GREVE DOS PROFESSORES
A greve é na sua origem uma forma de luta dos trabalhadores contra o patronato; o mecanismo desta forma de luta é simples: a greve faz-se para causar prejuízos a quem explora a mais valia do trabalho e não quer fazer um pagamento justo pelo trabalho desenvolvido. Com o andar dos tempos a coisa evoluíu para outras formas e com o desenvolvimento do peso do Estado muitas das greves ( provavelmente a maior parte numa série de países) faz-se contra o próprio Estado. Aqui é que as coisas se complicam - como nesta greve dos professores. A quem prejudica esta greve? Ao Estado? Ou aos alunos em período de exames? Quem perde com a greve? O Estado ou os alunos e as suas famílias? A resposta não é difícil, mas também não é surpreendente.
E que pretendem os professores: que o seu trabalho não seja aferido nem avaliado segundo padrões mais rigorosos (que eventualmente podem ter repercussões nas respectivas carreiras, como acontece em qualquer profissão), e que a idade da reforma fique nos 60 anos.
Tenho o maior respeito por professores. A minha mãe foi professora. Tive grandes professores. Os meus filhos têm alguns bons professores mas têm outros que são erráticos no comportamento, no ensino e avaliação e ne assiduidade: porque hão-de estes - que profissionalmente são piores que outros - não ser penalizados pelas suas falhas?
Estes sindicalistas que impulsionam a greve não dão aulas há anos: são burocratas de um aparelho sindical que quase só tem peso no Estado. Estes sindicalistas vão levar à total perca de influência e descrédito dos sindicatos.Já faltou mais.
Neste triste processo os professores utilizam formas de luta em que os únicos prejudicados são os alunos e ainda por cima numa altura particularmente cruel. Paradoxal, mas verdadeiro. Educadores? Assim, não, de certeza.
O que vou escrevendo, entre o Weekend do Jornal de Negócios e os Pensamentos Ociosos no SAPO. E mais umas coisas avulsas...
junho 21, 2005
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GREVE DOS PROFESSORES
A greve é na sua origem uma forma de luta dos trabalhadores contra o patronato; o mecanismo desta forma de luta é simples: a greve faz-se para causar prejuízos a quem explora a mais valia do trabalho e não quer fazer um pagamento justo pelo trabalho desenvolvido. Com o andar dos tempos a coisa evoluíu para outras formas e com o desenvolvimento do peso do Estado muitas das greves ( provavelmente a maior parte numa série de países) faz-se contra o próprio Estado. Aqui é que as coisas se complicam - como nesta greve dos professores. A quem prejudica esta greve? Ao Estado? Ou aos alunos em período de exames? Quem perde com a greve? O Estado ou os alunos e as suas famílias? A resposta não é difícil, mas também não é surpreendente.
E que pretendem os professores: que o seu trabalho não seja aferido nem avaliado segundo padrões mais rigorosos (que eventualmente podem ter repercussões nas respectivas carreiras, como acontece em qualquer profissão), e que a idade da reforma fique nos 60 anos.
Tenho o maior respeito por professores. A minha mãe foi professora. Tive grandes professores. Os meus filhos têm alguns bons professores mas têm outros que são erráticos no comportamento, no ensino e avaliação e ne assiduidade: porque hão-de estes - que profissionalmente são piores que outros - não ser penalizados pelas suas falhas?
Estes sindicalistas que impulsionam a greve não dão aulas há anos: são burocratas de um aparelho sindical que quase só tem peso no Estado. Estes sindicalistas vão levar à total perca de influência e descrédito dos sindicatos.Já faltou mais.
Neste triste processo os professores utilizam formas de luta em que os únicos prejudicados são os alunos e ainda por cima numa altura particularmente cruel. Paradoxal, mas verdadeiro. Educadores? Assim, não, de certeza.
A greve é na sua origem uma forma de luta dos trabalhadores contra o patronato; o mecanismo desta forma de luta é simples: a greve faz-se para causar prejuízos a quem explora a mais valia do trabalho e não quer fazer um pagamento justo pelo trabalho desenvolvido. Com o andar dos tempos a coisa evoluíu para outras formas e com o desenvolvimento do peso do Estado muitas das greves ( provavelmente a maior parte numa série de países) faz-se contra o próprio Estado. Aqui é que as coisas se complicam - como nesta greve dos professores. A quem prejudica esta greve? Ao Estado? Ou aos alunos em período de exames? Quem perde com a greve? O Estado ou os alunos e as suas famílias? A resposta não é difícil, mas também não é surpreendente.
E que pretendem os professores: que o seu trabalho não seja aferido nem avaliado segundo padrões mais rigorosos (que eventualmente podem ter repercussões nas respectivas carreiras, como acontece em qualquer profissão), e que a idade da reforma fique nos 60 anos.
Tenho o maior respeito por professores. A minha mãe foi professora. Tive grandes professores. Os meus filhos têm alguns bons professores mas têm outros que são erráticos no comportamento, no ensino e avaliação e ne assiduidade: porque hão-de estes - que profissionalmente são piores que outros - não ser penalizados pelas suas falhas?
Estes sindicalistas que impulsionam a greve não dão aulas há anos: são burocratas de um aparelho sindical que quase só tem peso no Estado. Estes sindicalistas vão levar à total perca de influência e descrédito dos sindicatos.Já faltou mais.
Neste triste processo os professores utilizam formas de luta em que os únicos prejudicados são os alunos e ainda por cima numa altura particularmente cruel. Paradoxal, mas verdadeiro. Educadores? Assim, não, de certeza.
junho 20, 2005
PNEUS EM VEZ DE SAPATOS
TRANSPLANTE - Fazer política neste país reduziu-se a um paradoxo: se um homem precisa de sapatos promete-se que em vez disso passará a ter pneus novos; cortam-se-lhes os pés, adaptam-se-lhe umas rodas à tíbia e ao peróneo e depois faz-se o lançamento da inovação – com todos os correspondentes novos impostos de circulação pelo meio. Este é o retrato dos dias que correm.
ANEDOTA – Na net circula uma curiosa anedota, também ela sinal dos tempos. Preconiza a instituição de um «Dia Nacional sem Políticos», uma acção que «visa proibir a circulação de políticos durante um dia inteiro» e da qual se esperam benefícios como «milhares de contos de poupança em ajudas de custo, almoços de trabalho e despesas de representação, um dia sem decisões que custam milhões a quem realmente trabalha, e um dia sem carros oficiais e escoltas a funcionar, o que permitirá fazer aumentar a fluidez do trânsito, poupar combustível e proteger o meio ambiente».
TRANSPARÊNCIA – O Conselho Superior do Audiovisual (CSA), o orgão regulador francês, anunciou a short list de cinco nomes entre os 15 que se candidataram ao lugar de Presidente da estação pública, France Télévision. Repararam no verbo: que se candidataram. Um processo aberto e transparente, em vez de umas negociatas de corredores parlamentares. Os finalistas são Marc Tessier, o actul Presidente; Simone Haldberstadt- Harari, presidente de uma produtora e distribuidora privada; Patrick de Carolis, um jornalista e apresentador/produtor de uma série na France 3; Norbert Balit que tem trablahado em estações públicas e privadas de televisão em França; e José Frèches que vem do sector do publishing e que nos anos 80 esteve ligado à privatização da TF1. Repararam? Todos são profissionais do sector. As entrevistas do CSA com os candidatos decorrem à porta fechada e estão marcadas para dia 4; a decisão será anunciada dia 6.
INJUSTIÇA – Li no «Público» de terça-feira que na sexta-feira passada, há uma semana, morreu no Algarve o artista plástico René Bertholo, membro do célebre grupo KWY onde também estiveram Lourdes de castro, Costa Pinheiro, João Vieira e Christo, por exemplo. Nestes dias de edições especiais, Bertholo não teve chamadas de capa nem honras de depoimentos. E, no entanto, foi dos nossos melhores criadores contemporãneos. Morreu no meio de mortes mais mediáticas: como pode a pintura rivalizar com a política ou a literatura?
ENERGIA – Cadeia financeira na indústria audiovisual norte-americana: as vendas internacionais já ultrapassam as receitas de exibição domésticas e as vendas de DVD tornaram-se na maior fonte de receitas, cerca de 16 mil milhões de dólares em 2004, o dobro das receitas de bilheteira nos Estados Unidos.
