setembro 12, 2014

SOBRE O PAPEL DO BITOQUE NA COMUNICAÇÃO

UM ECRÃ E UM BITOQUE - Aqui há uns anos entrava num restaurante, café ou snack-bar para almoçar e via, em meia dúzia de mesas, pessoas a ler jornais e, com sorte, alguém a ler um livro enquanto esperava pelo bitoque. Hoje em dia o único papel que existe na mesa das casas de pasto é o das toalhas e dos guardanapos. Está toda a gente de smartphone na mão, aposto que a maioria nas redes sociais, e uns poucos a ler informação em sites ou aplicações. Já não me espanto quando vejo um casal de mão dada, cada um do seu lado da mesa, ambos a olharem para o seu ecrã particular, encaixado na palma da mão deixada livre pela ternura, e accionado pelo polegar. A bela conversa diminuíu e foi substituída pela observação do mundo virtual. Esta semana a Marktest divulgou um estudo que revela que já existem quatro milhões de portugueses que utilizam smartphones, praticamente metade do total de telemóveis existentes. As previsões apontam para que até final do ano existam mais dois milhões em funcionamento. Nos cafés e restaurantes passou a existir uma placa que diz “wifi gratuita” e, aqueles que a têm, conseguem ter mais clientes que aqueles que passam ao lado do admirável mundo novo. Para ter sucesso uma casa de pasto contemporânea tem que ter internet disponível, já não basta ter uma boa bifana ou uma merendinha bem aviada. O sumo de laranja natural, durante anos campeão dos anúncios de balcão, foi relegado para segundo plano pelas tecnologias wireless. A conversa foi substituída pela observação. Já não lemos, espreitamos. Somos todos voyeurs de pequenos ecrãs - essa é que é a verdade dos dias que correm.


 


SEMANADA - O edifício do posto da GNR de Pernes foi penhorado pelas Finanças por dívidas ao Fisco da empresa imobiliária proprietária do prédio, que o cedeu à autarquia, que por sua vez o cedeu à Guarda; quase 17% da população até aos 29 anos não tem qualquer actividade, nem escolar, nem laboral; Portugal é dos países da União Europeia que tem mais adultos sem o 12º ano; Portugal é o terceiro país com mais recém licenciados desempregados, a seguir à Grécia e Espanha; a directora-geral do FMI afirmou ter sido a “Espanha o único país a progredir na zona euro”; nos primeiros quatro meses do ano registaram-se 294 suicídios em Portugal; dos 611 mil desempregados apenas 323 mil recebem subsídio de desemprego; em Julho o crédito malparado das famílias e empresas atingiu o valor mais alto de sempre, quase 18 mil milhões de euros; nos últimos 38 anos PS e PSD tiveram 88,5% dos mandatos autárquicos das câmaras que hoje têm maiores dívidas; o médico da selecção de futebol demitiu-se;após o Portugal-Albânia Paulo Bento saíu-se com esta tirada:  “Se no final da primeira jornada colocamos já tudo em causa, não me parece que seja o melhor caminho”; o Presidente da República levantou dúvidas sobre a informação que recebeu do Governo no caso BES, depois de ter garantido que os portugueses podiam confiar no banco, afirmação proferida nove dias antes da apresentação de prejuízos recorde; um autarca de uma junta de freguesia de Guimarães, Gonça, aproveitou a audiência der uma missa para fazer uma sessão de angariação de simpatizantes do PS; os debates entre Costa e Seguro fizerem boas audiências de televisão, ao nível de um jogo de futebol de segundo plano; há um espectro que assola as primárias do PS e chama-se Sócrates - o seu nome raramente é citado mas está em todo o lado, mesmo onde menos se espera.


 


ARCO DA VELHA - Marinho Pinto foi um dos 12 eleitos para o Parlamento Europeu que falhou a entrega, no prazo legal, da declaração de rendimentos no Tribunal Constitucional. Entretanto anunciou a sua saída do MPT, partido pelo qual foi eleito e disse querer criar nova organização política.


 


 


 


 


OUVIR - A canadiana Molly Johnson começou a sua carreira musical como vocalista de bandas rock e pop e marginalmente manteve sempre alguma actividade como cantora de jazz. Esta sua vertente jazzística apenas ganhou maior dimensão já ela estava na sua quarta década de vida, no início do actual século. Alguns dos seus discos receberam bom acolhimento, as suas digressões e concertos obtiveram assinalável êxito, sobretudo no Canadá em em França. Ao longo da sua carreira a solo, que entrou agora no seu sexto disco, Molly Johnson tem sido comparada a Billie Holiday. E o sexto disco é exactamente a sua homenagem a Billie - gravado quase live on tape, em apenas quatro dias, com a sua banda de seis músicos. São 14 canções, clásicos do repertório de Billie Holiday, algumas escritas por ela própria, como “Don’t Explain”, “Fine And Mellow” ou “Now or Never”. Mas aqui também estão “Body and Soul”, “God Bless The Child”, “How Deep Is The Ocean” ou “They Can’t Take That Away From Me”. A melhor parte do disco é que embora Johnson  considere Billie uma fonte de inspiração, estas interpretações fogem à tentação da simples imitação e chegam a ser surpreendentes na forma como dão nova vida a alguns destes clássicos - parte deve-se aos músicos e aos arranjos, parte deve-se, claro, à própria Molly Johnson. (CD Universal, disponível em Portugal).


 


VER - A partir da próxima semana começa em Braga uma nova edição dos Encontros da Imagem, que vão de 18 de Setembro a 31 de Outubro. Os Encontros vão na sua 24ª edição e do programa deste ano, feito sob o lema “Hope & Faith”, destaco uma mostra de trabalhos do espanhol Joan Fontcuberta, uma colectiva no Mosteiro de Tibães que inclui Luisa Ferreira, Alexandre Almeida, Inês d’Orey e Valter Vinagre, entre outros, o Photobook Market, e uma exposição de autores emergentes. Ao todo são quase duas dezenas de iniciativas, de exposições a workshops, em diversos espaços da cidade, desde montras de lojas do centro da cidade a edifícios que são referências patrimoniais. Os Encontros têm também actividade em Guimarães e no Porto e há ainda, de novo este ano, uma extensão lisboeta, a partir de 27 de Setembro, que engloba exposições de Marcelo Buainaim, Helena Gonçalves, Marcelo Costa e Mário Macilau, entre outros. O programa pode ser consultado emwww.encontrosdaimagem.com


 


FOLHEAR  - Agora que o Cinema Ideal está de novo a funcionar, graças ao entendimento entre a Casa da Imprensa e a distribuidora Midas, desse militante do cinema que é Pedro Borges, é boa ocasião para percorrer um pouco da história da histórica e pioneira sala. Há coisa de dois meses a editora “Guerra & Paz” publicou um belíssimo livro de Maria do Carmo Piçarra, “O Cinema Ideal E A Casa da Imprensa - 110 Anos de Filmes”. As 130 páginas do livro contam as origens do Ideal, quem em 1904 se afirmava o primeiro salão de cinema do país. No tempo do cinema mudo, quando se utilizavam vozes atrás do ecrã para sonorizar a acção, António Silva (então ainda bombeiro) foi uma dessas vozes utilizadas pelo Ideal e era considerado na imprensa da época “um ás do falado”. A partir de 1931 a sala começou a projectar filmes sonoros, e o primeiro foi “Sob Os Telhados de Paris”, de René Clair. O livro percorre estas e outras histórias, desde os ciclos de cinema e festivais organizados pela Casa da Imprensa nos anos 60, até à decadência da sala, já nos anos 80 e 90, transformada em exibidora de pornografia e filmes de acção. O livro inclui ainda duas dezenas de fotografias e reproduções de ilustrações, que mostram diversos momentos da vida do Ideal. É um pequeno grande livro sobre histórias da História de Lisboa e do papel que o cinema tem tido na cidade. Uma belíssima leitura, à venda nas livrarias e no próprio cinema Ideal por 14 euros.


 


PROVAR - No mesmo sítio onde até há um ano existiu o restaurante “Galo D’Ouro”, na Avenida Marquês de Tomar 83, em Lisboa, está agora o Xangai, um restaurante chinês que pratica uma cozinha bem diferente da que é habitual  nos estabelecimentos do género em Lisboa. Não é por acaso que a cozinha da cidade de  Xangai é considerada como das mais elaboradas da China, recorrendo a ingredientes e a uma confecção que é pouco divulgada em Portugal. Este restaurante propõe resolver essa falta de conhecimento e apresenta uma escolha alargada de sugestões, com sabores - e por vezes ingredientes - inesperados. As minhas duas visitas correram bem e confesso que ainda estou a descobrir coisas novas na lista. Uma das dificuldades é que o pessoal do restaurante fala português com dificuldade e apesar de a lista estar traduzida o diálogo nem sempre é fácil. A maioria dos clientes são chineses, os preços são convidativos. A garrafeira tem alguns vinhos portugueses inesperados, e bem escolhidos. Numa próxima ocasião hei-de arranjar forma de sentar vários convivas à mesa, para ir experimentando vários pratos ao mesmo tempo, desde as saladas confeccionadas com algas até ao tofu picante ou os raviolis com carne de porco - que já provei e são fantásticos. Mas a lista é grande e tenho ainda muito para descobrir. Por coincidência, ou talvez não, o restaurante está bem perto da associação de conterrâneos de Xangai, que fica ali ao lado, na Miguel Bombarda 46.


 


DIXIT - “Eu tenho-te ouvido com evangélica paciência” - António Costa para António José Seguro num dos debates televisivos.


 


GOSTO - A Junta de Freguesia de Belém está disposta a garantir a manutenção dos brasões do Jardim do Império, salvando-os das diabruras de Sá Fernandes.


 


NÃO GOSTO - Portugal foi o país da União Europeia que mais desinvestiu na educação.


 


BACK TO BASICS - “Entre dois pecados escolho sempre aquele que ainda não experimentei” - Mae West


 

setembro 05, 2014

VERÃO MORNO COM TEMAS ESCALDANTES

TEMPERATURA - Este Verão foi pouco dado a temperaturas altas e noites envolventes, mas em compensação foi abundante em temas escaldantes. Nem o argumentista mais imaginativo conseguiria desenvolver um plot em que tanta mudança acontecesse em meia dúzia de semanas - o banco do regime esborou-se, um dos grupos familiares mais poderosos com enorme peso financeiro desfez-se num repente. Quanto mais penso nisto mais fico com a impressão que a história está muito longe de estar toda bem contada. Todas as semanas se vai descobrindo mais umas coisinhas, desde falhas dos auditores até pequenas e grandes conspirações, desde atitudes do Banco de Portugal a declarações de responsáveis políticos ao mais alto nível. Vai-se a ver e todos, do Presidente da República aos Ministros mais envolvidos, desde o Banco de Portugal à CMVM, juraram em falso e induziram em erro muita gente. A responsabilidade não é só de quem urdiu e mal geriu - é também de quem tolerou o que se passou e, mesmo sabendo, continuou a dizer que tudo estava no melhor dos mundos. Com a derrocada das últimas semanas não foi só um Banco e uma família que sofreram - foi todo o sistema de controlo que fica posto em causa, foi a confiança em declarações de políticos e técnicos que levou forte machadada. O Banco Espírito Santo caíu (o que até pode dar jeito a alguns) - mas a sua queda ainda vai arrastar mais gente do que aquilo que hoje se vislumbra.


