outubro 18, 2003

ÓCULOS
Reparamos que estamos a ficar mais velhos quando à volta da mesa de jantar todos puxam dos óculos de ver ao perto para ler a ementa. Foi o que ontem me aconteceu com um grupo de amigos, ao jantar, num restaurante. Tirando isso divertimo-nos à grande, comemos bem e tivemos muito boas vistas.

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ÓCULOS

Reparamos que estamos a ficar mais velhos quando à volta da mesa de jantar todos puxam dos óculos de ver ao perto para ler a ementa. Foi o que ontem me aconteceu com um grupo de amigos, ao jantar, num restaurante. Tirando isso divertimo-nos à grande, comemos bem e tivemos muito boas vistas.
UM NOVO SENTIDO DA POLíTICA
Tou-me cagando para o segredo de justiça - relatam os jornais de hoje que a afirmação foi proferida por Ferro Rodrigues nas célebres escutas telefónicas. É sempre elucidativo ver um político deixar-se de hipocrisias e dizer o que pensa de facto, sem ter em conta as necessidade de manter uma aparência de sentido democrático. Bom, bom era saber mais coisas sobre o comportamento e dos ditos dos políticos na intimidade, versus as suas afirmações públicas. Confrontar a teoria com a prática é sempre muito útil.

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UM NOVO SENTIDO DA POLíTICA

Tou-me cagando para o segredo de justiça - relatam os jornais de hoje que a afirmação foi proferida por Ferro Rodrigues nas célebres escutas telefónicas. É sempre elucidativo ver um político deixar-se de hipocrisias e dizer o que pensa de facto, sem ter em conta as necessidade de manter uma aparência de sentido democrático. Bom, bom era saber mais coisas sobre o comportamento e dos ditos dos políticos na intimidade, versus as suas afirmações públicas. Confrontar a teoria com a prática é sempre muito útil.

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GOMICE

O léxico político português adquiriu nesta semana uma nova expressão: gomice. Trata-se de uma afirmação destemperada e despropositada feita apenas para provocar alarido. Deriva do comportamento de Ana Gomes. Diz-se que a dirigente socialista ficou pior e começou a fazer mais gomices quando percebeu que afinal perdeu a possibilidade de ser a primeira mulher a ocupar a pasta dos negócios estrangeiros em Portugal.
GOMICE
O léxico político português adquiriu nesta semana uma nova expressão: gomice. Trata-se de uma afirmação destemperada e despropositada feita apenas para provocar alarido. Deriva do comportamento de Ana Gomes. Diz-se que a dirigente socialista ficou pior e começou a fazer mais gomices quando percebeu que afinal perdeu a possibilidade de ser a primeira mulher a ocupar a pasta dos negócios estrangeiros em Portugal.
O CÓDIGO DE CONDUTA
Parece que um jornalista do «Expresso» adquiriu umas acções de determinada empresa para poder estar na respectiva Assembleia Geral e, assim, poder depois escrever sobre o que lá se passara. No meu tempo o Código Deontológico dos jornalistas reprovava a prática de reportar sem que o repórter se tivesse claramente identificado como jornalista. Quer-me parecer que o célebre Código de Conduta do «Expresso» também não concorda com o método da reportagem-espionagem. Esperava que alguém do próprio jornal explicasse hoje aos leitores o que se passara, porquê e o que a Direcção da publicação pensava do assunto. Nada. Nadinha. Giro, não é?

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O CÓDIGO DE CONDUTA

Parece que um jornalista do «Expresso» adquiriu umas acções de determinada empresa para poder estar na respectiva Assembleia Geral e, assim, poder depois escrever sobre o que lá se passara. No meu tempo o Código Deontológico dos jornalistas reprovava a prática de reportar sem que o repórter se tivesse claramente identificado como jornalista. Quer-me parecer que o célebre Código de Conduta do «Expresso» também não concorda com o método da reportagem-espionagem. Esperava que alguém do próprio jornal explicasse hoje aos leitores o que se passara, porquê e o que a Direcção da publicação pensava do assunto. Nada. Nadinha. Giro, não é?

PORTUGUÊS
No meio da confusão desta semana nem tinha dado pela polémica sobre os livros de português para o 10º ano. Percebo agora que por causa da reforma da ex-secretária de estado da Educação do Governo do PS, Ana Benavente, os alunos não são levados a ler literatura portuguesa. Em alternativa à literatura são encaminhados para o regulamento do Big Brother e pormenores deste «reality-show». Eu até sou capaz de perceber que por detrás das recomendações programáticas em torno da televisão pode, eventualmente, estar um desejo de estimular o espírito crítico e de incentivar a descodificação, coisa pouco habitual em Portugal - levar os adolescentes a interpretar a realidade e a perceber o porquê das coisas não é mau. Mau é levá-los a isso sem antes os ter entusiasmado com a aventura dos livros. Mau é ceder-se todo o terreno à televisão. Mau é não tentar que eles percebem como nasce uma história escrita.

