os partidos portugueses têm um instinto de sobrevivência que se sobrepõe sempre aos princípios que invocam como cartilha.
Provavelmente a minha geração perdeu o desafio de fazer um país novo. Cabe à geração seguinte fazê-lo e não há muito tempo a perder. As notícias mais recentes são preocupantes. Os partidos e os governos não toleram vozes independentes. O que aconteceu nesta semana – e que foi o quadro condensado e acelerado dos seis meses anteriores – mostra como as máquinas partidárias e os grupos de pressão se sobrepõem à razão e à ética.
Sei que este é um texto pessimista: não acredito na capacidade de reforma do sistema político nem dos partidos e constato que os novos políticos que volta e meia entram em cena, na maior parte dos casos, trazem ainda mais vícios que os anteriores. Os que escapam a esta regra duram pouco tempo – deles se diz que não têm sensibilidade política.
A sensibilidade política, caríssimos leitores, é o que de pior existe, é a desculpa para malfeitorias várias e para o estado catastrófico em que nos encontramos. Cada vez mais acredito que sensibilidade política é exactamente aquilo de que não precisamos.
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ESTADOS DE ALMA (1)
As férias são sempre um bom momento para colocar ordem nas ideias e fazer o balanço do que anda à nossa volta. Gosto muito pouco do que vejo. Como tantos outros cidadãos sinto desencanto pela maneira como, ano após ano, o país não muda nem evolui. Na realidade Portugal não está melhor e não é de agora. A persistência na política do betão, a prevalência dos interesses das grandes construtoras – em parte devido à opacidade do sistema de financiamento partidário – e a falta de uma estratégia de desenvolvimento credível e sustentada são paradigmas dos nossos últimos 20 anos. A abundância de dinheiros comunitários criou, durante algum tempo, a ideia de que tudo ía bem. Mas o choque com a realidade começou a aparecer a par do alargamento da União e do cumprimento das regras financeiras da Comunidade Europeia.
Faço parte de uma geração que acreditou que podia contribuir para mudar o país. Em 1976 tive o primeiro choque e o primeiro grande desencanto. Durante anos não quis saber da política e dediquei-me a trabalhar em coisas de que gostava: a fotografia (por onde comecei nos jornais), o jornalismo, a música. Por sorte consegui durante muito tempo que tudo se completasse e funcionasse em conjunto. Na agência noticiosa aprendi a ser parco nas palavras, a evitar adjectivos e a prezar o rigor acima de tudo. Nos jornais aprendi o conceito da edição, nas revistas aproveitei o que sabia de fotografia para as soluções gráficas. Mais tarde fiz parte de equipas que criaram do zero jornais e revistas, alguns – orgulho-me disso – fizeram história na imprensa portuguesa.
Há quinze anos atrás acreditei (voltei a acreditar) que podia haver outra forma de fazer política, que a intervenção de cada um de nós, nas coisas que melhor sabe fazer, podia ser importante para melhorar a sociedade. Dediquei-me a projectos – muitos deles públicos. Aprendi muito nestes anos. Vi a política mais por dentro, percebi a natureza de palavras e acções. Tornei-me progressivamente mais desconfiado. Sei hoje que a mentira – mesmo quando se jura a verdade – é uma constante da política e de políticos. Habituei-me a analisar os dirigentes partidários e os responsáveis de Governos e, salvo raríssimas excepções, constatei que só pensavam neles, nos seus interesses particulares e no poder – ou poderes – que tinham. São seres isolados e egoístas, frios e calculistas. Frequentemente são falsos. Raramente são idealistas apaixonados e desinteressados – hoje em dia já nem se preocupam em usar essas vestes.
Hoje é claro que os partidos não existem para lutar pelo bem comum, mas sim pelo poder de satisfazer as clientelas que asseguram a sua manutenção. Tirando questões conjunturais não vejo diferenças substantivas entre Jorge Coelho e Marques Mendes – por alguma razão o país anda há anos a oscilar entre PS e PSD e não passa da cepa torta. Os partidos portugueses têm um instinto de sobrevivência que se sobrepõe sempre aos princípios que invocam como cartilha.
