agosto 30, 2003

BOM ARTIGO
Muito bom o artigo de Paulo Teixeira Pinto em «O Independente», sob o título «Do Oráculo da Polis». Excertos: «Política é a distância que vai da mera gestão da conveniência pessoal ou tribal à real opção pelo bem comum...Na política, só um conselho é útil:não abrandar nunca o exercício do que é suposto dever fazer, nem por mau tempo ou por má sorte....Consta da própria definição das regras do jogo político que não há nunca empates. Só há dois resultados possíveis:perder ou ganhar. E o que se ganha é sempre algo que a prazo, por natureza, estará também inelutavelmente perdido - o poder...É louvável viver com e para a política. É censurável sobreviver só da política». E o resto vai por aí fora. às Vezes sabe bem voltar aos princípios porque «é nos princípios que residem os fins últimos da política».

Untitled

BOM ARTIGO

Muito bom o artigo de Paulo Teixeira Pinto em «O Independente», sob o título «Do Oráculo da Polis». Excertos: «Política é a distância que vai da mera gestão da conveniência pessoal ou tribal à real opção pelo bem comum...Na política, só um conselho é útil:não abrandar nunca o exercício do que é suposto dever fazer, nem por mau tempo ou por má sorte....Consta da própria definição das regras do jogo político que não há nunca empates. Só há dois resultados possíveis:perder ou ganhar. E o que se ganha é sempre algo que a prazo, por natureza, estará também inelutavelmente perdido - o poder...É louvável viver com e para a política. É censurável sobreviver só da política». E o resto vai por aí fora. às Vezes sabe bem voltar aos princípios porque «é nos princípios que residem os fins últimos da política».

agosto 29, 2003

ESQUINA NO PAPEL
Hoje, como todas as sextas-feiras, é dia de «Esquina» no papel do Jornal de Negócios. Excerto: O Partido Socialista considera desde o fim de semana passado que o grande argumento contra o Governo é acusá-lo de ser movido por um radicalismo de direita. A propósito arregimentou imagens retóricas da ditadura. O resultado não se fez esperar: PC e Bloco de Esquerda juntaram-se-lhe em côro gritando contra as ameaças de fascismo. Está recriada a Frente Popular, o velho sonho dos anos 30 e 40 que, de mãos dadas com os nazis em determinadas circunstâncias, e por mera reacção noutras, levou a Europa à guerra. Nunca nada me pareceu tão patético em política como exagerar na análise para provocar reacções também elas exageradas. O exagero, a hipérbole retórica, é geralmente sinal de falta de honestidade intelectual. Praticamente 30 anos depois do 25 de Abril a esquerda ainda quer deliberadamente confundir direita com fascismo, nacionalismo com ditadura, e verifica-se, sem surpresa, confesso, que é bem mais intolerante para quem não pensa como ela do que normalmente quem é de direita, em relação a quem é de esquerda.

Untitled

ESQUINA NO PAPEL

Hoje, como todas as sextas-feiras, é dia de «Esquina» no papel do Jornal de Negócios. Excerto: O Partido Socialista considera desde o fim de semana passado que o grande argumento contra o Governo é acusá-lo de ser movido por um radicalismo de direita. A propósito arregimentou imagens retóricas da ditadura. O resultado não se fez esperar: PC e Bloco de Esquerda juntaram-se-lhe em côro gritando contra as ameaças de fascismo. Está recriada a Frente Popular, o velho sonho dos anos 30 e 40 que, de mãos dadas com os nazis em determinadas circunstâncias, e por mera reacção noutras, levou a Europa à guerra. Nunca nada me pareceu tão patético em política como exagerar na análise para provocar reacções também elas exageradas. O exagero, a hipérbole retórica, é geralmente sinal de falta de honestidade intelectual. Praticamente 30 anos depois do 25 de Abril a esquerda ainda quer deliberadamente confundir direita com fascismo, nacionalismo com ditadura, e verifica-se, sem surpresa, confesso, que é bem mais intolerante para quem não pensa como ela do que normalmente quem é de direita, em relação a quem é de esquerda.