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PORTUGUÊS

No meio da confusão desta semana nem tinha dado pela polémica sobre os livros de português para o 10º ano. Percebo agora que por causa da reforma da ex-secretária de estado da Educação do Governo do PS, Ana Benavente, os alunos não são levados a ler literatura portuguesa. Em alternativa à literatura são encaminhados para o regulamento do Big Brother e pormenores deste «reality-show». Eu até sou capaz de perceber que por detrás das recomendações programáticas em torno da televisão pode, eventualmente, estar um desejo de estimular o espírito crítico e de incentivar a descodificação, coisa pouco habitual em Portugal - levar os adolescentes a interpretar a realidade e a perceber o porquê das coisas não é mau. Mau é levá-los a isso sem antes os ter entusiasmado com a aventura dos livros. Mau é ceder-se todo o terreno à televisão. Mau é não tentar que eles percebem como nasce uma história escrita.
BOLAS PARA O SAPO
A minha ligação doméstica ADSL do SAPO tem andado irritante na última semana: lentidão, muitas vezes indisponível durante horas seguidas. Isto é daquelas coisas que me irrita - ainda por cima ninguém explica o que se passa no serviço de apoio, tentam despachar. Enfim uma desgraça.

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BOLAS PARA O SAPO

A minha ligação doméstica ADSL do SAPO tem andado irritante na última semana: lentidão, muitas vezes indisponível durante horas seguidas. Isto é daquelas coisas que me irrita - ainda por cima ninguém explica o que se passa no serviço de apoio, tentam despachar. Enfim uma desgraça.

outubro 17, 2003

ESQUIRE
(excertos da edição impressa da Esquina da semana passada)
Leio a «Esquire» regularmente desde há uns 20 anos. Habituei-me às suas secções. Gosto de ver as suas páginas, de ler os seus artigos, de descobrir as suas revelações.
Muito da «Esquire» tem a ver com revelações. Com descobertas. Com o criar de um estilo, de uma moda. Com o mostrar o que ainda não tinha sido mostrado. Com o explicar o que se pensava não poder ter explicação.
Nas suas exemplares entrevistas descobri pessoas onde antes só via celebridades. Isto não é dizer pouco de quem fez estas entrevistas. Ao longo da minha vida de jornalista, quando tive oportunidade de fazer entrevistas (muito menos vezes do que gostaria) foi este o estilo que tentei seguir. Muitas vezes inspirei-me em ideias da «Esquire» para alinhar eu próprio secções e edições.
A «Esquire»começou há setenta anos nos Estados Unidos, no meio da Depressão. Era a primeira revista americana direccionada para homens. Não mudou de rumo desde então. A edição de Outubro da «Esquire» celebra os 70 anos da revista em grande estilo. Em primeiro lugar, esta edição reproduz integralmente o artigo que os actuais editores consideram como o melhor de todos os que a revista publicou ao longo da sua existência – trata-se de um perfil de Frank Sinatra, escrito em 1966 por Gay Talese, um dos grandes talentos da «Esquire» e que com esta peça ajudou a redefinir o que é a escrita jornalística em revistas. Chama-se «Frank Sinatra Has A Cold» e vem em separata destacável para guardar.
Igualmente imperdíveis (bolas, detesto esta palavra – mas aqui aplica-se) são as colectâneas de conselhos da já citada secção «Man At His Best» (nos anos 30 aconselhava que a melhor forma de tratar uma senhora era pôr uma gotas de gin no seu copo de água...), mas também as 50 melhores capas da publicação (incluindo o Pai Natal negro de Dezembro de 1963 que levou a desmarcações de publicidade nas edições seguintes no valor de um milhão de dolares...), uma retrospectiva da história da revista, as 70 melhores frases de sempre da «Esquire» e uma ficação sobre como seria John F. Kennedy se ele hoje estivesse vivo e com 86 anos.
Este, acreditem caros amigos, é mesmo um número de colecção, que vale bem mais que muitos livros. Está bem guardadinho na minha estante e já me deu várias noites de prazer. É mais do que se pode dizer da generalidade do que acontece hoje em dia.


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ESQUIRE

(excertos da edição impressa da Esquina da semana passada)

Leio a «Esquire» regularmente desde há uns 20 anos. Habituei-me às suas secções. Gosto de ver as suas páginas, de ler os seus artigos, de descobrir as suas revelações.

Muito da «Esquire» tem a ver com revelações. Com descobertas. Com o criar de um estilo, de uma moda. Com o mostrar o que ainda não tinha sido mostrado. Com o explicar o que se pensava não poder ter explicação.

Nas suas exemplares entrevistas descobri pessoas onde antes só via celebridades. Isto não é dizer pouco de quem fez estas entrevistas. Ao longo da minha vida de jornalista, quando tive oportunidade de fazer entrevistas (muito menos vezes do que gostaria) foi este o estilo que tentei seguir. Muitas vezes inspirei-me em ideias da «Esquire» para alinhar eu próprio secções e edições.