OUVIR – Chama-se «Verde» e é obra de um nome desconhecido, Badi Assad, uma cantora, autora, guitarrista e percussionista brasileira. Não se assustem – não sou muito dado às brasileirices musicais mais recentes mas este é um disco invulgarmente simples e cativante. Da primeira vez que o ouvi lembrei-me do «Morte e Vida Severina», editado nos idos de 60 pela «Chant Du Monde», mais tarde refeito por Chico Buarque. A obra de João Cabral de Melo Neto, falava-nos da vida no nordeste brasileiro e é esse mesmo som que enche este disco – essa rara harmonia nascida nessas terras e que tem um intimista poder de sedução. Este «Verde» inclui temas tradicionais, clássicos como o «Asa Branca» de Luiz Gonzaga, versões como «One» dos U2 ou «Implorando» de Toquinho e vários e bons temas originais de Badi Assad. CD Edge, distribuído pela Universal
REMATE - A estação russa TNT, que tem introduzido reality-shows no país, vai produzir uma versão local do formato «O Aprendiz», que na sua versão original norte-americana foi apresentado e protagonizado por Donald Trump. Sinal dos tempos, a feroz competição capitalista chega à televisão russa. O programa local chama-se «O Candidato» e o vencedor terá um emprego com um salário anual superior a um milhão de rublos (cerca de 30 000 euros).
TRANSPLANTE - Fazer política neste país reduziu-se a um paradoxo: se um homem precisa de sapatos promete-se que em vez disso passará a ter pneus novos; cortam-se-lhes os pés, adaptam-se-lhe umas rodas à tíbia e ao peróneo e depois faz-se o lançamento da inovação – com todos os correspondentes novos impostos de circulação pelo meio. Este é o retrato dos dias que correm.
ANEDOTA – Na net circula uma curiosa anedota, também ela sinal dos tempos. Preconiza a instituição de um «Dia Nacional sem Políticos», uma acção que «visa proibir a circulação de políticos durante um dia inteiro» e da qual se esperam benefícios como «milhares de contos de poupança em ajudas de custo, almoços de trabalho e despesas de representação, um dia sem decisões que custam milhões a quem realmente trabalha, e um dia sem carros oficiais e escoltas a funcionar, o que permitirá fazer aumentar a fluidez do trânsito, poupar combustível e proteger o meio ambiente».
TRANSPARÊNCIA – O Conselho Superior do Audiovisual (CSA), o orgão regulador francês, anunciou a short list de cinco nomes entre os 15 que se candidataram ao lugar de Presidente da estação pública, France Télévision. Repararam no verbo: que se candidataram. Um processo aberto e transparente, em vez de umas negociatas de corredores parlamentares. Os finalistas são Marc Tessier, o actul Presidente; Simone Haldberstadt- Harari, presidente de uma produtora e distribuidora privada; Patrick de Carolis, um jornalista e apresentador/produtor de uma série na France 3; Norbert Balit que tem trablahado em estações públicas e privadas de televisão em França; e José Frèches que vem do sector do publishing e que nos anos 80 esteve ligado à privatização da TF1. Repararam? Todos são profissionais do sector. As entrevistas do CSA com os candidatos decorrem à porta fechada e estão marcadas para dia 4; a decisão será anunciada dia 6.
INJUSTIÇA – Li no «Público» de terça-feira que na sexta-feira passada, há uma semana, morreu no Algarve o artista plástico René Bertholo, membro do célebre grupo KWY onde também estiveram Lourdes de castro, Costa Pinheiro, João Vieira e Christo, por exemplo. Nestes dias de edições especiais, Bertholo não teve chamadas de capa nem honras de depoimentos. E, no entanto, foi dos nossos melhores criadores contemporãneos. Morreu no meio de mortes mais mediáticas: como pode a pintura rivalizar com a política ou a literatura?
ENERGIA – Cadeia financeira na indústria audiovisual norte-americana: as vendas internacionais já ultrapassam as receitas de exibição domésticas e as vendas de DVD tornaram-se na maior fonte de receitas, cerca de 16 mil milhões de dólares em 2004, o dobro das receitas de bilheteira nos Estados Unidos.
OUVIR – Chama-se «Verde» e é obra de um nome desconhecido, Badi Assad, uma cantora, autora, guitarrista e percussionista brasileira. Não se assustem – não sou muito dado às brasileirices musicais mais recentes mas este é um disco invulgarmente simples e cativante. Da primeira vez que o ouvi lembrei-me do «Morte e Vida Severina», editado nos idos de 60 pela «Chant Du Monde», mais tarde refeito por Chico Buarque. A obra de João Cabral de Melo Neto, falava-nos da vida no nordeste brasileiro e é esse mesmo som que enche este disco – essa rara harmonia nascida nessas terras e que tem um intimista poder de sedução. Este «Verde» inclui temas tradicionais, clássicos como o «Asa Branca» de Luiz Gonzaga, versões como «One» dos U2 ou «Implorando» de Toquinho e vários e bons temas originais de Badi Assad. CD Edge, distribuído pela Universal
REMATE - A estação russa TNT, que tem introduzido reality-shows no país, vai produzir uma versão local do formato «O Aprendiz», que na sua versão original norte-americana foi apresentado e protagonizado por Donald Trump. Sinal dos tempos, a feroz competição capitalista chega à televisão russa. O programa local chama-se «O Candidato» e o vencedor terá um emprego com um salário anual superior a um milhão de rublos (cerca de 30 000 euros).
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PNEUS EM VEZ DE SAPATOS
TRANSPLANTE - Fazer política neste país reduziu-se a um paradoxo: se um homem precisa de sapatos promete-se que em vez disso passará a ter pneus novos; cortam-se-lhes os pés, adaptam-se-lhe umas rodas à tíbia e ao peróneo e depois faz-se o lançamento da inovação – com todos os correspondentes novos impostos de circulação pelo meio. Este é o retrato dos dias que correm.
ANEDOTA – Na net circula uma curiosa anedota, também ela sinal dos tempos. Preconiza a instituição de um «Dia Nacional sem Políticos», uma acção que «visa proibir a circulação de políticos durante um dia inteiro» e da qual se esperam benefícios como «milhares de contos de poupança em ajudas de custo, almoços de trabalho e despesas de representação, um dia sem decisões que custam milhões a quem realmente trabalha, e um dia sem carros oficiais e escoltas a funcionar, o que permitirá fazer aumentar a fluidez do trânsito, poupar combustível e proteger o meio ambiente».
TRANSPARÊNCIA – O Conselho Superior do Audiovisual (CSA), o orgão regulador francês, anunciou a short list de cinco nomes entre os 15 que se candidataram ao lugar de Presidente da estação pública, France Télévision. Repararam no verbo: que se candidataram. Um processo aberto e transparente, em vez de umas negociatas de corredores parlamentares. Os finalistas são Marc Tessier, o actul Presidente; Simone Haldberstadt- Harari, presidente de uma produtora e distribuidora privada; Patrick de Carolis, um jornalista e apresentador/produtor de uma série na France 3; Norbert Balit que tem trablahado em estações públicas e privadas de televisão em França; e José Frèches que vem do sector do publishing e que nos anos 80 esteve ligado à privatização da TF1. Repararam? Todos são profissionais do sector. As entrevistas do CSA com os candidatos decorrem à porta fechada e estão marcadas para dia 4; a decisão será anunciada dia 6.
INJUSTIÇA – Li no «Público» de terça-feira que na sexta-feira passada, há uma semana, morreu no Algarve o artista plástico René Bertholo, membro do célebre grupo KWY onde também estiveram Lourdes de castro, Costa Pinheiro, João Vieira e Christo, por exemplo. Nestes dias de edições especiais, Bertholo não teve chamadas de capa nem honras de depoimentos. E, no entanto, foi dos nossos melhores criadores contemporãneos. Morreu no meio de mortes mais mediáticas: como pode a pintura rivalizar com a política ou a literatura?
ENERGIA – Cadeia financeira na indústria audiovisual norte-americana: as vendas internacionais já ultrapassam as receitas de exibição domésticas e as vendas de DVD tornaram-se na maior fonte de receitas, cerca de 16 mil milhões de dólares em 2004, o dobro das receitas de bilheteira nos Estados Unidos.
