O PAUZINHO NA ENGRENAGEM - 1
Estou a recolher apontamentos para escrever o meu primeiro livro. Há-de chamar-se «O Pauzinho na Engrenagem» e contará a história de como é possível parar um projecto sem fazer quase nada para isso. Basta ir dizendo que sim num dia, noutro dizendo que não, semeando umas armadilhas, parando uns papéis, cumprindo a burocracia à risca, fazendo por tornar difícil o que podia ser fácil. Há quem tenha feito uma carreira nestes expedientes.
O que vou escrevendo, entre o Weekend do Jornal de Negócios e os Pensamentos Ociosos no SAPO. E mais umas coisas avulsas...
outubro 20, 2003
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O PAUZINHO NA ENGRENAGEM - 1
Estou a recolher apontamentos para escrever o meu primeiro livro. Há-de chamar-se «O Pauzinho na Engrenagem» e contará a história de como é possível parar um projecto sem fazer quase nada para isso. Basta ir dizendo que sim num dia, noutro dizendo que não, semeando umas armadilhas, parando uns papéis, cumprindo a burocracia à risca, fazendo por tornar difícil o que podia ser fácil. Há quem tenha feito uma carreira nestes expedientes.
Estou a recolher apontamentos para escrever o meu primeiro livro. Há-de chamar-se «O Pauzinho na Engrenagem» e contará a história de como é possível parar um projecto sem fazer quase nada para isso. Basta ir dizendo que sim num dia, noutro dizendo que não, semeando umas armadilhas, parando uns papéis, cumprindo a burocracia à risca, fazendo por tornar difícil o que podia ser fácil. Há quem tenha feito uma carreira nestes expedientes.
UM PAÍS MELHOR
Gostava mesmo de ter um país melhor. Onde as reformas se consigam concretizar. Onde se consiga trabalhar, onde as pessoas tenham bom nível de vida e se consigam realizar. Onde o sistema político funcione sem ser em clima de conspiração permanente, onde os partidos sejam expressões de organização colectiva e não arregimentações de interesses particulares. Ouvi o Eng. Henrique Neto na SIC e pensei que temos muito em comum. Se pessoas como ele fossem mais activas na política talvez pudéssemos ter um país melhor mais depressa.
Gostava mesmo de ter um país melhor. Onde as reformas se consigam concretizar. Onde se consiga trabalhar, onde as pessoas tenham bom nível de vida e se consigam realizar. Onde o sistema político funcione sem ser em clima de conspiração permanente, onde os partidos sejam expressões de organização colectiva e não arregimentações de interesses particulares. Ouvi o Eng. Henrique Neto na SIC e pensei que temos muito em comum. Se pessoas como ele fossem mais activas na política talvez pudéssemos ter um país melhor mais depressa.
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UM PAÍS MELHOR
Gostava mesmo de ter um país melhor. Onde as reformas se consigam concretizar. Onde se consiga trabalhar, onde as pessoas tenham bom nível de vida e se consigam realizar. Onde o sistema político funcione sem ser em clima de conspiração permanente, onde os partidos sejam expressões de organização colectiva e não arregimentações de interesses particulares. Ouvi o Eng. Henrique Neto na SIC e pensei que temos muito em comum. Se pessoas como ele fossem mais activas na política talvez pudéssemos ter um país melhor mais depressa.
Gostava mesmo de ter um país melhor. Onde as reformas se consigam concretizar. Onde se consiga trabalhar, onde as pessoas tenham bom nível de vida e se consigam realizar. Onde o sistema político funcione sem ser em clima de conspiração permanente, onde os partidos sejam expressões de organização colectiva e não arregimentações de interesses particulares. Ouvi o Eng. Henrique Neto na SIC e pensei que temos muito em comum. Se pessoas como ele fossem mais activas na política talvez pudéssemos ter um país melhor mais depressa.
POPULISMO
Alguns bem pensantes fartam-se de atacar o populismo. Depois dos últimos dias fico com uma dúvida: expressões como «estou-me a cagar», «à canelada» ou «são todos uns merdas» também serão sinal de populismo? Será que vamos assistir às críticas aos autores destas frases no contexto da actuação da justiça?
Alguns bem pensantes fartam-se de atacar o populismo. Depois dos últimos dias fico com uma dúvida: expressões como «estou-me a cagar», «à canelada» ou «são todos uns merdas» também serão sinal de populismo? Será que vamos assistir às críticas aos autores destas frases no contexto da actuação da justiça?
