agosto 05, 2003

CAPACIDADE POLÍTICA
«Os Certos Também Erram» é um belo artigo de Marcos Sá Corrêa sobre o exercício do poder, que pode ser integralmente lido em no mínimo. Não resisto a um excerto que tão bem se adapta a tantos políticos: Qualquer pessoa que já tenha sentado numa mesa de reunião sabe quantas idéias boas são propostas por gente bem intencionada que não poderiam de maneira alguma ser executadas, porque a proposta consistia apenas de resultados, não de meios para chegar lá. Depois de participar de um governo local, o escritor Bernard Shaw orçou em cinco por cento da humanidade os seres humanos dotados de aptidão política.
Mas ninguém pode ser um verdadeiro político e ao mesmo tempo, incapaz de tocar uma administração. Administrar é manter a ordem numa situação que continuamente tende à desordem. Dirigindo qualquer organização, tanto as pessoas quanto as idéias têm que ser repostas em seus lugares dia após dia. Senão, idéias que poderiam funcionar não funcionarão.

Untitled

CAPACIDADE POLÍTICA

«Os Certos Também Erram» é um belo artigo de Marcos Sá Corrêa sobre o exercício do poder, que pode ser integralmente lido em no mínimo. Não resisto a um excerto que tão bem se adapta a tantos políticos: Qualquer pessoa que já tenha sentado numa mesa de reunião sabe quantas idéias boas são propostas por gente bem intencionada que não poderiam de maneira alguma ser executadas, porque a proposta consistia apenas de resultados, não de meios para chegar lá. Depois de participar de um governo local, o escritor Bernard Shaw orçou em cinco por cento da humanidade os seres humanos dotados de aptidão política.

Mas ninguém pode ser um verdadeiro político e ao mesmo tempo, incapaz de tocar uma administração. Administrar é manter a ordem numa situação que continuamente tende à desordem. Dirigindo qualquer organização, tanto as pessoas quanto as idéias têm que ser repostas em seus lugares dia após dia. Senão, idéias que poderiam funcionar não funcionarão.

Testemunho
Pode um telemóvel com câmara fotográfica servir de testemunha de um crime? Parece que sim e o primeiro caso já aconteceu. A história toda vem relatada aqui e cita uma notícia da Associated Press.

Untitled

Testemunho

Pode um telemóvel com câmara fotográfica servir de testemunha de um crime? Parece que sim e o primeiro caso já aconteceu. A história toda vem relatada aqui e cita uma notícia da Associated Press.
SEMPRE O MESMO TARGET
A procura por públicos jovens para os media é o eldorado dos tempos modernos. Agora responsáveis por websites de medias tradicionais também descobriram que sem leitores jovens o seu futuro é negro. Bastava terem pensado nos seus media originais para percebrem isso, mas paciência. Aqui fica o relatório.

Untitled

SEMPRE O MESMO TARGET

A procura por públicos jovens para os media é o eldorado dos tempos modernos. Agora responsáveis por websites de medias tradicionais também descobriram que sem leitores jovens o seu futuro é negro. Bastava terem pensado nos seus media originais para percebrem isso, mas paciência. Aqui fica o relatório.
VOTO ELECTRÓNICO
Os riscos e vantagens de máquinas que permitam o voto electrónico através de sistemas simples (ecrãs sensíveis ao toque em assembleias de voto) está a ser avaliada pelo Congresso norte-americano. A história é da Wired.

Untitled

VOTO ELECTRÓNICO

Os riscos e vantagens de máquinas que permitam o voto electrónico através de sistemas simples (ecrãs sensíveis ao toque em assembleias de voto) está a ser avaliada pelo Congresso norte-americano. A história é da Wired.

agosto 04, 2003

MONTEIRO
Tenho a vaga sensação de que a oposição ao Governo se resume ao Dr. Monteiro. A propósito dos incêndios foi o único político extra-coligação que apareceu nas televisões. Os outros coibiram-se por pudor de criticar, por medo de se solidarizar, ou preferiram ficar no recato do mar?

