junho 08, 2018

CHEIRA A FIM DE FESTA: COSTA METE TRAVÕES, RUI RIO PERDE FLECHAS

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FLECHAS & ARQUEIROS - Sente-se no ar um ligeiro odor de fim de festa. António Costa, agora escudado na possibilidade de tomar o pequeno almoço com Rui Rio com maior frequência, começou a dar negas aos seus parceiros da geringonça. O Primeiro Ministro guia o Governo como se estivesse numa pista de ensaios de automóveis a testar os travões. Imagino-o a sorrir quando recebeu a notícia de que Rui Rio tinha retirado as setas do logotipo do PSD, pensando, com os seus botões, que já passou o perigo de uma batalha com arco e flecha lançada pelo líder da oposição. Como se viu nesta semana, com o porta voz do PCP para o ensino a clamar por auxílio de outros sectores profissionais na luta dos professores contra o Governo, a discussão sobre o próximo Orçamento de Estado para 2019 promete episódios picantes. Há uma clara marca partidária no sector escolhido para radicalizar a luta contra o Governo. O PCP decidiu voltar a posicionar-se, farto de estar nas trincheiras atrás do Bloco de Esquerda. O problema é que a pessoa que escolheu para dar cabo da vida aos alunos neste fim de ano escolar é alguém que há muito tempo não dá aulas. Chamar-lhe professor é um problema de expressão. Face à ocorrência, até agora, o Governo tem mostrado vontade de se distanciar do senhor Nogueira. Estamos politicamente na fase da dança e contra-dança. Com o Ministro da Educação a nadar em seco. 


 


SEMANADA - Há 541 anestesistas a menos nos hospitais públicos; um terço dos anestesistas formados nos últimos três anos optou por não ficar no Serviço Nacional de Saúde; há regiões, como o Algarve, que oferecem o dobro das remunerações normais para conseguirem atrair médicos; pelo segundo ano consecutivo 700 médicos não têm vaga para fazer a especialidade; no último ano e meio a administração pública contratou 13 652 pessoas e as autarquias foram responsáveis por cerca de metade do novo emprego público criado; em 2017 cada português foi responsável por criar 1,32 quilogramas de lixo por dia -  desde 2011 que não se produzia tanto lixo; segundo a União Europeia Portugal é dos países onde a população total mais vai encolher e terá a taxa de crescimento potencial mais débil da Europa; um estudo divulgado esta semana indica que quase metade dos alunos do 2º ano não consegue saltar à corda e 40% deles não conseguem dar uma cambalhota para a frente; as ajudas do Estado aos bancos nos últimos dez anos custaram o equivalente a 23 pontes Vasco da Gama; o preço das casas subiu 20% mais rápido que o rendimento das famílias; a taxa de empregabilidade dos alunos formados na rede de escolas de hotelaria e turismo subiu para 90%; o Museu da Presidência da República foi assaltado pela segunda vez; o ex~líder da Juventude Leonina foi detido; o Estádio da Luz e o Benfica foram alvo de mais uma busca da Polícia Judiciária.


 


ARCO DA VELHA - O programa Simplex apresentou no Porto o primeiro funcionário público que é um robô humanóide, chamado Lola, e contratou o mágico Luis de Matos para fazer videos sobre as novas funcionalidades. António Costa, presente na apresentação do mágico, afirmou que não trazia vacas voadoras.


Dicionario Enciclopedico de palavras Cruzadas_CAPA


FOLHEAR - Os dicionários definem cruzadismo como o gosto pela actividade de fazer ou construir palavras cruzadas. É um passatempo que muitas pessoas é a razão para escolherem o seu jornal em papel e comprarem-no regularmente. Fazer palavras cruzadas é um desafio, um vício que puxa pelos conhecimentos de vocabulário e de raciocínio. Mário Bernardo de Matos é um dos grandes especialistas portugueses nesta área e entre 1999 e 2005 foi colaborador do Jornal da Região, onde publicou problemas de palavras cruzadas de autor para todas as regiões onde o jornal foi distribuído. Em 1998 lançou o Dicionário do Cruzadismo, a primeira obra do género a ser publicada em Portugal. Agora, pela mão da editora  Guerra & Paz lançou o “Dicionário Enciclopédico de Palavras Cruzadas”, que reúne mais de 17500 entradas ao longo de cerca de 400 páginas. Para além do seu conteúdo enciclopédico e rico em sinomínia a edição oferece a possibilidade de uma busca prática: ao contrário dos dicionários tradicionais esta obra parte de uma definição para chegar a uma palavra, e não de uma palavra para chegar a uma edição.