Provavelmente a minha geração perdeu o desafio de fazer um país novo. Cabe à geração seguinte fazê-lo e não há muito tempo a perder. As notícias mais recentes são preocupantes. Os partidos e os governos não toleram vozes independentes. O que aconteceu nesta semana – e que foi o quadro condensado e acelerado dos seis meses anteriores – mostra como as máquinas partidárias e os grupos de pressão se sobrepõem à razão e à ética.
Sei que este é um texto pessimista: não acredito na capacidade de reforma do sistema político nem dos partidos e constato que os novos políticos que volta e meia entram em cena, na maior parte dos casos, trazem ainda mais vícios que os anteriores. Os que escapam a esta regra duram pouco tempo – deles se diz que não têm sensibilidade política.
A sensibilidade política, caríssimos leitores, é o que de pior existe, é a desculpa para malfeitorias várias e para o estado catastrófico em que nos encontramos. Cada vez mais acredito que sensibilidade política é exactamente aquilo de que não precisamos.
As férias são sempre um bom momento para colocar ordem nas ideias e fazer o balanço do que anda à nossa volta. Gosto muito pouco do que vejo. Como tantos outros cidadãos sinto desencanto pela maneira como, ano após ano, o país não muda nem evolui. Na realidade Portugal não está melhor e não é de agora. A persistência na política do betão, a prevalência dos interesses das grandes construtoras – em parte devido à opacidade do sistema de financiamento partidário – e a falta de uma estratégia de desenvolvimento credível e sustentada são paradigmas dos nossos últimos 20 anos. A abundância de dinheiros comunitários criou, durante algum tempo, a ideia de que tudo ía bem. Mas o choque com a realidade começou a aparecer a par do alargamento da União e do cumprimento das regras financeiras da Comunidade Europeia.
Faço parte de uma geração que acreditou que podia contribuir para mudar o país. Em 1976 tive o primeiro choque e o primeiro grande desencanto. Durante anos não quis saber da política e dediquei-me a trabalhar em coisas de que gostava: a fotografia (por onde comecei nos jornais), o jornalismo, a música. Por sorte consegui durante muito tempo que tudo se completasse e funcionasse em conjunto. Na agência noticiosa aprendi a ser parco nas palavras, a evitar adjectivos e a prezar o rigor acima de tudo. Nos jornais aprendi o conceito da edição, nas revistas aproveitei o que sabia de fotografia para as soluções gráficas. Mais tarde fiz parte de equipas que criaram do zero jornais e revistas, alguns – orgulho-me disso – fizeram história na imprensa portuguesa.
Há quinze anos atrás acreditei (voltei a acreditar) que podia haver outra forma de fazer política, que a intervenção de cada um de nós, nas coisas que melhor sabe fazer, podia ser importante para melhorar a sociedade. Dediquei-me a projectos – muitos deles públicos. Aprendi muito nestes anos. Vi a política mais por dentro, percebi a natureza de palavras e acções. Tornei-me progressivamente mais desconfiado. Sei hoje que a mentira – mesmo quando se jura a verdade – é uma constante da política e de políticos. Habituei-me a analisar os dirigentes partidários e os responsáveis de Governos e, salvo raríssimas excepções, constatei que só pensavam neles, nos seus interesses particulares e no poder – ou poderes – que tinham. São seres isolados e egoístas, frios e calculistas. Frequentemente são falsos. Raramente são idealistas apaixonados e desinteressados – hoje em dia já nem se preocupam em usar essas vestes.
Hoje é claro que os partidos não existem para lutar pelo bem comum, mas sim pelo poder de satisfazer as clientelas que asseguram a sua manutenção. Tirando questões conjunturais não vejo diferenças substantivas entre Jorge Coelho e Marques Mendes – por alguma razão o país anda há anos a oscilar entre PS e PSD e não passa da cepa torta. Os partidos portugueses têm um instinto de sobrevivência que se sobrepõe sempre aos princípios que invocam como cartilha.
Provavelmente a minha geração perdeu o desafio de fazer um país novo. Cabe à geração seguinte fazê-lo e não há muito tempo a perder. As notícias mais recentes são preocupantes. Os partidos e os governos não toleram vozes independentes. O que aconteceu nesta semana – e que foi o quadro condensado e acelerado dos seis meses anteriores – mostra como as máquinas partidárias e os grupos de pressão se sobrepõem à razão e à ética.