 


SEMANADA -  Entre 1 de Janeiro e 31 de Agosto morreram 295 pessoas em acidentes de viação, menos 32 que em igual período do ano passado; entre Janeiro de 2013 e Julho deste ano registaram-se 256 acidentes com tractores e outras máquinas agrícolas, que provocaram 115 mortos e 83 feridos graves; entre 1 de Maio e 31 de Agosto perderam a vida nas praias quatro pessoas, contra 11 no mesmo período do ano passado; a praia urbana do Torel, em Lisboa, recebeu 80 mil visitantes em Agosto; um terço dos fogos e meio milhão de hectares, representando  41,5% da área ardida em incêndios florestais nos últimos 13 anos, devem-se à acção premeditada de incendiários; a TAP registou, em cinco dias,  cinco casos de incidentes com aviões da companhia mas a empresa nega aumento de problemas com voos; metade do aumento da receita de impostos deve-se ao combate à fuga e fraude fiscal; diversas estimativas apontam para uma receita diária do Estado Islâmico de entre dois a três milhões de dolares por dia, dinheiro proveviente da extorsão, de petróleo e de impostos; no segundo dia do mapa judiciário os problemas informáticos obrigaram advogados a recorrer ao tradicional correio em papel para evitar o risco de falhar prazos; CP, Metro de Lisboa e Metro do Porto registaram aumento de tráfego no primeiro semestre, com mais 3,2 milhões de passageiros transportados; os trabalhos na Praça do Areeiro, que duram há seis anos, que dificultam a circulação de peões e automóveis na zona, e que causam prejuízo aos comerciantes locais, estão suspensos desde o ano passado e sem data anunciada de conclusão devido a um litígio entre o Metro de Lisboa e a construtora; António Costa ainda não se declarou surpreendido por esta situação.





ARCO DA VELHA - A idade média dos quatro novos apoiantes de António Costa divulgados esta semana - Almeida Santos, Manuel Alegre, Vera Jardim e Jorge Sampaio - é de 78,7 anos.


 


FOLHEAR - Os leitores destas páginas sabem quanto aprecio, desde o início, a revista “Monocle”. Esta semana, o seu fundador, Tyler Brulé, vendeu uma participação minoritária por um valor estimado de dez milhões de dólares, permanecendo ainda com 80 por cento do capital da empresa que publica a revista. Segundo o “Financial Times” a “Monocle” significou um investimento de dez milhões de dólares quando foi lançada em 2007 e estará agora avaliada em cerca de 110 milhões de dólares. No primeiro semestre deste ano a circulação da revista cresceu 4% e é agora de perto de 80 mil exemplares, vendidos em todo o mundo, a um preço de capa de 12 dólares e a mais recente edição da revista conseguiu vender espaço publicitário no valor de meio milhão de dólares. O comprador da posição minoritária foi o grupo japonês Nikkei, que edita o jornal com maior circulação do mundo, o Nihon Keizai Shimbun, para além de deter 40 revistas, canais de TV, e estações de rádio. A edição de Setembro da “Monocle”, já disponível em Portugal, é dedicada aos negócios dos novos empreendedores e inclui o guia de empreendedorismo para 2014, que analisa vários casos de sucesso, entre os quais o do chef português José Avillez - cujo percurso empresarial conta com algum detalhe. Esta é uma daquelas edições para guardar e ir consultando, vendo os exemplos de companhias recentes que tiveram sucesso, um manual de como a criatividade e um sólido plano acrescentam valor aos negócios.


 


VER - Até 18 de Outubro ainda podem visitar no Museu do Caramulo a exposição “Lendas da Competição” , dedicadas a automóveis de corrida que fizeram história - e que desde meados de Junho já recebeu mais de 5 000 visitantes. Esta exposição conta com quase duas dezenas de automóveis de competição, abrangendo oito décadas de história, desde os anos 30. Entre eles contam-se lendas como o Bugatti 35B de 1930, o automóvel com mais vitórias de sempre na história da competição, até ao Lancia Delta HF Integrale 16V de 1991, com o qual Didier Auriol venceu o Campeonato do Mundo. A exposição inclui também veteranos das 24 Horas de


Le Mans, assim como automóveis fabricados em Portugal e que participaram na era dourada das


corridas nacionais nos anos 50, além dos monolugares dos anos 60 e 70 e automóveis de Rali


desde os anos 60 até à actualidade. Uma das grandes novidades da exposição, a partir desta semana,  é o Mercedes MGP W02, o Fórmula 1 original com o qual Michael Schumacher e Nico Rosberg correram na temporada de 2011.


 


OUVIR - A carreira de Al Jarreau vem desde meados dos anos 70 mas foi nos anos 80 que verdadeiramente ele se tornou popular com álbuns como “Breakin’ Away” e, nos anos 90, com “Heaven And Earth”. É assíduo vencedor dos Grammy Awards nas categorias Rhythm & Blues e Jazz Vocal. Tem um estilo peculiar, procura usar a voz como um instrumento, com frequente recurso a onomatopeias e às vezes fica um bocadinho repetitivo. Ganhou notoriedade antes do ressurgimento dos cantores de jazz do final dos anos 90, e hoje em dia já não tem muito para demonstrar. Um dos seus ídolos é George Duke, a quem deve aliás o início da sua carreira musical. Duke, que morreu em 2013, foi um dos mais multifacetados músicos norte-americanos e trabalhou com nomes como Frank Zappa, Miles Davis, Cannonball Adderley, Jean Luc Ponty, Milton Nascimento, Airto Moreira ou Flora Purim, entre outros. Além de instrumentista e produtor tornou-se conhecido como compositor e este disco de Al Jarreau é uma homenagem a essa sua faceta, com versões de nove temas célebres de Duke. Além de Al Jarreau, colaboram nomes como o baixista Marcus Miller, o saxofonista Boney James,  e as vozes de  Dr. John, Diane Reeves ou Lalah Hathaway, entre outros. CD Concorde, disponível em Portugal.


 


PROVAR - O antigo Eurotel de Tavira sofreu obras profundas nos últimos meses e uma completa remodelação num projecto do arquitecto Pedro Campos Costa. Agora responde pelo nome de Ozadi e inclui o restaurante Orangea, localizado numa área construída de novo, que inclui uma ampla esplanada coberta, de madeira, confortável e acolhedora. Ao almoço, tarde e ao fim da noite funciona como bar e serve petiscos e refeições leves,  vocacionadas para quem está na piscina do hotel, tendo ainda uma simpática carta de “tapas & wine”. Ao jantar o caso muda de figura e apura-se o trabalho da cozinha, com clara inspiração mediterrânica. Numa recente visita provaram-se, com sucesso, umas belíssimas pataniscas de estupeta de atum e supremos de dourada grelhada, com puré de cenoura e abóbora e grelos salteados. A carta de vinhos é razoável e tem uma boa escolha de produtores do Algarve, que cada vez vale mais a pena conhecer - peça indicações ao chefe de sala que aconselha bem os vinhos ideais para as escolhas que tiver feito. Se quiser rematar a refeição com um digestivo experimente o licor Orangea, à base de laranja, produzido em exclusivo para o hotel. Quinta das Oliveiras, Tavira, Telefone 281 324 324.


 


DIXIT - “Alguém devia informar a criatura que apagar a história material que o país foi construindo desde 1143 implica escavacar Portugal inteiro e todos os símbolos que poluem a paisagem com vícios e ganância, segundo o alarve anacronismo do vereador” - João Pereira Coutinho sobre a decisão de José Sá Fernandes de destruir os brasões das ex colónias no Jardim do Império.


 


GOSTO - O investimento de empresas inovadoras atingiu nos primeiros seis meses do ano um total de 11 milhões de euros, um valor próximo do total do ano passado.


 


NÃO GOSTO - No processo de pagamentos de quotas do PS Lisboa verificou-se que há 17 militantes registados como vivendo na mesma casa, sem serem da mesma família.


 


BACK TO BASICS - “Aprender sem pensar é trabalho perdido; pensar sem aprender é perigoso” - Confúcio

agosto 31, 2014

A ESQUINA SEMPRE ALERTA DESDE 2003

Hoje, que é dia dos blogues, aqui estou a recordar que me ando a passear nesta esquina do rio desde 2003. E obrigado a todos que me seguem.

agosto 29, 2014

SOBRE OS DRONES, A POLÍTICA E MANEIRAS DE VER UMA CIDADE

DRONES  - Chega agora aquela altura do ano em que os partidos criam uns acontecimentos a que chamam universidade de verão, ou qualquer outra coisa do género, para dar um ar de trabalho e respeitabilidade. No geral é perpetuamente convidado o mesmo conjunto de notáveis, em cada partido há o cuidado de ir buscar um notável do partido ao lado, e todos ficam felizes repetindo quase todos os anos os mesmos relatos das suas experiências passadas. Poucos são no entanto os que falam das realidade presentes e dos desafios futuros - o maior dos quais é a reforma do sistema político e partidário, assunto declarado tabu apesar de todas as iniciativas não partidárias em curso sobre essa matéria. Toca-se ao de leve no tema mas verdadeiramente a reforma do sistema não é interiorizada como uma prioridade - se o fosse o arco parlamentar provavelmente mudaria. É interessante como os partidos são incapazes de reflectir sobre si próprios - por exemplo sobre esse “case study” de conspiração interna em que se tornou o PS ou sobre a aliança entre negócios e política que toca todo o arco da governação de forma mais ou menos acentuada. Mas não os ouço a reflectir sobre as expectativas dos eleitores, sobre as possibilidades que a análise dos dados digitais hoje possibilitam a nível da acção política, sobre a importância da adopção de estudos de opinião à marcação da agenda política ou sobre a importância de saber comunicar de forma efectiva, em relação aos eleitores, por forma a mobilizá-los e não apenas aos militantes com o objectivo de os entreter, que é a prática corrente. Há quem demonize o marketing político, mas ninguém assume uma discussão séria sobre esta questão: é mau fazer marketing na política? Ou é preferível criar drones de falatório e politiquice, de que Marques Mendes deve ser o mais genuíno exemplo?


 


SEMANADA - Em Portugal registam.se, por ano, dez mil incêndios urbanos que provocam 60 mortes; a Provedoria de Justiça deu razão a queixas contra a CRESAP, uma comissão criada pelo Governo e liderada por João Bilhim para escolher dirigentes no Estado, e aponta violações da lei, critérios "arbitrários" e "conceitos indeterminados" na seleção e nos concursos; João Bilhim referiu que a Cresap “é um sonho do senhor primeiro-ministro”, acrescentando que “numa cultura da Europa do Sul, ou seja, do azeite, não é fácil aceitar a lei do mérito e a intervenção de uma entidade administrativa independente”;  Antonio José Seguro admitiu não poder garantir que vá baixar impostos se fôr primeiro-ministro; António Costa quer debater menos que Seguro - Costa propõe debates televisivos de 25 minutos e Seguro propõe 45 minutos; a hotelaria algarvia registou, no primeiro semestre deste ano, 6,5 milhões de dormidas, mais 13,1 por cento do que no período homólogo; a dívida da Câmara de Lisboa ultrapassa os 500 milhões de euros, mais do dobro da dívida do Porto; Vila Nova de Poiares, Portimão, Aveiro e Nazaré são municípios que estão com a corda na garganta e já mostraram interesse em recorrer a uma linha de emergência do Governo para pagar salários, transportes escolares e outros pagamentos essenciais mais urgentes; o Museu do Brinquedo, em Sintra, vai encerrar Domingo por falta de apoios.


ARCO DA VELHA - A KPMG, auditora do BES, recusou-se a assinar as contas do banco relativas ao primeiro semestre deste ano.


 


FOLHEAR - O número de Setembro da revista “Vanity Fair” é a edição anualmente dedicada ao Estilo, e que inclui a escolha dos que são considerados como os mais elegantes e mais bem vestidos - aqui fotografados por Mario Testino. Mas as principais matérias de interesse da revista têm a ver com outros estilos. Destaco o artigo sobre o projecto criado pelo arquitecto Frank Gehry em Paris, no Bois de Boulogne, para albergar a Fundação Louis Vuitton - descrito pela revista como um edifício diferente de qualquer coisa que antes se tenha conhecido, “um casamento de ambição cultural com empreendedorismo” . Faço questão de recordar que Lisboa não tem um projecto de Frank Gehry - por sinal fantástico (tive ocasião de o conhecer) -  paredes meias com a Avenida da Liberdade, por culpa principal desse nefasto Presidente da República chamado Jorge Sampaio, que vetou a utilização de verbas do Casino e do Jogo para a sua construção. O projecto de Gehry para Lisboa seria construído, se Sampaio não o tivesse impedido, no local onde continuam apenas a existir os destroços do Parque Mayer, que António Costa e Sá Fernandes persistem inabalavelmente em manter - mais um sinal da actuação de Costa na cidade que desgoverna, em estágio para querer fazer o mesmo ao país. Eu gostava que em Portugal volta e meia se fizesse a memória de algumas coisas e se investigasse, numa boa reportagem, o que levou um Presidente da República a impedir aquilo que seria uma obra de arquitectura marcante para Lisboa, com um enorme impacte no seu posicionamento internacional. Talvez nessa altura tivéssemos umas páginas da “Vanity Fair” a olhar para Lisboa.


