setembro 03, 2003

A IDADE
É delicioso o texto de Zuenir Ventura, intitulado «Um Sonho de Consumo», e que pode ser lido em No Mí­nimo. Excerto: o sonho de todo mundo é acabar com a sí­ndrome das segundas-feiras, aquela ressaca que ataca mesmo quando não se bebe. O problema é que pôr fim a esse penoso dia significa também abolir as sextas-feiras, ou seja, acabar com aquele gostoso, incomparável prazer que é a véspera. Melhor do que o fim de semana é esperar por ele.

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A IDADE

É delicioso o texto de Zuenir Ventura, intitulado «Um Sonho de Consumo», e que pode ser lido em No Mí­nimo. Excerto: o sonho de todo mundo é acabar com a sí­ndrome das segundas-feiras, aquela ressaca que ataca mesmo quando não se bebe. O problema é que pôr fim a esse penoso dia significa também abolir as sextas-feiras, ou seja, acabar com aquele gostoso, incomparável prazer que é a véspera. Melhor do que o fim de semana é esperar por ele.

setembro 02, 2003

INQUÉRITO
O propósito é simples - investigar as circunstâncias da morte de David Kelly. Lord Sutton conduz um inquérito, que tem um sítio, na net que se tornou num dos mais visitados da Gã Bretanha, como relata o Guardian

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INQUÉRITO

O propósito é simples - investigar as circunstâncias da morte de David Kelly. Lord Sutton conduz um inquérito, que tem um sítio, na net que se tornou num dos mais visitados da Gã Bretanha, como relata o Guardian
O BEIJO GLOBAL
Já repararam que este ano ninguém sabe quem ganhou os prémios MTV? Qual foi o melhor video? A melhor Canção? A melhor Banda? É certo que o mundo da música anda em dificuldades, mas o linguado de Madonna a Briney Spears passou a discussão para outro plano como conta a Slate

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O BEIJO GLOBAL

Já repararam que este ano ninguém sabe quem ganhou os prémios MTV? Qual foi o melhor video? A melhor Canção? A melhor Banda? É certo que o mundo da música anda em dificuldades, mas o linguado de Madonna a Briney Spears passou a discussão para outro plano como conta a Slate
PIRATARIA
Depois de ter dado cabo dos fundamentos da indústria discográfica, a pirataria começa agora a atacar a indústria cinematográfica. Hollywood está em transe. Da mesma forma que na música a pirataria afastou investimentos para o desenvolvimento de novos projectos, o que se passa nos filmes pode comprometer o desenvolvimento futuro da magia do cinema, explica o The Economist com um retrato implacável do que falta fazer nesta área.

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PIRATARIA

Depois de ter dado cabo dos fundamentos da indústria discográfica, a pirataria começa agora a atacar a indústria cinematográfica. Hollywood está em transe. Da mesma forma que na música a pirataria afastou investimentos para o desenvolvimento de novos projectos, o que se passa nos filmes pode comprometer o desenvolvimento futuro da magia do cinema, explica o The Economist com um retrato implacável do que falta fazer nesta área.
CÍNICOS
Uma das coisas que mais me enoja é encontrar alguém nos corredores que soube ter andado a intrigar contra o que estou a fazer e ouvir dele uma frase simpática, como se nada se tivesse passado. Tenho para mim que não passa de uma forma reles de cobardia.

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CÍNICOS

Uma das coisas que mais me enoja é encontrar alguém nos corredores que soube ter andado a intrigar contra o que estou a fazer e ouvir dele uma frase simpática, como se nada se tivesse passado. Tenho para mim que não passa de uma forma reles de cobardia.

HOMEM MADURO
Hugh Hefner tem 77 anos e fundou a revista«Playboy» há cinco décadas. Continua a gostar de raparigas com vinte anos e sem apreciar as belezas das mulheres de 40. Até o Washington Post escreveu sobre o assunto.

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HOMEM MADURO

Hugh Hefner tem 77 anos e fundou a revista«Playboy» há cinco décadas. Continua a gostar de raparigas com vinte anos e sem apreciar as belezas das mulheres de 40. Até o Washington Post escreveu sobre o assunto.
AUTO ESPACIAL
A Nasa está a desenvolver um modelo de vai-vem espacial para transporte de astronautas de e para estações orbitais com a capacidade de apenas quatro lugares. Daqui a cinco anos a coisa deve estar operacional, relata a WIRED

