ELUCIDATIVO - No dia 24 de Janeiro os jornais noticiavam que uma vereadora da Câmara Municipal de Lisboa havia sido constituída arguida. Já lá vão 24 dias, quase um mês, e nada mais se sabe sobre o assunto. Os factos resumem-se a isto: a polícia conseguiu que ela saísse de funções, a polícia induziu uma crise política nessa autarquia e sobre a essência do caso nada mais se ouviu falar. Na mesma altura fontes policiais disseram à cada vez mais oficial agência Lusa que outro vereador iria ser constituído arguido nos dias seguintes; nada se passou até agora. O Ministro da Justiça e o Procurador Geral da República não acham esta situação estranha? Não consideram que a actuação judiciária teve até agora mais consequências políticas que policiais? Acham estes procedimentos normais? Na minha modesta opinião isto que temos não é justiça – é uma fantochada, cobardia política mascarada de vendetta. Resta saber quem ganha com o assunto – alguém há-de ganhar, de alguma forma, com o que se está a passar.
CASTIGADOR - Há um outro caso judicial esta semana que mostrou em que mãos anda a Justiça em Portugal: um juiz conselheiro aproveitou um programa de televisão para fazer uma interpretação muito pessoal da lei e, em tom de ameaça, preconizou que cada um dos 10 000 cidadãos que subscreveram um pedido de «habeas corpus» no caso do militar Luís Gomes, seriam punidos com um pagamento – como se estivesse efectivamente a clamar por castigo, uma coima a bem dizer. Mais tarde a hierarquia, o Supremo, veio desautorizar o juiz e repor a verdade dos factos. O que interessa aqui é que um juiz conselheiro reage em público como se um pedido de «habeas corpus» merecesse punição – porque foi disso que efectivamente se tratou – o tal juiz conselheiro acha que os cidadãos que tentarem evitar abusos de poder devem ser como que multados. Chocante.
REGIME - No Domingo passado a maioria dos eleitores voltou a abster-se. Independentemente da natureza da pergunta o facto é este: o sistema está desacreditado. Bem sei que agora não era este o caso, mas em muitos dos actos eleitorais recentes os eleitores votaram em determinadas promessas que depois foram esquecidas, sendo que os eleitos se têm habituado a fazer, em alguns temas fundamentais – como a carga fiscal – o oposto daquilo que prometem em campanha eleitoral. Chamo a isto a nova demagogia – basear uma campanha em posições que depois não têm correspondência com a realidade. Por este andar, mais cedo ou mais tarde o regime vai viver - em geral e não só nos referendos – dos votos de uma minoria do universo de eleitores. Meter a cabeça na areia, atirar as culpas para cima dos temas ou da sintaxe das perguntas não ajuda a resolver o que de facto é um sinal de doença do regime.
PARLAMENTO – Não percebo porque é que em Portugal se perdeu o hábito das crónicas parlamentares, porque é que nenhum jornal coloca alguém a relatar o dia a dia do Parlamento, dos seus corredores, das comissões, em jeito de crónica, de olhar aguçado e observador. Bem sei que o nosso Parlamento não é grande coisa – mas faz-me um bocado de impressão que sejamos um dos poucos países europeus onde os media só dão pelo Parlamento em dia de bronca ou em dia de debate mensal com o Governo. Talvez uma presença mais assídua fosse boa para toda a gente.
OUVIR – Hoje e amanhã podem ouvir o trio de Jef Neve no Hot Club, à Praça da Alegria. Pelas 23h00 os belgas Jef Neve no piano, Piet Verbist no contrabaixo e Teun Verbruggen na bateria vão dar a conhecer o seu disco mais recente, «Nobody Is Illegal», uma bela gravação já disponibilizada em Portugal pela Universal. Jef Neve tem-se destacado como um dos mais criativos e interessantes músicos de jazz na cena europeia e este seu últimos disco, largamente aclamado pela crítica, veio confirmar o seu estatuto – razão adicional para os concertos do Hot gerarem boa dose de expectativa.
PETISCAR – Nove da noite, não apetece jantar e só apetece petiscar? Uma boa solução pode ser o tapas bar do Restaurante Luca , na Rua de Santa Marta 35. Por trás da sala do restaurante, em cima, num espaço amplo, com decoração de inspiração no norte de África, pode-se experimentar um buffet de antipasti italianos, com matéria prima de primeiríssima qualidade e variedade abundante. Na boa companhia, é um belo princípio de noite.
BACK TO BASICS – A repetição não transforma uma mentira em verdade – Franklin D. Roosevelt.
O que vou escrevendo, entre o Weekend do Jornal de Negócios e os Pensamentos Ociosos no SAPO. E mais umas coisas avulsas...
fevereiro 17, 2007
fevereiro 10, 2007
JUSTIÇA? – O sistema judicial português – em particular a Procuradoria da República e a Polícia Judiciária - tornaram prática corrente uma forma muito século XXI da justiça popular pós revolucionária de má memória: insinua-se uma acusação a alguém, de alguma coisa, não se apresentam provas nem acusação concreta, constituem-se arguidos ad-hoc, dá-se boa cobertura jornalística ao sucedido avisando de buscas domiciliárias, inquirições, e arguições, atenta-se ao bom nome das pessoas de forma metódica e sistemática. Depois, o processo não anda, as provas não surgem, a acusação não é concretizada – mas o mal está feito e as pessoas vão sendo afastadas do que faziam. A utilização destas práticas em processos de matriz política é assunto corrente. Kafka escreveu sobre isto no século passado, mas é no século XXI que o sistema judicial português e a sua justiça popular pós-moderna são cada vez mais kafkianos.
ACASO – Estou para ver se por algum acaso do destino as entidades judiciais resolvem constituir arguido mais algum vereador da Câmara Municipal de Lisboa, ou o seu próprio Presidente, precisamente na altura em que o PS já estiver pronto para apresentar candidato – processo turbulento, difícil e de calendário complicado. O caso, recordo aqui, não seria inédito na forma: o ex-Presidente da República, o socialista Jorge Sampaio, só encontrou razões para convocar eleições antecipadas quando o seu partido já estava pronto para as disputar. Ele há métodos que fazem escola…
IMPOSTOS – O insuspeito Medina Carreira disse na semana passada, em entrevista ao Rádio Clube Português, que a via administrativa para cobrar mais impostos estava a ficar esgotada – é um alerta para o que começam a ser sinais de abuso de poder da administração fiscal contra os cidadãos, reflexo de uma atitude generalizada do Estado. Na realidade fica cada vez mais evidente que, incapaz de concretizar reformas estruturais, o socratismo utiliza o Estado para perseguir os cidadãos e não para os servir. É o mundo ao contrário.
LIVRO – Uma fantástica e muitíssimo oportuna edição de um dos mais divertidos e certeiros escritos de Arthur Schopenhauer, «A Arte De Ter Sempre Razão». Eu oferecia de bom grado este livro ao Ministro António Pinho e ao Primeiro-Ministro José Sócrates – havia de lhes ser muito útil. Esta bela edição da Frenesi tem a vantagem de incluir ainda excertos de outro texto fundamental do autor, «O Fundamento da Moral», outro tema muito desconhecido pelo Estado nos dias que correm. A edição da Frenesi tem uma boa tradução e um certeiro prólogo de Jorge Pereirinha Pires intitulado «Da Linguagem Como Arte Marcial».
FOTOGRAFIA – Olho para a exposição dos seleccionados para o prémio BES Photo e fico com a sensação de que, em três quartos do que está exposto, estou no reino da Floribella. De facto são uma desilusão os seleccionados para o prémio BES Photo de 2006: com a excepção de Daniel Blaufuks, o resto das escolhas do júri revela um provincianismo gritante, a adesão ao kitsch como abordagem estética, a subalternização da fotografia como forma de expressão e a sua consagração como mero suporte e meio técnico de cópia. É uma pena que esta iniciativa tenha escorregado para a lógica dos jogos florais pictóricos onde contam mais as influências que o talento. No CCB até 18 de Março.
OUVIR – O disco mais tropicalista alguma vez feito em Portugal chama-se «JP Simões 1970» e acabou de ser editado. Os temas originais de JP Simões, que foi a voz e boa parte do espírito dos Bellechase Hotel, são deslumbrantes. A forma de dizer, mais do que cantar, isola a música das palavras de uma forma quase provocatória, que contribui para tornar este disco uma das mais importantes gravações portuguesas dos últimos anos. É impensável não salientar a genial versão de um original de José Mário Branco, «Inquietação». Há muitos anos que fora do hip-hop não havia um disco de originais portugueses com esta qualidade e vigor. CD edição Nortesul.
REFERENDO – Voto pela liberdade individual de escolha e contra a hipocrisia. Voto sim.
BACK TO BASICS – Devemos fazer encolerizar o oponente, pois no seu furor ele fica incapaz de um juízo correcto e de perceber o que é do seu interesse – A.Schopenhauer.
ACASO – Estou para ver se por algum acaso do destino as entidades judiciais resolvem constituir arguido mais algum vereador da Câmara Municipal de Lisboa, ou o seu próprio Presidente, precisamente na altura em que o PS já estiver pronto para apresentar candidato – processo turbulento, difícil e de calendário complicado. O caso, recordo aqui, não seria inédito na forma: o ex-Presidente da República, o socialista Jorge Sampaio, só encontrou razões para convocar eleições antecipadas quando o seu partido já estava pronto para as disputar. Ele há métodos que fazem escola…
IMPOSTOS – O insuspeito Medina Carreira disse na semana passada, em entrevista ao Rádio Clube Português, que a via administrativa para cobrar mais impostos estava a ficar esgotada – é um alerta para o que começam a ser sinais de abuso de poder da administração fiscal contra os cidadãos, reflexo de uma atitude generalizada do Estado. Na realidade fica cada vez mais evidente que, incapaz de concretizar reformas estruturais, o socratismo utiliza o Estado para perseguir os cidadãos e não para os servir. É o mundo ao contrário.
LIVRO – Uma fantástica e muitíssimo oportuna edição de um dos mais divertidos e certeiros escritos de Arthur Schopenhauer, «A Arte De Ter Sempre Razão». Eu oferecia de bom grado este livro ao Ministro António Pinho e ao Primeiro-Ministro José Sócrates – havia de lhes ser muito útil. Esta bela edição da Frenesi tem a vantagem de incluir ainda excertos de outro texto fundamental do autor, «O Fundamento da Moral», outro tema muito desconhecido pelo Estado nos dias que correm. A edição da Frenesi tem uma boa tradução e um certeiro prólogo de Jorge Pereirinha Pires intitulado «Da Linguagem Como Arte Marcial».
FOTOGRAFIA – Olho para a exposição dos seleccionados para o prémio BES Photo e fico com a sensação de que, em três quartos do que está exposto, estou no reino da Floribella. De facto são uma desilusão os seleccionados para o prémio BES Photo de 2006: com a excepção de Daniel Blaufuks, o resto das escolhas do júri revela um provincianismo gritante, a adesão ao kitsch como abordagem estética, a subalternização da fotografia como forma de expressão e a sua consagração como mero suporte e meio técnico de cópia. É uma pena que esta iniciativa tenha escorregado para a lógica dos jogos florais pictóricos onde contam mais as influências que o talento. No CCB até 18 de Março.
OUVIR – O disco mais tropicalista alguma vez feito em Portugal chama-se «JP Simões 1970» e acabou de ser editado. Os temas originais de JP Simões, que foi a voz e boa parte do espírito dos Bellechase Hotel, são deslumbrantes. A forma de dizer, mais do que cantar, isola a música das palavras de uma forma quase provocatória, que contribui para tornar este disco uma das mais importantes gravações portuguesas dos últimos anos. É impensável não salientar a genial versão de um original de José Mário Branco, «Inquietação». Há muitos anos que fora do hip-hop não havia um disco de originais portugueses com esta qualidade e vigor. CD edição Nortesul.
REFERENDO – Voto pela liberdade individual de escolha e contra a hipocrisia. Voto sim.
BACK TO BASICS – Devemos fazer encolerizar o oponente, pois no seu furor ele fica incapaz de um juízo correcto e de perceber o que é do seu interesse – A.Schopenhauer.
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JUSTIÇA? – O sistema judicial português – em particular a Procuradoria da República e a Polícia Judiciária - tornaram prática corrente uma forma muito século XXI da justiça popular pós revolucionária de má memória: insinua-se uma acusação a alguém, de alguma coisa, não se apresentam provas nem acusação concreta, constituem-se arguidos ad-hoc, dá-se boa cobertura jornalística ao sucedido avisando de buscas domiciliárias, inquirições, e arguições, atenta-se ao bom nome das pessoas de forma metódica e sistemática. Depois, o processo não anda, as provas não surgem, a acusação não é concretizada – mas o mal está feito e as pessoas vão sendo afastadas do que faziam. A utilização destas práticas em processos de matriz política é assunto corrente. Kafka escreveu sobre isto no século passado, mas é no século XXI que o sistema judicial português e a sua justiça popular pós-moderna são cada vez mais kafkianos.
ACASO – Estou para ver se por algum acaso do destino as entidades judiciais resolvem constituir arguido mais algum vereador da Câmara Municipal de Lisboa, ou o seu próprio Presidente, precisamente na altura em que o PS já estiver pronto para apresentar candidato – processo turbulento, difícil e de calendário complicado. O caso, recordo aqui, não seria inédito na forma: o ex-Presidente da República, o socialista Jorge Sampaio, só encontrou razões para convocar eleições antecipadas quando o seu partido já estava pronto para as disputar. Ele há métodos que fazem escola…
IMPOSTOS – O insuspeito Medina Carreira disse na semana passada, em entrevista ao Rádio Clube Português, que a via administrativa para cobrar mais impostos estava a ficar esgotada – é um alerta para o que começam a ser sinais de abuso de poder da administração fiscal contra os cidadãos, reflexo de uma atitude generalizada do Estado. Na realidade fica cada vez mais evidente que, incapaz de concretizar reformas estruturais, o socratismo utiliza o Estado para perseguir os cidadãos e não para os servir. É o mundo ao contrário.
LIVRO – Uma fantástica e muitíssimo oportuna edição de um dos mais divertidos e certeiros escritos de Arthur Schopenhauer, «A Arte De Ter Sempre Razão». Eu oferecia de bom grado este livro ao Ministro António Pinho e ao Primeiro-Ministro José Sócrates – havia de lhes ser muito útil. Esta bela edição da Frenesi tem a vantagem de incluir ainda excertos de outro texto fundamental do autor, «O Fundamento da Moral», outro tema muito desconhecido pelo Estado nos dias que correm. A edição da Frenesi tem uma boa tradução e um certeiro prólogo de Jorge Pereirinha Pires intitulado «Da Linguagem Como Arte Marcial».
FOTOGRAFIA – Olho para a exposição dos seleccionados para o prémio BES Photo e fico com a sensação de que, em três quartos do que está exposto, estou no reino da Floribella. De facto são uma desilusão os seleccionados para o prémio BES Photo de 2006: com a excepção de Daniel Blaufuks, o resto das escolhas do júri revela um provincianismo gritante, a adesão ao kitsch como abordagem estética, a subalternização da fotografia como forma de expressão e a sua consagração como mero suporte e meio técnico de cópia. É uma pena que esta iniciativa tenha escorregado para a lógica dos jogos florais pictóricos onde contam mais as influências que o talento. No CCB até 18 de Março.
OUVIR – O disco mais tropicalista alguma vez feito em Portugal chama-se «JP Simões 1970» e acabou de ser editado. Os temas originais de JP Simões, que foi a voz e boa parte do espírito dos Bellechase Hotel, são deslumbrantes. A forma de dizer, mais do que cantar, isola a música das palavras de uma forma quase provocatória, que contribui para tornar este disco uma das mais importantes gravações portuguesas dos últimos anos. É impensável não salientar a genial versão de um original de José Mário Branco, «Inquietação». Há muitos anos que fora do hip-hop não havia um disco de originais portugueses com esta qualidade e vigor. CD edição Nortesul.
REFERENDO – Voto pela liberdade individual de escolha e contra a hipocrisia. Voto sim.
BACK TO BASICS – Devemos fazer encolerizar o oponente, pois no seu furor ele fica incapaz de um juízo correcto e de perceber o que é do seu interesse – A.Schopenhauer.
ACASO – Estou para ver se por algum acaso do destino as entidades judiciais resolvem constituir arguido mais algum vereador da Câmara Municipal de Lisboa, ou o seu próprio Presidente, precisamente na altura em que o PS já estiver pronto para apresentar candidato – processo turbulento, difícil e de calendário complicado. O caso, recordo aqui, não seria inédito na forma: o ex-Presidente da República, o socialista Jorge Sampaio, só encontrou razões para convocar eleições antecipadas quando o seu partido já estava pronto para as disputar. Ele há métodos que fazem escola…
IMPOSTOS – O insuspeito Medina Carreira disse na semana passada, em entrevista ao Rádio Clube Português, que a via administrativa para cobrar mais impostos estava a ficar esgotada – é um alerta para o que começam a ser sinais de abuso de poder da administração fiscal contra os cidadãos, reflexo de uma atitude generalizada do Estado. Na realidade fica cada vez mais evidente que, incapaz de concretizar reformas estruturais, o socratismo utiliza o Estado para perseguir os cidadãos e não para os servir. É o mundo ao contrário.
LIVRO – Uma fantástica e muitíssimo oportuna edição de um dos mais divertidos e certeiros escritos de Arthur Schopenhauer, «A Arte De Ter Sempre Razão». Eu oferecia de bom grado este livro ao Ministro António Pinho e ao Primeiro-Ministro José Sócrates – havia de lhes ser muito útil. Esta bela edição da Frenesi tem a vantagem de incluir ainda excertos de outro texto fundamental do autor, «O Fundamento da Moral», outro tema muito desconhecido pelo Estado nos dias que correm. A edição da Frenesi tem uma boa tradução e um certeiro prólogo de Jorge Pereirinha Pires intitulado «Da Linguagem Como Arte Marcial».
FOTOGRAFIA – Olho para a exposição dos seleccionados para o prémio BES Photo e fico com a sensação de que, em três quartos do que está exposto, estou no reino da Floribella. De facto são uma desilusão os seleccionados para o prémio BES Photo de 2006: com a excepção de Daniel Blaufuks, o resto das escolhas do júri revela um provincianismo gritante, a adesão ao kitsch como abordagem estética, a subalternização da fotografia como forma de expressão e a sua consagração como mero suporte e meio técnico de cópia. É uma pena que esta iniciativa tenha escorregado para a lógica dos jogos florais pictóricos onde contam mais as influências que o talento. No CCB até 18 de Março.
OUVIR – O disco mais tropicalista alguma vez feito em Portugal chama-se «JP Simões 1970» e acabou de ser editado. Os temas originais de JP Simões, que foi a voz e boa parte do espírito dos Bellechase Hotel, são deslumbrantes. A forma de dizer, mais do que cantar, isola a música das palavras de uma forma quase provocatória, que contribui para tornar este disco uma das mais importantes gravações portuguesas dos últimos anos. É impensável não salientar a genial versão de um original de José Mário Branco, «Inquietação». Há muitos anos que fora do hip-hop não havia um disco de originais portugueses com esta qualidade e vigor. CD edição Nortesul.
REFERENDO – Voto pela liberdade individual de escolha e contra a hipocrisia. Voto sim.
BACK TO BASICS – Devemos fazer encolerizar o oponente, pois no seu furor ele fica incapaz de um juízo correcto e de perceber o que é do seu interesse – A.Schopenhauer.
fevereiro 05, 2007
DESPUDOR - Da maneira que as informações sobre investigações em curso, sobre buscas domiciliárias e sobre os trâmites do sistema judicial se tornam publicitadas, valia a pena pedir ao senhor Procurador da República para ordenar escutas aos telefones e vigilância aos computadores de agentes, magistrados e juízes, para ver quem anda a fazer o que não deve. Se há justiça, ela deve ser para todos e o Procurador não pode ficar sob a suspeita de deixar utilizar investigações e investigadores como um elemento de pressão na opinião pública nem como arma de contendas políticas - a menos que esteja disposto a continuar as linhas mestras do triste mandato do seu antecessor.
REGISTAR – Este ano a Câmara Municipal de Lisboa acabou com duas bienais – a Lisbon Photo e a Experimenta Design, dois momentos diferentes na vida da cidade, que a valorizavam e projectavam internacionalmente. Mais do que acabar conjunturalmente com uma edição dessas bienais, o gesto da vereação da Cultura da Câmara deita para o caixote de lixo o investimento feito nos últimos anos nestas duas iniciativas, e que ao longo do tempo foi dando os seus frutos. O mais curioso é que o anúncio do fim destas duas bienais coincide com o anúncio de um investimento numa nova iniciativa, uma trienal de arquitectura, para a qual se vai utilizar o Pavilhão de Portugal. Não vejo problema nenhum em criar uma mostra de arqutectura, vejo é com muita desconfiança uma gestão que prefere delapidar investimentos passados e extinguir o que ía bem existindo, apenas para deixar uma obrinha sua. Estas manias persecutórias e este afã de deixar obra arrasando o passado são uma das maiores demonstrações do nosso atávico provincianismo, dos orgulhos pacóvios de paróquia, dos joguinhos de interesses que desprezam o interesse público, que delapidam os investimentos anteriormente realizados com o dinheiro dos contribuintes e que revelam apenas uma completa ausência de estratégia de posicionamento cultural da cidade. A coisa, já agora, é tanto pior quanto é certo que, na segunda metade do ano, Lisboa recebe a presidência da Comunidade Europeia e ninguém parece ter-se preocupado com o assunto.
VER – As fotografias de Annie Leibowitz, num dos mais fantásticos álbuns dos últimos tempos, feito a propósito da exposição que entre 20 de Outubro do ano passado e 21 de Janeiro esteve no Brooklyn Museum, de Nova York: «A Photographer’s Life, 1990-2005». A exposição (e o álbum) traçam paralelos entre o trabalho de Leibowitz para revistas como a «Vanity Fair» e a «Rolling Stone», ao mesmo tempo que mostram o seu percurso pessoal, nomeadamente a relação com a ensaísta Susan Sontag – e a doença que acabou por a derrotar no final de 2004. É curioso contrastar a produção colocada em fotografias de moda e publicidade, com a simplicidade de algumas imagens a preto e branco, muito íntimas, delicadamente pessoais. Leibowitz é uma das grandes retratistas da segunda metade do século XX e uma das fotógrafas que melhor seguiu o mundo do entretenimento, nomeadamente das estrelas do rock e das estrelas do cinema. O álbum foi um delicioso e inesquecível presente que me deram e alivia-me a mágoa de não ter partilhado a exposição propriamente dita. Edição Random House.