 


VER -  O Sundance Channel foi criado por iniciativa de Robert Redford em 1996 com o objectivo de exibir filmes de autor, documentários, séries, curtas metragens e reportagens. O projecto cresceu, criou um festival de audiovisual - o Sundance Film Festival - que depressa se tornou uma referência. Na Europa o canal Sundance apenas tem uma versão na Holanda, por sinal o primeiro país a ter televisão privada num continente dominado por um serviço público cada vez mais arteroesclerótico. O Sundance é uma iniciativa privada, que além de Redford, contou com a CBS e a Universal, até ser comprado em 2008 pela Rainbow Media. Apesar de não poder ser visto em Portugal, uma pesquisa no YouTube revela muitos dos seus programas e, sobretudo, permite aceder a uma das suas séries documentais de referência, “Iconoclasts”  , exibida entre 2005 e 2012, e sempre patrocinada por uma marca de vodka premium. O conceito é simples - colocar duas personagens criativas e conhecidas, de áreas diferentes ou não, a falarem uma com a outra  sobre o que fazem.. No YouTube encontra os episódios do músico Eddie Vedder com o surfista Lair Hamilton, da cantora Fiona Aplle com o realizador Quentin Tarantino, da designer e estilista Stella McCartney com o artista plástico e fotógrafo Ed Ruscha, de Paul Smith com Jamie Oliver (na foto) e, sobretudo, os episódios do próprio Robert Redford a conversar com Paul Newman. Imperdível - e qualquer destes programas, aposto, é mais barato de produzir que uma transmissão de um jogo de futebol desses que passam a todaa hora no serviço público. É isso que me chateia.


 


OUVIR - Lana Del Rey é uma provocadora que agora se apresenta como guardiã de memórias do passado na música pop de hoje. Só assim se compreende a forma como ela evoca filmes antigos, como percorre a estética de imagem e até da música dos anos 60 e 70. A canção que dá nome ao álbum, “Ultraviolence”, repete a frase ““He Hit Me (And It Felt Like a Kiss)”, que era o título de um original de Carole King e Gerry Goffin, gravada pelos Cristals e Phil Spector nos anos 60. Muita da força deste disco, ao nível dos arranjos, da intensidasde das guitarras e da sonoridade criada deve-se  a Dan Auerbach, dos Black Keys, que exerceu a função de produtor. É sabido que os Black Keys gostam dos anos 70, mas este disco é mais que uma ida ao passado, é como um perverso exercício de nostalgia, nas letras e na música. Os temas mais marcantes são“West Coast”, “Brooklyn Baby”, “Money Power Glory”, “Old Money” e claro  “Fucked My Way Up To The Top” e “Cruel World”, a faixa de abertura. Em todos se nota o mesmo recado - um mundo que se foi tornando num museu confuso, em que a cultura se repete e em que todos copiam todos e imitam quem podem. Aqui está um álbum intrigante e sedutor.


 


PROVAR - Jorge Rodrigues é um dos chefs de cozinha algarvios que mais se tem destacado nos últimos anos. Combina a fidelidade às tradições gastronómicas da sua região com uma assinalável capacidade criativa e posiciona-se numa cozinha de inspiração mediterrãnica - um dos seus prémios diz respeito à forma como elaborou um tamboril em molho de carabineiro suado na cataplana. É ele o responsável pelo restaurante “O Convento”, localizado no Convento das Bernardas, em Tavira, reconstruído em 2010 pelo arquitecto Souto Moura, e que era o maior convento do Algarve. O restaurante fica numa sala ampla e tem uma lista tentadora. Nas entradas destaco as ostras da Ria Formosa ao natural, fresquíssimas, e um carpaccio de polvo com saladinha montanheira e vinagrete de coentros. Na parte mais substancial, quem quis as ostras de entrada avançou para  o polvo de Tavira confitado sobre esmagada de batata doce e misto de legumes e quem começou pelo carpaccio escolheu os filetes de cavala na chapa com açorda  de ostras e aroma a poejo. Do princípio ao fim tudo excedeu as expectativas - desde a manteiga de amendoa no couvert, até á troliogia de amendoa, alfarroba e figo na sobremenesa, acompanhada por um shot de medronho. A lista ds vinhos é assumidamente algarvia e o destaque da casa vai para a produção da Quinta do Barranco Longo. Na ocasião bebeu-se o branco, que esteve à altura da refeição servida. É sem nehuma dúvida o melhor restaurante do Algarve a que fui nos últimos tempos. O Convento, Rua Dom Paio Peres Correia, Tavira, telefone 281 329 040.





DIXIT -  “Sou uma carta fora do baralho” - Marcelo Rebelo de Sousa   


 


GOSTO - Depois de quatro anos de protestos dos utilizadores dos parques naturais do país, o Governo aboliu a polémica portaria que implicava o pagamento de uma taxa de 152 euros para a realização de uma simples caminhada.


 


NÃO GOSTO - O Jardim da Graça, prometido pelo executivo de António Costa para 2009 primeiro e para 2013 depois, continua com as obras paradadas desde há meses mas José Sá Fernandes arranjou tempo e recursos mandar retirar do Jardim da Praça do Império os brasões das ex-colónias.


 


BACK TO BASICS - “Não posso fazer mudar a direcçlão do vento, mas posso ajustar as velas do meu barco de maneira a conseguir chegar ao meu destino” - James Dean


 

agosto 27, 2014

TEMPOS DESFASADOS

VIVER - Lembram-se de como era a vida antes da internet? Qualquer dia ninguém que seja profissionalmente activo se vai recordar do que era a vida antes  dos emails, dos motores de busca, das redes sociais, dos smartphones e dos tablets. Hoje podemos comunicar, trabalhar, estudar, escrever, ter música, imagem e texto em qualquer local num pequeno aparelho. Podemos ouvir uma selecção de canções em streaming ou numa rádio on line, ou percorrer a nossa própria colecção de discos na cloud do iTunes. Podemos fotografar e partilhar instantaneamente a imagem em diversos sistemas, a começar pelo Instagram. Temos livros digitais e podemos viajar com uns quilos a menos. Podemos ler a nossa revista preferida mesmo num local recôndito sem ir à procura de um quiosque bem fornecido de imprensa internacional. Podemos percorrer de forma virtual uma exposição num dos grandes museus internacionais. Tudo isto faz diferença na maneira como trabalhamos mas também como vivemos os nossos períodos de descanso e como procuramos aprofundar o nosso conhecimento. Em 1994, há 20 anos, a Internet dava os primeiros passos, não havia Google, nem iPhone, nem Dropbox, nem muitas das outras coisas com que hoje convivemos em tablets e smartphones. Mas enquanto tudo mudou nas nossas vidas, na nossa aprendizagem, no nosso trabalho e no nosso lazer, pouco - muito pouco - mudou na forma de os políticos fazerem política, de os partidos funcionarem e do sistema político organizar e mediar o exercício do poder. Estamos numa época em que coexistem dois mundos diferentes - um que faz parte do nosso dia a dia e outro, antigo, que nos governa. Ou, como dramaticamente se tem visto, nos desgoverna.

SEMANADA - A nova proposta de Lei da Cópia Privada está feita de tal forma que penaliza os criadores  que utilizem sistemas digitais, taxando o equivalente de hoje em dia do papel, das telas, da película fotográfica ou dos instrumentos musicais; a Apple lançou uma campanha de publicidade nalgumas revistas norte-americanas, como a New Yorker, que exemplifica o potencial e a utilização do iPad no processo criativo de músicos, realizadores, coreógrafos e artistas plásticos; o valor dos empréstimos sem garantias feitos pelo Montepio ascende a dois mil milhões de euros; o número de vítimas mortais de acidentes de viação que consumiram estupefacientes aumentou nos últimos dois anos; Portugal tem o quinto maior défice comercial da Uniao Europeia; a crise provocou um rombo de 14% no PIB português; o PS tem menos simpatizantes que militantes - de acordo com os numeros divulgados após um mês de angariação o número de simpatizantes do PS não ultrapassa um terço do número de militantes; na distrital de Braga do PS verificou-se um surto de pagamentos de quotas em atraso que até pagou as quotas de pessoas entretanto já falecidas;
uma mulher de 64 anos, de uma povoação perto de Ferreira do Zêzere, recebeu uma carta do Ministério da Defesa a convocá-la para o dia da Defesa Nacional, o equivalente à antiga inspecção militar; o Ministério da Educação colocou nos seus quadros uma professora que completa 70 anos no dia do arranque das aulas, o mesmo em que por força da sua idade terá obrigatoriamente que se reformar; dois em cada três portugueses aposta na lotaria e em jogos de sorte, revela um estudo da Marktest; no primeiro semestre de 2014 mais de três milhões de portugueses acederam a sites de rádio a partir de computadores pessoais.

ARCO DA VELHA - Um doente do Hospital de Tomar que, por recomendaçāo do médico de família, pediu em Junho uma consulta urgente de cardiologia, recebeu em casa uma carta a marcá-la para Fevereiro de 2016.

OUVIR - A “Intima Fracção” começou por ser um programa de rádio, evoluíu a certa altura para um podcast que vivia no site do semanário “Expresso” e hoje em dia pode ser encontrada em alguns locais virtuais, indicados no Facebook (www.facebook.com/IntimaFraccao). Francisco Amaral, o seu criador e autor, diz que hoje em dia os arquivos de som que vai publicando se assemelham mais a uma banda sonora de estados de espírito que à forma original de programa de rádio, baseado numa playlist muito especial, com uma apurada selecção. Na “Íntima Fracção” as palavras têm um peso relevante, directamente ligado à música. Um dia destes, avisa Francisco Aamaral, as imagens, como esta que aqui reproduzo, e que foi retirada do seu Facebook, hão-de fazer parte do conceito. A “Íntima Fracção“ é um espaço de bom gosto, descoberta e serenidade musical num mundo em que os sons se tornam, na maior parte das vezes, numa amálgama desconexa. Aborrece-me que nenhum site informativo a aloje e divulgue como ela merece.

PROVAR - Graças à revista “Time” fiquei a saber que comer manteiga afinal não é um risco para o coração - e assim a torrada matinal com manteiga passou a saber ainda melhor. Vem isto a propósito da variação que ao longo dos últimos meses tem surgido sobre o que se deve e não deve comer. Algumas gorduras, em tempos amaldiçoadas, são agora toleradas. Dietas que exigiam sacrifícios gigantescos e recomendavam alimentos exóticos vão sendo substituídas por recomendações mais racionais. Vejo um número apreciável de artigos recentes e fico baralhado - o que ontem fazia mal hoje em dia pode ser ingerido e aquilo que dantes era recomendado afinal pode ter riscos. Eu compreendo que a indústria agro-alimentar movimenta milhões, mas gostava que não existissem tantos cientistas a criarem confusão e a promoverem estudos contraditórios de ano para ano, conforme os intersses de quem financia os seus estudos - que por vezes me parecem inúteis. Isto deixou de poder ser tratado como ciência, passou a ser roleta russa.

VER - Graças ao meu iPad estou a escrever esta crónica em férias, bem a sul, perto de Tavira, e ao mesmo tempo estou a visitar o magnífico site do MoMA - o Museum of Modern Art, de Nova Iorque. Destaco a exemplar exposição virtual dedicada à obra de Louise Bourgeois, que está em contínua construção, e que, quando ficar concluída, terá 3500 imagens do trabalho da artista - só por si vale a pena visitar esta secção do site do MoMA, acessível através da homepage do museu, entrando na área "explore". Delicio-me com o que vejo da exposição, inaugurada há poucos dias, “The Paris Of  Touluse-Lautrec: Prints and Posters”, que nos permite imaginar como seria Paris no final do século XIX. Noutro local do site do mesmo museu vejo que quem fôr a Nova Iorque até 1 de Setembro ainda poderá visitar no MoMA a exposição de Jasper Johns, e quem lá fôr a partir de 12 de Outubro poderá já visitar a exposição de colagens de Henri Matisse. O MoMA é um Museu sempre surpreendente e o seu site é um exemplo de referência da adaptação de uma instituição à vida no tempo digital - www.moma.org.