ART BUCHWALD
Confesso que sou admirador confesso deste cronista norte-americano que implacavelmente observa o mundo ao seu redor nas páginas do «Washington Post». Houve um tempo em que um jornal português publicava crónicas suas e foi aí que me habituei a deliciar-me com a sua escrita. Nesse tempo, já lá vão muitos anos mesmo, havia jornais em Portugal que falavam do mundo e não apenas das curiosidades e superficialidades que ocupam a maioria dos dias do pequeno rectângulo. Depois do 25 de Abril tornámo-nos tão obcecados conosco próprios, que começámos a ser incapazes de olhar em redor, sobretudo quando os ecos das últimas notas de «A Internacional» se desvaneceram por completo. Parte do exercício que me dá gozo e me leva a escrever estes posts é ter conseguido voltar a estabelecer uma rotina de pesquiase notí­cias, opiniões e comentários por esse mundo fora. Deliciem-se com este Buchwald.

Untitled

ART BUCHWALD

Confesso que sou admirador confesso deste cronista norte-americano que implacavelmente observa o mundo ao seu redor nas páginas do «Washington Post». Houve um tempo em que um jornal português publicava crónicas suas e foi aí que me habituei a deliciar-me com a sua escrita. Nesse tempo, já lá vão muitos anos mesmo, havia jornais em Portugal que falavam do mundo e não apenas das curiosidades e superficialidades que ocupam a maioria dos dias do pequeno rectângulo. Depois do 25 de Abril tornámo-nos tão obcecados conosco próprios, que começámos a ser incapazes de olhar em redor, sobretudo quando os ecos das últimas notas de «A Internacional» se desvaneceram por completo. Parte do exercício que me dá gozo e me leva a escrever estes posts é ter conseguido voltar a estabelecer uma rotina de pesquiase notí­cias, opiniões e comentários por esse mundo fora. Deliciem-se com este Buchwald.
HÁBITOS EUROPEUS
Um estudo europeu sobre os hábitos de consumo de media nos diversos países da Comunidade merece atenção. A versão integral pode ser consultada aqui e lá poderão ver que Portugal tem em matéria de consumo de televisão um consumo semelhante à Irlanda, com as séries e novelas a aparecerem em segundo lugar das preferências e os documentários a não constarem da lista dos mais vistos, ao contrário do que acontece na maioria dos países da Europa. Em matéria televisiva os telejornais e o desporto são os outros programas mais procurados - na verdade 75,7% das pessoas depende dos televisores em termos informativos.
Mais grave é o facto de 74,7% dos portugueses não utilizarem o computador e apenas 10,1% afirma utilizá-lo diariamente. O pior sector é o da imprensa, como já se temia: apenas 25,1% dos portugueses tem hábitos regulares de leitura de jornais diários - nesta desgraça somos acompanhados pela Grácia (20,3%) e a Espanha (24,8%).
Foi o Abrupto, de José Pacheco Pereira, que chamou a atenção para este documento e é dele a síntese da situação que, com a devida vénia, aqui se reproduz:"TV
Almost all Europeans (97.6%) watch television. 99% have at least one TV set at home.
The four types of programmes that Europeans mostly watch are: news and current affairs (88.9%), films (84.3%), documentaries (61.6%), sports (50.3%).

Radio
Almost 60% of the citizens within the European Union listen to radio every day.
Radio programmes that Europeans prefer are: music (86.3%), news and current affairs (52.9%), sports (17.4%).

Newspapers
46% of Europeans read newspapers 5 to 7 times a week. The highest rates are found in Finland, Sweden, Germany and Luxembourg where 77.8%, 77.7%, 65.5% and 62.7% people read newspapers 5 to 7 times a week. On the other hand in Greece, Spain and Portugal only 20.3%, 24.8% and 25.1%, respectively, do so. It is also in these three countries that the proportion of people saying that they never read newspapers is higher than in other countries (30.5%, 23.4% and 25.5% respectively).

Computer
A majority of Europeans (53.3%) does not use a computer. This is especially the case for Greece (75.3%) and Portugal (74.7%). On the other hand, more than one fifth (22.5%) uses it every day. This proportion reaches 36.7% in Sweden, 36.6% in Denmark and 32.2% in the Netherlands. A smaller proportion (14%) uses it several times a week.

Internet
34.5% of the interviewed surf the Internet: 13.5% several times a week and another 8.8% every day. Swedes (66.5%), Danes (59.4%), Dutch (53.8%) and Finns (51.4%) use the Internet more than other Europeans. On the other hand, the proportion of Internet usage is the lowest in Portugal and Greece (14.8% and 15.1%, respectively)."

Untitled

HÁBITOS EUROPEUS

Um estudo europeu sobre os hábitos de consumo de media nos diversos países da Comunidade merece atenção. A versão integral pode ser consultada aqui e lá poderão ver que Portugal tem em matéria de consumo de televisão um consumo semelhante à Irlanda, com as séries e novelas a aparecerem em segundo lugar das preferências e os documentários a não constarem da lista dos mais vistos, ao contrário do que acontece na maioria dos países da Europa. Em matéria televisiva os telejornais e o desporto são os outros programas mais procurados - na verdade 75,7% das pessoas depende dos televisores em termos informativos.

