outubro 15, 2003

COM A DEVIDA VÉNIA
Não resisto a transcrever o Homem A Dias sob o título «As putas não sabem nadar» : Ainda não vi, mas disseram-me que, ao longo de oito páginas, a «Time» desta semana descobre em Bragança a Sodoma do séc. XXI, exclusivamente heterossexual e com sotaque brasileiro. Não sei se alguma das lendárias Mães locais é correspondente europeia da revista. Sei que vou a Bragança dezenas de vezes por ano (sou de um concelho vizinho), e nunca encontrei quaisquer vestígios desse orgíaco mundo subterrâneo. Se calhar, é demasiado subterrâneo para a intuição deste vosso criado, admito. De uma forma ou de outra, a ser verdade e agora que a minha consorte não nos lê, imploro às autoridades que comecem a incluir os eixos de luxúria nos roteiros oficiais da cidade, fornecendo moradas, telefones e, se possível, imagens graficamente explícitas das maravilhas que temos andado a perder. Caso contrário, para os incautos como eu, Bragança continuará a assemelhar-se a uma cidadezinha de província, onde se janta divinamente e, em seguida, a falta de actividades digestivas de pendor cultural faz-se sentir com acintosa frequência. Perante o artigo da «Time», o sr. governador civil pede reforços policiais; eu peço divulgação ampla, adequada e nacional. Parece-me justo, a menos que os responsáveis deste País insistam em manter a Cultura adiada, deixando que os arqueólogos desenterrem as brasileiras quando estas não passarem de fósseis e garatujas na parede.

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COM A DEVIDA VÉNIA

Não resisto a transcrever o Homem A Dias sob o título «As putas não sabem nadar» : Ainda não vi, mas disseram-me que, ao longo de oito páginas, a «Time» desta semana descobre em Bragança a Sodoma do séc. XXI, exclusivamente heterossexual e com sotaque brasileiro. Não sei se alguma das lendárias Mães locais é correspondente europeia da revista. Sei que vou a Bragança dezenas de vezes por ano (sou de um concelho vizinho), e nunca encontrei quaisquer vestígios desse orgíaco mundo subterrâneo. Se calhar, é demasiado subterrâneo para a intuição deste vosso criado, admito. De uma forma ou de outra, a ser verdade e agora que a minha consorte não nos lê, imploro às autoridades que comecem a incluir os eixos de luxúria nos roteiros oficiais da cidade, fornecendo moradas, telefones e, se possível, imagens graficamente explícitas das maravilhas que temos andado a perder. Caso contrário, para os incautos como eu, Bragança continuará a assemelhar-se a uma cidadezinha de província, onde se janta divinamente e, em seguida, a falta de actividades digestivas de pendor cultural faz-se sentir com acintosa frequência. Perante o artigo da «Time», o sr. governador civil pede reforços policiais; eu peço divulgação ampla, adequada e nacional. Parece-me justo, a menos que os responsáveis deste País insistam em manter a Cultura adiada, deixando que os arqueólogos desenterrem as brasileiras quando estas não passarem de fósseis e garatujas na parede.

OUTRA TIME
A capa da edição internacional da «Time» é sobre como comer melhor, com um guia completo de dietas. Depois é que vem Arnold, uma história do Iraque e mais umas tantas coisas. Na internacional, Bragança nem vê-la. Curioso, não é?

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OUTRA TIME

A capa da edição internacional da «Time» é sobre como comer melhor, com um guia completo de dietas. Depois é que vem Arnold, uma história do Iraque e mais umas tantas coisas. Na internacional, Bragança nem vê-la. Curioso, não é?

WORK
Dia 25 de Outubro o Centro de Artes Visuais (CAV) de Coimbra inaugura uma exposição chamada «trabalhowork» com imagens de António Júlio Duarte, Augusto Brázio, Daniel Malhão, Filipa César, Hugo Canoilas, Inês Gonçalves, Joana Pimentel, Nuno Ribeiro, Paulo Catrica e Pedro Letria. A coisa promete. Mais uma criação do Albano da Silva Pereira. Mais uma exposição de fotografia, cá para mim devia haver mais. às vezes tenho pena que em Lisboa haja tão poucas. Mas fico muito contente por em Coimbra existir o CAV.

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WORK

Dia 25 de Outubro o Centro de Artes Visuais (CAV) de Coimbra inaugura uma exposição chamada «trabalhowork» com imagens de António Júlio Duarte, Augusto Brázio, Daniel Malhão, Filipa César, Hugo Canoilas, Inês Gonçalves, Joana Pimentel, Nuno Ribeiro, Paulo Catrica e Pedro Letria. A coisa promete. Mais uma criação do Albano da Silva Pereira. Mais uma exposição de fotografia, cá para mim devia haver mais. às vezes tenho pena que em Lisboa haja tão poucas. Mas fico muito contente por em Coimbra existir o CAV.
CÓMICO
Um cómico que se assina André Bonito e que tem um endereço de mail curiosamente chamado beijamemuito@hotmail.com escreveu-me este elucidativo e pluralista e-mail:
The boy who never stops to show his erudition abt reading the best press and journalism, now says

that TIME magazine reporters and editors were stoned while writting abt Braganza........