FOLHEAR - A revista "The New Yorker" é um caso sério de estudo para quem se interessa pela capacidade de adaptação de um título de imprensa, mantendo no entanto sempre o essencial das suas características e nunca desiludindo o núcleo duro dos seus leitores. Como o nome deixa antever a revista é uma espécie de manual de sobrevivência para os nova-iorquinos que prezam um estilo de vida cosmopolita, informado e ligado às artes. A Wikipedia descreve-a como uma revista dedicada à reportagem, comentários, crítica, ensaio, ficção, sátira, cartoons e poesia. É publicada desde 1925 pela Condé Nast 47 vezes por ano (há cinco números duplos). Destaque ainda para a qualidade gráfica da capa, baseada sempre em obras inéditas encomendadas a artistas - entre os quais o português Jorge Colombo. Mesmo para quem está longe de Nova Iorque, a New Yorker tem pelo menos dois terços de matérias que podem interessar a quem a quiser ler em qualquer ponto do mundo. E se dantes a revista chegava tarde e cara a Portugal, agora, na sua nova e muito boa edição para iPad, é possível fazer uma assinatura mensal por 5,49 euros. Irresistível.

DIXIT - “Ou os administradores do BES eram nabos e incompetentes ou eram mentirosos” - Domingos Azevedo, Bastonário da Ordem dos Técnicos Oficiais de Contas e ex-deputado do PS.

GOSTO - Da divulgação da Acta da Reunião Extraordinária do Banco de Portugal que criou o Novo Banco pelo advogado Miguel Reis, que a obteve utilizando apenas informação disponível na net.

NÃO GOSTO - O horror criado pelo chamado Estado Islâmico é um exemplo de barbárie pura, que aproveita a destruição da vida humana de forma selvática para fazer propaganda.

BACK TO BASICS - A velocidade a que os rios desembocam nos oceanos não é tão veloz como a rapidez com que os homens cometem erros - Voltaire

agosto 14, 2014

VOTAR SEM SABER EM QUÊ

FUGA - Quando se vai a votos espera-se que os votantes escolham entre propostas diferentes, entre programas e ideias concretas, entre estratégias políticas e sociais diversas, certo? Quando há umas eleições, seja numa associação, numa agremiação desportiva, numa autarquia, num partido ou no país, o lógico é que os eleitores possam decidir com base no que os candidatos opinaram sobre as principais questões que, no cargo a que se candidatam, se lhes colocarão, não é? No entanto, quem seguir o que tem estado a acontecer nas primárias do PS dificilmente poderá seguir este raciocínio. Nas primárias do PS levou-se a fulanização da política ao extremo. Os eleitores, sejam militantes ou simpatizantes, não têm por onde escolher entre programas diferentes ou propostas diversas porque pura e simplesmente elas não se encontram explicitadas. Os dois candidatos, mas António Costa principalmente, fogem de tomar posição sobre os temas mais quentes e decisivos que se podem colocar a um primeiro ministro português nos próximos anos - e, no entanto, estas eleições são, teoricamente, para escolher quem será o candidato do PS a tal cargo nas próximas legislativas. Aos eleitores, face à fuga a dar resposta a questões concretas e à realidade, resta escolherem entre duas pessoas, entre dois estilos, entre duas imagens, entre duas retóricas. Quando a política se resume a estilo o resultado nunca é bom.


 


SEMANADA - Devido à falta de alunos as reduções de preços nas universidades privadas chegam aos 80%; quase metade dos desempregados estão sem trabalho há dois anos; uma mulher em Felgueiras prostituía a filha de doze anos a troco de carregamentos de telemóvel; em Portugal, nos últimos três anos, a percentagem de divórcios em relação aos casamentos realizados é de 70%; este ano os deputados tiveram mais 17% de faltas às sessões do Parlamento que no ano anterior - um total de 1634 faltas, uma média de 16 faltas por sessão; o número de jovens entre os 15 e os 29 anos em Portugal caíu em quase meio milhão de pessoas na última década; uma sondagem desta semana aponta que a maioria dos portugueses não acredita no sucesso das investigações da justiça no caso BES; Jorge Silva Carvalho, conhecido como o espião que foi para a Ongoing, foi designado director científico do MBA em Gestão do  Conhecimento e Inteligência Competitiva, na Coimbra Business School; segundo o Tribunal de Contas a receita do IVA desceu 3,3% de 2012 para 2013 em vez de ter aumentado 3,5% como dizia o Governo; o Tribunal de Contas considerou que as medidas de austeridade dos últimos três anos são precárias, centradas no curto prazo e foram insuficientes para conter a despesa do Estado com pensões; o sector da construção e obras públicas continua a ser aquele em que se verifica maior numero de insolvências de empresas; em Junho deste ano registou se uma queda de 20% no numero de empresas que declararam insolvência; depois da crise do BES a Bolsa de Lisboa, cujos resultados a colocavam entre as dez melhores a nível mundial, passou a ser a terceira pior do mundo, apenas à frente do Gana e da Venezuela.


 


ARCO DA VELHA - Sete dias depois de chegar a Bruxelas o eurodeputado Marinho Pinto anunciou que irá abandonar o Parlamento Europeu daqui a um ano para se candidatar à Assembleia da República, diz que o vencimento do novo cargo é “vergonhoso” mas afirmou não tencionar abdicar dele porque “sou pobre, preciso do dinheiro”. Anunciou também a sua disponibilidade para se candidatar à Presidência da República depois das eleições legislativas.


 


FOLHEAR - Cada vez vale a mais a pena folhear o British Journal Of Photography - seja em papel, seja na boa edição digital para iPad. Depois de em Julho ter feito uma edição dedicada à nova fotografia espanhola - desde fotógrafos a editores e curadores de exposições, passando pelo clássico Juan Fontcuberta, a edição de Agosto é dedicada à fotografia de guerra. O pretexto da edição é o centenário da I Grande Guerra, mas quis o destino que as imagens mais contemporâneas calhassem numa altura em que em várias zonas se reacendem conflitos violentos. A acompanhar  fotografias duras e explícitas de várias guerras em várias épocas e diversas zonas do globo, estão textos de enquadramento e de análise sobre o que tem sido o poder e o papel da fotografia nestes conflitos.


 


VER -  O Centro Português de Fotografia funciona na antiga Cadeia da Relação, no Porto, e desenvolve, com poucos meios, um trabalho exemplar quer na salvaguarda do património fotográfico que lhe está confiado, quer na apresentação de diversas exposições temporárias. Actualmente, e até finais de Setembro, destaco três exposições: “Prostituição, retratos de uma vida na rua",  do espanhol Ruben Garcia (na imagem), “A Pose e a Presa” que mostra um outro olhar sobre o universo da Caça e que ganhou a bolsa atribuída em 2013 pela Estação Imagem de Mora, e finalmente o trabalho de Mário Cruz, o vencedor do prémio de fotojornalismo 2014, também da Estação Imagem de Mora, com a reportagem “Cegueira Recente” que mostra a vida no Centro de Reabilitação Nossa Senhora dos Anjos sobre pessoas que perderam a visāo. Finalmente vale a pena recordar a exposição permanente, que mostra a evolução do aparelho fotográfico ao longo dos tempos. Por último destaque para o Projecto 14 que reúne trabalhos de fim de curso de alunos de várias instituições de ensino que abordam a fotografia.  O CPF funciona terça a sexta das 10h00 às 12h30  e das 14h00 às18h00, e aos  sábados, domingos e feriados entre as 15h00 e as 19h00.


 


OUVIR - Em 1987 Dolly Parton, Emmylou Harris e Linda Ronstadt fizeram um álbum apropriadamente designado por “Trio”. Venderam para cima de quatro milhões de discos, ganharam dois Grammys e em 1999 reincidiram com “Trio II” que não teve metade do sucesso. A ideia de colaborações entre músicos de origens diversas é sempre um desafio. Felizmente que a nova aventura a três, e que envolve Norah Jones, Sasha Dobson e Catherine Porter, corre bem. Entre os blues e o jazz de Norah e Sasha, e o rock que sustenta a carreira de Catherine Porter, desenha-se um disco com surpresas como a versão de “Jesus,Etc” de Wilco, uma abordagem clássica mas entusiasmante de “Down By The River” de Neil Diamond, e um arisco “Sex Degrees Of Separation” da própria Dobson. Estas três meninas formaram as Puss N Boots em 2008 quando Norah Jones começou a tocar guitarra nalguns bares de Brooklin, cedo acompanhada por Sasha Dobson e depois por Catherine Porter. Durante este tempo tocaram sobretudo para amigos, nos intervalos das respectivas digressões individuais. Quando se entenderam a tocar guitarra já tinham ganho reputação como uma banda country e daí a gravarem este disco para a Blue Note foi um passo. Constituído em partes iguais por versões e originais cabe destacar, além das já referidas, as interpretações de “Leaving London” um tema de Tom Paxton  e “Bull Rider”, um clássico de Johnny Cash.“No Fools, No Fun”, Puss N Boots, CD já à venda.


 


PROVAR - Ele há dias em que mais valia não me sentar num restaurante para almoçar. Foi o que me aconteceu, nas Avenidas Novas, no Laurentina, apelidado, sabe-se lá porquê, o Rei do Bacalhau. Sentado na esplanada, iludido pela vontade de bacalhau com grão, depressa me arrependi. Saíu-me um daqueles empregados espertalhões que servem para iludir turistas e acham que podem fazer o mesmo a clientes nacionais. Primeiro quis impingir-me uma meia garrafa do que lhe apetecia, nome falado entre dentes para eu não perceber bem, em vez de me mostrar a lista. Saíu-se com uma Duas Quintas que não era bem o que me apetecia, por muito bom que fosse. Chegou morno de temperatura e quente de preço. Passemos então ao bacalhau: ao fim de algum tempo, chegou a meia posta pedida, cozida demais e já esfriada. O grão, que bem podia ser de lata de sensaborão que estava, vinha igualmente friozote e em reduzida quantidade, partilhando o espaço com umas batatas que foram para dentro como chegaram. Lá apareceu a  salsa e a cebola mas não veio o alho. O azeite era abaixo de mediano. A pimenta, pedida, era em pó, envelhecida e mortiça, em vez de ser fresca e em moinho. No entretanto um empregado entretinha-se a colocar pedaços de batata cozida no chão para alimentar a praga de pombos junto à esplanada. No fim paguei praticamente 30 euros por mau serviço e comida mal confeccionada e mal servida. Ao meu lado uma cliente que almoçava com um estrangeiro e pediu factura com número de contribuinte levou como resposta que a conta já estava fechada e que teria de passar depois porque o patrão não estava e só ele podia tratar dessa engenharia - tudo isto se passa a meia centena de metros da ASAE. Esta Laurentina já não se recomenda e até me arrepio do que aconteça aos turistas que por ali passeiam na Conde de Valbom.


 


DIXIT - “A reforma do Estado não é possível com estes actores políticos” - Luis Palha da Silva


 


GOSTO - Produção da Auto Europa aumentou 12,3% no primeiro semestre deste ano


 


NÃO GOSTO - Sete em cada dez novos casos em Tribunal são devidos a dívidas.