A «Esquire»começou há setenta anos nos Estados Unidos, no meio da Depressão. Era a primeira revista americana direccionada para homens. Não mudou de rumo desde então. A edição de Outubro da «Esquire» celebra os 70 anos da revista em grande estilo. Em primeiro lugar, esta edição reproduz integralmente o artigo que os actuais editores consideram como o melhor de todos os que a revista publicou ao longo da sua existência – trata-se de um perfil de Frank Sinatra, escrito em 1966 por Gay Talese, um dos grandes talentos da «Esquire» e que com esta peça ajudou a redefinir o que é a escrita jornalística em revistas. Chama-se «Frank Sinatra Has A Cold» e vem em separata destacável para guardar.

Igualmente imperdíveis (bolas, detesto esta palavra – mas aqui aplica-se) são as colectâneas de conselhos da já citada secção «Man At His Best» (nos anos 30 aconselhava que a melhor forma de tratar uma senhora era pôr uma gotas de gin no seu copo de água...), mas também as 50 melhores capas da publicação (incluindo o Pai Natal negro de Dezembro de 1963 que levou a desmarcações de publicidade nas edições seguintes no valor de um milhão de dolares...), uma retrospectiva da história da revista, as 70 melhores frases de sempre da «Esquire» e uma ficação sobre como seria John F. Kennedy se ele hoje estivesse vivo e com 86 anos.

Este, acreditem caros amigos, é mesmo um número de colecção, que vale bem mais que muitos livros. Está bem guardadinho na minha estante e já me deu várias noites de prazer. É mais do que se pode dizer da generalidade do que acontece hoje em dia.





HOJE HÁ JORNAL
Como hoje é sexta, há edição impressa da Esquina. Excerto:
AINDA A SOCIEDADE CIVIL
Como era de esperar começa a correr o rumor de que afinal não existe. Existe, há-de mostrar-se e terá espaço para crescer. No entanto, nunca se desenvolverá nem ganhará força para existir melhor se fizerem dela um objecto ideal, que nasça já perfeito e crescido. Quanto mais cedo se começar a dar-lhe oportunidade de se expôr, mais depressa chegará à maturidade. Quanto mais tempo se demorar, mais tarde ela se fará sentir. Não perder tempo, nesta como noutras matérias, é evitar alcançar a perfeição e trabalhar a partir da realidade. Quanto mais cedo, melhor.

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HOJE HÁ JORNAL

Como hoje é sexta, há edição impressa da Esquina. Excerto:

AINDA A SOCIEDADE CIVIL

Como era de esperar começa a correr o rumor de que afinal não existe. Existe, há-de mostrar-se e terá espaço para crescer. No entanto, nunca se desenvolverá nem ganhará força para existir melhor se fizerem dela um objecto ideal, que nasça já perfeito e crescido. Quanto mais cedo se começar a dar-lhe oportunidade de se expôr, mais depressa chegará à maturidade. Quanto mais tempo se demorar, mais tarde ela se fará sentir. Não perder tempo, nesta como noutras matérias, é evitar alcançar a perfeição e trabalhar a partir da realidade. Quanto mais cedo, melhor.

outubro 16, 2003

EXACTIDÃO
Serão os jornalistas rigorosos? Privilegiarão apenas as más notícias? Têm falta de cuidado com citações e com a análise dos números? Aqui vão algumas afirmação polémicas de um professor japonês de História e Ciência Política, Toshi Minoara.

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EXACTIDÃO

Serão os jornalistas rigorosos? Privilegiarão apenas as más notícias? Têm falta de cuidado com citações e com a análise dos números? Aqui vão algumas afirmação polémicas de um professor japonês de História e Ciência Política, Toshi Minoara.

BERTOLUCCI
A edição desta semana da New Yorker publica um magnífico artigo sobre o novo filme de Bernardo Bertolucci, «The Dreamers», uma obra que fala da vida de Henri Langlois (o fundador da Cinemateca Francesa), de Maio de 68, de um invulgar trio amoroso e de Paris em todo o seu explendor. O artigo evoca ainda a presença de Paris na obra de Bertolucci, a forma como vai introduzindo ao longo dos seus filmes formas invulgares de abordagem da sexualidade. Vale mesmo a pena ler este artigo de Louis Menand.

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BERTOLUCCI

A edição desta semana da New Yorker publica um magnífico artigo sobre o novo filme de Bernardo Bertolucci, «The Dreamers», uma obra que fala da vida de Henri Langlois (o fundador da Cinemateca Francesa), de Maio de 68, de um invulgar trio amoroso e de Paris em todo o seu explendor. O artigo evoca ainda a presença de Paris na obra de Bertolucci, a forma como vai introduzindo ao longo dos seus filmes formas invulgares de abordagem da sexualidade. Vale mesmo a pena ler este artigo de Louis Menand.