Sei que este é um texto pessimista: não acredito na capacidade de reforma do sistema político nem dos partidos e constato que os novos políticos que volta e meia entram em cena, na maior parte dos casos, trazem ainda mais vícios que os anteriores. Os que escapam a esta regra duram pouco tempo – deles se diz que não têm sensibilidade política.
A sensibilidade política, caríssimos leitores, é o que de pior existe, é a desculpa para malfeitorias várias e para o estado catastrófico em que nos encontramos. Cada vez mais acredito que sensibilidade política é exactamente aquilo de que não precisamos.
julho 18, 2005
A IMAGEM DE LUIZ PACHECO
VER - Por uma vez deixem-me ser juiz em causa própria. No próximo dia 22 será exibido na 2: , pelas 22h30, um documentário inédito sobre o escritor e editor Luiz Pacheco. O projecto, «Mais Um Dia de Noite», feito em parceria entre a estação e o Instituto Português do Livro e das Bibliotecas, é, na minha opinião, uma das mais conseguidas produções promovidas pela 2: desde que existe. A responsabilidade é do talento e criatividade do realizador António José de Almeida e da produtora Panavideo. A aposta na produção independente, estratégica para a estação, tem dados bons frutos e - aconteça o que acontecer no futuro - pelo menos ficam feitos trabalhos como estes. E, já agora, fiquem com a ideia de que na noite da próxima terça-feira será exibido mais um episódio de «A Minha Viagem A Itália», de Martin Scorsese – uma visita à história do cinema italiano que é absolutamente apaixonante. E muito esclarecedora para os defensores do artesanato umbilical cinematográfico português, feito à conta do erário público.
OUVIR – Nos últimos anos o jazz vocal ganhou peso e estatuto – até comercial. A importância relativa que tem nas vendas da indústria discográfica é apenas um fenómeno conjuntural e geracional: o seu target etário não é a faixa que deixou de comprar música e a passou a importar da net; os seus destinatários vão pelo caminho seguro das FNACs deste mundo, continuam a comprar CD’s e são ainda pouco familiares com o processo dos downloads. Aos poucos o iTunes da Apple está a mudar as coisas – mas o jazz também já lá está abundantemente. Serve toda esta lenga lenga para vos aconselhar o mais recente álbum do pianista e compositor canadiano Denzal Sinclaire, cujo título é o seu próprio nome. Ele é uma daquelas raras vozes que se identifica às primeiras notas, que cativa aos primeiros acordes. Só os grandes cantores transmitem a tremenda sensação de naturalidade que Denzal tem.Com uma carreira de dez anos, Sinclaire toca aqui com uma formação minimalista: voz, piano, contrabaixo e bateria. Como rapidamente compreenderão não é preciso absolutamente mais nada. A edição é da Verve e está distribuída pela Universal Music.
COMER – Sabe sempre bem regressar à velha Primavera, no Bairro Alto. Comida caseira bem confeccionada pela D. Helena, serviço atento e amigo providenciado pelo Senhor Rafael. Confesso que ainda me deslumbro pelos panadinhos – a carne de corte finíssimo, a fritura apurada. As pescadinhas de rabo na boca também têm o seu encanto, mas o melhor de tudo é a informalidade e serenidade que se combinam neste local. O telefone é o 213420477.
DESENVOLVIMENTO – O mercado de conteúdos para plataformas móveis de comunicação vai mais que triplicar no decurso do próximo ano e atingirá o valor de 7.6 mil milhões de euros em Julho de 2006 na Europa, Ásia e Américas – revela uma estimativa da LogicaCMG, uma empresa de consultadoria desta área. Um quinto dos utilizadores de telefones móveis em todo o mundo já experimentaram alguma forma de download para os seus aparelhos e esta percentagem deve atingir os 60 por cento no decurso dos póximos 12 meses. Melodias de toques, jogos e música são os três downloadas mais populares, mas na Europa regista-se um interesse crescente por conteúdos ligados a informação e desporto. Actualmente já existem mais de 1.5 mil milhões de utilizadores de telefones móveis em todo o mundo.
BANDA LARGA – A Viacom anunciou que duas das suas operações de televisão, a VH1 (música) e a Nickelodeon (programação infantil e juvenil), vão iniciar canais de banda larga dentro em breve. Com esta operação a Viacom pretende fidelizar audiências, oferecer produtos complementares e exclusivos e proporcionar aos espectadores a possibilidade de, em qualquer momento, terem acesso a determinado programa.