 


BACK TO BASICS - “Não teria nenhum problema em estar de acordo contigo, se tu tivesses razão.” - Robin Williams

agosto 08, 2014

ISTO ANDA TUDO LIGADO

POTENCIAL - O meu ponto de partida numa conversa de café é sempre complicado - desprezo o futebol, que acho um jogo menor. Não me distrai, não me encanta e aborrece-me. Não sei falar sobre o assunto. Esteticamente acho-o medonho. Perturba-me a importância que lhe é dada. Perturba-me ainda mais que ele sirva de desculpa ou escape para muita coisa. O rol de denúncias de falcatruas diversas, os erros de arbitragem, a corrupção, as ligações suspeitas, o crónico endividamente de clubes geridos a proveito de quem lá manda, tudo isto transformou o futebol num jogo de sorte ou azar, em vez de um desporto. Vivemos num país onde mais depressa os desabafos de Jorge Jesus sobre o estado do Benfica motivam mobilização do que a situação no BES cria movimentações. Isto não é propriamente novidade e por alguma razão o serviço público de televisão prefere investir em futebol de mediano interesse do que em programas de referência, como documentários ou ficção. Mas não me quero meter nisso, há muito que se percebeu que mesmo este Governo prefere distrair com o futebol a investir na criatividade e num audiovisual sustentável. Maduro, que entrou cheio de prosápia,  amadureceu tanto que pelos vistos apodreceu. Limita-se a ser um vendedor de ilusões sobre a Europa. Como dizem - e demonstram - livros recentes de Lino Fernandes (“Portugal 2015 - Uma segunda oportunidade?”)ou de Felix Ribeiro (“A Economia de Uma Nação Rebelde”), se houvesse estratégia no país em vez de manobras tácticas, muita coisa podia ser diferente.. Estas obras mostram dois dos melhores pensadores sobre Portugal das ultimas décadas e demonstram que o país tem potencial, mas desprezou sempre seguir um plano que potenciasse esse potencial. Os seus livros, publicados este ano, mereciam ser estudados por quem Governa. Não me parece, infelizmente, que tal suceda. Fazer o que propõem dá trabalho e só tem efeitos de médio prazo - coisa desinteressante numa política que vive de eleições e arranjos.


 


SEMANADA - Um país em festa: o estudo TGI da Marktest contabiliza cerca de 1,5 milhões de indivíduos que refere ter ido a uma discoteca nos últimos 12 meses; existem 20 mil cães perigosos registados em Portugal; em Junho de 2011 a população activa portuguesa era 5,5 milhões de pessoas e em Junho deste ano tinha descido para 5,24 milhões; novas admissões na Função Pública representam um terço dos 90 mil empregos criados no segundo trimestre deste ano; seis em cada dez empregos gerados no segundo trimestre foram para trabalhadores com mais de 45 anos; a Feira do Livro de Lisboa deste ano passou pela primeira vez na história do evento a barreira do meio milhão de visitantes; 270 reuniões de comissões de inquérito parlamentares resultaram em nada em termos de procedimentos subsequentes; a recém recuperada Ribeira das Naus, em Lisboa, tem água poluída e uma quantidade anormal de mosquitos; o Provedor de Justiça recomendou que os fiscais da EMEL esperem “um tempo razoável” antes de aplicarem multas, para dar tempo aos automobilistas para trocarem moedas e afixarem o comprovativo; a EMEL passou uma multa a um cidadão que estava morto e nunca teve carro; as empresas de transporte público de Lisboa e do Porto perderam desde 2010 mais de 145 milhões de passageiros, tendo apenas o Metro do Porto conquistado clientes; no ano passado registaram-se quase três milhões de falsas urgências nos hospitais; faltam cerca de 25 mil enfermeiros no sistema hospitalar; o Benfica registou seis derrotas nos jogos de pré-epoca das últimas semanas; Julho deste ano foi o mais chuvoso deste século; o Ministro Pires de Lima classificou de “desfaçatez” o comportamento da PT em relação do BES.


 


ARCO DA VELHA - Um terço dos professores que realizaram as provas do Ministério da Educação fez três ou mais erros ortográficos e apenas 37% tiveram a prova limpa sem erros.


 


FOLHEAR - Estamos naquela altura do ano em que a “Monocle” abandona o formato revista e passa a ser jornal. Surge a “Monocle Mediterraneo”: Mais à frente aparece a “Monocle Alpes”, no Inverno, para quem gosta de neve: Mas, por agora, fiquemos a sul, no Mediterrâneo, Esta é uma edição sempre dedicada às praias, a barcos, ao mar. Aqui há receitas de boas saladas (como uma de lentilhas com atum fresco, fantástica, que experimentámos em casa neste fim de semana), há indicações dos melhores bares, de excelentes locais para ficar. E, por cima disto tudo, Portugal - que não costuma aparecer nesta edição - surge com uma reportagem de duas páginas sobre o trabalho da Força Aérea, na base do Montijo, do esquadrão 751 heli-transportado, que já fez mais de três mil salvamentos no mar. É uma história muito bem contada sobre as missões, ambições e acções de um conjunto de homens que garantem a segurança na costa portuguesa. Só por isto já valia ler esta edição veraneante da “Monocle”.


 


VER -  Duas sugestões algarvias : Uma, em Tavira, na Casa das Artes - a exposição dos fotógrafos de “A Pequena Galeria” (na imagem). Ali estão até 22 de Agosto cerca de três dezenas de fotografias de Ágata Xavier, António Luiz Sousa, Carlos Gonçalves, Carlos Oliveira Cruz, Guilherme Godinho e Luis Pereira, trabalhos seleccionados a partir do que os autores  apresentaram em “A Pequena Galeria” ao longo de 2013 e 2014. A segunda tem a ver com o trabalho da fotógrafa Luisa Ferreira, decorre em São Brás de Alportel e chama-se “À Procura de Um Outro Corpo”. As fotografias de Luísa Ferreira estão Museu do Traje e na Antiga Farmácia Passos,  e podem ser vistas até final de Outubro.


 


OUVIR - Dois dos maiores êxitos da carreira a solo de Eric Clapton têm a assinatura de J.J. Cale - “Cocaine” e “After Midnight”. Nessa época Clapton saía da ressaca do fim dos Cream e dos Blind Faith e as canções de Cale deram-lhe uma confiança e segurança de que ele precisava na altura. “The Raod To Escondido”, um disco de 2006, permitiu a Eric Clapton retribuir a ajuda de Cale. A ideia deste novo álbum de homenagem nasceu depois da morte de JJ Cale e o título vem de uma das suas canções mais conhecidas, “Call Me The Breeze”, popularizada pelos Lynyrd Skynyrd. Neste “The Breeze” encontram logo na abertura a faixa que inspira o nome do disco, mas não encontrarão nenhum dos tema sque Clapton popularizou. Os melhores momentos do disco vêm da participação de Tom Petty em “Rock And Roll Records”, de Mark Knopfler em “Train To Nowhere”, de Willie Nelson em “Starbound” e de Don White em “I’Lll Be There”. Eric Clapton & Friends, “The Breeze - An Appreciation of JJ Cale”, edição Universal, à venda onde ainda há discos.


 


PROVAR - Até fico com pena de dizer isto, mas o Dell Anima, um novo restaurante italiano da Duque de Ávila, é uma boa ideia mal conseguida. Comecemos pelo espaço, que é muito bom, - esplanada no passeio da renovada avenida, sala interior bem climatizada, e esplanada no pátio das traseiras, arejada, com vegetação e uma fonte que ajuda à sensação de frescura. Mesas grandes corridas onde as pessoas se podem sentar com desconhecidos - mas onde há o risco de calhar ao lado de uma brasileira guinchante, que foi o que me aconteceu. Depois a lista: grande demais, complexa demais, parece uma proposta de infindável degustação e eu embirro com degustações. No geral até poderia dizer que há boas propostas, em quase todos os items, mas de facto a extensão não ajuda a um restaurante que se quer informal e o resultado é que se vai para o óbvio de uma pizzeria - a pizza. Da massa das pizzas só tenho a dizer bem, e dos conteúdos de uma Calabrese que pedi também só tenho que elogiar. O mesmo se aplica à focaccia de entrada, mas não aos gressinos, que não eram frescos. A lista de vinhos volta a ser despropositada nas escolhas, nos preços propostos e na ausência de mais vinhos frescos - brancos e rosés. Também se lamenta a inexistência de um vinho da casa, nas várias variantes possíveis, a um preço que estimule as pessoas a beberem um copo sem terem que beber uma garrafa. O serviço tem muito a melhorar, sobretudo na atenção às mesas, na atenção e rapidez do pedido da conta. Pretencioso na lista de comidas, esquizofrénico na lista dos vinhos, distraído no serviço. Salva-se a pizza. Já não é mau, espero que com o tempo melhore o resto, que o sítio merece. Ristorante Dell’Anima, Av. Duque de Ávila 42 B, telef 215 926 346.


 


DIXIT - “A falta de dinheiro no Estado abre espaço à iniciativa privada na Cultura” - Álvaro Covões


 


GOSTO - Portugal ganhou 16 prémios no World Travel Awards Europe e o Turismo de Portugal foi considerado o melhor organismo oficial de Turismo na Europa.


 


NÃO GOSTO - O Estado pagou desde 2007 mais de 22 milhões de euros por horas de vôo que nunca existiram dos helicópteros Kamov de combate a incêndios


 


BACK TO BASICS - A inveja é a úlcera da alma - Sócrates, filósofo grego

agosto 01, 2014

O SISTEMA JUDICIAL TEM UMA AGENDA MEDIÁTICA?

ILUSÃO - Continua a haver qualquer coisa que me desagrada no funcionamento da justiça portuguesa e já não estou a falar só da lentidão. Peguemos no caso do BES - avolumam-se indícios de que os últimos seis meses foram um contínuo lançar de petróleo sobre a fogueira ou, se quiserem, um constante deitar dinheiro a rodos do BES para cima do GES, literalmente lançando à rua milhões e milhões de euros que se desvaneceram nesse poço sem fundo em que se tornaram as holdings familiares do grupo. Mas numa altura destas, em que é flagrante, pelo menos, que as instruções do Banco de Portugal não foram cumpridas e que foram até contrariadas, a investigação sobre os líderes do grupo Espírito Santo que gerou mediatismo (a detenção, para interrogatório, de Ricardo Salgado) é assente num facto com uns anos e já muito conhecido. Não é que o tema não tenha que ser investigado - é que da maneira que as coisas foram feitas fica a impressão de que se pegou num caso antigo que estava mais ou menos estudado (e a ver vamos como) para criar um efeito mediático, dando impressão que o Ministério Público estava em cima do processo actual. O expediente, em matéria de comunicação, fez capas e deu notícias e imagens nos telejornais - ir prender um banqueiro dá sempre audiência. Mas quando se percebeu o que estava em cima da mesa logo surgiu a dúvida sobre o momento e a oportunidade. E, mais grave, sobre se a acção da justiça, neste caso, não será um exercício de atirar poeira para os olhos, com o objectivo de criar a percepção pública de que ela estaria em cima de um acontecimento de onde, afinal, como agora bem se percebe, está longíssimo. O caso não faz ter mais respeito pela justiça - provoca o contrário porque se avoluma o sentimento de que as investigações só avançam quando os investigados perdem poder e estatuto. No meio disto fica uma desagradável dúvida: o sistema judicial tem uma agenda que passa por iludir a opinião pública, ou de facto segue o que se passa no país?


 


SEMANADA - As dívidas fiscais nos tribunais já atingem 7,57 mil milhões de euros, mais 700 milhões que em 2011; uma auditoria à Câmara Municipal de Braga encontrou indícios de gestão ruinosa por parte do anterior presidente da Câmara, Mesquita Machado, eleito pelo PS, que esteve 37 anos no poder; segundo a mesma auditoria à gestão anterior o passivo da Câmara Municipal de Braga ultrapassa os 252 milhões de euros; o tráfego nas autoestradas da Brisa aumentou 4,6% no primeiro semestre deste ano e apenas do segundo trimestre teve um aumento de 7,1% em relação a iguais períodos de 2013; este ano já foram detidas sete mulheres por levarem droga escondida no corpo em visitas a familiares detidos em cadeias; o numero de estudantes estrangeiros em universidades portuguesas passou de 19 mil para 31 mil em três anos;os helicópteros que combatem os incêndios florestais estão sem seguro desde 2011; na campanha do PS tanto Seguro como Costa prometem desmantelar legado de Passos Coelho; em Lisboa a piscina do Campo Grande devia estar aberta há 2 anos mas as obras ainda não recomeçaram; António José Seguro disse em entrevista que “o PS associado aos negócios e interesses é apoiante de António Costa”; a Procuradoria Geral da República desmente que Sócrates esteja a ser investigado e o antigo primeiro-ministro nega qualquer envolvimento no caso Monte Branco, dizendo-se vítima “de uma canalhice”.