OUVIR – Chama-se «Verde» e é obra de um nome desconhecido, Badi Assad, uma cantora, autora, guitarrista e percussionista brasileira. Não se assustem – não sou muito dado às brasileirices musicais mais recentes mas este é um disco invulgarmente simples e cativante. Da primeira vez que o ouvi lembrei-me do «Morte e Vida Severina», editado nos idos de 60 pela «Chant Du Monde», mais tarde refeito por Chico Buarque. A obra de João Cabral de Melo Neto, falava-nos da vida no nordeste brasileiro e é esse mesmo som que enche este disco – essa rara harmonia nascida nessas terras e que tem um intimista poder de sedução. Este «Verde» inclui temas tradicionais, clássicos como o «Asa Branca» de Luiz Gonzaga, versões como «One» dos U2 ou «Implorando» de Toquinho e vários e bons temas originais de Badi Assad. CD Edge, distribuído pela Universal
REMATE - A estação russa TNT, que tem introduzido reality-shows no país, vai produzir uma versão local do formato «O Aprendiz», que na sua versão original norte-americana foi apresentado e protagonizado por Donald Trump. Sinal dos tempos, a feroz competição capitalista chega à televisão russa. O programa local chama-se «O Candidato» e o vencedor terá um emprego com um salário anual superior a um milhão de rublos (cerca de 30 000 euros).
TRANSPLANTE - Fazer política neste país reduziu-se a um paradoxo: se um homem precisa de sapatos promete-se que em vez disso passará a ter pneus novos; cortam-se-lhes os pés, adaptam-se-lhe umas rodas à tíbia e ao peróneo e depois faz-se o lançamento da inovação – com todos os correspondentes novos impostos de circulação pelo meio. Este é o retrato dos dias que correm.
ANEDOTA – Na net circula uma curiosa anedota, também ela sinal dos tempos. Preconiza a instituição de um «Dia Nacional sem Políticos», uma acção que «visa proibir a circulação de políticos durante um dia inteiro» e da qual se esperam benefícios como «milhares de contos de poupança em ajudas de custo, almoços de trabalho e despesas de representação, um dia sem decisões que custam milhões a quem realmente trabalha, e um dia sem carros oficiais e escoltas a funcionar, o que permitirá fazer aumentar a fluidez do trânsito, poupar combustível e proteger o meio ambiente».
TRANSPARÊNCIA – O Conselho Superior do Audiovisual (CSA), o orgão regulador francês, anunciou a short list de cinco nomes entre os 15 que se candidataram ao lugar de Presidente da estação pública, France Télévision. Repararam no verbo: que se candidataram. Um processo aberto e transparente, em vez de umas negociatas de corredores parlamentares. Os finalistas são Marc Tessier, o actul Presidente; Simone Haldberstadt- Harari, presidente de uma produtora e distribuidora privada; Patrick de Carolis, um jornalista e apresentador/produtor de uma série na France 3; Norbert Balit que tem trablahado em estações públicas e privadas de televisão em França; e José Frèches que vem do sector do publishing e que nos anos 80 esteve ligado à privatização da TF1. Repararam? Todos são profissionais do sector. As entrevistas do CSA com os candidatos decorrem à porta fechada e estão marcadas para dia 4; a decisão será anunciada dia 6.
INJUSTIÇA – Li no «Público» de terça-feira que na sexta-feira passada, há uma semana, morreu no Algarve o artista plástico René Bertholo, membro do célebre grupo KWY onde também estiveram Lourdes de castro, Costa Pinheiro, João Vieira e Christo, por exemplo. Nestes dias de edições especiais, Bertholo não teve chamadas de capa nem honras de depoimentos. E, no entanto, foi dos nossos melhores criadores contemporãneos. Morreu no meio de mortes mais mediáticas: como pode a pintura rivalizar com a política ou a literatura?
ENERGIA – Cadeia financeira na indústria audiovisual norte-americana: as vendas internacionais já ultrapassam as receitas de exibição domésticas e as vendas de DVD tornaram-se na maior fonte de receitas, cerca de 16 mil milhões de dólares em 2004, o dobro das receitas de bilheteira nos Estados Unidos.
OUVIR – Chama-se «Verde» e é obra de um nome desconhecido, Badi Assad, uma cantora, autora, guitarrista e percussionista brasileira. Não se assustem – não sou muito dado às brasileirices musicais mais recentes mas este é um disco invulgarmente simples e cativante. Da primeira vez que o ouvi lembrei-me do «Morte e Vida Severina», editado nos idos de 60 pela «Chant Du Monde», mais tarde refeito por Chico Buarque. A obra de João Cabral de Melo Neto, falava-nos da vida no nordeste brasileiro e é esse mesmo som que enche este disco – essa rara harmonia nascida nessas terras e que tem um intimista poder de sedução. Este «Verde» inclui temas tradicionais, clássicos como o «Asa Branca» de Luiz Gonzaga, versões como «One» dos U2 ou «Implorando» de Toquinho e vários e bons temas originais de Badi Assad. CD Edge, distribuído pela Universal
REMATE - A estação russa TNT, que tem introduzido reality-shows no país, vai produzir uma versão local do formato «O Aprendiz», que na sua versão original norte-americana foi apresentado e protagonizado por Donald Trump. Sinal dos tempos, a feroz competição capitalista chega à televisão russa. O programa local chama-se «O Candidato» e o vencedor terá um emprego com um salário anual superior a um milhão de rublos (cerca de 30 000 euros).
COINCIDÊNCIAS
Os portugueses são os cidadãos europeus que menos se interessam sobre política, são dos menos informados em termos gerais, dos mais insatisfeitos com a vida que levam, os que têm maior apego à religião e, já agora, aqueles em que o futebol faz parte do conceito nacional de auto-estima por indicação presidencial. À excepção da referência ao futebol, o resto está num estudo do Eurobarómetro sobre Valores Sociais, divulgado esta semana.
Os indíces de abstenção já eram um bom indicador da importância que se atribuía à política – mas este estudo quantifica a coisa: apenas 53% seguem a actividade política, 45% dizem-se completamente desinteressados e apenas 50% se considera informado. Não se pode dizer que o resultado abone a classe política portuguesa nem os media – 31 anos depois do regresso da democracia quase metade do país não a utiliza de facto.
A coisa, no fundo, percebe-se: como se há-de acreditar numa classe política que promete uma coisa nas campanhas eleitorais e faz outra quando chega ao poder? Como se pode acreditar em partidos que são centrais de emprego e centros de conspiração permanentes – já analisaram a elevada rotação dos principais responsáveis de cada partido (nos últimos quatro anos PS e PSD tiveram três responsáveis máximos cada um)? Como se há-de acreditar em orgaõs de comunicação que parecem newsletters de recados da classe política?
Enquadrados por Presidentes da República de comportamento errático, governos instáveis e partidos dissociados dos cidadãos, ainda é sorte que mesmo assim 53% se interessem por política num país onde a proximidade entre eleitores e eleitos é inexistente. O regime não está a funcionar – desta vez é oficial.
Os portugueses são os cidadãos europeus que menos se interessam sobre política, são dos menos informados em termos gerais, dos mais insatisfeitos com a vida que levam, os que têm maior apego à religião e, já agora, aqueles em que o futebol faz parte do conceito nacional de auto-estima por indicação presidencial. À excepção da referência ao futebol, o resto está num estudo do Eurobarómetro sobre Valores Sociais, divulgado esta semana.
Os indíces de abstenção já eram um bom indicador da importância que se atribuía à política – mas este estudo quantifica a coisa: apenas 53% seguem a actividade política, 45% dizem-se completamente desinteressados e apenas 50% se considera informado. Não se pode dizer que o resultado abone a classe política portuguesa nem os media – 31 anos depois do regresso da democracia quase metade do país não a utiliza de facto.
A coisa, no fundo, percebe-se: como se há-de acreditar numa classe política que promete uma coisa nas campanhas eleitorais e faz outra quando chega ao poder? Como se pode acreditar em partidos que são centrais de emprego e centros de conspiração permanentes – já analisaram a elevada rotação dos principais responsáveis de cada partido (nos últimos quatro anos PS e PSD tiveram três responsáveis máximos cada um)? Como se há-de acreditar em orgaõs de comunicação que parecem newsletters de recados da classe política?