Untitled

MONTEIRO

Tenho a vaga sensação de que a oposição ao Governo se resume ao Dr. Monteiro. A propósito dos incêndios foi o único político extra-coligação que apareceu nas televisões. Os outros coibiram-se por pudor de criticar, por medo de se solidarizar, ou preferiram ficar no recato do mar?
O MONÓLOGO
A conversa do Professor Marcelo Rebelo de Sousa aos Domingos na TVI está cada vez mais perto de um monólogo. Já se sabe que tudo é preparado e combinado, que o apresentador do telejornal só está ali para dar as deixas e criar uma ilusão de conversa - mas a verdade é que sobretudo nas últimas semanas tudo se parece cada vez mais com um longo e monótono monólogo, mais destinado a ajustar questões pessoais do que a comentar e elucidar quem quer que seja sobre a actualidade. O espaço da entrevista transformou-se numa espécie de «speaker's corner» pessoal onde o Professor arenga o que lhe apetece, exerce o seu costumeiro hábito de salpicar o ecrã com as maldades que lhe dão prazer, não hesita em distorcer as coisas ao jeito dos seus desejos para que a oratória lhe saia mais arrebatada. Aquilo que começou por ser um ponto interessante a seguir em matéria de comentário está aos poucos a tornar-se num enfadonho a cabotino momento de televisão.

Untitled

O MONÓLOGO

A conversa do Professor Marcelo Rebelo de Sousa aos Domingos na TVI está cada vez mais perto de um monólogo. Já se sabe que tudo é preparado e combinado, que o apresentador do telejornal só está ali para dar as deixas e criar uma ilusão de conversa - mas a verdade é que sobretudo nas últimas semanas tudo se parece cada vez mais com um longo e monótono monólogo, mais destinado a ajustar questões pessoais do que a comentar e elucidar quem quer que seja sobre a actualidade. O espaço da entrevista transformou-se numa espécie de «speaker's corner» pessoal onde o Professor arenga o que lhe apetece, exerce o seu costumeiro hábito de salpicar o ecrã com as maldades que lhe dão prazer, não hesita em distorcer as coisas ao jeito dos seus desejos para que a oratória lhe saia mais arrebatada. Aquilo que começou por ser um ponto interessante a seguir em matéria de comentário está aos poucos a tornar-se num enfadonho a cabotino momento de televisão.
MAIS UMA REVISTA QUE EU LEIO
Todos os meses tenho encontro certo com a «Grande Reportagem». Desta vez o que ma atraíu foi o texto de João Pombeiro sobre o escritor norte-americano John dos Passos. Depois, um discreto artigo sobre três nomes de referência nos blogs: Andrew Sullivan, Eugene Volokh e Glenn Reynolds. Finalmente um oportuno artigo de Peter Strandberg que ajuda a perceber o que se está a passar na Libéria. Agora, as fotos: magnífica a da capa, uma imagem de forcados na arena, extraída da reportagem de Pedro Loureiro. E o bom portfolio «American Dream», de António Sá, nome a reter nestas coisas de fotografia.

Untitled

MAIS UMA REVISTA QUE EU LEIO

Todos os meses tenho encontro certo com a «Grande Reportagem». Desta vez o que ma atraíu foi o texto de João Pombeiro sobre o escritor norte-americano John dos Passos. Depois, um discreto artigo sobre três nomes de referência nos blogs: Andrew Sullivan, Eugene Volokh e Glenn Reynolds. Finalmente um oportuno artigo de Peter Strandberg que ajuda a perceber o que se está a passar na Libéria. Agora, as fotos: magnífica a da capa, uma imagem de forcados na arena, extraída da reportagem de Pedro Loureiro. E o bom portfolio «American Dream», de António Sá, nome a reter nestas coisas de fotografia.
AS REVISTAS QUE EU LEIO
Cada vez gosto mais da «Newsweek». Em relação aos newsmagazines, confesso que tenho fases, ciclos - uns tempos gosto mais da «Time», outros, como já acontece de há uns seis meses para cá, gosto mais da «Newsweek». Acho-a mais sintética, mais diversificada, com maior atenção a questões como o entretenimento e as artes, com um enfoque maior no porquê das coisas. No último número a reportagem sobre os últimos dias da vida dos filhos de Saddam é um exemplo de bom jornalismo.

Untitled

AS REVISTAS QUE EU LEIO

Cada vez gosto mais da «Newsweek». Em relação aos newsmagazines, confesso que tenho fases, ciclos - uns tempos gosto mais da «Time», outros, como já acontece de há uns seis meses para cá, gosto mais da «Newsweek». Acho-a mais sintética, mais diversificada, com maior atenção a questões como o entretenimento e as artes, com um enfoque maior no porquê das coisas. No último número a reportagem sobre os últimos dias da vida dos filhos de Saddam é um exemplo de bom jornalismo.

agosto 03, 2003

DE UNS PARA OS OUTROS
Não resisto a citar: E é assim tão grave se andarmos aqui a escrever uns para os outros, na «blogosfera», essa «ondulação estival»? Para quem se há-de escrever? Para quem cá anda, para quem aparece, para quem pisca o olho e diz «ontem li o teu texto» ou para quem vem às escondidas, para quem telefona, para quem se importa. «Escrevem uns para os outros.» Não me lixem. Claro que escrevemos uns para os outros. Claro que escrevemos para os outros. E, dado que o mundo é como é, escreve-se sobre política, sobre incêndios florestais, sobre Salinger, sobre música, sobre comida, sobre charutos, sobre o que passa, sobre os outros. . Isto tudo ( e uns parágrafos mais, bem deliciosos, vêm a propósito da coluna de Eduardo Prado Coelho sobre os blogs, já por aqui mencionada. Tudo pode ser lido no Aviz.