 


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VER - É raro ver um filme português que conjugue uma qualidade técnica irrepreensível (na fotografia, no som, na montagem) com um desempenho de actores excepcional, com um elenco internacional, uma história e uma narrativa escorreita Cabaret Maxime, o novo filme de Bruno de Almeida, é um exemplo disso mesmo. Bruno de Almeida, que estudou cinema em Nova Iorque, por lá viveu e trabalhou vários anos, trouxe uma forma diferente de pensar um filme, desde o processo de produção à construção do argumento e dos diálogos. O filme é rodado em Lisboa, no Cais do Sodré, integralmente falado em inglês e a história passa-se em local não especificado. O antigo Cabaret Maxime, na Praça da Alegria, que inspirou o filme, foi gerido no final da sua existência por Manuel João Vieira (músico, artista plástico), e ele próprio é o responsável não só pela banda sonora do filme como pelas numerosas intervenções musicais que surgem ao longo da narrativa. O tema do filme é a transformação que ocorre nas cidades quando a gentrificação começa a deslocar do seu habitat os negócios tradicionais - no caso é o negócio do entretenimento. O Cabaret Maxime é habitado como um circo, por artistas que vivem como uma família. Michael Imperioli (que fez fama em os Sopranos) desempenha o papel principal e é o dono do local. Destaque para as interpretações de Ana Padrão (o seu melhor papel em cinema até agora), John Ventimiglia, Nick Sandow e Drena De Niro. No fim os bons vencem os maus, coisa que por vezes acontece nos filmes e mais raramente na realidade.


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OUVIR - José Mário Branco é conhecido por ser um dos mais importantes nomes da canção de intervenção, antes e depois de 25 de Abril de 1974. Além de autor de canções inesquecíveis e de ser um grande intérprete, José Mário Branco é também um músico excepcional e um dos melhores produtores e arranjadores da música popular portuguesa. Os seus trabalhos com José Afonso e Camané, para citar só os mais conhecidos, são provas disso. Mas a sua actividade inclui bandas sonoras de filmes e a  recuperação de temas populares e tradicionais, além de colaborações com grupos de teatro, quer como actor, quer como compositor. “Inéditos 1967-1999” é um CD duplo que inclui 26 temas seleccionados pelo próprio José Mário Branco, em vários casos restaurados a partir das bobines originais, incluindo temas que nunca foram editados em disco, singles raros e maquetes nunca antes divulgadas. Entre os temas raros destacam-se as seis “Cantigas de Amigo” editadas em EP antes ainda do álbum “Mudam-se Os Tempos Mudam-se As Vontades”, o notável tema inédito “Quantas sabedes amar, amigo (Mar de Vigo)”, que abre a colectânea, o quarteto instrumental em 3 andamentos “Fantaisie Languedocienne”, de 1987, que agora foi gravado pela primeira vez em estúdio, os cinco temas escritos para a banda sonora do filme Agosto” de Jorge Silva Melo e o arrebatador bolero “Alma Herida”, escrito para o filme “A Raiz do Coração”, de Paulo Rocha, e que encerra o segundo CD. Este segundo CD tem aliás vários motivos de interesse musical, com José Mário Branco a inspirar-se em temas de Eddy Mitchell, Adriano Celentano, Helmut Zacharias , os Conchas e The Shadows. Outros pontos saltos são a colaboração com João Loio na marcha “São João do Porto”, e temas incontornáveis como “Ronda do Soldadinho”, “Cantar da Viúva de Emigrante”, “Fuga do Mar” (baseado num poema de Alexandre O’Neil), “Remendos e Côdeas” (segundo Bertolt Brecht). Edição Warner já à venda.


 


PROVAR - Soão é o nome dado a um vento que sopra do oriente. É também o nome da  taberna asiática que pela mão do chef Luís Cardoso junta pratos oriundos da Índia, Vietname, Coreia, Taiwan, China, Tailândia e Japão. Fica no edifício do antigo cinema Alvalade, junto à praça de Santo António. No piso de entrada há meia dúzia de mesas e o balcão onde se pode ver a cozinha em acção; em baixo há o bar e quatro compartimentos reservados que podem levar entre seis a doze pessoas. A carta proporciona uma escolha ampla, que vai de diversas entradas como chamuças de cabra, algumas sopas orientais, dim sums, sushi e sashimis, além de propostas próprias do chef. A decoração é simples e confortável, o serviço é completamente informal mas funciona. A lista de vinhos é suficiente, há cervejas orientais, diversos chás, e até cocktails de whisky japonês com chás especiais. Nas comidas provou-se um dim sum de champagne, lavagante e gambas, na sopa esteve bem o Tom Yum, uma sopa temperada com erva princípe, lima kaffir, chili, cogumelos e camarão (ou frango). A rematar veio um caril de peixe com leite de côco, manjericão, pimentos, lima kaffir e arroz thai, que estava acima da média. A sobremesa foi um refrescante gelado de lemongrass, gengibre e manjericão. O Soão é propriedade do mesmo grupo que nasceu com o Sea Me e depois cresceu para o Prego da Peixaria e Barracuda. A experiência foi boa, é sítio para voltar. Avenida de Roma 100, telefone 210 554 499.


 


DIXIT - “Não há dinheiro” - António Costa, no Parlamento, sobre as reivindicações dos professores.


 


GOSTO -  O Centro de Estudos de Sociologia e Estética Musical da Universidade Nova de Lisboa colocou online os arquivos dos 50 anos de carreira de José Mário Branco.


 


NÃO GOSTO - 45% dos alunos do ensino secundário não foram capazes de situar Portugal no mapa da Europa.


 


BACK TO BASICS - Nunca ensino os meus alunos, apenas procuro que eles tenham condições para aprender - Albert Einstein