OUVIR - É engraçado notar como a estratégia editorial de uma das maiores etiquetas de música clássica – a Deutsche Grammophon – se tem agilizado nos últimos anos. A mudança é curiosa porque incorpora alguns dos truques editoriais da música pop num repertório clássico, em gravações e interpretações com o elevado padrão de qualidade a que a editora habituou o seu público. Depois de em Novembro ter lançado o disco da soprano Anne Netrebko dedicado aos compositores russos, que há semanas lidera o top clássico na Europa central, o disco de estreia da meio-soprano Elina Garanco, «Ária Cantilena», editado em Dezembro (e que inclui uma deliciosa interpretação da «Cantilena» das «Bachinas Brasileiras» de Villa-Lobos, segue carreira similar e obtém críticas elogiosas. A culminar, escassas duas semanas depois do tradicional concerto de Ano Novo de Viena, eis que a Deutsche lançou já no mercado a gravação desse mesmo concerto deste ano, com a Filarmónica de Viena, dirigida por Zubin Mehta, com valsas de Johan e Josef Strauss, incluindo uma interpretação inédita da arrebatadora valsa «Wo die Zitronen bluh’n».
BACK TO BASICS –As leis são como as salsichas, é melhor não querermos saber como são feitas - Otto von Bismark
REGISTAR – Este ano a Câmara Municipal de Lisboa acabou com duas bienais – a Lisbon Photo e a Experimenta Design, dois momentos diferentes na vida da cidade, que a valorizavam e projectavam internacionalmente. Mais do que acabar conjunturalmente com uma edição dessas bienais, o gesto da vereação da Cultura da Câmara deita para o caixote de lixo o investimento feito nos últimos anos nestas duas iniciativas, e que ao longo do tempo foi dando os seus frutos. O mais curioso é que o anúncio do fim destas duas bienais coincide com o anúncio de um investimento numa nova iniciativa, uma trienal de arquitectura, para a qual se vai utilizar o Pavilhão de Portugal. Não vejo problema nenhum em criar uma mostra de arqutectura, vejo é com muita desconfiança uma gestão que prefere delapidar investimentos passados e extinguir o que ía bem existindo, apenas para deixar uma obrinha sua. Estas manias persecutórias e este afã de deixar obra arrasando o passado são uma das maiores demonstrações do nosso atávico provincianismo, dos orgulhos pacóvios de paróquia, dos joguinhos de interesses que desprezam o interesse público, que delapidam os investimentos anteriormente realizados com o dinheiro dos contribuintes e que revelam apenas uma completa ausência de estratégia de posicionamento cultural da cidade. A coisa, já agora, é tanto pior quanto é certo que, na segunda metade do ano, Lisboa recebe a presidência da Comunidade Europeia e ninguém parece ter-se preocupado com o assunto.
VER – As fotografias de Annie Leibowitz, num dos mais fantásticos álbuns dos últimos tempos, feito a propósito da exposição que entre 20 de Outubro do ano passado e 21 de Janeiro esteve no Brooklyn Museum, de Nova York: «A Photographer’s Life, 1990-2005». A exposição (e o álbum) traçam paralelos entre o trabalho de Leibowitz para revistas como a «Vanity Fair» e a «Rolling Stone», ao mesmo tempo que mostram o seu percurso pessoal, nomeadamente a relação com a ensaísta Susan Sontag – e a doença que acabou por a derrotar no final de 2004. É curioso contrastar a produção colocada em fotografias de moda e publicidade, com a simplicidade de algumas imagens a preto e branco, muito íntimas, delicadamente pessoais. Leibowitz é uma das grandes retratistas da segunda metade do século XX e uma das fotógrafas que melhor seguiu o mundo do entretenimento, nomeadamente das estrelas do rock e das estrelas do cinema. O álbum foi um delicioso e inesquecível presente que me deram e alivia-me a mágoa de não ter partilhado a exposição propriamente dita. Edição Random House.
OUVIR - É engraçado notar como a estratégia editorial de uma das maiores etiquetas de música clássica – a Deutsche Grammophon – se tem agilizado nos últimos anos. A mudança é curiosa porque incorpora alguns dos truques editoriais da música pop num repertório clássico, em gravações e interpretações com o elevado padrão de qualidade a que a editora habituou o seu público. Depois de em Novembro ter lançado o disco da soprano Anne Netrebko dedicado aos compositores russos, que há semanas lidera o top clássico na Europa central, o disco de estreia da meio-soprano Elina Garanco, «Ária Cantilena», editado em Dezembro (e que inclui uma deliciosa interpretação da «Cantilena» das «Bachinas Brasileiras» de Villa-Lobos, segue carreira similar e obtém críticas elogiosas. A culminar, escassas duas semanas depois do tradicional concerto de Ano Novo de Viena, eis que a Deutsche lançou já no mercado a gravação desse mesmo concerto deste ano, com a Filarmónica de Viena, dirigida por Zubin Mehta, com valsas de Johan e Josef Strauss, incluindo uma interpretação inédita da arrebatadora valsa «Wo die Zitronen bluh’n».
BACK TO BASICS –As leis são como as salsichas, é melhor não querermos saber como são feitas - Otto von Bismark
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DESPUDOR - Da maneira que as informações sobre investigações em curso, sobre buscas domiciliárias e sobre os trâmites do sistema judicial se tornam publicitadas, valia a pena pedir ao senhor Procurador da República para ordenar escutas aos telefones e vigilância aos computadores de agentes, magistrados e juízes, para ver quem anda a fazer o que não deve. Se há justiça, ela deve ser para todos e o Procurador não pode ficar sob a suspeita de deixar utilizar investigações e investigadores como um elemento de pressão na opinião pública nem como arma de contendas políticas - a menos que esteja disposto a continuar as linhas mestras do triste mandato do seu antecessor.
REGISTAR – Este ano a Câmara Municipal de Lisboa acabou com duas bienais – a Lisbon Photo e a Experimenta Design, dois momentos diferentes na vida da cidade, que a valorizavam e projectavam internacionalmente. Mais do que acabar conjunturalmente com uma edição dessas bienais, o gesto da vereação da Cultura da Câmara deita para o caixote de lixo o investimento feito nos últimos anos nestas duas iniciativas, e que ao longo do tempo foi dando os seus frutos. O mais curioso é que o anúncio do fim destas duas bienais coincide com o anúncio de um investimento numa nova iniciativa, uma trienal de arquitectura, para a qual se vai utilizar o Pavilhão de Portugal. Não vejo problema nenhum em criar uma mostra de arqutectura, vejo é com muita desconfiança uma gestão que prefere delapidar investimentos passados e extinguir o que ía bem existindo, apenas para deixar uma obrinha sua. Estas manias persecutórias e este afã de deixar obra arrasando o passado são uma das maiores demonstrações do nosso atávico provincianismo, dos orgulhos pacóvios de paróquia, dos joguinhos de interesses que desprezam o interesse público, que delapidam os investimentos anteriormente realizados com o dinheiro dos contribuintes e que revelam apenas uma completa ausência de estratégia de posicionamento cultural da cidade. A coisa, já agora, é tanto pior quanto é certo que, na segunda metade do ano, Lisboa recebe a presidência da Comunidade Europeia e ninguém parece ter-se preocupado com o assunto.
VER – As fotografias de Annie Leibowitz, num dos mais fantásticos álbuns dos últimos tempos, feito a propósito da exposição que entre 20 de Outubro do ano passado e 21 de Janeiro esteve no Brooklyn Museum, de Nova York: «A Photographer’s Life, 1990-2005». A exposição (e o álbum) traçam paralelos entre o trabalho de Leibowitz para revistas como a «Vanity Fair» e a «Rolling Stone», ao mesmo tempo que mostram o seu percurso pessoal, nomeadamente a relação com a ensaísta Susan Sontag – e a doença que acabou por a derrotar no final de 2004. É curioso contrastar a produção colocada em fotografias de moda e publicidade, com a simplicidade de algumas imagens a preto e branco, muito íntimas, delicadamente pessoais. Leibowitz é uma das grandes retratistas da segunda metade do século XX e uma das fotógrafas que melhor seguiu o mundo do entretenimento, nomeadamente das estrelas do rock e das estrelas do cinema. O álbum foi um delicioso e inesquecível presente que me deram e alivia-me a mágoa de não ter partilhado a exposição propriamente dita. Edição Random House.
OUVIR - É engraçado notar como a estratégia editorial de uma das maiores etiquetas de música clássica – a Deutsche Grammophon – se tem agilizado nos últimos anos. A mudança é curiosa porque incorpora alguns dos truques editoriais da música pop num repertório clássico, em gravações e interpretações com o elevado padrão de qualidade a que a editora habituou o seu público. Depois de em Novembro ter lançado o disco da soprano Anne Netrebko dedicado aos compositores russos, que há semanas lidera o top clássico na Europa central, o disco de estreia da meio-soprano Elina Garanco, «Ária Cantilena», editado em Dezembro (e que inclui uma deliciosa interpretação da «Cantilena» das «Bachinas Brasileiras» de Villa-Lobos, segue carreira similar e obtém críticas elogiosas. A culminar, escassas duas semanas depois do tradicional concerto de Ano Novo de Viena, eis que a Deutsche lançou já no mercado a gravação desse mesmo concerto deste ano, com a Filarmónica de Viena, dirigida por Zubin Mehta, com valsas de Johan e Josef Strauss, incluindo uma interpretação inédita da arrebatadora valsa «Wo die Zitronen bluh’n».
BACK TO BASICS –As leis são como as salsichas, é melhor não querermos saber como são feitas - Otto von Bismark
REGISTAR – Este ano a Câmara Municipal de Lisboa acabou com duas bienais – a Lisbon Photo e a Experimenta Design, dois momentos diferentes na vida da cidade, que a valorizavam e projectavam internacionalmente. Mais do que acabar conjunturalmente com uma edição dessas bienais, o gesto da vereação da Cultura da Câmara deita para o caixote de lixo o investimento feito nos últimos anos nestas duas iniciativas, e que ao longo do tempo foi dando os seus frutos. O mais curioso é que o anúncio do fim destas duas bienais coincide com o anúncio de um investimento numa nova iniciativa, uma trienal de arquitectura, para a qual se vai utilizar o Pavilhão de Portugal. Não vejo problema nenhum em criar uma mostra de arqutectura, vejo é com muita desconfiança uma gestão que prefere delapidar investimentos passados e extinguir o que ía bem existindo, apenas para deixar uma obrinha sua. Estas manias persecutórias e este afã de deixar obra arrasando o passado são uma das maiores demonstrações do nosso atávico provincianismo, dos orgulhos pacóvios de paróquia, dos joguinhos de interesses que desprezam o interesse público, que delapidam os investimentos anteriormente realizados com o dinheiro dos contribuintes e que revelam apenas uma completa ausência de estratégia de posicionamento cultural da cidade. A coisa, já agora, é tanto pior quanto é certo que, na segunda metade do ano, Lisboa recebe a presidência da Comunidade Europeia e ninguém parece ter-se preocupado com o assunto.
VER – As fotografias de Annie Leibowitz, num dos mais fantásticos álbuns dos últimos tempos, feito a propósito da exposição que entre 20 de Outubro do ano passado e 21 de Janeiro esteve no Brooklyn Museum, de Nova York: «A Photographer’s Life, 1990-2005». A exposição (e o álbum) traçam paralelos entre o trabalho de Leibowitz para revistas como a «Vanity Fair» e a «Rolling Stone», ao mesmo tempo que mostram o seu percurso pessoal, nomeadamente a relação com a ensaísta Susan Sontag – e a doença que acabou por a derrotar no final de 2004. É curioso contrastar a produção colocada em fotografias de moda e publicidade, com a simplicidade de algumas imagens a preto e branco, muito íntimas, delicadamente pessoais. Leibowitz é uma das grandes retratistas da segunda metade do século XX e uma das fotógrafas que melhor seguiu o mundo do entretenimento, nomeadamente das estrelas do rock e das estrelas do cinema. O álbum foi um delicioso e inesquecível presente que me deram e alivia-me a mágoa de não ter partilhado a exposição propriamente dita. Edição Random House.
OUVIR - É engraçado notar como a estratégia editorial de uma das maiores etiquetas de música clássica – a Deutsche Grammophon – se tem agilizado nos últimos anos. A mudança é curiosa porque incorpora alguns dos truques editoriais da música pop num repertório clássico, em gravações e interpretações com o elevado padrão de qualidade a que a editora habituou o seu público. Depois de em Novembro ter lançado o disco da soprano Anne Netrebko dedicado aos compositores russos, que há semanas lidera o top clássico na Europa central, o disco de estreia da meio-soprano Elina Garanco, «Ária Cantilena», editado em Dezembro (e que inclui uma deliciosa interpretação da «Cantilena» das «Bachinas Brasileiras» de Villa-Lobos, segue carreira similar e obtém críticas elogiosas. A culminar, escassas duas semanas depois do tradicional concerto de Ano Novo de Viena, eis que a Deutsche lançou já no mercado a gravação desse mesmo concerto deste ano, com a Filarmónica de Viena, dirigida por Zubin Mehta, com valsas de Johan e Josef Strauss, incluindo uma interpretação inédita da arrebatadora valsa «Wo die Zitronen bluh’n».
BACK TO BASICS –As leis são como as salsichas, é melhor não querermos saber como são feitas - Otto von Bismark
fevereiro 01, 2007
MAO MAO
marcas da revolução
Andy Warhol estava bem longe de poder ser considerado um maoísta – mas o seu célebre retrato de Mao Zedong (1973) mostra como a pop art compreendeu rapidamente o valor do maior ícone revolucionário daquela época. Warhol colocou Mao no mesmo limiar simbólico de uma lata de sopa, de uma nota de dólar, de uma garrafa de Coca-Cola ou de um pacote de detergente - na época isto pareceu uma heresia para alguns. Na realidade Warhol apropriava-se de imagens universalmente conhecidas e tornava-as em imagens de marca da sua própria criação artística: objectos numa primeira fase, pessoas num segundo momento – foi quando, no trabalho do pintor, Mao conviveu com Marylin Monroe, Elvis Presley, Jacqueline Kennedy e Che Guevara. Quando Warhol fazia esta apropriação, passava ao mesmo tempo um certificado de credibilidade à imagem inicial que o inspirara, tornava-a em parte numa marca criativa.
A imagem de Mao – e da revolução chinesa – não surgiu apenas pela mão de Warhol. Os ícones da revolução desde cedo se tornaram boa fonte de rendimento nas sociedades ocidentais para os vendedores de T Shirts e de posters que encheram com os seus produtos, estampados com as caras de Mao ou de Guevara, os quartos e a imaginação dos protagonistas dos dias agitados de 1968, moda que entrou pelo início dos anos 70.
A revolução chinesa – como quase todas as grandes revoluções do século XX – foi muito iconográfica e mais não fez que seguir o exemplo da revolução soviética de 1917. Os dirigentes soviéticos desde cedo perceberam o valor da imagem (do vermelho, do contraste da foice com o martelo) e investiram talentos e recursos em cartazes, de um acutilante propagandismo baseado no hiper-realismo, cartazes que pretendiam divulgar objectivos políticos, assim como mobilizar apoiantes; mais tarde utilizaram cineastas como Vassiliev ou Eisenstein para fins idênticos e fabricaram filmes revolucionários onde a estética realista mostrava o que ainda não existia, e era apenas um modelo ou um objectivo. A estrela vermelha começou por pretender ser o farol da revolução e, nos anos 80, acabou a servir de marca a jeans e de inspiração a capas de discos e logótipos variados.
No caso chinês, o formato das enormes bandeiras vermelhas, sobre o alto em vez de ser sobre o comprido, acabou por inspirar os desenhadores de bandeirolas publicitárias. Da mesma forma a combinação improvável, mas irresistível, do vermelho e do amarelo vivo, acabou por ser utilizada numa série de outras situações que nada tinham a ver com a revolução.
Subconscientemente, nos símbolos das revoluções, combina-se a utopia de um ideal com a energia da luta, a afectividade a uma causa com um desejo de mudança. A utilização da simbologia das revoluções de forma comercial tem a ver com isto mesmo, com a utilização dos factores subconscientes que tornam os ícones da revolução em marcas massificadas e invejáveis.
Não me surpreenderia se, depois de passar a fase em que está a resolver o conflito interior com o seu passado recente, a China retomasse a imagem de Mao e utilizasse a sua enorme carga simbólica como imagem de marca internacional. A História já viu coisas mais improváveis – e, se isso acontecer, Pequim limitar-se-à a fechar o círculo com a Nova York onde Warhol criou os seus heróis.
(publicado no «Diário Económico» de 31 de Janeiro)
marcas da revolução
Andy Warhol estava bem longe de poder ser considerado um maoísta – mas o seu célebre retrato de Mao Zedong (1973) mostra como a pop art compreendeu rapidamente o valor do maior ícone revolucionário daquela época. Warhol colocou Mao no mesmo limiar simbólico de uma lata de sopa, de uma nota de dólar, de uma garrafa de Coca-Cola ou de um pacote de detergente - na época isto pareceu uma heresia para alguns. Na realidade Warhol apropriava-se de imagens universalmente conhecidas e tornava-as em imagens de marca da sua própria criação artística: objectos numa primeira fase, pessoas num segundo momento – foi quando, no trabalho do pintor, Mao conviveu com Marylin Monroe, Elvis Presley, Jacqueline Kennedy e Che Guevara. Quando Warhol fazia esta apropriação, passava ao mesmo tempo um certificado de credibilidade à imagem inicial que o inspirara, tornava-a em parte numa marca criativa.
A imagem de Mao – e da revolução chinesa – não surgiu apenas pela mão de Warhol. Os ícones da revolução desde cedo se tornaram boa fonte de rendimento nas sociedades ocidentais para os vendedores de T Shirts e de posters que encheram com os seus produtos, estampados com as caras de Mao ou de Guevara, os quartos e a imaginação dos protagonistas dos dias agitados de 1968, moda que entrou pelo início dos anos 70.
A revolução chinesa – como quase todas as grandes revoluções do século XX – foi muito iconográfica e mais não fez que seguir o exemplo da revolução soviética de 1917. Os dirigentes soviéticos desde cedo perceberam o valor da imagem (do vermelho, do contraste da foice com o martelo) e investiram talentos e recursos em cartazes, de um acutilante propagandismo baseado no hiper-realismo, cartazes que pretendiam divulgar objectivos políticos, assim como mobilizar apoiantes; mais tarde utilizaram cineastas como Vassiliev ou Eisenstein para fins idênticos e fabricaram filmes revolucionários onde a estética realista mostrava o que ainda não existia, e era apenas um modelo ou um objectivo. A estrela vermelha começou por pretender ser o farol da revolução e, nos anos 80, acabou a servir de marca a jeans e de inspiração a capas de discos e logótipos variados.
No caso chinês, o formato das enormes bandeiras vermelhas, sobre o alto em vez de ser sobre o comprido, acabou por inspirar os desenhadores de bandeirolas publicitárias. Da mesma forma a combinação improvável, mas irresistível, do vermelho e do amarelo vivo, acabou por ser utilizada numa série de outras situações que nada tinham a ver com a revolução.
Subconscientemente, nos símbolos das revoluções, combina-se a utopia de um ideal com a energia da luta, a afectividade a uma causa com um desejo de mudança. A utilização da simbologia das revoluções de forma comercial tem a ver com isto mesmo, com a utilização dos factores subconscientes que tornam os ícones da revolução em marcas massificadas e invejáveis.
Não me surpreenderia se, depois de passar a fase em que está a resolver o conflito interior com o seu passado recente, a China retomasse a imagem de Mao e utilizasse a sua enorme carga simbólica como imagem de marca internacional. A História já viu coisas mais improváveis – e, se isso acontecer, Pequim limitar-se-à a fechar o círculo com a Nova York onde Warhol criou os seus heróis.
(publicado no «Diário Económico» de 31 de Janeiro)
Untitled
MAO MAO
marcas da revolução
Andy Warhol estava bem longe de poder ser considerado um maoísta – mas o seu célebre retrato de Mao Zedong (1973) mostra como a pop art compreendeu rapidamente o valor do maior ícone revolucionário daquela época. Warhol colocou Mao no mesmo limiar simbólico de uma lata de sopa, de uma nota de dólar, de uma garrafa de Coca-Cola ou de um pacote de detergente - na época isto pareceu uma heresia para alguns. Na realidade Warhol apropriava-se de imagens universalmente conhecidas e tornava-as em imagens de marca da sua própria criação artística: objectos numa primeira fase, pessoas num segundo momento – foi quando, no trabalho do pintor, Mao conviveu com Marylin Monroe, Elvis Presley, Jacqueline Kennedy e Che Guevara. Quando Warhol fazia esta apropriação, passava ao mesmo tempo um certificado de credibilidade à imagem inicial que o inspirara, tornava-a em parte numa marca criativa.
A imagem de Mao – e da revolução chinesa – não surgiu apenas pela mão de Warhol. Os ícones da revolução desde cedo se tornaram boa fonte de rendimento nas sociedades ocidentais para os vendedores de T Shirts e de posters que encheram com os seus produtos, estampados com as caras de Mao ou de Guevara, os quartos e a imaginação dos protagonistas dos dias agitados de 1968, moda que entrou pelo início dos anos 70.
A revolução chinesa – como quase todas as grandes revoluções do século XX – foi muito iconográfica e mais não fez que seguir o exemplo da revolução soviética de 1917. Os dirigentes soviéticos desde cedo perceberam o valor da imagem (do vermelho, do contraste da foice com o martelo) e investiram talentos e recursos em cartazes, de um acutilante propagandismo baseado no hiper-realismo, cartazes que pretendiam divulgar objectivos políticos, assim como mobilizar apoiantes; mais tarde utilizaram cineastas como Vassiliev ou Eisenstein para fins idênticos e fabricaram filmes revolucionários onde a estética realista mostrava o que ainda não existia, e era apenas um modelo ou um objectivo. A estrela vermelha começou por pretender ser o farol da revolução e, nos anos 80, acabou a servir de marca a jeans e de inspiração a capas de discos e logótipos variados.
No caso chinês, o formato das enormes bandeiras vermelhas, sobre o alto em vez de ser sobre o comprido, acabou por inspirar os desenhadores de bandeirolas publicitárias. Da mesma forma a combinação improvável, mas irresistível, do vermelho e do amarelo vivo, acabou por ser utilizada numa série de outras situações que nada tinham a ver com a revolução.
Subconscientemente, nos símbolos das revoluções, combina-se a utopia de um ideal com a energia da luta, a afectividade a uma causa com um desejo de mudança. A utilização da simbologia das revoluções de forma comercial tem a ver com isto mesmo, com a utilização dos factores subconscientes que tornam os ícones da revolução em marcas massificadas e invejáveis.
Não me surpreenderia se, depois de passar a fase em que está a resolver o conflito interior com o seu passado recente, a China retomasse a imagem de Mao e utilizasse a sua enorme carga simbólica como imagem de marca internacional. A História já viu coisas mais improváveis – e, se isso acontecer, Pequim limitar-se-à a fechar o círculo com a Nova York onde Warhol criou os seus heróis.
(publicado no «Diário Económico» de 31 de Janeiro)
marcas da revolução
Andy Warhol estava bem longe de poder ser considerado um maoísta – mas o seu célebre retrato de Mao Zedong (1973) mostra como a pop art compreendeu rapidamente o valor do maior ícone revolucionário daquela época. Warhol colocou Mao no mesmo limiar simbólico de uma lata de sopa, de uma nota de dólar, de uma garrafa de Coca-Cola ou de um pacote de detergente - na época isto pareceu uma heresia para alguns. Na realidade Warhol apropriava-se de imagens universalmente conhecidas e tornava-as em imagens de marca da sua própria criação artística: objectos numa primeira fase, pessoas num segundo momento – foi quando, no trabalho do pintor, Mao conviveu com Marylin Monroe, Elvis Presley, Jacqueline Kennedy e Che Guevara. Quando Warhol fazia esta apropriação, passava ao mesmo tempo um certificado de credibilidade à imagem inicial que o inspirara, tornava-a em parte numa marca criativa.