Enquadrados por Presidentes da República de comportamento errático, governos instáveis e partidos dissociados dos cidadãos, ainda é sorte que mesmo assim 53% se interessem por política num país onde a proximidade entre eleitores e eleitos é inexistente. O regime não está a funcionar – desta vez é oficial.
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COINCIDÊNCIAS
Os portugueses são os cidadãos europeus que menos se interessam sobre política, são dos menos informados em termos gerais, dos mais insatisfeitos com a vida que levam, os que têm maior apego à religião e, já agora, aqueles em que o futebol faz parte do conceito nacional de auto-estima por indicação presidencial. À excepção da referência ao futebol, o resto está num estudo do Eurobarómetro sobre Valores Sociais, divulgado esta semana.
Os indíces de abstenção já eram um bom indicador da importância que se atribuía à política – mas este estudo quantifica a coisa: apenas 53% seguem a actividade política, 45% dizem-se completamente desinteressados e apenas 50% se considera informado. Não se pode dizer que o resultado abone a classe política portuguesa nem os media – 31 anos depois do regresso da democracia quase metade do país não a utiliza de facto.
A coisa, no fundo, percebe-se: como se há-de acreditar numa classe política que promete uma coisa nas campanhas eleitorais e faz outra quando chega ao poder? Como se pode acreditar em partidos que são centrais de emprego e centros de conspiração permanentes – já analisaram a elevada rotação dos principais responsáveis de cada partido (nos últimos quatro anos PS e PSD tiveram três responsáveis máximos cada um)? Como se há-de acreditar em orgaõs de comunicação que parecem newsletters de recados da classe política?
Enquadrados por Presidentes da República de comportamento errático, governos instáveis e partidos dissociados dos cidadãos, ainda é sorte que mesmo assim 53% se interessem por política num país onde a proximidade entre eleitores e eleitos é inexistente. O regime não está a funcionar – desta vez é oficial.
Os portugueses são os cidadãos europeus que menos se interessam sobre política, são dos menos informados em termos gerais, dos mais insatisfeitos com a vida que levam, os que têm maior apego à religião e, já agora, aqueles em que o futebol faz parte do conceito nacional de auto-estima por indicação presidencial. À excepção da referência ao futebol, o resto está num estudo do Eurobarómetro sobre Valores Sociais, divulgado esta semana.
Os indíces de abstenção já eram um bom indicador da importância que se atribuía à política – mas este estudo quantifica a coisa: apenas 53% seguem a actividade política, 45% dizem-se completamente desinteressados e apenas 50% se considera informado. Não se pode dizer que o resultado abone a classe política portuguesa nem os media – 31 anos depois do regresso da democracia quase metade do país não a utiliza de facto.
A coisa, no fundo, percebe-se: como se há-de acreditar numa classe política que promete uma coisa nas campanhas eleitorais e faz outra quando chega ao poder? Como se pode acreditar em partidos que são centrais de emprego e centros de conspiração permanentes – já analisaram a elevada rotação dos principais responsáveis de cada partido (nos últimos quatro anos PS e PSD tiveram três responsáveis máximos cada um)? Como se há-de acreditar em orgaõs de comunicação que parecem newsletters de recados da classe política?
Enquadrados por Presidentes da República de comportamento errático, governos instáveis e partidos dissociados dos cidadãos, ainda é sorte que mesmo assim 53% se interessem por política num país onde a proximidade entre eleitores e eleitos é inexistente. O regime não está a funcionar – desta vez é oficial.
junho 16, 2005
O PAVÃO
Mão amiga fez-me chegar às mãos um artigo de António Barreto sobre Manuel Maria Carrilho, publicado no «Público de 14 de Novembro ded 1999, a propósito da demissão, então recentemente ocorrida, de Artur Santos Silva da Porto- Capital da Cultura.
Um Homem Sem Qualidades
Manuel Carrilho, pseudónimo, no Portugal dos anos 90, de ministro da Cultura, é um dos homens mais felizes do país. Viu-se livre de um homem sério, geralmente respeitado, independente, bom profissional e competente: tudo qualidades que o ministro detesta nos outros, mas sobretudo abomina em si próprio. Obteve, após meses de velhacarias, a demissão de Artur Santos Silva. Vai fazer, a partir de agora, o que melhor sabe: comprar. Comprar fiéis, idólatras e servos. Tarefeiros e consciências. Criaturas que o sigam e amem. Gente que, para si, escreva, declame e dance. Câmaras e freguesias. Funcionários e dependentes. Vai comprar o que pode, a fim de tentar fazer, pelo menos, tão mau quanto Lisboa-94. Com um objectivo permanente, uma coerência: aparecer, ser fotografado, inaugurar, dar entrevistas, discursar. Ser visto com "top models" e intelectuais dos "boulevards". É esse o seu programa. Sem densidade política, mas grosso de pensamento, sem modos nem educação, mas atento ao vestuário, este ministro da Cultura sofre de vaidade para além do que clinicamente se conhece.
Carrilho, traiu e desautorizou Guterres. Sonso, venceu o primeiro ministro. Nunca quis Santos Silva na capital da cultura. Nunca quis nada que viesse dele e dos seus colaboradores. Não que tivesse concepções diferentes, coisa de que parece carecer. Mas não suportava a ideia de que a cidade do Porto não se organizasse exclusivamente para sua glória, sua, dele, ministro rasca de governo débil. Por boas ou más razões, Guterres tinha escolhido Santos Silva. À volta deste, tinha-se criado entusiasmo e simpatia. Desde o primeiro dia, o "dandy" da Kultura, com o seu sotaque parisiense suburbano, tinha-se esmerado a fazer a vida negra ao banqueiro que, horror dos horrores, nada pretendia do governo. Fez quanto pôde para atrasar o início dos trabalhos e emperrar a organização. Sabotou, nomeou criaturas suas, tentou controlar, obrigou a cerimónias para se fazer fotografar bem vestido no quartier, desviou dinheiros para o seu orçamento, mandou bobos esganiçados prestar declarações, faltou a compromissos, não cumpriu a palavra dada e não respeitou contratos que assinou. Fez o possível por contrariar a ideia de que uma capital da cultura poderia ser coisa diferente de uma série de manifestações para titilação da burguesia endinheirada. Em menos de um ano, vingou-se do primeiro ministro: liquidou-lhe as escolhas, derrotou a sua orientação. E o primeiro ministro, cada vez mais desinteressado, já sem vocação para obras ou problemas e com uma crescente insensibilidade ao conceito mesmo de serviço público, deixou-se ir na ratoeira que lhe preparou este pavão de província.
Mão amiga fez-me chegar às mãos um artigo de António Barreto sobre Manuel Maria Carrilho, publicado no «Público de 14 de Novembro ded 1999, a propósito da demissão, então recentemente ocorrida, de Artur Santos Silva da Porto- Capital da Cultura.
Um Homem Sem Qualidades
Manuel Carrilho, pseudónimo, no Portugal dos anos 90, de ministro da Cultura, é um dos homens mais felizes do país. Viu-se livre de um homem sério, geralmente respeitado, independente, bom profissional e competente: tudo qualidades que o ministro detesta nos outros, mas sobretudo abomina em si próprio. Obteve, após meses de velhacarias, a demissão de Artur Santos Silva. Vai fazer, a partir de agora, o que melhor sabe: comprar. Comprar fiéis, idólatras e servos. Tarefeiros e consciências. Criaturas que o sigam e amem. Gente que, para si, escreva, declame e dance. Câmaras e freguesias. Funcionários e dependentes. Vai comprar o que pode, a fim de tentar fazer, pelo menos, tão mau quanto Lisboa-94. Com um objectivo permanente, uma coerência: aparecer, ser fotografado, inaugurar, dar entrevistas, discursar. Ser visto com "top models" e intelectuais dos "boulevards". É esse o seu programa. Sem densidade política, mas grosso de pensamento, sem modos nem educação, mas atento ao vestuário, este ministro da Cultura sofre de vaidade para além do que clinicamente se conhece.