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POPULISMO
Alguns bem pensantes fartam-se de atacar o populismo. Depois dos últimos dias fico com uma dúvida: expressões como «estou-me a cagar», «à canelada» ou «são todos uns merdas» também serão sinal de populismo? Será que vamos assistir às críticas aos autores destas frases no contexto da actuação da justiça?
Alguns bem pensantes fartam-se de atacar o populismo. Depois dos últimos dias fico com uma dúvida: expressões como «estou-me a cagar», «à canelada» ou «são todos uns merdas» também serão sinal de populismo? Será que vamos assistir às críticas aos autores destas frases no contexto da actuação da justiça?
outubro 19, 2003
UM FILME
Trata-se de um diário sobre o processo de concepção, espera-se que pré-produção e, espera-se também, produção de um filme. Chama-se O Mistério da Serra de Sintra e é do meu amigo Jorge Paixão da Costa.
Citação:
O Telles telefonou-me:
"Tens alguma coisa para o ICAM?"
"Tenho!"
"A sim? O quê?"
"Uma vontade enorme de lhes explicar umas coisas sobre a lei do cinema"
O Telles ficou mudo. Fez-se um silêncio. E quando eu pensava que estava tudo dito, ele deve ter acabado o que estava a fazer e redisse-me:
"Tens alguma coisa para o ICAM, um guião?
Tenho, mas não é completamente meu!
É de quem?"
É do Eça.
Não faz mal, eu falo com ele!
O melhor é falar com o Efe.
Com o Efe ou com o Eça?
Com o Efe!
Porquê?
Porque o Efe é que falou com uma senhora..."
Trata-se de um diário sobre o processo de concepção, espera-se que pré-produção e, espera-se também, produção de um filme. Chama-se O Mistério da Serra de Sintra e é do meu amigo Jorge Paixão da Costa.
Citação:
O Telles telefonou-me:
"Tens alguma coisa para o ICAM?"
"Tenho!"
"A sim? O quê?"
"Uma vontade enorme de lhes explicar umas coisas sobre a lei do cinema"
O Telles ficou mudo. Fez-se um silêncio. E quando eu pensava que estava tudo dito, ele deve ter acabado o que estava a fazer e redisse-me:
"Tens alguma coisa para o ICAM, um guião?
Tenho, mas não é completamente meu!
É de quem?"
É do Eça.
Não faz mal, eu falo com ele!
O melhor é falar com o Efe.
Com o Efe ou com o Eça?
Com o Efe!
Porquê?
Porque o Efe é que falou com uma senhora..."
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UM FILME
Trata-se de um diário sobre o processo de concepção, espera-se que pré-produção e, espera-se também, produção de um filme. Chama-se O Mistério da Serra de Sintra e é do meu amigo Jorge Paixão da Costa.
Citação:
O Telles telefonou-me:
"Tens alguma coisa para o ICAM?"
"Tenho!"
"A sim? O quê?"
"Uma vontade enorme de lhes explicar umas coisas sobre a lei do cinema"
O Telles ficou mudo. Fez-se um silêncio. E quando eu pensava que estava tudo dito, ele deve ter acabado o que estava a fazer e redisse-me:
"Tens alguma coisa para o ICAM, um guião?
Tenho, mas não é completamente meu!
É de quem?"
É do Eça.
Não faz mal, eu falo com ele!
O melhor é falar com o Efe.
Com o Efe ou com o Eça?
Com o Efe!
Porquê?
Porque o Efe é que falou com uma senhora..."
Trata-se de um diário sobre o processo de concepção, espera-se que pré-produção e, espera-se também, produção de um filme. Chama-se O Mistério da Serra de Sintra e é do meu amigo Jorge Paixão da Costa.
Citação:
O Telles telefonou-me:
"Tens alguma coisa para o ICAM?"
"Tenho!"
"A sim? O quê?"
"Uma vontade enorme de lhes explicar umas coisas sobre a lei do cinema"
O Telles ficou mudo. Fez-se um silêncio. E quando eu pensava que estava tudo dito, ele deve ter acabado o que estava a fazer e redisse-me:
"Tens alguma coisa para o ICAM, um guião?
Tenho, mas não é completamente meu!
É de quem?"
