A semana passada foi exemplar para mostrar que a RTP só consegue sair da sua audiência média dos 11-12% de share quando tem futebol. Graças sobretudo a dois jogos da Taça da Liga (Sporting-Porto e Sporting-Setubal), a RTP conseguiu um share médio de 14,2%, o melhor desde há vários meses. Saber se isto é serviço público audiovisual é uma questão completamente diferente. Nos 15 programas mais vistos da RTP1 não existe uma única ficção – só programas desportivos na área do futebol (três jogos e diversos anexos), informativos, magazines e concursos. À excepção do magazine documental “Planeta Azul”, que tem uma vertente ecológica, todos os outros programas no TOP 15 da RTP são produções destinadas a consumo imediato, sem possibilidade de reaproveitamento posterior a médio prazo. É isto que se torna cada vez mais confuso nos critérios de programação da RTP1, embora o Conselho Geral Independente, num comunicado recente, tenha considerado que Nuno Artur Silva procedeu à “reconfiguração estratégica da política de conteúdos da empresa, numa ótica de serviço público de media, tarefa que desempenhou de modo altamente meritório”. O outro facto relevante da semana foi a suspensão do programa da SIC “Super Nanny” – e não deixa de ser curioso que o especial informação que a estação promoveu, para debater os conteúdos e a polémica gerados pelo programa, tenha sido o momento com maior audiência da SIC em toda a semana, superando mesmo a novela “Paixão”.
/(publicado na revista Sexta Tv & Lazer do Correio da Manhã de 2 de Fevereiro de 2018)