abril 24, 2015

TELEVISÃO - O PROBLEMA DA RELEVÂNCIA

As audiências de televisão são instrumentos de estudo a vários níveis – capacidade de comunicação dos canais, capacidade de fidelização, o perfil dos espectadores, as oscilações de audiências e a sua causa. Conquistar audiências não é um papão – é uma medição da capacidade de comunicação de cada canal. Em Portugal, não só na televisão infelizmente, criou-se a perturbadora ideia de que ter pouco público pode ser bom se esse público for uma elite de compreensão superior – sendo que a definição da capacidade de compreensão é sempre um assunto terrível e perigoso. Para mim não há volta a dar a isto: ter pouco público significa que se comunica mal. Depois tem que se perceber se a razão de ser da má comunicação está na forma, ou se está no conteúdo; e por último ver se forma e conteúdo são adequados aos públicos que se quer tocar. Faz-me muita impressão que se separem as audiências da noção de relevância e que se contraponha a qualidade à massificação da comunicação. O universo da cultura contemporânea é indissociável da massificação – nas mais diversas formas de expressão da criatividade. Quem não procura audiências num qualquer órgão de comunicação é porque não entende papel dos Media na sociedade. E por mais relevância que se possa achar que os conteúdos têm, se eles não conseguirem audiências e renovação de espectadores é porque alguma coisa está mal.


 


(publicado na revista Sexta TV & Lazer do Correio da Manhã)