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AUTO ESPACIAL

A Nasa está a desenvolver um modelo de vai-vem espacial para transporte de astronautas de e para estações orbitais com a capacidade de apenas quatro lugares. Daqui a cinco anos a coisa deve estar operacional, relata a WIRED

agosto 31, 2003

GRANDE DOMINGO
Acordei cedo, cheio de boas intenções, a pensar em caminhar um bocado. Ainda estava na preguiça, veio a chuvada. Comecei a telefonar, ninguém se animava nas circunstâncias pluviais para uma incursão pelo campo. Percebi que era hoje que se esgotavam as desculpas para poder evitar arrumar o escritório. Eu explico: arrumar o meu escritório de casa é a pior coisa que me podem dizer para fazer. Sigo o princípio de meter numa pilha as cartas que chegam com os extractos dos bancos, as contas domésticas, os avisos do condomínio, as facturas da farmácia e por aí fora. Uma vez por ano, mais ou menos, arrumo tudo. Hoje deitei fora dois sacos do supermercado heios de papéis e cerca de um metro de altura de revistas diversas que vou guardando nunca percebi bem porquê, porque é raro voltar a folheá-las depois de as ter lido.
O resultado da aventura é que estive durante três horas a arrumar papelada. No fim o escritório estava irreconhecível: havia espaço no sofá para eu me sentar, em cima da secretária só ficou o computador, até encontrei receitas de petiscos alentejanos que às vezes peço à minha mãe para me escrever - e lá vou guardando os papéis pelo meio das correspondências. Recuperei uma receita de boleima e umas notas sobre a massada de peixe à moda da Nazaré, surgidas no fim de um jantar num tasco no Algarve há mais de um ano.
O dia não terminou sem desbastar duas semanas de jornais da sala - e nunca como nesse momento tive a sensação que foi gasto tanto papel para tão pouco.

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GRANDE DOMINGO

Acordei cedo, cheio de boas intenções, a pensar em caminhar um bocado. Ainda estava na preguiça, veio a chuvada. Comecei a telefonar, ninguém se animava nas circunstâncias pluviais para uma incursão pelo campo. Percebi que era hoje que se esgotavam as desculpas para poder evitar arrumar o escritório. Eu explico: arrumar o meu escritório de casa é a pior coisa que me podem dizer para fazer. Sigo o princípio de meter numa pilha as cartas que chegam com os extractos dos bancos, as contas domésticas, os avisos do condomínio, as facturas da farmácia e por aí fora. Uma vez por ano, mais ou menos, arrumo tudo. Hoje deitei fora dois sacos do supermercado heios de papéis e cerca de um metro de altura de revistas diversas que vou guardando nunca percebi bem porquê, porque é raro voltar a folheá-las depois de as ter lido.

O resultado da aventura é que estive durante três horas a arrumar papelada. No fim o escritório estava irreconhecível: havia espaço no sofá para eu me sentar, em cima da secretária só ficou o computador, até encontrei receitas de petiscos alentejanos que às vezes peço à minha mãe para me escrever - e lá vou guardando os papéis pelo meio das correspondências. Recuperei uma receita de boleima e umas notas sobre a massada de peixe à moda da Nazaré, surgidas no fim de um jantar num tasco no Algarve há mais de um ano.

O dia não terminou sem desbastar duas semanas de jornais da sala - e nunca como nesse momento tive a sensação que foi gasto tanto papel para tão pouco.