A imagem de Mao – e da revolução chinesa – não surgiu apenas pela mão de Warhol. Os ícones da revolução desde cedo se tornaram boa fonte de rendimento nas sociedades ocidentais para os vendedores de T Shirts e de posters que encheram com os seus produtos, estampados com as caras de Mao ou de Guevara, os quartos e a imaginação dos protagonistas dos dias agitados de 1968, moda que entrou pelo início dos anos 70.
A revolução chinesa – como quase todas as grandes revoluções do século XX – foi muito iconográfica e mais não fez que seguir o exemplo da revolução soviética de 1917. Os dirigentes soviéticos desde cedo perceberam o valor da imagem (do vermelho, do contraste da foice com o martelo) e investiram talentos e recursos em cartazes, de um acutilante propagandismo baseado no hiper-realismo, cartazes que pretendiam divulgar objectivos políticos, assim como mobilizar apoiantes; mais tarde utilizaram cineastas como Vassiliev ou Eisenstein para fins idênticos e fabricaram filmes revolucionários onde a estética realista mostrava o que ainda não existia, e era apenas um modelo ou um objectivo. A estrela vermelha começou por pretender ser o farol da revolução e, nos anos 80, acabou a servir de marca a jeans e de inspiração a capas de discos e logótipos variados.
No caso chinês, o formato das enormes bandeiras vermelhas, sobre o alto em vez de ser sobre o comprido, acabou por inspirar os desenhadores de bandeirolas publicitárias. Da mesma forma a combinação improvável, mas irresistível, do vermelho e do amarelo vivo, acabou por ser utilizada numa série de outras situações que nada tinham a ver com a revolução.
Subconscientemente, nos símbolos das revoluções, combina-se a utopia de um ideal com a energia da luta, a afectividade a uma causa com um desejo de mudança. A utilização da simbologia das revoluções de forma comercial tem a ver com isto mesmo, com a utilização dos factores subconscientes que tornam os ícones da revolução em marcas massificadas e invejáveis.
Não me surpreenderia se, depois de passar a fase em que está a resolver o conflito interior com o seu passado recente, a China retomasse a imagem de Mao e utilizasse a sua enorme carga simbólica como imagem de marca internacional. A História já viu coisas mais improváveis – e, se isso acontecer, Pequim limitar-se-à a fechar o círculo com a Nova York onde Warhol criou os seus heróis.
(publicado no «Diário Económico» de 31 de Janeiro)
janeiro 30, 2007
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POLÍTICA – Uma das questões que marca estes últimos anos é a utilização de investigações policiais como arma de arremesso político e uma das coisas que marca as intervenções, nomeadamente da Judiciária e da Procuradoria Geral da República, é o aparato e o deliberado mediatismo de muitas das suas acções. Para complicar as coisas, numa enorme quantidade de processos investigados por estas entidades com grande alarde público, os resultados ficam aquém do estardalhaço provocado e constatam-se repetidas fragilidades formais na construção dos processos. Vivemos num país sem culpados nem inocentes, como bem fazia notar, em editorial, a subdirectora deste jornal, Luísa Bessa, há poucos dias. A forma como tudo se passa deixa as maiores dúvidas sobre a bondade da intervenção aparatosa da Polícia Judiciária na Câmara de Lisboa, assim como a conjugação de factos e acontecimentos permite criar interpretações políticas à actuação policial – desta suspeição já não se livram.
COINCIDÊNCIA – O alarde investigativo sobre a Câmara Municipal de Lisboa desencadeou-se na mesma semana em que a autarquia começou a protestar contra os cortes impostos pelo Governo nas transferências que eram devidas pela Lei das Finanças Locais – na verdade, unilateralmente, o Governo decidiu que Lisboa devia receber menos do que aquilo que a Lei prevê. Sou pouco dado a acreditar em coincidências: quando o estrangulamento financeiro surge ao mesmo tempo que uma investigação ruidosa, é porque está instalada uma guerra política com objectivos precisos - fazer cair o executivo camarário, provocar eleições e arrastar pela lama os opositores do Governo. E o actual poder, como se tem visto, não tem contemplações nem escrúpulos: o caso Cravinho é bem a prova da tentação absolutista. O PS está a especializar-se em usar a polícia para fazer política.
SISTEMA – Não é preciso ser especialista para perceber uma coisa: a capacidade de influência de promotores imobiliários e construtores nas autarquias e no sistema partidário tem aumentado nos últimos anos e a razão é simples, mas toda a gente prefere meter a cabeça na areia a falar dela: o financiamento de partidos políticos, e, no caso autárquico, o financiamento de campanhas eleitorais tem sempre, maioritariamente os mesmos protagonistas - aqueles que querem construir mais, deitar a mão a terrenos públicos, acelerar a crónica morosidade das decisões. A situação atinge todos os partidos há anos e a todos interessa manter. O financiamento da actividade política de forma ilícita – estimulado por uma lei utópica e por uma fiscalização infantil – é o cancro que corrói partidos e autarquias, mas ninguém quer falar dele ou pôr cobro à situação porque todos dependem da sua manutenção.
LER – No site da «Vanity Fair» procurem, na edição de Janeiro, o artigo «The Esquire Decade», de Frank DiGiacomo, uma viagem à época em que, nos anos 60, a «Esquire» se tornou numa referência, ajudou a lançar o «new journalism» e revolucionou a forma de editar fotografia e fazer capas: na origem de tudo esteve um homem, Harold Hayes, e é ele o tema central deste belo artigo que todos os que gostam de revistas deviam ler em www.vanityfair.com .
OUVIR – Há franceses que devem estar a arrancar cabelos: a única cantora decente que apareceu a cantar em francês nos últimos dez anos, Carla Bruni, resolveu ao segundo CD mudar para a língua inglesa e fez um disco onde musicou poemas de autores como Dorothy Parker, William Butler Yeats, Emily Dickinson, Wystam Auden, Walter de la Mare ou Christina Rossetti. O resultado é fascinante e a voz de Bruni continua surpreendente, sensual, envolvente. Carla Bruni, CD «No Promises», edição Naive.
VER – A exposição, perturbante e inesperada, de Gustavo Sumpta, na VPFcreamarte (Rua da Boavista 84-2º, Lisboa) intitulada «Quando se reúne muito, trabalha-se pouco», que coexiste com algumas peças do acervo da Galeria, como quadros de Inez Teixeira, Ana Cardoso, João Fonte Santa e uns preciosos desenhos de Jorge Feijão.
BACK TO BASICS – A coisa mais importante em política é ter uma memória curta – John Kenneth Galbraith
COINCIDÊNCIA – O alarde investigativo sobre a Câmara Municipal de Lisboa desencadeou-se na mesma semana em que a autarquia começou a protestar contra os cortes impostos pelo Governo nas transferências que eram devidas pela Lei das Finanças Locais – na verdade, unilateralmente, o Governo decidiu que Lisboa devia receber menos do que aquilo que a Lei prevê. Sou pouco dado a acreditar em coincidências: quando o estrangulamento financeiro surge ao mesmo tempo que uma investigação ruidosa, é porque está instalada uma guerra política com objectivos precisos - fazer cair o executivo camarário, provocar eleições e arrastar pela lama os opositores do Governo. E o actual poder, como se tem visto, não tem contemplações nem escrúpulos: o caso Cravinho é bem a prova da tentação absolutista. O PS está a especializar-se em usar a polícia para fazer política.
SISTEMA – Não é preciso ser especialista para perceber uma coisa: a capacidade de influência de promotores imobiliários e construtores nas autarquias e no sistema partidário tem aumentado nos últimos anos e a razão é simples, mas toda a gente prefere meter a cabeça na areia a falar dela: o financiamento de partidos políticos, e, no caso autárquico, o financiamento de campanhas eleitorais tem sempre, maioritariamente os mesmos protagonistas - aqueles que querem construir mais, deitar a mão a terrenos públicos, acelerar a crónica morosidade das decisões. A situação atinge todos os partidos há anos e a todos interessa manter. O financiamento da actividade política de forma ilícita – estimulado por uma lei utópica e por uma fiscalização infantil – é o cancro que corrói partidos e autarquias, mas ninguém quer falar dele ou pôr cobro à situação porque todos dependem da sua manutenção.
LER – No site da «Vanity Fair» procurem, na edição de Janeiro, o artigo «The Esquire Decade», de Frank DiGiacomo, uma viagem à época em que, nos anos 60, a «Esquire» se tornou numa referência, ajudou a lançar o «new journalism» e revolucionou a forma de editar fotografia e fazer capas: na origem de tudo esteve um homem, Harold Hayes, e é ele o tema central deste belo artigo que todos os que gostam de revistas deviam ler em www.vanityfair.com .
OUVIR – Há franceses que devem estar a arrancar cabelos: a única cantora decente que apareceu a cantar em francês nos últimos dez anos, Carla Bruni, resolveu ao segundo CD mudar para a língua inglesa e fez um disco onde musicou poemas de autores como Dorothy Parker, William Butler Yeats, Emily Dickinson, Wystam Auden, Walter de la Mare ou Christina Rossetti. O resultado é fascinante e a voz de Bruni continua surpreendente, sensual, envolvente. Carla Bruni, CD «No Promises», edição Naive.
VER – A exposição, perturbante e inesperada, de Gustavo Sumpta, na VPFcreamarte (Rua da Boavista 84-2º, Lisboa) intitulada «Quando se reúne muito, trabalha-se pouco», que coexiste com algumas peças do acervo da Galeria, como quadros de Inez Teixeira, Ana Cardoso, João Fonte Santa e uns preciosos desenhos de Jorge Feijão.
BACK TO BASICS – A coisa mais importante em política é ter uma memória curta – John Kenneth Galbraith
POLÍTICA – Uma das questões que marca estes últimos anos é a utilização de investigações policiais como arma de arremesso político e uma das coisas que marca as intervenções, nomeadamente da Judiciária e da Procuradoria Geral da República, é o aparato e o deliberado mediatismo de muitas das suas acções. Para complicar as coisas, numa enorme quantidade de processos investigados por estas entidades com grande alarde público, os resultados ficam aquém do estardalhaço provocado e constatam-se repetidas fragilidades formais na construção dos processos. Vivemos num país sem culpados nem inocentes, como bem fazia notar, em editorial, a subdirectora deste jornal, Luísa Bessa, há poucos dias. A forma como tudo se passa deixa as maiores dúvidas sobre a bondade da intervenção aparatosa da Polícia Judiciária na Câmara de Lisboa, assim como a conjugação de factos e acontecimentos permite criar interpretações políticas à actuação policial – desta suspeição já não se livram.
COINCIDÊNCIA – O alarde investigativo sobre a Câmara Municipal de Lisboa desencadeou-se na mesma semana em que a autarquia começou a protestar contra os cortes impostos pelo Governo nas transferências que eram devidas pela Lei das Finanças Locais – na verdade, unilateralmente, o Governo decidiu que Lisboa devia receber menos do que aquilo que a Lei prevê. Sou pouco dado a acreditar em coincidências: quando o estrangulamento financeiro surge ao mesmo tempo que uma investigação ruidosa, é porque está instalada uma guerra política com objectivos precisos - fazer cair o executivo camarário, provocar eleições e arrastar pela lama os opositores do Governo. E o actual poder, como se tem visto, não tem contemplações nem escrúpulos: o caso Cravinho é bem a prova da tentação absolutista. O PS está a especializar-se em usar a polícia para fazer política.
SISTEMA – Não é preciso ser especialista para perceber uma coisa: a capacidade de influência de promotores imobiliários e construtores nas autarquias e no sistema partidário tem aumentado nos últimos anos e a razão é simples, mas toda a gente prefere meter a cabeça na areia a falar dela: o financiamento de partidos políticos, e, no caso autárquico, o financiamento de campanhas eleitorais tem sempre, maioritariamente os mesmos protagonistas - aqueles que querem construir mais, deitar a mão a terrenos públicos, acelerar a crónica morosidade das decisões. A situação atinge todos os partidos há anos e a todos interessa manter. O financiamento da actividade política de forma ilícita – estimulado por uma lei utópica e por uma fiscalização infantil – é o cancro que corrói partidos e autarquias, mas ninguém quer falar dele ou pôr cobro à situação porque todos dependem da sua manutenção.
LER – No site da «Vanity Fair» procurem, na edição de Janeiro, o artigo «The Esquire Decade», de Frank DiGiacomo, uma viagem à época em que, nos anos 60, a «Esquire» se tornou numa referência, ajudou a lançar o «new journalism» e revolucionou a forma de editar fotografia e fazer capas: na origem de tudo esteve um homem, Harold Hayes, e é ele o tema central deste belo artigo que todos os que gostam de revistas deviam ler em www.vanityfair.com .
OUVIR – Há franceses que devem estar a arrancar cabelos: a única cantora decente que apareceu a cantar em francês nos últimos dez anos, Carla Bruni, resolveu ao segundo CD mudar para a língua inglesa e fez um disco onde musicou poemas de autores como Dorothy Parker, William Butler Yeats, Emily Dickinson, Wystam Auden, Walter de la Mare ou Christina Rossetti. O resultado é fascinante e a voz de Bruni continua surpreendente, sensual, envolvente. Carla Bruni, CD «No Promises», edição Naive.
VER – A exposição, perturbante e inesperada, de Gustavo Sumpta, na VPFcreamarte (Rua da Boavista 84-2º, Lisboa) intitulada «Quando se reúne muito, trabalha-se pouco», que coexiste com algumas peças do acervo da Galeria, como quadros de Inez Teixeira, Ana Cardoso, João Fonte Santa e uns preciosos desenhos de Jorge Feijão.
BACK TO BASICS – A coisa mais importante em política é ter uma memória curta – John Kenneth Galbraith
COINCIDÊNCIA – O alarde investigativo sobre a Câmara Municipal de Lisboa desencadeou-se na mesma semana em que a autarquia começou a protestar contra os cortes impostos pelo Governo nas transferências que eram devidas pela Lei das Finanças Locais – na verdade, unilateralmente, o Governo decidiu que Lisboa devia receber menos do que aquilo que a Lei prevê. Sou pouco dado a acreditar em coincidências: quando o estrangulamento financeiro surge ao mesmo tempo que uma investigação ruidosa, é porque está instalada uma guerra política com objectivos precisos - fazer cair o executivo camarário, provocar eleições e arrastar pela lama os opositores do Governo. E o actual poder, como se tem visto, não tem contemplações nem escrúpulos: o caso Cravinho é bem a prova da tentação absolutista. O PS está a especializar-se em usar a polícia para fazer política.
SISTEMA – Não é preciso ser especialista para perceber uma coisa: a capacidade de influência de promotores imobiliários e construtores nas autarquias e no sistema partidário tem aumentado nos últimos anos e a razão é simples, mas toda a gente prefere meter a cabeça na areia a falar dela: o financiamento de partidos políticos, e, no caso autárquico, o financiamento de campanhas eleitorais tem sempre, maioritariamente os mesmos protagonistas - aqueles que querem construir mais, deitar a mão a terrenos públicos, acelerar a crónica morosidade das decisões. A situação atinge todos os partidos há anos e a todos interessa manter. O financiamento da actividade política de forma ilícita – estimulado por uma lei utópica e por uma fiscalização infantil – é o cancro que corrói partidos e autarquias, mas ninguém quer falar dele ou pôr cobro à situação porque todos dependem da sua manutenção.
LER – No site da «Vanity Fair» procurem, na edição de Janeiro, o artigo «The Esquire Decade», de Frank DiGiacomo, uma viagem à época em que, nos anos 60, a «Esquire» se tornou numa referência, ajudou a lançar o «new journalism» e revolucionou a forma de editar fotografia e fazer capas: na origem de tudo esteve um homem, Harold Hayes, e é ele o tema central deste belo artigo que todos os que gostam de revistas deviam ler em www.vanityfair.com .
OUVIR – Há franceses que devem estar a arrancar cabelos: a única cantora decente que apareceu a cantar em francês nos últimos dez anos, Carla Bruni, resolveu ao segundo CD mudar para a língua inglesa e fez um disco onde musicou poemas de autores como Dorothy Parker, William Butler Yeats, Emily Dickinson, Wystam Auden, Walter de la Mare ou Christina Rossetti. O resultado é fascinante e a voz de Bruni continua surpreendente, sensual, envolvente. Carla Bruni, CD «No Promises», edição Naive.
VER – A exposição, perturbante e inesperada, de Gustavo Sumpta, na VPFcreamarte (Rua da Boavista 84-2º, Lisboa) intitulada «Quando se reúne muito, trabalha-se pouco», que coexiste com algumas peças do acervo da Galeria, como quadros de Inez Teixeira, Ana Cardoso, João Fonte Santa e uns preciosos desenhos de Jorge Feijão.
BACK TO BASICS – A coisa mais importante em política é ter uma memória curta – John Kenneth Galbraith
janeiro 22, 2007
GULAG – Os grandes organismos internacionais estão em vias de se tornarem numa espécie de Gulag dourado para as vozes incómodas ao socratismo. Depois de Ferro Rodrigues, aí vai Cravinho para Londres e, sabe-se agora, Carrilho para Paris. Esqueçam as aparências – isto não é uma distribuição de benesses aos companheiros de partido, é uma maneira de limitar as oposições internas e as memórias socialistas daqui a ano e meio, quando se estiver no trabalho preparatório das próximas legislativas. Outros se seguirão certamente, de muitas e variadas formas, desde que preencham uma condição: deixarem de falar sobre o que se passa no nosso querido rectângulo.
SOCORRO – O caso de Odemira veio mostrar como a vida humana é tão frágil em Portugal – da mesma maneira que se evidenciou com os pescadores da Nazaré. O Ministro da Saúde veio dizer que os procedimentos foram cumpridos. Se calhar é esse o busílis da questão – e se calhar o que valia a pena era avaliar se os procedimentos são os mais indicados: não parece normal que uma vítima de traumatismo crâneo-encefálico com várias facturas expostas vá primeiro para um simples centro de saúde sem nenhumas condições, e não parece lógico que alguém em tais condições tenha que passar por uma via sacra de procedimentos até se decidir, cerca de cinco horas depois do acidente, chamar um helicóptero. Na realidade os problemas no 112 avolumam-se desde que há uns meses atrás – lembram-se? – profissionais de emergência médica chamaram a atenção para o facto de alterações de procedimentos então implementadas poderem agravar situações de risco.
INJUSTIÇA – Se quiserem beber uns copos antes de conduzir, o melhor é tornarem-se jogadores de futebol. O que se passou com Luisão mostra que a justiça tem dois pesos e duas medidas. Houve um juiz que pelo simples facto de se tratar de um futebolista, figura pública, estrela do Benfica, resolveu deixar passar uma condução em estado de embriaguez e atribuíu como castigo o cumprimento de serviço cívico. Se fosse eu ou qualquer outra pessoa provavelmente ficaríamos com carta apreeendida, no mínimo. Por esta e por outras é que não dá mesmo para acreditar que temos um sistema de Justiça, nem dá para acreditar na bondade e sageza de juízes e tribunais.
ESTACIONAR – A EMEL está a tornar-se num caso de polícia – com a via sacra de arbitrariedades que os seus agentes cometem, com a sua tolerância a quem de facto incomoda o trânsito e a sua ferocidade na mera caça à multa. com o rosário de dificuldades para obter dístico de estacionamento residencial Os agentes da EMEL trazem consigo um livro de reclamações? Ou acham apenas que reclamar é insultar a autoridade, como já ouvi um a dizer a um cidadão, que não se conformava por ter sido multado num local de estacionamento, enquanto o agente nem queria saber de quem estava em dupla fila ali ao lado?
VER – Passear pelas galerias de arte lisboetas neste sábado : 17 inaugurações simultâneas em mais uma Lisboarte, desde os «Territórios de Transição» na Luís Serpa Projectos, Marta Soares na Módulo e Teresa Figueira na Monumental. Se quiserem ver gravuras e litografias de Paula Rego podem vê-las na 111 e na S.Bento. Todas as informações em www.apga.pt/lisboarte .
OUVIR – Volta e meia sabe bem revisitar um disco mais antigo. Esta semana foi a vez de uma das vozes injustamente menos conhecidas do jazz, Steve Tyrell, com o seu «Standard Time», irresistível em interpretações de temas como «What A Little Moonlight Can Do», «It Had To Be You» ou «Our Love Is Here To Stay» - daquelas canções que nos transportam para quem elas nos fazem evocar. CD Columbia, via Amazon.
PROVAR – Comida nepalesa no restaurante Everest Montanha. Sala simpática, serviço agradável, combinação de sabores inesperada. Bom local para jantar de amigos à conversa. Rua Artilharia Um 26, tel 213 866 218.
BACK TO BASICS – Tenho observado que pessoas sem vícios têm na realidade muito poucas virtudes, Abraham Lincoln
SOCORRO – O caso de Odemira veio mostrar como a vida humana é tão frágil em Portugal – da mesma maneira que se evidenciou com os pescadores da Nazaré. O Ministro da Saúde veio dizer que os procedimentos foram cumpridos. Se calhar é esse o busílis da questão – e se calhar o que valia a pena era avaliar se os procedimentos são os mais indicados: não parece normal que uma vítima de traumatismo crâneo-encefálico com várias facturas expostas vá primeiro para um simples centro de saúde sem nenhumas condições, e não parece lógico que alguém em tais condições tenha que passar por uma via sacra de procedimentos até se decidir, cerca de cinco horas depois do acidente, chamar um helicóptero. Na realidade os problemas no 112 avolumam-se desde que há uns meses atrás – lembram-se? – profissionais de emergência médica chamaram a atenção para o facto de alterações de procedimentos então implementadas poderem agravar situações de risco.
INJUSTIÇA – Se quiserem beber uns copos antes de conduzir, o melhor é tornarem-se jogadores de futebol. O que se passou com Luisão mostra que a justiça tem dois pesos e duas medidas. Houve um juiz que pelo simples facto de se tratar de um futebolista, figura pública, estrela do Benfica, resolveu deixar passar uma condução em estado de embriaguez e atribuíu como castigo o cumprimento de serviço cívico. Se fosse eu ou qualquer outra pessoa provavelmente ficaríamos com carta apreeendida, no mínimo. Por esta e por outras é que não dá mesmo para acreditar que temos um sistema de Justiça, nem dá para acreditar na bondade e sageza de juízes e tribunais.
ESTACIONAR – A EMEL está a tornar-se num caso de polícia – com a via sacra de arbitrariedades que os seus agentes cometem, com a sua tolerância a quem de facto incomoda o trânsito e a sua ferocidade na mera caça à multa. com o rosário de dificuldades para obter dístico de estacionamento residencial Os agentes da EMEL trazem consigo um livro de reclamações? Ou acham apenas que reclamar é insultar a autoridade, como já ouvi um a dizer a um cidadão, que não se conformava por ter sido multado num local de estacionamento, enquanto o agente nem queria saber de quem estava em dupla fila ali ao lado?
