agosto 03, 2003

SPECTATOR
Tenho pena de não existir por cá nada que se pareça, de perto ou de longe, com a revista semanal britânica The Spectator. E tenho ainda mais pena que ninguém em Portugal edite um resumo do que se passou durante a semana como o que a revista publica sempre sob a designação Portrait Of The Week cuja leitura não me canso de recomendar como exemplo do que é uma síntese informativa impecavelmente bem feita, objectiva mas com sentido crítico, factual mas com ironia. O que prova que o bom jornalismo não é chato. O mau jornalismo é que aborrece.

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SPECTATOR

Tenho pena de não existir por cá nada que se pareça, de perto ou de longe, com a revista semanal britânica The Spectator. E tenho ainda mais pena que ninguém em Portugal edite um resumo do que se passou durante a semana como o que a revista publica sempre sob a designação Portrait Of The Week cuja leitura não me canso de recomendar como exemplo do que é uma síntese informativa impecavelmente bem feita, objectiva mas com sentido crítico, factual mas com ironia. O que prova que o bom jornalismo não é chato. O mau jornalismo é que aborrece.

POIS...
Como era de prever o desejo de protagonismo do Dr. Soares foi bem compreendido pela generalidade dos media, que lhe fizeram o favor de espalhar aos quatro ventos a sua doutrina. Não sei se já repararam mas só aqui é que o pessoal ainda vai na treta de dar atenção ao que dizem os ex-titulares de cargos públicos (é claro que só aqui, também, é que eles têm a lata e o descaramento de intervir sistematicamente na actualidade política quando teroricamente não desempenham nenhum cargo relevante para que tal aconteça). Vêem isto a passar-se em mais algum lado? Um ex-Presidente em Portugal tem mais eco que um Presidente em exercício ou um Governo em funções. Isto é estranho ou sou eu que estou a ver mal as coisas?

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POIS...

Como era de prever o desejo de protagonismo do Dr. Soares foi bem compreendido pela generalidade dos media, que lhe fizeram o favor de espalhar aos quatro ventos a sua doutrina. Não sei se já repararam mas só aqui é que o pessoal ainda vai na treta de dar atenção ao que dizem os ex-titulares de cargos públicos (é claro que só aqui, também, é que eles têm a lata e o descaramento de intervir sistematicamente na actualidade política quando teroricamente não desempenham nenhum cargo relevante para que tal aconteça). Vêem isto a passar-se em mais algum lado? Um ex-Presidente em Portugal tem mais eco que um Presidente em exercício ou um Governo em funções. Isto é estranho ou sou eu que estou a ver mal as coisas?
MAIS NOTÍCIAS DOS INCÊNDIOS
Na imprensa de hoje salvam-se o «Público» e o «Correio da Manhã». O«Diário de Notícias», vá-se lá saber porquê, no dia de hoje, achou que o tema da quebra de turistas nudistas era o assunto principal. O «Jornal de Notícias» vem melhor, mas confuso. À primeira vista a cobertura mais exaustiva, com mais dados locais e informações concretas dos principais locais que viveram o perigo está mesmo no «Correio da Manhã» - que sendo tablóide trata o assunto à séria.

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MAIS NOTÍCIAS DOS INCÊNDIOS

Na imprensa de hoje salvam-se o «Público» e o «Correio da Manhã». O«Diário de Notícias», vá-se lá saber porquê, no dia de hoje, achou que o tema da quebra de turistas nudistas era o assunto principal. O «Jornal de Notícias» vem melhor, mas confuso. À primeira vista a cobertura mais exaustiva, com mais dados locais e informações concretas dos principais locais que viveram o perigo está mesmo no «Correio da Manhã» - que sendo tablóide trata o assunto à séria.

NOTÍCIAS DOS INCÊNDIOS
Vendo agora a coisa com calma percebe-se como o impressionismo e a exploração dos sentimentos dominou a cobertura noticiosa dos incêncios nas rádios e televisões durante o dia de ontem. Não houve capacidade de recuo, as sínteses de situação foram pobres, a compilação de dados e factos reais quase inexistente. Em regra as emoções foram colocadas à frente do relato objectivo dos factos, os depoimentos (os célebres depoimentos...o recurso preguiçoso à palavra dos outros) exploravam sentimentos de terror e de angústia e os repórteres no terreno, regra geral, tiveram dificuldade em ser objectivos e informativos, preferindo assumir eles próprios as naturais emoções que os rodeavam. Mas o pior foi a falta de apoio nas redacções, a enquadrar com dados, imagens, gráficos, histórico, sínteses o que se passava nos vários locais. Se os repórteres no terreno têm desculpa por carregarem na emoção, as redacções não têm: só o fizeram pelo gosto pelo sensacionalismo, por já não conseguirem distinguir o que é informação de tudo o resto, por serem elas próprias, pelos vistos, a incentivar, a exploração dos sentimentos sobre o relato objectivo dos factos.