agosto 30, 2003

PERDIGUEIROS DO RIO
Consegui finalmente voltar ao teu bar Zé, depois de teres ido dar aquela volta. Já não é bem a mesma coisa - faltam miminhos na lista, até os pimentos padrones estavam falhos nesta tarde de sexta-feira.
Mas continua a ser um sítio bonito. É claro que nunca perceberei porque é que a Martini coloca publicidade onde pouca gente deve beber Martini, mas ele há segredos no mundo da publicidade. Não resisto a contar uma velha história de barmen que, salvo erro, o Miguel Esteves Cardoso me mostrou escrita num livro precioso sobre cocktails. Rezava mais ou menos assim: Durante anos, no centro de New York, um tipo com ar de executivo chegava por volta das seis da tarde sempre ao mesmo bar e pedia um dry Martini. Deliciava-se com a coisa, pagava, cumprimentava o barman, e saía. Acontece que o cidadão foi deslocalizado para outra cidade qualquer e esteve uns anos sem dar à costa em New York. Lá voltou um dia, dirigiu-se à mesma rua, entrou no mesmo bar, onde estava o mesmo barman. Pediu-lhe um Dry Martini, beberricou-o extasiado, revirou os olhos de prazer e no fim perguntou: «-Ouça lá, estive anos noutra cidade, experimentei milhares de Dry Martinis e nenhum tem o paladar do seu. Qual é o seu segredo?». Detrás de um imenso sorriso, o barman respondeu-lhe, cotovelo apoiado no bar: « - Repare, coloco o gin, deixo cair a pequena raspa de casca de limão, ponho a azeitona a nadar um pedaço, e depois pego na garrafa de Martini seco, destapo-a e passo com ela,meio inclinada, com o gargalo por cima do copo, com todo o cuidado de não deixar cair nem uma gota no Gin...».
Para me recompôr com a existência bastou-me ver aquele casal que chegou e se sentou ao pé das espreguiçadeiras e se pôs logo, cada um para seu canto, a ler uma revista diferente. A dele tinha fotografias de carros, a dela de casas. Mas pareciam felizes.
Claro que a existência ficou pior quando um rapaz do «Portugal Diário», que é um simulacro de informação que circula na net, me telefonou. Queria uma reacção: expliquei-lhe que achava que notoriamente escreviam mentiras e disse-lhe que optava por não falar com ele. Vai daí escreveu que eu não quis comentar um determinado texto. Como se vê, o rapaz percebe mal o português: não era uma questão de não querer comentar, era uma questão de preferir não o fazer para aquele media.
Adiante - a tarde recuperou quando o Carlos Oliveira Santos apareceu, vindo do estrangeiro, e me falou de ti - percebi que estávamos ali ao mesmo. Adeus menino, que se faz tarde, porta-te mal, cá voltarei um dia destes.

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PERDIGUEIROS DO RIO

Consegui finalmente voltar ao teu bar Zé, depois de teres ido dar aquela volta. Já não é bem a mesma coisa - faltam miminhos na lista, até os pimentos padrones estavam falhos nesta tarde de sexta-feira.

Mas continua a ser um sítio bonito. É claro que nunca perceberei porque é que a Martini coloca publicidade onde pouca gente deve beber Martini, mas ele há segredos no mundo da publicidade. Não resisto a contar uma velha história de barmen que, salvo erro, o Miguel Esteves Cardoso me mostrou escrita num livro precioso sobre cocktails. Rezava mais ou menos assim: Durante anos, no centro de New York, um tipo com ar de executivo chegava por volta das seis da tarde sempre ao mesmo bar e pedia um dry Martini. Deliciava-se com a coisa, pagava, cumprimentava o barman, e saía. Acontece que o cidadão foi deslocalizado para outra cidade qualquer e esteve uns anos sem dar à costa em New York. Lá voltou um dia, dirigiu-se à mesma rua, entrou no mesmo bar, onde estava o mesmo barman. Pediu-lhe um Dry Martini, beberricou-o extasiado, revirou os olhos de prazer e no fim perguntou: «-Ouça lá, estive anos noutra cidade, experimentei milhares de Dry Martinis e nenhum tem o paladar do seu. Qual é o seu segredo?». Detrás de um imenso sorriso, o barman respondeu-lhe, cotovelo apoiado no bar: « - Repare, coloco o gin, deixo cair a pequena raspa de casca de limão, ponho a azeitona a nadar um pedaço, e depois pego na garrafa de Martini seco, destapo-a e passo com ela,meio inclinada, com o gargalo por cima do copo, com todo o cuidado de não deixar cair nem uma gota no Gin...».

Para me recompôr com a existência bastou-me ver aquele casal que chegou e se sentou ao pé das espreguiçadeiras e se pôs logo, cada um para seu canto, a ler uma revista diferente. A dele tinha fotografias de carros, a dela de casas. Mas pareciam felizes.

Claro que a existência ficou pior quando um rapaz do «Portugal Diário», que é um simulacro de informação que circula na net, me telefonou. Queria uma reacção: expliquei-lhe que achava que notoriamente escreviam mentiras e disse-lhe que optava por não falar com ele. Vai daí escreveu que eu não quis comentar um determinado texto. Como se vê, o rapaz percebe mal o português: não era uma questão de não querer comentar, era uma questão de preferir não o fazer para aquele media.

Adiante - a tarde recuperou quando o Carlos Oliveira Santos apareceu, vindo do estrangeiro, e me falou de ti - percebi que estávamos ali ao mesmo. Adeus menino, que se faz tarde, porta-te mal, cá voltarei um dia destes.



MARCAS
Porque é que todos os tipos com ar de jogadores de futebolistas falhados e com a barriguinha a despontar vestem camisolas da marca «Umbro» de côr berrante?

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MARCAS

Porque é que todos os tipos com ar de jogadores de futebolistas falhados e com a barriguinha a despontar vestem camisolas da marca «Umbro» de côr berrante?