 


ARCO DA VELHA - O BES financiou a a actividade de vários grupos empresariais na condição de estes contraírem outros empréstimos junto do Banco para aplicarem em dívida e acções do Grupo Espírito Santo.


 


FOLHEAR - Todos sabemos que uma apresentação pode ser um momento mágico mas, na maioria das vezes, é um momento de enorme aborrecimento. Já nos aconteceu a todos ver um powerpoint em que o orador lê linha após linha a escrita intrincada que aparece no ecrã com gráficos e quadros impossíveis de apreender a mais de um metro de distância. Existe uma empresa, de origem brasileira mas que em Portugal está estabelecida há uns anos, a Soap, que se especializou em fazer boas apresentações: olham pra cada caso como se se tratasse de um filme e constroem um guião. Eu hoje em dia não gosto de usar a palavra “narrativa”, mas reconheço que uma apresentação como deve ser vive de um boa narrativa ou, se quiserem, de uma história bem contada. E uma história, se fôr bem contada, sem demasiado palavreado, pode cativar a audiência. Eu costumo dizer que um dos problemas dos filmes não americanos é que os diálogos são demasiado longos e desnecessários; aplique-se o mesmo às apresentações - eis o princípio que a Soap segue. O melhor de tudo é que querem partilhar connosco o seu método e fizeram um livro chamado “Super Apresentações - como vender ideias e conquistar audiências”, que minuciosamente descreve o processo que usam. Editado há uns anos no Brasil, teve agora edição portuguesa, adaptada a esta realidade e aos clientes locais, feita pela mão de Artur Ferreira, que foi quem trouxe o conceito para Portugal, onde dirige a Soap. O livro saíu por estes dias e lê-lo vale bem a pena- pode ser que ganhem um cliente se seguirem os conselhos que aqui vêem na próxima apresentação que fizerem.


 


VER -  Hoje recomendo um site. O site novo da revista “The New Yorker”, que em Fevereiro do próximo ano fará 90 anos. Sou um devorador da revista, seja em papel que vou comprando uma vez por outra, seja no seu site. Gosto das capas (algumas desenhadas por Jorge Colombo), gosto dos artigos, das biografias, das investigações, das short-stories, dos números especiais. O novo site tem também novidades a nível do acesso - durante os próximos três meses todo o conteúdo fica disponível à borla, incluindo o arquivo inteiro - normalmente até aqui apenas um terço da edição era disponibilizada on line a menos que se fosse assinante. Daqui a três meses entra em vigor outra modalidade, com preços diferenciados conforme o indíce de utilização, como acontece no New York Times ou Wall Street Journal - e existirão tabelas para leitores no estrangeiro. 2013 foi o ano  mais lucrativo desta publicação do grupo Condé Nast nas últimas décadas - The New Yorker tem um milhão de assinantes da edição em papel e 12 milhões de visitantes na internet. O novo site será mais fácil de manusear em dispositivos móveis, é feito a partir da plataforma wordpress, e sugiro que o descubram e utilizem em www.newyorker.com . E já agora termino com uma citação do editorial que apresenta o novo website: “Publishing the best work possible remains our aim. Advances in design and technology are tools in that effort.”. Óbvio, não é?


 


OUVIR - Jack White toca blues. É certo que algumas vezes não são blues muito ortodoxos - mas lá que são mesmo blues não há dúvida - logo desde a primeira canção deste seu novo disco, “Three Women”, uma adaptação livre de um clássico dos blues do final da década de 20 (do século passado, claro). Aqui há de tudo: a batida, o piano, a guitarra, as pausas, o brincar com as palavras. Desde o seu trabalho com The White Stripes, Jack White tem participado em dezenas de discos, apadrinhado desconhecidos ou feito heresias com conhecidos, como Neil Young, tudo através da sua editora Third Man. Há neste disco um lote de influências, que vão dos blues primitivos aos Rolling Stones, passando por brincadeiras que evocam Beach Boys, Ramones ou Queen e algum hip-hop aqui e ali. White gosta de brincar com as palavras e o título do álbum, “Lazaretto”, evoca leprosarias e hospitais de quarentena - como se tudo isto fosse um exercício de isolamento do mundo - certamente relacionado com o que se passou na sua vida e relações nos tempos mais recentes. Autobiográfico, intimista, sentido (All Alone In My Home Nobody Can Touch Me), este disco mostra uma dimensão próxima de um diário onde se vai escrevendo o que se sente de forma muito visceral. Apetece ouvir este disco e estas canções vez após vez. Em repeat, no iPhone para onde copiei o disco que comprei, o mesmo aparelho que agora querem taxar. Jack White havia de escrever sobre isto - “every single bone in my brain is electric”.


 


PROVAR - Comer um peixe assado na brasa em Lisboa não é uma das coisas mais simples do mundo. Primeiro, há muitos grelhadores mas poucas brasas; depois há muita gente a grelhar mas pouca a fazê-lo como deve ser; e finalmente, se passarmos para o ponto sério da questão, que nesta época do ano se resume às derradeiras e frágeis sardinhas, então a coisa torna-se mesmo complicada. A sardinha é um peixe delicado - precisa de ser fresco senão fica uma papa; precisa de ser bem assado, para não ficar desfeito; é pequeno e não quer exageros de calor nem de chama. Não é fácil assar bem sardinhas e em Lisboa nem sempre é fácil encontrar as melhores e mais frescas, como por exemplo as que se provam em Setúbal. Mas há um sítio lisboeta onde isso é possível. Chama-se “Último Porto” e faz da assadura na brase uma arte e da frescura e qualidade do peixe um princípio. É módico nos preços, divertido e despachado no serviço. A dose de sardinhas custa 11,50 euros, o jarro de vinho branco da casa, muito aceitável, fica pelos três euros. Chega-se lá indo até ao fundo da estrada da Estação Marítima da Rocha do Conde de Óbidos ou, pelo outro lado, até ao parque perto do Speakeasy, atravessando-se depois a ponte pedonal. Convém marcar que a esplanada enche com rapidez. O telefone é o 213979498.


 


DIXIT - “26 mil milhões de euros é uma pipa de massa, devem ser bem aplicados. E que se calem aqueles que dizem que a UE não é solidária com Portugal” - Durão Barroso sobre os novos fundos europeus para Portugal.


 


GOSTO - A revista francesa “Les Inrockuptibles” fez um rasgado elogio à música portuguesa contemporânea, afirmando que em termos musicais Portugal é a California da Europa com “uma cena musical riquíssima”.


 


NÃO GOSTO - Da criação de uma taxa sobre tablets, telemóveis e dispositivos de gravação sem ter em conta os utilizadores que pagam os conteúdos que consomem.


 


BACK TO BASICS - “Se quiserem testar o verdadeiro carácter de um homem, dêem-lhe poder e esperem para ver o que faz” - Abraham Lincoln


 

julho 25, 2014

UM ESTRANHO CASO DE LUTA PELO PODER


ROAD TO NOWHERE - Esta semana dei comigo a pensar que as piores alianças são as ditadas pela ambição pessoal num processo de tomada de poder. Lembrei-me disto a propósito das declarações de fé numa espécie de  bloco central, de contornos indefinidos, esta semana surgidas. Como corolário de um arrulho de pombinhos que dura há uns anos, António Costa e Rui Rio emitiram esta semana pensamento conjunto sobre a antecipação do calendário eleitoral para as legislativas e manifestaram confiança política um no outro, assim como  disponibilidade recíproca para entendimentos futuros. Já se sabia que Rui Rio e António Costa são ambiciosos e lendo declarações recentes dos dois constato ser cada vez mais evidente que se julgam superiores aos demais - sobretudo dentro dos respectivos partidos. Ambos estão numa cruzada pessoal pelo poder: Costa de forma saliente no PS, Rui Rio ao seu estilo mais conspirativo no PSD. Em nenhum se vislumbra programa político, apenas ocasional conjugação de interesses. Os dois prometem acordo de regime, mas ninguém sabe em que princípios concretos será assente esse acordo. E os dois estrearam uma nova figura da politica portuguesa: candidatos a candidatos. As ideias que apregoam são tão inesperadas como sacos de plástico a encherem-se passageiramente de ar, ao vento. Costa e Rio apoiam-se porque criaram estas personagens, ficcionadas, de “compagnons de route” e definiram que assim poderiam conquistar o poder. O único problema é que ninguém sabe onde leva a estrada que eles querem percorrer.


 


SEMANADA - Fernando Nobre avisou que não excluiu voltar a candidatar-se à Presidência da República; em 2013, em relação ao ano anterior, os portugueses consumiram menos carne, leite, fruta, cereais e vinho; as propostas de revisão do IRS traduzir-se-ão no aumento do imposto para 70% dos contribuintes; a cobraça de IRS nos primeiros seis meses deste ano foi 427 milhões de euros maior que no primeiro semestre de 2013; segundo dados da Marktest o concelho de Oeiras é o que apresenta maior percentagem da sua população pertencendo ás classes sociais alta, média alta e média - 69,4% do total, enquanto Cascais tem 61,6% e Lisboa 60,5%; Portugal foi o terceiro país da União Europeia em que a dívida pública mais subiu; os portugueses aplicaram em Junho mais de 400 milhões de euros em dívida pública; a dívida portuguesa já vai em 741 mil milhões, mais cinco mil milhões que em Dezembro passado; o endividamento do Estado cresceu 2%; em sentido contrário o endividamento dos particulares desceu 1,2% e o endividamento das empresas caíu 2,2%; no Turismo, os primeiros cinco meses do ano revelaram números mais fortes do que os registados em igual período de 2013, ano recorde do sector;  o sector da construção perdeu 30% dos trabalhadores entre 2008 e 2012; no mesmo período a maior quebra do volume de negócios foi na agricultura e pescas, com uma quebra de 25,2%, logo seguido da construção, que caíu 20,3%; o Governo quer colocar empresas privadas a passar multas de estacionamento; metade dos 14500 reclusos portugueses é reincidente; as propostas que António Costa vai apresentar na convenção dos seus apoiantes não incluem, nos nove painéis definidos, qualquer referência às questões do défice, da dívida e da consolidação orçamental.


 


ARCO DA VELHA - O cúmulo da idiotice legislativa do Ministério das Finanças e do Fisco é uma lei que deixa dúvida sobre se os reformados podem trabalhar, a título gratuito e de voluntariado para o Estado, sem perderem o direito à sua pensão de reforma.


 


FOLHEAR - O livro mais recente de Miguel Esteves Cardoso, “Amores e saudades de um português arreliado” continua a transmitir surpresa e encanto na descrição de observações do quotidiano, que ajudam a traçar o retrato do que nos rodeia, mas tem uma dimensão pessoal maior e uma maneira de ver a vida mais emocional e sentida. Lendo agora estes textos, de seguida, em vez da leitura pontuada pelos tempos de edição no “Público”, eles ganham outra densidade e outro sentido. Uma das coisas que sempre me atraíu em Miguel Esteves Cardoso é a forma como ele consegue ser o espelho dos estados de espírito de uma geração. Não é, e suponho que nunca quis ser, o porta voz de coisa alguma. Limitou-se a observar, a relatar, a fazer a crónica das coisas, dos hábitos e dos costumes, um género que entretanto havia desaparecido da escrita portuguesa no último quarto do século passado. Ao longo dos anos foi mudando a sua forma de olhar e escrever e, no prefácio de "Amores e saudades de um português arreliado", Miguel Esteves Cardoso afirma que "dantes, tentava escrever colectivamente, generalizando sempre que podia", e sublinha que actualmente, tem aprendido ser melhor escrever sobre os próprios sentimentos, porque "os leitores facilmente apagam e substituem os objetos de amor, saudade e arrelias" que motivam o autor. “A solidão é essencial para quem escreve, mas escreve-se para partilhar emoções vividas. A melhor coisa que pode acontecer a quem escreve é alguém, do outro lado, pensar 'sim, é mesmo assim” - nesta frase está contada a essência daquilo que verdadeiramente conta. "A única coisa é a vida. A única coisa é a vida de cada um. Sem vida, nada feito. Viver não é a melhor coisa que há: é a única coisa. Cada momento da vida não é único. Mas há momentos únicos. A nossa felicidade não é passá-los como quisermos. É dar por ela a aproveitá-los", escreve Miguel Esteves Cardoso algures nestes textos agora agrupados em livro. No fim destes “Amores e Saudades de um português arreliado” há uma certeza - ele continua a ser o intérprete de uma época e a testemunha de uma geração que tardou a descobrir a vida e a encontrar o Amor.