DIFERENTE – A administração da BBC recomendou que o seu canal um faça menos repetições de programas em prime time.
BACK TO BASICS – Se querem ver mudanças no mundo comecem por fazer mudanças em vós próprios. Quem o dizia era Mahatma Gandhi.
VER - Por uma vez deixem-me ser juiz em causa própria. No próximo dia 22 será exibido na 2: , pelas 22h30, um documentário inédito sobre o escritor e editor Luiz Pacheco. O projecto, «Mais Um Dia de Noite», feito em parceria entre a estação e o Instituto Português do Livro e das Bibliotecas, é, na minha opinião, uma das mais conseguidas produções promovidas pela 2: desde que existe. A responsabilidade é do talento e criatividade do realizador António José de Almeida e da produtora Panavideo. A aposta na produção independente, estratégica para a estação, tem dados bons frutos e - aconteça o que acontecer no futuro - pelo menos ficam feitos trabalhos como estes. E, já agora, fiquem com a ideia de que na noite da próxima terça-feira será exibido mais um episódio de «A Minha Viagem A Itália», de Martin Scorsese – uma visita à história do cinema italiano que é absolutamente apaixonante. E muito esclarecedora para os defensores do artesanato umbilical cinematográfico português, feito à conta do erário público.
OUVIR – Nos últimos anos o jazz vocal ganhou peso e estatuto – até comercial. A importância relativa que tem nas vendas da indústria discográfica é apenas um fenómeno conjuntural e geracional: o seu target etário não é a faixa que deixou de comprar música e a passou a importar da net; os seus destinatários vão pelo caminho seguro das FNACs deste mundo, continuam a comprar CD’s e são ainda pouco familiares com o processo dos downloads. Aos poucos o iTunes da Apple está a mudar as coisas – mas o jazz também já lá está abundantemente. Serve toda esta lenga lenga para vos aconselhar o mais recente álbum do pianista e compositor canadiano Denzal Sinclaire, cujo título é o seu próprio nome. Ele é uma daquelas raras vozes que se identifica às primeiras notas, que cativa aos primeiros acordes. Só os grandes cantores transmitem a tremenda sensação de naturalidade que Denzal tem.Com uma carreira de dez anos, Sinclaire toca aqui com uma formação minimalista: voz, piano, contrabaixo e bateria. Como rapidamente compreenderão não é preciso absolutamente mais nada. A edição é da Verve e está distribuída pela Universal Music.
COMER – Sabe sempre bem regressar à velha Primavera, no Bairro Alto. Comida caseira bem confeccionada pela D. Helena, serviço atento e amigo providenciado pelo Senhor Rafael. Confesso que ainda me deslumbro pelos panadinhos – a carne de corte finíssimo, a fritura apurada. As pescadinhas de rabo na boca também têm o seu encanto, mas o melhor de tudo é a informalidade e serenidade que se combinam neste local. O telefone é o 213420477.
DESENVOLVIMENTO – O mercado de conteúdos para plataformas móveis de comunicação vai mais que triplicar no decurso do próximo ano e atingirá o valor de 7.6 mil milhões de euros em Julho de 2006 na Europa, Ásia e Américas – revela uma estimativa da LogicaCMG, uma empresa de consultadoria desta área. Um quinto dos utilizadores de telefones móveis em todo o mundo já experimentaram alguma forma de download para os seus aparelhos e esta percentagem deve atingir os 60 por cento no decurso dos póximos 12 meses. Melodias de toques, jogos e música são os três downloadas mais populares, mas na Europa regista-se um interesse crescente por conteúdos ligados a informação e desporto. Actualmente já existem mais de 1.5 mil milhões de utilizadores de telefones móveis em todo o mundo.
BANDA LARGA – A Viacom anunciou que duas das suas operações de televisão, a VH1 (música) e a Nickelodeon (programação infantil e juvenil), vão iniciar canais de banda larga dentro em breve. Com esta operação a Viacom pretende fidelizar audiências, oferecer produtos complementares e exclusivos e proporcionar aos espectadores a possibilidade de, em qualquer momento, terem acesso a determinado programa.
