outubro 31, 2003

A ESQUINA IMPRESSA
Como hoje é sexta, a Esquina tem edição no Jornal de Negócios. Excertos:
A justiça e a política são por si só, isoladamente ou em conjunto, os dois maiores factores de risco e desconfiança na sociedade portuguesa. Quando acontece uma coisa destas – que muitos cidadãos desconfiem da política e dos políticos e da justiça e dos magistrados e advogados – caminhamos perigosamente para o descrédito total em dois pilares básicos da sociedade: a participação cívica e o respeito pela Lei. Muito mais que os indicadores de conjuntura económica é isto que me preocupa seriamente.

Agora há muita politiquice e muito comentador mas falta debate político, faltam programas de frente a frente – só a SIC Notícias os tem hoje em dia no universo da televisão. Os debates foram substituídos por comentadores a solo e não tenho a certeza que o público ganhe com isso. De uma assentada só desapareceu o «Flashback» da TSF e o debate Santana Lopes- Sócrates da RTP. Por muitos problemas formais que estes formatos pudessem ter fazem falta espaços de troca de ideias, de confronto saudável, de picardia. Eu gosto de ouvir discutir, argumentar, contra-atacar e não estou certo que os monólogos sejam a melhor solução a médio prazo. Uma coisa é certa: o confronto de opiniões já perdeu. Provavelmente o confronto devia ser fora do espaço dos jornais, devia ser produzido de forma diferente, devia ser mais focado na discussão que no mero comentário, mas é inegável que da forma como as coisas estão a evoluir é o interesse pela coisa política que fica a perder.

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A ESQUINA IMPRESSA

Como hoje é sexta, a Esquina tem edição no Jornal de Negócios. Excertos:

A justiça e a política são por si só, isoladamente ou em conjunto, os dois maiores factores de risco e desconfiança na sociedade portuguesa. Quando acontece uma coisa destas – que muitos cidadãos desconfiem da política e dos políticos e da justiça e dos magistrados e advogados – caminhamos perigosamente para o descrédito total em dois pilares básicos da sociedade: a participação cívica e o respeito pela Lei. Muito mais que os indicadores de conjuntura económica é isto que me preocupa seriamente.



Agora há muita politiquice e muito comentador mas falta debate político, faltam programas de frente a frente – só a SIC Notícias os tem hoje em dia no universo da televisão. Os debates foram substituídos por comentadores a solo e não tenho a certeza que o público ganhe com isso. De uma assentada só desapareceu o «Flashback» da TSF e o debate Santana Lopes- Sócrates da RTP. Por muitos problemas formais que estes formatos pudessem ter fazem falta espaços de troca de ideias, de confronto saudável, de picardia. Eu gosto de ouvir discutir, argumentar, contra-atacar e não estou certo que os monólogos sejam a melhor solução a médio prazo. Uma coisa é certa: o confronto de opiniões já perdeu. Provavelmente o confronto devia ser fora do espaço dos jornais, devia ser produzido de forma diferente, devia ser mais focado na discussão que no mero comentário, mas é inegável que da forma como as coisas estão a evoluir é o interesse pela coisa política que fica a perder.



TRABALHO
Há duas circunstâncias em que as pessoas se revelam, para o bem e para o mal: em viagens, onde rapidamente os defeitos e as qualidades saltam ao de cima; e no trabalho, onde o processo é mais lento, mas acaba por se estabelecer. No trabalho percebe-se bem a noção que têm do funcionamento as diversas pessoas. Basicamente há aquelas que se preocupam em avançar, pensar na melhor forma de fazer as coisas, de ultrapassar obstáculos e de atingir objectivos; e há os que vivem na permanente busca de problemas, os que gostam de dificultar, os que dizem não só porque dizer não é a única coisa que sabem fazer bem na vida.
Nos últimos meses encontrei dos dois e tive o gosto de descobrir novas pessoas que são cruciais no avanço dos projectos, que se empenham em encontrar soluções, que mobilizam equipas; claro que também encontrei o verso desta moeda: os que se agarram ao passado, os que não querem mudar e - pior - não querem deixar as organizações mudarem e melhorarem.
O mais curioso de tudo é que até fora das organizações estas pessoas dão nas vistas e são apontadas a dedo. É bom que assim seja.

