September 23, 2004

MADONNA – O incontornável espectáculo do ano em Portugal ultrapassou em muito um concerto. A utilização dos audiovisuais em permanente contraponto, secundarizou os músicos, à partida colocados acessoriamente nos lados do palco, escondidos como as orquestras nos fossos dos teatros tradicionais. Um trabalho cénico a evocar muitas vezes a ópera transformou o Pavilhão Atlântico numa sala completamente diferente do que já conhecíamos. Em 1984, aquando do lançamento do seu primeiro disco, «Like A Virgin», escrevi no «Expresso» que estava a nascer uma estrela pop de um novo género, como até aí ainda não se conhecia, e que iria revolucionar espectáculo como nós o encarávamos. Não sou adivinho, mas os indícios estavam lá, nas letras, na pose, nas fotografias, na comunicação, nos materiais de promoção, nas entrevistas – alguns se riram do que consideraram, na altura, um exagero; pelos vistos, não foi. O facto de Lisboa e o seu Pavilhão terem sido escolhidos para palco da rodagem da digressão do DVD desta digressão vai ter boas consequências e dar ainda mais notoriedade ao Atlântico e à sua equipa técnica que tão bem acolhem as mais complexas produções. Sem uma sala como o Atlântico, vale a pena dizê-lo, mais dificilmente passariam por Lisboa alguns dos grandes concertos que nos têm visitado nos últimos anos. E vale a pena mantê-la no domínio público, porque ela é incontornável parte da cidade.

ALCOOLISMO – Ainda na semana passada foi divulgado um estudo que mostra números assustadores sobre o crescimento do consumo de bebidas alcoólicas entre os jovens portugueses, com todas as consequências que isso traz. Perante uma situação como esta,como se pode encarar a moda surgida este ano numa das discotecas mais famosas do Algarve, direccionada para um público juvenil, que colocava o bar aberto, sem limites, para uma noite inteira, a 20 euros? Há muito que fazer na regulamentação das discotecas e da venda de bebidas alcoólicas.

MAÇONARIA – Vale a pena reter as palavras do artigo desta semana, no «Público», de Eduardo Cintra Torres: «Trinta anos depois da instauração da democracia, existem ainda sociedades secretas com membros em postos importantíssimos do Estado reivindicando a democracia, dizendo defender a democracia, dizendo-se até mais democráticos que outros, mas que não observam a mais elementar das regras da democracia: a participação aberta na sociedade aberta, a divulgação franca pelos seus membros dos objectivos da sua militância. O que significa ser maçon e ocupar um cargo no aparelho do Estado? Quais as consequências? No caso de um partido, tal é público ou semipúblico. E se o não é, há os "media" e há regras para se saber, dado que os partidos não estão fora do aparelho de Estado(...)E no caso de uma organização secreta? Conhecer os princípios dessa organização pouco me diz, pois todas as cartilhas devem ser confrontadas com as práticas e no caso de uma sociedade secreta não poderei sabê-lo e o Estado não tem meios de o saber nem de disponibilizar aos cidadãos a legítima informação a que têm direito. »

BACK TO BASICS – Os orgãos de soberania não devem interferir nos media, nem pressionar a sua programação ou linha editorial.

O MELHOR DA SEMANA – O magnífico novo anúncio do Sapo, da PT, na fotocopiadora, quer na versão de televisão, quer na de rádio.

O PIOR DA SEMANA – A TV Cabo continua sem colocar o Fashion TV no seu acesso universal, mantendo-o apenas no restrito universo digital. Resta-me o consolo de ao fim de semana poder ver Fashion TV na Cabovisão.

A PERGUNTA – Qual será a entidade, que agrupa vários partidos, que acha que Portugal é o Burkina Faso em matéria de utilização dos orgãos de comunicação?

SUGESTÃO – O livro para crianças de Miguel Sousa Tavares, «O Segredo do Rio», com ilustrações de Fernanda Fragateiro.