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NOTÍCIAS DOS INCÊNDIOS

Vendo agora a coisa com calma percebe-se como o impressionismo e a exploração dos sentimentos dominou a cobertura noticiosa dos incêncios nas rádios e televisões durante o dia de ontem. Não houve capacidade de recuo, as sínteses de situação foram pobres, a compilação de dados e factos reais quase inexistente. Em regra as emoções foram colocadas à frente do relato objectivo dos factos, os depoimentos (os célebres depoimentos...o recurso preguiçoso à palavra dos outros) exploravam sentimentos de terror e de angústia e os repórteres no terreno, regra geral, tiveram dificuldade em ser objectivos e informativos, preferindo assumir eles próprios as naturais emoções que os rodeavam. Mas o pior foi a falta de apoio nas redacções, a enquadrar com dados, imagens, gráficos, histórico, sínteses o que se passava nos vários locais. Se os repórteres no terreno têm desculpa por carregarem na emoção, as redacções não têm: só o fizeram pelo gosto pelo sensacionalismo, por já não conseguirem distinguir o que é informação de tudo o resto, por serem elas próprias, pelos vistos, a incentivar, a exploração dos sentimentos sobre o relato objectivo dos factos.

agosto 02, 2003

MAIS GRUPO DOS OITO
É preciso dizer que os oito generais que jantaram sob o foco das televisões não têm legitimidade de qualquer espécie para pressionarem um Governo eleito como estão a fazer. Os militares têm sempre um apetite latente por exibirem a força que julgam deter - mas é preciso dizer, sobretudo nestas alturas onde eles julgam poder influenciar o destino das coisas - que os generais só se representam a eles próprios. Não foram eleitos, são apenas peças de uma cadeia hierárquica e não podem reivindicar representatividades ou legitimidades que não têm - sobretudo contra membros de um governo saído de eleições. Se não for assim, cai-se no terrível risco de permitir que grupos sem legitimidade democrática queiram condicionar o exercício do poder. É isto que querem os que apoiam os generais?

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MAIS GRUPO DOS OITO

É preciso dizer que os oito generais que jantaram sob o foco das televisões não têm legitimidade de qualquer espécie para pressionarem um Governo eleito como estão a fazer. Os militares têm sempre um apetite latente por exibirem a força que julgam deter - mas é preciso dizer, sobretudo nestas alturas onde eles julgam poder influenciar o destino das coisas - que os generais só se representam a eles próprios. Não foram eleitos, são apenas peças de uma cadeia hierárquica e não podem reivindicar representatividades ou legitimidades que não têm - sobretudo contra membros de um governo saído de eleições. Se não for assim, cai-se no terrível risco de permitir que grupos sem legitimidade democrática queiram condicionar o exercício do poder. É isto que querem os que apoiam os generais?

SOARES E O GRUPO DOS OITO
Soares não resistiu às recordações do seu papel no Grupo dos Nove, e, confundindo os tempos e as situações, apareceu a estimular a contestação ao Ministro da Defesa. Não me parece muito normal que um ex Presidente da República assuma os protestos de militares que não representam nada a não ser eles próprios, contra um membro de Um Governo democraticamente eleito.