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TRABALHO

Há duas circunstâncias em que as pessoas se revelam, para o bem e para o mal: em viagens, onde rapidamente os defeitos e as qualidades saltam ao de cima; e no trabalho, onde o processo é mais lento, mas acaba por se estabelecer. No trabalho percebe-se bem a noção que têm do funcionamento as diversas pessoas. Basicamente há aquelas que se preocupam em avançar, pensar na melhor forma de fazer as coisas, de ultrapassar obstáculos e de atingir objectivos; e há os que vivem na permanente busca de problemas, os que gostam de dificultar, os que dizem não só porque dizer não é a única coisa que sabem fazer bem na vida.

Nos últimos meses encontrei dos dois e tive o gosto de descobrir novas pessoas que são cruciais no avanço dos projectos, que se empenham em encontrar soluções, que mobilizam equipas; claro que também encontrei o verso desta moeda: os que se agarram ao passado, os que não querem mudar e - pior - não querem deixar as organizações mudarem e melhorarem.

O mais curioso de tudo é que até fora das organizações estas pessoas dão nas vistas e são apontadas a dedo. É bom que assim seja.

VENTO
A ventania é das coisas que mais detesto. Vivo bem com o frio, volta e meia acho graça à chuva, não gosto demasiado do calor, mas a ventania deixa-me completamente irritado. Se misturarmos o vento com a chuva, então estraga-se tudo. A noite passada foi horrível - adormeço bem com o barulho da chuva, mesmo as trovoadas não me incomodam, mas a a ventania pura e simplesmente não me deixa dormir. Uma seca portanto.

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VENTO

A ventania é das coisas que mais detesto. Vivo bem com o frio, volta e meia acho graça à chuva, não gosto demasiado do calor, mas a ventania deixa-me completamente irritado. Se misturarmos o vento com a chuva, então estraga-se tudo. A noite passada foi horrível - adormeço bem com o barulho da chuva, mesmo as trovoadas não me incomodam, mas a a ventania pura e simplesmente não me deixa dormir. Uma seca portanto.

outubro 28, 2003

SAMPAIO
Foi talvez a melhor entrevista de Sampaio ao longo dos anos que leva como Presidente. Teve humor, franqueza e bom senso - coisas raras (até em separado, quanto mais em simultâneo) num político no activo.

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SAMPAIO

Foi talvez a melhor entrevista de Sampaio ao longo dos anos que leva como Presidente. Teve humor, franqueza e bom senso - coisas raras (até em separado, quanto mais em simultâneo) num político no activo.

O MEU CHÁ
Todos os dias à noite faço um bule de chá verde, que levo para o escritório no dia seguinte dentro de uma botija de alumínio. Vou-o beberricando, frio, ao longo do dia. É uma antiga rotina que me sabe bem: porque gosto de chá e porque fica toda a gente intrigada sobre a verdadeira natureza do líquido que a minha inseparável botijinha transporta.
À tarde gostaria de um bom darjeeling para repôr os pensamentos em ordem - mas geralmente tenho pouca sorte e raramente alcanço este objectivo. O darjeeling é dos chás pretos que mais gosto, com o seu aroma intenso, o seu travo acentuado. Gosto dele forte.
Nunca ponho açucar no chá - parece-me impensável aliás. Estranho porque no café preciso sempre de um pouco de doce. E café é coisa que, geralmente, só tomo de manhã e a seguir ao almoço.
À noite gosto de rematar o dia com uma infusão de cidreira. É meio caminho andado para uma noite bem passada.