VER – Passear pelas galerias de arte lisboetas neste sábado : 17 inaugurações simultâneas em mais uma Lisboarte, desde os «Territórios de Transição» na Luís Serpa Projectos, Marta Soares na Módulo e Teresa Figueira na Monumental. Se quiserem ver gravuras e litografias de Paula Rego podem vê-las na 111 e na S.Bento. Todas as informações em www.apga.pt/lisboarte .
OUVIR – Volta e meia sabe bem revisitar um disco mais antigo. Esta semana foi a vez de uma das vozes injustamente menos conhecidas do jazz, Steve Tyrell, com o seu «Standard Time», irresistível em interpretações de temas como «What A Little Moonlight Can Do», «It Had To Be You» ou «Our Love Is Here To Stay» - daquelas canções que nos transportam para quem elas nos fazem evocar. CD Columbia, via Amazon.
PROVAR – Comida nepalesa no restaurante Everest Montanha. Sala simpática, serviço agradável, combinação de sabores inesperada. Bom local para jantar de amigos à conversa. Rua Artilharia Um 26, tel 213 866 218.
BACK TO BASICS – Tenho observado que pessoas sem vícios têm na realidade muito poucas virtudes, Abraham Lincoln
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GULAG – Os grandes organismos internacionais estão em vias de se tornarem numa espécie de Gulag dourado para as vozes incómodas ao socratismo. Depois de Ferro Rodrigues, aí vai Cravinho para Londres e, sabe-se agora, Carrilho para Paris. Esqueçam as aparências – isto não é uma distribuição de benesses aos companheiros de partido, é uma maneira de limitar as oposições internas e as memórias socialistas daqui a ano e meio, quando se estiver no trabalho preparatório das próximas legislativas. Outros se seguirão certamente, de muitas e variadas formas, desde que preencham uma condição: deixarem de falar sobre o que se passa no nosso querido rectângulo.
SOCORRO – O caso de Odemira veio mostrar como a vida humana é tão frágil em Portugal – da mesma maneira que se evidenciou com os pescadores da Nazaré. O Ministro da Saúde veio dizer que os procedimentos foram cumpridos. Se calhar é esse o busílis da questão – e se calhar o que valia a pena era avaliar se os procedimentos são os mais indicados: não parece normal que uma vítima de traumatismo crâneo-encefálico com várias facturas expostas vá primeiro para um simples centro de saúde sem nenhumas condições, e não parece lógico que alguém em tais condições tenha que passar por uma via sacra de procedimentos até se decidir, cerca de cinco horas depois do acidente, chamar um helicóptero. Na realidade os problemas no 112 avolumam-se desde que há uns meses atrás – lembram-se? – profissionais de emergência médica chamaram a atenção para o facto de alterações de procedimentos então implementadas poderem agravar situações de risco.
INJUSTIÇA – Se quiserem beber uns copos antes de conduzir, o melhor é tornarem-se jogadores de futebol. O que se passou com Luisão mostra que a justiça tem dois pesos e duas medidas. Houve um juiz que pelo simples facto de se tratar de um futebolista, figura pública, estrela do Benfica, resolveu deixar passar uma condução em estado de embriaguez e atribuíu como castigo o cumprimento de serviço cívico. Se fosse eu ou qualquer outra pessoa provavelmente ficaríamos com carta apreeendida, no mínimo. Por esta e por outras é que não dá mesmo para acreditar que temos um sistema de Justiça, nem dá para acreditar na bondade e sageza de juízes e tribunais.
ESTACIONAR – A EMEL está a tornar-se num caso de polícia – com a via sacra de arbitrariedades que os seus agentes cometem, com a sua tolerância a quem de facto incomoda o trânsito e a sua ferocidade na mera caça à multa. com o rosário de dificuldades para obter dístico de estacionamento residencial Os agentes da EMEL trazem consigo um livro de reclamações? Ou acham apenas que reclamar é insultar a autoridade, como já ouvi um a dizer a um cidadão, que não se conformava por ter sido multado num local de estacionamento, enquanto o agente nem queria saber de quem estava em dupla fila ali ao lado?
VER – Passear pelas galerias de arte lisboetas neste sábado : 17 inaugurações simultâneas em mais uma Lisboarte, desde os «Territórios de Transição» na Luís Serpa Projectos, Marta Soares na Módulo e Teresa Figueira na Monumental. Se quiserem ver gravuras e litografias de Paula Rego podem vê-las na 111 e na S.Bento. Todas as informações em www.apga.pt/lisboarte .
OUVIR – Volta e meia sabe bem revisitar um disco mais antigo. Esta semana foi a vez de uma das vozes injustamente menos conhecidas do jazz, Steve Tyrell, com o seu «Standard Time», irresistível em interpretações de temas como «What A Little Moonlight Can Do», «It Had To Be You» ou «Our Love Is Here To Stay» - daquelas canções que nos transportam para quem elas nos fazem evocar. CD Columbia, via Amazon.
PROVAR – Comida nepalesa no restaurante Everest Montanha. Sala simpática, serviço agradável, combinação de sabores inesperada. Bom local para jantar de amigos à conversa. Rua Artilharia Um 26, tel 213 866 218.
BACK TO BASICS – Tenho observado que pessoas sem vícios têm na realidade muito poucas virtudes, Abraham Lincoln
SOCORRO – O caso de Odemira veio mostrar como a vida humana é tão frágil em Portugal – da mesma maneira que se evidenciou com os pescadores da Nazaré. O Ministro da Saúde veio dizer que os procedimentos foram cumpridos. Se calhar é esse o busílis da questão – e se calhar o que valia a pena era avaliar se os procedimentos são os mais indicados: não parece normal que uma vítima de traumatismo crâneo-encefálico com várias facturas expostas vá primeiro para um simples centro de saúde sem nenhumas condições, e não parece lógico que alguém em tais condições tenha que passar por uma via sacra de procedimentos até se decidir, cerca de cinco horas depois do acidente, chamar um helicóptero. Na realidade os problemas no 112 avolumam-se desde que há uns meses atrás – lembram-se? – profissionais de emergência médica chamaram a atenção para o facto de alterações de procedimentos então implementadas poderem agravar situações de risco.
INJUSTIÇA – Se quiserem beber uns copos antes de conduzir, o melhor é tornarem-se jogadores de futebol. O que se passou com Luisão mostra que a justiça tem dois pesos e duas medidas. Houve um juiz que pelo simples facto de se tratar de um futebolista, figura pública, estrela do Benfica, resolveu deixar passar uma condução em estado de embriaguez e atribuíu como castigo o cumprimento de serviço cívico. Se fosse eu ou qualquer outra pessoa provavelmente ficaríamos com carta apreeendida, no mínimo. Por esta e por outras é que não dá mesmo para acreditar que temos um sistema de Justiça, nem dá para acreditar na bondade e sageza de juízes e tribunais.
ESTACIONAR – A EMEL está a tornar-se num caso de polícia – com a via sacra de arbitrariedades que os seus agentes cometem, com a sua tolerância a quem de facto incomoda o trânsito e a sua ferocidade na mera caça à multa. com o rosário de dificuldades para obter dístico de estacionamento residencial Os agentes da EMEL trazem consigo um livro de reclamações? Ou acham apenas que reclamar é insultar a autoridade, como já ouvi um a dizer a um cidadão, que não se conformava por ter sido multado num local de estacionamento, enquanto o agente nem queria saber de quem estava em dupla fila ali ao lado?
VER – Passear pelas galerias de arte lisboetas neste sábado : 17 inaugurações simultâneas em mais uma Lisboarte, desde os «Territórios de Transição» na Luís Serpa Projectos, Marta Soares na Módulo e Teresa Figueira na Monumental. Se quiserem ver gravuras e litografias de Paula Rego podem vê-las na 111 e na S.Bento. Todas as informações em www.apga.pt/lisboarte .
OUVIR – Volta e meia sabe bem revisitar um disco mais antigo. Esta semana foi a vez de uma das vozes injustamente menos conhecidas do jazz, Steve Tyrell, com o seu «Standard Time», irresistível em interpretações de temas como «What A Little Moonlight Can Do», «It Had To Be You» ou «Our Love Is Here To Stay» - daquelas canções que nos transportam para quem elas nos fazem evocar. CD Columbia, via Amazon.
PROVAR – Comida nepalesa no restaurante Everest Montanha. Sala simpática, serviço agradável, combinação de sabores inesperada. Bom local para jantar de amigos à conversa. Rua Artilharia Um 26, tel 213 866 218.
BACK TO BASICS – Tenho observado que pessoas sem vícios têm na realidade muito poucas virtudes, Abraham Lincoln
janeiro 13, 2007
METRO – O Metropolitano de Lisboa aborrece-me muito: por causa das greves de sindicatos que pretendem apenas manter privilégios; e por causa das obras a céu aberto que transformam parte da cidade num inferno – é inadmissível o que se passa nas avenidas novas e perto do Corte Inglês. Alguém devia pôr cobro a isto e obrigar as obras a serem feitas de outra forma. O desprezo pelos cidadãos têm três níveis de actuação: o dos sindicatos que agridem os utentes; o da administração que se está nas tintas para a circulação em Lisboa; e o das autoridades competentes que fecham os olhos a todos estes abusos. Uma pouca vergonha.
SÍMBOLOS - Cavaco Silva rumou à Índia naquilo que parece ser uma visita guiada a um «case study». Levou alguns dos mais criativos empresários portugueses e colocou, na página da Presidência da República na net, uma área especial inteiramente dedicada à visita e ao país visitado, cheia de dados e exemplar do ponto de vista da construção (www.presidencia.pt) . Cavaco é um homem de símbolos e esta viagem é simbólica do ponto de vista dos convidados escolhidos e da forma como foi preparada, longe das incomodidades históricas sobre Goa, Damão e Diu. Gostava que alguém lhe tivesse mostrado, antes da viagem, dois filmes portugueses: «A Dama de Chandoor», de Catarina Mourão e «Pátria Incerta», de Inês Gonçalves e Vasco Pimentel. E não tinha ficado nada mal que estes autores fossem também parte das preocupações de quem elaborou a lista dos convidados. Também as áreas de intervenção dos convidados presidenciais são simbólicas. Assim como as ausências.
ESCALA - No final do mês Sócrates parte para a China, repetindo alguns dos convidados que Cavaco Levou à Índia. É típico: quando temos qualquer coisinha, esgotamo-la até à medula. Adiante. A realidade chinesa é difícil de abarcar: 666 cidades, 1,3 mil milhões de pessoas, 393 milhões de telemóveis, 3243 estações de televisão, 123 milhões de utilizadores de net. São números de estarrecer - se o jogo com Cristiano Ronaldo que a Y Dreams de António Câmara está a desenvolver conseguisse vender a apenas um por cento desses utilizadores, despacharia mais de um milhão de unidades. É outra escala – uma escala que vai alterar completamente a face do mundo nos próximos anos.
LER – Na edição deste mês da revista «Atlântico» está mais um incontornável artigo de Rui Ramos, desta vez sobre o Partido Socialista, uma abordagem histórica da sua evolução tendo em conta o pano de fundo da actualidade. Rui Ramos defende que o PS não cocretizará muitas das reformas que hoje estão em cima da mesa, porque concretizar não faz parte do modelo social do PS, um partido cujo oxigénio político sempre foi o Estado: « O PS – escreve – fez sempre tudo, desde que fosse imposto pelas circunstâncias. Mas nunca mais do que isso. É, de algum modo, o verdadeiro partido conservador do regime. Nunca começou nada de novo em Portugal».
OUVIR - Um grande disco para começar o ano e pensar bem na importância do amor e no valor das cumplicidades: «Love Sublime», um encontro entre um pianista de jazz, Brad Mehldau, e uma soprano, Renée Fleming, em torno da poesia de Rainer Maria Rilke e Louise Bogan. CD Nonesuch.
PROVAR - Come-se muito bem, o serviço é muito simpático, a sala continua lindíssima, as cadeiras e mesas são confortáveis, a garrafeira é razoável e a preços honestos – falo do Alcântara Café, que me aconteceu revisitar por estes dias ao fim de longa ausência. Criado no final dos anos 80, este continua a ser um local de referência. O meu risotto estava rico e no ponto, todos os comensais concordaram que mais valia revisitar um bom clássico que descobrir uma novidade fracota. É evidente, mas às vezes as modas impedem-nos de pensar. Aqui está um bom sítio onde voltar mais vezes, tanto mais que é dos poucos onde se pode jantar em condições até bem tarde – a cozinha fecha à uma, o espaço às três. R. Maria Luísa Holstein, 15, Tel. 213637176.
BACK TO BASICS – A coisa mais difícil de entender no mundo é o imposto sobre rendimentos, Albert Einstein.
SÍMBOLOS - Cavaco Silva rumou à Índia naquilo que parece ser uma visita guiada a um «case study». Levou alguns dos mais criativos empresários portugueses e colocou, na página da Presidência da República na net, uma área especial inteiramente dedicada à visita e ao país visitado, cheia de dados e exemplar do ponto de vista da construção (www.presidencia.pt) . Cavaco é um homem de símbolos e esta viagem é simbólica do ponto de vista dos convidados escolhidos e da forma como foi preparada, longe das incomodidades históricas sobre Goa, Damão e Diu. Gostava que alguém lhe tivesse mostrado, antes da viagem, dois filmes portugueses: «A Dama de Chandoor», de Catarina Mourão e «Pátria Incerta», de Inês Gonçalves e Vasco Pimentel. E não tinha ficado nada mal que estes autores fossem também parte das preocupações de quem elaborou a lista dos convidados. Também as áreas de intervenção dos convidados presidenciais são simbólicas. Assim como as ausências.
ESCALA - No final do mês Sócrates parte para a China, repetindo alguns dos convidados que Cavaco Levou à Índia. É típico: quando temos qualquer coisinha, esgotamo-la até à medula. Adiante. A realidade chinesa é difícil de abarcar: 666 cidades, 1,3 mil milhões de pessoas, 393 milhões de telemóveis, 3243 estações de televisão, 123 milhões de utilizadores de net. São números de estarrecer - se o jogo com Cristiano Ronaldo que a Y Dreams de António Câmara está a desenvolver conseguisse vender a apenas um por cento desses utilizadores, despacharia mais de um milhão de unidades. É outra escala – uma escala que vai alterar completamente a face do mundo nos próximos anos.
LER – Na edição deste mês da revista «Atlântico» está mais um incontornável artigo de Rui Ramos, desta vez sobre o Partido Socialista, uma abordagem histórica da sua evolução tendo em conta o pano de fundo da actualidade. Rui Ramos defende que o PS não cocretizará muitas das reformas que hoje estão em cima da mesa, porque concretizar não faz parte do modelo social do PS, um partido cujo oxigénio político sempre foi o Estado: « O PS – escreve – fez sempre tudo, desde que fosse imposto pelas circunstâncias. Mas nunca mais do que isso. É, de algum modo, o verdadeiro partido conservador do regime. Nunca começou nada de novo em Portugal».
OUVIR - Um grande disco para começar o ano e pensar bem na importância do amor e no valor das cumplicidades: «Love Sublime», um encontro entre um pianista de jazz, Brad Mehldau, e uma soprano, Renée Fleming, em torno da poesia de Rainer Maria Rilke e Louise Bogan. CD Nonesuch.
PROVAR - Come-se muito bem, o serviço é muito simpático, a sala continua lindíssima, as cadeiras e mesas são confortáveis, a garrafeira é razoável e a preços honestos – falo do Alcântara Café, que me aconteceu revisitar por estes dias ao fim de longa ausência. Criado no final dos anos 80, este continua a ser um local de referência. O meu risotto estava rico e no ponto, todos os comensais concordaram que mais valia revisitar um bom clássico que descobrir uma novidade fracota. É evidente, mas às vezes as modas impedem-nos de pensar. Aqui está um bom sítio onde voltar mais vezes, tanto mais que é dos poucos onde se pode jantar em condições até bem tarde – a cozinha fecha à uma, o espaço às três. R. Maria Luísa Holstein, 15, Tel. 213637176.
BACK TO BASICS – A coisa mais difícil de entender no mundo é o imposto sobre rendimentos, Albert Einstein.
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METRO – O Metropolitano de Lisboa aborrece-me muito: por causa das greves de sindicatos que pretendem apenas manter privilégios; e por causa das obras a céu aberto que transformam parte da cidade num inferno – é inadmissível o que se passa nas avenidas novas e perto do Corte Inglês. Alguém devia pôr cobro a isto e obrigar as obras a serem feitas de outra forma. O desprezo pelos cidadãos têm três níveis de actuação: o dos sindicatos que agridem os utentes; o da administração que se está nas tintas para a circulação em Lisboa; e o das autoridades competentes que fecham os olhos a todos estes abusos. Uma pouca vergonha.
SÍMBOLOS - Cavaco Silva rumou à Índia naquilo que parece ser uma visita guiada a um «case study». Levou alguns dos mais criativos empresários portugueses e colocou, na página da Presidência da República na net, uma área especial inteiramente dedicada à visita e ao país visitado, cheia de dados e exemplar do ponto de vista da construção (www.presidencia.pt) . Cavaco é um homem de símbolos e esta viagem é simbólica do ponto de vista dos convidados escolhidos e da forma como foi preparada, longe das incomodidades históricas sobre Goa, Damão e Diu. Gostava que alguém lhe tivesse mostrado, antes da viagem, dois filmes portugueses: «A Dama de Chandoor», de Catarina Mourão e «Pátria Incerta», de Inês Gonçalves e Vasco Pimentel. E não tinha ficado nada mal que estes autores fossem também parte das preocupações de quem elaborou a lista dos convidados. Também as áreas de intervenção dos convidados presidenciais são simbólicas. Assim como as ausências.
ESCALA - No final do mês Sócrates parte para a China, repetindo alguns dos convidados que Cavaco Levou à Índia. É típico: quando temos qualquer coisinha, esgotamo-la até à medula. Adiante. A realidade chinesa é difícil de abarcar: 666 cidades, 1,3 mil milhões de pessoas, 393 milhões de telemóveis, 3243 estações de televisão, 123 milhões de utilizadores de net. São números de estarrecer - se o jogo com Cristiano Ronaldo que a Y Dreams de António Câmara está a desenvolver conseguisse vender a apenas um por cento desses utilizadores, despacharia mais de um milhão de unidades. É outra escala – uma escala que vai alterar completamente a face do mundo nos próximos anos.
LER – Na edição deste mês da revista «Atlântico» está mais um incontornável artigo de Rui Ramos, desta vez sobre o Partido Socialista, uma abordagem histórica da sua evolução tendo em conta o pano de fundo da actualidade. Rui Ramos defende que o PS não cocretizará muitas das reformas que hoje estão em cima da mesa, porque concretizar não faz parte do modelo social do PS, um partido cujo oxigénio político sempre foi o Estado: « O PS – escreve – fez sempre tudo, desde que fosse imposto pelas circunstâncias. Mas nunca mais do que isso. É, de algum modo, o verdadeiro partido conservador do regime. Nunca começou nada de novo em Portugal».
OUVIR - Um grande disco para começar o ano e pensar bem na importância do amor e no valor das cumplicidades: «Love Sublime», um encontro entre um pianista de jazz, Brad Mehldau, e uma soprano, Renée Fleming, em torno da poesia de Rainer Maria Rilke e Louise Bogan. CD Nonesuch.
PROVAR - Come-se muito bem, o serviço é muito simpático, a sala continua lindíssima, as cadeiras e mesas são confortáveis, a garrafeira é razoável e a preços honestos – falo do Alcântara Café, que me aconteceu revisitar por estes dias ao fim de longa ausência. Criado no final dos anos 80, este continua a ser um local de referência. O meu risotto estava rico e no ponto, todos os comensais concordaram que mais valia revisitar um bom clássico que descobrir uma novidade fracota. É evidente, mas às vezes as modas impedem-nos de pensar. Aqui está um bom sítio onde voltar mais vezes, tanto mais que é dos poucos onde se pode jantar em condições até bem tarde – a cozinha fecha à uma, o espaço às três. R. Maria Luísa Holstein, 15, Tel. 213637176.
BACK TO BASICS – A coisa mais difícil de entender no mundo é o imposto sobre rendimentos, Albert Einstein.
SÍMBOLOS - Cavaco Silva rumou à Índia naquilo que parece ser uma visita guiada a um «case study». Levou alguns dos mais criativos empresários portugueses e colocou, na página da Presidência da República na net, uma área especial inteiramente dedicada à visita e ao país visitado, cheia de dados e exemplar do ponto de vista da construção (www.presidencia.pt) . Cavaco é um homem de símbolos e esta viagem é simbólica do ponto de vista dos convidados escolhidos e da forma como foi preparada, longe das incomodidades históricas sobre Goa, Damão e Diu. Gostava que alguém lhe tivesse mostrado, antes da viagem, dois filmes portugueses: «A Dama de Chandoor», de Catarina Mourão e «Pátria Incerta», de Inês Gonçalves e Vasco Pimentel. E não tinha ficado nada mal que estes autores fossem também parte das preocupações de quem elaborou a lista dos convidados. Também as áreas de intervenção dos convidados presidenciais são simbólicas. Assim como as ausências.
ESCALA - No final do mês Sócrates parte para a China, repetindo alguns dos convidados que Cavaco Levou à Índia. É típico: quando temos qualquer coisinha, esgotamo-la até à medula. Adiante. A realidade chinesa é difícil de abarcar: 666 cidades, 1,3 mil milhões de pessoas, 393 milhões de telemóveis, 3243 estações de televisão, 123 milhões de utilizadores de net. São números de estarrecer - se o jogo com Cristiano Ronaldo que a Y Dreams de António Câmara está a desenvolver conseguisse vender a apenas um por cento desses utilizadores, despacharia mais de um milhão de unidades. É outra escala – uma escala que vai alterar completamente a face do mundo nos próximos anos.
LER – Na edição deste mês da revista «Atlântico» está mais um incontornável artigo de Rui Ramos, desta vez sobre o Partido Socialista, uma abordagem histórica da sua evolução tendo em conta o pano de fundo da actualidade. Rui Ramos defende que o PS não cocretizará muitas das reformas que hoje estão em cima da mesa, porque concretizar não faz parte do modelo social do PS, um partido cujo oxigénio político sempre foi o Estado: « O PS – escreve – fez sempre tudo, desde que fosse imposto pelas circunstâncias. Mas nunca mais do que isso. É, de algum modo, o verdadeiro partido conservador do regime. Nunca começou nada de novo em Portugal».
OUVIR - Um grande disco para começar o ano e pensar bem na importância do amor e no valor das cumplicidades: «Love Sublime», um encontro entre um pianista de jazz, Brad Mehldau, e uma soprano, Renée Fleming, em torno da poesia de Rainer Maria Rilke e Louise Bogan. CD Nonesuch.