DIFERENTE – A administração da BBC recomendou que o seu canal um faça menos repetições de programas em prime time.
BACK TO BASICS – Se querem ver mudanças no mundo comecem por fazer mudanças em vós próprios. Quem o dizia era Mahatma Gandhi.
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A IMAGEM DE LUIZ PACHECO
VER - Por uma vez deixem-me ser juiz em causa própria. No próximo dia 22 será exibido na 2: , pelas 22h30, um documentário inédito sobre o escritor e editor Luiz Pacheco. O projecto, «Mais Um Dia de Noite», feito em parceria entre a estação e o Instituto Português do Livro e das Bibliotecas, é, na minha opinião, uma das mais conseguidas produções promovidas pela 2: desde que existe. A responsabilidade é do talento e criatividade do realizador António José de Almeida e da produtora Panavideo. A aposta na produção independente, estratégica para a estação, tem dados bons frutos e - aconteça o que acontecer no futuro - pelo menos ficam feitos trabalhos como estes. E, já agora, fiquem com a ideia de que na noite da próxima terça-feira será exibido mais um episódio de «A Minha Viagem A Itália», de Martin Scorsese – uma visita à história do cinema italiano que é absolutamente apaixonante. E muito esclarecedora para os defensores do artesanato umbilical cinematográfico português, feito à conta do erário público.
OUVIR – Nos últimos anos o jazz vocal ganhou peso e estatuto – até comercial. A importância relativa que tem nas vendas da indústria discográfica é apenas um fenómeno conjuntural e geracional: o seu target etário não é a faixa que deixou de comprar música e a passou a importar da net; os seus destinatários vão pelo caminho seguro das FNACs deste mundo, continuam a comprar CD’s e são ainda pouco familiares com o processo dos downloads. Aos poucos o iTunes da Apple está a mudar as coisas – mas o jazz também já lá está abundantemente. Serve toda esta lenga lenga para vos aconselhar o mais recente álbum do pianista e compositor canadiano Denzal Sinclaire, cujo título é o seu próprio nome. Ele é uma daquelas raras vozes que se identifica às primeiras notas, que cativa aos primeiros acordes. Só os grandes cantores transmitem a tremenda sensação de naturalidade que Denzal tem.Com uma carreira de dez anos, Sinclaire toca aqui com uma formação minimalista: voz, piano, contrabaixo e bateria. Como rapidamente compreenderão não é preciso absolutamente mais nada. A edição é da Verve e está distribuída pela Universal Music.
COMER – Sabe sempre bem regressar à velha Primavera, no Bairro Alto. Comida caseira bem confeccionada pela D. Helena, serviço atento e amigo providenciado pelo Senhor Rafael. Confesso que ainda me deslumbro pelos panadinhos – a carne de corte finíssimo, a fritura apurada. As pescadinhas de rabo na boca também têm o seu encanto, mas o melhor de tudo é a informalidade e serenidade que se combinam neste local. O telefone é o 213420477.
DESENVOLVIMENTO – O mercado de conteúdos para plataformas móveis de comunicação vai mais que triplicar no decurso do próximo ano e atingirá o valor de 7.6 mil milhões de euros em Julho de 2006 na Europa, Ásia e Américas – revela uma estimativa da LogicaCMG, uma empresa de consultadoria desta área. Um quinto dos utilizadores de telefones móveis em todo o mundo já experimentaram alguma forma de download para os seus aparelhos e esta percentagem deve atingir os 60 por cento no decurso dos póximos 12 meses. Melodias de toques, jogos e música são os três downloadas mais populares, mas na Europa regista-se um interesse crescente por conteúdos ligados a informação e desporto. Actualmente já existem mais de 1.5 mil milhões de utilizadores de telefones móveis em todo o mundo.
BANDA LARGA – A Viacom anunciou que duas das suas operações de televisão, a VH1 (música) e a Nickelodeon (programação infantil e juvenil), vão iniciar canais de banda larga dentro em breve. Com esta operação a Viacom pretende fidelizar audiências, oferecer produtos complementares e exclusivos e proporcionar aos espectadores a possibilidade de, em qualquer momento, terem acesso a determinado programa.
DIFERENTE – A administração da BBC recomendou que o seu canal um faça menos repetições de programas em prime time.