Sure they are'nt ex leninists turned socialists and again turned liberal butlers.

An maybe you better crawl for another jovb cause this is the endo of ppl like you in the portuguese

media.

Poor guy...........

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CÓMICO

Um cómico que se assina André Bonito e que tem um endereço de mail curiosamente chamado beijamemuito@hotmail.com escreveu-me este elucidativo e pluralista e-mail:

The boy who never stops to show his erudition abt reading the best press and journalism, now says



that TIME magazine reporters and editors were stoned while writting abt Braganza........



Sure they are'nt ex leninists turned socialists and again turned liberal butlers.



An maybe you better crawl for another jovb cause this is the endo of ppl like you in the portuguese



media.



Poor guy...........

NEWSWEEK
Os títulos da capa da «Newsweek» são normais: «Arnold's Earthquake», «Berlusconi Battles Prodi», a beatificação de Madre Teresa. Histórias de interesse, coisas que aconteceram. Não imaginações. Por isso é que eu há muito prefiro a «Newsweek» que diligentemente continuo a assinar.

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NEWSWEEK

Os títulos da capa da «Newsweek» são normais: «Arnold's Earthquake», «Berlusconi Battles Prodi», a beatificação de Madre Teresa. Histórias de interesse, coisas que aconteceram. Não imaginações. Por isso é que eu há muito prefiro a «Newsweek» que diligentemente continuo a assinar.
DOIS DISCOS
Volta e meia revisito discos com uns meses. Eu explico: quando compro um disco ouço-o uma ou duas vezes em casa; se gosto muito passa para o carro, onde anda durante uma semana; depois é substituído por outro. Volta e meia, quando vou de viagem, pego em dois, ao acaso, da pilha dos últimos meses que ainda não esta devidamente arrumada. Desta vez calhou«out of season» de Beth Gibbons e Rustin Man e não me arrependi; e calhou o «a musical banquet» de Andreas Scholl. Acho que este ano me vou oferecer um ipod para poder ouvir música nos aviões.

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DOIS DISCOS

Volta e meia revisito discos com uns meses. Eu explico: quando compro um disco ouço-o uma ou duas vezes em casa; se gosto muito passa para o carro, onde anda durante uma semana; depois é substituído por outro. Volta e meia, quando vou de viagem, pego em dois, ao acaso, da pilha dos últimos meses que ainda não esta devidamente arrumada. Desta vez calhou«out of season» de Beth Gibbons e Rustin Man e não me arrependi; e calhou o «a musical banquet» de Andreas Scholl. Acho que este ano me vou oferecer um ipod para poder ouvir música nos aviões.
UMA COMPANHIA
A minha companhia dos meus últimos três dias foi o livro «Koba O Terrível», de Martin Amis. Aqui o deixo publicamente recomendado com um alerta: espíritos fracos que sejam admiradores de Lenine e Staline ou do sistema soviético podem considerar algumas páginas chocantes.

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UMA COMPANHIA

A minha companhia dos meus últimos três dias foi o livro «Koba O Terrível», de Martin Amis. Aqui o deixo publicamente recomendado com um alerta: espíritos fracos que sejam admiradores de Lenine e Staline ou do sistema soviético podem considerar algumas páginas chocantes.

DE REGRESSO
Chegado a Lisboa dou com uma tempestade em torno da reportagem de capa da revista «Time», que compara Bragança ao Red District de Amsterdão. É claro que quem escreveu aquilo devia estar sob influência de alguma substãncia estranha. Mas é também claro que ainda vai aparecer por aí um regionalista convicto a dizer que o planalto transmontano é que é o local ideal para o novo aeroporto, tendo em conta a horda de turistas que já devem estar de malas aviadas. Julgavam que o Euro ía ser o acontecimento do ano? Esperem por Bragança...

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DE REGRESSO

Chegado a Lisboa dou com uma tempestade em torno da reportagem de capa da revista «Time», que compara Bragança ao Red District de Amsterdão. É claro que quem escreveu aquilo devia estar sob influência de alguma substãncia estranha. Mas é também claro que ainda vai aparecer por aí um regionalista convicto a dizer que o planalto transmontano é que é o local ideal para o novo aeroporto, tendo em conta a horda de turistas que já devem estar de malas aviadas. Julgavam que o Euro ía ser o acontecimento do ano? Esperem por Bragança...

outubro 12, 2003

O LENTO DESPERTAR
Estou no MIPCOM, o mercado de programas de televisão que se realiza duas vezes por ano em Cannes. Desde o 11 de Setembro que não se via tanta gente no mercado. Aos poucos a coisa recomeça a funcionar. A coisa é o mercado do entretenimento. As esperanças viram-se agora para os países de Leste e para a China, o gigante que desperta e que de repente compra produção ocidental. Os analistas dizem que as vendas nestes dois primeiros dias do mercado são as melhores desde há dois anos. Bom sinal.