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O MEU CHÁ

Todos os dias à noite faço um bule de chá verde, que levo para o escritório no dia seguinte dentro de uma botija de alumínio. Vou-o beberricando, frio, ao longo do dia. É uma antiga rotina que me sabe bem: porque gosto de chá e porque fica toda a gente intrigada sobre a verdadeira natureza do líquido que a minha inseparável botijinha transporta.

À tarde gostaria de um bom darjeeling para repôr os pensamentos em ordem - mas geralmente tenho pouca sorte e raramente alcanço este objectivo. O darjeeling é dos chás pretos que mais gosto, com o seu aroma intenso, o seu travo acentuado. Gosto dele forte.

Nunca ponho açucar no chá - parece-me impensável aliás. Estranho porque no café preciso sempre de um pouco de doce. E café é coisa que, geralmente, só tomo de manhã e a seguir ao almoço.

À noite gosto de rematar o dia com uma infusão de cidreira. É meio caminho andado para uma noite bem passada.
JULGAMENTO
Para além do carnaval mediático, hoje é um dia importante. Podem surgir as primeiras pistas sobre a seriedade da investigação e sobre a vontade em levar a justiça para primeiro plano. O meu único desejo é que a culpa não morra solteira e que depois de tanto alarde e tanta pressão as vítimas não sejam transformadas em relíquias processuais.

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JULGAMENTO

Para além do carnaval mediático, hoje é um dia importante. Podem surgir as primeiras pistas sobre a seriedade da investigação e sobre a vontade em levar a justiça para primeiro plano. O meu único desejo é que a culpa não morra solteira e que depois de tanto alarde e tanta pressão as vítimas não sejam transformadas em relíquias processuais.

outubro 27, 2003

O NOME É TUDO
Na Biblioteca Nacional abriu uma exposição que apetece ir ver só pelo nome: «Antes das Playstations, 200 anos de romance de aventuras em Portugal». Está até 24 de janeiro, de 2ª a sexta entre as 10 e as 19 horas e sábados das 10 ás 17. Força espadachins!

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O NOME É TUDO

Na Biblioteca Nacional abriu uma exposição que apetece ir ver só pelo nome: «Antes das Playstations, 200 anos de romance de aventuras em Portugal». Está até 24 de janeiro, de 2ª a sexta entre as 10 e as 19 horas e sábados das 10 ás 17. Força espadachins!

outubro 24, 2003

A ESQUINA IMPRESSA
Porque hoje é sexta feira, é dia d'A Esquina aparecer impressa no «Jornal de Negócios»-
Excertos:
Dediquei o meu fim de semana a ler dois livros: «Confissões de Um Director de Jornal» e «The Mammoth Book Of Journalism». O primeiro, cómico, é editado pela Dom Quixote e relata as memórias de certa fase da vida de José António Saraiva como director do «Expresso». O outro, coisa séria, é uma colectânea de textos de grandes jornalistas, seleccionados e editados por Jon E. Lewis e publicados pela Robinson.
Vale a pena aqui dizer que eu próprio integrei a redacção do «Expresso» e participei nas animadas reuniões de segunda-feira à hora de almoço em que Vicente Jorge Silva ironizava, brilhantemente, sobre o primeiro caderno, enquanto o autor do livro ora publicado escarnecia com desdém, e sem rasgo, das preocupações da «Revista», que então dava os primeiros passos, ainda integralmente em papel de jornal.
ao longo das suas 550 páginas «The Mammoth Book Of Journalism» publica reportagens que ficaram na História, desde o relato da morte pela guilhotina de um homem, em Roma, ocorrido em 1845, escrito por Charles Dickens, até uma actualíssima reportagem de um bombardeamento a Bagdade em 2003, feito por Robert Fisk. Pelo meio ficam os históricos relatos da Convenção Republicana de 1972 por Hunter S. Thomson, o texto de Gore Vidal sobre a experiência de um americano na Mongólia em 1982 e ainda um retrato de Spielberg feito por Martin Amis no mesmo ano. Espalhadas pelas páginas do livro estão reportagens e relatos de George Orwell, Ernest Hemingway, Mark Twain, Winston Churchill, Jack London, John dos Passos, Dorothy Parker, John Reed, John Steinbek, Tom Wolfe ou James Cameron. Esta é daquelas leituras que falta a muita gente – para ao menos quando falam sobre jornalismo e comunicação poderem ter uma ideia sobre a essência daquilo que dizem.