É do Eça.
Não faz mal, eu falo com ele!
O melhor é falar com o Efe.
Com o Efe ou com o Eça?
Com o Efe!
Porquê?
Porque o Efe é que falou com uma senhora..."
JÁ GANHEI O DIA
Regressou o Guerra e Pas. E em grande forma. Com coisas picantes e deliciosas. E, como sempre, muito boas considerações.
Regressou o Guerra e Pas. E em grande forma. Com coisas picantes e deliciosas. E, como sempre, muito boas considerações.
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JÁ GANHEI O DIA
Regressou o Guerra e Pas. E em grande forma. Com coisas picantes e deliciosas. E, como sempre, muito boas considerações.
Regressou o Guerra e Pas. E em grande forma. Com coisas picantes e deliciosas. E, como sempre, muito boas considerações.
outubro 18, 2003
LER
Nada de actores.
(Nada de direcção de actores.)
Nada de personagens.
(Nada de estudo de personagens.)
Nada de mise en scène.
Antes a utilização de modelos, tirados da vida.
SER (modelos) em lugar de PARECER (actores).
As palavras são de Robert Bresson, citadas pelo Filipe, no Intrusos .
Nada de actores.
(Nada de direcção de actores.)
Nada de personagens.
(Nada de estudo de personagens.)
Nada de mise en scène.
Antes a utilização de modelos, tirados da vida.
SER (modelos) em lugar de PARECER (actores).
As palavras são de Robert Bresson, citadas pelo Filipe, no Intrusos .
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ÓCULOS
Reparamos que estamos a ficar mais velhos quando à volta da mesa de jantar todos puxam dos óculos de ver ao perto para ler a ementa. Foi o que ontem me aconteceu com um grupo de amigos, ao jantar, num restaurante. Tirando isso divertimo-nos à grande, comemos bem e tivemos muito boas vistas.
Reparamos que estamos a ficar mais velhos quando à volta da mesa de jantar todos puxam dos óculos de ver ao perto para ler a ementa. Foi o que ontem me aconteceu com um grupo de amigos, ao jantar, num restaurante. Tirando isso divertimo-nos à grande, comemos bem e tivemos muito boas vistas.
UM NOVO SENTIDO DA POLíTICA
Tou-me cagando para o segredo de justiça - relatam os jornais de hoje que a afirmação foi proferida por Ferro Rodrigues nas célebres escutas telefónicas. É sempre elucidativo ver um político deixar-se de hipocrisias e dizer o que pensa de facto, sem ter em conta as necessidade de manter uma aparência de sentido democrático. Bom, bom era saber mais coisas sobre o comportamento e dos ditos dos políticos na intimidade, versus as suas afirmações públicas. Confrontar a teoria com a prática é sempre muito útil.
Tou-me cagando para o segredo de justiça - relatam os jornais de hoje que a afirmação foi proferida por Ferro Rodrigues nas célebres escutas telefónicas. É sempre elucidativo ver um político deixar-se de hipocrisias e dizer o que pensa de facto, sem ter em conta as necessidade de manter uma aparência de sentido democrático. Bom, bom era saber mais coisas sobre o comportamento e dos ditos dos políticos na intimidade, versus as suas afirmações públicas. Confrontar a teoria com a prática é sempre muito útil.
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UM NOVO SENTIDO DA POLíTICA
Tou-me cagando para o segredo de justiça - relatam os jornais de hoje que a afirmação foi proferida por Ferro Rodrigues nas célebres escutas telefónicas. É sempre elucidativo ver um político deixar-se de hipocrisias e dizer o que pensa de facto, sem ter em conta as necessidade de manter uma aparência de sentido democrático. Bom, bom era saber mais coisas sobre o comportamento e dos ditos dos políticos na intimidade, versus as suas afirmações públicas. Confrontar a teoria com a prática é sempre muito útil.
Tou-me cagando para o segredo de justiça - relatam os jornais de hoje que a afirmação foi proferida por Ferro Rodrigues nas célebres escutas telefónicas. É sempre elucidativo ver um político deixar-se de hipocrisias e dizer o que pensa de facto, sem ter em conta as necessidade de manter uma aparência de sentido democrático. Bom, bom era saber mais coisas sobre o comportamento e dos ditos dos políticos na intimidade, versus as suas afirmações públicas. Confrontar a teoria com a prática é sempre muito útil.