 


VER -  Duas chamadas de atenção para o MUDE - Museu do Design e da Moda. Esta semana inaugurou a exposição “O Respeito E A Disciplina que a todos se impõe” (na foto) que mostra mobiliário para equipamentos concebidos durante a époica do Estado Novo e que percorre a história e o legado da Comissão para Aquisição de Mobiliário, criada em 1940 e que até 1980 contribuíu para modelar a paisagem interior dos edifícios representativos do Estado, desde Hospitais a Direcções Gerais, estabelecendo padrões de funcionalidade e uma orientação estética bem definida. A exposição teve curadoria de João Paulo Martins. Ainda no MUDE, e até 31 de Agosto, continua a exposição “Os Iconoclastas Anos 80” que apresenta sete dezenas de peças do acervo da colecção Francisco Capelo, desde Vivienne Westwood e MalcolmMcLaren até Amish Kapoor, passando por John Galliano, Thierry Mugler, Ettore Sottsass, Christian Lacroix ou Issaye Miyake e Comme des Garçons.





OUVIR - “Fuzzy Logic”, de Taylor Haskins, é um disco especial. Haskins tem-se afirmado como um dos mais originais trompetistas a aparecer nos últimos anos. Aqui surge na companhia do guitarrista Ben Monder, do baixista Kermit Driscoll e do baterista Jeff Hirshfield. O CD tem dez temas, oito originais e duas versões, uma de um tema de Thomas Dolby (“Airwaves”) e outra de uma canção de Tom Waits (“Take It With Me”). Se os oito temas originais mostram bem o valor deste quarteto, o talento de Haskins e a sua capacidade como produtor, é nas versões, e sobretudo na de “Airwaves” onde, ao lado da guitarra de Monder, se torna patente a sua capacidade de interpretação e a importância do fraseado do trompete, sem exibicionismos fáceis. Gosto muito do trabalho na faixa título, “Fuzzy Logic”, mas também de “Perspective”, do clima de sedução da faixa inicial “Somewhere I’ve Never Travelled” ou ainda da maneira como se desenvolvem temas como “Four Moons” ou  “Too Far”. CD Sunnyside, na Amazon.


 


PROVAR - Vale a pena provar o prego de atum em bolo do caco que é servido no Le Chat - para quem não sabe uma das melhores esplanadas de Lisboa, o sítio ideal para o fim de tarde no Verão, com uma vista única. O Le Chat é uma estrutura de vidro que fica ao lado  do Museu Nacional de Arte Antiga, com o rio todo pela frente, numa localização privilegiada. Depois das obras do último inverno ficou com um pouco mais de espaço e mais confortável, quer no interior, quer na esplanada. A carta apresenta numerosas sugestões de petiscos, a começar por uma bem aviada tábua de queijos e enchidos. Além do prego de atum provou-se o pica-pau, os pedaços de carne de boa qualidade, bem temperados, acompanhados por pickles e focaccia, e um pedido extra de uns chips de batata doce que estavam fantásticos. A imperial é bem tirada, a lista de vinhos não é extensa mas tem ofertas consensuais a preços sensatos e a casa propõe ainda alguns cocktails- Nas sobremesas destaque para os gelados de pastel de nata e de mojito. O serviço é simpático, nesta altura do ano é muito bom ver ali nascer a noite.


O Le Chat foi considerado pelo New York Times como um dos locais a conhecer em Lisboa. Fica no jardim 9 de Abril, à Rua das Janelas Verdes e tem o telefone 213 963 668.


 


DIXIT - “Seria um privilégio para o país ter o engenheiro António Guterres como Presidente da República” - disse António Costa em relação ao ex-primeiro-ministro que fugiu depois de uma derrota nas autárquicas de 2001, sabendo o estado do país, para o qual aliás o seu Governo notoriamente contribuíu.


 


GOSTO - A época futebolística começou com uma vitória do Sporting sobre o Benfica.


 


NÃO GOSTO - Presos por violência doméstica quadruplicaram em quatro anos.


 


BACK TO BASICS - Os factos são o maior inimigo da verdade - Miguel de Cervantes

julho 18, 2014

SOBRE A REPERCUSSÃO DAS PRIMÁRIAS DO PS NO SISTEMA POLÍTICO





CASE STUDY - Longe do escrutínio da Comissão Nacional de Eleições, necessário na substância mas bacoco na forma, as directas do Partido Socialista vão constituir um bom momento para estudar os métodos  e ferramentas de comunicação e propaganda utilizados pelos candidatos e para avaliar a maneira como os Media, num combate político bipolarizado, farão, sem constrangimentos de leis eleitorais desfasadas do tempo, as suas opções editoriais - sobretudo como as televisões irão cobrir a campanha de Costa e Seguro, mas também, depois, a votação e a análise dos seus resultados. Por outro lado esta campanha para as directas está já a ter uma presença digital assinalável, e às vezes imaginativa e agressiva, quer em blogues, quer em redes sociais. Este lado digital, longe das baias pré-históricas da CNE, será porventura das coisas mais interessantes a seguir e a analisar. Eu, que não sou simpatizante do PS nem de nenhum dos dois candidatos, estou cheio de curiosidade a ver como tudo isto vai evoluir - sobretudo porque daqui se poderão - ou não - tirar lições para que a comunicação política provoque maior participação, provoque maior esclarecimento e produza maior empenhamento dos eleitores. Se a coisa, pelo contrário, se resumir ao relambório do costume, ninguém ficará a ganhar e o crédito dos cidadãos nos partidos sofrerá mais uma machadada.




SEMANADA - Ana Drago anunciou a sua saída do Bloco de Esquerda; a direcção do Bloco de Esquerda rejeitou ser “sucursal do PS”; Francisco Louçã atacou Daniel de Oliveira no Facebook; Rui Rio já tem uma plataforma de apoio, intitulada “Portugal em Primeiro”; no dia do arranque do recenseamento para as primárias do PS inscreveram-se 160 simpatizantes por hora; a hotelaria registou 4,4 milhões de dormidas em Maio, o que gerou um aumento das receitas  do sector na ordem dos 19%; foi detectada uma rede envolvida no tráfico de menorers nigerianas que as introduziam na Europa através de Portugal; foi detectada uma rede que vendia cartas de condução a analfabetos; foram detectados casos de doentes que chegam aos hospitais públicos em situação de subnutrição; a segurança social recusa pagar a trabalhadores de empresas em dificuldades; o montante total das portagens nas scut ascende a 96,6 milhões de euros, cerca de 66,5% do total arrecadado em portagens no primeiro semestre do ano; a Via do Infante foi a SCUT que teve maior aumento de utilização, cerca de 21%; Gerard Depardieu anunciou que vai produzir vodka biológico na Rússia; nos últimos três anos registam-se 2700 lugares a menos no ensino superior; um estudo da Universidade Portucalense revela que os alunos do 3ºciclo e do ensino secundário “não são capazes de gerir as suas finanças, não possuem hábitos de poupança, nem estão familiarizados com a linguagem financeira”; Portugal é o país europeu com menos nascimentos, só nascem dez crianças por hora; em consequência da quebra da natalidade e da emigração o ensino pré-escolar e o básico continuam a perder alunos - 26 mil no último ano.




ARCO DA VELHA - O fisco briga com toda a gente e, para não nos esquecermos da natureza beligerante do esbulho fiscal, o novo diretor geral da Autoridade Tributária e Aduaneira chama-se BRIGAS Afonso.




FOLHEAR - A “Vanity Fair” de Julho dedica a sua capa à nova vaga de estrelas de Hollywood. Mas do ponto de vista editorial a estrela desta edição é um magnífico artigo sobre o plano de desenvolvimento das companhias aéreas do Médio Oriente, que em poucos anos conseguiram transformar o aeroporto do Dubai num dos mais utilizados do mundo, graças a linhas aéreas como a Emirates, cujo terminal próprio naquele aeroporto é o maior terminal aéreo do planeta. As três companhias aéreas do Golfo, a Qatar e a Ethiad e a Emirates, estão a transformar o negócio da aviação e fizeram da sua base no Dubai um local incontornável, ao ponto de, actualmente, todas as semanas, 130 companhias aéreas utilizarem o aeroporto do Dubai como ponto obrigatório em 6000 vôos para 260 destinos. Não é por acaso que a “Vanity Fair” se gaba de ser a revista não económica que publica os melhores artigos sobre temas de negócios e economia . Neste artigo, “The New Jet Age” vem tudo explicado - o plano, os meios, os objectivos e as etapas para que no meio do deserto se criasse em tão pouco tempo um ponto nevrálgico e incontornável do negócio aeronáutico. Para além deste artigo, noutro registo, vale a pena ler a peça sobre o método de trabalho e a obra de Jeff Koons, agora que ele está quase à beira dos 60 anos, com uma exposição a abrir brevemente no Louvre e com as suas obras a atingirem preços recorde, na casa das dezenas de milhões de dolares. Só estes dois artigos já dão mais informação que a maior parte de edições inteiras de outras revistas.




VER -  Até meados de Setembro a Galeria João Esteves de Oliveira (Rua Ivens 38), apresenta uma exposição colectiva que agrupa trabalhos de artistas como André Almeida e Sousa, Diogo Guerra Pinto, Eugénia Mussa, Manuel Gantes e Paulo Miguel Lopes. Como é hábito nesta Galeria, os trabalhos usam como base de trabalho o papel, em diversas técnicas. Logo na sala de entrada destacam-se os trabalhos de André Almeida e Sousa e, no primeiro andar, os de Manuel Gantes e a interessante abordagem de Paulo Miguel Lopes (aqui reproduzido), num universo que muitas vezes evoca a BD. Na Pousada de Cascais o Cidadela Art District apresenta este fim de semana uma série de propostas novas - uma exposição de Pedro Pascoinho, uma sessão de live painting por Filippo Fiumani no espaço da revista digital Magnetica e uma video instalação de Paulo Arraiano e Duarte Amaral Netto com Andrea Hackl.




OUVIR - “Last Dance” é o título do disco editado este ano na ECM por Keith Jarrett e Charlie Haden, dois músicos que colaboraram intermitentemente ao longo de várias décadas. Este “Last Dance” acabou por ter um título premonitório - Charlie Haden morreu este mês, e quando decorreram as gravações de “Last Dance” , em 2007, já estava bastante doente. O disco revisita em parte o reportório de “Jasmine”, o CD que assinalou em 2010 o reencontro entre os dois músicos. Baseado no cancioneiro popular e nos grandes standards da música americana, “Jasmine” surgiu como uma lufade de ar fresco em relação a outros registos de Jarrett anteriores. Aqui, em “Last Dance”, nota-se o cuidado nos arranjos, perfeitos e intensos, mas de uma sobriedade exemplar. Destaco “Everything Happens To Me”, “Where Can I Go Without You”, “Every Time We Say Goodbye”, “Round Midnight”, “It Might As Well Be Spring” - e corro o risco de dizer que a faixa final, “Goodbye”, um clássico de Gordon Jenkins, é aqui deixada como testamento do que foi o prazer destes dois músicos de excepção a tocarem um com o outro. A ECM, que durante muitos anos foi representada em Portugal pela Dargil, está agora sem importador nacional - pelo que com sorte as suas edições se apanham de vez em quando na FNAC ou no El Corte Ingles. Ou então, na Amazon, que apesar das entregas cada vez mais caras e acidentadas, continua a ser uma hipótese.




