outubro 20, 2003

POPULISMO
Alguns bem pensantes fartam-se de atacar o populismo. Depois dos últimos dias fico com uma dúvida: expressões como «estou-me a cagar», «à canelada» ou «são todos uns merdas» também serão sinal de populismo? Será que vamos assistir às críticas aos autores destas frases no contexto da actuação da justiça?

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POPULISMO

Alguns bem pensantes fartam-se de atacar o populismo. Depois dos últimos dias fico com uma dúvida: expressões como «estou-me a cagar», «à canelada» ou «são todos uns merdas» também serão sinal de populismo? Será que vamos assistir às críticas aos autores destas frases no contexto da actuação da justiça?

outubro 19, 2003

UM FILME
Trata-se de um diário sobre o processo de concepção, espera-se que pré-produção e, espera-se também, produção de um filme. Chama-se O Mistério da Serra de Sintra e é do meu amigo Jorge Paixão da Costa.
Citação:
O Telles telefonou-me:
"Tens alguma coisa para o ICAM?"
"Tenho!"
"A sim? O quê?"
"Uma vontade enorme de lhes explicar umas coisas sobre a lei do cinema"

O Telles ficou mudo. Fez-se um silêncio. E quando eu pensava que estava tudo dito, ele deve ter acabado o que estava a fazer e redisse-me:

"Tens alguma coisa para o ICAM, um guião?
Tenho, mas não é completamente meu!
É de quem?"
É do Eça.
Não faz mal, eu falo com ele!
O melhor é falar com o Efe.
Com o Efe ou com o Eça?
Com o Efe!
Porquê?
Porque o Efe é que falou com uma senhora..."

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UM FILME

Trata-se de um diário sobre o processo de concepção, espera-se que pré-produção e, espera-se também, produção de um filme. Chama-se O Mistério da Serra de Sintra e é do meu amigo Jorge Paixão da Costa.

Citação:

O Telles telefonou-me:

"Tens alguma coisa para o ICAM?"

"Tenho!"

"A sim? O quê?"

"Uma vontade enorme de lhes explicar umas coisas sobre a lei do cinema"



O Telles ficou mudo. Fez-se um silêncio. E quando eu pensava que estava tudo dito, ele deve ter acabado o que estava a fazer e redisse-me:



"Tens alguma coisa para o ICAM, um guião?

Tenho, mas não é completamente meu!

É de quem?"

É do Eça.

Não faz mal, eu falo com ele!

O melhor é falar com o Efe.

Com o Efe ou com o Eça?

Com o Efe!

Porquê?

Porque o Efe é que falou com uma senhora..."



JÁ GANHEI O DIA
Regressou o Guerra e Pas. E em grande forma. Com coisas picantes e deliciosas. E, como sempre, muito boas considerações.

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JÁ GANHEI O DIA

Regressou o Guerra e Pas. E em grande forma. Com coisas picantes e deliciosas. E, como sempre, muito boas considerações.

outubro 18, 2003

LER
Nada de actores.
(Nada de direcção de actores.)
Nada de personagens.
(Nada de estudo de personagens.)
Nada de mise en scène.
Antes a utilização de modelos, tirados da vida.
SER (modelos) em lugar de PARECER (actores).


As palavras são de Robert Bresson, citadas pelo Filipe, no Intrusos .

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LER

Nada de actores.

(Nada de direcção de actores.)

Nada de personagens.

(Nada de estudo de personagens.)

Nada de mise en scène.

Antes a utilização de modelos, tirados da vida.

SER (modelos) em lugar de PARECER (actores).





As palavras são de Robert Bresson, citadas pelo Filipe, no Intrusos .
ÓCULOS
Reparamos que estamos a ficar mais velhos quando à volta da mesa de jantar todos puxam dos óculos de ver ao perto para ler a ementa. Foi o que ontem me aconteceu com um grupo de amigos, ao jantar, num restaurante. Tirando isso divertimo-nos à grande, comemos bem e tivemos muito boas vistas.

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ÓCULOS

Reparamos que estamos a ficar mais velhos quando à volta da mesa de jantar todos puxam dos óculos de ver ao perto para ler a ementa. Foi o que ontem me aconteceu com um grupo de amigos, ao jantar, num restaurante. Tirando isso divertimo-nos à grande, comemos bem e tivemos muito boas vistas.
UM NOVO SENTIDO DA POLíTICA
Tou-me cagando para o segredo de justiça - relatam os jornais de hoje que a afirmação foi proferida por Ferro Rodrigues nas célebres escutas telefónicas. É sempre elucidativo ver um político deixar-se de hipocrisias e dizer o que pensa de facto, sem ter em conta as necessidade de manter uma aparência de sentido democrático. Bom, bom era saber mais coisas sobre o comportamento e dos ditos dos políticos na intimidade, versus as suas afirmações públicas. Confrontar a teoria com a prática é sempre muito útil.