Carrilho, traiu e desautorizou Guterres. Sonso, venceu o primeiro ministro. Nunca quis Santos Silva na capital da cultura. Nunca quis nada que viesse dele e dos seus colaboradores. Não que tivesse concepções diferentes, coisa de que parece carecer. Mas não suportava a ideia de que a cidade do Porto não se organizasse exclusivamente para sua glória, sua, dele, ministro rasca de governo débil. Por boas ou más razões, Guterres tinha escolhido Santos Silva. À volta deste, tinha-se criado entusiasmo e simpatia. Desde o primeiro dia, o "dandy" da Kultura, com o seu sotaque parisiense suburbano, tinha-se esmerado a fazer a vida negra ao banqueiro que, horror dos horrores, nada pretendia do governo. Fez quanto pôde para atrasar o início dos trabalhos e emperrar a organização. Sabotou, nomeou criaturas suas, tentou controlar, obrigou a cerimónias para se fazer fotografar bem vestido no quartier, desviou dinheiros para o seu orçamento, mandou bobos esganiçados prestar declarações, faltou a compromissos, não cumpriu a palavra dada e não respeitou contratos que assinou. Fez o possível por contrariar a ideia de que uma capital da cultura poderia ser coisa diferente de uma série de manifestações para titilação da burguesia endinheirada. Em menos de um ano, vingou-se do primeiro ministro: liquidou-lhe as escolhas, derrotou a sua orientação. E o primeiro ministro, cada vez mais desinteressado, já sem vocação para obras ou problemas e com uma crescente insensibilidade ao conceito mesmo de serviço público, deixou-se ir na ratoeira que lhe preparou este pavão de província.
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O PAVÃO
Mão amiga fez-me chegar às mãos um artigo de António Barreto sobre Manuel Maria Carrilho, publicado no «Público de 14 de Novembro ded 1999, a propósito da demissão, então recentemente ocorrida, de Artur Santos Silva da Porto- Capital da Cultura.
Um Homem Sem Qualidades
Manuel Carrilho, pseudónimo, no Portugal dos anos 90, de ministro da Cultura, é um dos homens mais felizes do país. Viu-se livre de um homem sério, geralmente respeitado, independente, bom profissional e competente: tudo qualidades que o ministro detesta nos outros, mas sobretudo abomina em si próprio. Obteve, após meses de velhacarias, a demissão de Artur Santos Silva. Vai fazer, a partir de agora, o que melhor sabe: comprar. Comprar fiéis, idólatras e servos. Tarefeiros e consciências. Criaturas que o sigam e amem. Gente que, para si, escreva, declame e dance. Câmaras e freguesias. Funcionários e dependentes. Vai comprar o que pode, a fim de tentar fazer, pelo menos, tão mau quanto Lisboa-94. Com um objectivo permanente, uma coerência: aparecer, ser fotografado, inaugurar, dar entrevistas, discursar. Ser visto com "top models" e intelectuais dos "boulevards". É esse o seu programa. Sem densidade política, mas grosso de pensamento, sem modos nem educação, mas atento ao vestuário, este ministro da Cultura sofre de vaidade para além do que clinicamente se conhece.
Carrilho, traiu e desautorizou Guterres. Sonso, venceu o primeiro ministro. Nunca quis Santos Silva na capital da cultura. Nunca quis nada que viesse dele e dos seus colaboradores. Não que tivesse concepções diferentes, coisa de que parece carecer. Mas não suportava a ideia de que a cidade do Porto não se organizasse exclusivamente para sua glória, sua, dele, ministro rasca de governo débil. Por boas ou más razões, Guterres tinha escolhido Santos Silva. À volta deste, tinha-se criado entusiasmo e simpatia. Desde o primeiro dia, o "dandy" da Kultura, com o seu sotaque parisiense suburbano, tinha-se esmerado a fazer a vida negra ao banqueiro que, horror dos horrores, nada pretendia do governo. Fez quanto pôde para atrasar o início dos trabalhos e emperrar a organização. Sabotou, nomeou criaturas suas, tentou controlar, obrigou a cerimónias para se fazer fotografar bem vestido no quartier, desviou dinheiros para o seu orçamento, mandou bobos esganiçados prestar declarações, faltou a compromissos, não cumpriu a palavra dada e não respeitou contratos que assinou. Fez o possível por contrariar a ideia de que uma capital da cultura poderia ser coisa diferente de uma série de manifestações para titilação da burguesia endinheirada. Em menos de um ano, vingou-se do primeiro ministro: liquidou-lhe as escolhas, derrotou a sua orientação. E o primeiro ministro, cada vez mais desinteressado, já sem vocação para obras ou problemas e com uma crescente insensibilidade ao conceito mesmo de serviço público, deixou-se ir na ratoeira que lhe preparou este pavão de província.
Mão amiga fez-me chegar às mãos um artigo de António Barreto sobre Manuel Maria Carrilho, publicado no «Público de 14 de Novembro ded 1999, a propósito da demissão, então recentemente ocorrida, de Artur Santos Silva da Porto- Capital da Cultura.
Um Homem Sem Qualidades
Manuel Carrilho, pseudónimo, no Portugal dos anos 90, de ministro da Cultura, é um dos homens mais felizes do país. Viu-se livre de um homem sério, geralmente respeitado, independente, bom profissional e competente: tudo qualidades que o ministro detesta nos outros, mas sobretudo abomina em si próprio. Obteve, após meses de velhacarias, a demissão de Artur Santos Silva. Vai fazer, a partir de agora, o que melhor sabe: comprar. Comprar fiéis, idólatras e servos. Tarefeiros e consciências. Criaturas que o sigam e amem. Gente que, para si, escreva, declame e dance. Câmaras e freguesias. Funcionários e dependentes. Vai comprar o que pode, a fim de tentar fazer, pelo menos, tão mau quanto Lisboa-94. Com um objectivo permanente, uma coerência: aparecer, ser fotografado, inaugurar, dar entrevistas, discursar. Ser visto com "top models" e intelectuais dos "boulevards". É esse o seu programa. Sem densidade política, mas grosso de pensamento, sem modos nem educação, mas atento ao vestuário, este ministro da Cultura sofre de vaidade para além do que clinicamente se conhece.
Carrilho, traiu e desautorizou Guterres. Sonso, venceu o primeiro ministro. Nunca quis Santos Silva na capital da cultura. Nunca quis nada que viesse dele e dos seus colaboradores. Não que tivesse concepções diferentes, coisa de que parece carecer. Mas não suportava a ideia de que a cidade do Porto não se organizasse exclusivamente para sua glória, sua, dele, ministro rasca de governo débil. Por boas ou más razões, Guterres tinha escolhido Santos Silva. À volta deste, tinha-se criado entusiasmo e simpatia. Desde o primeiro dia, o "dandy" da Kultura, com o seu sotaque parisiense suburbano, tinha-se esmerado a fazer a vida negra ao banqueiro que, horror dos horrores, nada pretendia do governo. Fez quanto pôde para atrasar o início dos trabalhos e emperrar a organização. Sabotou, nomeou criaturas suas, tentou controlar, obrigou a cerimónias para se fazer fotografar bem vestido no quartier, desviou dinheiros para o seu orçamento, mandou bobos esganiçados prestar declarações, faltou a compromissos, não cumpriu a palavra dada e não respeitou contratos que assinou. Fez o possível por contrariar a ideia de que uma capital da cultura poderia ser coisa diferente de uma série de manifestações para titilação da burguesia endinheirada. Em menos de um ano, vingou-se do primeiro ministro: liquidou-lhe as escolhas, derrotou a sua orientação. E o primeiro ministro, cada vez mais desinteressado, já sem vocação para obras ou problemas e com uma crescente insensibilidade ao conceito mesmo de serviço público, deixou-se ir na ratoeira que lhe preparou este pavão de província.
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ESPELHO MEU
Já leram o artigo de Manuel Maria Carrilho no «Público» de hoje, página 19? As ideias lá contidas resumem-se rapidamente: espelho meu, espelho meu, quem é mais bonito que eu?
Já leram o artigo de Manuel Maria Carrilho no «Público» de hoje, página 19? As ideias lá contidas resumem-se rapidamente: espelho meu, espelho meu, quem é mais bonito que eu?
junho 14, 2005
BRANQUEAMENTO
Percebe-se a dôr. Entendem-se as homenagens. Não se compreende o branqueamento. Cunhal queria em Portugal um regime soviético, na versão de uma democracia popular - é esse o projecto escrito no «Rumo À Vitória», que para atingir os seus objectivos preconizava uma «revolução democrática e nacional», táctica que o PCP recuperou no pós 11 de Março. Convém recordar que Cunhal não se demarcou de nenhum dos crimes soviéticos aquando das intervenções na Hungria ou na Checoslováquia - nem tão pouco das perseguições aos intelectuais e dissidentes. Vasco Gonçalves esteve a um passo de atirar o país para os braços de Cunhal e de todos os desvarios. De formas complementares ambos quiseram o poder para cercear liberdades. Pouco tempo depois de ela ter sido recuperada.