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GOMICE
O léxico político português adquiriu nesta semana uma nova expressão: gomice. Trata-se de uma afirmação destemperada e despropositada feita apenas para provocar alarido. Deriva do comportamento de Ana Gomes. Diz-se que a dirigente socialista ficou pior e começou a fazer mais gomices quando percebeu que afinal perdeu a possibilidade de ser a primeira mulher a ocupar a pasta dos negócios estrangeiros em Portugal.
O léxico político português adquiriu nesta semana uma nova expressão: gomice. Trata-se de uma afirmação destemperada e despropositada feita apenas para provocar alarido. Deriva do comportamento de Ana Gomes. Diz-se que a dirigente socialista ficou pior e começou a fazer mais gomices quando percebeu que afinal perdeu a possibilidade de ser a primeira mulher a ocupar a pasta dos negócios estrangeiros em Portugal.
GOMICE
O léxico político português adquiriu nesta semana uma nova expressão: gomice. Trata-se de uma afirmação destemperada e despropositada feita apenas para provocar alarido. Deriva do comportamento de Ana Gomes. Diz-se que a dirigente socialista ficou pior e começou a fazer mais gomices quando percebeu que afinal perdeu a possibilidade de ser a primeira mulher a ocupar a pasta dos negócios estrangeiros em Portugal.
O léxico político português adquiriu nesta semana uma nova expressão: gomice. Trata-se de uma afirmação destemperada e despropositada feita apenas para provocar alarido. Deriva do comportamento de Ana Gomes. Diz-se que a dirigente socialista ficou pior e começou a fazer mais gomices quando percebeu que afinal perdeu a possibilidade de ser a primeira mulher a ocupar a pasta dos negócios estrangeiros em Portugal.
O CÓDIGO DE CONDUTA
Parece que um jornalista do «Expresso» adquiriu umas acções de determinada empresa para poder estar na respectiva Assembleia Geral e, assim, poder depois escrever sobre o que lá se passara. No meu tempo o Código Deontológico dos jornalistas reprovava a prática de reportar sem que o repórter se tivesse claramente identificado como jornalista. Quer-me parecer que o célebre Código de Conduta do «Expresso» também não concorda com o método da reportagem-espionagem. Esperava que alguém do próprio jornal explicasse hoje aos leitores o que se passara, porquê e o que a Direcção da publicação pensava do assunto. Nada. Nadinha. Giro, não é?
Parece que um jornalista do «Expresso» adquiriu umas acções de determinada empresa para poder estar na respectiva Assembleia Geral e, assim, poder depois escrever sobre o que lá se passara. No meu tempo o Código Deontológico dos jornalistas reprovava a prática de reportar sem que o repórter se tivesse claramente identificado como jornalista. Quer-me parecer que o célebre Código de Conduta do «Expresso» também não concorda com o método da reportagem-espionagem. Esperava que alguém do próprio jornal explicasse hoje aos leitores o que se passara, porquê e o que a Direcção da publicação pensava do assunto. Nada. Nadinha. Giro, não é?
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O CÓDIGO DE CONDUTA
Parece que um jornalista do «Expresso» adquiriu umas acções de determinada empresa para poder estar na respectiva Assembleia Geral e, assim, poder depois escrever sobre o que lá se passara. No meu tempo o Código Deontológico dos jornalistas reprovava a prática de reportar sem que o repórter se tivesse claramente identificado como jornalista. Quer-me parecer que o célebre Código de Conduta do «Expresso» também não concorda com o método da reportagem-espionagem. Esperava que alguém do próprio jornal explicasse hoje aos leitores o que se passara, porquê e o que a Direcção da publicação pensava do assunto. Nada. Nadinha. Giro, não é?
Parece que um jornalista do «Expresso» adquiriu umas acções de determinada empresa para poder estar na respectiva Assembleia Geral e, assim, poder depois escrever sobre o que lá se passara. No meu tempo o Código Deontológico dos jornalistas reprovava a prática de reportar sem que o repórter se tivesse claramente identificado como jornalista. Quer-me parecer que o célebre Código de Conduta do «Expresso» também não concorda com o método da reportagem-espionagem. Esperava que alguém do próprio jornal explicasse hoje aos leitores o que se passara, porquê e o que a Direcção da publicação pensava do assunto. Nada. Nadinha. Giro, não é?
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