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UM NOVO SENTIDO DA POLíTICA

Tou-me cagando para o segredo de justiça - relatam os jornais de hoje que a afirmação foi proferida por Ferro Rodrigues nas célebres escutas telefónicas. É sempre elucidativo ver um político deixar-se de hipocrisias e dizer o que pensa de facto, sem ter em conta as necessidade de manter uma aparência de sentido democrático. Bom, bom era saber mais coisas sobre o comportamento e dos ditos dos políticos na intimidade, versus as suas afirmações públicas. Confrontar a teoria com a prática é sempre muito útil.

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GOMICE

O léxico político português adquiriu nesta semana uma nova expressão: gomice. Trata-se de uma afirmação destemperada e despropositada feita apenas para provocar alarido. Deriva do comportamento de Ana Gomes. Diz-se que a dirigente socialista ficou pior e começou a fazer mais gomices quando percebeu que afinal perdeu a possibilidade de ser a primeira mulher a ocupar a pasta dos negócios estrangeiros em Portugal.
GOMICE
O léxico político português adquiriu nesta semana uma nova expressão: gomice. Trata-se de uma afirmação destemperada e despropositada feita apenas para provocar alarido. Deriva do comportamento de Ana Gomes. Diz-se que a dirigente socialista ficou pior e começou a fazer mais gomices quando percebeu que afinal perdeu a possibilidade de ser a primeira mulher a ocupar a pasta dos negócios estrangeiros em Portugal.
O CÓDIGO DE CONDUTA
Parece que um jornalista do «Expresso» adquiriu umas acções de determinada empresa para poder estar na respectiva Assembleia Geral e, assim, poder depois escrever sobre o que lá se passara. No meu tempo o Código Deontológico dos jornalistas reprovava a prática de reportar sem que o repórter se tivesse claramente identificado como jornalista. Quer-me parecer que o célebre Código de Conduta do «Expresso» também não concorda com o método da reportagem-espionagem. Esperava que alguém do próprio jornal explicasse hoje aos leitores o que se passara, porquê e o que a Direcção da publicação pensava do assunto. Nada. Nadinha. Giro, não é?

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O CÓDIGO DE CONDUTA

Parece que um jornalista do «Expresso» adquiriu umas acções de determinada empresa para poder estar na respectiva Assembleia Geral e, assim, poder depois escrever sobre o que lá se passara. No meu tempo o Código Deontológico dos jornalistas reprovava a prática de reportar sem que o repórter se tivesse claramente identificado como jornalista. Quer-me parecer que o célebre Código de Conduta do «Expresso» também não concorda com o método da reportagem-espionagem. Esperava que alguém do próprio jornal explicasse hoje aos leitores o que se passara, porquê e o que a Direcção da publicação pensava do assunto. Nada. Nadinha. Giro, não é?

PORTUGUÊS
No meio da confusão desta semana nem tinha dado pela polémica sobre os livros de português para o 10º ano. Percebo agora que por causa da reforma da ex-secretária de estado da Educação do Governo do PS, Ana Benavente, os alunos não são levados a ler literatura portuguesa. Em alternativa à literatura são encaminhados para o regulamento do Big Brother e pormenores deste «reality-show». Eu até sou capaz de perceber que por detrás das recomendações programáticas em torno da televisão pode, eventualmente, estar um desejo de estimular o espírito crítico e de incentivar a descodificação, coisa pouco habitual em Portugal - levar os adolescentes a interpretar a realidade e a perceber o porquê das coisas não é mau. Mau é levá-los a isso sem antes os ter entusiasmado com a aventura dos livros. Mau é ceder-se todo o terreno à televisão. Mau é não tentar que eles percebem como nasce uma história escrita.

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PORTUGUÊS

No meio da confusão desta semana nem tinha dado pela polémica sobre os livros de português para o 10º ano. Percebo agora que por causa da reforma da ex-secretária de estado da Educação do Governo do PS, Ana Benavente, os alunos não são levados a ler literatura portuguesa. Em alternativa à literatura são encaminhados para o regulamento do Big Brother e pormenores deste «reality-show». Eu até sou capaz de perceber que por detrás das recomendações programáticas em torno da televisão pode, eventualmente, estar um desejo de estimular o espírito crítico e de incentivar a descodificação, coisa pouco habitual em Portugal - levar os adolescentes a interpretar a realidade e a perceber o porquê das coisas não é mau. Mau é levá-los a isso sem antes os ter entusiasmado com a aventura dos livros. Mau é ceder-se todo o terreno à televisão. Mau é não tentar que eles percebem como nasce uma história escrita.
BOLAS PARA O SAPO
A minha ligação doméstica ADSL do SAPO tem andado irritante na última semana: lentidão, muitas vezes indisponível durante horas seguidas. Isto é daquelas coisas que me irrita - ainda por cima ninguém explica o que se passa no serviço de apoio, tentam despachar. Enfim uma desgraça.

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BOLAS PARA O SAPO

A minha ligação doméstica ADSL do SAPO tem andado irritante na última semana: lentidão, muitas vezes indisponível durante horas seguidas. Isto é daquelas coisas que me irrita - ainda por cima ninguém explica o que se passa no serviço de apoio, tentam despachar. Enfim uma desgraça.