PROVAR - Come-se muito bem, o serviço é muito simpático, a sala continua lindíssima, as cadeiras e mesas são confortáveis, a garrafeira é razoável e a preços honestos – falo do Alcântara Café, que me aconteceu revisitar por estes dias ao fim de longa ausência. Criado no final dos anos 80, este continua a ser um local de referência. O meu risotto estava rico e no ponto, todos os comensais concordaram que mais valia revisitar um bom clássico que descobrir uma novidade fracota. É evidente, mas às vezes as modas impedem-nos de pensar. Aqui está um bom sítio onde voltar mais vezes, tanto mais que é dos poucos onde se pode jantar em condições até bem tarde – a cozinha fecha à uma, o espaço às três. R. Maria Luísa Holstein, 15, Tel. 213637176.
BACK TO BASICS – A coisa mais difícil de entender no mundo é o imposto sobre rendimentos, Albert Einstein.
janeiro 08, 2007
GOVERNAR - Este Governo promete imenso. Faz imensas apresentações. Elabora muitos planos. Planeia muitíssimas reformas. O grande problema é que as promessas não se vêem a serem cumpridas. A grande dúvida é que as apresentações pouco passam do papel. O grande mistério é saber porque os planos não se concretizam. A enorme incógnita é saber se alguma reforma será efectivamente concretizada. Na realidade, o Presidente da República veio apenas chamar a atenção para a diferença entre as palavras e os actos, entre a ilusão e a realidade. O Governo não pode continuar muito mais tempo a viver de construções na areia.
LIMITAR - Há no entanto uma área em que o Governo cumpre: há Ministérios que regulamentam; Direcções Gerais que restringem; reguladores que dificultam; entidades que reprimem; serviços que limitam. O rol de prepotências sobre os cidadãos, o rol de poderes especiais de vários patamares do Estado, começa a ser insuportável. Cada vez que o Estado aumenta os seus poderes, os cidadãos diminuem os seus direitos. Esta equação é incontornável e não traz nada de bom.
FALHAR - Os sucessivos casos de inoperância das Comissões de Protecção de Menores dão que pensar. Alguma coisa está mal e não é conjuntural – é estrutural. O Estado falha onde era mais necessário que funcionasse. Aqui e ali há sinais de que o Estado deixou de ser funcional. Na protecção de menores, mas também em serviços de urgência. O desastre dos pescadores da Nazaré é um dramático exemplo, mas a demora cada vez maior registada nos tempos de intervenção do serviço 112 em casos de emergência começa a ser preocupante. E este é o papel que o Estado tem que cumprir. A nossa carga fiscal, enquanto cidadãos, não é pequena. Temos direito à protecção da vida. É isso que o Estado dá sinais de não estar a fazer.
MANOBRAR - Um leitor atento de «O Princípe», de Maquiavel, saberá que esse é o texto inspirador do Ministro da Saúde que, com a sua acção, mais não faz que diminuir cada vez mais as capacidades e funcionalidades dos serviços públicos de saúde, abrindo caminho, da pior forma possível, para a inevitabilidade de mais serviços privados. O que se está a fazer tem pouco a ver com responsabilidade social e alguém tem de dizer que o rei vai nu. É preciso desenvolver a área privada, mas era bom que isso não fosse feito à custa da qualidade dos cuidados públicos de saúde.
IGNORAR – É fácil legislar sem ouvir, produzir textos sem estudar, ignorar a realidade- como se sabe o pior cego é o que não quer ver. O que se está a passar no sector da comunicação – e em primeiro lugar nas empresas em que o Estado mantém posição – é um sinal da prepotência dos dias que correm. O Estado não deixa crescer, limita como quer, impede o que pode. No último ano sugeriu nomes em empresas privadas para permitir negócios mediante garantias de compadrio. Hugo Chavez é mais directo – aponta a direito e elimina o que não quer; aqui cilindra-se e achata-se aquilo de que se torna incómodo.
FALTAR - O Ministério da Cultura não pode ser apenas um verbo de encher – não pode ser uma máquina de nomeações de compadrio, de reestruturações imbecis, nem de lugares comuns. Não é só na macro economia que perdemos competitividade, é também na capacidade de inovação e no desenvolvimento da expressão artística. A nossa pobreza atávica nessa matéria está a ficar ao nível da indigência, o repúdio do Estado português, que é ancestral, à criatividade, está a atingir níveis que nos colocam na cauda da Europa – e é mais por falta de ideias e por gastos disparatados do que propriamente por falta de dinheiro. Leiam a entrevista do galerista Luís Serpa ao site www.artecapital.net e vejam como o modelo português privilegiou a dependência em vez do fomento. É essa, quase de certeza, a raiz de tantos disparates ao longo dos anos, e de tão fracos resultados. Se há um sector que precisa de estudo, definição estratégica e de um pacto de vontades, do Governo às autarquias, é o da Cultura.
BACK TO BASICS –O poder tem tendência a corromper e o poder absoluto corrompe completamente, Lord Acton, 1887.
LIMITAR - Há no entanto uma área em que o Governo cumpre: há Ministérios que regulamentam; Direcções Gerais que restringem; reguladores que dificultam; entidades que reprimem; serviços que limitam. O rol de prepotências sobre os cidadãos, o rol de poderes especiais de vários patamares do Estado, começa a ser insuportável. Cada vez que o Estado aumenta os seus poderes, os cidadãos diminuem os seus direitos. Esta equação é incontornável e não traz nada de bom.
FALHAR - Os sucessivos casos de inoperância das Comissões de Protecção de Menores dão que pensar. Alguma coisa está mal e não é conjuntural – é estrutural. O Estado falha onde era mais necessário que funcionasse. Aqui e ali há sinais de que o Estado deixou de ser funcional. Na protecção de menores, mas também em serviços de urgência. O desastre dos pescadores da Nazaré é um dramático exemplo, mas a demora cada vez maior registada nos tempos de intervenção do serviço 112 em casos de emergência começa a ser preocupante. E este é o papel que o Estado tem que cumprir. A nossa carga fiscal, enquanto cidadãos, não é pequena. Temos direito à protecção da vida. É isso que o Estado dá sinais de não estar a fazer.
MANOBRAR - Um leitor atento de «O Princípe», de Maquiavel, saberá que esse é o texto inspirador do Ministro da Saúde que, com a sua acção, mais não faz que diminuir cada vez mais as capacidades e funcionalidades dos serviços públicos de saúde, abrindo caminho, da pior forma possível, para a inevitabilidade de mais serviços privados. O que se está a fazer tem pouco a ver com responsabilidade social e alguém tem de dizer que o rei vai nu. É preciso desenvolver a área privada, mas era bom que isso não fosse feito à custa da qualidade dos cuidados públicos de saúde.
IGNORAR – É fácil legislar sem ouvir, produzir textos sem estudar, ignorar a realidade- como se sabe o pior cego é o que não quer ver. O que se está a passar no sector da comunicação – e em primeiro lugar nas empresas em que o Estado mantém posição – é um sinal da prepotência dos dias que correm. O Estado não deixa crescer, limita como quer, impede o que pode. No último ano sugeriu nomes em empresas privadas para permitir negócios mediante garantias de compadrio. Hugo Chavez é mais directo – aponta a direito e elimina o que não quer; aqui cilindra-se e achata-se aquilo de que se torna incómodo.
FALTAR - O Ministério da Cultura não pode ser apenas um verbo de encher – não pode ser uma máquina de nomeações de compadrio, de reestruturações imbecis, nem de lugares comuns. Não é só na macro economia que perdemos competitividade, é também na capacidade de inovação e no desenvolvimento da expressão artística. A nossa pobreza atávica nessa matéria está a ficar ao nível da indigência, o repúdio do Estado português, que é ancestral, à criatividade, está a atingir níveis que nos colocam na cauda da Europa – e é mais por falta de ideias e por gastos disparatados do que propriamente por falta de dinheiro. Leiam a entrevista do galerista Luís Serpa ao site www.artecapital.net e vejam como o modelo português privilegiou a dependência em vez do fomento. É essa, quase de certeza, a raiz de tantos disparates ao longo dos anos, e de tão fracos resultados. Se há um sector que precisa de estudo, definição estratégica e de um pacto de vontades, do Governo às autarquias, é o da Cultura.
BACK TO BASICS –O poder tem tendência a corromper e o poder absoluto corrompe completamente, Lord Acton, 1887.
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GOVERNAR - Este Governo promete imenso. Faz imensas apresentações. Elabora muitos planos. Planeia muitíssimas reformas. O grande problema é que as promessas não se vêem a serem cumpridas. A grande dúvida é que as apresentações pouco passam do papel. O grande mistério é saber porque os planos não se concretizam. A enorme incógnita é saber se alguma reforma será efectivamente concretizada. Na realidade, o Presidente da República veio apenas chamar a atenção para a diferença entre as palavras e os actos, entre a ilusão e a realidade. O Governo não pode continuar muito mais tempo a viver de construções na areia.
LIMITAR - Há no entanto uma área em que o Governo cumpre: há Ministérios que regulamentam; Direcções Gerais que restringem; reguladores que dificultam; entidades que reprimem; serviços que limitam. O rol de prepotências sobre os cidadãos, o rol de poderes especiais de vários patamares do Estado, começa a ser insuportável. Cada vez que o Estado aumenta os seus poderes, os cidadãos diminuem os seus direitos. Esta equação é incontornável e não traz nada de bom.
FALHAR - Os sucessivos casos de inoperância das Comissões de Protecção de Menores dão que pensar. Alguma coisa está mal e não é conjuntural – é estrutural. O Estado falha onde era mais necessário que funcionasse. Aqui e ali há sinais de que o Estado deixou de ser funcional. Na protecção de menores, mas também em serviços de urgência. O desastre dos pescadores da Nazaré é um dramático exemplo, mas a demora cada vez maior registada nos tempos de intervenção do serviço 112 em casos de emergência começa a ser preocupante. E este é o papel que o Estado tem que cumprir. A nossa carga fiscal, enquanto cidadãos, não é pequena. Temos direito à protecção da vida. É isso que o Estado dá sinais de não estar a fazer.
MANOBRAR - Um leitor atento de «O Princípe», de Maquiavel, saberá que esse é o texto inspirador do Ministro da Saúde que, com a sua acção, mais não faz que diminuir cada vez mais as capacidades e funcionalidades dos serviços públicos de saúde, abrindo caminho, da pior forma possível, para a inevitabilidade de mais serviços privados. O que se está a fazer tem pouco a ver com responsabilidade social e alguém tem de dizer que o rei vai nu. É preciso desenvolver a área privada, mas era bom que isso não fosse feito à custa da qualidade dos cuidados públicos de saúde.
IGNORAR – É fácil legislar sem ouvir, produzir textos sem estudar, ignorar a realidade- como se sabe o pior cego é o que não quer ver. O que se está a passar no sector da comunicação – e em primeiro lugar nas empresas em que o Estado mantém posição – é um sinal da prepotência dos dias que correm. O Estado não deixa crescer, limita como quer, impede o que pode. No último ano sugeriu nomes em empresas privadas para permitir negócios mediante garantias de compadrio. Hugo Chavez é mais directo – aponta a direito e elimina o que não quer; aqui cilindra-se e achata-se aquilo de que se torna incómodo.
FALTAR - O Ministério da Cultura não pode ser apenas um verbo de encher – não pode ser uma máquina de nomeações de compadrio, de reestruturações imbecis, nem de lugares comuns. Não é só na macro economia que perdemos competitividade, é também na capacidade de inovação e no desenvolvimento da expressão artística. A nossa pobreza atávica nessa matéria está a ficar ao nível da indigência, o repúdio do Estado português, que é ancestral, à criatividade, está a atingir níveis que nos colocam na cauda da Europa – e é mais por falta de ideias e por gastos disparatados do que propriamente por falta de dinheiro. Leiam a entrevista do galerista Luís Serpa ao site www.artecapital.net e vejam como o modelo português privilegiou a dependência em vez do fomento. É essa, quase de certeza, a raiz de tantos disparates ao longo dos anos, e de tão fracos resultados. Se há um sector que precisa de estudo, definição estratégica e de um pacto de vontades, do Governo às autarquias, é o da Cultura.
BACK TO BASICS –O poder tem tendência a corromper e o poder absoluto corrompe completamente, Lord Acton, 1887.
LIMITAR - Há no entanto uma área em que o Governo cumpre: há Ministérios que regulamentam; Direcções Gerais que restringem; reguladores que dificultam; entidades que reprimem; serviços que limitam. O rol de prepotências sobre os cidadãos, o rol de poderes especiais de vários patamares do Estado, começa a ser insuportável. Cada vez que o Estado aumenta os seus poderes, os cidadãos diminuem os seus direitos. Esta equação é incontornável e não traz nada de bom.
FALHAR - Os sucessivos casos de inoperância das Comissões de Protecção de Menores dão que pensar. Alguma coisa está mal e não é conjuntural – é estrutural. O Estado falha onde era mais necessário que funcionasse. Aqui e ali há sinais de que o Estado deixou de ser funcional. Na protecção de menores, mas também em serviços de urgência. O desastre dos pescadores da Nazaré é um dramático exemplo, mas a demora cada vez maior registada nos tempos de intervenção do serviço 112 em casos de emergência começa a ser preocupante. E este é o papel que o Estado tem que cumprir. A nossa carga fiscal, enquanto cidadãos, não é pequena. Temos direito à protecção da vida. É isso que o Estado dá sinais de não estar a fazer.
MANOBRAR - Um leitor atento de «O Princípe», de Maquiavel, saberá que esse é o texto inspirador do Ministro da Saúde que, com a sua acção, mais não faz que diminuir cada vez mais as capacidades e funcionalidades dos serviços públicos de saúde, abrindo caminho, da pior forma possível, para a inevitabilidade de mais serviços privados. O que se está a fazer tem pouco a ver com responsabilidade social e alguém tem de dizer que o rei vai nu. É preciso desenvolver a área privada, mas era bom que isso não fosse feito à custa da qualidade dos cuidados públicos de saúde.
IGNORAR – É fácil legislar sem ouvir, produzir textos sem estudar, ignorar a realidade- como se sabe o pior cego é o que não quer ver. O que se está a passar no sector da comunicação – e em primeiro lugar nas empresas em que o Estado mantém posição – é um sinal da prepotência dos dias que correm. O Estado não deixa crescer, limita como quer, impede o que pode. No último ano sugeriu nomes em empresas privadas para permitir negócios mediante garantias de compadrio. Hugo Chavez é mais directo – aponta a direito e elimina o que não quer; aqui cilindra-se e achata-se aquilo de que se torna incómodo.
FALTAR - O Ministério da Cultura não pode ser apenas um verbo de encher – não pode ser uma máquina de nomeações de compadrio, de reestruturações imbecis, nem de lugares comuns. Não é só na macro economia que perdemos competitividade, é também na capacidade de inovação e no desenvolvimento da expressão artística. A nossa pobreza atávica nessa matéria está a ficar ao nível da indigência, o repúdio do Estado português, que é ancestral, à criatividade, está a atingir níveis que nos colocam na cauda da Europa – e é mais por falta de ideias e por gastos disparatados do que propriamente por falta de dinheiro. Leiam a entrevista do galerista Luís Serpa ao site www.artecapital.net e vejam como o modelo português privilegiou a dependência em vez do fomento. É essa, quase de certeza, a raiz de tantos disparates ao longo dos anos, e de tão fracos resultados. Se há um sector que precisa de estudo, definição estratégica e de um pacto de vontades, do Governo às autarquias, é o da Cultura.
BACK TO BASICS –O poder tem tendência a corromper e o poder absoluto corrompe completamente, Lord Acton, 1887.
janeiro 05, 2007
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MARCHA ATRÁS
A vereação que era suposta desenvolver políticas culturais em Lisboa esclareceu hoje que o que ontem disse sobre a Lisboa Photo já não tem validade hoje. É extraordinário, mas é real. O senhor vereador aparece agora aflito a dizer que a bienal continua «sob outra forma» e integrada num pouco interessante Mês Europeu da Fotografia. Só uma cabecinha pequenina, tacanha e ignorante é que se podia lembrar de misturar uma celebração folclórica com uma bienal, de misturar uma escolha estruturada com uma miscelânea. Pobre cidade que andas entregue a tais arremedos de faunos...
A vereação que era suposta desenvolver políticas culturais em Lisboa esclareceu hoje que o que ontem disse sobre a Lisboa Photo já não tem validade hoje. É extraordinário, mas é real. O senhor vereador aparece agora aflito a dizer que a bienal continua «sob outra forma» e integrada num pouco interessante Mês Europeu da Fotografia. Só uma cabecinha pequenina, tacanha e ignorante é que se podia lembrar de misturar uma celebração folclórica com uma bienal, de misturar uma escolha estruturada com uma miscelânea. Pobre cidade que andas entregue a tais arremedos de faunos...
MARCHA ATRÁS
A vereação que era suposta desenvolver políticas culturais em Lisboa esclareceu hoje que o que ontem disse sobre a Lisboa Photo já não tem validade hoje. É extraordinário, mas é real. O senhor vereador aparece agora aflito a dizer que a bienal continua «sob outra forma» e integrada num pouco interessante Mês Europeu da Fotografia. Só uma cabecinha pequenina, tacanha e ignorante é que se podia lembrar de misturar uma celebração folclórica com uma bienal, de misturar uma escolha estruturada com uma miscelânea. Pobre cidade que andas entregue a tais arremedos de faunos...
A vereação que era suposta desenvolver políticas culturais em Lisboa esclareceu hoje que o que ontem disse sobre a Lisboa Photo já não tem validade hoje. É extraordinário, mas é real. O senhor vereador aparece agora aflito a dizer que a bienal continua «sob outra forma» e integrada num pouco interessante Mês Europeu da Fotografia. Só uma cabecinha pequenina, tacanha e ignorante é que se podia lembrar de misturar uma celebração folclórica com uma bienal, de misturar uma escolha estruturada com uma miscelânea. Pobre cidade que andas entregue a tais arremedos de faunos...
janeiro 04, 2007
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O FIM DA LISBOA PHOTO
O «Diário de Notícias» de hoje anuncia o fim da bienal «Lisboa Photo», das poucas coisas interessantes feitas em matéria de exposições em Lisboa nos últimos anos. Uma criatura que dá pelo nome de Rui Cintra, e que trabalha com o Vereador que teoricamente tem a seu cargo o pelouro da Cultura, diz uma série de barbaridades, fruto da pesporrência, que como se sabe é a mãe de todas as ignorâncias. Delfim Sardo, ex- Director do Centro de Exposições do CCB, sublinha, sobre esta bárbara decisão, o essencial: « A Lisboa Photo poderia necessitar de ajustes, mas havia uma base para melhorar. Infelizmente em Portugal deixa-se cair as coisas sem lhes dar tempo para avaliação. Há uma cultura de desperdício». Nada é mais certo - mas quem conseguirá explicar isto a essa cabeça duríssima do Dr. Amaral Lopes (o tal Vereador), um diletante que prefere gerir a actividade cultural da cidade em função das suas afectividades e amizades profundas, em vez da razão?
O «Diário de Notícias» de hoje anuncia o fim da bienal «Lisboa Photo», das poucas coisas interessantes feitas em matéria de exposições em Lisboa nos últimos anos. Uma criatura que dá pelo nome de Rui Cintra, e que trabalha com o Vereador que teoricamente tem a seu cargo o pelouro da Cultura, diz uma série de barbaridades, fruto da pesporrência, que como se sabe é a mãe de todas as ignorâncias. Delfim Sardo, ex- Director do Centro de Exposições do CCB, sublinha, sobre esta bárbara decisão, o essencial: « A Lisboa Photo poderia necessitar de ajustes, mas havia uma base para melhorar. Infelizmente em Portugal deixa-se cair as coisas sem lhes dar tempo para avaliação. Há uma cultura de desperdício». Nada é mais certo - mas quem conseguirá explicar isto a essa cabeça duríssima do Dr. Amaral Lopes (o tal Vereador), um diletante que prefere gerir a actividade cultural da cidade em função das suas afectividades e amizades profundas, em vez da razão?
O FIM DA LISBOA PHOTO
O «Diário de Notícias» de hoje anuncia o fim da bienal «Lisboa Photo», das poucas coisas interessantes feitas em matéria de exposições em Lisboa nos últimos anos. Uma criatura que dá pelo nome de Rui Cintra, e que trabalha com o Vereador que teoricamente tem a seu cargo o pelouro da Cultura, diz uma série de barbaridades, fruto da pesporrência, que como se sabe é a mãe de todas as ignorâncias. Delfim Sardo, ex- Director do Centro de Exposições do CCB, sublinha, sobre esta bárbara decisão, o essencial: « A Lisboa Photo poderia necessitar de ajustes, mas havia uma base para melhorar. Infelizmente em Portugal deixa-se cair as coisas sem lhes dar tempo para avaliação. Há uma cultura de desperdício». Nada é mais certo - mas quem conseguirá explicar isto a essa cabeça duríssima do Dr. Amaral Lopes (o tal Vereador), um diletante que prefere gerir a actividade cultural da cidade em função das suas afectividades e amizades profundas, em vez da razão?
O «Diário de Notícias» de hoje anuncia o fim da bienal «Lisboa Photo», das poucas coisas interessantes feitas em matéria de exposições em Lisboa nos últimos anos. Uma criatura que dá pelo nome de Rui Cintra, e que trabalha com o Vereador que teoricamente tem a seu cargo o pelouro da Cultura, diz uma série de barbaridades, fruto da pesporrência, que como se sabe é a mãe de todas as ignorâncias. Delfim Sardo, ex- Director do Centro de Exposições do CCB, sublinha, sobre esta bárbara decisão, o essencial: « A Lisboa Photo poderia necessitar de ajustes, mas havia uma base para melhorar. Infelizmente em Portugal deixa-se cair as coisas sem lhes dar tempo para avaliação. Há uma cultura de desperdício». Nada é mais certo - mas quem conseguirá explicar isto a essa cabeça duríssima do Dr. Amaral Lopes (o tal Vereador), um diletante que prefere gerir a actividade cultural da cidade em função das suas afectividades e amizades profundas, em vez da razão?
janeiro 03, 2007
BILHETE POSTAL
Lisboa está invadida de jeeps, o Lisboa Dakar está a começar. Além dos jeeps parece que Lisboa está invadida pelos pombos - a Câmara Municipal, à falta de melhor para fazer, calculou o seu número: 27 mil pombitos esvoaçam nos céus lisboetas. Uma breve revisitação das revistas dos tablóides no fim de semana dá para perceber que existem duas figuras do ano, em 2006, em Portugal: Cavaco Silva e Carolina Salgado. Querem melhor retrato do rectângulo?
Lisboa está invadida de jeeps, o Lisboa Dakar está a começar. Além dos jeeps parece que Lisboa está invadida pelos pombos - a Câmara Municipal, à falta de melhor para fazer, calculou o seu número: 27 mil pombitos esvoaçam nos céus lisboetas. Uma breve revisitação das revistas dos tablóides no fim de semana dá para perceber que existem duas figuras do ano, em 2006, em Portugal: Cavaco Silva e Carolina Salgado. Querem melhor retrato do rectângulo?