Untitled

DE UNS PARA OS OUTROS

Não resisto a citar: E é assim tão grave se andarmos aqui a escrever uns para os outros, na «blogosfera», essa «ondulação estival»? Para quem se há-de escrever? Para quem cá anda, para quem aparece, para quem pisca o olho e diz «ontem li o teu texto» ou para quem vem às escondidas, para quem telefona, para quem se importa. «Escrevem uns para os outros.» Não me lixem. Claro que escrevemos uns para os outros. Claro que escrevemos para os outros. E, dado que o mundo é como é, escreve-se sobre política, sobre incêndios florestais, sobre Salinger, sobre música, sobre comida, sobre charutos, sobre o que passa, sobre os outros. . Isto tudo ( e uns parágrafos mais, bem deliciosos, vêm a propósito da coluna de Eduardo Prado Coelho sobre os blogs, já por aqui mencionada. Tudo pode ser lido no Aviz.
A COISA PROMETE
Alberto Gonçalves, que só conheço pelo que escrevia no «Correio da Manhã», tem um blog que promete: Homem A Dias. Para já o que escreveu sobre o estado da opinião em Portugal merece elogio e citação: Salvo excepções, não temos comentadores, temos mensageiros, que passam recados nas páginas dedicadas ao efeito, exaltando compinchas, zurzindo desafectos. Nem vale a pena mencionar o espartilho partidário: Lisboa é pequena e provinciana (o Porto é pior), os restaurantes de jeito escasseiam e os bares em voga, por definição, são poucos. Toda a gente se roça mútua e publicamente aqui e ali. Antipatiza-se com uns, simpatiza-se com os restantes, não importa: o resultado é uma enviesada desgraça. Lembro-me de um «vulto» da crónica nacional a quem apetecia desancar Paulo Portas, mas que não o fazia «por ser amigo dele». A fidelidade ao amigo ficou-lhe bem; a profissão nem tanto.
À semelhança do IRS dos políticos, aos cronistas deveria ser exigida e tornada pública a declaração anual de relações pessoais. Ao menos perceberíamos de quem se fala quando se fala da «grande promessa que o parlamento revelou» ou desse «ministro emocionalmente débil, tendencialmente autoritário e um acabado cabrão». Ou sim, ou sopas. Os blogues, Deus os guarde, começaram pelo «sim», mas alguns já arrastam a colher para as «sopas». É a arte de ser português.
.

Untitled

A COISA PROMETE

Alberto Gonçalves, que só conheço pelo que escrevia no «Correio da Manhã», tem um blog que promete: Homem A Dias. Para já o que escreveu sobre o estado da opinião em Portugal merece elogio e citação: Salvo excepções, não temos comentadores, temos mensageiros, que passam recados nas páginas dedicadas ao efeito, exaltando compinchas, zurzindo desafectos. Nem vale a pena mencionar o espartilho partidário: Lisboa é pequena e provinciana (o Porto é pior), os restaurantes de jeito escasseiam e os bares em voga, por definição, são poucos. Toda a gente se roça mútua e publicamente aqui e ali. Antipatiza-se com uns, simpatiza-se com os restantes, não importa: o resultado é uma enviesada desgraça. Lembro-me de um «vulto» da crónica nacional a quem apetecia desancar Paulo Portas, mas que não o fazia «por ser amigo dele». A fidelidade ao amigo ficou-lhe bem; a profissão nem tanto.

À semelhança do IRS dos políticos, aos cronistas deveria ser exigida e tornada pública a declaração anual de relações pessoais. Ao menos perceberíamos de quem se fala quando se fala da «grande promessa que o parlamento revelou» ou desse «ministro emocionalmente débil, tendencialmente autoritário e um acabado cabrão». Ou sim, ou sopas. Os blogues, Deus os guarde, começaram pelo «sim», mas alguns já arrastam a colher para as «sopas». É a arte de ser português.

.