Mais grave é o facto de 74,7% dos portugueses não utilizarem o computador e apenas 10,1% afirma utilizá-lo diariamente. O pior sector é o da imprensa, como já se temia: apenas 25,1% dos portugueses tem hábitos regulares de leitura de jornais diários - nesta desgraça somos acompanhados pela Grácia (20,3%) e a Espanha (24,8%).

Foi o Abrupto, de José Pacheco Pereira, que chamou a atenção para este documento e é dele a síntese da situação que, com a devida vénia, aqui se reproduz:"TV

Almost all Europeans (97.6%) watch television. 99% have at least one TV set at home.

The four types of programmes that Europeans mostly watch are: news and current affairs (88.9%), films (84.3%), documentaries (61.6%), sports (50.3%).



Radio

Almost 60% of the citizens within the European Union listen to radio every day.

Radio programmes that Europeans prefer are: music (86.3%), news and current affairs (52.9%), sports (17.4%).



Newspapers

46% of Europeans read newspapers 5 to 7 times a week. The highest rates are found in Finland, Sweden, Germany and Luxembourg where 77.8%, 77.7%, 65.5% and 62.7% people read newspapers 5 to 7 times a week. On the other hand in Greece, Spain and Portugal only 20.3%, 24.8% and 25.1%, respectively, do so. It is also in these three countries that the proportion of people saying that they never read newspapers is higher than in other countries (30.5%, 23.4% and 25.5% respectively).



Computer

A majority of Europeans (53.3%) does not use a computer. This is especially the case for Greece (75.3%) and Portugal (74.7%). On the other hand, more than one fifth (22.5%) uses it every day. This proportion reaches 36.7% in Sweden, 36.6% in Denmark and 32.2% in the Netherlands. A smaller proportion (14%) uses it several times a week.



Internet

34.5% of the interviewed surf the Internet: 13.5% several times a week and another 8.8% every day. Swedes (66.5%), Danes (59.4%), Dutch (53.8%) and Finns (51.4%) use the Internet more than other Europeans. On the other hand, the proportion of Internet usage is the lowest in Portugal and Greece (14.8% and 15.1%, respectively)."



agosto 28, 2003

EM DIRECÇÃO À SERRA
Parece que o meu elogio às enguias da Costa Nova deixou alguns outros amigos meus em polvorosa - do lado da serra queixam-se que eu só ligo ao litoral - esta é uma velha questão que atravessa a sociedade portuguesa. Já se sabe que o litoral é a zona mais povoada, com mais emprego, com melhores acessos, com mais oferta em geral. Em contrapartida o interior vive ainda das memórias do tempo em que se demorava quase um dia inteiro a chegar de Lisboa a qualquer ponto para lá de Coimbra, perdidos por estradas onde a ideia de recta era inexistente e em que a existência de viadutos ou terraplanagens parecia ter sido integralmente ignorada.
Era no entanto este o estado do país há não mais de 15 anos. Não havia auto-estrada Lisboa-Porto, nem Lisboa-Algarve, nem Via do Infante, nem ligação Torres Novas -Covilhã. Para que se saiba, há 15 anos havia uma amostra de auto-estrada à saída de Lisboa em direcção a norte, outra até Setúbal, outra até ao Estoril e depois um arremedo de auto-estrada a umas dezenas de quilómetros do Porto. O total dos troços então existentes não devia sequer chegar aos 200 quilómetros.
Serve tudo isto para dizer que agora o interior tem melhores ligações e aproveito para daqui deixar o recado aos meus amigos da serra que espero ser convidado para a matança do bicho e repastos de festim.

Untitled

EM DIRECÇÃO À SERRA

Parece que o meu elogio às enguias da Costa Nova deixou alguns outros amigos meus em polvorosa - do lado da serra queixam-se que eu só ligo ao litoral - esta é uma velha questão que atravessa a sociedade portuguesa. Já se sabe que o litoral é a zona mais povoada, com mais emprego, com melhores acessos, com mais oferta em geral. Em contrapartida o interior vive ainda das memórias do tempo em que se demorava quase um dia inteiro a chegar de Lisboa a qualquer ponto para lá de Coimbra, perdidos por estradas onde a ideia de recta era inexistente e em que a existência de viadutos ou terraplanagens parecia ter sido integralmente ignorada.