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BILHETE POSTAL
Lisboa está invadida de jeeps, o Lisboa Dakar está a começar. Além dos jeeps parece que Lisboa está invadida pelos pombos - a Câmara Municipal, à falta de melhor para fazer, calculou o seu número: 27 mil pombitos esvoaçam nos céus lisboetas. Uma breve revisitação das revistas dos tablóides no fim de semana dá para perceber que existem duas figuras do ano, em 2006, em Portugal: Cavaco Silva e Carolina Salgado. Querem melhor retrato do rectângulo?
Lisboa está invadida de jeeps, o Lisboa Dakar está a começar. Além dos jeeps parece que Lisboa está invadida pelos pombos - a Câmara Municipal, à falta de melhor para fazer, calculou o seu número: 27 mil pombitos esvoaçam nos céus lisboetas. Uma breve revisitação das revistas dos tablóides no fim de semana dá para perceber que existem duas figuras do ano, em 2006, em Portugal: Cavaco Silva e Carolina Salgado. Querem melhor retrato do rectângulo?
A COLECÇÃO – Na área cultural 2006 ficará marcado pela decisão de manter em Portugal a Colecção Berardo, embora, na prática, a qualquer preço. O tempo revelará se foi uma decisão acertada, se o valor e as responsabilidades que o Estado assumiu são justos, se o seu depósito no Centro de Exposições do CCB não vai acabar por asfixiar a autonomia e a diversidade daquele espaço. Teria sido bem melhor, a manter-se a colecção, utilizar o Pavilhão de Portugal, mas a verdade é que a política de espaços culturais em Lisboa anda pela hora da morte, sem norte nem tino. Sócrates ganhou por assegurar a permanência da colecção, mas um dia alguém lhe terá que explicar que os fins não justificam os meios.
A FUSÃO – A anunciada fusão entre a Companhia Nacional de Bailado e o Teatro Nacional de S. Carlos significa um claro desinvestimento na dança, na manutenção de uma companhia com capacidade de criação de repertório – como se vê na nova produção de «O Lago dos Cisnes» - e não vai ajudar em nada o Teatro Nacional de S. Carlos. Sob a imagem que se vão resolver dois problemas financeiros (e sobre isso tenho as maiores dúvidas de que os resultados sejam os que estão nas previsões e diagnósticos anunciados) vão na realidade criar-se dois pesadelos de gestão criativa e cultural. Alguém poderá explicar isto às luminárias que no Governo tomam decisões destas?
COMUNICAÇÃO – Ano negro, títulos a encerrarem, a crise chega a todo o lado e Portugal não foi excepção. Ano negro também pelo papel do Estado, através da Entidade Reguladora, que à primeira casca de banana se estatelou ao comprido e exorbitou claramente das suas funções.. Não é demais chamar a atenção para o que o Ministro Santos Silva anda a fazer no sector, reforçando o controlo do Estado (veja-se o projecto de nova Lei da Televisão), penalizando os privados, restringindo a liberalização. Ainda está por se perceber exactamente que compromissos existem já em relação à entrada de futuros «players» na televisão em Portugal – mas que os há, há. A este título 2007 promete ser um ano com surpresas e apostava que algumas coisas importantes vão mudar no panorama audiovisual. Saúda-se o surgimento de projecto consistentes de televisão na net, como a www.tvnet.pt , um projecto originário dos Açores que cresceu bem e agora tem conteúdos globais.
MÚSICA – Ano de boa colheita, três discos portugueses absolutamente excepcionais: «Unreal:Sidewalk Cartoon» de Bernardo Sassetti, «Believer» de Carlos Bica, ambos na esfera do jazz, e numa outra área, a da música urbana contemporânea, «Pratica(mente)», de Sam The Kid, um disco que ficará uma referência pela qualidade das palavras, pela riqueza dos arranjos e instrumentação.
ESCRITA – Finalmente Francisco José Viegas viu reconhecido o seu trabalho de escritor com «Longe de Manaus», o seu romance deste ano, que lhe trouxe o Grande Prémio de Romance e Novela de 2006, da Associação Portuguesa de Escritores. Na área das crónicas de imprensa é incontornável assinalar «O Pulo do Gato», publicado diariamente neste jornal por Fernando Sobral, que com tiro certeiro foi apontando a dedo as feridas de uma forma de governação que cada vez mais tem por lema esquecer que é suposta governar em nome dos cidadãos e não contra eles. Temporariamente suspensa por motivo de doença, o pulo do gato ganhou entretanto uma outra vida, a outro ritmo, na blogosfera, www.pular-do-gato.blogspot.com
VER – No mesmo ano em que o Museu Nacional de Arte Antiga ganhou novo protagonismo, Lisboa viu surgirem uma série de novas galerias, extensões de espaços que existiam no Porto – a Fernando Santos ( Rua de São Paulo 98), a Graça Brandão (Rua dos Caetanos 26) ou a Quadrado Azul (Largo Stephens 4), ao mesmo tempo que a Luís Serpa Projectos (Rua Tenente Raul Cascais 1B) experimentou novas formas de tocar os públicos com os seus «Cabinets dÁmateur», ou que a VPF Cream Arte e a Plataforma Revólver (Rua da Boavista 84-2º e 3º) se afirmaram como locais de ensaio, descoberta e revelação – muito bem continuados pela publicação on line www.artecapital.net . Cada vez mais as galerias representam um circuito complementar, que merece ser visitado e conhecido, uma das poucas oportunidades de conhecer o trabalho contemporâneo de artistas portugueses.
BACK TO BASICS – O tempo é a única coisa que verdadeiramente nos pertence – mesmo os que nada têm, continuam a ter tempo - Baltasar Gracian.
A FUSÃO – A anunciada fusão entre a Companhia Nacional de Bailado e o Teatro Nacional de S. Carlos significa um claro desinvestimento na dança, na manutenção de uma companhia com capacidade de criação de repertório – como se vê na nova produção de «O Lago dos Cisnes» - e não vai ajudar em nada o Teatro Nacional de S. Carlos. Sob a imagem que se vão resolver dois problemas financeiros (e sobre isso tenho as maiores dúvidas de que os resultados sejam os que estão nas previsões e diagnósticos anunciados) vão na realidade criar-se dois pesadelos de gestão criativa e cultural. Alguém poderá explicar isto às luminárias que no Governo tomam decisões destas?
COMUNICAÇÃO – Ano negro, títulos a encerrarem, a crise chega a todo o lado e Portugal não foi excepção. Ano negro também pelo papel do Estado, através da Entidade Reguladora, que à primeira casca de banana se estatelou ao comprido e exorbitou claramente das suas funções.. Não é demais chamar a atenção para o que o Ministro Santos Silva anda a fazer no sector, reforçando o controlo do Estado (veja-se o projecto de nova Lei da Televisão), penalizando os privados, restringindo a liberalização. Ainda está por se perceber exactamente que compromissos existem já em relação à entrada de futuros «players» na televisão em Portugal – mas que os há, há. A este título 2007 promete ser um ano com surpresas e apostava que algumas coisas importantes vão mudar no panorama audiovisual. Saúda-se o surgimento de projecto consistentes de televisão na net, como a www.tvnet.pt , um projecto originário dos Açores que cresceu bem e agora tem conteúdos globais.
MÚSICA – Ano de boa colheita, três discos portugueses absolutamente excepcionais: «Unreal:Sidewalk Cartoon» de Bernardo Sassetti, «Believer» de Carlos Bica, ambos na esfera do jazz, e numa outra área, a da música urbana contemporânea, «Pratica(mente)», de Sam The Kid, um disco que ficará uma referência pela qualidade das palavras, pela riqueza dos arranjos e instrumentação.
ESCRITA – Finalmente Francisco José Viegas viu reconhecido o seu trabalho de escritor com «Longe de Manaus», o seu romance deste ano, que lhe trouxe o Grande Prémio de Romance e Novela de 2006, da Associação Portuguesa de Escritores. Na área das crónicas de imprensa é incontornável assinalar «O Pulo do Gato», publicado diariamente neste jornal por Fernando Sobral, que com tiro certeiro foi apontando a dedo as feridas de uma forma de governação que cada vez mais tem por lema esquecer que é suposta governar em nome dos cidadãos e não contra eles. Temporariamente suspensa por motivo de doença, o pulo do gato ganhou entretanto uma outra vida, a outro ritmo, na blogosfera, www.pular-do-gato.blogspot.com
VER – No mesmo ano em que o Museu Nacional de Arte Antiga ganhou novo protagonismo, Lisboa viu surgirem uma série de novas galerias, extensões de espaços que existiam no Porto – a Fernando Santos ( Rua de São Paulo 98), a Graça Brandão (Rua dos Caetanos 26) ou a Quadrado Azul (Largo Stephens 4), ao mesmo tempo que a Luís Serpa Projectos (Rua Tenente Raul Cascais 1B) experimentou novas formas de tocar os públicos com os seus «Cabinets dÁmateur», ou que a VPF Cream Arte e a Plataforma Revólver (Rua da Boavista 84-2º e 3º) se afirmaram como locais de ensaio, descoberta e revelação – muito bem continuados pela publicação on line www.artecapital.net . Cada vez mais as galerias representam um circuito complementar, que merece ser visitado e conhecido, uma das poucas oportunidades de conhecer o trabalho contemporâneo de artistas portugueses.
BACK TO BASICS – O tempo é a única coisa que verdadeiramente nos pertence – mesmo os que nada têm, continuam a ter tempo - Baltasar Gracian.
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A COLECÇÃO – Na área cultural 2006 ficará marcado pela decisão de manter em Portugal a Colecção Berardo, embora, na prática, a qualquer preço. O tempo revelará se foi uma decisão acertada, se o valor e as responsabilidades que o Estado assumiu são justos, se o seu depósito no Centro de Exposições do CCB não vai acabar por asfixiar a autonomia e a diversidade daquele espaço. Teria sido bem melhor, a manter-se a colecção, utilizar o Pavilhão de Portugal, mas a verdade é que a política de espaços culturais em Lisboa anda pela hora da morte, sem norte nem tino. Sócrates ganhou por assegurar a permanência da colecção, mas um dia alguém lhe terá que explicar que os fins não justificam os meios.
A FUSÃO – A anunciada fusão entre a Companhia Nacional de Bailado e o Teatro Nacional de S. Carlos significa um claro desinvestimento na dança, na manutenção de uma companhia com capacidade de criação de repertório – como se vê na nova produção de «O Lago dos Cisnes» - e não vai ajudar em nada o Teatro Nacional de S. Carlos. Sob a imagem que se vão resolver dois problemas financeiros (e sobre isso tenho as maiores dúvidas de que os resultados sejam os que estão nas previsões e diagnósticos anunciados) vão na realidade criar-se dois pesadelos de gestão criativa e cultural. Alguém poderá explicar isto às luminárias que no Governo tomam decisões destas?
COMUNICAÇÃO – Ano negro, títulos a encerrarem, a crise chega a todo o lado e Portugal não foi excepção. Ano negro também pelo papel do Estado, através da Entidade Reguladora, que à primeira casca de banana se estatelou ao comprido e exorbitou claramente das suas funções.. Não é demais chamar a atenção para o que o Ministro Santos Silva anda a fazer no sector, reforçando o controlo do Estado (veja-se o projecto de nova Lei da Televisão), penalizando os privados, restringindo a liberalização. Ainda está por se perceber exactamente que compromissos existem já em relação à entrada de futuros «players» na televisão em Portugal – mas que os há, há. A este título 2007 promete ser um ano com surpresas e apostava que algumas coisas importantes vão mudar no panorama audiovisual. Saúda-se o surgimento de projecto consistentes de televisão na net, como a www.tvnet.pt , um projecto originário dos Açores que cresceu bem e agora tem conteúdos globais.
MÚSICA – Ano de boa colheita, três discos portugueses absolutamente excepcionais: «Unreal:Sidewalk Cartoon» de Bernardo Sassetti, «Believer» de Carlos Bica, ambos na esfera do jazz, e numa outra área, a da música urbana contemporânea, «Pratica(mente)», de Sam The Kid, um disco que ficará uma referência pela qualidade das palavras, pela riqueza dos arranjos e instrumentação.
ESCRITA – Finalmente Francisco José Viegas viu reconhecido o seu trabalho de escritor com «Longe de Manaus», o seu romance deste ano, que lhe trouxe o Grande Prémio de Romance e Novela de 2006, da Associação Portuguesa de Escritores. Na área das crónicas de imprensa é incontornável assinalar «O Pulo do Gato», publicado diariamente neste jornal por Fernando Sobral, que com tiro certeiro foi apontando a dedo as feridas de uma forma de governação que cada vez mais tem por lema esquecer que é suposta governar em nome dos cidadãos e não contra eles. Temporariamente suspensa por motivo de doença, o pulo do gato ganhou entretanto uma outra vida, a outro ritmo, na blogosfera, www.pular-do-gato.blogspot.com
VER – No mesmo ano em que o Museu Nacional de Arte Antiga ganhou novo protagonismo, Lisboa viu surgirem uma série de novas galerias, extensões de espaços que existiam no Porto – a Fernando Santos ( Rua de São Paulo 98), a Graça Brandão (Rua dos Caetanos 26) ou a Quadrado Azul (Largo Stephens 4), ao mesmo tempo que a Luís Serpa Projectos (Rua Tenente Raul Cascais 1B) experimentou novas formas de tocar os públicos com os seus «Cabinets dÁmateur», ou que a VPF Cream Arte e a Plataforma Revólver (Rua da Boavista 84-2º e 3º) se afirmaram como locais de ensaio, descoberta e revelação – muito bem continuados pela publicação on line www.artecapital.net . Cada vez mais as galerias representam um circuito complementar, que merece ser visitado e conhecido, uma das poucas oportunidades de conhecer o trabalho contemporâneo de artistas portugueses.
BACK TO BASICS – O tempo é a única coisa que verdadeiramente nos pertence – mesmo os que nada têm, continuam a ter tempo - Baltasar Gracian.
A FUSÃO – A anunciada fusão entre a Companhia Nacional de Bailado e o Teatro Nacional de S. Carlos significa um claro desinvestimento na dança, na manutenção de uma companhia com capacidade de criação de repertório – como se vê na nova produção de «O Lago dos Cisnes» - e não vai ajudar em nada o Teatro Nacional de S. Carlos. Sob a imagem que se vão resolver dois problemas financeiros (e sobre isso tenho as maiores dúvidas de que os resultados sejam os que estão nas previsões e diagnósticos anunciados) vão na realidade criar-se dois pesadelos de gestão criativa e cultural. Alguém poderá explicar isto às luminárias que no Governo tomam decisões destas?
COMUNICAÇÃO – Ano negro, títulos a encerrarem, a crise chega a todo o lado e Portugal não foi excepção. Ano negro também pelo papel do Estado, através da Entidade Reguladora, que à primeira casca de banana se estatelou ao comprido e exorbitou claramente das suas funções.. Não é demais chamar a atenção para o que o Ministro Santos Silva anda a fazer no sector, reforçando o controlo do Estado (veja-se o projecto de nova Lei da Televisão), penalizando os privados, restringindo a liberalização. Ainda está por se perceber exactamente que compromissos existem já em relação à entrada de futuros «players» na televisão em Portugal – mas que os há, há. A este título 2007 promete ser um ano com surpresas e apostava que algumas coisas importantes vão mudar no panorama audiovisual. Saúda-se o surgimento de projecto consistentes de televisão na net, como a www.tvnet.pt , um projecto originário dos Açores que cresceu bem e agora tem conteúdos globais.
MÚSICA – Ano de boa colheita, três discos portugueses absolutamente excepcionais: «Unreal:Sidewalk Cartoon» de Bernardo Sassetti, «Believer» de Carlos Bica, ambos na esfera do jazz, e numa outra área, a da música urbana contemporânea, «Pratica(mente)», de Sam The Kid, um disco que ficará uma referência pela qualidade das palavras, pela riqueza dos arranjos e instrumentação.
ESCRITA – Finalmente Francisco José Viegas viu reconhecido o seu trabalho de escritor com «Longe de Manaus», o seu romance deste ano, que lhe trouxe o Grande Prémio de Romance e Novela de 2006, da Associação Portuguesa de Escritores. Na área das crónicas de imprensa é incontornável assinalar «O Pulo do Gato», publicado diariamente neste jornal por Fernando Sobral, que com tiro certeiro foi apontando a dedo as feridas de uma forma de governação que cada vez mais tem por lema esquecer que é suposta governar em nome dos cidadãos e não contra eles. Temporariamente suspensa por motivo de doença, o pulo do gato ganhou entretanto uma outra vida, a outro ritmo, na blogosfera, www.pular-do-gato.blogspot.com
VER – No mesmo ano em que o Museu Nacional de Arte Antiga ganhou novo protagonismo, Lisboa viu surgirem uma série de novas galerias, extensões de espaços que existiam no Porto – a Fernando Santos ( Rua de São Paulo 98), a Graça Brandão (Rua dos Caetanos 26) ou a Quadrado Azul (Largo Stephens 4), ao mesmo tempo que a Luís Serpa Projectos (Rua Tenente Raul Cascais 1B) experimentou novas formas de tocar os públicos com os seus «Cabinets dÁmateur», ou que a VPF Cream Arte e a Plataforma Revólver (Rua da Boavista 84-2º e 3º) se afirmaram como locais de ensaio, descoberta e revelação – muito bem continuados pela publicação on line www.artecapital.net . Cada vez mais as galerias representam um circuito complementar, que merece ser visitado e conhecido, uma das poucas oportunidades de conhecer o trabalho contemporâneo de artistas portugueses.
BACK TO BASICS – O tempo é a única coisa que verdadeiramente nos pertence – mesmo os que nada têm, continuam a ter tempo - Baltasar Gracian.
dezembro 24, 2006
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PRENDA - Se eu desse prendas de Natal oferecia à Ministra da Cultura um bilhete para a Tasmânia, só ida, sem volta – palpita-me que lá ela pode encontrar com alguma facilidade uma alma gémea.
COMUNICAÇÃO - As agências de comunicação são instrumentos necessários na sociedade contemporânea. Num tempo em que a informação necessita cada vez mais de ser intermediada, as agências são o motor dessa intermediação e contribuem para a transparência dos processos. Esta semana fiquei muito contente porque, no meio de uma bem calendarizada operação de intrigalhada que o pretendia atingir, Luis Paixão Martins conquistou por mérito próprio uma das mais cobiçadas contas do mercado, a do BES. As agências de comunicação são supostas desenhar estratégias e não explorar favores ou alavancar pressões. Imagino que terá sido isso a pesar a favor da LPM na decisão que o BES tomou.
VER - Hoje, dia 22, 23, 28, 29 e 30, sempre pelas 21h00, podem ir ao Teatro Camões, na Expo, assistir à nova produção do «Lago dos Cisnes», com uma curiosa coreografia de Mehmet Balkan e fantásticos cenários e guarda-roupa de António Lagarto - esta dupla funciona bem. Nestes dias a Orquestra Filarmónica das Beiras interpreta o bailado de Tchaikovsky ao vivo e nos dias 4, 5 e 6 de Jasneiro a Companhia Nacional de Bailado dançará com música gravada. Destaque para o trabalho de Carlos Acosta, Barbora Hruskova, Roman Vassiliev e Filipa de Castro. Teatro Camões 21 892 34 77.
OUVIR - Quase todos os discos transportam, passado algum tempo, impressões subliminares – desde a estação do ano até alguém em quem a música nos fez pensar. Há uns anos que não tinha tão forte impressão como com esta colectânea de áreas de intérpretes russos, cantadas pela soprano Anne Netrebko, de São Petesburgo. A voz, a interpretação e a técnica de Netrebko são já dado conhecido, mas a afectividade que coloca a cantar esta música composta por compatriotas seus é verdadeiramente impressionante. Aqui estão árias de Tchaikovsky, Rachmaninov, Rimsy-Korsakov, Glinka e Prokofiev. Só as grandes paixões proporcionam momentos assim. «The Russian Álbum», Anne Netrebko, CD Deustche Grammophon, distribuído por Universal Music.
LER – A «Egoísta» é a revista português mais premiada internacionalmente. Não é demais elogiar o investimento continuado da Sociedade Estoril Sol neste projecto, o envolvimento de Mário Assis Ferreira e o trabalho da equipa coordenada por Patrícia Reis. Fazem falta revistas assim – a «Egoísta» é um oásis no panorama da imprensa portuguesa, cada vez mais cinzenta e sem rasgo. Vem tudo isto a propósito da edição especial deste Dezembro, na verdade uma especialíssima edição de capa dura, com 330 páginas, dedicada à Paz. Dedicações à parte, a revista oferece excelentes textos (destaco os de Luísa Costa Gomes, Hélia Correia e de Richard Zimler), excelentes portfolios de fotografia (destaco sobretudo os de Pedro Cláudio e de Rachel Papo), e reproduções de desenhos, quadros e ilustrações (e aqui destaco as de Hugo Neves). Se anda à procura de uma prenda de Natal inesperada esta edição especial da «Egoísta» pode bem ser o que precisa.
COMER - O velho espírito do restaurante «São Jerónimo» está de volta no renovado «Número Um». A ementa é muito semelhante à que se praticava em Belém, muitos dos móveis são os mesmos – peças Philippe Stark, e sobretudo a direcção é de João Bordalo, que continua a saber mostrar como se recebe num restaurante e como se confecciona boa e honesta comida a preços razoáveis. Experimente passar por lá num destes dias. Ementas diferentes ao almoço e ao jantar. O «Número Um» fica por trás da Marquês da Fronteira, na Rua D. Francisco Manuel de Mello 44ª, telef. 21 383 14 71.
BACK TO BASICS – Pensem como os sábios, mas comuniquem como os mais simples , William Butler Yeats
COMUNICAÇÃO - As agências de comunicação são instrumentos necessários na sociedade contemporânea. Num tempo em que a informação necessita cada vez mais de ser intermediada, as agências são o motor dessa intermediação e contribuem para a transparência dos processos. Esta semana fiquei muito contente porque, no meio de uma bem calendarizada operação de intrigalhada que o pretendia atingir, Luis Paixão Martins conquistou por mérito próprio uma das mais cobiçadas contas do mercado, a do BES. As agências de comunicação são supostas desenhar estratégias e não explorar favores ou alavancar pressões. Imagino que terá sido isso a pesar a favor da LPM na decisão que o BES tomou.
VER - Hoje, dia 22, 23, 28, 29 e 30, sempre pelas 21h00, podem ir ao Teatro Camões, na Expo, assistir à nova produção do «Lago dos Cisnes», com uma curiosa coreografia de Mehmet Balkan e fantásticos cenários e guarda-roupa de António Lagarto - esta dupla funciona bem. Nestes dias a Orquestra Filarmónica das Beiras interpreta o bailado de Tchaikovsky ao vivo e nos dias 4, 5 e 6 de Jasneiro a Companhia Nacional de Bailado dançará com música gravada. Destaque para o trabalho de Carlos Acosta, Barbora Hruskova, Roman Vassiliev e Filipa de Castro. Teatro Camões 21 892 34 77.