PROVAR - O sol brilha, a temperatura aumenta. Apetece qualquer coisa muito fresca. Pois é, estamos na época em que os gelados se tornam mais apetecíveis. Acontece que o mundo dos gelados mudou muito nos últimos anos e surgiram uma série de variedades inesperadas. Por exemplo, começaram a ser feitos gelados com sabores que vão de pastel de nata a tarte de maçã, passando por Mojitos. Há vários fabricantes a apostar em sabores pouco tradicionais, mas uma das marcas portuguesas de gelados que produz sabores mais inesperados é a Artisani. A boa novidade deste verão é um gelado com sabor a Sunlover, uma bebida nutri-cosmetica portuguesa, com zero calorias, que promete aumentar as defesas do corpo e diminuir o envelhecimento acelerado da pele. O Sunlight Sorbet Light é a proposta da Artisani, já disponível nas suas lojas de Cascais, Carcavelos, Doca de Santo Amaro e Avenida Álvares Cabral, em Lisboa. É frutado, não é demasiado doce e a sua textura de sorbet parece perfeita. Garantidamente é bom mesmo depois de o sol se pôr e desperta os sentidos para experimentar a bebida com base na qual é elaborado.




DIXIT - Depois da maneira como correu este Mundial fiquei com a sensação que a FIFA está a fazer do futebol uma coisa tão pouco entusiasmante como aquilo em que a FIA transformou a Fórmula Um - Oliveira de Figueira




GOSTO - Da empresa portuguesa Tekever. que produz drones utilizados em missões de defesa e vigilância e os exporta para diversos países.




NÃO GOSTO - A Comissão de Recutamento e Selecção Para a Administração Pública recusou a um candidato o acesso às suas classificações detalhadas num concurso público a que concorreu e de onde foi excluído




BACK TO BASICS - Um banqueiro é alguém sempre disponível a  emprestar o guarda chuva quando está um sol radioso, mas que exige a sua devolução mal começa a chover - Mark Twain.






 





 





 

julho 11, 2014

Sobre as aventuras de D.Inércio, o alcaide que queria ser Rei e outros episódios variados

ESTAROLAS - Em 2015 vamos ter legislativas e essa vai ser a primeira possibilidade de voto para quem nasceu em 1997. Quem nasceu a partir do início da década de 90 estará entre os novos eleitores - e já nem falo de quem nasceu a partir de meados dos anos 80 e tem agora 30 anos. Tudo junto é muita gente. Será que este universo de eleitores ainda separa a esquerda da direita como os que tinham 20 ou 30 anos em 1974 ou 1984? E como é que olham para a ideologia? Que acharão eles do que se passa dentro do PS? Que acharão eles dos políticos que falam sobretudo da tradição, eles que se debatem com o desemprego jovem e um futuro nebuloso? Comecei a pensar nisto quando vi que a estratégia de António Costa tem sido arregimentar  os históricos do PS, da Juventude Socialista e em geral figuras tradicionais da esquerda, próximos hoje em dia do PS. Chamo a isto a estratégia dos dinosauros excelentíssimos, que vivem de memórias mais do que de actos. Esta semana, num momento particularmente elucidativo do seu estilo, António Costa juntou apoiantes da chamada área da Cultura. Nas fotografias vi imagens de um parque jurássico onde se passeavam devedores de favores, pretendentes a prebendas e devotos variados. Interrogo-me sobre a razão de ser destes apoios a alguém que, em sete anos de presidência de Câmara Municipal de Lisboa, manifestamente não mostrou estratégia para a cidade nem para a cultura. Dizem-me que pode ter a ver com a solidariedade de uma esquerda cheia de memórias e carente de ideias - aqueles que preferem a emoção à razão. Mas, constato que, mesmo sem formular políticas, António Costa já sabe como vai organizar um Governo, se um dia o tiver. É patética a promessa de um Ministério da Cultura sem antes saber que recursos vai poder ter e como vai poder funcionar - serve apenas para cenário imaginário onde poderá alojar umas vaidades, várias delas na plateia. Este Costa que quer governar o PS e o país está há sete anos a mandar na cidade e, tirando as obras na rotunda, o notável desprezo pelos habitantes e o aluguer da avenida da Liberdade para servir de pocilga de supermercado, não se lhe nota obra feita. Como a congregação desta semana mostrou, este é um daqueles casos em que o rei vai nu e chamou uns estarolas para o cobrirem. Há uma página de Facebook que dá pelo nome de “Costa no Castelo” e que conta as aventuras de “Inércio, o alcaide que queria ser Rei”. Está resumido o assunto.


 


SEMANADA - O revisor oficial de contas da Câmara Municipal de Lisboa levantou um conjunto de reservas sobre as contas de 2013 da autarquia, num montante superior a mil milhões de euros; o passivo total da Câmara Municipal de Lisboa em 2013 aumentou 10,3% em relação a 2012, atingindo os 1420 milhões de euros; a Câmara de Lisboa mais do que triplicou a sua despesa com a adjudicação de empreitadas e a aquisição de bens e serviços entre 2012 e 2013; faltam 82 dias para as primárias do PS; Paco Bandeira é um dos 600 artistas a subscrever um manifesto de apoio a António Costa; a polícia municipal de Braga tem 47 agentes que estão sem comandante há dois meses; em 2013 o prejuízo médio por farmácia foi de 8703 euros, ou seja mais de 25 milhões de euros no total; os vistos gold captaram já mil milhões de euros de investimento este ano; as contas bancárias penhoradas aumentaram 10% num só ano; o crédito malparado das famílias portuguesas atingiu em Maio deste ano o valor mais alto desde o princípio de 1998, um total de 5262 milhões de euros; a bolsa de Lisboa perdeu 16% em três meses; 12 dos 16 administradores da Espírito Santo Internacional, a braços com uma  dívida superior a 7 mil milhões de euros,  pediram a demissão; a Espírito Santo Internacional pondera apresentar pedido de insolvência.


 


ARCO DA VELHA - Narciso de Miranda, ex-presidente da Cãmara de Matosinhos eleito pelo PS ao longo de 29 anos, foi acusado de ter feito uma falsa declaração de roubo de um iPhone 3, para que a Associação de Solidariedade, a que presidia,  substituísse o modelo antigo por um mais recente que lhe agradava mais.


 


FOLHEAR - O número 215 da revista “Aperture” é dedicado à cidade de São Paulo. Publicada quatro vezes por ano por iniciativa da Aperture Foundation, criada em 1952, a  edição do Verão deste ano é pela primeira vez na história da revista dedicada a uma cidade fora dos Estados Unidos. É o pretexto, para em época de Mundial, se falar do Brasil e da fotografia brasileira. Sérgio Burgi escreve um bom ensaio, “An Itinerant Photography”, sobre as primeiras revistas ilustradas e o surgimento dos clubes de fotografia no pós guerra. Militão Augusto de Azevedo, um precursor da fotografia, é recordado pelo seu álbum comparativo de imagens feitas em São Paulo entre 1862 e 1887, quando a cidade passou de 25 mil a 50 mil habitantes - hoje já ultrapassa os 20 milhões. A “Aperture” lembra publicações como a revista ilustrada semanal “O Cruzeiro”, que existiu entre 1928 e 1975 e que em 1954 tirava meio milhão de exemplares. Fala da abertura da Bienal de São Paulo à fotografia em 1953, do lançamento da newsmagazine “Realidade” pela editora Abril em 1966 - durou dez anos. Recorda, com um belo portfolio, Geraldo de Barros, um dos nomes marcantes da fotogradia brasileira dos anos 40 ao final do século XX. Mas a “Aperture” não se fica no passado e mostra trabalhos de nomes como Caio Reisewitz, Barbara Wagner, Hudilson Urbano Jr., Mauro Restiffe (a sua forma de ver o funeral de Niemeyer), Jonathas de Andrade, Regina Silveira, Sofia Borges ou Claudia Andujar. Faz um ponto de situação das residências, galerias e museus ou locais de exposição que privilegiam a fotografia e mostra como os photobooks documentaram a história da cidade ao longo dos anos. Um dos melhores artigos da  edição é assinado por Ronaldo Entler e mostra trabalhos dos colectivos mais marcantes na fotografia contemporânea em São Paulo, a Cia da Foto cujos membros não assinam as fotografias individualmente, a Garapa que se distingue por experimentar novas formas de narartiva fotográfica em trabalhos financiados por crowdfunding, o FotoProtestoSP que nasceu para cobrir as manifestações de 2013, a SelvaSP. criada em 2012, para retratar o lado mais negro da cidade ou a MídiaNinja, também saída dos protesto de 2013.


 


VER -  A exposição da semana está no antigo edifício dos Correios, na Praça de D. Luis, junto ao Mercado da Ribeira, a Central Station. Dentro em breve o edifício vai ser reconvertido, mas entretanto, até dia 17 deste mês,  mostra no seu segundo andar o trabalho de 51 artistas contemporãneos, de diversas áreas, do desenho à fotografia, passando pela pintura, a escultura. A “Mostra”, assim se chama a iniciativa, pretende a partir de agora mostrar todos os anos o trabalho de artistas emergentes ao lado de alguns consagrados, dando uma oportunidade de exposição que vai sendo rara. A “Mostra” estará aberta todos os dias das 13 às 20 horas até à próxima quinta-feira. Mais informações e detalhe do programa paralelo em http://www.mostradearte.com. A não perder. Entretanto neste fim de semana realiza-se também a edição inaugural da Est Art Fair, que se posiciona como uma feira internacional de arte contemporânea. Estão representadas três dezenas e meia de galerias, metade das quais estrangeiras. Mais informações em est-art.com .


 


OUVIR - José James é um dos nomes em ascensão no jazz vocal e já actuou algumas vezes em Portugal. Volta este domingo, aos Jardins do Marquês de Pombal, em Oeiras, integrado no edpcooljazz. Na bagagem traz o seu novo álbum, já editado entre nõs, “While You Were Sleeping”. O disco tem provocado alguma polémica porque James saíu do caminho tradicional dos rhythm’n’blues que tem sido a sua imagem de marca e ensaia outros terrenos - logo desde a primeira faixa, “Angel”, onde uma guitarra que evoca o fraseado de Jimi Hendrix, surpreende quem esperava outra coisa e mostra como José James experimentou a liberdade de sair dos cânones que o marcavam. Outros temas a reter são “Dragon”, que conta com a colaboração da cantora Becca Stevens, o tema título “While You Were Sleeping”, ou ainda “U R the 1”, “4 Noble Truths”  e sobretudo a sua versão do clássico de Al Green, Simply Beautiful”, que encerra o trabalho. (CD Blue Note/Universal).


 


PROVAR - Apresenta-se como o mais tradicional restaurante chinês de Lisboa, tem meia dúzia de semanas de funcionamento e fica no Beato. Chama-se Dinastia Tang e é fruto do trabalho de um casal luso-chinês. Todos os elementos decorativos do restaurante vieram da China, a mobília é tradicional, confortável, sólida. O espaço é amplo, aberto numa parte, com recantos noutra. No rés do chão existe uma sala para grupos, muito utilizada pela comunidade chinesa. A cozinha que aqui se pratica é também diferente daquela que é servida na maior parte dos restaurantes chineses da cidade. A escolha do menu e o cuidado no tempero fazem a diferença, assim como os pratos ao vapor, desde os dim sum ao pão chinês ou a sobremesas como as bolas de arroz com sésamo.  Aqui a influência maior é da gastronomia de Cantão. Amendoins com orvalho, frango ou camarões com fruta variada e caju (muito bom), um excepcional pato com castanhas, ou um tradicional pato à Pequim são apenas alguns dos pontos de uma lista extensa que merece ser explorada. Há raridades, como raiz de lótus, línguas de pato, salada de medusa (ou alforreca em português mais corriqueiro) e, por fim, um afamado doce de leite frito. A serviço é acolhedor e simpático, os preços são ajuizados, o balanço final da primeira experiência foi bom. Dinastia Tang, Rua do Açucar 107, telefone 967145938.


 


DIXIT - “O fantasma de Sócrates vai estar sempre presente” - José António Saraiva, no “Sol”, sobre a situação no PS


 


GOSTO - Do comportamento do Banco de Portugal em relação ao caso BES, bem diferente do que antes se passou no tempo de Constâncio e do BPN.


 


NÃO GOSTO - Num só ano, nos vários graus de ensino, Portugal perdeu cem mil estudantes do pré-primário ao universitário.


 


BACK TO BASICS - A tradição deve ser um guia e não uma prisão - Somerset Maugham