Era no entanto este o estado do país há não mais de 15 anos. Não havia auto-estrada Lisboa-Porto, nem Lisboa-Algarve, nem Via do Infante, nem ligação Torres Novas -Covilhã. Para que se saiba, há 15 anos havia uma amostra de auto-estrada à saída de Lisboa em direcção a norte, outra até Setúbal, outra até ao Estoril e depois um arremedo de auto-estrada a umas dezenas de quilómetros do Porto. O total dos troços então existentes não devia sequer chegar aos 200 quilómetros.

Serve tudo isto para dizer que agora o interior tem melhores ligações e aproveito para daqui deixar o recado aos meus amigos da serra que espero ser convidado para a matança do bicho e repastos de festim.

agosto 27, 2003

CANAL 2
Mais de dois milhões de mensagens publicadas por dia, repetidas notícias em exclusivo e um fanatismo militante são as características do mais popular site japonês, o «Channel 2». Descubram tudo sobre o assunto aqui.

Untitled

CANAL 2

Mais de dois milhões de mensagens publicadas por dia, repetidas notícias em exclusivo e um fanatismo militante são as características do mais popular site japonês, o «Channel 2». Descubram tudo sobre o assunto aqui.
CARICATURAS
Um dos bons serviços da Slate é a compilação de desenhos humorísticos de cariz políticos publicados um pouco por todo o lado à volta do mundo. Espreitem a secção sobre o candidato Arnold no Estado da California e divirtam-se um pouco.

Untitled

CARICATURAS

Um dos bons serviços da Slate é a compilação de desenhos humorísticos de cariz políticos publicados um pouco por todo o lado à volta do mundo. Espreitem a secção sobre o candidato Arnold no Estado da California e divirtam-se um pouco.

DISPUTA UNIVERSAL
A luta pela Vivendi Universal Entertainment está a ficar dura e reduzida a dois pretendentes:a NBC e Edgar Bronfman Jr. , estando a oferta já acima dos 13 mil milhões de dolares. Bronfman, o herdeiro da Seagram, tinha vendido a maioria do capital da Universal à Vivendi e permaneceu como administrador do grupo durante algum tempo. Agora quer voltar a comprar uma das maiores companhias de entretenimento do mundo. O USA Today conta a história toda.

Untitled

DISPUTA UNIVERSAL

A luta pela Vivendi Universal Entertainment está a ficar dura e reduzida a dois pretendentes:a NBC e Edgar Bronfman Jr. , estando a oferta já acima dos 13 mil milhões de dolares. Bronfman, o herdeiro da Seagram, tinha vendido a maioria do capital da Universal à Vivendi e permaneceu como administrador do grupo durante algum tempo. Agora quer voltar a comprar uma das maiores companhias de entretenimento do mundo. O USA Today conta a história toda.
A MÁQUINA PENSA, PORTANTO EXISTE
A busca pela inteligência artificial continua a dominar o interesse da comunidade científica. Há avanços na matéria, uma descoberta nova que pode alterar o relacionamento entre homens e máquinas. Mais informações na Wired.

Untitled

A MÁQUINA PENSA, PORTANTO EXISTE

A busca pela inteligência artificial continua a dominar o interesse da comunidade científica. Há avanços na matéria, uma descoberta nova que pode alterar o relacionamento entre homens e máquinas. Mais informações na Wired.
A SEGUNDA FASE DA REVOLUÇÃO DIGITAL
Todas as gerações têm direito a uma revolução nos media: para os nossos pais foi a rádio, para nós a televisão, para os nossos filhos é o digital - as palavras são de Greg Dyke, o homem forte da BBC, que acredita estarmos no limiar da segunda fase da revolução digital, onde os valores públicos deverão sobrepor-se aos privados.
O discurso foi proferido no Festival de Televisão de Edinburgh e merece ser lido com atenção por todos quantos se interessam por televisão e novos media. Sugiro que espreitem aqui.

Untitled

A SEGUNDA FASE DA REVOLUÇÃO DIGITAL

Todas as gerações têm direito a uma revolução nos media: para os nossos pais foi a rádio, para nós a televisão, para os nossos filhos é o digital - as palavras são de Greg Dyke, o homem forte da BBC, que acredita estarmos no limiar da segunda fase da revolução digital, onde os valores públicos deverão sobrepor-se aos privados.

O discurso foi proferido no Festival de Televisão de Edinburgh e merece ser lido com atenção por todos quantos se interessam por televisão e novos media. Sugiro que espreitem aqui.