OUVIR - Quase todos os discos transportam, passado algum tempo, impressões subliminares – desde a estação do ano até alguém em quem a música nos fez pensar. Há uns anos que não tinha tão forte impressão como com esta colectânea de áreas de intérpretes russos, cantadas pela soprano Anne Netrebko, de São Petesburgo. A voz, a interpretação e a técnica de Netrebko são já dado conhecido, mas a afectividade que coloca a cantar esta música composta por compatriotas seus é verdadeiramente impressionante. Aqui estão árias de Tchaikovsky, Rachmaninov, Rimsy-Korsakov, Glinka e Prokofiev. Só as grandes paixões proporcionam momentos assim. «The Russian Álbum», Anne Netrebko, CD Deustche Grammophon, distribuído por Universal Music.
LER – A «Egoísta» é a revista português mais premiada internacionalmente. Não é demais elogiar o investimento continuado da Sociedade Estoril Sol neste projecto, o envolvimento de Mário Assis Ferreira e o trabalho da equipa coordenada por Patrícia Reis. Fazem falta revistas assim – a «Egoísta» é um oásis no panorama da imprensa portuguesa, cada vez mais cinzenta e sem rasgo. Vem tudo isto a propósito da edição especial deste Dezembro, na verdade uma especialíssima edição de capa dura, com 330 páginas, dedicada à Paz. Dedicações à parte, a revista oferece excelentes textos (destaco os de Luísa Costa Gomes, Hélia Correia e de Richard Zimler), excelentes portfolios de fotografia (destaco sobretudo os de Pedro Cláudio e de Rachel Papo), e reproduções de desenhos, quadros e ilustrações (e aqui destaco as de Hugo Neves). Se anda à procura de uma prenda de Natal inesperada esta edição especial da «Egoísta» pode bem ser o que precisa.
COMER - O velho espírito do restaurante «São Jerónimo» está de volta no renovado «Número Um». A ementa é muito semelhante à que se praticava em Belém, muitos dos móveis são os mesmos – peças Philippe Stark, e sobretudo a direcção é de João Bordalo, que continua a saber mostrar como se recebe num restaurante e como se confecciona boa e honesta comida a preços razoáveis. Experimente passar por lá num destes dias. Ementas diferentes ao almoço e ao jantar. O «Número Um» fica por trás da Marquês da Fronteira, na Rua D. Francisco Manuel de Mello 44ª, telef. 21 383 14 71.
BACK TO BASICS – Pensem como os sábios, mas comuniquem como os mais simples , William Butler Yeats
PRENDA - Se eu desse prendas de Natal oferecia à Ministra da Cultura um bilhete para a Tasmânia, só ida, sem volta – palpita-me que lá ela pode encontrar com alguma facilidade uma alma gémea.
COMUNICAÇÃO - As agências de comunicação são instrumentos necessários na sociedade contemporânea. Num tempo em que a informação necessita cada vez mais de ser intermediada, as agências são o motor dessa intermediação e contribuem para a transparência dos processos. Esta semana fiquei muito contente porque, no meio de uma bem calendarizada operação de intrigalhada que o pretendia atingir, Luis Paixão Martins conquistou por mérito próprio uma das mais cobiçadas contas do mercado, a do BES. As agências de comunicação são supostas desenhar estratégias e não explorar favores ou alavancar pressões. Imagino que terá sido isso a pesar a favor da LPM na decisão que o BES tomou.
VER - Hoje, dia 22, 23, 28, 29 e 30, sempre pelas 21h00, podem ir ao Teatro Camões, na Expo, assistir à nova produção do «Lago dos Cisnes», com uma curiosa coreografia de Mehmet Balkan e fantásticos cenários e guarda-roupa de António Lagarto - esta dupla funciona bem. Nestes dias a Orquestra Filarmónica das Beiras interpreta o bailado de Tchaikovsky ao vivo e nos dias 4, 5 e 6 de Jasneiro a Companhia Nacional de Bailado dançará com música gravada. Destaque para o trabalho de Carlos Acosta, Barbora Hruskova, Roman Vassiliev e Filipa de Castro. Teatro Camões 21 892 34 77.
OUVIR - Quase todos os discos transportam, passado algum tempo, impressões subliminares – desde a estação do ano até alguém em quem a música nos fez pensar. Há uns anos que não tinha tão forte impressão como com esta colectânea de áreas de intérpretes russos, cantadas pela soprano Anne Netrebko, de São Petesburgo. A voz, a interpretação e a técnica de Netrebko são já dado conhecido, mas a afectividade que coloca a cantar esta música composta por compatriotas seus é verdadeiramente impressionante. Aqui estão árias de Tchaikovsky, Rachmaninov, Rimsy-Korsakov, Glinka e Prokofiev. Só as grandes paixões proporcionam momentos assim. «The Russian Álbum», Anne Netrebko, CD Deustche Grammophon, distribuído por Universal Music.
LER – A «Egoísta» é a revista português mais premiada internacionalmente. Não é demais elogiar o investimento continuado da Sociedade Estoril Sol neste projecto, o envolvimento de Mário Assis Ferreira e o trabalho da equipa coordenada por Patrícia Reis. Fazem falta revistas assim – a «Egoísta» é um oásis no panorama da imprensa portuguesa, cada vez mais cinzenta e sem rasgo. Vem tudo isto a propósito da edição especial deste Dezembro, na verdade uma especialíssima edição de capa dura, com 330 páginas, dedicada à Paz. Dedicações à parte, a revista oferece excelentes textos (destaco os de Luísa Costa Gomes, Hélia Correia e de Richard Zimler), excelentes portfolios de fotografia (destaco sobretudo os de Pedro Cláudio e de Rachel Papo), e reproduções de desenhos, quadros e ilustrações (e aqui destaco as de Hugo Neves). Se anda à procura de uma prenda de Natal inesperada esta edição especial da «Egoísta» pode bem ser o que precisa.
COMER - O velho espírito do restaurante «São Jerónimo» está de volta no renovado «Número Um». A ementa é muito semelhante à que se praticava em Belém, muitos dos móveis são os mesmos – peças Philippe Stark, e sobretudo a direcção é de João Bordalo, que continua a saber mostrar como se recebe num restaurante e como se confecciona boa e honesta comida a preços razoáveis. Experimente passar por lá num destes dias. Ementas diferentes ao almoço e ao jantar. O «Número Um» fica por trás da Marquês da Fronteira, na Rua D. Francisco Manuel de Mello 44ª, telef. 21 383 14 71.
BACK TO BASICS – Pensem como os sábios, mas comuniquem como os mais simples , William Butler Yeats
COMUNICAÇÃO - As agências de comunicação são instrumentos necessários na sociedade contemporânea. Num tempo em que a informação necessita cada vez mais de ser intermediada, as agências são o motor dessa intermediação e contribuem para a transparência dos processos. Esta semana fiquei muito contente porque, no meio de uma bem calendarizada operação de intrigalhada que o pretendia atingir, Luis Paixão Martins conquistou por mérito próprio uma das mais cobiçadas contas do mercado, a do BES. As agências de comunicação são supostas desenhar estratégias e não explorar favores ou alavancar pressões. Imagino que terá sido isso a pesar a favor da LPM na decisão que o BES tomou.
VER - Hoje, dia 22, 23, 28, 29 e 30, sempre pelas 21h00, podem ir ao Teatro Camões, na Expo, assistir à nova produção do «Lago dos Cisnes», com uma curiosa coreografia de Mehmet Balkan e fantásticos cenários e guarda-roupa de António Lagarto - esta dupla funciona bem. Nestes dias a Orquestra Filarmónica das Beiras interpreta o bailado de Tchaikovsky ao vivo e nos dias 4, 5 e 6 de Jasneiro a Companhia Nacional de Bailado dançará com música gravada. Destaque para o trabalho de Carlos Acosta, Barbora Hruskova, Roman Vassiliev e Filipa de Castro. Teatro Camões 21 892 34 77.
OUVIR - Quase todos os discos transportam, passado algum tempo, impressões subliminares – desde a estação do ano até alguém em quem a música nos fez pensar. Há uns anos que não tinha tão forte impressão como com esta colectânea de áreas de intérpretes russos, cantadas pela soprano Anne Netrebko, de São Petesburgo. A voz, a interpretação e a técnica de Netrebko são já dado conhecido, mas a afectividade que coloca a cantar esta música composta por compatriotas seus é verdadeiramente impressionante. Aqui estão árias de Tchaikovsky, Rachmaninov, Rimsy-Korsakov, Glinka e Prokofiev. Só as grandes paixões proporcionam momentos assim. «The Russian Álbum», Anne Netrebko, CD Deustche Grammophon, distribuído por Universal Music.
LER – A «Egoísta» é a revista português mais premiada internacionalmente. Não é demais elogiar o investimento continuado da Sociedade Estoril Sol neste projecto, o envolvimento de Mário Assis Ferreira e o trabalho da equipa coordenada por Patrícia Reis. Fazem falta revistas assim – a «Egoísta» é um oásis no panorama da imprensa portuguesa, cada vez mais cinzenta e sem rasgo. Vem tudo isto a propósito da edição especial deste Dezembro, na verdade uma especialíssima edição de capa dura, com 330 páginas, dedicada à Paz. Dedicações à parte, a revista oferece excelentes textos (destaco os de Luísa Costa Gomes, Hélia Correia e de Richard Zimler), excelentes portfolios de fotografia (destaco sobretudo os de Pedro Cláudio e de Rachel Papo), e reproduções de desenhos, quadros e ilustrações (e aqui destaco as de Hugo Neves). Se anda à procura de uma prenda de Natal inesperada esta edição especial da «Egoísta» pode bem ser o que precisa.
COMER - O velho espírito do restaurante «São Jerónimo» está de volta no renovado «Número Um». A ementa é muito semelhante à que se praticava em Belém, muitos dos móveis são os mesmos – peças Philippe Stark, e sobretudo a direcção é de João Bordalo, que continua a saber mostrar como se recebe num restaurante e como se confecciona boa e honesta comida a preços razoáveis. Experimente passar por lá num destes dias. Ementas diferentes ao almoço e ao jantar. O «Número Um» fica por trás da Marquês da Fronteira, na Rua D. Francisco Manuel de Mello 44ª, telef. 21 383 14 71.
BACK TO BASICS – Pensem como os sábios, mas comuniquem como os mais simples , William Butler Yeats
dezembro 17, 2006
A 2: - Saí por vontade própria da Direcção de Programas da 2: há um ano e tinha para mim que seria esse o período em que guardaria silêncio sobre a evolução do canal. Num primeiro balanço saliento que diminuíu o espaço de antena feito com os parceiros do canal, que a informação continua a ser insatisfatória, que diminuíu a produção nacional (geral e a de matriz documental) feita por produtores independentes e, finalmente, que diminuíu a informação disponível em antena sobre um leque alargado de áreas criativas, de entretenimento e de cultura.
INFORMAÇÃO – Desde o início do projecto da 2: a Direcção de Informação da RTP sempre foi hostil ao modelo que se propunha – um telejornal curto, de síntese, com atenção ao noticiário internacional, com maior atenção a áreas como a esfera das políticas sociais, da ciência, da educação e da cultura que são muito subalternizadas nos outros telejornais. Anteriormente existia um modelo de telejornal de cerca de uma hora, metade do qual era preenchido basicamente com entrevistas aos suspeitos do costume da política portuguesa. Para a 2: as várias Direcções de Informação sempre optaram por fazer um compacto do Telejornal da RTP , em vez de desenvolver um produto autónomo, que era o objectivo inicial.
PROPOSTA - Vou aqui contar publicamente uma sugestão que fiz nas reuniões preparatórias do projecto, em 2003: face à irredutibilidade da posição da Direcção de Informação da RTP cheguei a propor que se estudasse a contratação de um jornal de meia hora, com a formatação bem definida, à SIC Notícias. A proposta nunca foi levada a sério, mas estou absolutamente convencido de que o resultado seria melhor do que o que tem estado no ar – e ainda por cima seria um sinal de abertura evidente do projecto para fora do estrito âmbito da RTP. Para que conste a ideia não é original. A France 5, um dos canais públicos franceses, que em muitas coisas foi modelo inspirador da 2: e que tem um espírito de abertura à sociedade semelhante, subcontrata a uma estação privada o seu principal bloco de informação. Aqui, a ideia foi uma heresia. Uma das razões porque entendo que não devia ser alterado o estatuto de concessão autónoma da 2: tem a ver com o facto de a sua integração na concessão geral de serviço público provocar que o sentido de desenvolvimento passe a ser de fecho dentro da RTP, em vez de abertura ao exterior. No futuro, uma vez aprovada a nova legislação, a 2: será um misto de boa consciência do operador público e de canal de recepção de conteúdos que por diversas razões não convém passar no primeiro canal. Inevitavelmente, a prazo, perderá formatação e identidade.
ÉTICA – Um dos pontos que mais me surpreendeu foi a forma como se encerrou a experiência do «Magazine», com todos os seus defeitos e limitações, que apesar de tudo era o espaço mais aberto e plural de informação cultural de qualquer estação – cinco vezes por semana - e que na escolha dos seus entrevistados diários e sobretudo nas áreas de artes cénicas e artes plásticas tinha uma abertura, uma contemporaneidade e uma dinâmica inéditas. Até admitia que se pudesse evoluir para um formato semanal, eventualmente dois, e decorriam estudos nesse sentido. Surpreendi-me quando acabou (também me surpreendi quando acabou o «Pop Up», outra experiência criativa bem sucedida com produtores independentes que entretanto foi eliminada), mais me surpreendi quando vi que o formato semanal foi reduzido a um talk show supostamente de debate, apresentado por uma pessoa da nova Direcção do canal e que, curiosamente, o projecto era um dos mais elevados custos/hora regulares de toda a programação da 2:. A presença de responsáveis operacionais de um canal em ecrã admite-se como excepção, em momentos especiais, como formato semanal é coisa que roça, na minha opinião, a falta de ética e releva de um total provincianismo.
INFORMAÇÃO – Desde o início do projecto da 2: a Direcção de Informação da RTP sempre foi hostil ao modelo que se propunha – um telejornal curto, de síntese, com atenção ao noticiário internacional, com maior atenção a áreas como a esfera das políticas sociais, da ciência, da educação e da cultura que são muito subalternizadas nos outros telejornais. Anteriormente existia um modelo de telejornal de cerca de uma hora, metade do qual era preenchido basicamente com entrevistas aos suspeitos do costume da política portuguesa. Para a 2: as várias Direcções de Informação sempre optaram por fazer um compacto do Telejornal da RTP , em vez de desenvolver um produto autónomo, que era o objectivo inicial.
PROPOSTA - Vou aqui contar publicamente uma sugestão que fiz nas reuniões preparatórias do projecto, em 2003: face à irredutibilidade da posição da Direcção de Informação da RTP cheguei a propor que se estudasse a contratação de um jornal de meia hora, com a formatação bem definida, à SIC Notícias. A proposta nunca foi levada a sério, mas estou absolutamente convencido de que o resultado seria melhor do que o que tem estado no ar – e ainda por cima seria um sinal de abertura evidente do projecto para fora do estrito âmbito da RTP. Para que conste a ideia não é original. A France 5, um dos canais públicos franceses, que em muitas coisas foi modelo inspirador da 2: e que tem um espírito de abertura à sociedade semelhante, subcontrata a uma estação privada o seu principal bloco de informação. Aqui, a ideia foi uma heresia. Uma das razões porque entendo que não devia ser alterado o estatuto de concessão autónoma da 2: tem a ver com o facto de a sua integração na concessão geral de serviço público provocar que o sentido de desenvolvimento passe a ser de fecho dentro da RTP, em vez de abertura ao exterior. No futuro, uma vez aprovada a nova legislação, a 2: será um misto de boa consciência do operador público e de canal de recepção de conteúdos que por diversas razões não convém passar no primeiro canal. Inevitavelmente, a prazo, perderá formatação e identidade.
ÉTICA – Um dos pontos que mais me surpreendeu foi a forma como se encerrou a experiência do «Magazine», com todos os seus defeitos e limitações, que apesar de tudo era o espaço mais aberto e plural de informação cultural de qualquer estação – cinco vezes por semana - e que na escolha dos seus entrevistados diários e sobretudo nas áreas de artes cénicas e artes plásticas tinha uma abertura, uma contemporaneidade e uma dinâmica inéditas. Até admitia que se pudesse evoluir para um formato semanal, eventualmente dois, e decorriam estudos nesse sentido. Surpreendi-me quando acabou (também me surpreendi quando acabou o «Pop Up», outra experiência criativa bem sucedida com produtores independentes que entretanto foi eliminada), mais me surpreendi quando vi que o formato semanal foi reduzido a um talk show supostamente de debate, apresentado por uma pessoa da nova Direcção do canal e que, curiosamente, o projecto era um dos mais elevados custos/hora regulares de toda a programação da 2:. A presença de responsáveis operacionais de um canal em ecrã admite-se como excepção, em momentos especiais, como formato semanal é coisa que roça, na minha opinião, a falta de ética e releva de um total provincianismo.
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A 2: - Saí por vontade própria da Direcção de Programas da 2: há um ano e tinha para mim que seria esse o período em que guardaria silêncio sobre a evolução do canal. Num primeiro balanço saliento que diminuíu o espaço de antena feito com os parceiros do canal, que a informação continua a ser insatisfatória, que diminuíu a produção nacional (geral e a de matriz documental) feita por produtores independentes e, finalmente, que diminuíu a informação disponível em antena sobre um leque alargado de áreas criativas, de entretenimento e de cultura.
INFORMAÇÃO – Desde o início do projecto da 2: a Direcção de Informação da RTP sempre foi hostil ao modelo que se propunha – um telejornal curto, de síntese, com atenção ao noticiário internacional, com maior atenção a áreas como a esfera das políticas sociais, da ciência, da educação e da cultura que são muito subalternizadas nos outros telejornais. Anteriormente existia um modelo de telejornal de cerca de uma hora, metade do qual era preenchido basicamente com entrevistas aos suspeitos do costume da política portuguesa. Para a 2: as várias Direcções de Informação sempre optaram por fazer um compacto do Telejornal da RTP , em vez de desenvolver um produto autónomo, que era o objectivo inicial.
PROPOSTA - Vou aqui contar publicamente uma sugestão que fiz nas reuniões preparatórias do projecto, em 2003: face à irredutibilidade da posição da Direcção de Informação da RTP cheguei a propor que se estudasse a contratação de um jornal de meia hora, com a formatação bem definida, à SIC Notícias. A proposta nunca foi levada a sério, mas estou absolutamente convencido de que o resultado seria melhor do que o que tem estado no ar – e ainda por cima seria um sinal de abertura evidente do projecto para fora do estrito âmbito da RTP. Para que conste a ideia não é original. A France 5, um dos canais públicos franceses, que em muitas coisas foi modelo inspirador da 2: e que tem um espírito de abertura à sociedade semelhante, subcontrata a uma estação privada o seu principal bloco de informação. Aqui, a ideia foi uma heresia. Uma das razões porque entendo que não devia ser alterado o estatuto de concessão autónoma da 2: tem a ver com o facto de a sua integração na concessão geral de serviço público provocar que o sentido de desenvolvimento passe a ser de fecho dentro da RTP, em vez de abertura ao exterior. No futuro, uma vez aprovada a nova legislação, a 2: será um misto de boa consciência do operador público e de canal de recepção de conteúdos que por diversas razões não convém passar no primeiro canal. Inevitavelmente, a prazo, perderá formatação e identidade.
ÉTICA – Um dos pontos que mais me surpreendeu foi a forma como se encerrou a experiência do «Magazine», com todos os seus defeitos e limitações, que apesar de tudo era o espaço mais aberto e plural de informação cultural de qualquer estação – cinco vezes por semana - e que na escolha dos seus entrevistados diários e sobretudo nas áreas de artes cénicas e artes plásticas tinha uma abertura, uma contemporaneidade e uma dinâmica inéditas. Até admitia que se pudesse evoluir para um formato semanal, eventualmente dois, e decorriam estudos nesse sentido. Surpreendi-me quando acabou (também me surpreendi quando acabou o «Pop Up», outra experiência criativa bem sucedida com produtores independentes que entretanto foi eliminada), mais me surpreendi quando vi que o formato semanal foi reduzido a um talk show supostamente de debate, apresentado por uma pessoa da nova Direcção do canal e que, curiosamente, o projecto era um dos mais elevados custos/hora regulares de toda a programação da 2:. A presença de responsáveis operacionais de um canal em ecrã admite-se como excepção, em momentos especiais, como formato semanal é coisa que roça, na minha opinião, a falta de ética e releva de um total provincianismo.
INFORMAÇÃO – Desde o início do projecto da 2: a Direcção de Informação da RTP sempre foi hostil ao modelo que se propunha – um telejornal curto, de síntese, com atenção ao noticiário internacional, com maior atenção a áreas como a esfera das políticas sociais, da ciência, da educação e da cultura que são muito subalternizadas nos outros telejornais. Anteriormente existia um modelo de telejornal de cerca de uma hora, metade do qual era preenchido basicamente com entrevistas aos suspeitos do costume da política portuguesa. Para a 2: as várias Direcções de Informação sempre optaram por fazer um compacto do Telejornal da RTP , em vez de desenvolver um produto autónomo, que era o objectivo inicial.
PROPOSTA - Vou aqui contar publicamente uma sugestão que fiz nas reuniões preparatórias do projecto, em 2003: face à irredutibilidade da posição da Direcção de Informação da RTP cheguei a propor que se estudasse a contratação de um jornal de meia hora, com a formatação bem definida, à SIC Notícias. A proposta nunca foi levada a sério, mas estou absolutamente convencido de que o resultado seria melhor do que o que tem estado no ar – e ainda por cima seria um sinal de abertura evidente do projecto para fora do estrito âmbito da RTP. Para que conste a ideia não é original. A France 5, um dos canais públicos franceses, que em muitas coisas foi modelo inspirador da 2: e que tem um espírito de abertura à sociedade semelhante, subcontrata a uma estação privada o seu principal bloco de informação. Aqui, a ideia foi uma heresia. Uma das razões porque entendo que não devia ser alterado o estatuto de concessão autónoma da 2: tem a ver com o facto de a sua integração na concessão geral de serviço público provocar que o sentido de desenvolvimento passe a ser de fecho dentro da RTP, em vez de abertura ao exterior. No futuro, uma vez aprovada a nova legislação, a 2: será um misto de boa consciência do operador público e de canal de recepção de conteúdos que por diversas razões não convém passar no primeiro canal. Inevitavelmente, a prazo, perderá formatação e identidade.