Percebe-se a dôr. Entendem-se as homenagens. Não se compreende o branqueamento. Cunhal queria em Portugal um regime soviético, na versão de uma democracia popular - é esse o projecto escrito no «Rumo À Vitória», que para atingir os seus objectivos preconizava uma «revolução democrática e nacional», táctica que o PCP recuperou no pós 11 de Março. Convém recordar que Cunhal não se demarcou de nenhum dos crimes soviéticos aquando das intervenções na Hungria ou na Checoslováquia - nem tão pouco das perseguições aos intelectuais e dissidentes. Vasco Gonçalves esteve a um passo de atirar o país para os braços de Cunhal e de todos os desvarios. De formas complementares ambos quiseram o poder para cercear liberdades. Pouco tempo depois de ela ter sido recuperada.
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BRANQUEAMENTO
Percebe-se a dôr. Entendem-se as homenagens. Não se compreende o branqueamento. Cunhal queria em Portugal um regime soviético, na versão de uma democracia popular - é esse o projecto escrito no «Rumo À Vitória», que para atingir os seus objectivos preconizava uma «revolução democrática e nacional», táctica que o PCP recuperou no pós 11 de Março. Convém recordar que Cunhal não se demarcou de nenhum dos crimes soviéticos aquando das intervenções na Hungria ou na Checoslováquia - nem tão pouco das perseguições aos intelectuais e dissidentes. Vasco Gonçalves esteve a um passo de atirar o país para os braços de Cunhal e de todos os desvarios. De formas complementares ambos quiseram o poder para cercear liberdades. Pouco tempo depois de ela ter sido recuperada.
Percebe-se a dôr. Entendem-se as homenagens. Não se compreende o branqueamento. Cunhal queria em Portugal um regime soviético, na versão de uma democracia popular - é esse o projecto escrito no «Rumo À Vitória», que para atingir os seus objectivos preconizava uma «revolução democrática e nacional», táctica que o PCP recuperou no pós 11 de Março. Convém recordar que Cunhal não se demarcou de nenhum dos crimes soviéticos aquando das intervenções na Hungria ou na Checoslováquia - nem tão pouco das perseguições aos intelectuais e dissidentes. Vasco Gonçalves esteve a um passo de atirar o país para os braços de Cunhal e de todos os desvarios. De formas complementares ambos quiseram o poder para cercear liberdades. Pouco tempo depois de ela ter sido recuperada.
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INJUSTIÇA
Leio hoje no Público que na sexta-feira passada morreu René Bertholo. Não teve chamadas de capa nem honras de dpoimentos. E, no entanto, foi dos nossos melhores artistas plásticos. Morreu no meio de mortes mais mediáticas: como pode a pintura rivalizar com a política ou a literatura?
Leio hoje no Público que na sexta-feira passada morreu René Bertholo. Não teve chamadas de capa nem honras de dpoimentos. E, no entanto, foi dos nossos melhores artistas plásticos. Morreu no meio de mortes mais mediáticas: como pode a pintura rivalizar com a política ou a literatura?
junho 12, 2005
DIFÍCIL DIZER MELHOR
No seu AVIZ Francisco José Viegas faz a síntese perfeita dos últimos dias num post intitulado «Como Se Esperava»:
«1) Sim, quase toda a gente vai criticar José António Saraiva por ter sido entrevistado no Expresso. 2) Sim, Eduardo Prado Coelho correu a defender Manuel Maria Carrilho depois do vídeo da sua candidatura à Câmara de Lisboa; a família é tudo. 3) Sim, passados três meses, Freitas do Amaral já não tem a «unanimidade» atrás de si. 4) Sim, o presidente Sampaio distribuiu mais umas medalhas (nos seus dois mandatos, de qualquer modo, só gastou metade das de Mário Soares, um mãos largas). 4) Sim, a generalidade da imprensa portuguesa continua a pensar que o presidente Lula, coitado, não sabia que o seu próprio partido pagava aos deputados do PP e do PL (e do PTB, bem vistas as coisas) – coitado do Lula, tão coitado. 5) Sim, ainda ninguém sabe como o governo vai cortar na reforma de Luís Campos e Cunha, ou no seu ordenado de ministro.»
No seu AVIZ Francisco José Viegas faz a síntese perfeita dos últimos dias num post intitulado «Como Se Esperava»:
«1) Sim, quase toda a gente vai criticar José António Saraiva por ter sido entrevistado no Expresso. 2) Sim, Eduardo Prado Coelho correu a defender Manuel Maria Carrilho depois do vídeo da sua candidatura à Câmara de Lisboa; a família é tudo. 3) Sim, passados três meses, Freitas do Amaral já não tem a «unanimidade» atrás de si. 4) Sim, o presidente Sampaio distribuiu mais umas medalhas (nos seus dois mandatos, de qualquer modo, só gastou metade das de Mário Soares, um mãos largas). 4) Sim, a generalidade da imprensa portuguesa continua a pensar que o presidente Lula, coitado, não sabia que o seu próprio partido pagava aos deputados do PP e do PL (e do PTB, bem vistas as coisas) – coitado do Lula, tão coitado. 5) Sim, ainda ninguém sabe como o governo vai cortar na reforma de Luís Campos e Cunha, ou no seu ordenado de ministro.»
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DIFÍCIL DIZER MELHOR
No seu AVIZ Francisco José Viegas faz a síntese perfeita dos últimos dias num post intitulado «Como Se Esperava»:
«1) Sim, quase toda a gente vai criticar José António Saraiva por ter sido entrevistado no Expresso. 2) Sim, Eduardo Prado Coelho correu a defender Manuel Maria Carrilho depois do vídeo da sua candidatura à Câmara de Lisboa; a família é tudo. 3) Sim, passados três meses, Freitas do Amaral já não tem a «unanimidade» atrás de si. 4) Sim, o presidente Sampaio distribuiu mais umas medalhas (nos seus dois mandatos, de qualquer modo, só gastou metade das de Mário Soares, um mãos largas). 4) Sim, a generalidade da imprensa portuguesa continua a pensar que o presidente Lula, coitado, não sabia que o seu próprio partido pagava aos deputados do PP e do PL (e do PTB, bem vistas as coisas) – coitado do Lula, tão coitado. 5) Sim, ainda ninguém sabe como o governo vai cortar na reforma de Luís Campos e Cunha, ou no seu ordenado de ministro.»
No seu AVIZ Francisco José Viegas faz a síntese perfeita dos últimos dias num post intitulado «Como Se Esperava»:
«1) Sim, quase toda a gente vai criticar José António Saraiva por ter sido entrevistado no Expresso. 2) Sim, Eduardo Prado Coelho correu a defender Manuel Maria Carrilho depois do vídeo da sua candidatura à Câmara de Lisboa; a família é tudo. 3) Sim, passados três meses, Freitas do Amaral já não tem a «unanimidade» atrás de si. 4) Sim, o presidente Sampaio distribuiu mais umas medalhas (nos seus dois mandatos, de qualquer modo, só gastou metade das de Mário Soares, um mãos largas). 4) Sim, a generalidade da imprensa portuguesa continua a pensar que o presidente Lula, coitado, não sabia que o seu próprio partido pagava aos deputados do PP e do PL (e do PTB, bem vistas as coisas) – coitado do Lula, tão coitado. 5) Sim, ainda ninguém sabe como o governo vai cortar na reforma de Luís Campos e Cunha, ou no seu ordenado de ministro.»
OUVIR – Foi desta que me converti ao iPod. Comprei um dos mini, de 6 GB, e não quero outra coisa. Já meti lá dentro uma dúzia dos meus CD’s mais queridos e encontrei um novo hobby que é fazer listas das minhas canções e músicas preferidas e ir colocando-as na máquina. Agora mesmo estou a ouvir os Byrds – de que tinha saudades sem saber. Finalmente consigo ouvir os meus discos antigos em qualquer altura sem ter que carregar a casa atrás. E vou pondo e tirando as novidades, que dantes mal tinha tempo para ouvir em casa, metade delas descobertas no iTunes, como o novo dos Coldplay.