BACK TO BASICS – Se querem ver mudanças no mundo comecem por fazer mudanças em vós próprios. Quem o dizia era Mahatma Gandhi.
VER - Por uma vez deixem-me ser juiz em causa própria. No próximo dia 22 será exibido na 2: , pelas 22h30, um documentário inédito sobre o escritor e editor Luiz Pacheco. O projecto, «Mais Um Dia de Noite», feito em parceria entre a estação e o Instituto Português do Livro e das Bibliotecas, é, na minha opinião, uma das mais conseguidas produções promovidas pela 2: desde que existe. A responsabilidade é do talento e criatividade do realizador António José de Almeida e da produtora Panavideo. A aposta na produção independente, estratégica para a estação, tem dados bons frutos e - aconteça o que acontecer no futuro - pelo menos ficam feitos trabalhos como estes. E, já agora, fiquem com a ideia de que na noite da próxima terça-feira será exibido mais um episódio de «A Minha Viagem A Itália», de Martin Scorsese – uma visita à história do cinema italiano que é absolutamente apaixonante. E muito esclarecedora para os defensores do artesanato umbilical cinematográfico português, feito à conta do erário público.
OUVIR – Nos últimos anos o jazz vocal ganhou peso e estatuto – até comercial. A importância relativa que tem nas vendas da indústria discográfica é apenas um fenómeno conjuntural e geracional: o seu target etário não é a faixa que deixou de comprar música e a passou a importar da net; os seus destinatários vão pelo caminho seguro das FNACs deste mundo, continuam a comprar CD’s e são ainda pouco familiares com o processo dos downloads. Aos poucos o iTunes da Apple está a mudar as coisas – mas o jazz também já lá está abundantemente. Serve toda esta lenga lenga para vos aconselhar o mais recente álbum do pianista e compositor canadiano Denzal Sinclaire, cujo título é o seu próprio nome. Ele é uma daquelas raras vozes que se identifica às primeiras notas, que cativa aos primeiros acordes. Só os grandes cantores transmitem a tremenda sensação de naturalidade que Denzal tem.Com uma carreira de dez anos, Sinclaire toca aqui com uma formação minimalista: voz, piano, contrabaixo e bateria. Como rapidamente compreenderão não é preciso absolutamente mais nada. A edição é da Verve e está distribuída pela Universal Music.
COMER – Sabe sempre bem regressar à velha Primavera, no Bairro Alto. Comida caseira bem confeccionada pela D. Helena, serviço atento e amigo providenciado pelo Senhor Rafael. Confesso que ainda me deslumbro pelos panadinhos – a carne de corte finíssimo, a fritura apurada. As pescadinhas de rabo na boca também têm o seu encanto, mas o melhor de tudo é a informalidade e serenidade que se combinam neste local. O telefone é o 213420477.
DESENVOLVIMENTO – O mercado de conteúdos para plataformas móveis de comunicação vai mais que triplicar no decurso do próximo ano e atingirá o valor de 7.6 mil milhões de euros em Julho de 2006 na Europa, Ásia e Américas – revela uma estimativa da LogicaCMG, uma empresa de consultadoria desta área. Um quinto dos utilizadores de telefones móveis em todo o mundo já experimentaram alguma forma de download para os seus aparelhos e esta percentagem deve atingir os 60 por cento no decurso dos póximos 12 meses. Melodias de toques, jogos e música são os três downloadas mais populares, mas na Europa regista-se um interesse crescente por conteúdos ligados a informação e desporto. Actualmente já existem mais de 1.5 mil milhões de utilizadores de telefones móveis em todo o mundo.
BANDA LARGA – A Viacom anunciou que duas das suas operações de televisão, a VH1 (música) e a Nickelodeon (programação infantil e juvenil), vão iniciar canais de banda larga dentro em breve. Com esta operação a Viacom pretende fidelizar audiências, oferecer produtos complementares e exclusivos e proporcionar aos espectadores a possibilidade de, em qualquer momento, terem acesso a determinado programa.
DIFERENTE – A administração da BBC recomendou que o seu canal um faça menos repetições de programas em prime time.
BACK TO BASICS – Se querem ver mudanças no mundo comecem por fazer mudanças em vós próprios. Quem o dizia era Mahatma Gandhi.
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