ÉTICA – Um dos pontos que mais me surpreendeu foi a forma como se encerrou a experiência do «Magazine», com todos os seus defeitos e limitações, que apesar de tudo era o espaço mais aberto e plural de informação cultural de qualquer estação – cinco vezes por semana - e que na escolha dos seus entrevistados diários e sobretudo nas áreas de artes cénicas e artes plásticas tinha uma abertura, uma contemporaneidade e uma dinâmica inéditas. Até admitia que se pudesse evoluir para um formato semanal, eventualmente dois, e decorriam estudos nesse sentido. Surpreendi-me quando acabou (também me surpreendi quando acabou o «Pop Up», outra experiência criativa bem sucedida com produtores independentes que entretanto foi eliminada), mais me surpreendi quando vi que o formato semanal foi reduzido a um talk show supostamente de debate, apresentado por uma pessoa da nova Direcção do canal e que, curiosamente, o projecto era um dos mais elevados custos/hora regulares de toda a programação da 2:. A presença de responsáveis operacionais de um canal em ecrã admite-se como excepção, em momentos especiais, como formato semanal é coisa que roça, na minha opinião, a falta de ética e releva de um total provincianismo.
dezembro 12, 2006
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FISCALIZAR O REGULADOR
Já agora talvez não fosse má ideia que os senhores deputados da Assembleia da República opinassem sobre os termos em que a Entidade Reguladora da Comunicação faz juízos de valor no meio das suas deliberações. Em comentário publicado no seu site, a Entidade opinativa tem esta pérola, a propósito de comentários do Director do «Público» sobre aquele organismo:«Pode, no entanto, o Director do jornal "Público" ficar descansado». Pois eu gostaria de saber se entre as atribuições da Entidade cabem a apologia do descanso, a recomendação da moderação no linguajar e até conselhos de comportamento: «no que lhe toca, o Conselho Regulador dá por encerrado este "diálogo", tão picaresco como pouco edificante.»
A mim quer-me parecer que a Entidade precisa de ser regulada, controlada, na minha modesta opinião até repreendida: por grossa incompetência, por subserviência política e por manifesta exorbitância de funções. Espero que os senhores deputados, se é que servem para alguma coisa, convoquem as sumidades da Entidade e lhes perguntem se são assim por feitio ou apenas por ignorância e falta de bom senso.
Já agora talvez não fosse má ideia que os senhores deputados da Assembleia da República opinassem sobre os termos em que a Entidade Reguladora da Comunicação faz juízos de valor no meio das suas deliberações. Em comentário publicado no seu site, a Entidade opinativa tem esta pérola, a propósito de comentários do Director do «Público» sobre aquele organismo:«Pode, no entanto, o Director do jornal "Público" ficar descansado». Pois eu gostaria de saber se entre as atribuições da Entidade cabem a apologia do descanso, a recomendação da moderação no linguajar e até conselhos de comportamento: «no que lhe toca, o Conselho Regulador dá por encerrado este "diálogo", tão picaresco como pouco edificante.»
A mim quer-me parecer que a Entidade precisa de ser regulada, controlada, na minha modesta opinião até repreendida: por grossa incompetência, por subserviência política e por manifesta exorbitância de funções. Espero que os senhores deputados, se é que servem para alguma coisa, convoquem as sumidades da Entidade e lhes perguntem se são assim por feitio ou apenas por ignorância e falta de bom senso.
FISCALIZAR O REGULADOR
Já agora talvez não fosse má ideia que os senhores deputados da Assembleia da República opinassem sobre os termos em que a Entidade Reguladora da Comunicação faz juízos de valor no meio das suas deliberações. Em comentário publicado no seu site, a Entidade opinativa tem esta pérola, a propósito de comentários do Director do «Público» sobre aquele organismo:«Pode, no entanto, o Director do jornal "Público" ficar descansado». Pois eu gostaria de saber se entre as atribuições da Entidade cabem a apologia do descanso, a recomendação da moderação no linguajar e até conselhos de comportamento: «no que lhe toca, o Conselho Regulador dá por encerrado este "diálogo", tão picaresco como pouco edificante.»
A mim quer-me parecer que a Entidade precisa de ser regulada, controlada, na minha modesta opinião até repreendida: por grossa incompetência, por subserviência política e por manifesta exorbitância de funções. Espero que os senhores deputados, se é que servem para alguma coisa, convoquem as sumidades da Entidade e lhes perguntem se são assim por feitio ou apenas por ignorância e falta de bom senso.
Já agora talvez não fosse má ideia que os senhores deputados da Assembleia da República opinassem sobre os termos em que a Entidade Reguladora da Comunicação faz juízos de valor no meio das suas deliberações. Em comentário publicado no seu site, a Entidade opinativa tem esta pérola, a propósito de comentários do Director do «Público» sobre aquele organismo:«Pode, no entanto, o Director do jornal "Público" ficar descansado». Pois eu gostaria de saber se entre as atribuições da Entidade cabem a apologia do descanso, a recomendação da moderação no linguajar e até conselhos de comportamento: «no que lhe toca, o Conselho Regulador dá por encerrado este "diálogo", tão picaresco como pouco edificante.»
A mim quer-me parecer que a Entidade precisa de ser regulada, controlada, na minha modesta opinião até repreendida: por grossa incompetência, por subserviência política e por manifesta exorbitância de funções. Espero que os senhores deputados, se é que servem para alguma coisa, convoquem as sumidades da Entidade e lhes perguntem se são assim por feitio ou apenas por ignorância e falta de bom senso.
dezembro 08, 2006
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A VERGONHA
A deliberação - e a subsequente recomendação - da Entidade Reguladora da Comunicação Social sobre o caso do artigo de Eduardo Cintra Torres e sobre a posição do jornal «Público» a propòsito das acusações de ingerências governamentais nos noticiários da RTP é uma vergonha, um insulto à liberdade de expressão. Os referidos textos revelam uma mentalidade persecutória, um espírito tacanho e mesquinho, uma subserviência ao poder e ao politicamente correcto. Esses textos marcam a verdadeira natureza daquele orgão, desnecessário, arrogante, presunçoso e, acima de tudo, profundamente manipulável e obediente. Era difícil fazer pior. Os quatro conselheiros que votaram favoravelmente o texto revelaram a sua verdadeira face - e não é bonita de se ver.
A deliberação - e a subsequente recomendação - da Entidade Reguladora da Comunicação Social sobre o caso do artigo de Eduardo Cintra Torres e sobre a posição do jornal «Público» a propòsito das acusações de ingerências governamentais nos noticiários da RTP é uma vergonha, um insulto à liberdade de expressão. Os referidos textos revelam uma mentalidade persecutória, um espírito tacanho e mesquinho, uma subserviência ao poder e ao politicamente correcto. Esses textos marcam a verdadeira natureza daquele orgão, desnecessário, arrogante, presunçoso e, acima de tudo, profundamente manipulável e obediente. Era difícil fazer pior. Os quatro conselheiros que votaram favoravelmente o texto revelaram a sua verdadeira face - e não é bonita de se ver.
A VERGONHA
A deliberação - e a subsequente recomendação - da Entidade Reguladora da Comunicação Social sobre o caso do artigo de Eduardo Cintra Torres e sobre a posição do jornal «Público» a propòsito das acusações de ingerências governamentais nos noticiários da RTP é uma vergonha, um insulto à liberdade de expressão. Os referidos textos revelam uma mentalidade persecutória, um espírito tacanho e mesquinho, uma subserviência ao poder e ao politicamente correcto. Esses textos marcam a verdadeira natureza daquele orgão, desnecessário, arrogante, presunçoso e, acima de tudo, profundamente manipulável e obediente. Era difícil fazer pior. Os quatro conselheiros que votaram favoravelmente o texto revelaram a sua verdadeira face - e não é bonita de se ver.
A deliberação - e a subsequente recomendação - da Entidade Reguladora da Comunicação Social sobre o caso do artigo de Eduardo Cintra Torres e sobre a posição do jornal «Público» a propòsito das acusações de ingerências governamentais nos noticiários da RTP é uma vergonha, um insulto à liberdade de expressão. Os referidos textos revelam uma mentalidade persecutória, um espírito tacanho e mesquinho, uma subserviência ao poder e ao politicamente correcto. Esses textos marcam a verdadeira natureza daquele orgão, desnecessário, arrogante, presunçoso e, acima de tudo, profundamente manipulável e obediente. Era difícil fazer pior. Os quatro conselheiros que votaram favoravelmente o texto revelaram a sua verdadeira face - e não é bonita de se ver.
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CINEMA
Outro dia ouvi um pobre de espírito a congratular-se, em público e num debate, sobre o facto de em portugal se poderem fazer filmes que «não são já bem cinema». Pois eu acho péssimo. Da mesma maneira que acho o resultado do concurso actual do ICAM um manual da asneira, do politicamente correcto e da cobardia intelectual. Uma pouca vergonha.
Outro dia ouvi um pobre de espírito a congratular-se, em público e num debate, sobre o facto de em portugal se poderem fazer filmes que «não são já bem cinema». Pois eu acho péssimo. Da mesma maneira que acho o resultado do concurso actual do ICAM um manual da asneira, do politicamente correcto e da cobardia intelectual. Uma pouca vergonha.
CINEMA
Outro dia ouvi um pobre de espírito a congratular-se, em público e num debate, sobre o facto de em portugal se poderem fazer filmes que «não são já bem cinema». Pois eu acho péssimo. Da mesma maneira que acho o resultado do concurso actual do ICAM um manual da asneira, do politicamente correcto e da cobardia intelectual. Uma pouca vergonha.
Outro dia ouvi um pobre de espírito a congratular-se, em público e num debate, sobre o facto de em portugal se poderem fazer filmes que «não são já bem cinema». Pois eu acho péssimo. Da mesma maneira que acho o resultado do concurso actual do ICAM um manual da asneira, do politicamente correcto e da cobardia intelectual. Uma pouca vergonha.
MISTÉRIO – O novo projecto de Lei da Televisão prevê, pela primeira vez, a existência de canais regionais e locais e ninguém surge a falar do tema, que há uns anos ocupava as preocupações de muita gente. Anda tudo distraído ou é para ver se ninguém dá pelo assunto?
CURIOSO – A China é o mercado onde o investimento publicitário está a crescer mais rapidamente e em 2006, em valores absolutos, o aumento verificado no investimento publicitário no mercado chinês foi maior que o aumento verificado no mercado norte-americano.
REGISTAR – O Vereador da Cultura da Câmara Municipal de Lisboa deu uma muito umbilical uma entrevista ao site www.artecapital.net que merece ser arquivada. Explico: daqui a um ano valerá a pena ver se as poucas coisas concretas que disse no meio de um rosário de lugares comuns e promessas generalistas se concretizam ou não – até porque quando foi eleito desfiou largo rol de ideias que têm persistido em ficar guardadas dentro de si próprio. Uma nota curiosa é o facto de o Vereador sublinhar num ponto da entrevista que projectos que tenham capacidade de fazer formação de públicos implicam uma certa «regularidade e previsibilidade» e, pouco depois, admitir acabar com a Lisboa Photo, que é dos poucos projectos precisamente com essas características. Enfim, estratégias do paradoxo…
VER – Dia 9, sábado, o documentário «Bénard da Costa – O Tempo do Cinema», pelas 20h45 na 2:, com produção da Panavideo e realização de José Carlos Santos, com base num guião de Cristina L. Duarte.
OUVIR – O que é que acontece quando a música cubana e o talento de Ibrahim Ferrer e Omara Portuondo são revisitados e utilizados como ponto de partida para recriações de standards, por nomes como Coldplay, Jack Johnson, Franz Ferdinand, Radiohead, Sting ou Arctic Monkeys? Acontece uma festa, uma festa de ritmos e entusiasmos, apesar dos riscos evidentes que o projecto encerrava. «Rhythms Del Mundo», assim se chama o disco, é uma iniciativa do APE – Artists’ Project Earth, uma iniciativa que visa chamar a atenção para as mudanças climatéricas. CD distribuído por Universal Music.
PETISCO – Visitar a Deli Delux (um depósito de delícias e iguarias, com uma pequena cafetaria que fica na fiada de armazéns da Bica do Sapato, a Santa Apolónia), é uma boa maneira de acabar o dia – encontra-se sempre uma boa sugestão para fazer um jantar inesperado ou matar o desejo de uma gulodice. Ali se descobre o que é mais ou menos raro encontrar, desde massas a produtos de charcutaria, passando por doces e chás. A garrafeira é vasta, atenta, mais cara que um supermercado mas com preços dentro do aceitável para uma garrafeira especializada que tem em stock algumas boas raridades portuguesas e estrangeiras. No balcão do frio encontra-se, de há uns tempos a esta parte, uma excelente gama de massas frescas, confeccionadas em Portugal sob a marca «Pasta do Dia». Para além das propostas mais habituais, encontram-se algumas boas surpresas como sorrentinos pretos recheados de alho francês e salmão e atrevimentos como raviolis de bacalhau com broa e raviolis de farinheira. Pode descobrir tudo sobre estas massas em www.casadapasta.com . E pode saber mais sobre a Deli Delux visitando www.delidelux.pt ou indo lá todos os dias entre as 12h00 e as 22h00 (fecha à segunda, ao fim de semana abre às 10h00 e no Domingo encerra às 20h00).
PERGUNTA – Será a Ópera essencialmente feminina ? - perguntei-me depois de relatos que dão conta da predominância de mulheres nos primeiros dias do «Cosi Fan Tutte» de Mozart no S. Carlos?
BACK TO BASICS – Um homem é o que ele come, Ludwig Feuerbach.
CURIOSO – A China é o mercado onde o investimento publicitário está a crescer mais rapidamente e em 2006, em valores absolutos, o aumento verificado no investimento publicitário no mercado chinês foi maior que o aumento verificado no mercado norte-americano.
REGISTAR – O Vereador da Cultura da Câmara Municipal de Lisboa deu uma muito umbilical uma entrevista ao site www.artecapital.net que merece ser arquivada. Explico: daqui a um ano valerá a pena ver se as poucas coisas concretas que disse no meio de um rosário de lugares comuns e promessas generalistas se concretizam ou não – até porque quando foi eleito desfiou largo rol de ideias que têm persistido em ficar guardadas dentro de si próprio. Uma nota curiosa é o facto de o Vereador sublinhar num ponto da entrevista que projectos que tenham capacidade de fazer formação de públicos implicam uma certa «regularidade e previsibilidade» e, pouco depois, admitir acabar com a Lisboa Photo, que é dos poucos projectos precisamente com essas características. Enfim, estratégias do paradoxo…
VER – Dia 9, sábado, o documentário «Bénard da Costa – O Tempo do Cinema», pelas 20h45 na 2:, com produção da Panavideo e realização de José Carlos Santos, com base num guião de Cristina L. Duarte.
OUVIR – O que é que acontece quando a música cubana e o talento de Ibrahim Ferrer e Omara Portuondo são revisitados e utilizados como ponto de partida para recriações de standards, por nomes como Coldplay, Jack Johnson, Franz Ferdinand, Radiohead, Sting ou Arctic Monkeys? Acontece uma festa, uma festa de ritmos e entusiasmos, apesar dos riscos evidentes que o projecto encerrava. «Rhythms Del Mundo», assim se chama o disco, é uma iniciativa do APE – Artists’ Project Earth, uma iniciativa que visa chamar a atenção para as mudanças climatéricas. CD distribuído por Universal Music.
PETISCO – Visitar a Deli Delux (um depósito de delícias e iguarias, com uma pequena cafetaria que fica na fiada de armazéns da Bica do Sapato, a Santa Apolónia), é uma boa maneira de acabar o dia – encontra-se sempre uma boa sugestão para fazer um jantar inesperado ou matar o desejo de uma gulodice. Ali se descobre o que é mais ou menos raro encontrar, desde massas a produtos de charcutaria, passando por doces e chás. A garrafeira é vasta, atenta, mais cara que um supermercado mas com preços dentro do aceitável para uma garrafeira especializada que tem em stock algumas boas raridades portuguesas e estrangeiras. No balcão do frio encontra-se, de há uns tempos a esta parte, uma excelente gama de massas frescas, confeccionadas em Portugal sob a marca «Pasta do Dia». Para além das propostas mais habituais, encontram-se algumas boas surpresas como sorrentinos pretos recheados de alho francês e salmão e atrevimentos como raviolis de bacalhau com broa e raviolis de farinheira. Pode descobrir tudo sobre estas massas em www.casadapasta.com . E pode saber mais sobre a Deli Delux visitando www.delidelux.pt ou indo lá todos os dias entre as 12h00 e as 22h00 (fecha à segunda, ao fim de semana abre às 10h00 e no Domingo encerra às 20h00).
PERGUNTA – Será a Ópera essencialmente feminina ? - perguntei-me depois de relatos que dão conta da predominância de mulheres nos primeiros dias do «Cosi Fan Tutte» de Mozart no S. Carlos?
BACK TO BASICS – Um homem é o que ele come, Ludwig Feuerbach.
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MISTÉRIO – O novo projecto de Lei da Televisão prevê, pela primeira vez, a existência de canais regionais e locais e ninguém surge a falar do tema, que há uns anos ocupava as preocupações de muita gente. Anda tudo distraído ou é para ver se ninguém dá pelo assunto?
CURIOSO – A China é o mercado onde o investimento publicitário está a crescer mais rapidamente e em 2006, em valores absolutos, o aumento verificado no investimento publicitário no mercado chinês foi maior que o aumento verificado no mercado norte-americano.
REGISTAR – O Vereador da Cultura da Câmara Municipal de Lisboa deu uma muito umbilical uma entrevista ao site www.artecapital.net que merece ser arquivada. Explico: daqui a um ano valerá a pena ver se as poucas coisas concretas que disse no meio de um rosário de lugares comuns e promessas generalistas se concretizam ou não – até porque quando foi eleito desfiou largo rol de ideias que têm persistido em ficar guardadas dentro de si próprio. Uma nota curiosa é o facto de o Vereador sublinhar num ponto da entrevista que projectos que tenham capacidade de fazer formação de públicos implicam uma certa «regularidade e previsibilidade» e, pouco depois, admitir acabar com a Lisboa Photo, que é dos poucos projectos precisamente com essas características. Enfim, estratégias do paradoxo…
VER – Dia 9, sábado, o documentário «Bénard da Costa – O Tempo do Cinema», pelas 20h45 na 2:, com produção da Panavideo e realização de José Carlos Santos, com base num guião de Cristina L. Duarte.
OUVIR – O que é que acontece quando a música cubana e o talento de Ibrahim Ferrer e Omara Portuondo são revisitados e utilizados como ponto de partida para recriações de standards, por nomes como Coldplay, Jack Johnson, Franz Ferdinand, Radiohead, Sting ou Arctic Monkeys? Acontece uma festa, uma festa de ritmos e entusiasmos, apesar dos riscos evidentes que o projecto encerrava. «Rhythms Del Mundo», assim se chama o disco, é uma iniciativa do APE – Artists’ Project Earth, uma iniciativa que visa chamar a atenção para as mudanças climatéricas. CD distribuído por Universal Music.
PETISCO – Visitar a Deli Delux (um depósito de delícias e iguarias, com uma pequena cafetaria que fica na fiada de armazéns da Bica do Sapato, a Santa Apolónia), é uma boa maneira de acabar o dia – encontra-se sempre uma boa sugestão para fazer um jantar inesperado ou matar o desejo de uma gulodice. Ali se descobre o que é mais ou menos raro encontrar, desde massas a produtos de charcutaria, passando por doces e chás. A garrafeira é vasta, atenta, mais cara que um supermercado mas com preços dentro do aceitável para uma garrafeira especializada que tem em stock algumas boas raridades portuguesas e estrangeiras. No balcão do frio encontra-se, de há uns tempos a esta parte, uma excelente gama de massas frescas, confeccionadas em Portugal sob a marca «Pasta do Dia». Para além das propostas mais habituais, encontram-se algumas boas surpresas como sorrentinos pretos recheados de alho francês e salmão e atrevimentos como raviolis de bacalhau com broa e raviolis de farinheira. Pode descobrir tudo sobre estas massas em www.casadapasta.com . E pode saber mais sobre a Deli Delux visitando www.delidelux.pt ou indo lá todos os dias entre as 12h00 e as 22h00 (fecha à segunda, ao fim de semana abre às 10h00 e no Domingo encerra às 20h00).
PERGUNTA – Será a Ópera essencialmente feminina ? - perguntei-me depois de relatos que dão conta da predominância de mulheres nos primeiros dias do «Cosi Fan Tutte» de Mozart no S. Carlos?
BACK TO BASICS – Um homem é o que ele come, Ludwig Feuerbach.
CURIOSO – A China é o mercado onde o investimento publicitário está a crescer mais rapidamente e em 2006, em valores absolutos, o aumento verificado no investimento publicitário no mercado chinês foi maior que o aumento verificado no mercado norte-americano.
REGISTAR – O Vereador da Cultura da Câmara Municipal de Lisboa deu uma muito umbilical uma entrevista ao site www.artecapital.net que merece ser arquivada. Explico: daqui a um ano valerá a pena ver se as poucas coisas concretas que disse no meio de um rosário de lugares comuns e promessas generalistas se concretizam ou não – até porque quando foi eleito desfiou largo rol de ideias que têm persistido em ficar guardadas dentro de si próprio. Uma nota curiosa é o facto de o Vereador sublinhar num ponto da entrevista que projectos que tenham capacidade de fazer formação de públicos implicam uma certa «regularidade e previsibilidade» e, pouco depois, admitir acabar com a Lisboa Photo, que é dos poucos projectos precisamente com essas características. Enfim, estratégias do paradoxo…
VER – Dia 9, sábado, o documentário «Bénard da Costa – O Tempo do Cinema», pelas 20h45 na 2:, com produção da Panavideo e realização de José Carlos Santos, com base num guião de Cristina L. Duarte.
OUVIR – O que é que acontece quando a música cubana e o talento de Ibrahim Ferrer e Omara Portuondo são revisitados e utilizados como ponto de partida para recriações de standards, por nomes como Coldplay, Jack Johnson, Franz Ferdinand, Radiohead, Sting ou Arctic Monkeys? Acontece uma festa, uma festa de ritmos e entusiasmos, apesar dos riscos evidentes que o projecto encerrava. «Rhythms Del Mundo», assim se chama o disco, é uma iniciativa do APE – Artists’ Project Earth, uma iniciativa que visa chamar a atenção para as mudanças climatéricas. CD distribuído por Universal Music.
PETISCO – Visitar a Deli Delux (um depósito de delícias e iguarias, com uma pequena cafetaria que fica na fiada de armazéns da Bica do Sapato, a Santa Apolónia), é uma boa maneira de acabar o dia – encontra-se sempre uma boa sugestão para fazer um jantar inesperado ou matar o desejo de uma gulodice. Ali se descobre o que é mais ou menos raro encontrar, desde massas a produtos de charcutaria, passando por doces e chás. A garrafeira é vasta, atenta, mais cara que um supermercado mas com preços dentro do aceitável para uma garrafeira especializada que tem em stock algumas boas raridades portuguesas e estrangeiras. No balcão do frio encontra-se, de há uns tempos a esta parte, uma excelente gama de massas frescas, confeccionadas em Portugal sob a marca «Pasta do Dia». Para além das propostas mais habituais, encontram-se algumas boas surpresas como sorrentinos pretos recheados de alho francês e salmão e atrevimentos como raviolis de bacalhau com broa e raviolis de farinheira. Pode descobrir tudo sobre estas massas em www.casadapasta.com . E pode saber mais sobre a Deli Delux visitando www.delidelux.pt ou indo lá todos os dias entre as 12h00 e as 22h00 (fecha à segunda, ao fim de semana abre às 10h00 e no Domingo encerra às 20h00).
PERGUNTA – Será a Ópera essencialmente feminina ? - perguntei-me depois de relatos que dão conta da predominância de mulheres nos primeiros dias do «Cosi Fan Tutte» de Mozart no S. Carlos?
BACK TO BASICS – Um homem é o que ele come, Ludwig Feuerbach.
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