DESCOBRIR – Os novos trabalhos, pintura sobre papel, de Inez Teixeira continuam a expressar uma visão muito orgânica – mas nesta nova exposição aprofundam esse caminho e criam momentos quase viscerais de enorme impacto. «Cursor» é o título da exposição que fica no Palácio Nacional de Queluz até 21 de Agosto – boa ideia esta de expôr arte contemporãnea em salas tradicionais de palácios e monumentos nacionais, o IPPAR está de parabéns.
COMIDINHA – Aconteceu-me esta semana que redescobri o prazer das coisas simples no Santo António de Alfama, um restaurante no Beco de São Miguel. Local simpático, serviço atento, ambiente de bairro popular. Bons petiscos, boas entradas, preço razoável e uma esplanada agradável. A comandar (bem) as operações está agora um jovem actor, o José Pedro Vasconcelos. Tel. 218 881 328, fecha às terças.
ENSINAR A VER - O Governo da Catalunha vai lançar um programa de educação audiovisual que se destina a ensinar as crianças e os jovens a diferenciar ficção e realidade, onde encontrar informaçãoo, como interpretá-la e analisá-la e também adquirir conceitos referentes às mensagens publicitárias. A experiência vai arrancar em 50 escolas no próximo ano lectivo no ensino infatil, primário e secundário e será transversal a várias disciplinas.
SEM COMENTÁRIOS - A Comissão Europeia aprovou o princípio da concessão de financiamento estatal pela França à criação da CFII, Chaîne Française d’Information Internationale, o canal noticioso que pretende ser a resposta estatal francesa à privada norte-americana CNN. O novo canal será operado em conjunto pela FR 1 (privada, grupo Bouygues) e pela estação pública France Telévision. A declaração oficial da Comissão Europeia considera que «o projecto oferece garantias suficientes contra o risco de distorção da concorrência».
PRINCÍPIOS - Por ocasião da celebração do 25º aniversário da CNN, o seu fundador, Ted Turner, afirmou que a estação devia dedicar-se mais a cobrir o noticiário internacional e a falar do meio ambiente, em vez de privilegiar assuntos triviais e as desgraças e perversões do dia-a-dia. A afirmação foi feita num discurso aos colaboradores da CNN, no qual Turner sublinhou que o seu objectivo era que a CNN fosse uma referência do melhor jornalismo e não da informação tablóide.
AS CRIANÇAS E O DINHEIRO - A Merrill Lynch está a trabalhar em parceria com os produtores norte-americanos e criadores originais da «Rua Sésamo» para desenvolver conteúdos que incutam nas crianças uma percepção mais global do mundo actual e que as ensinem a lidar com questões financeiras. Esta firma de gestão de investimentos atribuíu cinco milhoes de dólares à Sesame Workshop, a produtora do programa, com o objectivo de fomentar a percepção entre as crianças dos cuidados a ter com o dinheiro, abordando questões como a poupança, os juros e o crédito, por exemplo. «Estamos a promover o conhecimento na área financeira, que é uma área decisiva do conhecimento pessoal no mundo contemporâneo» - sublinharam responsáveis do banco.
PAGAR – Cada vez que daqui a uns meses comprar um disco ou um livro, um quinto do que pago irá para o Estado. Na realidade um quinto de tudo o que eu comprar passará a ir para o Estado ladrão. É IVA demais. É um roubo. Em três anos o IVA em Portugal terá subido quatro por cento – e imposto que sobe, já se sabe, não baixa mais. Não há lógica, nem moral. Muito gostava de ver um estudo comparado, de leitura simples, sobre o IVA nos Estados da União Europeia. Em Portugal a maior parte do que ganhamos vai, directa ou indirectamente, para sustentar o Estado – que nem sequer funciona. É uma pouca-vergonha.
BACK TO BASICS – O objectivo da política não é a verdade, nem fazer o bem.
REMATE - Como diz Agustina Bessa-Luís, mais vale gerir o mal do que pregar o bem.
DESCOBRIR – Os novos trabalhos, pintura sobre papel, de Inez Teixeira continuam a expressar uma visão muito orgânica – mas nesta nova exposição aprofundam esse caminho e criam momentos quase viscerais de enorme impacto. «Cursor» é o título da exposição que fica no Palácio Nacional de Queluz até 21 de Agosto – boa ideia esta de expôr arte contemporãnea em salas tradicionais de palácios e monumentos nacionais, o IPPAR está de parabéns.
COMIDINHA – Aconteceu-me esta semana que redescobri o prazer das coisas simples no Santo António de Alfama, um restaurante no Beco de São Miguel. Local simpático, serviço atento, ambiente de bairro popular. Bons petiscos, boas entradas, preço razoável e uma esplanada agradável. A comandar (bem) as operações está agora um jovem actor, o José Pedro Vasconcelos. Tel. 218 881 328, fecha às terças.
ENSINAR A VER - O Governo da Catalunha vai lançar um programa de educação audiovisual que se destina a ensinar as crianças e os jovens a diferenciar ficção e realidade, onde encontrar informaçãoo, como interpretá-la e analisá-la e também adquirir conceitos referentes às mensagens publicitárias. A experiência vai arrancar em 50 escolas no próximo ano lectivo no ensino infatil, primário e secundário e será transversal a várias disciplinas.
SEM COMENTÁRIOS - A Comissão Europeia aprovou o princípio da concessão de financiamento estatal pela França à criação da CFII, Chaîne Française d’Information Internationale, o canal noticioso que pretende ser a resposta estatal francesa à privada norte-americana CNN. O novo canal será operado em conjunto pela FR 1 (privada, grupo Bouygues) e pela estação pública France Telévision. A declaração oficial da Comissão Europeia considera que «o projecto oferece garantias suficientes contra o risco de distorção da concorrência».
PRINCÍPIOS - Por ocasião da celebração do 25º aniversário da CNN, o seu fundador, Ted Turner, afirmou que a estação devia dedicar-se mais a cobrir o noticiário internacional e a falar do meio ambiente, em vez de privilegiar assuntos triviais e as desgraças e perversões do dia-a-dia. A afirmação foi feita num discurso aos colaboradores da CNN, no qual Turner sublinhou que o seu objectivo era que a CNN fosse uma referência do melhor jornalismo e não da informação tablóide.
AS CRIANÇAS E O DINHEIRO - A Merrill Lynch está a trabalhar em parceria com os produtores norte-americanos e criadores originais da «Rua Sésamo» para desenvolver conteúdos que incutam nas crianças uma percepção mais global do mundo actual e que as ensinem a lidar com questões financeiras. Esta firma de gestão de investimentos atribuíu cinco milhoes de dólares à Sesame Workshop, a produtora do programa, com o objectivo de fomentar a percepção entre as crianças dos cuidados a ter com o dinheiro, abordando questões como a poupança, os juros e o crédito, por exemplo. «Estamos a promover o conhecimento na área financeira, que é uma área decisiva do conhecimento pessoal no mundo contemporâneo» - sublinharam responsáveis do banco.
PAGAR – Cada vez que daqui a uns meses comprar um disco ou um livro, um quinto do que pago irá para o Estado. Na realidade um quinto de tudo o que eu comprar passará a ir para o Estado ladrão. É IVA demais. É um roubo. Em três anos o IVA em Portugal terá subido quatro por cento – e imposto que sobe, já se sabe, não baixa mais. Não há lógica, nem moral. Muito gostava de ver um estudo comparado, de leitura simples, sobre o IVA nos Estados da União Europeia. Em Portugal a maior parte do que ganhamos vai, directa ou indirectamente, para sustentar o Estado – que nem sequer funciona. É uma pouca-vergonha.
BACK TO BASICS – O objectivo da política não é a verdade, nem fazer o bem.
REMATE - Como diz Agustina Bessa-Luís, mais vale gerir o mal do que pregar o bem.