O MUNDO VISTO DO LIBÉRATION
Pego no «Libération» e vejo como vai ser a nova maqueta, as novas secções. Descubro a revista de fim de semana, «style», que ainda não conhecia. No jornal, folheio as páginas e a publicidade: Paulo Branco anuncia a estreia francesa de «Um Filme Falado», a Espanha anuncia a Galiza. São as duas únicas referências à Península Ibérica.
Folheio outra vez o «Libération» e comparo mentalmente o que é o jornal e o que são os jornais portugueses. Lemos o «Libération» e percebemos o que não sabemos., reparamos nas coisas que não se sabem. Leio a notícia sobre o caso Juppé e penso no que acontecerá em Portugal quando se começarem a investigar os conflitos entre os interesses partidários e os públicos.

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O LENTO DESPERTAR

Estou no MIPCOM, o mercado de programas de televisão que se realiza duas vezes por ano em Cannes. Desde o 11 de Setembro que não se via tanta gente no mercado. Aos poucos a coisa recomeça a funcionar. A coisa é o mercado do entretenimento. As esperanças viram-se agora para os países de Leste e para a China, o gigante que desperta e que de repente compra produção ocidental. Os analistas dizem que as vendas nestes dois primeiros dias do mercado são as melhores desde há dois anos. Bom sinal.





O MUNDO VISTO DO LIBÉRATION

Pego no «Libération» e vejo como vai ser a nova maqueta, as novas secções. Descubro a revista de fim de semana, «style», que ainda não conhecia. No jornal, folheio as páginas e a publicidade: Paulo Branco anuncia a estreia francesa de «Um Filme Falado», a Espanha anuncia a Galiza. São as duas únicas referências à Península Ibérica.

Folheio outra vez o «Libération» e comparo mentalmente o que é o jornal e o que são os jornais portugueses. Lemos o «Libération» e percebemos o que não sabemos., reparamos nas coisas que não se sabem. Leio a notícia sobre o caso Juppé e penso no que acontecerá em Portugal quando se começarem a investigar os conflitos entre os interesses partidários e os públicos.



outubro 11, 2003

PRESO POLÍTICO?
Não resisto a voltar ao caso Paulo Pedroso. Ele tem todo o óbvio direito a ser considerado inocente até prova em contrário. Mas nem ele nem o seu partido têm o direito de se fazerem passar por presos ou perseguidos políticos no contexto em que o querem impôr à opinião pública. Paulo Pedroso não foi detido por delito de opinião nem por consequência de acção política. Confundir assim o plano das coisas e tornar a Assembleia da República palco desta encenação foram das piores coisas que podiam ter acontecido. A Assembleia da República já está desacreditada demais para sobreviver a muitas asneiras como esta.


DIFÍCIL
Não foi muito facil, mas acabou por funcionar: o Vodafone Connect Card que este Verão assegurou que este Blog fosse sempre feito, afinal também funciona bem fora de Portugal. Ontem tive alguma dificuldade em acerat com a rede e configuração, mas agora os problemas estão resolvidos e aqui estou eu de novo. E já li o «Público» de hoje. A vida é bem mais fácil assim, mesmo que às vezes seja difícil acertar com as ligações.

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PRESO POLÍTICO?

Não resisto a voltar ao caso Paulo Pedroso. Ele tem todo o óbvio direito a ser considerado inocente até prova em contrário. Mas nem ele nem o seu partido têm o direito de se fazerem passar por presos ou perseguidos políticos no contexto em que o querem impôr à opinião pública. Paulo Pedroso não foi detido por delito de opinião nem por consequência de acção política. Confundir assim o plano das coisas e tornar a Assembleia da República palco desta encenação foram das piores coisas que podiam ter acontecido. A Assembleia da República já está desacreditada demais para sobreviver a muitas asneiras como esta.





DIFÍCIL

Não foi muito facil, mas acabou por funcionar: o Vodafone Connect Card que este Verão assegurou que este Blog fosse sempre feito, afinal também funciona bem fora de Portugal. Ontem tive alguma dificuldade em acerat com a rede e configuração, mas agora os problemas estão resolvidos e aqui estou eu de novo. E já li o «Público» de hoje. A vida é bem mais fácil assim, mesmo que às vezes seja difícil acertar com as ligações.