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A ESQUINA IMPRESSA

Porque hoje é sexta feira, é dia d'A Esquina aparecer impressa no «Jornal de Negócios»-

Excertos:

Dediquei o meu fim de semana a ler dois livros: «Confissões de Um Director de Jornal» e «The Mammoth Book Of Journalism». O primeiro, cómico, é editado pela Dom Quixote e relata as memórias de certa fase da vida de José António Saraiva como director do «Expresso». O outro, coisa séria, é uma colectânea de textos de grandes jornalistas, seleccionados e editados por Jon E. Lewis e publicados pela Robinson.

Vale a pena aqui dizer que eu próprio integrei a redacção do «Expresso» e participei nas animadas reuniões de segunda-feira à hora de almoço em que Vicente Jorge Silva ironizava, brilhantemente, sobre o primeiro caderno, enquanto o autor do livro ora publicado escarnecia com desdém, e sem rasgo, das preocupações da «Revista», que então dava os primeiros passos, ainda integralmente em papel de jornal.

ao longo das suas 550 páginas «The Mammoth Book Of Journalism» publica reportagens que ficaram na História, desde o relato da morte pela guilhotina de um homem, em Roma, ocorrido em 1845, escrito por Charles Dickens, até uma actualíssima reportagem de um bombardeamento a Bagdade em 2003, feito por Robert Fisk. Pelo meio ficam os históricos relatos da Convenção Republicana de 1972 por Hunter S. Thomson, o texto de Gore Vidal sobre a experiência de um americano na Mongólia em 1982 e ainda um retrato de Spielberg feito por Martin Amis no mesmo ano. Espalhadas pelas páginas do livro estão reportagens e relatos de George Orwell, Ernest Hemingway, Mark Twain, Winston Churchill, Jack London, John dos Passos, Dorothy Parker, John Reed, John Steinbek, Tom Wolfe ou James Cameron. Esta é daquelas leituras que falta a muita gente – para ao menos quando falam sobre jornalismo e comunicação poderem ter uma ideia sobre a essência daquilo que dizem.



INDEPENDÊNCIA
Excerto da minha coluna de hoje em »O Independente»
...O facto de cada um de nós ter uma posição própria deve levar a ser ainda mais cuidadoso a garantir a respectiva independência na vida profissional, nas posições que toma. Todos temos o direito a ter opções políticas, a ter posições críticas, a pensar pela nossa cabeça. E é bom que aqueles que de alguma forma têm vida pública sejam conhecidos por aquilo que pensam e não sejam hipócritas ao ponto de considerar que a independência é a ausência de posição.
Em Portugal, infelizmente, são aqueles que não pensam «de esquerda», que são mais acusados de não serem independentes. É como se a independência fosse conciliável com uma filiação ideológica de esquerda, mas incompatível com uma de direita.

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INDEPENDÊNCIA

Excerto da minha coluna de hoje em »O Independente»

...O facto de cada um de nós ter uma posição própria deve levar a ser ainda mais cuidadoso a garantir a respectiva independência na vida profissional, nas posições que toma. Todos temos o direito a ter opções políticas, a ter posições críticas, a pensar pela nossa cabeça. E é bom que aqueles que de alguma forma têm vida pública sejam conhecidos por aquilo que pensam e não sejam hipócritas ao ponto de considerar que a independência é a ausência de posição.

Em Portugal, infelizmente, são aqueles que não pensam «de esquerda», que são mais acusados de não serem independentes. É como se a independência fosse conciliável com uma filiação ideológica de esquerda, mas incompatível com uma de direita.