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OUVIR – Foi desta que me converti ao iPod. Comprei um dos mini, de 6 GB, e não quero outra coisa. Já meti lá dentro uma dúzia dos meus CD’s mais queridos e encontrei um novo hobby que é fazer listas das minhas canções e músicas preferidas e ir colocando-as na máquina. Agora mesmo estou a ouvir os Byrds – de que tinha saudades sem saber. Finalmente consigo ouvir os meus discos antigos em qualquer altura sem ter que carregar a casa atrás. E vou pondo e tirando as novidades, que dantes mal tinha tempo para ouvir em casa, metade delas descobertas no iTunes, como o novo dos Coldplay.
DESCOBRIR – Os novos trabalhos, pintura sobre papel, de Inez Teixeira continuam a expressar uma visão muito orgânica – mas nesta nova exposição aprofundam esse caminho e criam momentos quase viscerais de enorme impacto. «Cursor» é o título da exposição que fica no Palácio Nacional de Queluz até 21 de Agosto – boa ideia esta de expôr arte contemporãnea em salas tradicionais de palácios e monumentos nacionais, o IPPAR está de parabéns.
COMIDINHA – Aconteceu-me esta semana que redescobri o prazer das coisas simples no Santo António de Alfama, um restaurante no Beco de São Miguel. Local simpático, serviço atento, ambiente de bairro popular. Bons petiscos, boas entradas, preço razoável e uma esplanada agradável. A comandar (bem) as operações está agora um jovem actor, o José Pedro Vasconcelos. Tel. 218 881 328, fecha às terças.
ENSINAR A VER - O Governo da Catalunha vai lançar um programa de educação audiovisual que se destina a ensinar as crianças e os jovens a diferenciar ficção e realidade, onde encontrar informaçãoo, como interpretá-la e analisá-la e também adquirir conceitos referentes às mensagens publicitárias. A experiência vai arrancar em 50 escolas no próximo ano lectivo no ensino infatil, primário e secundário e será transversal a várias disciplinas.
SEM COMENTÁRIOS - A Comissão Europeia aprovou o princípio da concessão de financiamento estatal pela França à criação da CFII, Chaîne Française d’Information Internationale, o canal noticioso que pretende ser a resposta estatal francesa à privada norte-americana CNN. O novo canal será operado em conjunto pela FR 1 (privada, grupo Bouygues) e pela estação pública France Telévision. A declaração oficial da Comissão Europeia considera que «o projecto oferece garantias suficientes contra o risco de distorção da concorrência».
PRINCÍPIOS - Por ocasião da celebração do 25º aniversário da CNN, o seu fundador, Ted Turner, afirmou que a estação devia dedicar-se mais a cobrir o noticiário internacional e a falar do meio ambiente, em vez de privilegiar assuntos triviais e as desgraças e perversões do dia-a-dia. A afirmação foi feita num discurso aos colaboradores da CNN, no qual Turner sublinhou que o seu objectivo era que a CNN fosse uma referência do melhor jornalismo e não da informação tablóide.
AS CRIANÇAS E O DINHEIRO - A Merrill Lynch está a trabalhar em parceria com os produtores norte-americanos e criadores originais da «Rua Sésamo» para desenvolver conteúdos que incutam nas crianças uma percepção mais global do mundo actual e que as ensinem a lidar com questões financeiras. Esta firma de gestão de investimentos atribuíu cinco milhoes de dólares à Sesame Workshop, a produtora do programa, com o objectivo de fomentar a percepção entre as crianças dos cuidados a ter com o dinheiro, abordando questões como a poupança, os juros e o crédito, por exemplo. «Estamos a promover o conhecimento na área financeira, que é uma área decisiva do conhecimento pessoal no mundo contemporâneo» - sublinharam responsáveis do banco.
PAGAR – Cada vez que daqui a uns meses comprar um disco ou um livro, um quinto do que pago irá para o Estado. Na realidade um quinto de tudo o que eu comprar passará a ir para o Estado ladrão. É IVA demais. É um roubo. Em três anos o IVA em Portugal terá subido quatro por cento – e imposto que sobe, já se sabe, não baixa mais. Não há lógica, nem moral. Muito gostava de ver um estudo comparado, de leitura simples, sobre o IVA nos Estados da União Europeia. Em Portugal a maior parte do que ganhamos vai, directa ou indirectamente, para sustentar o Estado – que nem sequer funciona. É uma pouca-vergonha.
BACK TO BASICS – O objectivo da política não é a verdade, nem fazer o bem.
REMATE - Como diz Agustina Bessa-Luís, mais vale gerir o mal do que pregar o bem.
DESCOBRIR – Os novos trabalhos, pintura sobre papel, de Inez Teixeira continuam a expressar uma visão muito orgânica – mas nesta nova exposição aprofundam esse caminho e criam momentos quase viscerais de enorme impacto. «Cursor» é o título da exposição que fica no Palácio Nacional de Queluz até 21 de Agosto – boa ideia esta de expôr arte contemporãnea em salas tradicionais de palácios e monumentos nacionais, o IPPAR está de parabéns.
COMIDINHA – Aconteceu-me esta semana que redescobri o prazer das coisas simples no Santo António de Alfama, um restaurante no Beco de São Miguel. Local simpático, serviço atento, ambiente de bairro popular. Bons petiscos, boas entradas, preço razoável e uma esplanada agradável. A comandar (bem) as operações está agora um jovem actor, o José Pedro Vasconcelos. Tel. 218 881 328, fecha às terças.
ENSINAR A VER - O Governo da Catalunha vai lançar um programa de educação audiovisual que se destina a ensinar as crianças e os jovens a diferenciar ficção e realidade, onde encontrar informaçãoo, como interpretá-la e analisá-la e também adquirir conceitos referentes às mensagens publicitárias. A experiência vai arrancar em 50 escolas no próximo ano lectivo no ensino infatil, primário e secundário e será transversal a várias disciplinas.
SEM COMENTÁRIOS - A Comissão Europeia aprovou o princípio da concessão de financiamento estatal pela França à criação da CFII, Chaîne Française d’Information Internationale, o canal noticioso que pretende ser a resposta estatal francesa à privada norte-americana CNN. O novo canal será operado em conjunto pela FR 1 (privada, grupo Bouygues) e pela estação pública France Telévision. A declaração oficial da Comissão Europeia considera que «o projecto oferece garantias suficientes contra o risco de distorção da concorrência».
PRINCÍPIOS - Por ocasião da celebração do 25º aniversário da CNN, o seu fundador, Ted Turner, afirmou que a estação devia dedicar-se mais a cobrir o noticiário internacional e a falar do meio ambiente, em vez de privilegiar assuntos triviais e as desgraças e perversões do dia-a-dia. A afirmação foi feita num discurso aos colaboradores da CNN, no qual Turner sublinhou que o seu objectivo era que a CNN fosse uma referência do melhor jornalismo e não da informação tablóide.
AS CRIANÇAS E O DINHEIRO - A Merrill Lynch está a trabalhar em parceria com os produtores norte-americanos e criadores originais da «Rua Sésamo» para desenvolver conteúdos que incutam nas crianças uma percepção mais global do mundo actual e que as ensinem a lidar com questões financeiras. Esta firma de gestão de investimentos atribuíu cinco milhoes de dólares à Sesame Workshop, a produtora do programa, com o objectivo de fomentar a percepção entre as crianças dos cuidados a ter com o dinheiro, abordando questões como a poupança, os juros e o crédito, por exemplo. «Estamos a promover o conhecimento na área financeira, que é uma área decisiva do conhecimento pessoal no mundo contemporâneo» - sublinharam responsáveis do banco.
PAGAR – Cada vez que daqui a uns meses comprar um disco ou um livro, um quinto do que pago irá para o Estado. Na realidade um quinto de tudo o que eu comprar passará a ir para o Estado ladrão. É IVA demais. É um roubo. Em três anos o IVA em Portugal terá subido quatro por cento – e imposto que sobe, já se sabe, não baixa mais. Não há lógica, nem moral. Muito gostava de ver um estudo comparado, de leitura simples, sobre o IVA nos Estados da União Europeia. Em Portugal a maior parte do que ganhamos vai, directa ou indirectamente, para sustentar o Estado – que nem sequer funciona. É uma pouca-vergonha.
BACK TO BASICS – O objectivo da política não é a verdade, nem fazer o bem.
REMATE - Como diz Agustina Bessa-Luís, mais vale gerir o mal do que pregar o bem.
junho 09, 2005
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