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SOARES E O GRUPO DOS OITO

Soares não resistiu às recordações do seu papel no Grupo dos Nove, e, confundindo os tempos e as situações, apareceu a estimular a contestação ao Ministro da Defesa. Não me parece muito normal que um ex Presidente da República assuma os protestos de militares que não representam nada a não ser eles próprios, contra um membro de Um Governo democraticamente eleito.
AMIEIRA
Sou de Amieira do Tejo. Ou melhor, toda a minha família é de lá. A Amieira é uma das aldeias, do concelho de Nisa, que está hoje cercada pelo fogo. Cercada mesmo. Tudo à volta já ardeu - as hortas onde brinquei, os pinhais onde ía passear, a vinha onde passei tantas férias a ver fazer vinho. Tenho uma angústia difícil de explicar. Percebo agora o que é ver parte do passado esvair-se em fumo. Estou aqui em Lisboa e sei que não vale de nada lá ir - nem se consegue passar, a estrada está fechada. Já estive em muitos incêndios - durante anos, como jornalista, fiz dezenas de reportagens destas no Verão e sei como o fogo florestal é assustador, como o barulho que faz aterroriza, como as chamas mudam de direcção sem aviso. Imagino o que sentem todos os que lá estão.

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AMIEIRA

Sou de Amieira do Tejo. Ou melhor, toda a minha família é de lá. A Amieira é uma das aldeias, do concelho de Nisa, que está hoje cercada pelo fogo. Cercada mesmo. Tudo à volta já ardeu - as hortas onde brinquei, os pinhais onde ía passear, a vinha onde passei tantas férias a ver fazer vinho. Tenho uma angústia difícil de explicar. Percebo agora o que é ver parte do passado esvair-se em fumo. Estou aqui em Lisboa e sei que não vale de nada lá ir - nem se consegue passar, a estrada está fechada. Já estive em muitos incêndios - durante anos, como jornalista, fiz dezenas de reportagens destas no Verão e sei como o fogo florestal é assustador, como o barulho que faz aterroriza, como as chamas mudam de direcção sem aviso. Imagino o que sentem todos os que lá estão.
O GRUPO DOS OITO
Para falar verdade acho um bocadinho estranho o jantar dos senhores Chefes do Estado Maior do Exército. É certo que teve laivos de grande produção: montes de oportunidades para imagem, acesso facilitado a jornalistas. comunicado em forma no final. Nada foi feito para manter o encontro reservado. O ex-Grupo dos Nove~foi de uma comovente ingenuidade e amadorismo ao pé destes generais. Este encontro foi deliberadamente publicitado e organizado. Foi preparado ao pormenor. Teve o requinte de envolver um ex-Presidente da República (que se prestou a ser envolvido). Não é muito tranquilizador ter oito Chefes de Estado do Exército a conspirarem. Se somos todos iguais porque é que alguns continuam a querer ser mais iguais que os outros?

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O GRUPO DOS OITO

Para falar verdade acho um bocadinho estranho o jantar dos senhores Chefes do Estado Maior do Exército. É certo que teve laivos de grande produção: montes de oportunidades para imagem, acesso facilitado a jornalistas. comunicado em forma no final. Nada foi feito para manter o encontro reservado. O ex-Grupo dos Nove~foi de uma comovente ingenuidade e amadorismo ao pé destes generais. Este encontro foi deliberadamente publicitado e organizado. Foi preparado ao pormenor. Teve o requinte de envolver um ex-Presidente da República (que se prestou a ser envolvido). Não é muito tranquilizador ter oito Chefes de Estado do Exército a conspirarem. Se somos todos iguais porque é que alguns continuam a querer ser mais iguais que os outros?

LISBOA
Regresso a Lisboa depois de 15 dias. Muitas ruas que tinham buracos têm tapetes novos de alcatrão. Alfama está a voltar ao que era antes do desvario automóvel. O Intendente começou a ser recuperado. A cidade vai ficando melhor. Contra factos não há argumentos - nem sequer o anedotário produzido a propósito da cartinha dirigida a Machado de Assis.

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LISBOA

Regresso a Lisboa depois de 15 dias. Muitas ruas que tinham buracos têm tapetes novos de alcatrão. Alfama está a voltar ao que era antes do desvario automóvel. O Intendente começou a ser recuperado. A cidade vai ficando melhor. Contra factos não há argumentos - nem sequer o anedotário produzido a propósito da cartinha dirigida a Machado de Assis.
FRIGORÍFICO
O que é que pode ser melhor, num dia de calor, que um bom frigorífico, ainda por cima inteligente e com acesso remoto por telemóvel. Duvidam? Espreitem a última maravilha da Electrolux na Wired.

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FRIGORÍFICO

O que é que pode ser melhor, num dia de calor, que um bom frigorífico, ainda por cima inteligente e com acesso remoto por telemóvel. Duvidam? Espreitem a última maravilha da Electrolux na Wired.